Transporte

Estaleiro brasileiro inicia construção do primeiro de quatro navios Handymax para a Transpetro

O estaleiro Ecovix, localizado em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, iniciou a construção do primeiro de quatro navios do tipo Handymax encomendados pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. A iniciativa faz parte do Programa Mar Aberto, criado para renovar e ampliar a frota própria da companhia petrolífera brasileira.

O início dos trabalhos foi marcado pela cerimônia de colocação da quilha, etapa simbólica que representa o começo da construção estrutural de uma embarcação. A tradição, mantida há séculos na indústria naval, também está associada aos desejos de segurança e boa sorte para o navio e sua tripulação.

Programa Mar Aberto impulsiona investimentos na frota naval

A construção das novas embarcações representa a retomada dos investimentos da Transpetro em sua frota própria. Segundo Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo da empresa, o projeto busca ampliar a capacidade operacional para acompanhar o crescimento da demanda e da produção de petróleo no Brasil.

A iniciativa integra a estratégia de fortalecimento da logística marítima de petróleo e derivados, com foco na expansão da capacidade de transporte e no atendimento às necessidades do mercado nacional.

Navios Handymax transportarão combustíveis e derivados

As quatro embarcações encomendadas serão utilizadas no transporte de derivados leves de petróleo, incluindo diferentes tipos de combustíveis.

Entre os produtos previstos para o transporte estão:

  • Diesel marítimo;
  • Diesel S10;
  • Diesel S500;
  • Gasolina de aviação.

A incorporação dos navios deverá contribuir para ampliar a capacidade de movimentação desses produtos e reforçar a estrutura logística da Petrobras e de sua subsidiária.

Ecovix construirá 13 embarcações para a Transpetro

Além dos quatro navios Handymax, o contrato de construção naval prevê outras nove embarcações, totalizando 13 unidades destinadas à Transpetro nos próximos anos.

O programa contempla três categorias de navios:

  • Quatro Handymax: destinados ao transporte de derivados leves de petróleo.
  • Cinco navios-tanque pressurizados: projetados para transportar gás liquefeito de petróleo (GLP) e seus derivados.
  • Quatro embarcações MR1 (Medium Range): navios de médio porte voltados ao transporte marítimo de produtos.

O conjunto de encomendas amplia a carteira de projetos do estaleiro e reforça a participação da indústria naval brasileira no atendimento às demandas do setor energético.

Construção naval pode gerar até 5 mil empregos

As obras das 13 embarcações têm potencial para criar até 5 mil empregos diretos e indiretos, conforme estimativas relacionadas aos impactos do programa.

A expectativa é que os investimentos contribuam para movimentar a economia regional, estimular a cadeia de fornecedores e fortalecer a geração de empregos na indústria naval.

Com a construção dos novos navios, a Transpetro avança no plano de renovação de sua frota, enquanto o setor naval brasileiro ganha novas oportunidades de produção e desenvolvimento industrial.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

Ler Mais
Economia

Ibovespa sobe 0,94% com alta da Petrobras e petróleo acima de US$ 104; dólar fecha a R$ 5,02

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta, impulsionado principalmente pela valorização das ações da Petrobras em meio à disparada dos preços internacionais do petróleo. Ao mesmo tempo, investidores acompanharam as pesquisas eleitorais e seus possíveis reflexos sobre o mercado financeiro brasileiro.

O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,94%, aos 206.220,24 pontos. Durante o pregão, oscilou entre a mínima de 203.984,57 pontos e a máxima de 207.953,74 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão chegou a R$ 60,2 bilhões.

No mercado cambial, o dólar à vista registrou leve valorização de 0,17%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0240. Apesar da alta diária, a moeda norte-americana passou a acumular queda de 8,47% no ano.

Petróleo dispara e impulsiona ações da Petrobras

O avanço das cotações internacionais do petróleo foi um dos principais fatores por trás da alta da Bolsa brasileira. Os contratos futuros do Brent, referência internacional da commodity, subiram 4,1%, fechando a US$ 104,28 por barril.

A valorização ocorreu em meio à retomada das preocupações com a guerra no Oriente Médio e aos riscos de interrupções no abastecimento provocados pela aproximação de um furacão à costa do Golfo dos Estados Unidos.

Nesse cenário, as ações da Petrobras ganharam força e ajudaram o Ibovespa a apresentar desempenho diferente do observado em Nova York. O índice S&P 500, por exemplo, terminou o dia com queda de 0,45%.

A alta do petróleo também favoreceu outras companhias do setor de energia, que acompanharam o movimento positivo da commodity no exterior.

Petrobras, PRIO e PetroReconcavo fecham em alta

Entre os principais destaques do pregão, as ações da Petrobras registraram ganhos expressivos. Os papéis preferenciais (PETR4) subiram 2,12%, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 3,13%.

Outras empresas do setor de petróleo também encerraram a sessão no campo positivo:

  • PetroReconcavo (RECV3): alta de 3,42%.
  • PRIO (PRIO3): valorização de 1,82%.

A combinação entre petróleo mais caro e expectativas relacionadas ao cenário político brasileiro contribuiu para sustentar o interesse dos investidores pelos papéis da estatal.

Pesquisa eleitoral mantém investidores atentos

O cenário político continuou no centro das atenções do mercado financeiro. Pesquisa PoderData/Aya divulgada pela manhã apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos em uma simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro informada foi de 1,8 ponto percentual.

Os investidores também aguardavam a divulgação de uma pesquisa do Datafolha sobre a disputa presidencial, prevista para o início da noite.

Parte dos agentes financeiros associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à possibilidade de mudanças na condução da política fiscal. Essa avaliação tem influenciado as expectativas sobre juros, câmbio e investimentos em ações, embora propostas concretas de ajuste das contas públicas ainda sejam uma questão em aberto.

O chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, avaliou que o resultado da pesquisa PoderData/Aya reforçou expectativas já presentes no mercado e contribuiu para manter o interesse pela Petrobras.

Dólar fecha em leve alta após oscilar durante o pregão

O dólar comercial apresentou variações moderadas ao longo da sessão, acompanhando as expectativas políticas e o comportamento das moedas internacionais.

A moeda norte-americana chegou a R$ 5,0282 na máxima do dia, com alta de 0,25%, e recuou até R$ 5,0011 na mínima, quando perdia 0,29%. No encerramento, avançou 0,17%, para R$ 5,0240.

O contrato futuro de dólar com vencimento em novembro, o mais negociado na B3, registrava alta de 0,01%, a R$ 5,0440, às 17h21.

No exterior, o comportamento da divisa foi misto. O dólar perdeu força diante de algumas moedas de países exportadores de commodities, como o peso chileno e o rand sul-africano, mas avançou frente a diversas outras moedas durante a tarde.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos em relação a uma cesta de seis divisas, recuava 0,18%, aos 102,070 pontos, às 17h17.

Debate sobre contas públicas influencia o câmbio

As expectativas sobre a política fiscal brasileira também contribuíram para orientar as negociações no mercado de câmbio.

Parte dos investidores considera que uma eventual mudança de governo poderia aumentar as chances de controle das despesas públicas. Na avaliação desses agentes, uma trajetória fiscal mais equilibrada poderia abrir espaço para juros menores no futuro.

Essa perspectiva contribuiu para a redução dos prêmios na curva de juros futuros nos últimos dias e para a desvalorização recente do dólar em relação ao real. Após o primeiro turno, a moeda norte-americana acumulava queda de 3,70%.

O debate ganhou força após a publicação de informações de que a equipe de Flávio Bolsonaro estudava mudanças nos critérios de reajuste das aposentadorias e na correção de despesas obrigatórias com saúde e educação.

Em entrevista à imprensa, o senador afirmou que pretende reajustar as aposentadorias acima da inflação e negou planos para alterar as regras atuais de correção dos benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as expectativas atribuídas ao candidato. Em entrevista à CNN Brasil, afirmou que as propostas representariam uma “ilusão” para o mercado por não considerarem adequadamente os efeitos sobre a atividade econômica e o emprego.

Banco Central realiza operação de swap cambial

No mercado doméstico, o Banco Central realizou, no fim da manhã, a venda de 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento previsto para 3 de novembro.

A operação faz parte dos instrumentos utilizados pela autoridade monetária para administrar a exposição cambial e dar continuidade aos contratos que estão próximos do vencimento.

O pregão terminou, assim, com a Bolsa brasileira favorecida pela valorização do petróleo e das ações da Petrobras, enquanto o dólar registrou uma pequena alta em meio à expectativa por novos sinais sobre a disputa presidencial e a condução da política econômica.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

Ler Mais
Economia

O Futuro do Petróleo Brasileiro: Por Que a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas São as Novas Fronteiras

O pré-sal tem sido o grande motor da economia e da balança comercial brasileira nas últimas décadas, respondendo por cerca de 80% de toda a produção nacional. No entanto, com previsões apontando para o declínio dessa extração na próxima década, a busca por novas fontes de energia tornou-se uma prioridade estratégica. Para garantir que o país continue entre os maiores exportadores globais, a Petrobras e o setor energético voltam os olhos para duas novas fronteiras: a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.

O Fenômeno da Guiana e a Aposta na Margem Equatorial

Localizada na costa norte do Amapá, a Margem Equatorial ganhou destaque após uma descoberta recente da Petrobras em um poço remoto, situado a apenas 700 quilômetros da zona de produção da Guiana.

O país vizinho transformou-se em uma potência petrolífera impressionante em tempo recorde, saltando para reservas de bilhões de barris em poucos anos de exploração. Como a geologia da região compartilhada com o Amapá apresenta semelhanças estruturais com o solo guianense, especialistas avaliam que o subsolo brasileiro pode esconder um potencial semelhante.

Ainda assim, especialistas ponderam que existe uma grande distância entre encontrar indícios e comprovar a viabilidade comercial da extração. A estimativa oficial aponta para o início de operações na área em 2033, preenchendo exatamente a lacuna deixada pelo envelhecimento do pré-sal.

Bacia de Pelotas: A Conexão Geológica com a Namíbia

No extremo oposto do litoral brasileiro, a Bacia de Pelotas desponta como a outra grande aposta para o futuro energético do país. A região compartilha traços geológicos idênticos aos da Namíbia, na costa africana, já que ambos os territórios formavam uma única massa continental há milhões de anos.

Com campanhas de perfuração programadas para os próximos anos por gigantes do setor, a bacia sulista atrai atenções internacionais. Inclusive, operações vizinhas conduzidas no Uruguai podem antecipar respostas importantes sobre a presença de reservas comerciais viáveis na mesma faixa marítima.

Desafios e Sustentabilidade Econômica

Manter os níveis de arrecadação pública obtidos por meio de dividendos, royalties e participações especiais de petroleiras exigirá planejamento estratégico e novos investimentos em infraestrutura setorial. Com o avanço das pesquisas sísmicas e novas campanhas exploratórias, o Brasil se prepara para definir os rumos da sua segurança energética e manter sua relevância no cenário internacional de óleo e gás.

FONTE: Investnews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração: Daniela Arbex

Ler Mais
Informação

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 11,76% em outubro

A Petrobras elevou em 11,76%, em média, o preço do querosene de aviação (QAV) comercializado em suas refinarias. O novo valor passa a valer nesta quinta-feira (1º) e afeta o combustível utilizado por aviões e helicópteros.

Com o reajuste, o preço médio do QAV subiu de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro entre setembro e outubro. Os valores específicos praticados em cada refinaria podem ser consultados no site da Petrobras.

O preço cobrado das distribuidoras segue uma regra prevista em contrato e é atualizado no primeiro dia de cada mês.

Guerra no Oriente Médio pressiona preço do QAV

A Petrobras relaciona os aumentos recentes do querosene de aviação aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que provocou impactos na logística internacional de petróleo e derivados.

O valor médio de outubro está 74% acima do registrado em 1º de março, quando o litro custava R$ 3,592. A data ocorreu logo após o início dos ataques militares de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Um dos principais fatores de pressão é a instabilidade no Estreito de Ormuz, localizado ao sul do Irã. Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás passava pela região. Com a redução da oferta disponível no mercado internacional, as cotações avançaram.

Combustível ganha peso nos custos das companhias aéreas

O aumento do QAV também elevou a participação do combustível nas despesas das companhias aéreas brasileiras.

Antes do conflito, o querosene representava cerca de 30% dos custos operacionais das empresas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Após o início da guerra, a participação do combustível passou de 45%, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Preço do petróleo segue referência internacional

Embora o Brasil tenha produção própria de petróleo, os preços do produto e de seus derivados são influenciados pelas cotações internacionais.

Isso ocorre porque o petróleo e seus derivados são commodities, produtos negociados em grandes volumes e com preços determinados pelo mercado global.

Em períodos nos quais Estados Unidos e Irã demonstraram maior possibilidade de chegar a um acordo, houve alívio nas cotações. Com isso, a Petrobras reduziu o preço do QAV em junho e julho.

A trajetória, porém, mudou a partir de agosto, quando o combustível voltou a registrar altas. Os aumentos continuaram em setembro e agora em outubro.

Em maio, para reduzir o impacto dos reajustes sobre o caixa das empresas aéreas, a Petrobras autorizou as distribuidoras de QAV a parcelarem os aumentos.

Como o querosene de aviação chega aos aeroportos

A Petrobras comercializa o QAV produzido em suas refinarias e também o combustível importado para empresas distribuidoras.

Essas companhias ficam responsáveis pelo transporte e pela comercialização do produto para companhias aéreas, outros consumidores finais e revendedores, inclusive nos aeroportos.

A Petrobras responde atualmente por aproximadamente 85% da produção nacional de QAV. Apesar dessa participação, o mercado brasileiro é aberto à concorrência, permitindo que outras empresas produzam ou importem o combustível.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ler Mais
Informação

Petrobras aumenta preço do diesel em R$ 1, mas subsídio evita alta nas refinarias

A Petrobras anunciou na quarta-feira (16) um aumento de R$ 1 por litro no preço do diesel nas refinarias, com validade a partir desta quinta-feira (19). Apesar do reajuste, o valor cobrado pela estatal não será alterado neste momento.

Isso ocorre porque o aumento será compensado integralmente por uma subvenção econômica ao diesel A rodoviário, também de R$ 1 por litro. O benefício foi estabelecido pela Portaria MF nº 2.813/2026, publicada na mesma data e com aplicação imediata pelo período de 30 dias.

Subsídio neutraliza aumento do diesel

Na prática, o valor da subvenção equivale ao reajuste anunciado pela Petrobras. Com isso, o preço do diesel permanece no mesmo nível nas refinarias durante a vigência do mecanismo de compensação.

A adesão ao programa de subvenção é facultativa. Segundo a Petrobras, a participação foi considerada compatível com os interesses comerciais da companhia.

A medida ocorre em um cenário de atenção aos custos do combustível e às oscilações do mercado internacional de petróleo e derivados.

Petrobras mantém estratégia de preços

Em comunicado, a Petrobras afirmou que sua política comercial considera a participação de mercado, o aproveitamento de seus ativos de refino e a busca por rentabilidade sustentável.

A companhia também destacou que procura evitar que variações de curto prazo nas cotações internacionais e na taxa de câmbio sejam repassadas imediatamente aos preços praticados no mercado interno.

Segundo a estatal, essa estratégia permite administrar os efeitos da volatilidade externa sobre os preços domésticos, mantendo como referência os objetivos comerciais da empresa.

O que muda para o preço do diesel?

Apesar do anúncio de aumento de R$ 1 por litro no preço de referência do diesel, a subvenção de mesmo valor impede, neste momento, uma elevação correspondente no preço cobrado pela Petrobras nas refinarias.

O mecanismo tem prazo de 30 dias, conforme estabelecido pela Portaria MF nº 2.813/2026. Ao longo desse período, a política poderá ser acompanhada de acordo com as regras definidas pelo governo e com a estratégia comercial da companhia.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters / Diego Vara / Direitos Reservados

Ler Mais
Comércio Internacional

Petrobras fecha acordo para importar gás dos EUA por 20 anos

A Petrobras firmou um contrato de longo prazo para compra e venda de Gás Natural Liquefeito (GNL) com a norte-americana Sempra. O acordo prevê o fornecimento de gás dos Estados Unidos à estatal brasileira durante 20 anos.

O anúncio foi feito na noite de segunda-feira (14.set.2026). O contrato havia sido assinado no fim de agosto e estabelece a aquisição de 800 mil toneladas de GNL por ano pela Petrobras.

Gás será produzido no Texas

O combustível terá origem no Terminal de Liquefação de GNL de Port Arthur, localizado no Texas, nos Estados Unidos. O empreendimento está em fase de desenvolvimento e construção pela Sempra Infrastructure, subsidiária da companhia norte-americana.

A previsão da Sempra é que os primeiros trens de liquefação da unidade entrem em operação comercial entre 2027 e 2028.

O terminal está situado na costa do Texas e terá acesso à produção de gás natural dos Estados Unidos, além de uma estrutura logística integrada para o escoamento do combustível.

Petrobras busca reduzir exposição ao mercado spot

De acordo com a Petrobras, a contratação de volumes de GNL de longo prazo faz parte da estratégia para diminuir a exposição às oscilações do mercado spot.

A empresa também afirma que o acordo deverá contribuir para uma gestão mais eficiente dos riscos relacionados ao portfólio de gás natural e ampliar a capacidade de atendimento aos contratos firmados pela companhia.

Segundo a estatal, a estratégia busca oferecer maior flexibilidade e segurança na gestão do suprimento de gás.

Sempra atua em infraestrutura de energia

A Sempra Infrastructure é responsável por projetos ligados à infraestrutura energética, incluindo empreendimentos de Gás Natural Liquefeito, redes de energia e iniciativas relacionadas a soluções de baixo carbono.

Com o novo contrato, a Petrobras assegura uma fonte de fornecimento de GNL dos Estados Unidos para as próximas duas décadas, com início previsto após a entrada em operação comercial do empreendimento de Port Arthur.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Internacional

Marrocos deve fornecer 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil

O Brasil está prestes a firmar um acordo com o Marrocos para ampliar o fornecimento de fertilizantes, em uma tentativa de reduzir os riscos de desabastecimento provocados pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O compromisso deverá ser formalizado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante viagem a Rabat, no início da próxima semana. A previsão é de que os primeiros embarques ocorram já nos próximos dias.

Pelo entendimento, o país africano deverá garantir o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil. O volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas estimado pelo governo brasileiro para a safra 2026/27.

Primeiro embarque de fertilizantes deve ocorrer na próxima semana

A expectativa do governo é que o acordo tenha efeitos imediatos sobre o abastecimento de fertilizantes no Brasil. De acordo com André de Paula, a primeira carga marroquina deve ser enviada ao país já na próxima semana.

A missão brasileira contará com representantes de 12 entidades do agronegócio, entre elas Aprosoja e Abramilho.

O ministro afirmou que o risco de falta do insumo está afastado e destacou que a busca por fornecedores ganhou importância diante dos problemas logísticos provocados pelos conflitos internacionais.

Cerca de 92% dos fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira são importados, o que deixa o país exposto a interrupções nas cadeias globais de fornecimento.

Guerras aumentam preocupação com oferta de fertilizantes

Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio afetaram rotas estratégicas de transporte e elevaram a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de insumos agrícolas.

No caso brasileiro, a questão é especialmente relevante porque o calendário de plantio depende da chegada dos fertilizantes às regiões produtoras.

Diante desse cenário, o governo adotou uma estratégia baseada em duas frentes. A primeira é encontrar fornecedores capazes de atender à demanda no curto prazo. A segunda envolve ampliar a produção nacional de fertilizantes para diminuir a dependência do mercado externo no longo prazo.

Petrobras retoma produção nacional

Como parte da estratégia de redução da dependência externa, o governo trabalha na retomada de unidades de produção de fertilizantes no Brasil.

Três fábricas da Petrobras já foram reabertas, enquanto uma quarta unidade, localizada em Mato Grosso do Sul, ainda está em processo de retomada.

O aumento da produção doméstica deve contribuir para reduzir a vulnerabilidade brasileira, mas não eliminará a necessidade de importações. Isso ocorre principalmente em relação a produtos que têm produção limitada ou inexistente no país, como determinados fertilizantes fosfatados.

A Rússia continua entre os principais fornecedores internacionais do insumo para o Brasil.

China também amplia fornecimento ao agronegócio

Antes do acordo com o Marrocos, a China já havia aumentado os envios de fertilizantes para o mercado brasileiro.

Segundo André de Paula, uma missão realizada no início do ano ajudou a consolidar a ampliação do fornecimento de fertilizantes nitrogenados e NPK.

Agora, o governo busca estabelecer uma parceria semelhante com o Marrocos, país que possui grandes reservas de fosfato e vem sendo procurado por outras nações interessadas em garantir o abastecimento.

Brasil também negocia tarifa zero para carne bovina

A agenda da missão brasileira no Marrocos inclui ainda uma negociação para ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado daquele país.

Representantes de importantes entidades do setor acompanharão a viagem, incluindo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Embora o mercado marroquino esteja formalmente aberto ao produto brasileiro, uma tarifa de importação de 220% torna as vendas praticamente inviáveis. A negociação prevê a retirada dessa cobrança, o que aumentaria a competitividade da carne brasileira.

Mercado marroquino pode abrir portas na África

O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que o Marrocos tenha demanda anual de aproximadamente 100 mil a 150 mil toneladas de carne bovina.

Apesar de ser um mercado menor quando comparado a outros grandes compradores internacionais, o governo brasileiro considera o país estrategicamente importante por sua localização e pelo potencial de servir como porta de entrada para outros mercados africanos.

Dados do Agrostat mostram que o Brasil exportou 9,5 mil toneladas de carne para o Marrocos em 2025, gerando receita de US$ 27,7 milhões.

Brasil busca diversificar mercados para o agronegócio

Para o governo brasileiro, a importância da aproximação com o Marrocos vai além do volume de fertilizantes ou do tamanho do mercado de carne.

A estratégia faz parte de um esforço para ampliar a presença do agronegócio brasileiro em novos mercados e reduzir a dependência de parceiros específicos, especialmente em um momento de incertezas no comércio internacional.

Segundo André de Paula, a abertura de novos destinos comerciais é uma forma de diversificar as exportações brasileiras e diminuir a exposição a eventuais restrições ou dificuldades em mercados tradicionais, como a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Economia

Dólar cai 0,92% e Ibovespa dispara 3,20% em forte alta dos ativos brasileiros

O dólar comercial recuava 0,92% frente ao real nesta quarta-feira (2), cotado a R$ 5,10 às 12h27. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da B3, avançava 3,20%, aos 185.637 pontos.

O desempenho reforça o movimento positivo dos ativos brasileiros, em uma sessão marcada pelo maior apetite dos investidores por ações e pela atenção aos fatores externos e às perspectivas para a economia nacional.

Ibovespa amplia sequência de ganhos

A Bolsa brasileira acelerou a alta ao longo do pregão, depois de registrar valorização de 1,27% na terça-feira (1º), quando encerrou aos 179.676 pontos.

Com o resultado anterior, o Ibovespa chegou à décima sessão consecutiva de alta, em um movimento associado, entre outros fatores, à entrada de capital estrangeiro no mercado brasileiro e às expectativas relacionadas ao cenário eleitoral de 2026.

A forte valorização desta quarta-feira mantém o índice em trajetória positiva e aumenta a percepção de demanda por ativos domésticos.

Petróleo favorece ações da Petrobras

A alta do preço do petróleo também contribui para o desempenho das ações de empresas produtoras da commodity, entre elas a Petrobras.

O petróleo Brent permanece em níveis elevados em meio às tensões geopolíticas internacionais, cenário que tende a favorecer as companhias do setor. Ao mesmo tempo, a valorização da commodity aumenta a preocupação dos mercados com possíveis impactos sobre a inflação global.

Produção industrial perde ritmo

No ambiente doméstico, os investidores também analisam os indicadores de atividade econômica.

A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho na comparação com junho. Na relação com julho de 2025, entretanto, houve retração de 0,5%.

O resultado aponta para uma perda de ritmo da indústria no começo do segundo semestre e entra no radar dos investidores na avaliação das perspectivas para a economia brasileira.

Dólar mantém trajetória de queda

O dólar frente ao real também acompanha o ambiente mais favorável aos ativos brasileiros.

Na sessão anterior, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,15, com queda de 0,47%. Nesta quarta-feira, a divisa mantém a trajetória de baixa e era negociada a R$ 5,10 no início da tarde.

A combinação de dólar em queda e Bolsa em alta sinaliza maior procura por ativos brasileiros durante o pregão.

O movimento ocorre mesmo diante de um cenário externo mais desafiador, marcado pela valorização do petróleo e pelas preocupações dos investidores com inflação e possíveis efeitos sobre as taxas de juros.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Notícias

Braskem entra em recuperação extrajudicial após quase uma década de crise e reestruturação de US$ 10,9 bilhões

A Braskem entrou em uma nova etapa de sua crise nesta segunda-feira (24), ao apresentar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. O movimento é consequência de problemas que se acumularam ao longo de quase dez anos e envolveram questões societárias, passivos bilionários e a deterioração do mercado petroquímico.

A companhia, que já foi considerada uma das grandes “campeãs nacionais” e chegou a superar R$ 60 bilhões em valor de mercado em 2017, enfrenta agora uma situação financeira que exige uma ampla negociação com credores.

O processo teve apoio inicial de credores que representam 39,6% dos créditos. A partir de agora, a empresa terá 90 dias para buscar um acordo definitivo sobre o plano de reestruturação.

A medida suspende as cobranças relacionadas às obrigações financeiras incluídas no processo, mas não alcança compromissos operacionais com fornecedores e funcionários.

Credores internacionais terão papel decisivo

A negociação deverá ser complexa. Cerca de 65% da dívida da Braskem está nas mãos de bondholders internacionais, grupo que já havia demonstrado resistência a uma proposta anterior apresentada pela companhia.

A influência desses credores dependerá da maneira como as dívidas serão organizadas dentro do processo. Ainda assim, eles deverão ter participação determinante nas discussões sobre as condições da reestruturação.

Mais do que representar o começo de uma nova crise, a recuperação extrajudicial reflete o acúmulo de dificuldades que acompanhou a Braskem durante praticamente uma década.

Crise começou com a antiga Odebrecht

A origem do problema está na antiga Odebrecht, atualmente chamada Novonor.

Entre 2016 e 2018, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, a empresa contraiu empréstimos junto a Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES.

Como garantia dos financiamentos, foram oferecidas ações da Braskem correspondentes a 38,3% do capital total da petroquímica e a 50,1% das ações com direito a voto. Na época, essa participação valia aproximadamente R$ 15 bilhões.

Com a incapacidade de honrar os compromissos, a Odebrecht entrou em recuperação judicial em 2019. A venda de sua participação na Braskem passou então a ser uma das principais alternativas para quitar as dívidas com os bancos.

Começou, assim, uma longa busca por um novo controlador para a petroquímica.

Diversos grupos tentaram comprar a Braskem

Ao longo dos anos, nomes como LyondellBasell, Unipar, J&F e Adnoc demonstraram interesse na aquisição da participação da Novonor.

As negociações, porém, enfrentaram obstáculos relacionados ao preço, aos passivos da companhia e à complexa estrutura societária da Braskem.

Nesse cenário, havia ainda outro acionista fundamental: a Petrobras.

Participação da Petrobras complicou mudança de controle

A Petrobras detinha 47% das ações com direito a voto e fazia parte de um acordo de acionistas que lhe garantia direitos relevantes dentro da Braskem.

Por isso, a venda da participação da Novonor não dependia apenas da existência de um comprador. Era necessário também definir como a Petrobras participaria da nova estrutura de controle.

Durante anos, a estatal avaliou alternativas para sua participação, inclusive uma possível saída. A indefinição dificultou a construção de uma solução definitiva.

O caso da Adnoc mostra a dimensão do desafio. Em 2023, a companhia de Abu Dhabi ofereceu R$ 10,5 bilhões pela participação da Novonor. A proposta envolvia, entre outras condições, a análise de possíveis novos passivos relacionados a Maceió e a negociação de um novo acordo de acionistas com a Petrobras.

A Adnoc desistiu das tratativas em maio de 2024.

Desastre de Maceió ampliou os passivos

Enquanto a definição do controle permanecia em aberto, novos problemas atingiram a Braskem.

O mais grave foi o desastre de Maceió, relacionado à exploração de sal-gema. O afundamento do solo provocou a saída de aproximadamente 60 mil pessoas de áreas afetadas.

Até agora, o episódio já representou um desembolso de cerca de R$ 15,8 bilhões para a Braskem, aumentando significativamente os passivos da companhia.

Ao mesmo tempo, a situação do próprio negócio se deteriorou.

Crise da petroquímica reduziu geração de caixa

Desde 2022, o excesso de capacidade da indústria petroquímica global pressionou os spreads do setor e reduziu a geração de caixa da Braskem.

A operação no México, que havia sido um dos principais símbolos da expansão internacional da empresa, também passou a enfrentar dificuldades. A Braskem Idesa recorreu neste mês ao Chapter 11 nos Estados Unidos para reorganizar suas dívidas.

O resultado foi uma combinação de problemas: uma companhia que inicialmente enfrentava uma crise de controle passou a apresentar também fragilidades operacionais e financeiras.

Quase uma década sem grandes investimentos

O longo período de indefinição societária teve outro efeito: limitou a capacidade da Braskem de assumir novos projetos de grande porte.

Durante boa parte dos últimos anos, a empresa esteve na prática em processo de venda. Para uma companhia cujo controlador pretende deixar o negócio, torna-se mais difícil comprometer bilhões de dólares em projetos cujo retorno só ocorrerá no longo prazo.

A última grande expansão da Braskem foi a fábrica no México, inaugurada em 2016 após investimentos de US$ 4,5 bilhões.

Enquanto isso, concorrentes globais continuaram ampliando escala por meio de investimentos e aquisições.

Em 2025, por exemplo, Adnoc e OMV anunciaram a criação da Borouge Group International, avaliada inicialmente em aproximadamente US$ 60 bilhões, além da compra da canadense Nova Chemicals por US$ 13,4 bilhões.

Enquanto a indústria internacional avançava na consolidação, a Braskem permaneceu concentrada durante anos na solução de sua estrutura de controle.

Valor de mercado despencou

A deterioração também aparece no valor da companhia.

Entre o pico registrado em outubro de 2017 e março de 2025, a Braskem perdeu aproximadamente US$ 11 bilhões em valor de mercado, equivalentes a cerca de R$ 61 bilhões.

Em março do ano passado, a empresa era avaliada em apenas R$ 7,7 bilhões.

A queda continuou. Nesta segunda-feira (24), as ações atingiram uma mínima histórica e acumulam desvalorização de aproximadamente 65% desde março deste ano.

Novo controlador chegou quando o problema já era financeiro

A questão societária finalmente avançou em 2026, mas por uma solução diferente das tentativas anteriores.

A IG4 adquiriu créditos que bancos tinham contra a Novonor e que eram garantidos pelas ações da Braskem. Com a operação, um fundo ligado à gestora passou a controlar 50,1% das ações com direito a voto.

A Petrobras permaneceu com 47%.

Depois de quase dez anos, a definição sobre o controle da petroquímica foi solucionada. O problema central, porém, já havia mudado.

A principal questão passou a ser a estrutura financeira da Braskem.

Dívidas pressionam caixa da companhia

A Braskem chegou a 2026 com geração de caixa insuficiente para fazer frente às obrigações, além de passivos elevados e dificuldades cada vez maiores para refinanciar suas dívidas.

Em junho, a empresa obteve proteção judicial por 60 dias para negociar com seus credores.

A situação se agravou a ponto de a Fitch classificar a companhia como restricted default depois da suspensão de pagamentos de juros.

Sem um acordo definitivo ao término do período de proteção, a empresa avançou agora para a recuperação extrajudicial.

Reestruturação pode mudar o futuro da Braskem

O processo poderá resultar em uma nova configuração para a companhia. Entre as alternativas previstas estão o alongamento de vencimentos, a capitalização de juros e a possibilidade de converter parte das dívidas em ações.

Novos aportes dos acionistas também podem integrar a solução.

O principal desafio será adequar a estrutura de capital da Braskem à sua capacidade efetiva de geração de caixa. O resultado dependerá das negociações com os credores nos próximos meses.

Ao final do processo, a petroquímica poderá emergir com uma estrutura financeira e acionária bastante diferente daquela que possuía quando a crise começou, quase dez anos atrás.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Diego Vara

Ler Mais
Economia

Margem Equatorial pode gerar bilhões em PIB, empregos e royalties no Brasil

A exploração de petróleo na Margem Equatorial tem potencial para acrescentar bilhões de reais à economia brasileira, ampliar a produção nacional de óleo e transformar a arrecadação dos seis estados abrangidos pela região.

Com cerca de 2.200 quilômetros de extensão, a área se estende do extremo norte do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte e é considerada uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo e gás natural no país, em uma região frequentemente comparada ao pré-sal.

Estimativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam para um potencial de até 30 bilhões de barris de petróleo.

Produção pode adicionar R$ 175 bilhões ao PIB

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que uma eventual produção na Margem Equatorial poderá acrescentar até R$ 175 bilhões ao PIB brasileiro.

O levantamento também estima a criação de aproximadamente 495 mil empregos formais e a geração de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos.

A consultoria Oxford Economics, por sua vez, projeta que a produção brasileira de petróleo poderia avançar dos atuais 3,8 milhões de barris por dia para cerca de 5 milhões de barris diários com o desenvolvimento de novas reservas.

Atualmente, Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia lideram a produção mundial, com cerca de 13 milhões, 9,9 milhões e 9,7 milhões de barris por dia, respectivamente.

Petrobras amplia investimentos na região

O potencial da Margem Equatorial brasileira ganhou novo destaque após a Petrobras identificar hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas.

A descoberta confirma a presença de petróleo ou gás natural nas formações avaliadas, mas ainda não determina se existem reservas em quantidade suficiente para justificar uma produção comercial.

A Petrobras planeja investir US$ 3 bilhões na Margem Equatorial nos próximos cinco anos e prevê a perfuração de 15 poços.

A estratégia ganhou relevância diante da expectativa de que a produção do pré-sal alcance seu pico entre 2030 e 2032, aumentando a necessidade de buscar novas áreas produtoras.

Atualmente, a indústria de óleo e gás responde por aproximadamente 17% do PIB industrial brasileiro, enquanto os investimentos previstos para o setor chegam a cerca de US$ 165 bilhões.

Quanto a Margem Equatorial pode movimentar nos estados

O Observatório Nacional da Indústria (ONI) criou um simulador para estimar os efeitos econômicos da produção na região. A ferramenta considera variáveis como volume produzido, cotação do petróleo e taxa de câmbio.

Em uma hipótese de produção de 300 mil barris por dia em cada estado, com o barril cotado a US$ 80,20 e o dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção chegaria a aproximadamente R$ 45 bilhões por unidade da federação.

Nesse cenário, o impacto estimado sobre o PIB seria próximo de R$ 34 bilhões em cada estado:

  • Ceará: R$ 34,005 bilhões;
  • Maranhão: R$ 33,846 bilhões;
  • Rio Grande do Norte: R$ 33,686 bilhões;
  • Amapá: R$ 33,490 bilhões;
  • Piauí: R$ 33,377 bilhões;
  • Pará: R$ 33,257 bilhões.

A projeção de geração de empregos varia entre 155.632 postos no Pará e 170.520 no Ceará. O Maranhão aparece com 170.390 empregos, seguido por Rio Grande do Norte, com 163.424; Amapá, com 162.261; e Piauí, com 158.997.

Na arrecadação de tributos indiretos, os valores projetados ficam entre R$ 1,901 bilhão no Amapá e R$ 2,022 bilhões no Ceará.

Impacto econômico será diferente em cada estado

Embora o impacto nominal estimado sobre o PIB seja semelhante entre os estados, o peso da atividade petrolífera muda de acordo com o tamanho de cada economia.

No Amapá, por exemplo, o valor adicionado bruto projetado pelo simulador representa um impacto equivalente a 193,5% da base de comparação estadual. O valor bruto da produção teria efeito de 296,3%, enquanto os tributos indiretos alcançariam 162,2%.

Nos estados com economias maiores, os efeitos relativos são menores. O impacto sobre o valor adicionado bruto é estimado em:

  • Piauí: 66,8%;
  • Rio Grande do Norte: 49,6%;
  • Maranhão: 37,8%;
  • Ceará: 22,3%;
  • Pará: 19,3%.

O mesmo ocorre com o mercado de trabalho. O impacto estimado sobre o emprego total chega a 44,6% no Amapá, enquanto fica em cerca de 11% no Piauí e no Rio Grande do Norte, 6,7% no Maranhão, 4,1% no Ceará e 4% no Pará.

Royalties podem alcançar R$ 6,85 bilhões por bloco

A futura produção também pode ampliar significativamente as receitas públicas por meio de royalties do petróleo e outras compensações.

Segundo as simulações do ONI, uma concessão com alíquota de 5% de royalties poderia gerar R$ 2,283 bilhões por ano. Com uma taxa de 10%, o valor subiria para R$ 4,567 bilhões.

Em um cenário de partilha com percentual de 15%, a arrecadação anual chegaria a R$ 6,850 bilhões para um único bloco.

O estudo também estima R$ 5,023 bilhões em participação especial, mecanismo de compensação financeira aplicado a campos com grande produção ou elevada rentabilidade, considerando um cenário de concessão com percentual de 11%.

Há ainda uma estimativa de R$ 342,49 milhões destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I), com base em uma alíquota de 0,75%.

A possibilidade de receitas bilionárias reforça a importância da gestão dos recursos. A CNI aponta desafios históricos em áreas como saneamento, educação, energia, transporte e conectividade nos estados da região, que precisarão ser considerados caso a produção avance.

Exploração ainda está longe da produção comercial

Apesar das projeções econômicas, a exploração na Bacia da Foz do Amazonas ainda está em uma fase inicial.

A licença concedida pelo Ibama permite atualmente apenas atividades exploratórias. Caso sejam identificados volumes economicamente viáveis, a Petrobras precisará delimitar a descoberta por meio de novos poços e estudos capazes de determinar o tamanho e as características do reservatório.

Depois de uma eventual declaração de comercialidade, será necessário apresentar à ANP um Plano de Desenvolvimento em até 180 dias. O documento deverá detalhar os investimentos, equipamentos e etapas necessários para iniciar a produção.

O projeto também dependerá de um novo processo de licenciamento ambiental, já que a autorização atual não permite a instalação e a operação de um campo produtor.

Produção comercial pode levar até dez anos

A experiência de outros projetos de exploração em águas profundas indica que o período entre a perfuração exploratória e o início da produção pode levar sete a dez anos, caso o projeto avance em todas as etapas previstas.

Com isso, uma eventual produção comercial na Margem Equatorial poderia ocorrer apenas na próxima década, possivelmente até 2035.

Até lá, será necessário confirmar o tamanho das reservas, avaliar sua viabilidade econômica, definir os investimentos e superar as etapas regulatórias e ambientais.

A identificação de hidrocarbonetos representa, portanto, apenas o início do processo. O impacto bilionário projetado para a Margem Equatorial dependerá, em última análise, da transformação das descobertas em reservas comercialmente viáveis e da capacidade de desenvolver uma cadeia produtiva capaz de sustentar a futura produção.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Petrobras/Divulgação

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook