Comércio Internacional

Exportações da Argentina chegam a US$ 77 bilhões e superávit comercial cresce em 2026

As exportações da Argentina somaram US$ 77 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, impulsionadas pelo avanço das commodities e pelo aumento das vendas externas. Em setembro, os embarques alcançaram US$ 10 bilhões, uma alta de 23,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação mensal, considerando o ajuste sazonal, o crescimento foi de 8,6%.

O desempenho refletiu a elevação tanto dos preços, que avançaram 16%, quanto dos volumes exportados, com aumento de 6%. O resultado reforça a expansão do comércio exterior argentino, embora outros setores da economia continuem enfrentando dificuldades.

Petróleo, farelo de soja e milho lideram as exportações argentinas

Os dez principais produtos exportados pela Argentina em setembro de 2026 responderam por 57,3% do valor total das vendas externas.

O petróleo bruto ocupou a primeira posição, com US$ 1,1 bilhão em exportações. Na sequência, apareceram o farelo de soja, com US$ 1 bilhão, e o milho, que movimentou US$ 833 milhões.

O ranking também incluiu o óleo bruto de soja, com US$ 597 milhões, e veículos destinados ao transporte de mercadorias, com US$ 518 milhões.

A soja em grãos ficou na sexta colocação, com US$ 468 milhões, equivalentes a 4,7% das exportações do país. Apesar da participação relevante, o produto registrou queda de 42,6% em relação a setembro do ano anterior.

Completaram a lista dos dez principais itens o ouro não monetário, a carne bovina, o trigo e o óleo de girassol.

Veículos e autopeças estão entre os principais produtos importados

No lado das importações, as dez categorias de produtos mais relevantes representaram 29,4% do total adquirido pela Argentina no exterior.

Os veículos para transporte de passageiros, incluindo ônibus, lideraram a lista, com aproximadamente US$ 450 milhões, o equivalente a 6,4% das importações. Em seguida, ficaram as peças e os acessórios automotivos, com participação de 4,3%, e a soja, responsável por 3,9%.

Outros produtos com peso significativo na pauta de compras externas foram medicamentos, telefones, veículos de transporte de mercadorias, produtos derivados do sangue e imunológicos, fertilizantes e equipamentos para processamento de dados.

Superávit comercial argentino alcança US$ 2,976 bilhões em setembro

A Argentina registrou superávit comercial de US$ 2,976 bilhões em setembro de 2026. O resultado foi obtido com exportações de US$ 10 bilhões e importações de aproximadamente US$ 7 bilhões.

As compras externas recuaram 1,8% na comparação anual, embora tenham apresentado uma leve alta em relação a agosto.

O saldo comercial de setembro superou em US$ 2 bilhões o registrado no mesmo mês de 2025 e ficou US$ 1,5 bilhão acima do resultado de agosto. Foi também o maior superávit mensal desde junho, quando o país alcançou US$ 3,4 bilhões.

O país acumula 34 meses consecutivos de resultados positivos na balança comercial, sequência iniciada em dezembro de 2023, quando Javier Milei assumiu a Presidência.

Saldo positivo chega a US$ 21,2 bilhões no acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, o superávit comercial da Argentina atingiu US$ 21,2 bilhões, sustentado por exportações de US$ 77 bilhões.

Os segmentos de combustíveis e energia, produtos primários e manufaturados de origem agropecuária responderam, em conjunto, por 73% das vendas externas realizadas no período.

Os números indicam a possibilidade de o país alcançar um recorde anual no saldo comercial. Até setembro, o superávit acumulado já correspondia ao dobro do resultado registrado durante todo o ano de 2025.

De acordo com estimativas do centro de estudos econômicos Fundación Capital, as exportações argentinas podem ultrapassar US$ 100 bilhões até o encerramento de 2026.

Indústria argentina enfrenta dificuldades apesar do avanço comercial

Apesar do forte desempenho do comércio exterior, a expansão das exportações ainda não se reflete de maneira uniforme na economia doméstica.

A indústria manufatureira argentina registrou retração de 2,7% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados oficiais.

Além disso, as projeções de crescimento econômico do país foram revisadas significativamente para baixo nas últimas semanas. A deterioração das expectativas levantou a possibilidade de que a economia tenha entrado em recessão no terceiro trimestre.

O contraste entre o avanço das vendas externas e a fraqueza de parte da atividade produtiva evidencia um dos principais desafios econômicos da Argentina: transformar o desempenho comercial em crescimento mais amplo e sustentável.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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