Informação

Petróleo impulsiona superávit recorde do Brasil no 1º trimestre

O petróleo consolidou-se como principal motor do superávit comercial brasileiro no início do ano. Entre janeiro e março, o saldo positivo no segmento de óleo e combustíveis atingiu US$ 9,52 bilhões — o maior já registrado — equivalente a 67,2% do superávit total do país no período.

Produção do pré-sal sustenta desempenho

O avanço é reflexo direto do aumento da produção, especialmente após a expansão do pré-sal, que desde 2016 vem garantindo superávits consecutivos nesse segmento. Ainda assim, o país segue dependente da importação de derivados, mantendo déficit nessa categoria.

Nos anos recentes, o setor já vinha ganhando relevância: no primeiro trimestre de 2024 e 2025, os saldos foram de US$ 7,2 bilhões e US$ 6,4 bilhões, respectivamente — números inferiores ao desempenho atual.

Exportações de petróleo seguem em alta em abril

Dados preliminares indicam que o ritmo positivo deve continuar. Na segunda semana de abril, a receita média diária com exportações de petróleo bruto mais que dobrou em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 101%.

Esse crescimento foi impulsionado por:

  • aumento de 74,5% no volume exportado;
  • elevação de 15% nos preços internacionais.

A valorização está ligada à alta das commodities, influenciada pelo conflito no Oriente Médio.

Guerra pressiona preços e favorece o Brasil

Analistas avaliam que, mesmo com eventual fim do conflito, os preços do petróleo devem permanecer elevados ao longo de 2026. Isso tende a fortalecer ainda mais o saldo da balança comercial brasileira e impactar positivamente o câmbio.

Segundo especialistas, o cenário atual repete ciclos anteriores de protagonismo de commodities, como soja e minério de ferro, mas agora com o petróleo liderando.

China amplia compras e lidera demanda

A China foi o principal destino do petróleo brasileiro. Em março:

  • respondeu por 64,6% das exportações do produto;
  • ampliou significativamente suas compras;
  • absorveu US$ 3,1 bilhões em petróleo bruto.

O país asiático tem buscado diversificar fornecedores diante das tensões no Golfo Pérsico, elevando a participação do Brasil como parceiro estratégico.

Petróleo supera soja no crescimento das exportações

Embora a soja tenha liderado a receita total em março (US$ 5,9 bilhões), o petróleo foi responsável por 68,5% do crescimento das exportações brasileiras na comparação anual.

No mês:

  • exportações de petróleo somaram US$ 4,8 bilhões;
  • volume embarcado cresceu 75,9%;
  • preços recuaram levemente, mas sem comprometer o resultado.

Projeções indicam superávit maior em 2026

Estimativas apontam revisão significativa no superávit comercial brasileiro. A projeção passou de US$ 68,4 bilhões para cerca de US$ 85 bilhões, impulsionada pela alta do petróleo.

Antes da crise, o barril do Brent era estimado em US$ 60 para 2026. Agora, a previsão gira em torno de US$ 90. Cada aumento de US$ 10 no preço médio pode elevar o saldo comercial em aproximadamente US$ 8,5 bilhões.

Impactos indiretos: inflação e câmbio

Apesar dos ganhos na balança comercial, há efeitos colaterais:

  • aumento no preço de combustíveis, como o diesel, que subiu 13,9% em março;
  • pressão inflacionária;
  • encarecimento de fertilizantes e insumos.

Por outro lado, o cenário favorece a valorização do real frente ao dólar, impulsionada também pelo fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.

Desafios estruturais permanecem

Especialistas destacam que o Brasil ainda precisa avançar em pontos estratégicos:

  • ampliar a capacidade de refino;
  • reduzir a dependência de derivados importados;
  • investir na produção de fertilizantes;
  • explorar alternativas como o biodiesel.

O momento, segundo analistas, pode ser uma oportunidade para acelerar essas mudanças estruturais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Internacional

Petróleo dispara 5% com tensão entre EUA e Irã e risco no Estreito de Hormuz

Os preços do petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira, impulsionados por temores de que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã esteja por um fio. A apreensão de um navio iraniano pelos norte-americanos e a paralisação do tráfego no Estreito de Hormuz elevaram a incerteza no mercado global de energia.

Mercado reage à escalada de tensões

Os contratos futuros do Brent avançaram US$ 4,37 (alta de 4,8%), sendo negociados a US$ 94,75 por barril por volta das 11h48 GMT. Já o WTI (West Texas Intermediate) subiu US$ 4,76, equivalente a 5,7%, alcançando US$ 88,61.

A valorização ocorre após uma forte queda registrada na sexta-feira, quando ambos os índices despencaram cerca de 9%. Na ocasião, o Irã havia sinalizado a reabertura do Estreito de Hormuz para embarcações comerciais durante o período de trégua.

Risco no Estreito de Hormuz pressiona preços

Apesar das declarações oficiais, o cenário mudou rapidamente. Relatos indicam ataques a petroleiros logo após o anúncio de normalização do tráfego. O Estreito de Hormuz, responsável por cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo, voltou a operar de forma extremamente limitada.

Dados recentes mostram que apenas três embarcações cruzaram a rota nas últimas 12 horas, reforçando o impacto sobre o fluxo de commodities energéticas.

Produção afetada e oferta restrita

Especialistas apontam deterioração nos fundamentos do mercado. Estima-se que entre 10 e 11 milhões de barris por dia estejam fora de circulação, agravando o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Além disso, o transporte marítimo segue comprometido, com rotas mais longas, aumento nos custos de frete e seguros elevados — fatores que pressionam ainda mais os preços do petróleo.

Escalada política aumenta incertezas

A apreensão de um navio iraniano pelos Estados Unidos no domingo elevou o risco de retomada do conflito. Em resposta, o Irã afirmou que poderá retaliar e descartou participação em uma nova rodada de negociações prevista antes do fim do cessar-fogo, que expira nesta semana.

Enquanto isso, o mercado financeiro reage com otimismo moderado às tentativas diplomáticas, mas o mercado físico segue pressionado por restrições logísticas e operacionais.

Fluxo marítimo irregular e impacto global

Apesar da atual paralisação, no sábado mais de 20 embarcações cruzaram o Estreito de Hormuz, transportando petróleo, gás liquefeito, metais e fertilizantes — o maior volume desde o início de março.

Paralelamente, a China tem reduzido — mas não interrompido — suas exportações de combustíveis refinados. Países como Malásia e Austrália continuam recebendo cargas, mesmo após a extensão das restrições comerciais ao longo de abril.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Benoit Tessier

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Comércio Exterior

Balança comercial do Brasil bate recorde, mas dependência de commodities preocupa

O forte desempenho da balança comercial brasileira no início de 2026 trouxe resultados expressivos, mas também reacendeu um debate importante sobre a estrutura das exportações do país. O superávit acumulado entre janeiro e a terceira semana de março chegou a US$ 13,25 bilhões, impulsionado principalmente pela alta nas vendas de commodities como petróleo e minério de ferro.

Superávit cresce com avanço das exportações

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil exportou cerca de US$ 72,7 bilhões no período, enquanto as importações somaram US$ 59,45 bilhões. O resultado representa um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

As importações permaneceram praticamente estáveis, com leve recuo de 0,2%, contribuindo para o saldo positivo da balança.

Petróleo e minério lideram recuperação

O principal destaque do período foi a indústria extrativa, que registrou expansão de 27,6%. O crescimento foi puxado sobretudo pelo aumento das exportações de petróleo bruto e minério de ferro, que compensaram a queda em outros setores relevantes.

Enquanto isso, a agropecuária recuou 13,4% e a indústria de transformação apresentou retração de 10,3%, indicando perda de dinamismo em segmentos tradicionais da economia.

Mesmo com a queda, produtos agrícolas seguem relevantes. A soja continua como principal item exportado, representando 17,8% das vendas externas, seguida por café, milho e algodão.

Entre os destaques positivos estão:

  • Petróleo bruto (+65,1%)
  • Ouro (+87,1%)
  • Carne bovina (+16%)

Por outro lado, houve quedas significativas em:

  • Café (-33,2%)
  • Açúcar (-42,1%)
  • Celulose (-28,3%)

Importações revelam demanda por produtos industriais

No campo das importações brasileiras, a predominância segue sendo de itens com maior valor agregado. A indústria de transformação liderou as compras externas, com leve alta de 0,3%, enquanto o setor agropecuário registrou queda de 24,9%.

Entre os principais produtos importados estão combustíveis refinados, fertilizantes, medicamentos, veículos e equipamentos industriais e eletrônicos — sinalizando uma economia ainda dependente de tecnologia externa.

Alguns itens apresentaram forte crescimento:

  • Veículos (+96,3%)
  • Medicamentos (+39,1%)
  • Geradores elétricos (+127,2%)

Já outros registraram retração:

  • Trigo (-35,9%)
  • Máquinas industriais (-81,3%)
  • Aço laminado (-69,1%)

Dependência de commodities acende alerta

Apesar do resultado positivo, especialistas apontam um problema estrutural: a forte dependência de exportações de baixo valor agregado. O Brasil segue concentrando suas vendas externas em produtos básicos, enquanto importa bens industrializados e tecnológicos.

Esse modelo torna o país vulnerável às oscilações do mercado internacional, especialmente aos preços das commodities, que não são controlados internamente.

Desafio é diversificar a economia

O bom desempenho da balança comercial reforça um padrão conhecido: quando o cenário global favorece as commodities, o superávit cresce. No entanto, a qualidade desse crescimento ainda é questionada.

O principal desafio do Brasil é avançar na diversificação das exportações, ampliando a participação de produtos industrializados e de maior valor agregado. Essa mudança é considerada essencial para garantir um crescimento econômico mais sustentável e menos dependente das variações externas.

FONTE: Correio 24 Horas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels, Davi vives

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Logística

Frete marítimo dispara no Brasil com guerra no Oriente Médio e pressiona exportações

As tarifas de frete marítimo no Brasil registraram forte alta em abril, impulsionadas pelas incertezas em torno do conflito envolvendo o Irã. Dados da consultoria Solve Shipping apontam que os embarques em contêineres com destino ao Mediterrâneo — rota estratégica para o Oriente Médio — ficaram 67% mais caros em relação a março.

Outras rotas relevantes também apresentaram aumentos expressivos. O custo de envio para a costa leste dos Estados Unidos e o norte da Europa subiu 80%, enquanto o frete para o Golfo do México avançou 89% no mesmo período.

Exportações de carne sentem impacto mais intenso

O setor de proteína animal está entre os mais afetados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o valor do transporte de contêineres refrigerados pela rota do Estreito de Hormuz mais que dobrou desde o início da guerra, passando de US$ 3 mil para cerca de US$ 7 mil.

O Oriente Médio responde por aproximadamente 15% das exportações do segmento, o que amplia a preocupação com os custos logísticos. Ainda assim, os preços atuais seguem cerca de 17% abaixo dos níveis registrados em abril de 2025, quando tensões comerciais globais provocaram uma corrida antecipada por embarques.

Custos sobem com combustível caro e rotas alternativas

Apesar de ainda não terem atingido o pico histórico, os valores do frete internacional já preocupam o setor logístico. Especialistas apontam que o aumento é resultado de uma combinação de fatores, com destaque para a disparada do petróleo, que elevou significativamente o custo do combustível.

Além disso, cerca de 10% da frota global de contêineres tem sido impactada pelas restrições nas rotas do Oriente Médio. Com isso, cargas precisam ser redirecionadas para portos intermediários, reduzindo a capacidade disponível e encarecendo as operações.

Portos alternativos em países como Paquistão, Omã, Singapura e Arábia Saudita também enfrentam congestionamentos, agravando ainda mais a situação.

Rotas mais longas encarecem e atrasam entregas

Uma das alternativas adotadas tem sido o envio de mercadorias até o porto de Jeddah, na Arábia Saudita, seguido de transporte terrestre até o Golfo Pérsico. Embora viável, essa opção é mais lenta e gera custos adicionais para os exportadores.

Além das tarifas tradicionais, empresas de navegação passaram a cobrar taxas extras relacionadas ao risco de guerra, que podem chegar a US$ 3 mil por contêiner padrão e até US$ 4 mil para cargas refrigeradas.

Exportadores de commodities enfrentam maiores desafios

Produtores de commodities agrícolas e carnes estão entre os mais prejudicados, já que lidam com produtos perecíveis que exigem transporte rápido e refrigerado. Exportadores de itens com menor valor agregado, como madeira, também enfrentam dificuldades adicionais diante da escalada dos custos.

Por outro lado, grandes empresas conseguem absorver melhor os impactos devido à maior capacidade logística e margens mais robustas.

Mercado ainda reflete volatilidade pós-pandemia

A diferença em relação aos preços de 2025 evidencia a volatilidade do transporte marítimo global desde a pandemia. No ano passado, o setor enfrentou um cenário mais crítico, com tarifas elevadas devido a tensões comerciais e interrupções em rotas estratégicas, como no Mar Vermelho.

Desde então, houve ampliação da frota de navios, o que ajudou a aumentar a oferta e conter parte da pressão sobre os preços.

Riscos de escassez e novos aumentos

Além da alta nos custos, cresce a preocupação com possíveis gargalos logísticos. Há risco de falta de combustível para navios e escassez de contêineres, especialmente se as restrições no Estreito de Hormuz se prolongarem.

No caso das importações brasileiras, o impacto ainda é moderado. Na rota com a Ásia — principal origem de produtos importados —, o frete subiu 4,65% em abril frente a março.

Especialistas avaliam que a contenção se deve, em parte, à desaceleração da economia interna e à redução de pedidos, diante do receio de paralisações e dos efeitos da guerra. No entanto, com a redução dos estoques e a continuidade do conflito, a expectativa é de novas altas nas tarifas ainda na segunda metade de abril.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Arquivo

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Agricultura

Soja dispara em Chicago com greve na Argentina e alta do farelo acima de 4%

Após uma semana de oscilações limitadas, os preços da soja em Chicago voltaram a subir com força na última sexta-feira (10). Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os principais contratos registravam valorização entre 6,25 e 10,25 pontos. O vencimento de maio era negociado a US$ 11,75 por bushel, enquanto o julho atingia US$ 11,90.

O principal motor dessa alta foi o avanço expressivo do farelo de soja, que acumulava ganhos superiores a 4% no dia. A valorização do derivado impulsionou diretamente o mercado do grão.

Greve na Argentina reduz oferta e favorece EUA

A paralisação de caminhoneiros na Argentina tem provocado impacto direto na oferta global. Com dificuldades logísticas, o país — um dos maiores exportadores mundiais — reduz sua presença no mercado, abrindo espaço para a demanda pelo produto dos Estados Unidos.

Esse cenário fortalece as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e melhora as margens das indústrias processadoras norte-americanas. No mercado de farelo, o contrato de maio era cotado a US$ 331,80 por tonelada curta, enquanto o de julho marcava US$ 328,10.

Fundamentos e clima nos EUA entram no radar

Diante de incertezas no cenário geopolítico, os agentes de mercado voltam a priorizar os fundamentos. O início da safra dos Estados Unidos passa a ser um fator central, com atenção redobrada para o clima no Meio-Oeste, o ritmo do plantio e o comportamento da demanda internacional.

Outro elemento que contribui para a sustentação dos preços é a queda do dólar frente ao real, que recuava 0,7% na tarde desta sexta-feira, sendo cotado a R$ 5,03.

Protestos travam logística na Argentina

A greve dos caminhoneiros autônomos na Argentina começou no meio da semana e já provoca bloqueios em regiões estratégicas como Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé — áreas-chave para o escoamento da produção agrícola.

Os trabalhadores reivindicam reajustes nas tarifas de transporte de grãos, pressionados pela disparada dos custos. Segundo relatos, o diesel teve aumento significativo, comprometendo a rentabilidade da atividade.

“Em janeiro, nossa tarifa caiu 10% e o diesel subiu quase 18%. Não há como sustentar os custos”, afirmou o caminhoneiro Mariano Gorosito.

A categoria pede um reajuste entre 25% e 30% nas tarifas, alegando que o combustível já representa cerca de 60% do custo das viagens. Além disso, os prazos longos para pagamento agravam a situação financeira dos transportadores.

Risco para exportações e entrada de divisas

Sem acordo até o momento, a paralisação ameaça comprometer a logística da colheita e o abastecimento dos portos argentinos. O impasse ocorre em um período crucial para o país, que depende das exportações agrícolas para a entrada de divisas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Clarin

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Agricultura

Agronegócio representa 29,4% do PIB e consolida papel estratégico na economia brasileira

Celebrado no último dia 25 de fevereiro, o Dia do Agronegócio foi marcado por um dado expressivo: em 2025, a cadeia agroindustrial respondeu por 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O levantamento é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e indica que, a cada R$ 3,40 gerados no país, R$ 1 teve origem direta ou indireta no setor.

O percentual confirma a ampliação do peso do agronegócio na economia nacional nos últimos anos, impulsionado por ganhos de produtividade, demanda internacional aquecida e valorização das commodities agrícolas.

Produção recorde e alta no Valor Bruto da Produção

A safra mais recente alcançou 354,7 milhões de toneladas de grãos — o maior volume já registrado. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária somou R$ 1,409 trilhão, conforme dados da Secretaria de Política Agrícola.

Desse total:

  • R$ 965 bilhões vieram das lavouras
  • R$ 444 bilhões foram gerados pela pecuária

A recuperação dos preços internacionais contribuiu especialmente para o desempenho da proteína animal, fortalecendo ainda mais a participação do agro no PIB brasileiro.

Exportações sustentam balança comercial

O agronegócio segue como pilar da balança comercial. O Brasil ocupa a liderança global nas exportações de soja, açúcar e café, além de posições relevantes nas vendas externas de milho, carne bovina e frango.

Esse protagonismo tem sido decisivo para compensar déficits em outros segmentos da economia, especialmente na indústria.

Dependência de commodities e desafio da diversificação

Embora o setor seja altamente competitivo e tecnologicamente avançado, economistas alertam para a concentração da pauta exportadora em commodities agrícolas e minerais. A menor presença de produtos industrializados de maior valor agregado evidencia a perda relativa de dinamismo da indústria de transformação.

Assim, o crescimento do agronegócio no PIB também reflete mudanças estruturais na economia brasileira.

Cadeia agroindustrial vai além do campo

O conceito moderno de agronegócio não se limita à produção rural. A cadeia envolve:

  • Indústrias de fertilizantes e defensivos
  • Fabricantes de máquinas agrícolas
  • Logística rodoviária e ferroviária
  • Armazenagem
  • Processamento e comercialização

Essa integração explica por que o impacto do setor se espalha por todas as regiões do país, influenciando geração de emprego, renda e arrecadação.

Tecnologia impulsiona produtividade

Nos últimos anos, o avanço tecnológico transformou o perfil produtivo do campo. Agricultura de precisão, biotecnologia, integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas digitais de gestão elevaram a produtividade por hectare e otimizaram custos.

A expansão recente ocorreu, majoritariamente, por ganhos de eficiência — e não apenas pela abertura de novas áreas cultiváveis.

Riscos e cenário global exigem planejamento

Apesar do desempenho robusto, o ambiente atual impõe desafios. Eventos climáticos extremos, exigências ambientais e sanitárias mais rígidas, volatilidade cambial e a dependência de fertilizantes importados adicionam incertezas ao planejamento do produtor rural.

Além disso, a necessidade de rastreabilidade e sustentabilidade tornou-se elemento central nas negociações internacionais.

Origem do conceito de agronegócio

A ideia de agronegócio como sistema integrado — conectando insumos, produção, processamento e distribuição — foi formulada nos anos 1950 pelos economistas Ray Goldberg e John H. Davis, da Universidade Harvard. A abordagem ajuda a compreender por que o desempenho do campo deve ser analisado dentro de uma estrutura econômica ampla.

Papel estratégico e futuro da economia

Ao atingir quase um terço do PIB, o agronegócio consolida sua posição como eixo estratégico da economia brasileira. O debate agora se desloca para a necessidade de equilibrar essa força com maior diversificação produtiva, agregação de valor e estabilidade no longo prazo.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Secretaria de Política Agrícola / JB NEWS

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO JB NEWS

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Economia

Economia da China no Ano do Cavalo: crescimento sustenta ritmo ou pressiona o Brasil?

Enquanto o Brasil celebra o Carnaval, a China inicia o Ano do Cavalo de Fogo, reacendendo debates sobre os rumos da economia da China em 2026 e seus reflexos no cenário global. Analistas avaliam se a segunda maior economia do planeta terá força para acelerar ou se continuará enfrentando obstáculos estruturais — com impactos diretos sobre o Brasil.

Crescimento chinês esbarra em desequilíbrio estrutural

Apesar de ter registrado expansão de 5% no último ano, dentro da meta oficial, o país asiático convive com um problema persistente: o descompasso entre oferta e demanda.

O índice de preços ao produtor acumula 40 meses consecutivos de queda, sinalizando excesso de capacidade industrial. Já o índice de preços ao consumidor avançou apenas 0,2% em janeiro na comparação anual. Paralelamente, as vendas no varejo seguem no ritmo mais fraco desde a crise provocada pela pandemia em 2020.

O diagnóstico é claro: a demanda interna chinesa permanece enfraquecida.

Estímulos evitam crise maior no setor imobiliário

Para conter riscos sistêmicos, o governo adotou pacotes robustos de incentivo. Segundo Lucas Sigu Souza, da Ciano Investimentos, as medidas praticamente eliminaram a chance de um colapso em cadeia no setor imobiliário chinês, que atravessa forte retração.

Ainda assim, estabilização não significa retomada. Marianna Costa, da Mirae Asset, avalia que o modelo baseado na expansão imobiliária perdeu força. Há sinais de acomodação, mas não de um novo ciclo consistente de crescimento.

Os números reforçam o cenário desafiador:

  • Investimento imobiliário caiu 17,2%;
  • Cerca de 80 milhões de imóveis permanecem encalhados;
  • Vendas de novas propriedades atingiram o menor nível em mais de 15 anos;
  • Preços de imóveis usados registraram forte queda.

Com famílias impactadas pela desvalorização patrimonial e governos locais pressionados por perda de arrecadação, o setor continua sendo um dos principais focos de atenção.

Exportação de deflação e impactos globais

Com o consumo doméstico cerca de 20 pontos percentuais abaixo da média mundial — e investimentos financiados por dívida acima desse patamar — a alternativa tem sido direcionar o excedente produtivo ao exterior.

Esse movimento caracteriza a chamada exportação de deflação: ao ampliar as vendas externas com preços mais baixos, a China pressiona o valor de bens industriais no mercado internacional.

Como a economia da China afeta o Brasil

Os efeitos sobre o Brasil são ambíguos.

Indústria brasileira sob pressão

Segmentos como siderurgia e metalurgia tendem a enfrentar maior concorrência com produtos chineses mais baratos. Por outro lado, a importação de insumos a preços reduzidos pode gerar efeito desinflacionário em diversos setores.

Commodities: cautela no radar

No setor mineral, a fraqueza da construção civil chinesa limita a demanda por aço e minério de ferro, mantendo preços pressionados.

Entretanto, há um contraponto relevante: a transição energética e o avanço da indústria de veículos elétricos podem sustentar a procura por minério e aço. Nesse contexto, empresas como a Vale podem não registrar forte expansão de receitas vindas da China, mas também não necessariamente enfrentar uma retração abrupta, caso o PIB chinês se mantenha estável.

Agronegócio e frigoríficos

No agronegócio brasileiro, o cenário tende a ficar mais competitivo. A China, como compradora dominante de diversas commodities agrícolas, pode intensificar a pressão por preços mais baixos.

Além disso, o avanço da produção interna chinesa de aves e suínos pode afetar exportadores de carne bovina. Empresas como JBS, BRF e Minerva podem enfrentar maior competição, especialmente se a oferta doméstica chinesa crescer.

Investir na China: oportunidade ou armadilha?

Para investidores brasileiros interessados em exposição à Ásia por meio de ETFs ou BDRs, especialistas recomendam seletividade.

Os ativos chineses apresentam valuations descontados, mas carregam riscos estruturais e geopolíticos. A possibilidade de novas tarifas comerciais e incertezas políticas adiciona volatilidade ao cenário.

A preferência, segundo analistas, deve recair sobre setores como tecnologia e financeiro, evitando exposição relevante ao mercado imobiliário. Há ainda o risco de “value trap”, caso a transição para um modelo baseado em consumo demore mais que o esperado.

Perspectiva para 2026

O consenso entre especialistas aponta que a China conseguiu evitar um choque sistêmico, mas ainda está distante de resolver seu desequilíbrio estrutural.

Se a economia chinesa mantiver crescimento moderado, os impactos sobre o Brasil serão mais graduais. Contudo, a combinação de demanda interna fraca, excesso de capacidade industrial e tensões comerciais exige cautela tanto de empresas exportadoras quanto de investidores.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-União Europeia prevê desoneração imediata para 76% das exportações brasileiras


O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, assinado no Paraguai, estabelece a eliminação de tarifas para mais de 90% das exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu e para 76% das importações de produtos da UE ao longo de um período de até 16 anos. Apesar do alcance amplo, o ritmo de redução tarifária será distinto entre exportações e importações, conforme aponta estudo da LCA Consultoria Econômica.

Segundo a análise, mais de 76% das exportações do Brasil para a União Europeia passarão a ter tarifa zero de forma imediata. Já no fluxo inverso, a liberalização será mais gradual: mais da metade das desonerações das importações ocorrerá apenas entre o 11º e o 16º ano de vigência do acordo.

Prazo maior protege a indústria nacional
De acordo com Verônica Cardoso, diretora da LCA e coautora do estudo ao lado da economista Morgana Tolentino, o cronograma mais longo para o desgravo das tarifas de importação foi um ponto central das negociações. A medida reconhece a diferença de competitividade entre a indústria europeia e a sul-americana, oferecendo tempo para adaptação do setor produtivo brasileiro.

A estratégia busca permitir que a indústria nacional avance em modernização e produtividade antes de enfrentar uma concorrência mais intensa. Ao mesmo tempo, o acordo contempla reduções imediatas para itens considerados estratégicos ao investimento, como partes, peças e acessórios das indústrias automotiva e aeroespacial, que poderão entrar no país a custos menores.

Impactos mistos para o setor industrial
Embora a importação mais barata de máquinas e equipamentos possa estimular o investimento produtivo, a consultoria alerta para possíveis efeitos colaterais. A redução de custos desses insumos também pode aumentar a pressão competitiva sobre segmentos da indústria local, especialmente os de bens de capital e bens de investimento.

Agro e energia concentram desonerações
O levantamento da LCA mostra ainda que mais da metade das desonerações incidirá sobre produtos de agropecuária e alimentos e de minerais e energia. Para a consultoria, esse desenho tende a reforçar uma pauta exportadora já concentrada em produtos primários.

A análise das trocas comerciais de 2025 confirma essa tendência. Os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para a União Europeia — óleos brutos de petróleo, café, bagaço e resíduos de soja, minério de cobre e soja — responderam por 50,95% do valor total exportado ao bloco no período.

Importações mais diversificadas e de maior valor agregado
Em contraste, a pauta de importações brasileiras oriundas da União Europeia apresenta maior diversificação e é composta, majoritariamente, por produtos industrializados de alto valor agregado, como medicamentos, automóveis e outros bens manufaturados.

Segundo as economistas, essa configuração tende a consolidar o Brasil como exportador de commodities e importador de manufaturados, mantendo um saldo comercial estruturalmente negativo com o bloco europeu, dependente de boas safras e de preços internacionais favoráveis para se tornar superavitário.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Globo

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Comércio Exterior

Balança comercial registra recorde em dezembro, mas superávit cai em 2025

A balança comercial brasileira encerrou 2025 com saldo positivo de US$ 68,293 bilhões. Apesar de ser o melhor resultado já registrado para um mês de dezembro desde o início da série histórica, em 1989, o superávit anual ficou 7,9% abaixo do apurado em 2024. O desempenho foi impactado principalmente pelo avanço das importações e pela queda nos preços das commodities, como o petróleo.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Mesmo com a retração, o resultado de 2025 representa o terceiro maior superávit da história do comércio exterior brasileiro.

Histórico recente da balança comercial

Os maiores saldos já registrados ocorreram em:

  • 2023: superávit de US$ 98,903 bilhões
  • 2024: superávit de US$ 74,177 bilhões

Em 2025, tanto as exportações brasileiras quanto as importações alcançaram níveis recordes.

Exportações e importações batem recorde

Mesmo diante do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos e da desvalorização de commodities no mercado internacional, as exportações somaram US$ 348,676 bilhões, crescimento de 3,5% em relação a 2024.

As importações, impulsionadas pela expansão da economia interna, avançaram em ritmo mais acelerado e totalizaram US$ 280,382 bilhões, alta de 6,7% no mesmo período.

Projeções oficiais foram superadas

O saldo final ficou acima das expectativas do governo. A projeção inicial do Mdic apontava superávit de US$ 60,9 bilhões em 2025, com exportações estimadas em US$ 344,9 bilhões.

As importações, por outro lado, ficaram abaixo da previsão de US$ 284 bilhões, o que contribuiu para um resultado comercial melhor do que o esperado no fechamento do ano.

Resiliência do comércio exterior brasileiro

Durante entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin destacou o desempenho do comércio exterior do Brasil, mesmo em um cenário internacional adverso.

Segundo ele, o volume exportado cresceu 5,7% em 2025, enquanto o comércio global avançou 2,4%. O resultado, de acordo com o ministro, evidencia a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Dezembro tem melhor resultado da série histórica

Somente em dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 9,633 bilhões, alta de 107,8% na comparação com o mesmo mês de 2024. O valor superou o recorde anterior, de dezembro de 2023.

No mês, os números foram:

  • Exportações: US$ 31,038 bilhões, alta de 24,7%
  • Importações: US$ 21,405 bilhões, crescimento de 5,7%

Desempenho por setores

Em dezembro, as exportações cresceram em todos os segmentos da economia:

  • Agropecuária: +43,5%, com aumento de 35,2% no volume e 6,7% no preço médio
  • Indústria extrativa: +53%, com alta de 58,1% no volume e queda de 3,2% nos preços
  • Indústria de transformação: +11%, com avanço de 14,9% no volume e retração de 4,2% no preço médio

Produtos que impulsionaram as exportações

Entre os principais destaques do mês estão:

  • Agropecuária: soja (+73,9%), café não torrado (+52,9%) e milho não moído (+46%)
  • Indústria extrativa: petróleo bruto (+74%) e minério de ferro (+33,7%)
  • Indústria de transformação: carne bovina (+70,5%) e ouro não monetário (+88,7%)

No caso do petróleo, a retomada das atividades das plataformas após manutenção programada em novembro foi decisiva para o crescimento.

Importações acompanham retomada econômica

O aumento das importações reflete a recuperação da atividade econômica, com maior consumo e expansão dos investimentos. Entre os principais produtos importados em dezembro estão:

  • Agropecuária: soja (+4.979,1%) e trigo e centeio não moídos (+24,6%)
  • Indústria extrativa: fertilizantes brutos (+222,4%) e carvão não aglomerado (+26,3%)
  • Indústria de transformação: combustíveis (+42,9%) e medicamentos, inclusive veterinários (+47,7%)

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: © Petrobras/Divulgação

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Comércio

Superávit da balança comercial pode chegar a US$ 67 bilhões em 2026, apontam projeções

A balança comercial brasileira deve registrar um superávit de US$ 67 bilhões em 2026, segundo a mediana de 46 projeções reunidas por consultorias, entidades e instituições financeiras. O número representa leve avanço em relação aos US$ 63,6 bilhões estimados para 2025, indicando manutenção de um resultado robusto, porém com crescimento mais contido.

A expectativa é de que o setor externo continue sustentando a economia, mesmo diante de preços de commodities mais estáveis e de importações ainda elevadas. Após o recorde histórico de US$ 98,9 bilhões em 2023, o comércio exterior brasileiro entrou em um processo de normalização.

Exportações seguem fortes, mas longe dos picos recentes

Depois do saldo de US$ 74,2 bilhões registrado em 2024, economistas avaliam que o desempenho tende a se acomodar em níveis mais próximos da média histórica. O resultado oficial de 2025 será divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 6 de janeiro, servindo de base para ajustes nas projeções de 2026.

O cenário desenhado combina exportações com preços mais moderados e importações ainda resilientes, refletindo uma economia que cresce, porém em ritmo mais lento.

Commodities seguem centrais, mas preços preocupam

Entre as projeções mais otimistas está a da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que estima um superávit de US$ 77,4 bilhões em 2026, acima dos US$ 63,8 bilhões previstos para 2025.

Segundo o presidente da entidade, José Augusto de Castro, o desempenho não deve vir de um salto nos preços, mas de volumes exportados relativamente elevados. A atenção recai principalmente sobre petróleo, soja e minério de ferro, responsáveis por cerca de 34% da receita das exportações brasileiras.

Castro avalia que não há sinais de um novo ciclo de alta das commodities. A produção de petróleo tende a crescer, mas os preços permanecem pressionados, assim como os da soja, que deve manter relevância, porém abaixo do pico esperado para 2025.

Comércio global mais fraco limita avanços

A perspectiva de desaceleração do comércio internacional também pesa sobre as projeções. A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou recentemente a expectativa de crescimento do comércio global para 2025, para 2,4%, mas prevê desaceleração acentuada em 2026, com avanço de apenas 0,5%.

Esse cenário reduz o impulso externo e aumenta a dependência do Brasil em relação ao comportamento das grandes economias, especialmente a China.

China, soja e efeitos da guerra comercial

Para o economista André Valério, do Inter, as exportações brasileiras de soja foram impulsionadas no fim de 2025 por compras atípicas da China, em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos.

Segundo ele, parte desse movimento tende a se dissipar, já que Pequim tem sinalizado retomada das compras junto aos norte-americanos. Isso deve limitar novos recordes em 2026, mesmo com ganho pontual de mercado pelo Brasil.

Além disso, Valério destaca que não há sinais claros de recuperação forte da demanda chinesa, o que dificulta um novo ciclo de valorização das commodities.

Preços mistos e atenção às exportações para os EUA

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, avalia que 2026 será marcado por um ambiente de preços mistos, em que o desempenho dependerá mais dos volumes exportados do que de ganhos de preço.

Ela observa que as exportações brasileiras para os Estados Unidos foram prejudicadas em 2025 pelas tarifas adotadas pelo governo Donald Trump, e que uma eventual reaproximação comercial pode favorecer os resultados em 2026 e 2027.

Segundo suas projeções, o superávit deve alcançar US$ 65 bilhões em 2025, US$ 68,4 bilhões em 2026 e US$ 76,4 bilhões em 2027, mantendo o setor externo como pilar de estabilidade macroeconômica.

Tarifas do México elevam risco para exportações

Outro fator de atenção é a decisão do México de elevar tarifas de importação para produtos do Brasil e de outros países sem acordo comercial. A medida, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, afeta segmentos como automóveis, autopeças, têxteis, calçados, eletrodomésticos, siderurgia, plásticos e móveis.

O movimento adiciona risco especialmente às exportações de aço e amplia a pressão sobre o saldo comercial brasileiro.

Acordo UE-Mercosul pode ajudar, mas sem efeito imediato

O acordo entre União Europeia e Mercosul, com expectativa de assinatura em janeiro, é visto como positivo, mas com impacto gradual. Analistas avaliam que seus efeitos não devem alterar de forma relevante o desempenho da balança já em 2026.

Ao mesmo tempo, cresce o número de medidas protecionistas no mundo, o que reforça a importância da diplomacia comercial brasileira.

Importações devem perder fôlego, mas seguir elevadas

Do lado das importações, a AEB projeta queda de 2,7% em 2026 frente a 2025, após três anos de crescimento contínuo. A avaliação é que o impulso começa a se esgotar.

Ainda assim, parte das compras externas permanece ligada a bens de capital, insumos e equipamentos. Caso haja queda de juros e manutenção do investimento estrangeiro direto, as importações devem continuar em patamar elevado.

Superávit segue forte, porém sem grandes saltos

As projeções para 2026 variam entre US$ 43,5 bilhões e US$ 85 bilhões, mas a mediana aponta para um resultado sólido e estável. O Brasil deve manter um superávit relevante, sustentado por exportações consistentes e importações moderadas, embora sem o fôlego observado nos anos anteriores.

O desempenho final dependerá principalmente do comportamento das commodities, da demanda chinesa e do avanço — ou recuo — das políticas protecionistas globais.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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