Economia

Argentina registra fuga recorde de dólares e investimento estrangeiro fica negativo sob governo Milei

A Argentina vive um cenário econômico contraditório em relação ao discurso oficial do governo de Javier Milei. Enquanto a Casa Rosada defende que a abertura econômica impulsionaria uma forte entrada de capital estrangeiro, os números do Banco Central argentino apontam avanço na saída de dólares do país.

Em março de 2026, empresas estrangeiras remeteram US$ 876 milhões em lucros para suas matrizes no exterior, o maior volume registrado em mais de 15 anos. O movimento evidencia a preferência de multinacionais por retirar recursos da economia argentina em vez de reinvesti-los localmente.

Investimento estrangeiro direto fecha trimestre no vermelho

O cenário se agravou com os dados do relatório de Investimento Estrangeiro Direto (IED) referentes ao quarto trimestre de 2025. Segundo o Banco Central da Argentina, o país encerrou o período com saldo negativo de US$ 4,687 bilhões.

Na prática, isso significa que houve mais saída do que entrada de capital estrangeiro na economia argentina. Parte do resultado foi impulsionada pelo pagamento de dívidas comerciais do setor agroexportador com empresas controladoras no exterior.

O resultado contrasta com a expectativa criada pelo governo argentino de transformar o país em um dos principais destinos de investimentos internacionais da América Latina.

Taxa de reinvestimento despenca para 17%

Outro indicador que acendeu alerta no mercado foi a forte queda na taxa de reinvestimento das empresas estrangeiras instaladas na Argentina.

Dados oficiais apontam que apenas 17% dos lucros gerados pelas multinacionais permaneceram no país. Isso significa que, a cada US$ 100 obtidos em operações locais, US$ 83 foram enviados para fora da Argentina.

Especialistas avaliam que níveis reduzidos de reinvestimento costumam refletir cautela das empresas em relação às perspectivas econômicas e à estabilidade do ambiente de negócios.

Liberalização cambial facilitou saída de recursos

A política de liberalização cambial adotada pelo governo de Javier Milei também contribuiu para acelerar as remessas ao exterior.

As mudanças reduziram barreiras para transferência de dólares por empresas estrangeiras, permitindo maior liberdade nas operações financeiras internacionais.

Apesar de a medida ter sido apresentada como mecanismo para atrair investimentos, economistas argumentam que o efeito imediato acabou favorecendo a saída de capital já instalado no país.

Programa RIGI ainda não entregou entrada expressiva de capital

O governo argentino apostou no programa RIGI (Regime de Incentivo a Grandes Investimentos) como principal ferramenta para estimular novos aportes internacionais.

O projeto oferece benefícios fiscais e regulatórios para setores estratégicos, como mineração, petróleo e gás natural. A expectativa oficial era criar uma “avalanche de dólares” por meio da entrada de grandes investidores estrangeiros.

No entanto, os dados do Banco Central indicam que os investimentos prometidos ainda não se converteram em fluxo significativo de recursos para a economia real.

Analistas apontam que existe diferença entre aprovação de projetos no papel e efetiva chegada de capital para fábricas, infraestrutura e geração de empregos.

Investimentos se concentram em setores extrativistas

Além do baixo volume de novos aportes, especialistas destacam preocupação com o perfil dos investimentos que seguem entrando na Argentina.

Grande parte dos recursos está concentrada em atividades ligadas ao setor financeiro, mineração e petróleo — segmentos que costumam ter menor impacto direto na geração de empregos industriais e no fortalecimento da economia produtiva.

Economistas argentinos também alertam para o risco de um modelo baseado na exploração de recursos naturais com posterior remessa dos lucros ao exterior, reduzindo os efeitos positivos internos do investimento estrangeiro.

Economia enfrenta pressão cambial e perda de competitividade

A saída de dólares e a redução do investimento produtivo podem gerar efeitos relevantes sobre a economia argentina nos próximos meses.

Entre os principais impactos apontados estão a pressão sobre o câmbio, menor geração de empregos industriais e redução da capacidade de crescimento econômico sustentável.

O cenário também amplia o debate sobre a eficácia das políticas de abertura econômica implementadas pelo atual governo para recuperar a confiança dos investidores internacionais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Indústria na Argentina recua e importações crescem sob governo Milei, aponta relatório

O encerramento da unidade da Whirlpool em Pilar, na província de Buenos Aires, deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma transformação mais ampla na economia argentina. Levantamento do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas indica que empresas vêm substituindo a produção local pela importação de produtos prontos.

A tendência atinge setores relevantes como eletrodomésticos, automóveis, calçados e móveis, impactando diretamente a indústria argentina e o mercado de trabalho.

Abertura comercial e câmbio influenciam cenário

Segundo o relatório, fatores como a abertura comercial, a valorização cambial e a queda do consumo interno tornaram mais vantajoso importar do que manter operações industriais no país. Esse movimento ocorre em um contexto de retração econômica e aumento da insatisfação social.

O presidente Javier Milei reconheceu recentemente as dificuldades enfrentadas pela população, admitindo que o período recente tem sido desafiador.

Caso Whirlpool ilustra avanço das importações

O estudo aponta a Whirlpool como exemplo emblemático dessa mudança. A empresa encerrou sua fábrica em 2025, demitindo cerca de 300 trabalhadores, mas manteve presença no mercado por meio da importação.

As compras externas de máquinas de lavar cresceram significativamente, enquanto a aquisição de insumos para produção local praticamente desapareceu em 2026. Parte da produção foi transferida para o Brasil, reforçando a substituição da manufatura interna por produtos importados.

Importações disparam e produção industrial cai

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro de 2026, na comparação anual. No acumulado do ano, a retração chega a 6%.

Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo cresceram 44% desde 2023, enquanto a entrada de veículos aumentou mais de 200%. A redução da atividade industrial é ampla, atingindo a maioria dos segmentos.

Setores de calçados e móveis também são afetados

A substituição da produção nacional por importações também se intensificou em outros setores. Empresas ampliaram compras externas de móveis e artigos domésticos, enquanto marcas esportivas aumentaram significativamente a importação de calçados.

No setor calçadista, o crescimento das importações foi acompanhado pelo fechamento de unidades produtivas e perda de empregos, evidenciando o impacto direto na economia industrial.

Margens elevadas e debate sobre lucratividade

O relatório aponta ainda que empresas estariam operando com margens elevadas na venda de produtos importados. Em alguns casos, itens adquiridos por valores baixos no exterior chegam ao consumidor com preços significativamente maiores.

Representantes do setor, no entanto, argumentam que custos adicionais — como logística, impostos e distribuição — reduzem a margem efetiva de lucro.

Desindustrialização aumenta pressão sobre o governo

O avanço das importações e a retração da produção local ampliam o debate sobre desindustrialização na Argentina. O relatório destaca perda acelerada da capacidade produtiva e redução do emprego industrial.

Esse cenário ocorre em paralelo ao aumento da pressão política sobre o governo, diante de uma economia mais dependente de importações e com menor dinamismo interno.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Ninja

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Economia

Argentina endurece regras e dificulta retirada de dólares do país

O governo da Argentina anunciou um novo conjunto de medidas que torna mais rígidas as operações de envio de recursos ao exterior. As regras, divulgadas pelo Banco Central, têm como alvo principal mecanismos usados no mercado paralelo de câmbio, especialmente o chamado blue-chip swap, prática comum entre investidores para acessar dólares fora do sistema oficial.

Restrições ao câmbio paralelo

As novas diretrizes fazem parte de uma estratégia para conter a saída de divisas e reforçar as reservas internacionais da Argentina. O endurecimento das regras dificulta o uso do câmbio paralelo, frequentemente adotado por empresas e investidores para transferir moeda estrangeira para fora do país.

A medida também busca aliviar a pressão sobre o peso argentino e conter impactos inflacionários — fatores que influenciam diretamente a estabilidade econômica e a popularidade do governo de Javier Milei.

Governo tenta fortalecer reservas

No fim de 2025, o país já havia anunciado um programa de compra de moeda estrangeira para ampliar suas reservas, um dos principais desafios da política econômica atual. No mesmo dia em que as novas regras foram divulgadas, o Banco Central realizou sua maior aquisição de dólares em 2026, somando US$ 281 milhões.

A expectativa do governo é que, com o controle mais rígido sobre a saída de recursos, haja aumento no fluxo de entrada de capital estrangeiro, impulsionado por setores como energia e agronegócio.

Flexibilização do câmbio oficial

Enquanto o cerco ao mercado paralelo foi ampliado, houve flexibilização em operações pelo câmbio oficial. Entre as mudanças, destacam-se:

  • Fim do limite de saque de US$ 50 em cartões emitidos no país;
  • Ampliação do prazo para liquidação de receitas de exportação;
  • Eliminação da exigência de autorização prévia para pagamento de dívidas financeiras externas.

Essas medidas visam facilitar o ambiente de negócios e incentivar exportações, contribuindo para o ingresso de moeda estrangeira na economia argentina.

Expectativa de maior entrada de dólares

O governo projeta aumento no volume de divisas nas próximas semanas, sustentado por:

  • Crescimento do setor de energia;
  • Expansão das exportações agrícolas;
  • Entrada de investimento estrangeiro direto;
  • Emissões de dívida corporativa no exterior.

Reformas econômicas ganham respaldo

Relatório recente do Banco Mundial destacou a Argentina como uma exceção positiva na América Latina, apontando melhora nas expectativas econômicas e nas condições financeiras após a adoção de medidas de estabilização.

Desde 2023, a gestão de Javier Milei tem implementado uma agenda de reformas econômicas liberais com foco no controle da inflação e retomada do crescimento. Entre os principais indicadores:

  • Risco-país em queda: o EMBIG recuou de cerca de 2.200 pontos para menos de 600 em março de 2026;
  • Atração de investimentos: programas como o RIGI impulsionam setores estratégicos, incluindo energia, mineração de lítio e tecnologia;
  • Projeções de crescimento: estimativa acumulada de 12,2% entre 2024 e 2027.

Perspectivas para o PIB

O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% para a economia argentina em 2026, após expansão de 4,4% em 2025 e retração de 1,3% em 2024. Em comparação, o Brasil deve crescer 2,2% em 2025, após alta de 2,8% no ano anterior.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rica Canepa/Bloomberg/Getty Images

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Internacional

Milei anuncia 90 reformas estruturais para redesenhar a Argentina pelos próximos 50 anos

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste domingo que pretende enviar ao Congresso um pacote com 90 reformas estruturais ao longo de 2026. A proposta, segundo ele, busca “redesenhar a arquitetura institucional” do país com impacto projetado para as próximas cinco décadas.

O anúncio foi feito durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Parlamento, em um pronunciamento marcado por críticas à oposição e defesa de uma agenda de transformações profundas.

Reformas devem atingir economia e sistema tributário

De acordo com Milei, as mudanças abrangerão áreas estratégicas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa nacional.

O presidente afirmou que o novo pacote dará sequência ao ciclo de ajustes iniciado após sua posse, em 2023, e reforçou que as propostas fazem parte de um projeto de longo prazo para consolidar uma “nova Argentina”.

Continuidade do plano iniciado em 2023

Durante o discurso, Milei destacou que seu governo já promoveu “nove meses ininterruptos de reformas estruturais”, defendendo que as medidas implementadas até agora representam apenas a primeira etapa de um processo mais amplo de reconfiguração do Estado argentino.

A fala também foi marcada por confrontos verbais com parlamentares da oposição, evidenciando o ambiente político polarizado que acompanha a tramitação das propostas no Congresso.

Com o novo pacote, o governo sinaliza a intenção de aprofundar sua agenda liberal, ampliando o debate sobre o futuro institucional e econômico do país.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Hidrovía: governo abre propostas e Estados Unidos pode entrar na disputa pela concessão

O governo argentino avança nesta terça-feira com a abertura dos envelopes da licitação da Hidrovía, etapa que revelará quais empresas formalizaram ofertas para assumir a concessão de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal.

O processo ocorre em meio a questionamentos apresentados à Procuraduría de Investigaciones Administrativas (PIA) pelo engenheiro José María Lojo, ex-presidente do Consórcio de Gestão do Porto La Plata e atual titular do Conselho Portuário Argentino. A denúncia envolve o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o titular da ANPyN, Iñaki Arreseigor, por supostas irregularidades no processo.

Jan De Nul lidera corrida pela concessão

A principal candidata à concessão é a belga Jan De Nul, atual responsável pelos serviços de dragagem. A empresa larga em vantagem por sua experiência acumulada no sistema troncal de navegação argentino.

Nos bastidores da Casa Rosada, há expectativa de que pelo menos mais uma companhia apresente proposta. A presença de concorrência é vista como essencial para dar maior respaldo político ao processo e evitar críticas sobre eventual favorecimento.

Entre as possíveis concorrentes estão a também belga DEME e a neerlandesa Van Oord. Já a Boskalis, que chegou a ser citada anteriormente como interessada, praticamente não deve participar.

Empresas dos EUA podem mudar o cenário

Uma eventual entrada de companhias norte-americanas pode alterar significativamente o panorama da disputa. Nomes como Great Lakes Dredge & Dock Company e Weeks Marine são apontados como possíveis interessados.

Caso isso se confirme, o movimento teria peso geopolítico relevante, sinalizando apoio da diplomacia dos Estados Unidos e reconfigurando o equilíbrio da concorrência. A presença americana poderia gerar incertezas quanto à permanência da atual operadora à frente da hidrovia pelos próximos 30 anos.

Debates técnicos e ausência da província de Buenos Aires

Durante o ano passado, foram realizadas mesas de participação no âmbito da licitação da Hidrovía, com contribuições de usuários do sistema e representantes provinciais. Nessas discussões, surgiram demandas técnicas, econômicas e estratégicas relacionadas à competitividade e à eficiência logística.

Apesar da importância da província no comércio exterior argentino, a província de Buenos Aires não esteve representada nesses encontros, o que chamou atenção diante de seu peso portuário e produtivo.

Canal Magdalena perde protagonismo

Paralelamente, o debate sobre o Canal Magdalena perdeu espaço na agenda política. O projeto, historicamente defendido como alternativa estratégica para garantir saída direta ao mar sem dependência do Canal Punta Indio, ficou em segundo plano.

O governador Axel Kicillof, que em gestões anteriores defendia abertamente a iniciativa, reduziu suas manifestações públicas sobre o tema nos últimos meses.

Concessão estratégica para o comércio exterior

A Hidrovía Paraná-Paraguai é considerada eixo central do comércio exterior argentino, concentrando grande parte das exportações agrícolas e industriais do país. Por isso, a nova concessão é vista como decisão estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.

A abertura das propostas deve indicar o nível real de concorrência no processo e o grau de interesse internacional pela principal via de escoamento da produção argentina.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Economia

Atividade econômica da Argentina cresce 3,5% em dezembro e supera projeções do mercado

A atividade econômica da Argentina registrou alta de 3,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024, desempenho muito acima da expectativa de 0,5% projetada por analistas consultados pela Reuters. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos.

O resultado indica aceleração frente a novembro, quando o indicador havia apresentado retração de 0,3%.

Crescimento anual deve alcançar 4,4% em 2025

Com o avanço de dezembro, a terceira maior economia da América Latina deve encerrar 2025 com expansão acumulada de 4,4%, segundo estimativas oficiais.

O desempenho reforça sinais de retomada após meses de volatilidade econômica e ajustes fiscais promovidos pelo governo.

Agro lidera alta; indústria recua

Entre os setores que compõem o indicador mensal, 11 registraram crescimento na comparação anual.

O maior destaque foi o segmento de agricultura, pecuária, caça e silvicultura, que avançou 32%, impulsionado por uma produção recorde de trigo. O bom desempenho do campo foi determinante para o resultado positivo do mês.

Em sentido oposto, o setor manufatureiro apresentou queda de 3,9%, refletindo dificuldades persistentes na indústria.

Ajuste fiscal e reformas estruturais

Desde que assumiu a presidência, Javier Milei tem adotado medidas de forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, estratégia que contribuiu para a desaceleração da inflação argentina.

O governo agora busca estimular a recuperação de áreas mais sensíveis da economia, como indústria, consumo e construção civil, que ainda operam em níveis considerados baixos por analistas.

Entre as principais apostas está a proposta de reforma trabalhista, apresentada como instrumento para dinamizar o mercado de trabalho e ampliar a geração de empregos formais. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência de sindicatos, que afirmam que as mudanças podem comprometer direitos trabalhistas históricos.

O desempenho de dezembro reforça as expectativas de recuperação gradual da economia argentina, ainda que desafios estruturais permaneçam no radar.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Greve

Estado de greve na Argentina pode afetar comércio exterior de SC, alerta Fiesc

A possibilidade de manutenção do estado de greve na Argentina preocupa o setor produtivo catarinense. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a continuidade das paralisações pode comprometer o comércio exterior de SC e gerar impactos relevantes na economia do Estado.

A tensão ocorre após o avanço da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, aprovada nesta quinta-feira pela Câmara argentina e agora novamente encaminhada ao Senado, onde precisa ser analisada até 1º de março.

Risco de paralisação prolongada

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, o cenário indica que o movimento grevista pode se estender até a aprovação definitiva da proposta.

De acordo com ela, a continuidade da mobilização pode provocar:

  • Aumento dos custos logísticos, devido à retenção de cargas em pontos de desembaraço aduaneiro;
  • Interrupções na cadeia de suprimentos;
  • Risco de falta de insumos importados;
  • Quebra no fluxo de caixa das empresas;
  • Atrasos no cumprimento de contratos internacionais;
  • Abalo na confiança e na reputação comercial entre os países.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e Santa Catarina mantém forte relação bilateral, especialmente nos setores industrial e manufatureiro.

Momento era de crescimento no comércio bilateral

A avaliação da Fiesc é de que o impasse ocorre em um período favorável para as trocas comerciais entre os dois países, com aumento no volume negociado recentemente.

A falta de previsibilidade, segundo a entidade, pode comprometer o ritmo de crescimento das exportações e importações, afetando diretamente empresas catarinenses que dependem do mercado argentino.

Reforma trabalhista divide governo e sindicatos

Para viabilizar a aprovação na Câmara, o governo argentino flexibilizou alguns pontos do texto original. Ainda assim, mantém a proposta de reformular uma legislação trabalhista com cerca de 70 anos, criada durante o período do peronismo.

O presidente Javier Milei tem defendido mudanças estruturais com o argumento de modernizar a economia e tornar as regras mais flexíveis para empresas e trabalhadores. Entre os principais pontos da reforma trabalhista argentina estão:

  • Jornada de trabalho flexível, podendo variar entre 8 e 12 horas diárias;
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses;
  • Restrição de greves em setores considerados essenciais;
  • Regras mais flexíveis para férias;
  • Medidas para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos empregos no país.

O embate permanece intenso entre centrais sindicais e governo. Milei, que venceu as eleições legislativas em outubro, conta com apoio do setor empresarial e respaldo político para levar adiante as mudanças estruturais.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Greve

Greve na Argentina paralisa exportação de grãos e afeta setor agrícola

Uma greve na Argentina interrompeu, nesta quarta-feira, as atividades de exportação de grãos e derivados, impactando diretamente o comércio exterior do país. A paralisação foi organizada por sindicatos marítimos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Segundo Gustavo Idígoras, presidente da Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores de Cereales (CIARA-CEC), a greve de 48 horas compromete integralmente as operações do setor agroexportador. Em declaração à Reuters, ele classificou o movimento como uma ação de caráter político, distante das demandas específicas da atividade.

Portos e embarques afetados

A mobilização comprometeu serviços essenciais, como atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e atendimento a embarcações. A região mais impactada foi a área portuária de Rosário, um dos principais polos globais de exportação agrícola.

A paralisação coincide parcialmente com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT), marcada para quinta-feira, o que pode ampliar os efeitos sobre a economia argentina.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Federación Sindical Marítima y Fluvial (Fesimaf) afirmou que a mobilização tem como objetivo defender direitos trabalhistas e preservar a estabilidade no emprego.

Reforma trabalhista amplia tensão sindical

A Câmara dos Deputados argentina deve analisar o projeto de reforma trabalhista, já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta enfrenta forte resistência das entidades sindicais por prever mudanças como flexibilização das contratações, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e ampliação da jornada de trabalho.

Além dos marítimos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de oleaginosas de San Lorenzo também aderiu à paralisação. A entidade representa empregados do principal polo de processamento de soja do país, localizado ao norte de Rosário, onde se concentra grande parte das usinas responsáveis pela produção de óleo e farelo.

Em comunicado, o sindicato criticou o projeto, afirmando que a modernização proposta compromete direitos históricos dos trabalhadores.

Impacto econômico e mercado internacional

A Argentina ocupa posição estratégica no comércio global, sendo a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja. A interrupção nas operações portuárias pode afetar o fluxo de divisas, essencial para a economia do país.

Para o analista Ion Jauregui, da consultoria ActivTrades, paralisações que atingem transporte e portos geram reflexos que vão além dos dias de trabalho perdidos. Segundo ele, a capacidade de exportação é determinante para manter a entrada de moeda estrangeira.

O governo argentino avalia que as greves recorrentes prejudicam a produtividade e a estabilidade econômica nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Comércio

Acordo UE-Mercosul avança: Câmara da Argentina aprova tratado comercial

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo UE-Mercosul, dando um passo decisivo para a ratificação do tratado no país. A votação foi concluída pouco antes da meia-noite, com 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções.

O resultado evidenciou divisões inclusive dentro da oposição peronista, tradicionalmente associada a posições mais protecionistas. Parte da bancada votou a favor da proposta, alinhando-se à agenda de livre comércio defendida pelo governo.

Texto segue para o Senado argentino

Com o aval dos deputados, o projeto agora será analisado pelo Senado da Argentina, que deve iniciar o debate no dia 26. A expectativa é de aprovação, o que tornaria a Argentina o primeiro integrante do Mercosul a concluir a tramitação legislativa.

A ratificação é etapa necessária para que o tratado entre em vigor. O governo de Javier Milei busca acelerar o processo para assegurar vantagens comerciais, especialmente no acesso a cotas de exportação agropecuária, como as de carne bovina, antes dos demais parceiros do bloco, entre eles o Brasil.

Estratégia para sair na frente no Mercosul

Ao encaminhar o texto ao Congresso, o Executivo solicitou que a proposta fosse apreciada em sessões extraordinárias, com o objetivo de agilizar a votação e posicionar o país na dianteira dentro do bloco sul-americano.

Em Brasília, a Câmara dos Deputados do Brasil deve começar a discutir a ratificação apenas no próximo dia 24.

Aplicação provisória na União Europeia

Do lado europeu, o Parlamento Europeu decidiu submeter o tratado à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode se estender por até dois anos.

No entanto, o capítulo comercial poderá ser aplicado provisoriamente pela Comissão Europeia, que tem competência para implementar a parte comercial enquanto aguarda o parecer jurídico definitivo.

Um acordo histórico com peso geopolítico

Assinado no último dia 24 após 25 anos de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Além do impacto econômico, o pacto também carrega relevância estratégica. A aproximação entre sul-americanos e europeus surge como alternativa diante da crescente polarização entre Estados Unidos e China no cenário global.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: UOL

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Comércio Internacional

Acordo comercial EUA-Argentina pressiona o Mercosul e coloca o Brasil diante de decisão estratégica

O novo acordo comercial EUA-Argentina reacendeu o debate sobre os limites institucionais do Mercosul e pode redefinir a dinâmica de negociações externas do bloco. Batizado de Acordo Recíproco de Comércio e Investimentos (ARTI), o entendimento foi anunciado na última semana e já provoca questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras vigentes do grupo sul-americano.

O movimento cria um precedente dentro do bloco e impõe ao Brasil uma escolha estratégica: defender formalmente a norma atual ou adotar postura semelhante em futuros acordos bilaterais.

O que diz a regra do Mercosul

A norma central envolvida é a Decisão CMC 32/00, que estabelece que os países do Mercosul devem negociar conjuntamente acordos comerciais com terceiros quando houver concessão de preferências tarifárias.

O texto determina que os Estados-Partes não podem firmar novos acordos preferenciais isoladamente. Embora não possua mecanismo automático de sanção, a decisão segue formalmente em vigor.

Especialistas avaliam que, no caso do setor de carnes, o acordo firmado entre Estados Unidos e Argentina representa violação material da norma, e não apenas divergência interpretativa.

O conteúdo do acordo bilateral

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o acordo amplia significativamente o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino, ao mesmo tempo em que reforça compromissos regulatórios e sanitários.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 1.675 produtos argentinos exportados aos EUA, incluindo vinhos e limões;
  • Ampliação da cota de carne bovina argentina para 80 mil toneladas adicionais, além das 20 mil já existentes com tarifa reduzida;
  • Abertura do mercado argentino a produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, itens de tecnologia, veículos e produtos agrícolas dos EUA;
  • Reconhecimento da autoridade sanitária norte-americana (FSIS) e compromisso de procedimentos transparentes pelo SENASA.

O acordo também inclui medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), cotas e compromissos regulatórios. Embora não altere formalmente a Tarifa Externa Comum do Mercosul, especialistas apontam que a equivalência sanitária combinada com cotas preferenciais configura, na prática, instrumento de acesso preferencial a mercado.

Precedente e risco de efeito dominó

A principal preocupação é o precedente. Caso o arranjo seja aceito sem contestação, outros setores podem seguir o mesmo modelo, esvaziando gradualmente a coordenação externa do bloco.

Analistas avaliam que o governo de Javier Milei aposta na limitada capacidade institucional do Mercosul de reagir e na resistência de países como Brasil, Paraguai e Uruguai em escalar o conflito político.

Ao mesmo tempo, os EUA, sob a liderança de Donald Trump, vêm priorizando acordos bilaterais funcionais, em detrimento de negociações bloco a bloco.

Brasil em encruzilhada: duas estratégias possíveis

Diante do cenário, o Brasil pode optar por dois caminhos distintos:

Estratégia defensiva

Consistiria em contestar formalmente a Argentina no âmbito do Mercosul, reforçando o princípio das negociações conjuntas e preservando a força normativa da Decisão 32/00.

O custo potencial é o desgaste diplomático bilateral, além da baixa probabilidade de reversão prática do acordo.

Estratégia ofensiva

Outra alternativa seria utilizar o precedente para ampliar a margem de manobra da política comercial brasileira, negociando acordos bilaterais semelhantes.

A vantagem seria maior flexibilidade estratégica. O risco, contudo, envolve o enfraquecimento explícito da coordenação externa do Mercosul e a abertura de espaço equivalente para Paraguai e Uruguai.

Impactos para a política comercial regional

A avaliação predominante é que o episódio ultrapassa um caso isolado. O acordo EUA-Argentina força o Brasil a definir sua posição diante de um precedente concreto.

Contestar o entendimento preserva a regra institucional, mas expõe limitações do bloco. Replicá-lo amplia opções comerciais, porém redefine, na prática, o alcance da política comercial comum.

A próxima reunião do Mercosul deve oferecer sinais sobre como os demais membros reagirão ao novo arranjo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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