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Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Fraude em importações de alto-falantes é interrompida pelo MDIC por burla ao antidumping

Uma investigação do MDIC interrompeu uma fraude em importações de alto-falantes que estavam ingressando no Brasil com indícios de falsa declaração de origem para escapar da cobrança de direito antidumping aplicado contra a China.

A apuração foi conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e resultou no enquadramento dos produtos às medidas de defesa comercial em vigor.

Estrutura produtiva indicava origem chinesa

Durante a investigação, a Secex identificou que os insumos estruturais utilizados na fabricação dos alto-falantes em uma planta localizada na Índia — como bobinas e magnetos — eram integralmente provenientes da China.

Como há sobretaxa antidumping de 78,3% aplicada às importações chinesas desde 2007, a utilização desses componentes levantou suspeitas de tentativa de driblar a medida comercial por meio da alteração formal da origem do produto.

Após análise documental e verificação in loco no exterior, a área técnica concluiu que os alto-falantes devem ser considerados, de fato, como originários da China, ficando sujeitos à cobrança do direito antidumping.

Decisão publicada no Diário Oficial

O desfecho da investigação está formalizado na Portaria Secex nº 475/2026, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (25).

Os produtos analisados estão classificados nos subitens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, o resultado reforça o compromisso da Secex com a efetividade das medidas de defesa comercial e com a proteção da indústria nacional frente a práticas irregulares.

Histórico de investigações recentes

Nos últimos três anos, o MDIC concluiu 19 investigações relacionadas a possíveis tentativas de burla às regras de comércio exterior. Em 18 desses casos, foram adotadas providências para cessar as irregularidades ou concedidas aprovações parciais e condicionadas, quando cabível.

Desde 2023, as apurações envolveram produtos como ácido cítrico, aço GNO, alto-falantes, barras chatas de aço ligado, chapas off-set, escovas de cabelo, fios de náilon, laminados a frio de aço inoxidável, laminados de alumínio, objetos de louça para mesa, pneus agrícolas e pneus de carga.

As investigações alcançaram operações com origem declarada em países como Camboja, Hong Kong, Índia, Malásia, Taiwan, Turquia e Vietnã.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Assessoria de Comunicação/MDIC

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Empresa que comercializava dados do Siscomex firma acordo com a CGU e pagará multa de R$ 66 mil

A empresa que comercializava dados do Siscomex firmou um Termo de Compromisso com a Controladoria-Geral da União (CGU) após ser apontada por envolvimento em um esquema irregular de venda de informações do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

A ABK Comércio de Alimentos Ltda deverá pagar aproximadamente R$ 66 mil em multa, conforme previsto no acordo firmado com o órgão de controle.

Operação Spy revelou esquema de comercialização de dados

As apurações tiveram origem na Operação Spy, conduzida pela Polícia Federal, que identificou indícios de irregularidades relacionadas à venda de dados do Siscomex.

Com base nas investigações, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) instaurou processos administrativos para responsabilizar os envolvidos.

Publicação no Diário Oficial e base legal

A formalização do Termo de Compromisso foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em dezembro de 2025. A medida ocorreu após a CGU aceitar a proposta apresentada pela empresa, conforme as regras estabelecidas na Portaria Normativa CGU nº 155/2024.

No acordo, a companhia assumiu a obrigação de cumprir as condições impostas, sinalizando disposição em colaborar com o Estado e regularizar sua situação.

Aplicação da Lei Anticorrupção

A penalidade aplicada tem como fundamento a Lei Anticorrupção, que prevê sanções administrativas e civis a empresas envolvidas em atos lesivos contra a Administração Pública.

A legislação busca fortalecer a integridade pública, coibir práticas ilícitas e estimular a adoção de boas práticas empresariais, reconhecendo o papel do setor privado na prevenção e no combate à corrupção.

O MDIC destacou que a medida reforça o compromisso institucional com a legalidade e com a moralidade administrativa.

Canal para denúncias

A CGU disponibiliza o canal Fala.BR para o recebimento de denúncias relacionadas a irregularidades. O envio pode ser feito por meio de formulário eletrônico, inclusive de forma anônima, mediante a seleção da opção “Não identificado”.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Siscomex

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Operação em São Paulo investiga organização chinesa ligada ao PCC por lavagem de R$ 1,1 bilhão

Uma operação em São Paulo realizada nesta quinta-feira (12) mobilizou a Polícia Civil, o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda para desarticular uma organização criminosa chinesa ligada ao PCC, suspeita de lavagem de dinheiro por meio da comercialização de produtos eletrônicos. O esquema teria operado a partir da capital paulista, com alcance em todo o país.

As investigações apontam que o grupo movimentou ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, valor considerado expressivo pelas autoridades.

Empresas de fachada e notas fiscais pulverizadas

De acordo com os investigadores, as vendas eram realizadas por uma plataforma principal, enquanto os pagamentos eram desviados para empresas de fachada, utilizadas como contas de passagem. Na sequência, as notas fiscais eram emitidas por outras pessoas jurídicas, fragmentando as operações para dificultar o rastreamento dos recursos.

A polícia identificou que uma das empresas envolvidas pertence a um integrante do PCC, que atuava como laranja no esquema. O grupo também utilizava membros de facções criminosas como sócios ocultos e beneficiários de imóveis de alto valor, com o objetivo de ocultar e blindar o patrimônio.

Mandados são cumpridos em SP e SC

A ofensiva conta com cerca de 100 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que cumprem 20 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão em São Paulo e Santa Catarina.

Bens e valores são bloqueados pela Justiça

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) obtiveram na Justiça o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em ativos ligados à organização. Entre os bens bloqueados estão imóveis de luxo avaliados em pelo menos R$ 25 milhões, automóveis de alto padrão, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.

As autoridades afirmam que a operação busca enfraquecer a estrutura financeira do grupo e avançar no combate à lavagem de dinheiro associada ao crime organizado.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TV Globo

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Aumento de navios abandonados no mar expõe crise global e riscos aos marinheiros

O aumento de navios abandonados no mar tem chamado a atenção de autoridades marítimas e sindicatos internacionais. Em meio a instabilidade geopolítica, sanções econômicas e ao avanço das chamadas frotas fantasmas, centenas de embarcações comerciais foram deixadas à deriva no último ano, afetando milhares de marinheiros mercantes ao redor do mundo.

Além dos impactos econômicos e ambientais, o fenômeno revela uma grave crise humanitária enfrentada por tripulações que ficam meses sem salário, comida adequada ou perspectiva de retorno para casa.

Vida à deriva e salários atrasados

Ivan (nome fictício), oficial de convés russo, relatou à BBC a situação vivida a bordo de um petroleiro abandonado em águas internacionais, próximo à China. Segundo ele, a tripulação enfrentou escassez de alimentos básicos e condições precárias de trabalho.

O navio transporta cerca de 750 mil barris de petróleo bruto russo, avaliados em aproximadamente US$ 50 milhões, e deixou o Extremo Oriente da Rússia com destino à China no início de novembro. Em dezembro, a embarcação foi oficialmente classificada como abandonada pela International Transport Workers’ Federation (ITF), após meses sem pagamento de salários.

Explosão nos casos de abandono marítimo

Dados da ITF mostram a dimensão do problema. Em 2016, apenas 20 navios haviam sido registrados como abandonados no mundo. Já em 2025, o número saltou para 410 embarcações, afetando 6.223 marinheiros — um crescimento de quase 30% em relação a 2024.

A organização aponta que conflitos internacionais, impactos remanescentes da pandemia de covid-19 e oscilações nos custos de frete pressionaram empresas de navegação, levando algumas a simplesmente abandonar suas tripulações.

Frotas fantasmas e sanções internacionais

Um dos principais motores desse avanço é a atuação das frotas fantasmas, compostas em geral por petroleiros antigos, com estruturas de propriedade pouco transparentes, sem seguro adequado e operando fora dos padrões de segurança.

Essas embarcações costumam navegar sob bandeiras de conveniência, registradas em países com fiscalização limitada, e são usadas para driblar sanções ocidentais impostas a nações como Rússia, Irã e Venezuela.

Após a invasão da Ucrânia, em 2022, a Rússia passou a enfrentar limites de preço para seu petróleo. Ainda assim, encontrou compradores como China e Índia, sustentando uma cadeia logística paralela que depende fortemente dessas frotas.

Bandeiras de conveniência ampliam riscos

As bandeiras de conveniência (FOCs) existem há mais de um século e permitem que armadores escapem de legislações mais rígidas. Atualmente, Panamá, Libéria e Ilhas Marshall concentram quase metade da tonelagem mundial de navios mercantes.

Nos últimos anos, porém, novos países passaram a oferecer esse tipo de registro. A Gâmbia, por exemplo, saiu de zero petroleiros registrados em 2023 para 35 embarcações no papel em menos de um ano, atraída pelas taxas cobradas.

Em 2025, 82% dos navios abandonados navegavam sob bandeiras de conveniência, evidenciando a correlação entre esse modelo e os casos de abandono.

O que caracteriza o abandono de marinheiros

Segundo a Organização Marítima Internacional (IMO), um marinheiro é considerado abandonado quando o armador deixa de pagar salários por pelo menos dois meses, não garante a repatriação ou interrompe o suporte básico à tripulação.

No ano passado, salários atrasados de tripulações abandonadas somaram US$ 25,8 milhões, de acordo com dados da IMO e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ITF conseguiu recuperar cerca de US$ 16,5 milhões desse total.

Nacionalidades mais afetadas e reação de governos

Os marinheiros indianos foram os mais impactados em 2025, com 1.125 casos, seguidos por filipinos e sírios. Em resposta, o governo da Índia colocou 86 navios estrangeiros na lista negra, após identificar abandono recorrente e proprietários impossíveis de rastrear.

Para sindicatos do setor, a responsabilidade recai sobre os Estados que permitem registros frágeis. Representantes do Nautilus International defendem maior rigor e um vínculo real entre armadores e países de bandeira, exigência já prevista no direito marítimo internacional, mas pouco aplicada na prática.

Cooperação internacional como saída

O petroleiro onde Ivan trabalha chegou a operar sob uma bandeira gambiana falsa e, posteriormente, foi aceito provisoriamente por outro país africano, que abriu investigação formal. A expectativa da ITF é que o impasse só seja resolvido após a transferência do petróleo para outra embarcação em alto-mar.

Enquanto isso, marinheiros seguem vulneráveis. Ivan afirma que, no futuro, terá mais cautela ao aceitar contratos, buscando informações sobre sanções, histórico do navio e condições de trabalho.

Especialistas avaliam que, sem maior cooperação internacional, os riscos associados às frotas fantasmas continuarão recaindo sobre quem sustenta o transporte marítimo global: os trabalhadores do mar.

FONTE: BBC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP via Getty Images

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Acidente com contêineres no Porto de Rotterdam interrompe operação de bunkering

Um incidente envolvendo a queda de contêineres foi registrado durante uma operação no Porto de Rotterdam, nos Países Baixos. As unidades despencaram do navio porta-contêineres Bangkok Express e atingiram a embarcação de bunkering K Lotus, que realizava o abastecimento de GNL (gás natural liquefeito).

O episódio ocorreu enquanto o Bangkok Express passava por operações de descarga no terminal APM Terminals Maasvlakte II. Parte dos contêineres caiu no mar, enquanto outros atingiram o convés da embarcação responsável pelo fornecimento de combustível, segundo informou o portal especializado Schuttevaer.

Sem feridos e operação suspensa

De acordo com a Autoridade Portuária de Rotterdam, não houve registro de feridos. A tripulação do K Lotus foi imediatamente direcionada para uma área segura e a operação de bunkering foi interrompida de forma preventiva.

Equipes de emergência de diferentes instituições foram mobilizadas para atender a ocorrência e garantir a segurança da área.

Contêineres retirados sem impacto na navegação

Os contêineres que caíram na água foram localizados e removidos posteriormente, sem causar impacto nas operações marítimas do porto. Após a normalização da situação, o navio Bangkok Express seguiu viagem com destino ao Porto de Salalah, em Omã.

Já a embarcação K Lotus permanece atracada em uma área do terminal portuário holandês, aguardando os procedimentos necessários após o incidente.

Porto de Rotterdam mantém operações

A Autoridade Portuária informou que o ocorrido não comprometeu o funcionamento geral do Porto de Rotterdam, considerado um dos maiores e mais movimentados da Europa, e que as atividades seguiram normalmente após a retirada dos contêineres.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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EUA aplicam multa milionária à MSC por irregularidades em cobranças portuárias

A Federal Maritime Commission (FMC), órgão regulador do transporte marítimo nos Estados Unidos, aplicou uma multa de US$ 22,67 milhões à Mediterranean Shipping Company (MSC) por violações à Shipping Act, legislação que disciplina as práticas comerciais do setor no país.

A penalidade envolve três infrações distintas relacionadas a cobranças portuárias, falta de transparência tarifária e aplicação indevida de taxas.

Cobrança indevida de demurrage e detention

De acordo com a FMC, uma das irregularidades ocorreu entre 2018 e 2020, quando a MSC cobrou taxas de demurrage e detention de agentes aduaneiros que figuravam apenas como notify parties nos conhecimentos de embarque.

Segundo a agência reguladora, esses agentes não tinham controle operacional sobre a carga nem responsabilidade direta pela movimentação dos contêineres, o que torna a cobrança incompatível com os critérios estabelecidos pela legislação marítima dos EUA.

Falhas de transparência em tarifas de contêineres refrigerados

Outra infração identificada pela comissão refere-se ao período entre 2021 e 2023, quando a MSC deixou de detalhar, em sua tabela tarifária oficial, as cobranças aplicáveis a contêineres refrigerados inoperantes (non-operating reefers).

A ausência dessas informações violou as exigências de transparência tarifária previstas na Shipping Act, que determina a divulgação clara e acessível de todas as taxas praticadas pelas companhias de navegação.

Valores excessivos configuraram prática irregular

Além da omissão de informações, a FMC concluiu que a MSC também aplicou valores considerados excessivos de demurrage e detention relacionados ao uso desses equipamentos refrigerados inoperantes. Para o órgão regulador, a prática ultrapassou limites aceitáveis e caracterizou conduta indevida no transporte marítimo de linha regular.

Fiscalização mais rigorosa no setor marítimo

A decisão reforça a postura mais assertiva adotada pela Federal Maritime Commission nos últimos anos, especialmente após a ampliação de seus poderes de fiscalização e enforcement. O movimento ocorre em um contexto de maior escrutínio sobre as práticas comerciais das armadoras, com foco em equilíbrio contratual, previsibilidade de custos e proteção dos usuários do transporte marítimo.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Incêndios florestais no Chile levam governo a decretar estado de catástrofe

O Chile decretou estado de catástrofe em duas regiões do sul do país em razão dos incêndios florestais que avançam sobre áreas urbanas e rurais. A medida foi anunciada neste domingo (18) pelo presidente Gabriel Boric e atinge as regiões de Ñuble e Bío Bío, localizadas a cerca de 500 quilômetros ao sul da capital, Santiago.

Mortes e deslocamento em massa

Até o momento, os incêndios já provocaram ao menos 18 mortes e forçaram o deslocamento de aproximadamente 20 mil pessoas, que precisaram deixar suas casas por conta do avanço das chamas. Diversas residências foram destruídas, ampliando o impacto humanitário da tragédia.

Bombeiros combatem dezenas de focos ativos

Segundo a Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf), equipes de emergência atuavam no combate a 24 incêndios ativos em diferentes pontos do país na manhã deste domingo. Os focos mais críticos estão concentrados justamente nas regiões onde foi decretado o estado de exceção.

Governo amplia medidas de emergência

Com a decretação do estado de catástrofe, o governo chileno passa a ter maior agilidade para mobilizar recursos, reforçar o apoio das Forças Armadas, ampliar o número de brigadistas e acelerar ações de proteção civil e assistência às famílias afetadas.

Situação segue sob monitoramento

As autoridades seguem em alerta diante das condições climáticas adversas, como altas temperaturas, baixa umidade e ventos fortes, que dificultam o controle das chamas e aumentam o risco de novos focos.

FONTE: CRI Online
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Funcionária morre após queda de esteira no Porto de Santos durante inspeção noturna

Uma funcionária de um terminal do Porto de Santos morreu após sofrer uma queda em uma esteira instalada no armazém 16, no cais santista. O acidente ocorreu durante uma atividade de rotina e causou comoção entre trabalhadores do setor portuário.

Vítima atuava há pouco mais de um mês na empresa

A vítima foi identificada como Denise dos Santos Teixeira, de 40 anos. Ela exercia a função de auxiliar de mecânica e trabalhava havia cerca de 45 dias na empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLI).

Queda de aproximadamente 20 metros

De acordo com as informações apuradas, Denise realizava uma inspeção de rotina quando o piso da esteira por onde transitava teria cedido. A falha estrutural provocou uma queda estimada em cerca de 20 metros.

Buscas foram iniciadas após ausência causar estranhamento

Conforme o boletim de ocorrência registrado na Central de Polícia Judiciária de Santos, colegas de trabalho perceberam a ausência da funcionária por volta das 20h e iniciaram buscas na área operacional do terminal.

O corpo foi localizado sem sinais vitais. Um médico foi acionado e constatou o óbito ainda no local.

Equipamentos de proteção estavam sendo utilizados

Segundo o registro policial, a trabalhadora utilizava corretamente os equipamentos de proteção individual (EPIs) exigidos para a atividade desempenhada no terminal portuário.

Polícia investiga as circunstâncias do acidente

A Polícia Civil classificou o caso como morte suspeita e solicitou a realização de exames periciais. O terminal conta com sistema de monitoramento por câmeras, cujas imagens devem contribuir para o esclarecimento do ocorrido.

Família relata atividade no turno da noite

Em entrevista, a irmã da vítima, Simone Freire, informou que Denise havia sido designada para uma inspeção no turno noturno, período em que ocorreu o acidente fatal.

Segurança no Porto de Santos volta ao debate

O caso reacende a discussão sobre segurança do trabalho em áreas operacionais e medidas de prevenção de acidentes no Porto de Santos, considerado o maior complexo portuário da América Latina.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Hidrovia da Lagoa dos Patos ganha protagonismo no escoamento de celulose após enchentes no RS

As enchentes no Rio Grande do Sul nos últimos anos provocaram uma reconfiguração na logística estadual e impulsionaram o uso do transporte hidroviário. Nesse novo cenário, a Lagoa dos Patos passou a desempenhar papel central no escoamento de celulose até o Porto de Rio Grande, principal via de acesso da produção gaúcha ao mercado internacional.

Uso de hidrovias cresce com mudança logística

A ampliação da produção de celulose no RS e os impactos dos eventos climáticos extremos aceleraram a adoção das hidrovias como alternativa às rodovias e ferrovias. Dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que a movimentação de cargas por hidrovias no estado alcançou cerca de 1,9 milhão de toneladas em 2025, alta de 11,76% em relação a 2024, quando o volume foi de aproximadamente 1,7 milhão de toneladas.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, o avanço está diretamente ligado à necessidade de reorientação logística diante das enchentes que comprometeram a infraestrutura terrestre. Para ele, as hidrovias ampliam a resiliência logística, garantem a continuidade das exportações e reduzem riscos operacionais em momentos de crise climática.

Celulose lidera a movimentação no Porto de Rio Grande

Atualmente, a celulose é a principal carga movimentada no Porto do Rio Grande. A produção da Companhia Manufatureira de Papéis e Papelões (CMPC), localizada em Guaíba (RS), é transportada por barcaças pela Lagoa dos Patos até o porto marítimo, de onde segue para o exterior.

Em 2023, o terminal portuário exportou cerca de 1,62 milhão de toneladas de celulose. A China liderou como principal destino, seguida por Estados Unidos, Itália, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul. O modelo logístico é integrado: as embarcações levam a celulose até Rio Grande e retornam com toras de madeira a partir de Pelotas, otimizando custos e operações.

Hidrovias reforçam resiliência frente às enchentes

As enchentes recentes evidenciaram a vulnerabilidade de um sistema logístico fortemente dependente das rodovias. Interdições em estradas e ferrovias impactaram o abastecimento, a produção industrial e as exportações. Nesse contexto, a Hidrovia do Atlântico Sul, formada pelos rios Jacuí e Guaíba, canais navegáveis e a Lagoa dos Patos, mostrou-se mais estável por estar menos sujeita a deslizamentos, colapsos de pontes e bloqueios físicos.

No âmbito federal, o fortalecimento do setor envolve a atuação conjunta do Ministério de Portos e Aeroportos, da Antaq, responsável pela regulação e fiscalização, e do Dnit, que executa ações de dragagem, manutenção e melhoria da navegabilidade.

Eficiência, sustentabilidade e competitividade

O avanço do transporte hidroviário no Rio Grande do Sul reforça o papel das hidrovias como solução mais eficiente, econômica e sustentável. O modal contribui para a redução de emissões, diminui o tráfego pesado nas estradas e reduz o desgaste da infraestrutura viária.

Com a Lagoa dos Patos como eixo estratégico, a Hidrovia do Atlântico Sul consolida-se como elemento-chave para integrar indústria, portos e comércio exterior, alinhando competitividade logística à transição para modais mais limpos e resilientes.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Divulgação/Portos RS

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