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Incêndio no navio HMM Platinum ameaça cargas destinadas a quatro portos brasileiros

O incêndio a bordo do porta-contêineres HMM Platinum provocou uma mudança de rota na viagem entre a Índia e o Brasil e acendeu um alerta para importadores e responsáveis pelas mercadorias transportadas. A embarcação, que levava aproximadamente 2.300 contêineres, desviou o trajeto em direção à África do Sul para buscar um porto de refúgio. A viagem previa escalas em Santos (SP), Paranaguá (PR), Navegantes (SC) e Rio Grande (RS).

O episódio ocorreu entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026, mas os comunicados disponíveis não especificam a data exata nem esclarecem as causas do incêndio.

Incêndio no HMM Platinum altera rota entre Índia e Brasil

O navio saiu do porto de Kattupalli, na Índia, com destino ao porto de Santos. Durante a travessia, o incêndio a bordo levou à alteração do itinerário e à busca por um local seguro para a embarcação.

A escolha de um porto de refúgio permite que um navio com avarias receba assistência, passe por inspeções e, quando necessário, tenha reparos realizados ou parte da carga descarregada antes de retomar a viagem.

Inicialmente, Durban foi apontada como possível destino do desvio. No entanto, uma atualização posterior indicou que a embarcação procurava outra alternativa e mencionou Port Elizabeth, atualmente chamada de Gqeberha, também na África do Sul.

Embora uma previsão anterior indicasse a chegada a Durban em 8 de outubro, não há confirmação de que o navio tenha atracado naquele porto. Até o momento, as informações disponíveis também não estabelecem uma nova previsão para a chegada aos terminais brasileiros.

Avaria Grossa pode elevar custos para os importadores

Em atualização divulgada em 8 de outubro, o W.E. Cox Claims Group informou que profissionais de salvamento da empresa SMIT foram contratados por meio do Lloyd’s Open Form (LOF), modalidade de contrato utilizada em operações de salvamento marítimo.

Esse modelo permite iniciar os trabalhos de assistência sem definir previamente o valor final da remuneração, que poderá ser estabelecido posteriormente por arbitragem.

O comunicado também apontou a possibilidade de danos expressivos e indicou que uma declaração de Avaria Grossa é provável. Até aquela atualização, porém, não havia confirmação formal da medida.

A diferença entre os dois procedimentos é importante para os proprietários das mercadorias. Enquanto a contratação da equipe de salvamento já foi comunicada, a Avaria Grossa permanece como uma possibilidade.

Se formalizada, a declaração poderá obrigar os donos de todas as cargas envolvidas a contribuir proporcionalmente para os custos extraordinários do salvamento e de outras despesas elegíveis. Isso significa que mesmo mercadorias não atingidas diretamente pelo fogo poderão gerar obrigações financeiras para seus proprietários.

Os comunicados não informam os valores das garantias exigidas, nem apresentam prazos para a liberação ou o reembarque dos contêineres.

Durban ou Gqeberha: destino do navio ainda é incerto

A definição do porto de refúgio é uma das principais questões pendentes. Durban apareceu inicialmente nos informes como destino provável, mas a atualização mais recente citou Gqeberha como alternativa.

Sem a confirmação da atracação e das condições da embarcação, ainda não é possível estabelecer quando as operações de inspeção, avaliação das mercadorias e eventual retomada da viagem poderão ocorrer.

A indefinição também afeta o planejamento logístico das empresas que aguardam produtos nos portos de Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande. Como não foi divulgada uma programação revisada das escalas, não há base suficiente para calcular novas datas de chegada.

O que os donos de carga devem fazer neste momento

O W.E. Cox Claims Group informou que poderão ser exigidas garantias de salvamento antes do reembarque das mercadorias ou de sua liberação no destino. Caso a Avaria Grossa seja declarada, os responsáveis pelas cargas também poderão precisar apresentar garantias específicas relacionadas a esse procedimento.

Diante desse cenário, os importadores e demais proprietários das mercadorias devem acompanhar as atualizações e verificar quais medidas são necessárias para evitar atrasos adicionais na retirada dos contêineres.

A corretora solicitou que os clientes com cargas transportadas pelo HMM Platinum entrem em contato para receber orientações sobre os próximos passos.

Outra recomendação é comunicar preventivamente a seguradora responsável pelo seguro de transporte internacional. O aviso permite que a companhia acompanhe o caso e oriente o segurado sobre a documentação e os procedimentos aplicáveis.

Empresas que dependem das mercadorias para abastecer linhas de produção ou cumprir compromissos comerciais também devem avaliar alternativas logísticas e conversar com fornecedores e clientes sobre possíveis impactos nos prazos de entrega.

Avaliação dos danos depende de inspeções no navio

A dimensão dos prejuízos ainda não foi determinada. Além dos danos provocados diretamente pelas chamas, as mercadorias podem apresentar avarias causadas pela fumaça ou pela água empregada no combate ao incêndio.

A identificação dos contêineres afetados e a avaliação das perdas dependerão da inspeção da embarcação e da análise das cargas. Até o momento, não foram divulgadas informações que permitam identificar quais unidades sofreram danos.

Esse levantamento será importante para definir as medidas necessárias à recuperação das mercadorias, à eventual apresentação de reclamações de seguro e à apuração dos prejuízos financeiros.

Características do navio HMM Platinum

Construído em 2013 e registrado sob a bandeira da Libéria, o HMM Platinum possui o número de identificação marítima IMO 9637155.

A embarcação tem capacidade nominal para 5.593 TEUs, sigla utilizada no transporte marítimo para representar unidades equivalentes a contêineres de 20 pés.

Essa capacidade não deve ser confundida com a quantidade de carga transportada na viagem em questão, estimada em cerca de 2.300 contêineres.

Impactos do incêndio para o comércio exterior brasileiro

O caso do HMM Platinum evidencia como um incidente marítimo pode afetar não apenas as mercadorias diretamente danificadas, mas também empresas cujos contêineres permaneçam intactos.

Se houver declaração de Avaria Grossa, os proprietários das cargas poderão ter de apresentar garantias financeiras e contribuir para despesas elegíveis de salvamento antes de receber suas mercadorias. A situação pode comprometer o fluxo de caixa dos importadores e ampliar os custos da operação.

A contratação dos salvadores da SMIT e a adoção do Lloyd’s Open Form já foram informadas pelo W.E. Cox Claims Group. Entretanto, os valores envolvidos, a extensão dos danos e as condições para a liberação das mercadorias continuam sem definição.

No campo logístico, a falta de confirmação sobre o porto de refúgio e a ausência de um cronograma atualizado impedem estimativas confiáveis para as escalas no Brasil. Por isso, empresas com cargas a bordo precisam manter contato com seus agentes de carga, corretores e seguradoras.

O episódio também reforça a importância do seguro de transporte de cargas e do acompanhamento das ocorrências durante o trânsito internacional. Mesmo quando uma mercadoria não sofre danos diretos, sua liberação pode depender de exigências financeiras decorrentes de um incidente marítimo.

Até que sejam concluídas as inspeções e divulgadas novas informações, permanecem indefinidos o alcance dos prejuízos, os custos envolvidos e o prazo para a retomada do itinerário do HMM Platinum rumo aos portos brasileiros.

FONTE: Painel Político
TEXTO: Redação
IMAGEM: Robert Bortolin

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Operação Play Fake: Receita Federal retém nove contêineres com mercadorias irregulares no Porto do Rio

A Receita Federal reteve nove contêineres com mercadorias irregulares provenientes da China no Porto do Rio de Janeiro. A apreensão ocorreu durante a Operação Play Fake, que identificou indícios de fraude em cargas destinadas ao mercado brasileiro.

Fiscalização encontra cargas avaliadas em R$ 63 milhões

A operação foi realizada em duas etapas. Na primeira fase, iniciada em setembro, os fiscais localizaram cinco contêineres com produtos avaliados em aproximadamente R$ 35 milhões.

A ação começou após uma análise de risco apontar divergências nas informações apresentadas nos documentos de importação. A partir desses dados, os servidores realizaram a conferência das cargas e encontraram produtos diferentes daqueles declarados.

Na segunda etapa, encerrada neste mês, outros quatro contêineres foram retidos. As mercadorias foram estimadas em R$ 28 milhões e apresentavam características semelhantes às identificadas na primeira fase.

Produtos estavam escondidos atrás de cargas declaradas

Segundo a fiscalização, os contêineres foram registrados com mercadorias de baixo valor agregado. Durante a inspeção física, porém, os servidores constataram que os itens declarados ocupavam somente a parte dianteira das cargas.

Na área posterior dos contêineres estavam escondidos produtos com indícios de fraude aduaneira, incluindo brinquedos, pelúcias, bonecos colecionáveis, cartas de jogos e outros artigos relacionados a franquias conhecidas.

A fiscalização também encontrou indícios de falsificação de produtos protegidos por direitos de propriedade intelectual. Além disso, foram identificados brinquedos sem a certificação obrigatória do Inmetro, requisito necessário para a comercialização regular desses produtos no Brasil.

Receita Federal alerta consumidores antes do Dia das Crianças

Com a aproximação do Dia das Crianças, a Receita Federal reforça a importância de verificar a origem e a regularidade dos brinquedos antes da compra.

Os produtos comercializados no Brasil devem apresentar o selo de certificação do Inmetro. A ausência da identificação indica que o brinquedo não passou pela avaliação de segurança exigida para sua comercialização no país.

A recomendação é que os consumidores tenham atenção à procedência dos produtos, especialmente em períodos de maior procura por brinquedos e artigos infantis.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal

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Marinha do Chile amplia buscas por tripulante desaparecido do navio Manantial na baía de Concepción

A Marinha do Chile iniciou uma nova etapa nas buscas pelo tripulante do navio Manantial que desapareceu na baía de Concepción, no sul do país. A operação entrou no terceiro dia na sexta-feira, após o homem cair de uma embarcação auxiliar durante trabalhos de abastecimento.

O acidente ocorreu na sexta-feira, 2 de outubro, quando o tripulante caiu de um bote do tipo Zodiac enquanto a equipe realizava o fornecimento de água e alimentos ao navio.

Operação reúne equipes marítimas e terrestres

Segundo a autoridade marítima de Talcahuano, as equipes começaram as operações nas primeiras horas do dia para ampliar a área de procura.

A capitã de corveta Camila Ovalle informou que estão sendo empregados meios marítimos e terrestres, além de equipes especializadas em resgate subaquático.

Participam da operação unidades marítimas, patrulhas terrestres, mergulhadores e uma embarcação inflável da Capitania do Porto e do grupo de salvamento de Talcahuano.

Também foram mobilizados integrantes do Gersa (Grupo Especializado de Resgate Subaquático dos Bombeiros) de Hualpén e das unidades de Dichato e Tomé.

De acordo com Ovalle, as equipes seguem atuando de forma coordenada com as demais instituições envolvidas na emergência. A área de busca deve ser ampliada progressivamente ao longo da operação.

Acidente aconteceu durante abastecimento do navio

O desaparecimento ocorreu depois que o tripulante perdeu o equilíbrio e caiu da embarcação auxiliar. Outro trabalhador tentou ajudá-lo, mas também acabou caindo no mar.

O segundo homem envolvido no acidente foi localizado e resgatado. Posteriormente, ele foi encaminhado ao Hospital Las Higueras para atendimento médico.

As circunstâncias do desaparecimento mantêm mobilizadas as equipes de busca e salvamento marítimo na região de Talcahuano.

Navio Manantial está fundeado desde 2019

O Manantial é um navio de carga geral de bandeira equatoriana, com 99,98 metros de comprimento e 15,82 metros de boca.

A embarcação está sob arresto no Chile e permanece fundeada em frente à praia Isla de los Reyes, em Talcahuano, desde 2019.

A permanência do navio na região está relacionada a um processo judicial envolvendo um suposto não pagamento de serviços de rebocadores. A disputa envolve a Ultramar e a Mobbing Shipping, proprietária da embarcação.

Enquanto as autoridades marítimas concentram esforços na localização do tripulante desaparecido, as equipes de emergência continuam trabalhando para ampliar a cobertura da operação na baía de Concepción.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Receita Federal retém dois contêineres com cigarros eletrônicos no Porto de Santos

A Receita Federal reteve dois contêineres com cigarros eletrônicos no Porto de Santos (SP) durante ações de fiscalização voltadas ao combate ao contrabando e à entrada irregular de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) no país.

As cargas apresentavam divergências nas declarações de conteúdo e foram submetidas à conferência física pelos agentes da Receita Federal.

Primeiro contêiner tinha mais de 283 mil cigarros eletrônicos

A inspeção do primeiro contêiner ocorreu em 18 de setembro. A carga havia sido declarada como “telas de LED e eletrônicos”, mas a fiscalização identificou que praticamente todo o conteúdo era composto por cigarros eletrônicos.

Ao término da conferência, foram localizadas mais de 283 mil unidades. A mercadoria está em processo de formalização da apreensão e tem valor de mercado estimado em até R$ 28 milhões.

Segundo contêiner também apresentava mercadoria irregular

O segundo contêiner passou por conferência física em 25 de setembro. Na documentação, a carga havia sido descrita como máquinas e aparelhos elétricos.

Durante a fiscalização, porém, foram encontrados cigarros eletrônicos, powerbanks, fones de ouvido, microfones, caixas de som e suportes para celular.

Os DEFs serão formalmente apreendidos depois da conclusão do procedimento de saneamento da carga, que envolve separação, identificação, contagem e avaliação das mercadorias.

A expectativa da Receita Federal é apreender aproximadamente 180 mil cigarros eletrônicos, além das respectivas baterias recarregáveis. O valor de mercado desse material pode superar R$ 21 milhões.

O que são os Dispositivos Eletrônicos para Fumar

Cigarros eletrônicos, vapes, pods e vaporizadores são diferentes denominações utilizadas para identificar os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs).

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe atividades relacionadas a esses produtos, incluindo fabricação, importação, comercialização, armazenamento, transporte e propaganda.

Cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil

A regulamentação considera os riscos associados ao uso dos dispositivos. Entre os possíveis impactos à saúde estão doenças pulmonares, problemas cardiovasculares, exposição a substâncias tóxicas, dependência de nicotina e potencial risco de câncer.

A fiscalização realizada no Porto de Santos integra as ações de combate à entrada irregular desses produtos no território nacional.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal

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Custo de produção de leite sobe 4,13% em 2026 e aumenta pressão sobre produtores

O custo de produção de leite avançou 1,47% em agosto e acumulou alta de 4,13% entre janeiro e agosto de 2026. Os dados são do ICPLeite/Embrapa e apontam para uma sequência de aumentos que pode apertar ainda mais as margens dos produtores nos próximos meses.

Agosto foi o segundo mês consecutivo de elevação significativa das despesas da atividade leiteira. O movimento ocorre em um cenário diferente do observado no custo de vida das famílias brasileiras, que registrou deflação de 0,32% no mês, segundo o IBGE.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o índice de inflação das famílias ficou em 3,11%, abaixo da variação registrada pelo custo da produção de leite.

Minerais e alimentação puxam alta dos custos

Entre os componentes avaliados pelo índice, o grupo minerais apresentou o maior aumento em agosto, com alta de 10,89%.

Outro destaque foi o grupo concentrado, que reúne itens utilizados na alimentação do rebanho. Os custos dessa categoria cresceram 3,35%, influenciados principalmente pela valorização da ração e do milho.

Segundo a análise da Embrapa, a elevação dos custos ainda não está associada aos efeitos do El Niño. O cenário atual está relacionado principalmente à menor oferta de pastagens, ao encarecimento dos grãos e à alta de insumos importados utilizados na alimentação dos animais.

A instituição também considera o impacto de um ambiente de maior tensão no mercado internacional, que pode afetar os preços de determinados insumos utilizados na atividade.

Custo do leite acelera em 12 meses

O avanço das despesas também aparece no acumulado de longo prazo. Nos 12 meses encerrados em agosto, o custo de produção de leite aumentou 3,73%.

O resultado representa mais que o dobro da variação de 1,72% registrada nos 12 meses encerrados em julho.

A mão de obra esteve entre os fatores que mais contribuíram para essa alta, principalmente devido à sua participação relevante na composição das despesas totais das propriedades leiteiras.

No acumulado de janeiro a agosto, os grupos minerais, sanidade e reprodução apresentaram aumentos de dois dígitos. Os gastos com mão de obra também registraram crescimento expressivo no período.

Produtor enfrenta cenário de margens mais apertadas

A combinação entre despesas maiores e a perspectiva de redução dos preços pagos pelo leite pode aumentar a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Na avaliação da Embrapa, a tendência de custos mais elevados, associada à expectativa de menor remuneração recebida pelos produtores durante o segundo semestre, deve contribuir para uma redução das margens da produção leiteira até o verão.

O cenário deixa a atividade diante de um equilíbrio mais difícil. Enquanto despesas com alimentação, minerais, mão de obra e insumos avançam, existe a possibilidade de queda na remuneração obtida com a venda do leite.

O que é o ICPLeite/Embrapa?

O ICPLeite/Embrapa acompanha mensalmente a evolução dos custos de produção da atividade leiteira em propriedades de Minas Gerais.

O indicador considera diferentes grupos de despesas envolvidos na produção, como alimentação do rebanho, minerais, sanidade e reprodução, mão de obra, energia, além de outros insumos e serviços utilizados nas propriedades.

A evolução do índice serve como referência para acompanhar as mudanças nos custos enfrentados pelos produtores e os impactos sobre a atividade leiteira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Caminhoneiro é preso com documento falso ao tentar carregar soja em Guiratinga

Um caminhoneiro de 64 anos foi preso em flagrante na terça-feira (15), em Guiratinga, a 328 quilômetros ao sul de Cuiabá, suspeito de participar de uma fraude para realizar o carregamento irregular de uma carga de soja avaliada em R$ 109.965,32. O produto foi localizado e recuperado integralmente.

Documento falso levantou suspeita

Segundo a Polícia Civil, a Delegacia de Guiratinga foi acionada depois que o responsável por uma propriedade rural identificou problemas na documentação apresentada pelo motorista para retirar a carga.

Uma equipe policial foi até o local e verificou que a ordem de carregamento apresentada pelo caminhoneiro era falsa. O documento apresentava inconsistências e trazia um código de verificação que não existia.

Os investigadores também fizeram contato com a empresa responsável pelo transporte e confirmaram que não havia autorização para o carregamento da soja.

Diante das irregularidades, os policiais apreenderam o caminhão e o celular utilizado pelo motorista durante a tentativa de carregamento.

Carga de soja foi recuperada

Durante as diligências, a equipe policial conseguiu localizar a carga de soja e recuperar todo o produto. Posteriormente, os grãos foram devolvidos ao responsável pela propriedade rural.

O motorista foi encaminhado para a Delegacia de Guiratinga, onde acabou preso em flagrante.

Polícia investiga possível participação de outras pessoas

As investigações realizadas após a prisão também apontaram indícios de que outras pessoas podem ter participado da fraude. A possível atuação de envolvidos no esquema será apurada pela Polícia Civil.

FONTE: Gazeta Digital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta Digital

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Cratera se abre em ponte na PE-034, acesso ao Porto de Suape

Uma cratera em ponte provocada pelo rompimento do asfalto interditou, na noite de terça-feira (16), um trecho da PE-034, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. O problema ocorreu no quilômetro 3 da rodovia, em uma das vias de acesso ao Estaleiro Sul, no Porto de Suape. Não houve registro de pessoas feridas.

O incidente aconteceu por volta das 22h, segundo relatos encaminhados à TV Globo. Com o rompimento do pavimento, a circulação de veículos precisou ser suspensa nos dois sentidos da rodovia.

Ponte fica interditada após asfalto ceder

A área atingida fica sobre uma região de manguezal e é utilizada por veículos que entram ou saem dos terminais do complexo portuário. Após a interdição, algumas carretas ficaram impedidas de acessar ou deixar o Porto de Suape pela ponte.

O trecho afetado não corresponde à rodovia principal com pedágio que dá acesso a Nossa Senhora do Ó e a Porto de Galinhas, em Ipojuca, também na Região Metropolitana do Recife.

Suape investiga causas do rompimento

Em comunicado, o Complexo Industrial Portuário de Suape informou que foi constatado o rompimento de parte da VPE-34, acompanhado de danos no pavimento e interrupção do tráfego.

As causas do problema estão sendo apuradas pela equipe técnica da Concessionária Rota do Atlântico, responsável pela administração do trecho.

Segundo Suape, a área foi isolada e recebeu sinalização para restringir os acessos e reforçar a segurança viária. Profissionais das áreas de engenharia, manutenção e operação também foram mobilizados para realizar inspeções, levantamentos técnicos e acompanhar as condições do local.

Máquinas e equipamentos são mobilizados

Ainda de acordo com o complexo portuário, máquinas, equipamentos e materiais necessários para os serviços de recuperação da rodovia estão sendo encaminhados para a região.

A circulação de pedestres também passou a ser controlada, enquanto a concessionária orienta os motoristas a não tentar acessar o trecho interditado.

Equipes avaliam rotas alternativas para os usuários da via e trabalham na execução dos serviços necessários para que o tráfego de veículos possa ser retomado com segurança.

Prazo para recuperação da ponte

O g1 procurou a Concessionária Rota do Atlântico para saber quando o reparo da ponte deverá ser concluído. Até a última atualização da reportagem, porém, a empresa não havia informado uma previsão para a liberação do trecho.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TV Globo

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Dragagem do Rio Tapajós é vetada pelo governo e ameaça escoamento de grãos no Norte

A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de não autorizar, neste momento, a dragagem de manutenção do Rio Tapajós aumenta a preocupação com a navegação na região em um período de estiagem que pode ser agravado pelo El Niño. Segundo representantes do setor privado e pessoas familiarizadas com o tema, uma eventual interrupção da hidrovia poderia comprometer o transporte de soja e milho e gerar perdas de até R$ 850 milhões.

Além dos impactos sobre a exportação de grãos, existe preocupação com o abastecimento e a mobilidade das comunidades que vivem às margens do rio. Representantes do setor produtivo e autoridades que acompanham o caso afirmam que estudos técnicos apontavam a necessidade da intervenção e que o procedimento poderia ser realizado sem custo para a União.

Hidrovia do Tapajós ganha importância no transporte de grãos

A hidrovia do Tapajós se consolidou como um dos principais corredores logísticos do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos produzidos no Norte de Mato Grosso até os portos do Pará.

Dados do governo mostram a expansão desse sistema nos últimos anos. O volume total de cargas transportadas pela hidrovia passou de 100 mil toneladas, em 2010, para 16,8 milhões de toneladas no ano passado.

Atualmente, quase 40% dos embarques brasileiros de grãos utilizam o Arco Norte. O modal hidroviário é considerado uma alternativa de maior capacidade, com custos de transporte mais baixos e menor impacto ambiental em comparação com o transporte exclusivamente rodoviário.

Seca pode reduzir capacidade de transporte no rio

A redução do nível dos rios durante o período de estiagem é um fenômeno recorrente na região amazônica. A preocupação aumenta diante da possibilidade de um El Niño forte, que pode intensificar a seca e comprometer a profundidade necessária para a circulação das embarcações.

Nesse cenário, a dragagem de manutenção tem a função de retirar sedimentos acumulados pelo assoreamento em pontos específicos do leito. O procedimento não tem como objetivo modificar as características naturais do rio.

A intervenção planejada abrangeria o trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará. A execução seria conduzida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em parceria com a Associação Nacional de Navegação Interior (Abani), conforme convênio firmado em novembro do ano passado. A operação, segundo as informações apresentadas, não representaria despesas para a União.

Estudos apontavam sete pontos críticos

Interlocutores que acompanham o processo afirmam que o DNIT elaborou estudos técnicos para identificar sete pontos considerados críticos para a segurança da navegação.

O projeto de dragagem teria recebido aprovação da Marinha e da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Também foram realizados testes laboratoriais em amostras de solo e água, com o objetivo de verificar os possíveis efeitos ambientais e sua adequação aos parâmetros estabelecidos pelo Conama.

Ainda segundo essas informações, a intervenção respeitaria uma distância de 10 quilômetros de comunidades indígenas, condição apontada como suficiente para dispensar a realização de consulta prévia.

Governo interrompe processo após manifestações de comunidades

No fim de julho, o Palácio do Planalto decidiu suspender a continuidade da dragagem. A decisão ocorreu depois de manifestações de comunidades indígenas e ribeirinhas preocupadas com possíveis impactos ambientais.

Pessoas que conhecem as tratativas avaliam que a questão também passou a ter uma dimensão política em razão do calendário eleitoral. Técnicos e representantes do setor privado, porém, demonstram preocupação com as consequências da suspensão diante da previsão de queda do nível do rio.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o nível do Tapajós em Itaituba terminou agosto em 452 centímetros. A projeção indicava possibilidade de chegar a 300 centímetros a partir de 18 de setembro, abaixo do chamado nível de restrição para a navegação.

Cada comboio pode transportar até 2 mil toneladas de grãos. À medida que o nível da água diminui, a quantidade de carga por embarcação também precisa ser reduzida, podendo chegar a um ponto em que o transporte pela hidrovia deixa de ser economicamente viável.

Histórico de estiagem aumenta preocupação

O receio também considera o que ocorreu nos últimos anos. Em 2024, a estiagem provocou aproximadamente 45 dias de interrupção da navegação em trechos considerados críticos. O problema também afetou o deslocamento de comunidades ribeirinhas.

O período mais sensível costuma ocorrer entre outubro e janeiro. Quanto mais avançada estiver a estiagem, mais complexa se torna a realização de uma eventual dragagem.

Em carta encaminhada ao presidente Lula no início de agosto, entidades do setor privado alertaram para os efeitos registrados durante a estiagem de 2024. Segundo as associações, houve falta de insumos básicos, aumento do custo de vida, redução da renda real e agravamento da insegurança alimentar nas áreas afetadas.

O documento solicitava uma reunião com o presidente para discutir medidas relacionadas à navegação no Tapajós. Entre os signatários estão Abani, Moveinfra, Confederação Nacional do Transporte (CNT), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Federação das Indústrias do Estado do Pará, entre outras entidades.

BR-163 é alternativa, mas setor aponta custos maiores

Caso a navegação seja interrompida, uma das alternativas consideradas pelo governo é utilizar o transporte rodoviário pela BR-163. O setor privado, entretanto, argumenta que essa opção apresenta custos e riscos superiores.

Outra possibilidade seria redirecionar parte das cargas para o Sul do país, utilizando rodovias e ferrovias com destino aos portos de Santos e Paranaguá.

Segundo a Moveinfra, um comboio formado por 35 barcaças consegue transportar aproximadamente 70 mil toneladas de grãos. O volume equivale à capacidade de cerca de 1.700 caminhões ou seis composições ferroviárias.

Paralisação pode retirar milhões de toneladas da hidrovia

A estimativa do setor é que uma interrupção da navegação durante três ou quatro meses poderia impedir o transporte de até 5 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós.

O impacto financeiro direto é estimado entre R$ 500 milhões e R$ 850 milhões. A substituição do transporte hidroviário por alternativas terrestres também poderia aumentar as emissões de gases de efeito estufa, com uma projeção de aproximadamente 55 mil toneladas adicionais de CO₂.

Para Ronei Glanzmann, presidente da Moveinfra, a ausência da dragagem não elimina os problemas de navegação e pode transferi-los para outras áreas. Ele argumenta que as alternativas rodoviárias e ferroviárias são mais caras e podem gerar impactos ambientais adicionais.

Glanzmann também afirma que a dragagem envolve critérios técnicos, acompanhamento e medidas de proteção ambiental. Na avaliação dele, a interrupção da hidrovia afeta não apenas a cadeia de exportação, mas também o fornecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos às comunidades locais.

Setor industrial prevê risco de interrupção a partir de outubro

Alex Carvalho, presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI e da Federação das Indústrias do Estado do Pará, afirmou que a navegação poderá ser interrompida já em outubro.

Carvalho também questiona a diferença de tratamento em relação a outros rios da Bacia Amazônica, onde existem obras de dragagem em andamento, citando os rios Amazonas, Madeira e Solimões.

Segundo ele, os efeitos econômicos da estiagem já foram sentidos anteriormente. Em 2025, o Pará teria deixado de arrecadar cerca de R$ 30 milhões em ICMS relacionado a combustíveis, enquanto os municípios perderam aproximadamente R$ 7,6 milhões em ISS ligado às operações portuárias e de navegação.

Governo diz que cenário está sendo monitorado

Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos confirmou que a dragagem entre Itaituba e Santarém não será realizada “neste momento”. A pasta afirmou que a decisão ocorreu após diálogo com os órgãos envolvidos e a escuta de povos indígenas e comunidades da região.

O ministério informou ainda que acompanha os possíveis efeitos sobre a navegabilidade, o transporte de cargas e o abastecimento das comunidades para definir eventuais medidas de contingência durante a estiagem.

Entre as alternativas monitoradas está o uso complementar do transporte rodoviário. Segundo o governo, a medida poderá ajudar a garantir o fornecimento de alimentos, bens essenciais e outros produtos às populações que dependem da navegação do Tapajós.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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Incêndio em navio na China deixa 20 mortos e cinco desaparecidos em porto de Qingdao

Um incêndio em um navio de carga deixou pelo menos 20 mortos e cinco desaparecidos na quinta-feira (10), em um estaleiro de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China. A embarcação, de bandeira estrangeira, estava atracada para passar por serviços de manutenção quando as chamas começaram.

Segundo a emissora estatal CCTV, havia 42 pessoas a bordo no momento do acidente. Dezessete foram retiradas do navio, entre elas cinco que ficaram feridas.

Incêndio começou durante manutenção do navio

O fogo atingiu a embarcação enquanto ela estava no estaleiro Qingdao Beihai Shipbuilding. A agência estatal Xinhua informou que o incêndio teve início por volta das 11h15 no horário local, equivalente a 0h15 em Brasília.

As equipes de emergência conseguiram controlar as chamas às 14h30, no horário de Qingdao, ou 3h30 pelo horário de Brasília, de acordo com a CCTV.

Em comunicado divulgado pela Xinhua, o incêndio ocorreu em um navio de carga estrangeiro durante sua permanência no porto para manutenção e provocou um elevado número de vítimas.

Buscas continuam por desaparecidos

Após o acidente, o presidente da China, Xi Jinping, determinou que as autoridades acelerassem as operações de busca e resgate pelos desaparecidos.

O líder chinês também ordenou uma investigação sobre as causas do incêndio no porto de Qingdao, além da responsabilização dos envolvidos. Xi pediu ainda que sejam extraídas lições do episódio e adotadas medidas para eliminar possíveis riscos de incêndio.

O primeiro-ministro Li Qiang também orientou as equipes de emergência a localizar as pessoas que permanecem presas na embarcação. Ele determinou ainda que os feridos recebam atendimento médico adequado e que sejam tomadas medidas para impedir novos acidentes.

Testemunha relata fumaça, mas nenhuma explosão

Uma moradora de uma área próxima ao porto afirmou ter percebido uma grande quantidade de fumaça saindo do navio. Segundo ela, porém, não houve sinais de explosão.

“Vi a fumaça vindo do navio por acaso, mas não vi fogo. Não ouvi nenhuma explosão, nem notei qualquer cheiro”, relatou a testemunha.

As autoridades ainda não divulgaram a causa do incêndio nem informaram se houve algum problema específico durante os trabalhos de manutenção.

Navio tem bandeira da Libéria

A Xinhua publicou uma imagem da embarcação atracada no estaleiro, com diversos caminhões de bombeiros posicionados nas proximidades.

O navio foi identificado como Ocean Melody. Conforme informações do MarineTraffic, a embarcação tem aproximadamente 190 metros de comprimento e está registrada sob a bandeira da Libéria.

O Qingdao Beihai Shipbuilding é considerado um dos principais estaleiros da China e pertence à Corporação Estatal de Construção Naval da China.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Fechamento do espaço aéreo prolonga voos e aumenta emissões da aviação

O avanço dos conflitos geopolíticos está criando um efeito colateral que vai além da segurança e dos custos das companhias aéreas: o impacto ambiental. Com áreas inteiras do espaço aéreo fechadas ou restritas, aeronaves precisam adotar trajetos mais longos para chegar aos mesmos destinos.

A mudança aumenta o tempo de viagem, eleva o consumo de combustível e, consequentemente, amplia as emissões de CO₂ da aviação. O cenário coloca em xeque parte dos ganhos de eficiência obtidos pelo setor nos últimos anos.

Mas, afinal, como as restrições ao espaço aéreo internacional estão alterando as rotas, encarecendo as operações e agravando a pegada climática dos voos de longa distância?

Por que um espaço aéreo pode ser fechado?

O fechamento ou a restrição de uma região do espaço aéreo pode ocorrer por diferentes motivos. Entre eles estão ameaças à segurança, exercícios militares, lançamento ou atividade de mísseis e drones, conflitos políticos, greves de controladores de tráfego aéreo, desastres naturais e condições meteorológicas extremas.

Além disso, uma restrição não necessariamente impede todas as aeronaves de utilizarem determinada área. Na Ucrânia, por exemplo, todo o espaço aéreo permanece fechado à aviação civil. Na Rússia, por outro lado, as restrições atingem especificamente companhias aéreas da União Europeia.

Órgãos reguladores também podem determinar ou recomendar que empresas evitem determinadas regiões. É o caso da Federal Aviation Administration (FAA), nos Estados Unidos, e da European Union Aviation Safety Agency (EASA), na Europa.

As próprias companhias aéreas também podem optar por não utilizar determinadas rotas, levando em conta suas avaliações internas de risco operacional e segurança.

Na Europa, o sistema Flexible Use of Airspace, administrado pela Eurocontrol, busca liberar para a aviação civil áreas reservadas às atividades militares quando elas deixam de ser necessárias. Para os voos de longa distância, entretanto, conflitos prolongados em pontos estratégicos podem alterar a malha internacional durante meses ou até anos.

Conflitos aumentam o tempo dos voos

Um dos exemplos mais claros envolve a rota entre Helsinque e Tóquio operada pela Finnair. Segundo dados apresentados pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) em 2023, a viagem passou de aproximadamente nove para 13 horas depois que a companhia perdeu o acesso ao espaço aéreo russo — um aumento de 44%.

Em comunicado divulgado em abril de 2026, a Finnair informou que os voos para Japão e Coreia do Sul passaram a exigir de duas a quatro horas adicionais em determinadas circunstâncias.

A situação também se agravou após a escalada das hostilidades no Oriente Médio, em 28 de fevereiro de 2026. O fechamento de áreas do espaço aéreo e de aeroportos obrigou diversas empresas a redesenhar suas rotas.

Segundo a Finnair, viagens com destino à Índia, Tailândia e Singapura passaram a levar cerca de uma a duas horas a mais devido aos desvios provocados pela situação na região.

Rotas entre Ásia e América do Norte também foram afetadas

Os impactos chegaram ainda aos voos que conectam diretamente a Ásia e a América do Norte.

Em março de 2026, a Air India passou a direcionar para oeste algumas operações com destino à Europa e à América do Norte, utilizando corredores disponíveis sobre Omã, Arábia Saudita e Egito.

Os desvios fizeram com que determinados voos entre a Índia e a América do Norte ficassem longos o suficiente para exigir escalas técnicas em cidades como Roma ou Viena antes da continuação da viagem pelo Atlântico.

A companhia informou que as novas rotas elevaram o tempo de voo e acrescentaram complexidade às operações.

Mesmo após uma trégua temporária no conflito do Oriente Médio, algumas áreas permanecem sob alerta. A EASA continua recomendando que as empresas aéreas evitem o sobrevoo de países e regiões como Irã, Iraque e Líbano.

Combustível mais caro chega ao bolso do passageiro

Os desvios não afetam apenas o planejamento operacional das companhias. O aumento do consumo de combustível também pode ser repassado aos viajantes por meio de sobretaxas de combustível.

A Air India começou a cobrar valores adicionais em 10 de março de 2026, poucos dias após a escalada das tensões no Oriente Médio. A empresa justificou a medida pelo aumento dos preços do combustível de aviação associado à situação geopolítica no Golfo.

Para voos com destino à América do Norte, a sobretaxa por trecho passou de US$ 150 para US$ 200 e, posteriormente, chegou a US$ 280 em abril.

A All Nippon Airways (ANA) também adotou uma cobrança adicional. Em abril, a empresa anunciou uma sobretaxa de 56 mil ienes por trecho em determinados voos entre o Japão e a América do Norte ou Europa, considerando itinerários com origem fora do Japão.

O valor subiu para 65 mil ienes em julho e agosto. Em 1º de setembro, porém, a cobrança foi reduzida para 55 mil ienes, após medidas adotadas pelo governo japonês ajudarem a aliviar parte da pressão sobre os custos de combustível.

Na mesma data, a Emirates manteve suas sobretaxas. As viagens entre Japão e Dubai tinham cobrança adicional de 48 mil ienes por trecho, enquanto os voos do Japão para Europa ou Américas apresentavam sobretaxa de 49 mil ienes.

Voos mais longos significam mais emissões

O aumento das distâncias percorridas também tem consequências ambientais. Durante a interrupção do espaço aéreo no Oriente Médio, a Eurocontrol calculou o impacto dos desvios em relatório publicado em 31 de março de 2026.

A estimativa apontou que cerca de 1.150 voos por dia estavam sendo desviados para evitar áreas de conflito. Quando considerados também os voos que atravessavam a Europa com origem ou destino na América do Norte, o número chegava a aproximadamente 1.360 operações diárias.

Somadas, essas aeronaves percorriam cerca de 206 mil quilômetros adicionais todos os dias.

Esse aumento representava um consumo extra de aproximadamente 602 toneladas métricas de combustível diariamente. As operações também acrescentavam mais de 1.900 toneladas métricas de CO₂ e 3,3 toneladas métricas de NOx, os chamados óxidos de nitrogênio, por dia.

Impacto climático desafia metas da aviação

Os números ajudam a dimensionar o efeito dos desvios sobre o impacto ambiental da aviação. De acordo com estimativa da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), um automóvel convencional movido a gasolina emite cerca de 4,6 toneladas métricas de CO₂ por ano.

Nesse parâmetro, as 1.900 toneladas métricas de CO₂ adicionais geradas diariamente pelos desvios equivalem aproximadamente às emissões anuais de mais de 400 carros médios nos Estados Unidos.

O problema ganha importância caso as rotas mais longas deixem de ser uma situação excepcional e se tornem permanentes. Nesse cenário, parte dos ganhos obtidos pelas companhias com novas aeronaves, tecnologias e medidas de eficiência energética pode ser anulada pela necessidade de voar distâncias maiores.

Tráfego aéreo europeu também entra no debate

A discussão sobre rotas mais longas não se limita aos conflitos militares. A Ryanair também aponta problemas relacionados à gestão do tráfego aéreo europeu.

A companhia argumenta que aeronaves obrigadas a contornar áreas de espaço aéreo indisponíveis acabam percorrendo distâncias maiores, aumentando as emissões sem acrescentar qualquer benefício ao transporte.

Em comunicado, o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, citou as greves do controle de tráfego aéreo francês e afirmou que cerca de 20% dos voos da União Europeia passam pelo espaço aéreo da França.

Segundo a empresa, dois dias de paralisações provocaram o cancelamento de 1.500 voos e afetaram os planos de viagem de aproximadamente 270 mil passageiros da União Europeia.

A companhia defende, em uma petição, que uma administração mais eficiente do tráfego aéreo europeu poderia diminuir cancelamentos e desvios e, ao mesmo tempo, reduzir em cerca de 10% as emissões de carbono da aviação.

O cenário mostra como decisões geopolíticas, restrições operacionais e gestão do espaço aéreo passaram a ter impacto direto não apenas sobre o preço e a duração das viagens, mas também sobre os objetivos climáticos da aviação mundial.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: NurPhoto/Getty

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