Internacional

China intensifica diálogo sobre o Estreito de Ormuz e pede redução de tensões no Oriente Médio

A China afirmou nesta segunda-feira (16) que mantém contato com “todas as partes” envolvidas na crise no Estreito de Ormuz, reforçando sua posição em favor da diminuição das tensões no Oriente Médio. A declaração foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores durante coletiva de imprensa.

China defende solução diplomática para o conflito

Questionado sobre um possível pedido do governo dos Estados Unidos para colaborar com a segurança da rota marítima — considerada estratégica para o transporte global de energia —, o porta-voz Lin Jian destacou o papel diplomático de Pequim.

Segundo ele, o país asiático segue empenhado em dialogar com os envolvidos e contribuir para a estabilização do cenário. “Estamos em contato com todas as partes e comprometidos em promover o alívio da situação”, afirmou.

Lin também reiterou o apelo para que haja cessar-fogo imediato, alertando para os riscos de uma escalada que pode gerar impactos econômicos globais.

Conflito entre EUA, Israel e Irã se intensifica

O cenário regional se agravou após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro. Na ocasião, uma ofensiva conjunta resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã, além de outros integrantes de alto escalão do regime.

Autoridades americanas afirmam que operações militares destruíram embarcações, sistemas de defesa aérea e aeronaves iranianas.

Retaliações ampliam instabilidade na região

Em resposta, o Irã lançou ataques contra diversos países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. O governo iraniano afirma que os alvos são interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nesses territórios.

O conflito já deixou mais de 1.200 civis mortos no Irã, conforme dados de uma organização de direitos humanos sediada nos EUA. Do lado americano, a Casa Branca confirmou ao menos sete mortes de militares.

Expansão do conflito e impacto no Líbano

A crise também atingiu o Líbano, onde o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, realizou ataques contra Israel. Em resposta, forças israelenses intensificaram bombardeios contra posições do grupo no país vizinho, resultando em centenas de mortes.

Novo líder supremo do Irã gera críticas

Após a morte de grande parte da cúpula iraniana, um conselho interno escolheu Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo. Analistas avaliam que sua liderança deve manter a linha política atual, sem mudanças significativas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão, classificando-a como um “grande erro” e afirmando que o nome escolhido seria inaceitável para o comando do país.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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EUA pressionam China para reabrir Estreito de Hormuz bloqueado pelo Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pode cancelar a viagem prevista à China, onde se encontraria com Xi Jinping, caso Pequim não contribua para a reabertura do Estreito de Hormuz. A rota estratégica está bloqueada pelo Irã desde o início do mês, em meio ao conflito no Oriente Médio.

“Creio que a China também deveria ajudar na reabertura, já que importa 90% de seu petróleo pelo Estreito de Hormuz”, afirmou Trump ao Financial Times. Ele ainda pediu uma resposta concreta de Pequim antes da viagem, prevista para o final deste mês.

Apoio internacional e envolvimento de aliados

Após a declaração, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump tem buscado apoio de aliados na Europa e no Golfo Pérsico para intervir na reabertura da rota. Ela ressaltou que os países da OTAN precisam se engajar mais para enfrentar o Irã, evitando que o país obtenha armas nucleares.

“Todos se beneficiam quando os EUA garantem que o Irã não consiga desenvolver uma arma nuclear. O presidente Trump está certo em cobrar ação de outros países”, completou Leavitt.

Bloqueio do Estreito de Hormuz e impactos globais

O Estreito de Hormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializado mundialmente, está sob controle do Irã após ataques de EUA e Israel, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei.

O bloqueio, restrito a navios pertencentes aos “inimigos” do Irã, aumentou a volatilidade nos mercados globais de energia. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior norte-americano, reconheceu que a região é “taticamente complexa” e que ações militares em grande escala exigem planejamento detalhado.

Além da China, Trump solicitou que outros países enviem navios de guerra para garantir a passagem pelo estreito. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a restrição vale apenas para navios de Estados Unidos, Israel e seus aliados.

Alta nos preços do petróleo e impacto na economia

O bloqueio provocou aumento expressivo nos preços do petróleo e derivados. Nos EUA, a gasolina subiu 17% e o diesel 24% desde os primeiros ataques. Segundo o The New York Times, o valor médio da gasolina chegou a US$ 3,48 por galão, o mais alto desde 2024.

O setor de alimentos e fertilizantes também sofre, já que derivados de petróleo são insumos essenciais. Zippy Duvall, presidente da Federação Americana de Farm Bureau, alertou que a escassez de fertilizantes pode comprometer a produção agrícola e gerar pressões inflacionárias globais.

Continuidade do conflito e ações militares

Trump afirmou que os EUA ainda não estão prontos para encerrar o conflito. Embora o Irã tenha demonstrado interesse em negociar, o presidente americano condiciona qualquer acordo a termos “muito sólidos”.

Enquanto isso, forças americanas bombardearam a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Ataques atingiram depósitos de mísseis e instalações de minas iranianas. Em resposta, autoridades iranianas ameaçaram retaliar contra bases de empresas petrolíferas ligadas aos EUA.

A Ilha de Kharg, situada a menos de 25 km da costa iraniana e cerca de 480 km ao norte do Estreito de Hormuz, possui oito quilômetros de extensão e concentra a maior parte da exportação de petróleo do país.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kevin Lamarque/Reuters

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Internacional

Preço do petróleo sobe com incertezas sobre guerra no Irã e Estreito de Hormuz

Os preços do petróleo iniciaram o domingo (15) em alta, impulsionados pelas dúvidas sobre o desfecho da guerra no Irã e os riscos à navegação no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de energia.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a avançar 3,3% na abertura, ultrapassando US$ 106. Ao longo da noite, no entanto, houve acomodação, com a cotação girando em torno de US$ 103 — patamar mantido até a manhã de segunda-feira (16).

Volatilidade e pressão no mercado de energia

A commodity já vinha em trajetória de alta desde a semana anterior, quando ultrapassou os US$ 100 diante do temor de uma disrupção no mercado de energia. Desde o início do conflito, os preços acumulam valorização de cerca de 40%, enquanto bolsas globais registraram queda aproximada de 5%.

Em meio à forte volatilidade, o barril chegou a tocar US$ 120 — o maior nível em quatro anos — antes de recuar e se estabilizar acima dos US$ 100.

Estreito de Hormuz no centro das atenções

O Estreito de Hormuz, localizado entre Irã e Omã, concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A possibilidade de bloqueio parcial da passagem tem elevado a preocupação de investidores e governos.

Autoridades iranianas afirmaram que a rota segue aberta, mas com restrições a embarcações ligadas aos Estados Unidos e aliados. Ainda assim, navios continuam transitando pela região, embora em menor número.

Dados da consultoria marítima Lloyd’s List Intelligence indicam queda expressiva no tráfego: menos de 80 embarcações cruzaram o estreito desde o início da guerra, contra mais de 1.200 no mesmo período do ano passado — uma retração superior a 90%.

Declarações ampliam incertezas

O cenário de instabilidade foi intensificado por declarações divergentes entre os governos envolvidos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país mantém controle da situação e segue preparado para se defender. Já autoridades dos Estados Unidos indicaram que o conflito pode terminar em poucas semanas, o que poderia aliviar os custos de energia.

Por outro lado, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de novos ataques a infraestruturas estratégicas iranianas e descartou, por ora, um acordo imediato de paz.

Impactos logísticos e reação internacional

Diante dos riscos à logística global de petróleo, os Estados Unidos articulam a formação de uma coalizão internacional para proteger o tráfego marítimo na região. Países como China, França, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul foram citados como possíveis participantes da iniciativa.

No campo da oferta, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 411,9 milhões de barris de reservas emergenciais. O objetivo é reduzir a pressão sobre o mercado, embora analistas considerem a medida limitada diante da magnitude da crise.

Perspectivas para os preços do petróleo

Especialistas avaliam que a tendência para o mercado de petróleo segue de alta, caso o conflito se prolongue ou haja interrupções mais severas no fornecimento. Uma crise prolongada pode gerar impactos na economia global, incluindo aumento da inflação devido à alta dos combustíveis.

Apesar das tentativas de estabilização, o cenário permanece incerto, com investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre a oferta mundial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Como aviões comerciais continuam operando em meio a conflitos no Oriente Médio

Enquanto a tensão aumenta sobre o Irã e o Golfo, o tráfego aéreo comercial segue intenso, mesmo em rotas alteradas para garantir a segurança de passageiros e tripulações. O controle de voos tornou-se ainda mais complexo, exigindo coordenação e atenção máxima dos controladores de tráfego aéreo.

Tráfego aéreo desviado e rotas alternativas

Nos últimos 15 dias, enquanto drones e mísseis cruzavam o céu, controladores monitoravam aviões de passageiros por rotas mais seguras, ainda que congestionadas. Mapas de rastreamento mostram aumento de tráfego sobre regiões como Egito e Geórgia, à medida que as companhias aéreas buscam desviar aeronaves de áreas de risco.

Cada controlador supervisiona uma porção do espaço aéreo e coordena entradas e saídas com colegas. Em condições normais, um controlador acompanha cerca de seis aviões simultaneamente; em situações de conflito, esse número pode dobrar. Brian Roche, controlador aposentado do Reino Unido, alerta: “O cérebro consegue manter esse nível de concentração por apenas 20 a 30 minutos”.

Turnos curtos para evitar sobrecarga

Para lidar com o aumento do fluxo, os turnos de controladores são adaptados: normalmente, duram 45 a 60 minutos, seguidos por 20 a 30 minutos de descanso. Em períodos de guerra, a prática reduz os turnos para 20 minutos, com pausas iguais, garantindo segurança e concentração.

“Os controladores estão realizando turnos incríveis, lidando com volumes igualmente impressionantes de tráfego aéreo”, destaca Roche.

Lições do passado: MH17 e acidentes recentes

O acidente do voo MH17 da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil em 2014 na Ucrânia e que matou 298 pessoas, exemplifica os riscos de voar sobre áreas de conflito. Mais recentemente, seis tripulantes americanos morreram após a queda de um avião-tanque no oeste do Iraque.

Incidentes assim reforçam a necessidade de rotas alternativas, planejamento antecipado e monitoramento constante do espaço aéreo.

Coordenação entre pilotos e controladores

Quando há fechamento parcial do espaço aéreo, os controladores informam os pilotos sobre rotas alternativas, combustível disponível e aeroportos aptos a receber cada tipo de aeronave. A separação segura entre aviões é fundamental, considerando turbulência causada por grandes jatos e diferenças de tamanho entre aeronaves.

Pilotos com experiência na região destacam que fechamentos repentinos são raros. “A maioria das companhias aéreas planeja com antecedência para evitar zonas de conflito. Neste caso, sabíamos que algo se formaria no Oriente Médio”, afirma John, piloto que prefere não ter seu nome divulgado.

Tripulação preparada e passageiros tranquilos

Além dos pilotos, comissários de bordo têm papel essencial em manter a calma dos passageiros durante conflitos. Hannah, que lidera equipes em voos de longa distância, ressalta: “Nosso trabalho vai muito além de servir refeições. Garantimos a segurança e o bem-estar dos passageiros em todas as situações”.

Alterações de rotas e escalas extras exigem adaptação da equipe, mas fazem parte da rotina. “Como comissários, sentimos que somos parte de uma grande família, unidos pelas asas”, completa Hannah.

Segurança e rotina aérea mantidas

Apesar dos desafios, o setor de aviação comercial continua a operar com segurança, disciplina e procedimentos rigorosos, garantindo que os passageiros cheguem ao destino mesmo em meio a crises geopolíticas.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: FlightRadar24

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EUA suspendem sanções ao petróleo da Rússia pela primeira vez desde início da Guerra da Ucrânia

Os Estados Unidos anunciaram uma suspensão temporária de sanções ao petróleo da Rússia, permitindo a comercialização de cargas já transportadas por navios até 11 de abril. A decisão marca a primeira flexibilização das restrições impostas ao setor energético russo desde o início da Guerra da Ucrânia, em 2022.

A autorização foi divulgada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e ocorre em meio à forte volatilidade no mercado global de petróleo, agravada pelas tensões no Oriente Médio.

Licença permite venda de petróleo russo já em trânsito

De acordo com o comunicado oficial, a licença temporária autoriza a comercialização de petróleo bruto e derivados da Rússia que já estavam em transporte marítimo antes da decisão.

Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a medida é limitada e de curto prazo, tendo como objetivo evitar impactos mais severos no mercado internacional de energia.

Ele ressaltou que a autorização não deve gerar benefícios financeiros significativos ao governo russo, já que a regra se aplica apenas a cargas previamente embarcadas.

Sanções contra petróleo russo começaram em 2022

As restrições ao petróleo da Rússia começaram logo após a invasão da Ucrânia pelas forças de Rússia em fevereiro de 2022.

Inicialmente, empresas norte-americanas foram proibidas de comprar petróleo russo, embora o impacto direto fosse limitado, já que o volume negociado entre os dois países era pequeno.

O golpe mais relevante ocorreu no fim daquele ano, quando a União Europeia decidiu restringir a importação do produto, que representava cerca de 20% do consumo de petróleo do bloco.

Sanções adicionais atingiram grandes petroleiras russas

Posteriormente, os EUA ampliaram as restrições ao impor limites ao preço do petróleo russo vendido a outros mercados.

A pressão sobre Moscou aumentou ainda mais em outubro, quando o presidente Donald Trump determinou sanções contra negociações com duas das maiores empresas de energia da Rússia: a estatal Rosneft e a privada Lukoil.

Essas medidas impactaram diretamente as exportações de petróleo russo, que sofreram queda nos meses seguintes.

Índia e transportadoras também sentiram impacto das restrições

O receio de sanções secundárias passou a afetar companhias de transporte marítimo e países importadores.

Entre os mais impactados esteve a Índia, que se tornou um dos principais destinos do petróleo russo após o início da guerra, atrás apenas da China.

Recentemente, Washington suspendeu por 30 dias uma restrição que impedia o país asiático de comprar petróleo da Rússia, buscando evitar maior turbulência no mercado energético global.

EUA liberam petróleo de reservas estratégicas

A decisão de flexibilizar temporariamente as sanções ocorre logo após o anúncio de outra medida para conter a alta dos preços.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos informou que o país liberará 172 milhões de barris de petróleo de sua reserva estratégica, tentativa de aumentar a oferta global e reduzir a pressão sobre os preços.

Além disso, a Agência Internacional de Energia aprovou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas internacionais, o maior movimento desse tipo na história da entidade.

Alta do petróleo continua com tensões no Oriente Médio

Mesmo com essas iniciativas, o mercado global de petróleo segue pressionado.

Os contratos do petróleo Brent, referência internacional, encerraram o dia acima de US$ 100 por barril, atingindo US$ 101,75, com alta de cerca de 10,6%.

Na semana, o preço chegou a atingir US$ 119,46, refletindo a escalada das tensões no Golfo Pérsico e os ataques a infraestruturas energéticas da região.

Estreito de Ormuz continua sendo ponto de tensão

A situação também é agravada pela instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Navios petroleiros têm evitado a passagem pela região devido aos riscos de ataques.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou em entrevista à CNBC que a Marinha americana ainda não está escoltando embarcações na área, mas a medida pode ser adotada até o final do mês.

Apesar das tensões, ele avaliou que é pouco provável que o preço do petróleo atinja US$ 200 por barril, mesmo com a continuidade dos ataques atribuídos ao Irã.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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EUA investigam trabalho forçado em cadeias produtivas e incluem o Brasil na lista

Os Estados Unidos abriram uma nova frente de apuração sobre trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais, colocando o Brasil entre os países analisados. A investigação foi iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e envolve dezenas de parceiros comerciais do país.

A apuração ocorre no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Investigação dos EUA mira práticas de trabalho forçado

De acordo com o USTR, cerca de 60 países estão sendo analisados para verificar se permitem ou não a entrada em seus mercados de produtos produzidos com trabalho forçado.

Segundo o embaixador e Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, mesmo com o consenso internacional sobre a proibição dessa prática, muitos governos ainda não conseguem impedir que produtos fabricados nessas condições circulem no comércio global.

Na avaliação do representante, essa situação pode gerar uma vantagem competitiva artificial, prejudicando trabalhadores e empresas americanas, que precisam competir com produtos potencialmente mais baratos.

O objetivo das investigações é verificar se os governos estrangeiros adotaram medidas suficientes para impedir a importação ou a circulação de bens produzidos por meio de exploração laboral.

Países na lista de investigação comercial

A investigação do governo dos Estados Unidos inclui economias de diferentes regiões do mundo. Entre os países analisados estão:

Argélia, Angola, Argentina, Austrália, Bahamas, Bahrein, Bangladesh, Brasil, Camboja, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Egito, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Guiana, Honduras, Hong Kong, Índia, Indonésia, Iraque, Israel, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Líbia, Malásia, México, Marrocos, Nova Zelândia, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Omã, Paquistão, Peru, Filipinas, Catar, Rússia, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Sri Lanka, Suíça, Taiwan, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Uruguai, Venezuela e Vietnã.

Brasil já era alvo de investigação comercial

Antes mesmo da nova apuração sobre trabalho forçado, o governo norte-americano já havia sinalizado uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais.

Na ocasião, o presidente Donald Trump mencionou a possibilidade de medidas adicionais ao anunciar um pacote de tarifas que poderia chegar a 50% sobre determinados produtos.

O que pode acontecer após a investigação

Caso o USTR conclua que houve práticas comerciais incompatíveis com as regras internacionais, a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA adotar diferentes medidas.

Entre as possíveis ações estão:

  • Aplicação de tarifas adicionais ou restrições à importação;
  • Suspensão ou retirada de benefícios comerciais existentes;
  • Negociação de acordos obrigatórios para que o país investigado interrompa as práticas questionadas ou ofereça compensações.

Como funcionam as investigações da Seção 301

Qualquer pessoa, empresa ou entidade pode solicitar ao USTR a abertura de uma investigação com base na Seção 301. Além disso, o próprio representante comercial pode iniciar o processo por iniciativa própria.

As apurações são conduzidas por um grupo chamado Comitê da Seção 301, que integra o Comitê de Política Comercial do governo norte-americano.

Durante o processo, o comitê:

  • analisa petições apresentadas por interessados;
  • promove audiências públicas;
  • avalia evidências e impactos comerciais;
  • apresenta recomendações ao Comitê de Política Comercial.

A decisão final cabe ao Representante Comercial dos Estados Unidos, que também deve solicitar consultas com o país investigado no início do processo.

Caso não haja um acordo considerado satisfatório entre as partes, o governo norte-americano pode recorrer aos mecanismos formais de resolução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou de acordos comerciais existentes.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Embassy/Reprodução

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OMI pede respeito à liberdade de navegação após ataques a navios no Estreito de Ormuz

A Organização Marítima Internacional (OMI) manifestou preocupação diante dos recentes ataques a navios mercantes no Estreito de Ormuz, que resultaram na morte de pelo menos sete tripulantes e deixaram vários marinheiros feridos, alguns em estado grave.

O alerta foi feito pelo secretário-geral da entidade, Arsenio Domínguez, que reforçou a necessidade de garantir a liberdade de navegação e a segurança das operações marítimas em uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.

Declaração foi feita durante reunião técnica da OMI

O posicionamento ocorreu durante a abertura da 12ª sessão do Subcomitê de Sistemas e Equipamentos Navais (SSE) da OMI, realizada na sede da organização, em Londres, com programação até o dia 13 de março.

Na ocasião, Domínguez classificou como inadmissíveis os ataques contra embarcações civis e profissionais do setor marítimo.

Segundo ele, “qualquer ataque contra tripulantes inocentes ou navios mercantes é inaceitável”, ressaltando que os marítimos desempenham papel essencial no transporte global de mercadorias e energia.

OMI reforça princípio da liberdade de navegação

Durante o pronunciamento, o secretário-geral destacou que o respeito à liberdade de navegação é um dos pilares do direito marítimo internacional e deve ser preservado por todas as partes envolvidas.

Diante do cenário de instabilidade na região, a organização recomendou que empresas de navegação e operadores marítimos redobrem os cuidados ao transitar pelo Estreito de Ormuz, avaliando inclusive a possibilidade de evitar a área quando necessário.

A região é considerada estratégica para o comércio internacional, especialmente no transporte de petróleo e energia, o que amplia o impacto potencial de incidentes de segurança.

Organização monitora situação e alerta para risco de desinformação

A OMI informou que segue acompanhando a evolução do cenário e reforçou que decisões operacionais no setor marítimo devem se basear em informações verificadas e confiáveis.

A entidade também alertou para o risco da desinformação, que pode comprometer avaliações de risco e estratégias de navegação em áreas sensíveis.

Como medida de apoio ao setor, a organização lançou um portal informativo dedicado, com atualizações sobre a situação na região. O objetivo é fornecer dados atualizados para marítimos, companhias de navegação e autoridades marítimas.

Solidariedade às vítimas e profissionais do setor

Ao final de sua manifestação, Domínguez expressou solidariedade aos marinheiros feridos, às famílias das vítimas fatais e aos profissionais que continuam operando em zonas marítimas consideradas de alto risco.

Ele também destacou a importância de proteger os trabalhadores do transporte marítimo, responsáveis por sustentar grande parte da logística e do comércio global.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Nova lei de união étnica na China gera debate sobre futuro das minorias no país

A proposta de uma nova lei de união étnica na China tem despertado atenção de analistas internacionais e organizações de direitos humanos. O projeto foi apresentado durante as chamadas Duas Sessões, conjunto de reuniões anuais que reúnem os principais órgãos legislativos do país.

A iniciativa prevê medidas voltadas à integração das minorias étnicas à cultura dominante Han, grupo que representa a maior parte da população chinesa. Especialistas avaliam que a legislação pode ter impacto profundo nas regiões do interior da China, onde vivem diversas comunidades com identidade cultural própria.

Medidas buscam reforçar integração cultural

Entre as ações previstas no projeto está o incentivo a casamentos entre membros de minorias étnicas e chineses Han, além do fortalecimento do ensino do mandarim padrão nas escolas, inclusive desde a educação infantil.

Na prática, críticos afirmam que a política pode levar à redução gradual do uso de línguas tradicionais e dialetos regionais, substituídos pelo idioma oficial do país.

A proposta deverá ser votada pelo Congresso Nacional do Povo, principal órgão legislativo chinês. Historicamente, decisões discutidas durante as Duas Sessões costumam ser aprovadas com ampla maioria.

Durante os debates, o parlamentar Chen Zhen afirmou que a lei transformará o desenvolvimento de regiões com minorias étnicas em uma responsabilidade legal do Estado, garantindo apoio institucional contínuo.

Críticas apontam risco aos direitos de minorias

Organizações internacionais de direitos humanos demonstraram preocupação com o conteúdo do projeto.

Para Maya Wang, a iniciativa busca mobilizar a sociedade e a burocracia chinesa para fortalecer a unidade nacional sob a liderança do Partido Comunista Chinês.

Segundo a especialista, o projeto pode resultar em maior repressão contra grupos que defendem direitos das minorias, incluindo tibetanos e uigures. O texto também prevê sanções para ações consideradas contrárias à unidade étnica.

Por outro lado, autoridades chinesas afirmam que a legislação pretende estimular o desenvolvimento econômico e social de regiões com grande presença de minorias. O vice-diretor do comitê do parlamento, Li Hongzhong, destacou que o projeto inclui políticas de infraestrutura, desenvolvimento industrial, serviços públicos e proteção ambiental.

Diversidade étnica sempre marcou a sociedade chinesa

A China reconhece oficialmente 56 grupos étnicos, frequentemente mencionados como as “56 flores” em referências culturais populares. As minorias representam atualmente cerca de 7% a 9% da população chinesa.

Nas décadas iniciais após a criação da República Popular, nos anos 1950, muitas dessas comunidades receberam políticas diferenciadas, incluindo maior liberdade cultural, religiosa e linguística.

Entre os direitos concedidos estavam a possibilidade de educar crianças em seus próprios idiomas, praticar tradições religiosas e manter costumes regionais.

Mudança de postura ao longo das décadas

Com o passar do tempo, a estratégia do governo chinês passou por mudanças. Segundo o historiador e sinólogo Thomas S. Mullaney, a abordagem do Estado evoluiu para uma política que reconhece formalmente a diversidade, mas busca reduzir seu peso político e social ao longo do tempo.

De acordo com o especialista, o objetivo seria evitar movimentos de nacionalismo regional ou demandas por autodeterminação, promovendo uma identidade nacional mais uniforme.

Essa política também tem sido associada a episódios de tensão em diferentes regiões, incluindo o Tibete e a região de Xinjiang, onde vivem populações uigures.

Proposta se alinha à estratégia política atual

Analistas consideram que a nova legislação está alinhada à visão política do presidente chinês, Xi Jinping, que tem reforçado a importância da unidade nacional e da estabilidade social.

O texto do projeto afirma que a unidade étnica e o progresso do país não devem ser influenciados por pressões externas, especialmente sob argumentos relacionados a etnia, religião ou direitos humanos.

Se aprovada, a lei poderá representar mais um passo no processo de integração cultural promovido pelo governo chinês, com possíveis impactos duradouros nas identidades e tradições das minorias que vivem no interior do país.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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EUA iniciam investigações comerciais para ampliar pressão tarifária de Trump

O governo dos Estados Unidos abriu novas frentes de investigação sobre práticas comerciais desleais envolvendo grandes parceiros comerciais. A medida faz parte da estratégia do presidente Donald Trump para reforçar a pressão por meio de tarifas comerciais, após uma decisão judicial que enfraqueceu seu programa tarifário.

A iniciativa foi anunciada pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e pode resultar na imposição de novas taxas contra algumas das principais economias globais.

Investigação da Seção 301 mira grandes parceiros comerciais

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos EUA para contestar práticas comerciais consideradas injustas.

Segundo Greer, o foco inicial recai sobre 16 parceiros comerciais relevantes, entre eles:

  • China
  • União Europeia
  • Índia
  • Japão
  • Coreia do Sul
  • México

Outros países também estão sob análise por excesso de capacidade industrial, incluindo:

Taiwan, Vietnã, Tailândia, Malásia, Camboja, Cingapura, Indonésia, Bangladesh, Suíça e Noruega.

O Canadá, segundo maior parceiro comercial dos EUA, não foi incluído na lista inicial.

De acordo com o governo norte-americano, a investigação pretende analisar indícios de excesso estrutural de capacidade produtiva, caracterizado por fatores como superávits comerciais persistentes, produção acima da demanda e capacidade industrial ociosa.

Nova apuração sobre trabalho forçado nas cadeias globais

Além do tema industrial, o governo também abrirá uma segunda investigação com base na mesma legislação. O objetivo é restringir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

A análise deverá abranger mais de 60 países e pode ampliar restrições já aplicadas a mercadorias provenientes da região de Xinjiang, na China.

Essas medidas seguem o precedente da Uyghur Forced Labor Prevention Act, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden, que limita a entrada de produtos associados ao trabalho forçado da etnia uigur.

Autoridades chinesas negam as acusações de abusos e afirmam que as políticas na região têm caráter de desenvolvimento econômico e segurança.

Estratégia para manter pressão tarifária

As novas investigações surgem após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar, em fevereiro, o principal mecanismo utilizado pelo governo para aplicar tarifas globais com base em uma lei de emergências nacionais.

Como alternativa, Trump estabeleceu uma tarifa temporária de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, enquanto o governo prepara novas medidas permanentes.

O cronograma definido inclui:

  • 15 de abril: prazo final para comentários públicos
  • Início de maio: realização de audiência pública
  • Até o verão norte-americano: possível anúncio de novas tarifas comerciais

Segundo Greer, as investigações podem servir como instrumento para manter negociações comerciais ativas e incentivar parceiros a cumprir acordos já firmados com Washington.

Reunião entre EUA e China deve discutir comércio

O movimento ocorre em paralelo a negociações diplomáticas. Autoridades do governo Trump, lideradas pelo secretário do Tesouro Scott Bessent, devem se reunir com representantes da China em Paris.

O encontro busca preparar o terreno para uma reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, prevista para ocorrer em Pequim no final de março.

Durante seu primeiro mandato, Trump utilizou a Seção 301 para justificar tarifas de cerca de 25% sobre produtos chineses, política que desencadeou uma série de disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Agora, o foco da nova investigação recai sobre o aumento da produção industrial subsidiada por governos, fenômeno que, segundo autoridades americanas, estaria inundando o mercado global com produtos de baixo custo.

Entre os fatores analisados estarão:

  • subsídios governamentais
  • salários domésticos artificialmente baixos
  • atuação de empresas estatais
  • crédito subsidiado
  • práticas cambiais
  • padrões ambientais e trabalhistas reduzidos

Impactos para o comércio internacional

Especialistas apontam que a iniciativa pode intensificar disputas comerciais e afetar cadeias globais de fornecimento, especialmente em setores industriais estratégicos.

Ao mesmo tempo, a estratégia reforça o discurso de proteção à manufatura norte-americana e à redução do déficit comercial dos Estados Unidos, temas centrais da política econômica defendida por Trump.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thomson Reuters

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Irã Instala Minas Navais no Estreito de Ormuz e Aumenta Tensão com EUA

O Irã começou a instalar minas navais no Estreito de Ormuz, ponto estratégico responsável por cerca de 20% do petróleo bruto mundial, segundo fontes próximas a relatórios de inteligência americana. A ação ocorre em um momento de alta tensão entre Teerã e Washington.

Instalação de minas ainda parcial, mas capacidade é alta

Fontes afirmam que, até o momento, foram colocadas algumas dezenas de minas, mas a maior parte da frota iraniana — entre 80% e 90% de pequenas embarcações e navios lança-minas — ainda está disponível. Com esses recursos, o Irã poderia implantar centenas de minas ao longo da hidrovia, ampliando significativamente o risco para o tráfego marítimo internacional.

Reação dos Estados Unidos

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu exigindo a remoção imediata das minas caso elas tenham sido instaladas. Em postagem na rede social Truth Social, Trump alertou que a não retirada das explosivos acarretaria “consequências militares de magnitude sem precedentes” para o Irã.

Guarda Revolucionária controla o estreito

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em parceria com a marinha tradicional, passou a controlar efetivamente o estreito. Segundo a CNN, a força dispõe de uma rede de embarcações dispersas para lançamento de minas, barcos-bomba e baterias de mísseis em terra, tornando a travessia extremamente arriscada.

O estreito está sendo descrito como um “vale da morte“, já que qualquer embarcação enfrenta risco elevado. Autoridades americanas informaram que a Marinha dos EUA ainda não escoltou navios na região, embora Trump tenha sinalizado na segunda-feira (9) que estudava opções para proteger a passagem de embarcações estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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