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Irã confirma morte de comandante ligado ao fechamento do Estreito de Ormuz

O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira (30) a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri. Ele não resistiu aos ferimentos provocados por um bombardeio realizado por Israel na semana passada, segundo comunicado oficial.

De acordo com a nota, o militar foi atingido durante um ataque que causou danos significativos a estruturas estratégicas e acabou falecendo após complicações decorrentes dos ferimentos.

Ataque ocorreu no sul do Irã e já havia sido reivindicado

A morte de Tangsiri já havia sido anunciada por Israel no dia 26 de março. Conforme o governo israelense, o comandante foi morto em uma operação noturna em Bandar Abbas, no sul do país, junto a outros integrantes de alto escalão da força naval iraniana.

As autoridades israelenses atribuem a Tangsiri a responsabilidade pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o transporte global de petróleo.

Irã promete resposta e continuidade das ações militares

Em seu posicionamento, a Guarda Revolucionária destacou que a morte do comandante não interromperá suas operações. O órgão afirmou que seguirá com ações contra EUA e Israel, prometendo “golpes contundentes” na região do Estreito de Ormuz.

Tangsiri foi descrito como um “comandante corajoso”, que atuava no fortalecimento da defesa costeira e na organização das forças militares iranianas.

Outras mortes e escalada do conflito

Além de Tangsiri, Israel declarou ter eliminado também Behnam Rezaei, chefe de Inteligência da Marinha da Guarda Revolucionária. No entanto, a informação ainda não foi confirmada pela mídia estatal iraniana.

A morte do comandante ocorre em meio a uma sequência de ações contra autoridades de alto escalão do Irã, intensificando a crise no Oriente Médio. Entre os nomes mais relevantes citados no conflito estão o líder supremo Ali Khamenei e o chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde circula cerca de 20% do petróleo global. O bloqueio da via, que já dura quase um mês, tem impacto direto na economia global e nas cadeias de abastecimento energético.

Israel também acusa Tangsiri de liderar ataques contra petroleiros e embarcações comerciais ao longo dos últimos anos, o que teria agravado tensões na região do Golfo Pérsico.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Alireza Tangsiri no X

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Estreito de Bab el-Mandeb entra no radar e amplia tensão global no Oriente Médio

A crescente tensão no Oriente Médio ganhou um novo ponto de atenção além do já conhecido Estreito de Ormuz. O Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para o transporte de energia, passou a ser citado como possível alvo de bloqueio por parte do Irã, elevando a preocupação nos mercados globais de petróleo.

A ameaça surge em meio ao agravamento do cenário geopolítico e à pressão sobre rotas marítimas essenciais para o comércio internacional.

Rota estratégica liga o Mar Vermelho ao Canal de Suez

Localizado entre Iêmen, Djibuti e Eritreia, o Estreito de Bab el-Mandeb é um dos principais corredores marítimos do mundo. A passagem conecta o Mar Vermelho ao Canal de Suez, sendo responsável por cerca de 12% do transporte marítimo global de petróleo.

Nos últimos meses, a importância da rota aumentou ainda mais, especialmente após restrições no fluxo pelo Estreito de Ormuz, transformando o local em alternativa relevante para o escoamento de petróleo da região.

Irã sinaliza possível bloqueio com apoio de aliados

De acordo com informações divulgadas pela agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, o grupo Houthi — apoiado por Teerã — estaria preparado para atuar no controle da passagem marítima.

Segundo fontes militares citadas pela agência, os combatentes do movimento Ansar Allah teriam capacidade de interromper o tráfego na região, caso haja necessidade de ampliar a pressão contra adversários.

A sinalização reforça a estratégia do Irã de utilizar pontos logísticos sensíveis como instrumento de influência na geopolítica internacional.

Alertas aumentam após ameaças e movimentações militares

As declarações também vieram acompanhadas de avisos direcionados aos Estados Unidos. Segundo fontes iranianas, qualquer ação considerada imprudente envolvendo o Estreito de Ormuz poderia ampliar o conflito para outras rotas estratégicas.

O cenário se torna ainda mais delicado diante da presença militar americana na região, o que eleva o risco de escalada e impactos diretos na segurança energética global.

Ataque dos houthis eleva nível de tensão

No sábado (28), o grupo Houthi realizou um ataque com mísseis contra Israel, marcando a primeira ofensiva desse tipo desde o início recente das hostilidades.

De acordo com os próprios houthis, o alvo seriam posições militares estratégicas israelenses. O governo de Israel informou que o projétil foi interceptado com sucesso.

O episódio reforça o ambiente de instabilidade e amplia as preocupações sobre possíveis impactos no fluxo de petróleo e no comércio marítimo internacional.

Mercado acompanha riscos para o petróleo

Com duas rotas estratégicas sob ameaça, cresce a atenção de analistas e investidores quanto aos efeitos sobre o preço do petróleo e a logística global.

Qualquer interrupção no tráfego por estreitos como Bab el-Mandeb ou Ormuz pode gerar volatilidade nos mercados, afetando diretamente a economia mundial.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Brasil

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Trump recua na tensão com o Irã e reduz risco de conflito global

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou nesta sexta-feira (27) uma postura mais cautelosa diante da crescente tensão com o Irã. Ao evitar novas ações militares, o líder norte-americano sinalizou contenção, diminuindo temporariamente o risco de um confronto direto no Oriente Médio.

A decisão ocorre em um contexto de pressões políticas internas, preocupações com a estabilidade global e possíveis impactos na economia mundial.

Recuo desacelera escalada do conflito

A mudança de postura de Trump altera o ritmo da crise. Em vez de intensificar operações militares, o presidente optou por conter medidas mais agressivas, o que contribui para frear a escalada.

Esse movimento abre espaço para possíveis negociações indiretas e reduz, ao menos no curto prazo, o risco de guerra entre Estados Unidos e Irã.

Além disso, o gesto indica que a estratégia geopolítica americana é flexível e se ajusta conforme a evolução do cenário internacional.

Pressões políticas e econômicas influenciam decisão

O recuo não acontece de forma isolada. Internamente, cresce a preocupação com os custos políticos e econômicos de um eventual conflito. Já no cenário externo, aliados e organizações internacionais reforçam o apelo por moderação.

A possibilidade de uma escalada militar também acende alertas no mercado global, especialmente pelo impacto direto no preço do petróleo e na economia mundial.

Diante desse quadro, a decisão reflete uma resposta a um ambiente delicado que envolve segurança internacional e opinião pública.

Movimento estratégico, não sinal de fraqueza

Apesar das críticas, analistas avaliam que o recuo faz parte de um cálculo estratégico. Em momentos de alta tensão, alternar entre pressão e contenção é uma prática comum entre líderes globais.

Nesse contexto, a mudança de postura não indica perda de força. Pelo contrário, pode representar uma tentativa de reorganizar estratégias, ganhar tempo e reposicionar o jogo diplomático.

Cenário permanece incerto

Mesmo com a redução da tensão, a relação entre EUA e Irã continua marcada por desconfiança e movimentos estratégicos.

A atenção agora se volta para os próximos passos. Um avanço nas negociações pode transformar o recuo em um ponto de virada. Caso contrário, o cenário pode voltar a se deteriorar rapidamente.

O episódio reforça uma lógica recorrente da geopolítica internacional: nem todo recuo representa derrota — muitas vezes, é apenas parte de uma estratégia maior.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Lucros industriais da China crescem 15,2% e impulsionam modernização econômica

Os lucros industriais da China apresentaram crescimento expressivo de 15,2% nos dois primeiros meses de 2026, na comparação anual. O resultado foi impulsionado principalmente pelos setores de manufatura de alta tecnologia e fabricação de equipamentos, que se consolidam como motores da transformação industrial do país.

De acordo com dados oficiais do Departamento Nacional de Estatísticas (DNE), empresas industriais com receita anual acima de 20 milhões de yuans somaram lucros de 1,02 trilhão de yuans entre janeiro e fevereiro.

Políticas econômicas aceleram recuperação do setor

O desempenho positivo reflete a intensificação de políticas macroeconômicas mais eficazes, adotadas por diferentes regiões e órgãos do governo chinês. As medidas visam estimular a atividade industrial e ampliar os efeitos combinados de iniciativas já existentes com novas ações estratégicas.

Com isso, a maioria dos segmentos industriais apresentou recuperação, e o ritmo de crescimento dos lucros acelerou significativamente em relação a 2025.

Manufatura e mineração lideram crescimento

Entre os principais setores, a indústria manufatureira avançou 18,9%, enquanto o setor de mineração registrou alta de 9,9%, revertendo a queda observada no ano anterior. Já o segmento de fornecimento de energia, gás e água cresceu 3,7%.

No total, 24 dos 41 setores industriais monitorados — o equivalente a 58,5% — apresentaram aumento nos lucros no período.

Fabricação de equipamentos ganha protagonismo

A fabricação de equipamentos teve papel decisivo no desempenho geral, com crescimento de 23,5% nos lucros. O setor respondeu por 30,4% do lucro total das principais empresas industriais, indicando uma melhora na estrutura produtiva.

Entre os subsetores, destacam-se:

  • Eletrônicos: +203,5%
  • Equipamentos ferroviários, navais e aeroespaciais: +11,4%
  • Máquinas elétricas: +6,2%

O avanço reforça a importância do segmento na modernização da indústria chinesa.

Alta tecnologia impulsiona inovação e lucros

Os lucros da manufatura de alta tecnologia cresceram 58,7% no período, consolidando o setor como um dos principais vetores de inovação e competitividade. O desempenho contribuiu significativamente para o crescimento global da indústria.

Segmentos como produção de dispositivos inteligentes, veículos autônomos e equipamentos tecnológicos apresentaram forte expansão, acompanhados pelo avanço da indústria de semicondutores.

Redução de custos melhora eficiência industrial

Outro destaque foi a melhora na eficiência operacional. O custo médio por 100 yuans de receita caiu para 84,83 yuans, representando a primeira redução desde 2022. O resultado indica maior controle de despesas e aumento da rentabilidade das empresas.

Medidas contra concorrência excessiva fortalecem mercado

As políticas adotadas pelo governo chinês também incluem ações para conter a chamada concorrência desenfreada, caracterizada por disputas agressivas de preços que reduzem margens de lucro.

A estratégia busca equilibrar o ambiente competitivo, fortalecer a regulação de preços e garantir condições mais sustentáveis para o crescimento das empresas ao longo de 2026.

Especialistas avaliam que os efeitos dessas medidas devem se intensificar nos próximos meses, contribuindo para maior estabilidade e previsibilidade no setor industrial.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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PIB dos EUA desacelera e inflação segue elevada, aponta OCDE

A OCDE revisou suas projeções para a economia dos Estados Unidos e passou a indicar uma desaceleração gradual do PIB dos EUA nos próximos anos, acompanhada por uma inflação ainda acima da meta. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira, o crescimento econômico deve recuar de 2% em 2026 para 1,7% em 2027.

Crescimento perde força com impacto no consumo

Segundo a organização, o ritmo da economia norte-americana continuará sendo sustentado, em parte, pelos investimentos ligados à inteligência artificial, mas esses ganhos tendem a ser compensados pela desaceleração da renda real e pela redução nos gastos do consumidor.

Na atualização mais recente, a OCDE elevou a projeção de crescimento para 2026 em 0,3 ponto percentual, enquanto reduziu a estimativa para 2027 em 0,2 ponto, em comparação com o relatório anterior.

Inflação nos EUA segue pressionada

O cenário inflacionário também foi revisado. A projeção para a inflação nos EUA em 2026 subiu para 4,2%, um aumento de 1,2 ponto percentual. Já para 2027, a expectativa foi reduzida para 1,6%.

A OCDE destaca que a alta recente nos preços globais de energia e os riscos às cadeias de suprimentos contribuem para manter a inflação pressionada no curto prazo. Por outro lado, o encarecimento da energia pode estimular a expansão da produção doméstica, apesar das incertezas geopolíticas.

Tarifas e comércio influenciam cenário econômico

O relatório também aponta mudanças nas tarifas comerciais dos Estados Unidos. Desde meados de novembro, a taxa efetiva sobre importações caiu de 14% para 9,9%, o que pode ter impactos sobre o comércio exterior e a dinâmica de preços.

Juros devem permanecer estáveis até 2027

No campo da política monetária, a expectativa da OCDE é de que o Federal Reserve mantenha os juros nos EUA inalterados ao longo de 2026 e 2027.

A decisão reflete a combinação de inflação ainda elevada, especialmente nos núcleos inflacionários, e um crescimento econômico considerado resiliente, ainda que em desaceleração.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Guerra no Irã impacta voos Ásia–Europa e faz tarifas dispararem

O avanço do conflito no Irã tem provocado efeitos diretos na aviação internacional, com o fechamento de rotas estratégicas no Golfo e forte alta nos preços de passagens entre Ásia e Europa. Sem acesso a um dos principais corredores aéreos do mundo, companhias enfrentam uma onda de cancelamentos, enquanto milhares de passageiros seguem sem conseguir retornar para casa.

Cancelamentos em massa deixam passageiros retidos

Desde o início da crise, mais de 50 mil voos foram cancelados, afetando diretamente o fluxo global do transporte aéreo internacional. A interrupção atinge especialmente os hubs do Golfo, responsáveis por cerca de um terço das conexões entre Europa e Ásia.

Com aeronaves fora de posição e tripulações desorganizadas, a retomada das operações tem sido lenta. Como consequência, viajantes relatam dificuldades para remarcar voos, além de falhas na comunicação por parte das companhias.

Casos de passageiros retidos por dias — ou até semanas — têm se multiplicado. Muitos enfrentam longas esperas em centrais de atendimento, cancelamentos sucessivos e, em alguns casos, reembolsos automáticos sem alternativa de remarcação.

Falta de assistência e custos extras preocupam viajantes

A crise evidencia fragilidades na assistência ao passageiro aéreo, principalmente fora de regiões com legislação mais rígida, como a União Europeia. Em rotas entre Ásia e Europa, diversos viajantes relatam que precisaram arcar com despesas de hospedagem, alimentação e novas passagens.

Outro agravante é o seguro viagem: a maioria das apólices não cobre interrupções relacionadas a conflitos armados, deixando os passageiros ainda mais vulneráveis.

Sem suporte efetivo, muitos recorrem às redes sociais para tentar solução. Relatos apontam frustração com a prática de algumas companhias de oferecer reembolso em vez de remarcação, enquanto mantêm a venda de assentos a preços elevados.

Preço das passagens dispara com crise no Golfo

A redução da oferta de voos levou a uma escalada nas tarifas. Em rotas populares entre o Sudeste Asiático, Austrália e Europa, os preços chegaram a subir de duas a cinco vezes em comparação aos meses anteriores.

Dados do setor indicam que passagens para os próximos meses seguem em alta, com aumentos expressivos também nas viagens previstas para o segundo semestre. A alta no preço das passagens aéreas é impulsionada tanto pela demanda reprimida quanto pela limitação de rotas disponíveis.

Embora algumas companhias europeias e asiáticas tenham ampliado voos diretos para contornar o Oriente Médio, a capacidade adicional ainda não é suficiente para atender todos os passageiros impactados.

Impactos na temporada de viagens e no mercado global

Além da crise operacional, o cenário é agravado pelo aumento no custo do combustível, o que deve pressionar ainda mais o setor durante a alta temporada. A expectativa é de redução na demanda em algumas rotas, especialmente nas que dependem dos hubs do Golfo.

Levantamentos recentes mostram queda nas reservas internacionais, refletindo a incerteza dos viajantes diante da instabilidade no transporte aéreo global.

Especialistas alertam que, para quem planeja viajar nos próximos meses, o cenário tende a incluir tarifas mais altas, menos opções de conexão e maior risco de alterações de última hora.

Passageiros relatam sensação de abandono

Agentes de viagem e passageiros descrevem um cenário de desorganização e falta de suporte. Há relatos de múltiplos cancelamentos, dificuldade de contato com companhias e impossibilidade de custear novas passagens.

A percepção geral é de perda de confiança no setor, especialmente entre aqueles que dependiam das rotas via Golfo para deslocamentos de longa distância.

Enquanto isso, milhares de pessoas seguem tentando alternativas para voltar para casa, muitas vezes pagando valores significativamente superiores aos originalmente previstos.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/ Mohammed Torokman

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Estreito de Hormuz: Irã começa a cobrar taxas de navios e eleva tensão no comércio global

O governo do Irã passou a exigir taxas de navios no Estreito de Hormuz, medida que reforça o controle estratégico do país sobre uma das principais rotas marítimas de energia do mundo. A cobrança, ainda sem regras claras, já impacta o transporte marítimo internacional e levanta preocupações no setor.

Cobrança pode chegar a US$ 2 milhões por viagem

De acordo com informações de mercado, alguns navios comerciais estão sendo solicitados a pagar valores que podem chegar a US$ 2 milhões por travessia. A prática ocorre de forma irregular, sem padrão definido, funcionando como uma espécie de “pedágio informal”.

Relatos indicam que parte das embarcações já realizou pagamentos, embora os critérios e mecanismos de cobrança ainda não estejam totalmente transparentes.

Conflito geopolítico influencia restrições

A medida ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Desde o início do conflito, Teerã vem impondo restrições à circulação de embarcações ligadas direta ou indiretamente a seus adversários.

O Estreito de Hormuz é responsável pela passagem de cerca de 25% do petróleo mundial, além de grandes volumes de produtos petroquímicos essenciais para a economia global.

Questionamentos sobre legalidade internacional

A iniciativa iraniana tem gerado reações de outros países. A Índia, por exemplo, reforçou que a liberdade de navegação no estreito é garantida por normas internacionais e que não cabe a nenhum país cobrar pelo uso da rota.

O posicionamento veio após embarcações indianas conseguirem deixar o Golfo Pérsico transportando gás liquefeito de petróleo (GLP).

Proposta pode virar regra oficial

No cenário político interno, o tema também avança. Um parlamentar iraniano afirmou recentemente que há uma proposta em andamento para formalizar a cobrança pelo uso do estreito como rota segura de navegação.

Caso seja aprovada, a medida pode institucionalizar a cobrança e ampliar seus impactos no comércio internacional.

Países do Golfo veem risco estratégico

Produtores de energia do Golfo Pérsico demonstram preocupação com a possibilidade de cobrança, mesmo que informal. Segundo fontes do setor, a prática levanta questões sobre soberania e pode abrir precedentes perigosos.

Além disso, há temor de que o corredor energético global seja utilizado como instrumento político, aumentando a instabilidade nos mercados de petróleo e gás.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Envato

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Estreito de Ormuz: Irã autoriza passagem de navios não hostis sob coordenação

O governo do Irã informou à ONU que navios não hostis podem atravessar o Estreito de Ormuz, desde que sigam regras específicas e mantenham coordenação com autoridades iranianas. A posição foi apresentada em comunicado oficial enviado a organismos internacionais.

Comunicação enviada à ONU e à OMI

De acordo com documento diplomático, o Ministério das Relações Exteriores iraniano encaminhou a mensagem ao Conselho de Segurança da ONU e ao secretário-geral António Guterres. O conteúdo também foi compartilhado com os países integrantes da Organização Marítima Internacional (OMI), responsável por regular a segurança da navegação internacional.

Na nota, o Irã afirma que embarcações de países que não estejam envolvidos em ações hostis poderão realizar a travessia pelo Estreito de Ormuz, desde que respeitem normas estabelecidas e atuem em conjunto com autoridades locais.

Regras para circulação no Estreito de Ormuz

Segundo o governo iraniano, terão direito à passagem segura os navios que:

  • não participem de ações contra o país
  • não ofereçam apoio a operações consideradas hostis
  • cumpram integralmente as normas de segurança marítima

Por outro lado, o texto deixa claro que embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel ou a aliados envolvidos no conflito não serão consideradas elegíveis para trânsito seguro.

Impacto da guerra no fluxo global de energia

A decisão ocorre em meio ao agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que já provoca efeitos significativos no comércio internacional.

O fluxo de petróleo e gás natural liquefeito pela região foi fortemente afetado, com interrupções em uma rota estratégica responsável por cerca de 20% do abastecimento energético global.

O Irã afirma que adotou medidas “proporcionais” para impedir que o estreito seja utilizado em operações militares ou logísticas contrárias ao país.

Tensão geopolítica e segurança marítima

O posicionamento reforça o clima de tensão no Golfo Pérsico e levanta preocupações sobre a segurança marítima e a estabilidade do fornecimento de energia no mundo.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores marítimos globais, sendo vital para o transporte de petróleo entre o Oriente Médio e mercados internacionais.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Estreito de Ormuz: Otan articula ação internacional para reabrir rota estratégica

Um grupo formado por 22 países, incluindo integrantes da Otan e aliados de diferentes regiões, está se mobilizando para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, atualmente fechado pelo Irã. A informação foi divulgada pelo secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte.

Iniciativa busca garantir navegação segura

Segundo Rutte, a proposta envolve uma ação conjunta para restabelecer a livre navegação no Estreito de Ormuz, considerado uma das principais rotas do comércio global de energia. Aproximadamente 20% do petróleo mundial passa pela região.

O bloqueio foi imposto pelo Irã em 28 de fevereiro, no contexto da escalada do conflito com Estados Unidos e Israel.

Planejamento militar ainda não detalhado

Embora tenha confirmado a articulação internacional, o chefe da Otan não especificou como a operação será executada. A ausência de detalhes levanta preocupações sobre o risco de ampliação do conflito, especialmente diante da possível presença de forças militares de múltiplos países na área.

Em entrevistas a emissoras norte-americanas, Rutte afirmou que os países envolvidos estão alinhados para atender ao chamado dos Estados Unidos e acelerar a reabertura do Estreito de Ormuz. Ele destacou ainda que autoridades militares já trabalham de forma coordenada na elaboração da estratégia.

Países envolvidos na articulação

Apesar de não divulgar a lista completa, Rutte indicou que o grupo é composto majoritariamente por aliados da Otan. Entre os países já confirmados estão:

  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • França
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bahrein
  • Japão
  • Coreia do Sul
  • Austrália
  • Nova Zelândia

Tensões políticas e impacto global

A movimentação ocorre em meio a críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a países da Otan que teriam resistido ao envio de navios militares para a região. O tema intensificou atritos recentes entre Washington e a União Europeia no contexto da crise no Oriente Médio.

A situação no Estreito de Ormuz segue sendo acompanhada de perto por governos e mercados, devido ao impacto direto no fornecimento global de petróleo e na estabilidade econômica internacional.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AP

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África registra crescimento econômico mesmo com redução da ajuda internacional

A redução da ajuda internacional por parte dos Estados Unidos, após a decisão do presidente Donald Trump de encerrar a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), gerou preocupação global. A medida, adotada no ano anterior, praticamente interrompeu programas de cooperação e financiamento que somavam mais de US$ 80 bilhões em 2024.

Diante desse cenário, especialistas e organizações internacionais previam consequências severas, sobretudo para países africanos. Um estudo publicado em 2025 na revista científica The Lancet chegou a estimar até 14 milhões de mortes prematuras no continente até 2030.

Apesar de impactos pontuais — como aumento de mortes em regiões específicas —, a África não entrou em colapso. Pelo contrário: o continente registrou crescimento econômico em 2025 e mantém projeções positivas para 2026.

África lidera ranking de economias que mais crescem

De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), 11 das 15 economias com maior crescimento no mundo em 2026 estarão na África. Esse desempenho coloca o continente como a região com maior expansão global.

Segundo o economista Landry Signé, especialista em desenvolvimento e integrante do Fórum Econômico Mundial, muitos países africanos demonstraram uma capacidade de adaptação considerada surpreendente diante da redução da cooperação internacional.

Menor dependência de ajuda externa impulsiona autonomia

Um dos fatores que explicam esse desempenho é a diminuição gradual da dependência da ajuda externa. Embora relevante em países em crise humanitária, ela não representa a principal fonte de receita da maioria das nações africanas.

Dados indicam que, em 2023:

  • A ajuda internacional somou US$ 73,8 bilhões;
  • As remessas chegaram a US$ 90,8 bilhões;
  • O investimento estrangeiro direto atingiu US$ 97,1 bilhões;
  • A arrecadação tributária alcançou US$ 479,7 bilhões.

Além disso, o número de países cuja ajuda externa representa mais de 5% do PIB caiu nas últimas décadas, evidenciando maior autossuficiência econômica.

Impactos na saúde ainda preocupam

Apesar do avanço econômico, os efeitos da redução de recursos foram significativos na área da saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, entre janeiro e outubro de 2025, mais de 5.600 unidades de saúde foram afetadas, sendo cerca de 2.000 fechadas.

Como consequência, aproximadamente 53 milhões de pessoas tiveram acesso reduzido a serviços essenciais. Em casos mais graves, como na Nigéria, organizações humanitárias relataram centenas de mortes infantis por desnutrição.

Ainda assim, alguns países reagiram rapidamente. A Nigéria, por exemplo, conseguiu mobilizar quase metade dos recursos anteriormente fornecidos pela USAID em apenas um mês.

Novas parcerias comerciais fortalecem economias africanas

Diante das mudanças no cenário global, diversos países africanos passaram a diversificar seus mercados e fortalecer relações comerciais com outros parceiros.

A África do Sul ampliou exportações agrícolas para países asiáticos e intensificou o comércio dentro do próprio continente. Já outras nações buscaram acordos com Europa, Ásia e Oriente Médio, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

A China, por sua vez, tem desempenhado papel central nesse processo, eliminando tarifas para produtos de dezenas de países africanos e ampliando o volume de comércio bilateral.

Commodities e reformas internas ajudam na recuperação

O aumento dos preços das commodities também contribuiu para aliviar pressões inflacionárias e reforçar as economias locais. Paralelamente, governos adotaram medidas como:

  • Reformas fiscais;
  • Parcerias público-privadas;
  • Abertura de mercados ao setor privado.

Essas estratégias visam atrair investimentos, gerar empregos e sustentar o crescimento no longo prazo.

Países mais vulneráveis ainda enfrentam desafios

Apesar do cenário positivo geral, países afetados por conflitos, como Somália, Libéria e República Centro-Africana, continuam altamente dependentes de ajuda externa. Nessas regiões, problemas como fome, deslocamento e doenças se intensificaram após os cortes.

A atuação de outros doadores internacionais tem amenizado parcialmente os impactos, mas limitações estruturais ainda dificultam a recuperação.

África ganha protagonismo estratégico global

Além do crescimento econômico, o continente se torna cada vez mais relevante no cenário internacional. Com cerca de 30% das reservas globais de minerais críticos e uma população jovem em expansão, a África desponta como peça-chave para o futuro da economia mundial.

A expectativa é que, até 2030, metade dos novos trabalhadores globais esteja na África Subsaariana — um fator que amplia o potencial de consumo e produção.

Confira a entrevista:

BBC News Mundo – Acreditava-se que a decisão de Trump e de países europeus, como o Reino Unido, de cortar a ajuda para o desenvolvimento desencadearia uma catástrofe na África. Mas, em um estudo recente publicado na revista Foreign Affairs, você afirma que aconteceu exatamente o contrário. Esses resultados te surpreendem?

Landry Signé – Tendo acompanhado de perto as forças únicas e diversas da África, não me surpreendeu constatar que muitos países demonstraram uma notável capacidade de adaptação e resposta diante das mudanças na ajuda internacional.

Tenho observado a resiliência e o protagonismo de vários países africanos em áreas que algumas pessoas poderiam considerar inesperadas. Em tecnologias emergentes, por exemplo, muitos países lideram indicadores importantes: Maurício se destaca pelo amplo acesso à internet nas escolas, pela legislação de comércio eletrônico e pela presença de investidores de capital de risco.

O Quênia, por sua vez, é referência no uso de dinheiro móvel, enquanto Ruanda se destaca na entrega de suprimentos médicos com o uso de drones.

Existe também uma ideia equivocada sobre a ajuda, de que ela sustentou essencialmente as economias africanas.

BBC – A ideia de que a África era dependente da ajuda internacional é um mito?

Signé – Ainda que a ajuda internacional represente uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB) em países que enfrentam crises humanitárias, esse não é o caso da maioria das nações africanas.

Para a maioria dos países, a maior parte da receita vem de outras fontes, como as remessas. Em 2023, a ajuda internacional ao desenvolvimento para a África foi de US$ 73,8 bilhões, menos do que os US$ 90,8 bilhões em remessas, os US$ 97,1 bilhões em investimento estrangeiro direto e os US$ 479,7 bilhões em arrecadação tributária.

A dependência da ajuda externa, aliás, já vinha diminuindo antes mesmo dos cortes promovidos por Trump. O número de países onde a ajuda internacional ao desenvolvimento representava mais de 5% do PIB caiu de 27 em 2000 para 22 em 2022. Nos casos em que superava 10%, a queda foi de 14 para nove países; e, acima de 20%, de cinco para apenas um.

BBC – Alguns especialistas e ONGs alertaram que milhões de vidas seriam perdidas se a ajuda internacional fosse interrompida. Há evidências de que isso já aconteceu ou está prestes a acontecer?

Signé – Sim, os cortes na saúde foram particularmente devastadores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre janeiro e outubro de 2025, 5.687 unidades de saúde em 20 contextos humanitários foram afetadas pela redução da ajuda internacional, e aproximadamente 2.038 fecharam, reduzindo o acesso a serviços de saúde para 53,3 milhões de pessoas.

Além disso, organizações não governamentais que atuam em campo, como Médicos Sem Fronteiras, relataram 652 mortes infantis por desnutrição em Katsina (Nigéria) nos primeiros seis meses de 2025, devido aos cortes.

Ainda levará tempo para dimensionarmos o impacto final, especialmente na mortalidade, mas alguns países conseguiram se adaptar. Por exemplo, um mês após o anúncio do fechamento da USAID, a Nigéria conseguiu mobilizar quase metade dos fundos que a USAID havia disponibilizado ao país.

A sociedade civil e o setor privado também passaram a atuar para preencher essa lacuna. O Centro de Pesquisa e Projetos para o Desenvolvimento (dRPC), com apoio da Fundação Ford, criou uma iniciativa para financiar 17 ONGs nigerianas durante três meses.

O fator determinante será saber se os recursos provenientes de ajustes governamentais, do setor privado, da sociedade civil ou de outros doadores poderão ser mobilizados e implementados de forma eficaz e rápida para substituir o financiamento anteriormente fornecido pelos Estados Unidos.

BBC – Como países como a Somália, Libéria e a República Centro-Africana, afetados por conflitos internos e fortemente dependentes de ajuda externa, conseguiram superar esse golpe?

Signé – Na minha análise, esses países estão classificados na categoria de maior risco, com alta exposição e alta vulnerabilidade. O impacto sobre eles é muito mais forte e difícil de gerir. A insegurança alimentar, a fome, o deslocamento e as doenças aumentaram após a interrupção da ajuda humanitária.

A União Europeia e o Japão destinaram recursos para ajuda humanitária na República Centro-Africana, e o Reino Unido enviou dinheiro para mitigar os efeitos da seca na Somália.

Ainda assim, a forte dependência de ajuda externa e as crises contínuas nesses países limitam sua capacidade de absorver o impacto.

BBC – Em 2025, os países africanos tiveram que lidar não só com os cortes na ajuda internacional, mas também com a turbulência causada pelas tarifas impostas pelo governo Trump. O que fizeram os governos da região? Implementaram medidas impopulares, como cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos, ou buscaram outros mercados para redirecionar seus produtos?

Signé – No caso das tarifas, existe uma dinâmica semelhante à observada com a ajuda internacional. Embora países como Lesoto — cujo setor têxtil depende fortemente das exportações para os Estados Unidos — tenham sido afetados, apenas 13 países destinam mais de 5% de suas exportações totais ao mercado americano.

Muitos países focaram em redirecionar sua produção e a fortalecer relações comerciais com outros parceiros. A África do Sul, por exemplo, firmou um acordo para exportar produtos agrícolas para a China sem tarifas e buscou novos mercados na Indonésia, Vietnã, Malásia e no Japão. O país também tem priorizado o comércio dentro do próprio continente, que representou mais da metade das suas exportações agrícolas em 2025.

Alguns países, como Botsuana, além de buscar investimentos na União Europeia, adotaram uma postura de maior prudência fiscal, recorrendo a parcerias público-privadas em projetos de infraestrutura e abrindo setores à iniciativa privada — medidas que nem sempre são populares.

Contudo, as autoridades locais esperam atrair investimentos e, assim, criar empregos, beneficiando os cidadãos. O desemprego é um dos problemas mais urgentes do país.

Se as reformas conseguirem resultados em áreas prioritárias e gerarem ganhos em tecnologia ou transferência de conhecimento, a tendência é que ganhem apoio. Transparência, liderança responsável e uma implementação eficaz serão fatores decisivos.

BBC – O aumento dos preços das commodities teve um papel relevante?

Signé – Sim, o aumento do preço das commodities teve um papel importante, especialmente ao ajudar a reduzir pressões inflacionárias, mas não foi o único fator.

Em primeiro lugar, muitos países conseguiram se adaptar rapidamente por meio de políticas ágeis e inovadoras voltadas à mobilização de recursos.

Em segundo lugar, muitos recorreram às suas relações com outros parceiros para diversificar seus mercados. Por exemplo, Costa do Marfim, Egito e Marrocos já vinham ampliando seus parceiros regionais, europeus e asiáticos.

Em terceiro lugar, países como a Irlanda, Coreia e Espanha anunciaram aumentos em seus orçamentos de ajuda ao desenvolvimento internacional, enquanto Dinamarca, Noruega e Luxemburgo se comprometeram a manter os níveis atuais.

Já os Emirados Árabes Unidos têm liderado a assistência na área de segurança na África Subsaariana.

BBC – Qual foi o papel da China? O país atuou em apoio às nações africanas ou não?

Signé – Em 2024, a China retirou as tarifas de importação para produtos de 33 países africanos menos desenvolvidos, o que impulsionou o comércio África-China para US$ 296 bilhões, um contraste notável em relação à política de tarifas americanas.

No início deste ano, a China anunciou que, a partir de 1º de maio, 53 nações africanas poderão exportar seus produtos livres de tarifas.

BBC – Nos últimos anos, Rússia e China aumentaram sua presença na África. A Rússia tem apoiado os governos que chegaram ao poder na região do Sahel após uma série de golpes militares, enquanto a China concedeu empréstimos bilionários e garantiu concessões para a exploração de recursos naturais. A estratégia de Trump não está empurrando o continente para países que ele considera rivais e adversários?

Signé – A China é o principal parceiro comercial da África desde 2009. Em 2024, o intercâmbio entre o país asiático e o continente alcançou US$ 296 bilhões — mais que o dobro dos US$ 104,9 bilhões registrados no comércio entre a África e os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o investimento estrangeiro direto americano no continente teve resultado negativo, com queda de US$ 2 bilhões em 2024, enquanto a China manteve fluxo positivo, com US$ 3,4 bilhões investidos.

A Rússia, por sua vez, está se consolidando como o principal parceiro na área de segurança em países do Sahel governados por juntas militares.

Já o superávit comercial da África com os Estados Unidos caiu ao nível mais baixo desde 2020 no período entre abril e julho de 2025, o que indica que a estratégia americana pode estar colocando em risco sua influência no continente.

BBC – A nova Doutrina de Segurança Nacional, publicada pelos EUA em dezembro, dedica apenas três parágrafos à África, sugerindo que o continente ocupa um lugar marginal nas prioridades de Washington. Qual a sua opinião sobre isso?

Signé – Os EUA dependem totalmente da importação de 12 minerais críticos e, em mais de 50%, de outros 28. Já a China controla 50% da produção global desses minerais e 87% do processamento de terras raras, grande parte por meio de suas operações na África.

O continente possui 30% das reservas globais, o que o torna um parceiro fundamental para a segurança nacional dos EUA.

A nova doutrina menciona os minerais críticos como uma oportunidade de parceria, O que é pertinente, mas uma abordagem centrada exclusivamente na extração é insuficiente.

Até 2030, a África Subsaariana concentrará metade dos novos trabalhadores que entrarão na força de trabalho global. Já em 2050, mais de um terço da população jovem do mundo viverá no continente.

Esse cenário cria demandas imediatas de emprego e oportunidades de mercado a longo prazo, algo que só uma estratégia abrangente pode atender.

Considero acertada a mudança de abordagem adotada por Washington, que passa a dar maior ênfase ao aspecto econômico, mas penso que seria recomendável ampliá-la para o que defino como os “4 Ps”: prosperidade, poder, paz e princípios.

Ampliar e otimizar a cooperação nessas quatro frentes, sem deixar de priorizar o comércio e os investimentos, pode ajudar os Estados Unidos a alcançar seus objetivos econômicos e de segurança nacional, ao mesmo tempo em que contribuirá para a prosperidade mútua entre o país e a África.

FONTE: BBC News Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thomas Imo/Photothek via Getty Images

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