Internacional

Negociações entre EUA e Irã avançam na Suíça, mas conflito no Líbano segue como obstáculo

Representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram neste domingo (21), na Suíça, para a primeira rodada de negociações após a assinatura de um memorando de entendimento que busca estabelecer um acordo de paz abrangente para o Oriente Médio. O encontro aconteceu em um momento de forte tensão regional, marcado pela escalada do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano.

A reunião teve duração de cerca de 80 minutos e abordou temas considerados centrais para a implementação do memorando, incluindo segurança regional, sanções econômicas e estabilidade no Golfo.

Irã condiciona acordo ao fim dos conflitos regionais

Durante as conversações, a delegação iraniana destacou que qualquer avanço rumo a um acordo definitivo dependerá da interrupção das hostilidades em todas as frentes de conflito da região, especialmente no Líbano. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, o objetivo do encontro foi discutir mecanismos para colocar em prática os compromissos assumidos no memorando. O governo iraniano argumenta que não há condições para avançar nas negociações finais enquanto persistirem operações militares na região.

A posição foi reforçada após novos ataques israelenses ao território libanês no sábado (20). Em resposta, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, contrariando os termos do memorando que previam a manutenção da livre navegação por 60 dias.

Sanções e exportação de petróleo também estiveram na pauta

Outro tema discutido entre os dois países foi a flexibilização das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Irã. De acordo com Baqaei, as delegações trataram de possíveis isenções para a exportação de petróleo iraniano, atualmente limitada pelas restrições norte-americanas. Também foram debatidas alternativas para a liberação de recursos financeiros iranianos bloqueados no exterior.

Enquanto as negociações aconteciam na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao responsabilizar o Hezbollah pela deterioração da situação no Líbano. Em declaração pública, Trump afirmou que o Irã deve conter a atuação do grupo libanês e advertiu que poderá ordenar novos ataques contra o país caso considere necessário.

A reação iraniana veio rapidamente. O presidente do Parlamento do Irã, MB Ghalibaf, que participa das negociações, declarou que Teerã não se intimida diante das ameaças e afirmou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para responder a qualquer ação militar.

EUA demonstram otimismo com diálogo diplomático

Apesar das declarações mais duras de Trump, integrantes da delegação norte-americana demonstraram confiança no processo diplomático. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que lidera as negociações em nome da Casa Branca, afirmou que houve avanços significativos nos últimos dias. Segundo ele, o governo americano busca construir uma nova fase de relacionamento com o povo iraniano e acredita na diplomacia como ferramenta para reduzir as tensões no Oriente Médio.

Enquanto o Irã pressiona Washington a influenciar Israel para encerrar suas operações militares, o governo israelense reafirmou que pretende manter tropas no sul do Líbano. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as forças israelenses continuarão atuando na chamada zona de segurança e terão liberdade para realizar ações contra ameaças consideradas relevantes para a segurança nacional. A declaração reforça o posicionamento já defendido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de que não haverá retirada das tropas israelenses da região neste momento.

Hezbollah promete reagir à ocupação israelense

Também neste domingo, o Hezbollah voltou a criticar a presença militar israelense em território libanês. Em comunicado, o secretário-geral da organização, Sheikh Naim Qassem, afirmou que qualquer violação relacionada à ocupação será respondida pelo grupo. Segundo ele, os Estados Unidos possuem influência suficiente para pressionar Israel a interromper suas operações militares, mas continuam apoiando as ações israelenses na região.

O posicionamento evidencia a complexidade do cenário diplomático e militar no Oriente Médio, onde as negociações entre Washington e Teerã seguem diretamente condicionadas à evolução dos conflitos em curso.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Reprodução ©ANSA/EPA

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Internacional

Estreito de Ormuz terá administração regional após acordo entre Irã e Estados Unidos

Um memorando de entendimento firmado entre Irã e Estados Unidos estabelece uma série de compromissos para reduzir tensões no Oriente Médio, incluindo o encerramento imediato de conflitos em andamento e a definição de uma nova gestão para o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

O documento, composto por 14 cláusulas, foi divulgado por veículos de comunicação iranianos e norte-americanos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também compartilhou o conteúdo nas redes sociais.

Fim dos conflitos está entre as primeiras medidas previstas

O primeiro item do acordo determina o encerramento imediato e permanente das operações militares relacionadas aos conflitos envolvendo Israel no Líbano e na Faixa de Gaza.

Além disso, Irã e Estados Unidos assumem o compromisso de não iniciar novas ações militares um contra o outro, respeitando a soberania e a integridade territorial dos países envolvidos.

Segundo o texto, as partes também concordam em evitar interferências em assuntos internos e trabalhar pela estabilidade regional.

Estreito de Ormuz terá gestão compartilhada

Um dos pontos mais relevantes do memorando trata da administração futura do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa uma parcela significativa do comércio global de petróleo.

Pelo acordo, a definição da gestão da via será conduzida pelo Irã, pelo Sultanato de Omã e pelos demais países banhados pelo Golfo Pérsico, seguindo normas do direito internacional e respeitando a soberania dos Estados costeiros.

O documento também prevê a liberação da navegação comercial pelo estreito durante um período inicial de 60 dias, sem cobrança de taxas e com garantia de segurança para as embarcações.

Antes da escalada das tensões na região, cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente transitava pelo local.

Suspensão de sanções e desbloqueio de recursos

Outro aspecto central do entendimento envolve a retirada gradual das sanções econômicas contra o Irã.

O memorando prevê que os Estados Unidos iniciem o processo de eliminação das restrições impostas ao país, incluindo medidas ligadas ao comércio de petróleo, transações financeiras e ativos iranianos congelados no exterior.

Também está prevista a liberação de fundos bloqueados e a emissão de autorizações para operações bancárias e comerciais relacionadas à economia iraniana.

Programa nuclear ficará sob supervisão internacional

Em contrapartida, o governo iraniano reafirmou o compromisso de não desenvolver armas nucleares.

O texto estabelece que o país aceitará inspeções e mecanismos de monitoramento conduzidos pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Além disso, as duas partes deverão negociar o destino do material nuclear enriquecido atualmente armazenado pelo Irã, sob supervisão internacional.

Plano de reconstrução prevê investimento bilionário

O memorando também contempla a elaboração de um programa de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã.

A proposta prevê investimentos mínimos de US$ 300 bilhões, financiados em cooperação com parceiros regionais e articulados pelos Estados Unidos. Os detalhes do mecanismo de implementação deverão ser definidos durante as negociações do acordo definitivo.

Prazo de 60 dias para acordo final

Embora algumas medidas tenham aplicação imediata, como a redução das hostilidades, a flexibilização do bloqueio naval e a liberação gradual da navegação em Ormuz, o memorando estabelece um prazo inicial de 60 dias para a conclusão de um acordo definitivo.

Esse período poderá ser prorrogado mediante consenso entre as partes.

O texto ainda prevê a criação de um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento das cláusulas acordadas e determina que o pacto final seja posteriormente ratificado por meio de resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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União Europeia e Brasil negociam fim de embargo à carne bovina durante encontro do G7

A União Europeia e o Brasil iniciaram tratativas para encontrar uma solução para o impasse envolvendo a suspensão das exportações de carne bovina brasileira ao bloco europeu. A medida, prevista para entrar em vigor em setembro, está sendo discutida paralelamente à realização da cúpula do G7, na França.

A informação foi confirmada pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que participa do encontro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o diálogo entre as partes representa um caminho construtivo para resolver divergências comerciais.

Questões sanitárias motivaram a decisão europeia

A restrição foi anunciada pouco depois da implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciada em maio. Na ocasião, autoridades europeias retiraram o Brasil da lista de países autorizados a vender carne bovina ao mercado europeu.

De acordo com representantes do bloco, a decisão ocorreu após alegações de que o país não teria cumprido integralmente as normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Antonio Costa destacou que o cumprimento dos padrões sanitários é indispensável para o acesso ao mercado europeu. Ele ressaltou, porém, que as negociações estão sob responsabilidade da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia.

Lula deve tratar do tema com Ursula von der Leyen

A expectativa é que o presidente Lula aproveite sua participação no encontro internacional para discutir a retirada do embargo às exportações brasileiras. Uma reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está sendo considerada para esta terça-feira, embora ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O Brasil participa da reunião do G7 na condição de convidado. O grupo é formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Presença brasileira ganha destaque na cúpula

Esta é a décima participação do Brasil em encontros de líderes do G7. Para Antonio Costa, a presença brasileira é estratégica diante dos desafios globais debatidos pelo grupo.

Segundo ele, temas como inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, parcerias internacionais e desequilíbrios macroeconômicos exigem cooperação ampla entre diferentes países, tornando a participação brasileira relevante para as discussões.

Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade alpina francesa que recebe o encontro até quarta-feira sob forte esquema de segurança.

Lula e Macron discutem agenda internacional

Durante a programação, Lula manteve uma reunião de quase uma hora com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Integrantes do governo brasileiro informaram que não houve solicitação por parte do Brasil para uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Oriente Médio domina debates entre líderes

A situação no Oriente Médio ganhou destaque logo antes da abertura oficial do encontro. Donald Trump anunciou um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, informação posteriormente confirmada por autoridades iranianas. O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Em entrevista à televisão francesa, Macron afirmou que a retomada da navegação no estreito é uma prioridade imediata. O presidente francês, contudo, criticou a possibilidade de cobrança de taxas por embarcações que utilizem a passagem marítima, medida que, segundo relatos, estaria sendo considerada pelo Irã.

Macron também declarou que países europeus poderiam enviar embarcações em até três dias para remover minas instaladas durante o conflito e garantir a segurança da navegação.

Já Trump minimizou a necessidade de apoio internacional para a reabertura da rota, embora tenha admitido que a participação de navios franceses poderia ser útil caso fosse necessária assistência adicional.

Guerra na Ucrânia e economia global também estão na pauta

Além das tensões no Oriente Médio, os líderes do G7 devem concentrar suas discussões na guerra da Ucrânia. Outros temas previstos na agenda incluem minerais críticos, regulação da internet, comércio internacional e os desafios da economia global.

As reuniões seguem até quarta-feira e devem resultar em posicionamentos conjuntos sobre algumas das principais questões geopolíticas e econômicas da atualidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Belli/Valor

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Estreito de Ormuz registra primeira travessia de petroleiro após avanço em acordo entre EUA e Irã

A passagem de um petroleiro comercial pelo Estreito de Ormuz marcou um novo capítulo nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A travessia ocorreu nesta segunda-feira (15), um dia após o anúncio de um acordo preliminar de paz entre os dois países.

O presidente dos EUA, Donald Trump, informou que outras embarcações já começaram a utilizar a estratégica rota marítima, considerada uma das mais importantes para o comércio global de energia. Segundo o memorando divulgado pelo governo americano, a expectativa é de que o corredor marítimo seja totalmente reaberto após a assinatura oficial do pacto, prevista para sexta-feira (19), em Genebra.

Primeiro navio cruza a rota após avanço diplomático

Informações de monitoramento marítimo apontam que o Disha, navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL) registrado em Malta, foi a primeira embarcação comercial a atravessar o estreito desde o avanço das negociações entre Washington e Teerã.

A embarcação utilizou os corredores de navegação definidos pelo Irã dentro do Sistema de Separação de Tráfego (TSS), deixando o Golfo Pérsico em direção ao mar aberto de forma segura.

A movimentação também foi confirmada por veículos internacionais. A Reuters informou que um navio metaneiro navegou pelo estreito rumo ao leste. Já a CNN revelou que o governo americano orientou suas forças armadas a preparar a suspensão formal do bloqueio naval da região, medida que deverá entrar em vigor após a assinatura oficial do acordo.

Trump destaca retomada do tráfego marítimo

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que diversas embarcações carregadas de petróleo já estão deixando o Golfo Pérsico por meio da chamada rota sul do estreito, localizada mais próxima de Omã e da Arábia Saudita.

Segundo o presidente americano, o trajeto permanece seguro e disponível para a navegação comercial. Até o momento, o governo iraniano não confirmou oficialmente as informações sobre a retomada do fluxo marítimo.

Reabertura de Ormuz anima mercados globais

Embora os detalhes do tratado ainda não tenham sido divulgados integralmente, sua implementação deverá ocorrer apenas após a assinatura prevista para a próxima sexta-feira, na Suíça.

Mesmo assim, a perspectiva de normalização do Estreito de Ormuz já trouxe alívio aos mercados internacionais. A rota é responsável pela passagem de aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo, sendo considerada vital para o abastecimento energético global.

Divergências ameaçam implementação do acordo

Apesar do avanço diplomático, o entendimento entre Washington e Teerã enfrenta desafios importantes.

Um dos principais obstáculos envolve os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo regime iraniano. Durante as negociações, o Irã condicionou a manutenção do memorando provisório à interrupção dos ataques israelenses no Líbano, proposta que recebeu apoio dos mediadores paquistaneses.

No entanto, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sinalizou nesta segunda-feira que não pretende retirar suas forças do sul libanês, ampliando as incertezas sobre a consolidação do acordo.

Cobrança de taxas gera novo impasse

Outro ponto de divergência diz respeito ao tráfego no estreito.

Trump declarou anteriormente que o acordo garantiria a circulação de navios sem qualquer cobrança de pedágio, em uma isenção permanente defendida durante as negociações.

Contudo, autoridades iranianas afirmaram que pretendem instituir uma “taxa por serviço” para embarcações que utilizarem a passagem marítima, criando uma nova área de atrito entre as partes.

Programa nuclear segue como questão central

Além da questão da navegação, o acordo estabelece um prazo de 60 dias para tratar de temas sensíveis relacionados ao programa nuclear iraniano.

Entre os assuntos pendentes está o destino das reservas de urânio altamente enriquecido do país, tema que esteve no centro das justificativas apresentadas por Estados Unidos e Israel para o início do conflito.

A complexidade da negociação é conhecida. Questões semelhantes levaram mais de dois anos para serem resolvidas durante o acordo nuclear firmado em 2015, na gestão de Barack Obama, do qual os Estados Unidos se retiraram posteriormente durante o primeiro mandato de Trump.

Caso não haja consenso dentro do período estipulado, as partes poderão negociar uma extensão do cronograma.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Majid Saeedi/Getty Images

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Acordo entre Estados Unidos e Irã: entenda os 5 principais pontos do cessar-fogo

Após meses de confrontos, os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra iniciada em fevereiro e restabelecer a circulação no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.

Embora o entendimento represente um avanço diplomático significativo, temas considerados essenciais seguem sem definição, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano e a possível suspensão de sanções econômicas impostas a Teerã.

A mediação das negociações contou com a participação do Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Turquia. A assinatura oficial do documento está prevista para ocorrer na Suíça, na próxima sexta-feira (19).

1. Cessar-fogo prevê fim das operações militares

O memorando estabelece a interrupção imediata e permanente das ações militares entre Estados Unidos e Irã.

Segundo autoridades iranianas, a medida também deverá alcançar outras frentes relacionadas ao conflito, incluindo áreas no Líbano. A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ofensivas conjuntas realizadas por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.

Apesar do anúncio, ainda existem dúvidas sobre a aplicação integral do acordo. Israel já indicou que pretende manter operações em regiões consideradas estratégicas, como partes do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza.

2. Reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar mercado de energia

Um dos efeitos mais imediatos do acordo será a reabertura do Estreito de Ormuz, prevista para os próximos dias.

A passagem marítima é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente e permaneceu bloqueada durante parte do conflito. O fechamento provocou aumento dos preços da energia e impactou o comércio internacional.

Dados do setor marítimo apontam que centenas de embarcações aguardam autorização para atravessar a região. Mesmo com a previsão de reabertura, empresas de navegação ainda aguardam definições sobre segurança operacional, retirada de minas e garantias de cobertura securitária.

3. Programa nuclear segue como principal desafio

O tema mais sensível das negociações ficou para uma segunda etapa.

O acordo estabelece um prazo de 60 dias para que as partes discutam o futuro do programa nuclear do Irã. O objetivo declarado por Washington é impedir que Teerã desenvolva armamentos nucleares.

Até o momento, os governos envolvidos não divulgaram detalhes sobre eventuais limites ao enriquecimento de urânio nem os compromissos que poderão ser assumidos ao longo das próximas rodadas de negociação.

4. Sanções econômicas ainda dependem de consenso

A situação das sanções internacionais impostas ao Irã também permanece indefinida.

Autoridades iranianas defendem o desbloqueio de ativos financeiros congelados no exterior e a flexibilização das restrições econômicas. Entre as propostas em análise estaria a liberação de bilhões de dólares pertencentes ao governo iraniano.

Países europeus sinalizam que podem rever algumas medidas caso o Irã aceite mecanismos verificáveis de controle nuclear. Nos Estados Unidos, entretanto, mudanças mais amplas poderão depender de apoio político interno e aprovação legislativa.

5. Mercados reagem à expectativa de estabilidade

O anúncio do acordo repercutiu rapidamente nos mercados internacionais.

O preço do petróleo Brent registrou queda após a divulgação do entendimento, refletindo a expectativa de retomada do fluxo normal de exportações na região do Golfo.

Além dos impactos econômicos, o conflito vinha gerando desgaste político nos Estados Unidos devido à alta dos combustíveis e aos custos associados à guerra. O debate sobre o programa nuclear iraniano também continua provocando divergências entre diferentes setores políticos americanos.

Acordo já está em vigor?

De forma parcial. Segundo os governos dos Estados Unidos e do Irã, o cessar-fogo começou a valer imediatamente após o anúncio.

No entanto, a implementação completa dependerá da assinatura oficial prevista para a Suíça e do avanço das negociações sobre temas pendentes, como o programa nuclear, as sanções econômicas e a manutenção da estabilidade militar nos próximos dias.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Acordo entre EUA e Irã prevê fim de sanções e desmantelamento do programa nuclear

O governo dos Estados Unidos apresentou novos detalhes sobre o acordo provisório em negociação com o Irã, destacando que a proposta atende às principais metas defendidas pelo presidente Donald Trump para encerrar o impasse entre os dois países.

Segundo uma autoridade norte-americana envolvida nas tratativas, o entendimento prevê medidas relacionadas ao programa nuclear iraniano, à redução de sanções econômicas e à estabilidade regional.

Proposta inclui abertura do Estreito de Ormuz

Entre os pontos centrais do esboço está a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de energia.

O acordo também prevê o fim das restrições impostas pelos Estados Unidos aos portos iranianos, medida que poderá facilitar o fluxo comercial do país e contribuir para a retomada de atividades econômicas afetadas pelas sanções internacionais.

Programa nuclear iraniano está no centro das negociações

Outro eixo fundamental das conversas envolve o futuro do programa nuclear iraniano. De acordo com a fonte americana, a proposta estabelece o desmantelamento das atividades nucleares consideradas sensíveis.

O texto em negociação prevê ainda a transferência do material nuclear enriquecido do Irã para os Estados Unidos. Segundo o governo norte-americano, esse material seria destruído antes de ser retirado do território iraniano.

A iniciativa faz parte dos esforços para impedir o avanço da capacidade nuclear do país e ampliar as garantias de segurança internacional.

Alívio econômico dependerá do cumprimento das obrigações

A flexibilização das sanções econômicas é um dos temas mais delicados das negociações entre Washington e Teerã.

Segundo a autoridade, o Irã não receberá benefícios econômicos imediatos apenas pela assinatura do memorando de entendimento ou durante o período de negociação.

O governo americano afirma que qualquer medida de alívio econômico estará condicionada ao cumprimento efetivo dos compromissos assumidos pelo país.

Benefícios serão concedidos por etapas

De acordo com a proposta apresentada, os incentivos econômicos serão liberados gradualmente, conforme o Irã execute as ações previstas no acordo.

Entre as exigências estão a entrega do material nuclear enriquecido, o encerramento de instalações ligadas ao programa atômico e a adoção de medidas voltadas à promoção da estabilidade regional.

A avaliação do governo dos Estados Unidos é que o modelo cria mecanismos de verificação e garante que os benefícios econômicos sejam concedidos apenas após resultados concretos.

Negociações seguem focadas em segurança e estabilidade

As discussões entre Estados Unidos e Irã continuam concentradas na busca por um entendimento que combine segurança internacional, controle nuclear e redução das tensões no Oriente Médio.

Para Washington, a proposta em análise estabelece uma relação direta entre o cumprimento das obrigações iranianas e a concessão de incentivos econômicos, criando um caminho gradual para a normalização das relações entre os dois países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Brasil e China articulam frente no G20 para defender reformas e ampliar o multilateralismo

Brasil e China estão intensificando a coordenação de posições para a próxima reunião de líderes do G20, prevista para os dias 15 e 16 de dezembro, em Miami, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pelo secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Mathias Alencastro, durante encontro com jornalistas em Pequim.

Segundo o representante brasileiro, os dois países compartilham preocupações sobre a forma como os Estados Unidos vêm conduzindo sua presidência no grupo e defendem mudanças na estrutura do fórum. A proposta é construir uma articulação capaz de impulsionar uma agenda de reformas durante a realização da cúpula em território norte-americano.

Reforma do G20 está entre as prioridades da agenda conjunta

De acordo com Alencastro, a intenção é fortalecer o papel do G20 como principal espaço de diálogo internacional e, ao mesmo tempo, promover uma modernização do mecanismo.

O secretário afirmou que Brasil e China consideram importante tornar o grupo mais eficiente e funcional, preservando sua relevância na discussão dos principais desafios globais.

Questionado sobre as mudanças que estão sendo debatidas, ele explicou que a proposta envolve manter o caráter multilateral da organização, ampliando sua capacidade de tratar temas estratégicos para a economia mundial, especialmente relacionados ao financiamento sustentável.

Cooperação financeira reforça aproximação entre os países

As declarações foram feitas durante o 3º Fórum de Cooperação Financeira Brasil-China, realizado nesta terça-feira em Pequim. No evento, o governo chinês foi representado pelo vice-ministro das Finanças, Liao Min.

O encontro serviu para reforçar a parceria entre as duas economias e ampliar o diálogo sobre questões financeiras e geopolíticas de interesse comum.

Relações diplomáticas se intensificaram nos últimos anos

Alencastro destacou que a aproximação entre Brasil e China ganhou impulso recente em razão do protagonismo brasileiro em fóruns internacionais. Entre os fatores citados estão a presidência brasileira do G20 em 2024, a liderança dos Brics em 2025 e a realização da COP30, conferência climática da ONU sediada pelo Brasil.

Segundo o secretário, essa sequência de eventos contribuiu para aprofundar a sintonia entre os dois governos em debates sobre governança global, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

Coordenação prévia em fóruns internacionais

O representante brasileiro também revelou que a cooperação entre os dois países ocorre de forma frequente antes de grandes encontros multilaterais. Conforme relatou, o vice-ministro chinês costuma realizar reuniões preparatórias com sua contraparte brasileira para alinhar estratégias e definir posições conjuntas sobre os principais temas da agenda internacional.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Estreito de Ormuz tem menos de mil navios em 100 dias de guerra entre Irã, EUA e Israel

O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o transporte de energia, registrou a circulação de apenas 988 embarcações comerciais nos primeiros 100 dias do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em condições normais, esse mesmo volume seria alcançado em aproximadamente uma semana.

A marca coincide com os 100 dias da guerra, completados em 7 de junho, e evidencia o impacto do conflito sobre uma rota responsável por parcela significativa do comércio global de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes.

Importância global do Estreito de Ormuz

Antes da escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, o estreito respondia por cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo e por uma fatia relevante do comércio internacional de GNL. Além disso, aproximadamente um terço do transporte marítimo de fertilizantes passava pela região.

Após os ataques preventivos liderados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e as posteriores retaliações de Teerã contra infraestruturas estratégicas no Golfo, o fluxo marítimo sofreu uma forte retração.

Navegação limitada e novas rotas marítimas

Mesmo após três meses de conflito, o trânsito de navios permanece restrito. Para atravessar a região, armadores passaram a buscar acordos diplomáticos ou negociar diretamente com autoridades iranianas.

Durante o período, algumas embarcações navegaram com os sistemas de identificação automática (AIS) desligados. Também surgiu uma rota alternativa dentro das águas territoriais iranianas, enquanto parte da frota continuou utilizando o corredor oficialmente recomendado pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Queda superior a 90% no movimento de embarcações

Dados da consultoria Kpler apontam que a movimentação de navios caiu mais de 90% em comparação com os níveis observados antes da guerra.

Entre 1º e 27 de fevereiro, a média diária era de 129 embarcações, número próximo ao histórico de 138 navios por dia. Já no centésimo dia do conflito, apenas 10 embarcações comerciais cruzaram o estreito.

Grande parte dos navios que continuaram operando na região pertence a chamadas “frotas sombra” ou embarcações sujeitas a sanções internacionais.

Oscilações no tráfego ao longo da guerra

No dia 28 de fevereiro, 78 embarcações passaram pelo estreito. Após o início das hostilidades, esse número caiu para 30 em 1º de março e para apenas 13 no dia seguinte.

Em determinados momentos, o movimento chegou ao mínimo de apenas dois navios por dia. O maior volume registrado durante a guerra ocorreu em 18 de abril, quando 27 embarcações realizaram a travessia.

Disputa política influencia acesso à rota

Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito permaneceria aberto para embarcações comerciais até o fim do cessar-fogo no Líbano.

Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que a passagem marítima seguia operacional, mas ressaltou a manutenção do bloqueio dos Estados Unidos até que fosse alcançado um acordo com Teerã.

Pouco depois, o governo iraniano anunciou um fechamento de fato da rota, condicionando a normalização do tráfego ao fim das restrições impostas aos navios ligados aos portos iranianos. Em 7 de maio, apenas uma embarcação cruzou o estreito, o menor registro de todo o período analisado.

Transporte de petróleo continua predominante

Nos primeiros 100 dias da guerra, 456 navios transportando petróleo bruto e derivados utilizaram o corredor marítimo.

O volume caiu rapidamente após o início do conflito: de 50 embarcações em 28 de fevereiro para apenas duas em 3 de março. Em alguns dias, nenhum petroleiro realizou a travessia.

A maior parte dessas cargas partiu de portos iranianos, embora também tenham sido registrados embarques oriundos dos Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Catar.

Os principais destinos foram países asiáticos, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Vietnã, Malásia, Tailândia, Paquistão e Mianmar.

Comércio de gás natural liquefeito sofre forte impacto

Os ataques contra a infraestrutura energética do Golfo afetaram significativamente a produção regional, especialmente no Catar, um dos principais exportadores mundiais de GNL.

Durante vários dias, nenhum navio transportando gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz. A primeira passagem após o início da guerra ocorreu apenas em 2 de abril.

Ao longo dos 100 dias, somente 18 metaneiros cruzaram a rota, representando cerca de 2% de todo o tráfego registrado no período. Os carregamentos tiveram como destino China, Índia, Japão e Paquistão.

Transporte de GLP e cargas secas mantém atividade reduzida

O fluxo de navios transportando gás liquefeito de petróleo (GLP) somou 149 embarcações, equivalentes a 15% do total registrado durante o conflito.

Esses navios partiram principalmente de portos do Irã, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, com cargas destinadas a mercados da Ásia, África e América do Sul, incluindo Chile, Indonésia, Malásia e China.

Já os navios de carga seca totalizaram 281 travessias, representando 28% do movimento geral. As embarcações operaram em rotas diversificadas, conectando países como Brasil, Argentina, Canadá, Ucrânia, Turquia, Omã, Tanzânia, China e Tailândia.

Navios de passageiros também deixaram a região

Além das embarcações de carga, cerca de dez navios de passageiros que ficaram retidos no Golfo após o início do conflito conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz durante os primeiros 100 dias da guerra.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Opep+ amplia produção de petróleo pela quarta vez após fechamento do Estreito de Ormuz

A Opep+ aprovou neste domingo (7) mais uma ampliação nas metas de produção de petróleo, marcando o quarto ajuste consecutivo desde o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.

A medida foi adotada em meio aos impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã, conflito que interrompeu o tráfego na passagem marítima e gerou preocupações sobre o abastecimento internacional de petróleo.

Segundo comunicado divulgado pela organização, os sete países participantes do acordo aprovaram um acréscimo de 188 mil barris por dia na produção. O novo volume entrará em vigor a partir de julho.

Produção volta a crescer após cortes iniciados em 2023

Desde abril de 2026, os principais integrantes da aliança vêm promovendo aumentos graduais na oferta de petróleo. Somados, os reajustes já representam quase 600 mil barris adicionais por dia.

Os incrementos ocorreram da seguinte forma:

  • Abril: aumento de 206 mil barris por dia;
  • Maio: acréscimo de 188 mil barris por dia;
  • Junho: novo ajuste de 188 mil barris por dia;
  • Julho: mais 188 mil barris por dia aprovados neste fim de semana.

O movimento representa uma reversão parcial dos cortes voluntários anunciados em abril de 2023. Naquele período, a desaceleração econômica global e a queda nos preços levaram a Opep+ a retirar cerca de 1,65 milhão de barris diários do mercado para evitar uma desvalorização ainda maior da commodity.

Conflito no Oriente Médio altera estratégia da organização

A crise geopolítica no Oriente Médio mudou significativamente o cenário do mercado energético. O fechamento do Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores mais importantes para o transporte de petróleo no mundo, afetou o fluxo internacional da commodity e incentivou a retomada gradual da produção anteriormente reduzida.

Em comunicado oficial, a Opep+ afirmou que a medida também permitirá que os países participantes acelerem seus compromissos de compensação relacionados às metas de produção estabelecidas anteriormente.

Produção da Opep+ segue em nível historicamente baixo

Apesar dos sucessivos aumentos anunciados nos últimos meses, a produção efetiva do grupo continua abaixo dos níveis históricos.

Dados divulgados pela organização mostram que os 11 membros atuais registraram queda de 1,22 milhão de barris por dia em maio, alcançando uma produção total de 16,33 milhões de barris diários. Trata-se do menor volume registrado em quase quatro décadas.

Países participantes do acordo

Atualmente, o grupo responsável pelo ajuste produtivo é composto por:

  • Arábia Saudita
  • Rússia
  • Iraque
  • Kuwait
  • Cazaquistão
  • Argélia
  • Omã

Os Emirados Árabes Unidos deixaram a organização em maio de 2026, encerrando uma participação que durou cerca de 60 anos.

Mercado acompanha impactos sobre os preços do petróleo

A nova decisão da Opep+ é acompanhada de perto por investidores e agentes do setor energético, que monitoram os reflexos da guerra no Golfo e as possíveis consequências para os preços do petróleo, a segurança do abastecimento global e a estabilidade do mercado internacional de energia.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

CARF define regras para créditos de PIS e Cofins sobre despesas aduaneiras e frete internacional

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) estabeleceu novos parâmetros para o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins relacionados a operações de importação. A definição consta no Acórdão nº 3301-014.817, que reconheceu o direito ao creditamento sobre determinadas despesas aduaneiras, desde que contratadas separadamente da importação e prestadas por empresas sediadas no Brasil sujeitas à tributação.

A decisão traz maior segurança jurídica para empresas que atuam no comércio exterior e reforça os critérios aplicáveis ao conceito de insumo no regime não cumulativo das contribuições.

Caso envolvia importação de componentes para fabricação de computadores

A discussão teve origem em uma autuação fiscal que desconsiderou créditos de PIS e Cofins vinculados a gastos com despacho aduaneiro, armazenagem, transporte e frete internacional utilizados na importação de insumos destinados à produção de computadores.

A empresa defendia que essas despesas eram indispensáveis ao processo produtivo e, por isso, deveriam gerar direito ao creditamento das contribuições.

Durante a análise dos embargos de declaração, o CARF identificou uma contradição no julgamento anterior. Embora a fundamentação admitisse a possibilidade de crédito sobre determinadas despesas aduaneiras, a decisão final havia mantido a negativa ao pedido da contribuinte.

Despesas aduaneiras autônomas podem gerar créditos

No entendimento que prevaleceu entre os conselheiros, as despesas aduaneiras contratadas de forma independente da operação de importação não integram o valor aduaneiro da mercadoria. Dessa forma, podem ser consideradas aptas à geração de créditos no regime não cumulativo de PIS e Cofins.

O colegiado também destacou a recente Súmula CARF nº 243, que autoriza o aproveitamento de créditos sobre serviços portuários, como capatazia e estiva, quando vinculados à importação de insumos, desde que contratados autonomamente junto a empresas brasileiras e submetidos à tributação.

Frete internacional permanece sem direito ao creditamento

Por outro lado, o tribunal administrativo manteve o entendimento desfavorável em relação aos créditos sobre frete internacional.

Segundo o CARF, esse custo compõe o valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme previsto no artigo VII do GATT 1994 e na Instrução Normativa SRF nº 327/2003. Por essa razão, o tratamento tributário segue as regras específicas estabelecidas pela Lei nº 10.865/2004.

Com isso, mesmo quando o transporte é contratado junto a uma empresa brasileira, a despesa não pode ser enquadrada como insumo para fins de creditamento previsto no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002.

Entendimento reforça distinção entre custos de importação

A decisão do CARF consolida a diferenciação entre despesas aduaneiras autônomas, que podem gerar créditos tributários, e custos incorporados ao valor aduaneiro da mercadoria, como o frete internacional.

O posicionamento contribui para esclarecer o alcance do conceito de insumos na importação, oferecendo maior previsibilidade para empresas que utilizam o regime não cumulativo de PIS e Cofins em suas operações de comércio exterior.

FONTE: ZNA Advocacia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Banco de imagem

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