Indústria

Executivo de SC está entre os 100 maiores líderes da manufatura no mundo

O catarinense Rodrigo Fumo, vice-presidente de motores industriais da WEG, foi reconhecido entre os 100 maiores líderes da manufatura mundial. O nome do executivo aparece na lista elaborada pela Manufacturing Digital, publicação especializada do Reino Unido.

Em entrevista à publicação, Fumo destacou o papel das pessoas no desempenho e na competitividade das empresas. “As pessoas são a verdadeira fonte de vantagem competitiva sustentável”, afirmou.

Rodrigo Fumo destaca combinação entre pessoas e tecnologia

À frente da área de motores industriais da WEG, Fumo ressaltou os desafios envolvidos na produção em larga escala. A companhia fabrica milhares de motores diariamente e mantém operações de manufatura em 14 países.

Segundo o executivo, embora escala, tecnologia e excelência operacional sejam fundamentais para esse processo, o crescimento sustentável depende da integração dessas capacidades com profissionais qualificados, relacionamento próximo com os clientes e inovação contínua.

“Mas o crescimento sustentável vem de como combinamos essas capacidades com pessoas talentosas, proximidade com clientes e a capacidade de inovar continuamente”, afirmou.

Engenharia digital e IA transformam a manufatura

Durante a entrevista, o executivo também abordou a evolução da WEG e o impacto de novas ferramentas nas operações industriais. Entre os recursos citados estão a engenharia digital, a inteligência artificial (IA) industrial, a automação e as iniciativas de melhoria contínua.

Na avaliação de Fumo, essas tecnologias vêm contribuindo para aperfeiçoar os processos de manufatura e permitir que a empresa tome decisões de maneira mais rápida e eficiente.

Tecnologia deve acelerar mudanças na indústria

Para o vice-presidente da WEG, o avanço tecnológico continuará modificando profundamente o setor industrial nos próximos anos.

“A tecnologia continuará a transformar a manufatura em um ritmo sem precedentes”, declarou.

Apesar do avanço da automação industrial e da inteligência artificial, Fumo acredita que os líderes da indústria serão aqueles capazes de equilibrar inovação tecnológica, desenvolvimento de pessoas e planejamento estratégico.

“Mas acredito que as empresas que vão liderar essa transformação serão aquelas que melhor vão combinar pessoas, tecnologia e visão de longo prazo”, completou.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Indústria

Produção industrial de SC recua 0,7% em julho, aponta IBGE

A produção industrial de Santa Catarina apresentou queda de 0,7% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os 14 segmentos industriais avaliados, nove registraram retração. As maiores quedas foram observadas nos setores de móveis e de confecções de artigos do vestuário e acessórios.

Setor de móveis registra queda de 10,2%

A indústria de móveis em Santa Catarina teve retração de 10,2% em julho, na comparação anual. Segundo o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, o resultado foi influenciado novamente pelas restrições às exportações para os Estados Unidos.

“Em julho o setor de móveis voltou a sofrer restrições às exportações para os Estados Unidos, o que foi determinante para a queda”, afirma Seleme.

Considerando os 12 meses encerrados em julho, a atividade do segmento acumula redução de 14,6%.

Outro setor que apresentou desempenho negativo foi o de vestuário e acessórios, cuja produção caiu 9,5% em relação a julho de 2025.

Indústria automotiva tem avanço de 13,8%

Na direção oposta, o segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias apresentou crescimento de 13,8% no período.

Na avaliação da FIESC, o desempenho pode estar relacionado ao processo gradual de substituição dos veículos movidos a combustão por modelos elétricos, além do aumento progressivo da participação de componentes nacionais nos veículos fabricados no Brasil.

O avanço desse setor ajudou a limitar uma queda mais acentuada da atividade industrial catarinense.

Ao todo, cinco dos 14 segmentos pesquisados pelo IBGE tiveram aumento da produção em julho, enquanto os outros nove registraram retração.

Perspectivas para a indústria catarinense

O cenário para os próximos meses exige atenção por parte das empresas, principalmente diante do aumento da inadimplência e do comprometimento da renda das famílias com dívidas.

Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, esse contexto recomenda maior cautela na administração da liquidez e do endividamento das empresas.

A proximidade das eleições de outubro também acrescenta um fator de incerteza, já que o resultado deverá influenciar os rumos da política econômica a partir de 2027.

Por outro lado, uma eventual redução dos juros, somada ao crescimento acumulado da renda disponível, pode contribuir para uma recuperação da indústria. A melhora do poder de consumo das famílias tende a sustentar a demanda, enquanto condições de crédito mais favoráveis podem estimular os investimentos e o financiamento das empresas.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Indústria

Brasil precisa fortalecer indústria diante do avanço das importações, defende CNI

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: consolidar-se como uma potência industrial ou ampliar a dependência de produtos fabricados no exterior. O avanço das importações, especialmente de mercadorias de origem chinesa e de produtos que chegam ao país por meio de terceiros mercados, reacende o debate sobre a capacidade brasileira de preservar sua indústria e competir no comércio internacional.

A questão, porém, não passa por rejeitar as importações. O desafio é garantir uma inserção competitiva do Brasil no comércio global, permitindo que empresas nacionais disputem mercados externos em condições equilibradas e evitando que o país se transforme em destino de produtos que encontram restrições em outras economias.

Brasil corre risco de perder espaço na indústria

A expansão da indústria chinesa e o aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados têm provocado mudanças nos fluxos internacionais de mercadorias. Países com grandes capacidades produtivas procuram novos destinos quando enfrentam tarifas, medidas antidumping, subsídios ou outras restrições.

Nesse cenário, o tamanho do mercado brasileiro, combinado com a abertura relativa da economia e com dificuldades de competitividade enfrentadas pela indústria nacional, pode tornar o país um destino atrativo para esses produtos.

Embora o Brasil tenha registrado recordes de exportações nos últimos anos, a indústria de transformação vem perdendo participação tanto no mercado internacional quanto no próprio mercado doméstico.

O país registra atualmente o maior déficit comercial da indústria de transformação desde 2000. A participação brasileira nas exportações mundiais de manufaturados está abaixo de 1%, enquanto os produtos importados ocupam uma parcela cada vez maior do consumo nacional.

O resultado é um cenário em que o Brasil exporta volumes maiores, mas com menor participação de produtos de maior complexidade tecnológica e valor agregado.

Importações chinesas exigem atenção aos fluxos comerciais

A China se consolidou como a principal origem das importações brasileiras, com forte presença de produtos de menor valor agregado.

Dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o Brasil importa aproximadamente US$ 5 bilhões por ano em produtos chineses que também são alvo de medidas relacionadas a subsídios em outros mercados.

Para a entidade, a análise do comércio exterior não deve considerar apenas o valor total importado. É necessário observar origem, preços, volumes e mudanças nas rotas comerciais, identificando movimentos que possam indicar alterações relevantes nos fluxos internacionais.

Países asiáticos já apresentam aumento das vendas ao Brasil

O crescimento das barreiras comerciais em grandes economias vem contribuindo para a reorganização das cadeias globais e para o desvio de determinados fluxos de comércio.

A CNI identificou sinais desse processo no Sudeste Asiático. Em maio de 2025, por exemplo, as importações brasileiras provenientes da Indonésia aumentaram 72,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No caso da Tailândia, o crescimento chegou a 31,4%.

Para o setor industrial, a preocupação é evitar que mudanças dessa natureza sejam percebidas apenas depois de provocarem efeitos permanentes sobre a produção nacional.

Defesa comercial precisa ser preventiva

Uma das propostas defendidas é ampliar o caráter preventivo da defesa comercial brasileira. Em vez de agir somente após a entrada maciça de produtos no mercado, o país deveria acompanhar continuamente os fluxos de comércio internacional.

Entre as medidas sugeridas estão o cruzamento de informações sobre origem, preços e volumes, o monitoramento de mudanças repentinas nas rotas de importação e a investigação rápida de possíveis casos de triangulação comercial ou desvio de comércio.

A avaliação não significa presumir irregularidades, mas identificar situações que justifiquem uma investigação.

A CNI afirma ainda que qualquer medida de defesa comercial deve considerar seus impactos sobre toda a cadeia produtiva. A entidade também informa que está disposta a colaborar com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e que já iniciou tratativas para a assinatura de um acordo de cooperação.

Subsídios estrangeiros também entram no radar

Os mecanismos de defesa comercial vão além das investigações antidumping. Em 2024, foram abertas 375 investigações antidumping e 64 relacionadas a subsídios, ambos recordes históricos.

O cenário internacional mostra que grandes economias estão ampliando seus instrumentos de proteção porque a política comercial passou a ser tratada também como uma questão de segurança econômica.

Nesse contexto, as medidas compensatórias ganham importância. Enquanto ações antidumping buscam combater determinadas práticas de preços, as medidas compensatórias podem ser aplicadas diante de vantagens obtidas por empresas estrangeiras por meio de subsídios concedidos por governos.

Segundo a CNI, o Brasil ainda utiliza esses instrumentos em escala menor do que outras grandes economias, inclusive em relação a produtos chineses. Para a entidade, existe espaço para aprimorar o uso dessas ferramentas diante de distorções provocadas por políticas de apoio estrangeiras.

Competitividade deve caminhar junto com proteção comercial

A defesa da indústria brasileira não significa fechar a economia ou proteger empresas ineficientes. O setor industrial também precisa avançar em produtividade, inovação, tecnologia e inserção internacional.

Nesse processo, a redução do chamado Custo Brasil é apontada como uma das prioridades para melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade de competição das empresas nacionais.

A estratégia, portanto, deve combinar defesa comercial e internacionalização. Enquanto mecanismos de proteção ajudam a reduzir vulnerabilidades diante de práticas consideradas desleais, a presença em mercados estrangeiros amplia oportunidades para empresas brasileiras.

Internacionalização pode ampliar oportunidades para empresas brasileiras

A expansão internacional da indústria pode contribuir para atrair investimentos, incorporar novas tecnologias, elevar a produtividade e integrar empresas brasileiras às cadeias globais de produção e inovação.

Para isso, a política brasileira deveria avançar em duas frentes: garantir condições de concorrência mais equilibradas no mercado doméstico e, simultaneamente, ampliar o acesso das empresas nacionais a mercados externos.

Entre as medidas defendidas estão a implementação dos acordos comerciais já negociados, a busca por novas parcerias estratégicas e a criação de condições para que empresas de diferentes portes possam aumentar suas exportações.

Relação com China, EUA e Europa exige equilíbrio

A ampliação das relações comerciais com a China, os Estados Unidos, a União Europeia e outros parceiros continua sendo considerada importante para o Brasil.

A questão, porém, é evitar que o mercado brasileiro seja utilizado para absorver excedentes de capacidade produtiva de outros países ou para atender a interesses geopolíticos específicos.

Também é necessário impedir que terceiros mercados sejam usados como caminhos para contornar medidas comerciais legítimas adotadas pelo Brasil.

CNI propõe nova missão para a indústria brasileira

A avaliação da CNI é que o comércio mundial atravessa uma transformação estrutural, marcada por excesso de capacidade produtiva, reorganização das cadeias globais, tensões geopolíticas e aumento das barreiras comerciais.

Diante desse cenário, a entidade defende uma política de Estado para enfrentar os novos desafios. Entre as propostas está a criação de uma sétima missão para a Nova Indústria Brasil, voltada à internacionalização da indústria, com metas, mecanismos de financiamento e coordenação entre políticas de comércio, investimento e inovação.

A CNI também coloca o combate ao Custo Brasil entre as prioridades. Segundo a entidade, os custos associados às dificuldades estruturais enfrentadas pelas empresas brasileiras chegam a aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano.

O objetivo, nesse contexto, não seria escolher entre abertura comercial e proteção da indústria, mas combinar as duas estratégias.

Uma indústria competitiva não depende do isolamento do mercado nacional. Ela precisa de condições internas que permitam produzir, investir, inovar e competir no mercado internacional em condições mais equilibradas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Indústria

Venda de máquinas recua 8,9% em julho, aponta Abimaq

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou nova queda nas vendas em julho de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A receita líquida do setor somou R$ 24,4 bilhões no mês, retração de 8,9% em relação a julho de 2025.

Apesar do resultado negativo na comparação anual, houve uma leve recuperação frente a junho. Considerando os efeitos sazonais, a receita avançou 0,7% na comparação mensal. No acumulado de janeiro a julho, porém, o setor ainda apresenta queda de 12,9%.

Mercado interno segue pressionado

A receita obtida no mercado doméstico alcançou R$ 18,7 bilhões em julho, recuo de 5,3% sobre o mesmo mês do ano passado.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos acompanhou esse movimento e caiu 5,3%, chegando a R$ 34,6 bilhões.

Para a Abimaq, o desempenho está relacionado aos efeitos da política monetária restritiva, que continuam influenciando as decisões de investimento das empresas.

Exportações caem, enquanto importações avançam

O mercado externo também apresentou resultado negativo para a indústria brasileira de máquinas. As exportações de máquinas e equipamentos totalizaram US$ 1,1 bilhão em julho, valor 10,9% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

Na direção oposta, as importações cresceram. As compras externas somaram US$ 2,95 bilhões no mês, alta de 2,1% na comparação anual.

O desempenho evidencia um cenário de maior pressão sobre a indústria nacional, com redução das vendas internas e externas e avanço das importações de máquinas.

Utilização da capacidade instalada tem pequena queda

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria ficou em 78,4% em julho. No mesmo mês de 2025, o indicador estava em 78,7%, representando uma redução de 0,3 ponto percentual.

Apesar da queda, o índice permanece próximo ao patamar registrado um ano antes.

Carteira de pedidos mostra melhora

Um dos indicadores positivos do mês foi a carteira de pedidos. O prazo médio alcançou 9,4 semanas em julho, resultado 3,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

O dado indica uma melhora no volume de pedidos futuros, embora o desempenho das vendas acumuladas no ano continue refletindo um ambiente de negócios desafiador para o setor de bens de capital.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Giselleflissak / Getty Images

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Indústria

Seca na Europa: crise hídrica ameaça indústria e pode gerar prejuízo de € 180 bilhões

A seca na Europa já provoca impactos em setores essenciais da economia e pode gerar perdas de pelo menos € 50 bilhões no curto prazo, segundo estimativas citadas pelo Financial Times. Se a escassez de água persistir e os efeitos da onda de calor forem considerados em conjunto, o prejuízo econômico pode chegar a € 180 bilhões.

Os níveis excepcionalmente baixos de rios e reservatórios já afetam o transporte de cargas, a geração de energia, a agricultura e a produção industrial. Empresas de diferentes países passaram a adaptar suas operações diante da redução da disponibilidade de água.

Baixo nível do Reno encarece transporte de cargas

No porto de Roterdã, na Holanda, um dos principais centros logísticos da Europa, embarcações que utilizam o rio Reno precisam navegar com aproximadamente 30% da capacidade de carga.

A redução do peso é necessária para evitar encalhes em trechos onde a profundidade do rio diminuiu. A consequência é o aumento dos custos de transporte e a perda de eficiência nas cadeias de abastecimento.

Para compensar a menor capacidade de cada embarcação, operadores passaram a contratar cerca de 100 navios adicionais por semana. Mesmo com o reforço da frota, o volume transportado continua abaixo dos níveis habituais.

A autoridade portuária de Roterdã considera o episódio um dos mais relevantes enfrentados pelo setor nas últimas décadas. O cenário também evidencia a vulnerabilidade da logística europeia diante do avanço de eventos climáticos extremos.

Rios europeus atingem níveis historicamente baixos

A crise hídrica se espalha por diferentes regiões do continente. Rios importantes para o comércio, a indústria e a irrigação registram alguns dos menores níveis médios mensais já observados.

Entre os cursos d’água afetados estão o Reno, o Danúbio, o Pó, na Itália, o Ródano, que atravessa a Suíça e a França, e o Tâmisa, em Londres.

O Reno tem importância estratégica para o transporte de mercadorias e para a indústria alemã. Uma seca ocorrida em 2018, por exemplo, teria provocado uma redução de aproximadamente 0,4% no PIB da Alemanha — equivalente hoje a cerca de € 18 bilhões.

O episódio atual preocupa ainda mais porque os rios apresentam níveis inferiores aos registrados naquela ocasião e a estiagem começou mais cedo.

Estudos citados pelo Financial Times indicam que um mês de vazão reduzida pode diminuir em cerca de 25% o transporte fluvial e provocar uma queda próxima de 1% na produção industrial alemã.

Onda de calor agravou déficit hídrico

A Europa iniciou o ano em condições relativamente favoráveis, com níveis de umidade do solo e precipitação acima da média em fevereiro. A situação começou a mudar em abril e se agravou em maio, com a sucessão de ondas de calor.

Junho e julho registraram temperaturas recordes, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e solos. A perspectiva de poucas chuvas nas semanas seguintes mantém a preocupação com a continuidade da crise de água.

Energia também sofre com falta de água

O setor elétrico está entre os mais afetados pela estiagem. Usinas nucleares na França e na Hungria precisaram reduzir a produção devido à menor disponibilidade de água para os sistemas de resfriamento.

A geração hidrelétrica também enfrenta dificuldades em regiões atingidas pela seca.

Na Romênia, o governo chegou a recorrer a explosões subaquáticas controladas no leito do Danúbio para tentar direcionar água para a usina nuclear de Cernavodă. A medida não produziu o resultado esperado e a unidade também precisou reduzir suas atividades.

Agricultura enfrenta perdas e mudança de culturas

A agricultura europeia também sofre com a falta de água. No norte da Itália, uma das principais áreas produtoras de arroz do continente, agricultores relatam perdas totais em algumas lavouras porque a água destinada à irrigação não conseguiu chegar a determinadas áreas.

Na região do Vale do Pó, produtores afirmam que algumas propriedades perderam metade ou mais da produção.

A repetição de períodos prolongados de estiagem começa a provocar mudanças nas decisões dos agricultores. Parte deles avalia substituir o arroz por culturas menos dependentes de água, enquanto outros consideram deixar algumas áreas sem plantio.

Data centers entram no radar da crise hídrica

A escassez também representa um desafio para setores ligados à economia digital. Mais de um terço dos aproximadamente 3.000 data centers da Europa está localizado em regiões submetidas a níveis elevados ou extremos de estresse hídrico.

A disponibilidade de água é especialmente relevante para sistemas de resfriamento dessas instalações, aumentando a preocupação sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica em determinadas áreas.

Seca pode pressionar inflação

Economistas também alertam para possíveis efeitos da crise sobre a inflação europeia.

A redução das colheitas tende a elevar os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o encarecimento do transporte e eventuais restrições na geração de energia podem aumentar os custos para empresas e consumidores.

O resultado pode dificultar a recuperação econômica em um momento de maior pressão sobre diferentes setores produtivos.

Empresas aceleram adaptação ao novo cenário climático

Diante da perspectiva de períodos mais frequentes de calor e estiagem, empresas já começam a investir em medidas de adaptação. Entre as iniciativas estão embarcações preparadas para rios rasos, sistemas de monitoramento e alerta, tecnologias de redução do consumo de água e métodos de resfriamento menos dependentes do recurso.

Para especialistas, a seca deixou de ser apenas um problema temporário para se transformar em um risco estrutural para a economia europeia.

A capacidade de adaptar infraestrutura, agricultura, transporte e geração de energia será determinante para limitar os prejuízos provocados por futuras crises hídricas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Indústria

Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis debate produtividade e inovação

A produtividade na indústria têxtil, a transformação digital e a sustentabilidade estarão no centro das discussões do 5º Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis. Promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design, o evento será realizado em 9 de setembro, das 8h às 12h, no Auditório do Centro Universitário SENAI Blumenau.

A programação reunirá especialistas, empresas e lideranças do setor têxtil para discutir tecnologias e estratégias capazes de melhorar a eficiência industrial, aumentar a competitividade e gerar valor para as empresas.

“O polo têxtil é um dos mais relevantes de Santa Catarina, com uma forte tradição industrial e, ao mesmo tempo, uma grande capacidade de adaptação”, destaca Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC.

Segundo ele, a capacidade de incorporar novas soluções é essencial para que o setor avance em tecnologia, produtividade e inovação. Nesse cenário, o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design atua no desenvolvimento e na disseminação de conhecimentos e soluções tecnológicas voltadas aos desafios atuais e futuros da indústria.

Seminário terá três trilhas temáticas

A quinta edição do evento será dividida em três eixos: transformação digital, novos processos e sustentabilidade.

Na trilha de transformação digital, os debates vão abordar o uso de tecnologias emergentes, automação e análise de dados como ferramentas para melhorar a tomada de decisões, aperfeiçoar a gestão e elevar o desempenho das empresas.

A proposta é mostrar como a digitalização pode contribuir para operações mais eficientes, com redução de desperdícios e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado.

Automação ganha espaço nos processos têxteis

O eixo dedicado a novos processos terá como foco as aplicações de automação inteligente na indústria têxtil e de confecção.

As discussões vão explorar maneiras de estruturar processos mais eficientes, confiáveis e escaláveis em diferentes etapas da cadeia produtiva. A abordagem considera tanto os ganhos de produtividade quanto a necessidade de adaptar as operações às novas demandas industriais.

Sustentabilidade alia eficiência e inovação

A terceira trilha será dedicada às soluções de sustentabilidade na indústria têxtil. Entre os assuntos previstos estão a valorização de resíduos, eficiência energética e uso mais racional de recursos.

A programação também vai discutir formas de melhorar a performance ambiental das empresas sem dissociar sustentabilidade de inovação e competitividade.

Evento terá cases e painel com especialistas

Além dos conteúdos técnicos, o seminário apresentará cases e experiências práticas relacionados à transformação digital, automação e reestruturação de processos.

O encontro também terá discussões sobre estratégias para integrar inovação e sustentabilidade às operações industriais. A programação será encerrada com um painel interativo, reunindo especialistas e lideranças para aprofundar os principais desafios e oportunidades do setor têxtil.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

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Indústria

Indústria têxtil acelera transformação para enfrentar avanço da ultra fast fashion

A indústria têxtil enfrenta uma nova realidade de mercado com o avanço da ultra fast fashion, modelo baseado em lançamentos rápidos, grande variedade de produtos e forte presença nas plataformas digitais. A necessidade de reduzir prazos e aumentar a eficiência foi debatida na quinta-feira (13), durante reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A projeção para o setor reforça o tamanho do desafio. O mercado mundial de ultra fast fashion deve passar de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões até 2033, mais que dobrando de tamanho no período.

Tecnologia ganha espaço na competição

O presidente do conselho, César Döhler, chamou atenção para o avanço das importações de vestuário e para o crescimento das compras realizadas em plataformas digitais. Segundo ele, a indústria brasileira precisa responder ao cenário com investimentos em inovação e maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

Para Matheus Fagundes, presidente da Audaces, a principal mudança está no ritmo da competição. O setor, que antes trabalhava com ciclos de produção de vários meses, passou a lidar com prazos de semanas ou até dias.

A diferença de escala entre mercados evidencia essa transformação. Enquanto os Estados Unidos lançam aproximadamente 23 mil novos produtos por ano, a China chega a 1,5 milhão de itens.

Nesse ambiente, a velocidade de produção se tornou um fator decisivo. Fagundes defende o uso de tecnologia para encurtar processos, conectar fornecedores e fabricantes e acelerar as decisões baseadas em informações.

Inteligência artificial pode reduzir estoques

Entre as ferramentas apontadas para elevar a produtividade da indústria estão a inteligência artificial, a digitalização das operações e estratégias para diminuir estoques.

A utilização de dados permite antecipar tendências, ajustar a produção à demanda e reduzir o tempo entre a criação de uma peça e sua chegada ao consumidor.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes.

A transformação é vista como necessária não apenas para disputar espaço no exterior, mas também para proteger a participação da indústria brasileira no mercado doméstico.

Importações aumentam pressão sobre a indústria brasileira

O cenário argentino foi citado como exemplo dos riscos provocados pela perda de competitividade da indústria nacional. Atualmente, cerca de 70% das roupas comercializadas no país são importadas.

Para Fagundes, a dinâmica é direta: empresas brasileiras precisam ter condições de competir em outros mercados para evitar que produtos estrangeiros conquistem espaço no Brasil.

“Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu.

Santa Catarina tem forte participação no setor

O impacto desse processo é especialmente relevante para Santa Catarina, onde a cadeia têxtil ocupa posição de destaque na indústria.

O setor é o maior empregador industrial do estado e aparece em segundo lugar em número de estabelecimentos. Em 2023, eram 170.787 postos de trabalho formais, o equivalente a 18,9% de todo o emprego industrial catarinense.

No comércio exterior, o segmento também tem peso. As exportações da indústria têxtil catarinense movimentaram aproximadamente US$ 288,6 milhões em 2024.

Cadeia produtiva precisa ganhar integração

Além da adoção de novas tecnologias, representantes do setor defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar a transformação do mercado.

Entre as prioridades estão a qualificação profissional, integração da cadeia produtiva, uso estratégico de dados, diversificação dos mercados consumidores e maior proximidade com o público.

A avaliação é que o modelo tradicional de produção já não atende sozinho às exigências impostas pela ultra fast fashion.

“A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Indústria

Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para a indústria de Santa Catarina

O avanço das negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA cria novas perspectivas para o comércio exterior brasileiro e, especialmente, para a indústria de Santa Catarina. A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

O tratado prevê eliminação de tarifas para cerca de 97% das transações de bens entre o Brasil e o bloco europeu, enquanto outros 1,2% terão redução gradual de tarifas. O acordo também estabelece cotas específicas para produtos agrícolas, incluindo carnes, milho, mel e óleos vegetais.

Comércio entre Brasil e EFTA movimenta US$ 7,8 bilhões

Os números mais recentes mostram uma relação comercial consolidada entre os dois mercados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,8 bilhões para os países da EFTA e importou US$ 4 bilhões, resultando em uma corrente de comércio de US$ 7,8 bilhões.

A relação é marcada pela forte presença da indústria de transformação. Os bens intermediários representaram 68,5% das trocas comerciais realizadas no período.

A indústria de transformação responde por 93,1% das exportações brasileiras destinadas à EFTA e por 99,7% das importações provenientes do bloco, reforçando o caráter industrial da relação comercial.

Santa Catarina aparece entre os estados com mais oportunidades

Santa Catarina está entre os estados brasileiros com maior potencial de aproveitamento do acordo. Segundo mapeamentos realizados pela indústria, o estado reúne 354 oportunidades de exportação para a EFTA, ficando atrás apenas de São Paulo e Paraná.

Para Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, o cenário coloca Santa Catarina em posição estratégica para ampliar sua presença no mercado europeu.

Agroindústria concentra oportunidades de exportação

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou 653 oportunidades para 453 produtos industriais brasileiros nos países da EFTA. Parte significativa dessas possibilidades apresenta aderência à estrutura produtiva catarinense.

Na agroindústria e no setor de alimentos, foram identificadas 119 oportunidades, sendo 50 relacionadas à abertura de novos mercados. Entre os destaques estão as cotas com tarifa zero para carnes de aves e suínos.

As aves já representam 15,3% das exportações brasileiras destinadas à EFTA, enquanto o café não torrado corresponde a 18,8% da pauta exportadora para o bloco.

Setores metalmecânico, eletrônico e químico também podem avançar

O segmento metalmecânico, eletrônico e de máquinas reúne 53 oportunidades mapeadas. A redução ou eliminação de tarifas pode favorecer empresas dos polos industriais de Joinville e Jaraguá do Sul, especialmente nas exportações de motores elétricos, geradores, compressores e produtos metálicos.

Já o setor de químicos e plásticos apresenta 89 oportunidades, incluindo possibilidades de abertura de mercado e consolidação das exportações da indústria de transformação química.

Além das exportações, o acordo pode beneficiar as empresas catarinenses no acesso a insumos, medicamentos, fertilizantes e máquinas de precisão provenientes dos países da EFTA, com potencial redução de custos de importação.

Entre os principais produtos importados pelo Brasil estão os farmacêuticos e medicamentos, que representam 11,1% da pauta, compostos organo-inorgânicos, com 5,2%, além de fertilizantes e equipamentos industriais de precisão.

Acordo prevê facilitação do comércio

Os benefícios esperados não se limitam à redução de tarifas. O tratado também prevê mecanismos voltados à desburocratização do comércio exterior.

Entre os pontos previstos estão a acumulação de origem estendida com a União Europeia, que permitirá utilizar insumos europeus em determinados produtos destinados à EFTA sem perder o benefício tarifário.

O acordo também contempla regras sanitárias mais ágeis para a agroindústria, simplificação de procedimentos técnicos e abertura do mercado de compras governamentais.

Implementação será gradual a partir de 2026

A entrada em vigor do acordo ocorrerá de maneira progressiva e dependerá da implementação bilateral com cada país integrante da EFTA.

O cronograma previsto estabelece:

  • Islândia: 1º de outubro de 2026;
  • Noruega: 1º de novembro de 2026;
  • Suíça e Liechtenstein: primeiro semestre de 2027.

Com a redução de barreiras tarifárias e a simplificação de procedimentos, o acordo Mercosul-EFTA tende a criar novas possibilidades para empresas brasileiras e ampliar o espaço da indústria catarinense no comércio internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Indústria, Inovação

Inovação industrial em SC supera R$ 1 bilhão e avança do petróleo ao espaço

Santa Catarina alcançou um marco de R$ 1,02 bilhão em inovação industrial, reunindo projetos que vão da automação de plataformas de petróleo ao desenvolvimento de tecnologias espaciais. O volume considera iniciativas realizadas e em execução desde 2014 e representa uma carteira de 344 projetos desenvolvidos para 417 empresas.

A atuação envolve áreas como robótica, manufatura avançada, sistemas embarcados, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e tecnologias para o setor aeroespacial.

Um dos exemplos está em Joinville, onde pesquisadores do SENAI-SC desenvolveram um robô para automatizar parte da preparação, inspeção e pintura do casco de plataformas e embarcações. A tecnologia reduz o tempo da operação e diminui a exposição de trabalhadores a atividades realizadas a cerca de 30 metros de altura sobre o mar.

Rede de inovação está presente em diferentes regiões de SC

A estrutura tecnológica do SENAI acompanha a diversidade da economia catarinense. O estado conta com três Institutos SENAI de Inovação e sete Institutos SENAI de Tecnologia, especializados em áreas como manufatura, sistemas embarcados, processamento a laser, alimentos e bebidas, meio ambiente, setor têxtil, cerâmica, madeira e mobiliário, mobilidade elétrica e energias renováveis.

As unidades estão distribuídas por Florianópolis, Joinville, Chapecó, Blumenau, Brusque, Criciúma, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul.

Para Fabrízio Machado Pereira, diretor regional do SENAI/SC, a evolução da carteira demonstra a consolidação de uma estrutura criada para transformar pesquisa em soluções práticas para a indústria, com impacto em produtividade, segurança, qualidade e competitividade.

Laboratório de Chapecó amplia suporte à indústria de alimentos

No Oeste catarinense, o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas recebeu credenciamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para realizar análises físico-químicas de produtos de origem animal e exames de microbiologia de alimentos.

A unidade se tornou o único laboratório de Santa Catarina habilitado nesse escopo. A previsão é que uma nova sede, prevista para 2027, amplie a estrutura em Chapecó de aproximadamente 900 para 3,5 mil metros quadrados.

A expansão deve aumentar a capacidade de atendimento às empresas de uma região marcada pela presença de grandes agroindústrias exportadoras.

Joinville recebe R$ 385 milhões em centros tecnológicos

No Norte do estado, a implantação de três centros tecnológicos em Joinville representa um investimento de R$ 385 milhões, em parceria com a Petrobras.

A estrutura será direcionada a segmentos como óleo e gás, robótica, processamento a laser e manufatura de equipamentos de alta complexidade.

O principal projeto é o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), que concentra R$ 283 milhões e terá mais de 3 mil metros quadrados.

A unidade deverá desenvolver, fabricar e testar componentes considerados críticos para a indústria de petróleo e gás, incluindo equipamentos que atualmente dependem de importação.

Outros R$ 102 milhões serão destinados ao Centro Tecnológico de Robótica (CT ROB) e ao CT Laser. Apesar da origem ligada às demandas do setor offshore, as estruturas também poderão atender segmentos como automotivo, aeroespacial, naval, energia, mineração e transporte.

Robô reduz tempo e custos na manutenção offshore

Entre os projetos conduzidos em parceria com a Petrobras está o RDC-R, robô desenvolvido desde 2015 para atuar na preparação de superfícies, inspeção e pintura de plataformas e embarcações.

O equipamento pode cobrir cerca de 200 metros quadrados por hora, enquanto o processo convencional alcança aproximadamente 20 metros quadrados por dia.

A automação também reduz a equipe necessária de 20 para seis profissionais e diminui o prazo do serviço de 35 para 14 dias. Segundo os resultados apresentados, a tecnologia pode proporcionar uma redução de até 84% nos custos de manutenção.

Além do ganho operacional, o sistema contribui para a segurança do trabalho, ao reduzir a necessidade de profissionais suspensos em grandes alturas sobre o mar.

O projeto resultou em três patentes e teve a tecnologia transferida pela Petrobras para empresas prestadoras de serviços, permitindo que a solução avançasse da pesquisa para a aplicação comercial.

Tecnologia catarinense também chegou ao espaço

A inovação produzida em Santa Catarina também alcançou o setor espacial. O VCUB1 foi lançado em 15 de abril de 2023, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX.

Liderado pela Visiona, o projeto contou com a participação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, do INPE e do IAE.

A missão terminou em fevereiro de 2025, quando o nanossatélite reentrou na atmosfera conforme o planejado. Durante quase dois anos em órbita, o equipamento manteve seus subsistemas em funcionamento e validou tecnologias nacionais de navegação, comunicação, gestão de bordo e captura de imagens.

Ao longo da missão, foram obtidos quase 500 mil quilômetros quadrados de imagens da superfície terrestre.

Catarina-A2 avança para futuro lançamento

A experiência adquirida com o VCUB1 também contribuiu para o desenvolvimento do Catarina-A2, projeto do SENAI integrado à Constelação Catarina, programa liderado pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em março de 2026, o nanossatélite concluiu testes de vibração e termovácuo no INPE e ficou tecnicamente preparado para a próxima etapa antes do lançamento.

O projeto recebeu R$ 5 milhões em emendas da bancada catarinense e deverá produzir dados para aplicações em meteorologia, agricultura, defesa civil, logística e monitoramento ambiental.

A data da missão ainda depende da contratação e da disponibilidade de um veículo lançador.

Inovação também transforma resíduos em novos produtos

A carteira de projetos do estado vai além da indústria pesada. O Banana Têxtil, desenvolvido em parceria com empresas como Musa da Terra, Eurofios, Altenburg e Pacoa Eco, pesquisa formas de transformar fibras do pseudocaule da bananeira em tecido e barbante.

A iniciativa aproxima agricultura, indústria têxtil e economia circular, utilizando um resíduo agrícola como matéria-prima para produtos de maior valor agregado.

Outro projeto, concluído em 2026, concentrou esforços no desenvolvimento de tecnologias para proteína cultivada. A pesquisa envolveu 34 pesquisadores e R$ 6,5 milhões, com resultados que incluem novos meios de cultura, uma plataforma multiômica apoiada por inteligência artificial e biomoléculas com possíveis aplicações nos setores de alimentos, cosméticos e medicamentos.

MagBras aposta na produção de ímãs de terras raras

Na área de transição energética, o programa MagBras reúne R$ 73 milhões, 28 empresas — incluindo 12 mineradoras —, sete instituições científicas e tecnológicas e três fundações.

Iniciada em junho de 2025, a iniciativa terá 36 meses para estruturar no Brasil uma cadeia de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo etapas que vão da pesquisa mineral à fabricação e reciclagem.

Os materiais são considerados estratégicos para motores elétricos, equipamentos industriais e diferentes tecnologias associadas à economia de baixo carbono.

Projetos aproximam pesquisa e linha de produção

Um dos desafios da inovação industrial é levar tecnologias desenvolvidas em laboratório até a produção em escala. Projetos realizados com a General Motors (GM) mostram esse processo.

O Smart Die System, por exemplo, foi desenvolvido para ajustar ferramentas e monitorar operações de estamparia. Nos testes realizados, a solução elevou a produtividade de 12 para 20 peças por minuto.

Já o Spark Eyes permite monitorar em tempo real milhares de pontos de solda de um veículo e apresenta potencial para ser utilizado em outras fábricas da montadora.

Em parceria com a CNH, pesquisadores de Florianópolis desenvolveram ainda um sistema de visão computacional para automatizar funções de colhedoras de cana. A tecnologia foi testada na Flórida e posteriormente apresentada à divisão global da empresa na Bélgica.

O projeto resultou em 14 pedidos de patente no Brasil, Estados Unidos, China e Índia.

Financiamento reduz riscos para empresas

A expansão dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação é sustentada por uma combinação de contratos empresariais, recursos não reembolsáveis e mecanismos de compartilhamento do risco tecnológico.

Entre os instrumentos utilizados estão iniciativas da Embrapii, Finep, BNDES, Rota 2030 e Plataforma Inovação para a Indústria, além de recursos do próprio SENAI e parcerias com empresas, universidades, startups, fundações e instituições científicas.

O modelo busca reduzir a distância entre a criação de uma tecnologia e sua chegada ao mercado. Para as empresas, a divisão dos custos permite viabilizar projetos que podem exigir anos de desenvolvimento, testes e certificações antes de alcançar a produção em escala.

Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o avanço dos institutos contribui para fortalecer Santa Catarina como um polo de tecnologia e inovação de relevância nacional.

O volume acumulado de R$ 1,02 bilhão em inovação mostra a diversificação da pesquisa industrial catarinense. Os projetos abrangem setores que vão do agronegócio e da indústria automotiva ao petróleo, energia e espaço, com foco crescente em transformar conhecimento tecnológico em produtividade, competitividade e soluções de mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Indústria

Papel sulfite chinês ganha espaço no Brasil e indústria nacional pede aumento da tarifa de importação

A indústria brasileira de papel enfrenta uma nova pressão com o aumento das importações de papel sulfite asiático, especialmente da China e da Indonésia. O movimento ocorre após a adoção de barreiras comerciais pelos Estados Unidos, que reduziram o acesso desses países ao mercado norte-americano e levaram parte da produção excedente para outros destinos, incluindo o Brasil.

Com preços mais baixos que os praticados pela indústria nacional, o avanço do papel sulfite importado tem preocupado fabricantes brasileiros, que solicitaram ao governo federal medidas para conter o aumento das compras externas.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que representa cerca de 50 grandes empresas dos setores de papel e celulose, pediu à Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a elevação da tarifa de importação do chamado papel “cutsize”, utilizado principalmente em folhas A3 e A4.

Setor pede aumento do imposto sobre papel importado

Atualmente, a tarifa aplicada ao produto é de 16%. A proposta da Ibá é elevar a alíquota para 30%, percentual máximo permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a entidade, o fechamento de mercados internacionais para fornecedores asiáticos provocou uma mudança no fluxo comercial, direcionando volumes excedentes para países com maior abertura às importações.

A associação argumenta que o aumento das compras externas ocorreu em um ritmo acelerado e com preços considerados agressivos, afetando a competitividade das empresas brasileiras.

Importações de papel sulfite aumentam mais de 160%

Dados reunidos pela Ibá mostram que as importações de papel cutsize cresceram 160% entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período anterior.

O volume adquirido no exterior passou de 3,3 milhões de quilos para 8,5 milhões de quilos. Em valores financeiros, as compras aumentaram 123%, saindo de US$ 2,9 milhões para US$ 6,3 milhões.

Um dos fatores que impulsionaram esse avanço foi a queda no preço médio do produto estrangeiro, que recuou de US$ 0,90 para US$ 0,77 por quilo, redução de aproximadamente 14%.

De acordo com a Ibá, em alguns casos o papel importado da Ásia chega ao consumidor entre R$ 7 e R$ 35 mais barato que marcas fabricadas no Brasil.

Indústria brasileira tem capacidade, mas enfrenta perda de mercado

O Brasil possui uma indústria consolidada de celulose e papel, sendo um dos principais produtores mundiais do setor. Historicamente, o consumo interno de papel sulfite é abastecido majoritariamente pela produção nacional.

A capacidade instalada das fábricas brasileiras representa 143% do consumo doméstico, o que significa que o país poderia produzir cerca de 43% a mais do que o mercado interno atualmente demanda.

Para a Ibá, o avanço das importações pode provocar redução de investimentos e afetar a sustentabilidade econômica das empresas nacionais.

A entidade afirma que a combinação entre aumento das compras externas e preços reduzidos justifica a adoção de medidas emergenciais para proteger a produção brasileira.

Exportações brasileiras de papel também registram queda

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras de papel apresentam retração. Entre janeiro e maio de 2025, o país enviou ao exterior cerca de 150 milhões de quilos do produto. No mesmo intervalo deste ano, o volume caiu para 129 milhões de quilos.

Segundo a Ibá, o setor enfrenta uma dupla dificuldade: a redução da participação no mercado internacional e a perda de espaço dentro do próprio mercado brasileiro.

O diretor internacional da entidade, José Carlos da Fonseca Júnior, afirmou que a reorganização do comércio global após as restrições impostas pelos Estados Unidos criou novos desafios para produtores de diferentes países.

Ele destacou que parte dos produtos fabricados com celulose brasileira exportada para a China acaba retornando ao Brasil em forma de papel industrializado, com preços inferiores aos produtos nacionais.

Setor também busca proteção para papel-cartão

Além do papel sulfite, a indústria brasileira também apresentou pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de medicamentos, alimentos e produtos de higiene.

Em 2024, a Ibá solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a elevação da tarifa de importação desse produto de 12,5% para 25%. O governo autorizou aumento para 16%, com validade temporária.

Agora, a entidade afirma que o cenário piorou e defende uma nova elevação, desta vez para 35%, alegando que os produtos chegam ao país com preços que não refletem uma concorrência equilibrada.

China enfrenta barreiras comerciais nos Estados Unidos

Os Estados Unidos já aplicam medidas antidumping e compensatórias contra determinados tipos de papel produzidos na China e na Indonésia, além de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos chineses.

O governo norte-americano também abriu investigações sobre o excesso de capacidade industrial da China e possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais ao mercado.

A indústria brasileira de papel se junta a outros setores que têm solicitado aumento de tarifas de importação diante do crescimento das vendas de produtos chineses no país.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Araquém Alcântara/Divulgação

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