Indústria

Por que o Brasil está perdendo espaço na guerra global do aço

A indústria do aço brasileira enfrenta uma perda contínua de competitividade no cenário internacional. Enquanto a produção de aço bruto da China cresceu, em média, 7% ao ano entre 1985 e 2025, alcançando cerca de 1 bilhão de toneladas anuais, o Brasil permaneceu praticamente estagnado, com volumes entre 30 e 35 milhões de toneladas por ano.

O contraste chama atenção, sobretudo porque o país reúne vantagens estratégicas como reservas de minério de ferro de alta qualidade, ampla oferta de energia renovável e mão de obra qualificada. Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para sustentar uma expansão consistente do setor.

Custo elevado e ambiente desfavorável afastam investimentos

Especialistas apontam que a perda de competitividade passa por entraves estruturais conhecidos. O alto custo do capital, a carga tributária elevada, a logística deficiente e a insegurança jurídica comprometem a confiança de investidores, fornecedores e clientes da siderurgia nacional.

Esses fatores tornam a produção mais cara e reduzem a capacidade do país de competir com grandes players globais em preço e escala.

China amplia escala e domina exportações

A China adotou uma estratégia agressiva de expansão industrial, transformando-se em uma grande exportadora de excedentes. Em 2025, a previsão é que a indústria brasileira produza 33,6 milhões de toneladas, enquanto a chinesa deve superar 1 bilhão de toneladas, um volume cerca de 30 vezes maior.

A eficiência chinesa, sustentada por subsídios estatais e produção em larga escala, permite preços difíceis de serem alcançados por concorrentes internacionais.

Protecionismo avança no mundo, mas Brasil reage pouco

Diante da disputa global, grandes economias passaram a tratar a siderurgia como setor estratégico. O resultado foi o avanço de medidas protecionistas, como tarifas elevadas, salvaguardas, ações antidumping e cotas de importação.

O Brasil, porém, avançou de forma limitada. Desde 2002, a participação do aço chinês no mercado nacional saltou de 5% para mais de 30%, o equivalente a 6 milhões de toneladas por ano. Considerando importações indiretas, o volume chega a 12,5 milhões de toneladas.

Aço importado ganha espaço no mercado interno

Atualmente, parte da própria indústria brasileira passou a utilizar aço chinês, impulsionada por benefícios fiscais de ICMS em alguns estados. Além disso, a valorização do real frente ao dólar reduz a proteção natural da indústria nacional, tornando o produto importado ainda mais competitivo.

Queda de preços e prejuízos no setor

Com a concorrência chinesa em alta e a queda de 18% no preço do aço no mercado mundial desde dezembro de 2023, as siderúrgicas brasileiras acumulam prejuízos e reduzem investimentos. O cenário preocupa um setor que emprega mais de 120 mil pessoas no país.

O ambiente é considerado desestimulante para novos aportes e ameaça a sustentabilidade da cadeia produtiva do aço no Brasil.

Medidas urgentes para evitar desindustrialização

Analistas defendem a adoção de ações imediatas, como maior proteção tarifária, salvaguardas temporárias e uma política ativa de incentivo a investimentos. O objetivo é garantir condições mínimas de competitividade e preservar a indústria siderúrgica nacional.

Sem uma resposta rápida, o Brasil corre o risco de se tornar apenas fornecedor de minério de ferro, sem agregar valor, gerar empregos qualificados ou renda industrial — cenário oposto ao discurso adotado pelos governos desde os anos 2000.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tasso Marcelo/Estadão

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Indústria

Mato Grosso lidera produção industrial no país com alta de 7,2% em novembro

Mato Grosso alcançou o maior crescimento da produção industrial do Brasil em novembro de 2025, com avanço de 7,2%, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE. O resultado colocou o estado na liderança entre as 15 regiões analisadas e ficou bem acima da média nacional, que permaneceu estável no período.

O desempenho expressivo é atribuído, principalmente, à força da indústria ligada ao agronegócio e reforça a posição do estado como um polo relevante da indústria de transformação. A expectativa é de que o cenário positivo ganhe ainda mais impulso em 2026, com a entrada em vigor de novas regras tributárias.

Crescimento supera outros polos industriais

Na comparação com outubro, o avanço de Mato Grosso superou estados como Espírito Santo (4,4%) e Paraná (1,1%). O resultado se destaca ainda mais diante da retração registrada em importantes centros industriais do país, como Goiás (-6,4%), Amazonas (-2,8%) e Rio de Janeiro (-1,9%).

Esse contraste evidencia a resiliência da indústria mato-grossense, fortemente baseada no processamento de matérias-primas e na agregação de valor à produção local.

Agronegócio sustenta avanço industrial

De acordo com o Observatório de Mato Grosso, do Sistema Fiemt, o crescimento foi sustentado por segmentos diretamente ligados ao agronegócio. A indústria química, com destaque para a produção de fertilizantes, e o setor de alimentos, especialmente o processamento de carne bovina, foram os principais motores do resultado positivo.

A indústria de bebidas também teve contribuição relevante para o desempenho do mês, reforçando a diversidade do parque industrial estadual.

Ambiente favorável e segurança jurídica

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), César Miranda, os números refletem um ambiente marcado por segurança jurídica, incentivos estruturados e diálogo constante com o setor produtivo.

Segundo ele, o fortalecimento da indústria é estratégico para o desenvolvimento econômico. “A indústria gera empregos de melhor remuneração, diversifica a economia e reduz a dependência da exportação de produtos in natura”, afirma.

Integração logística impulsiona resultados

O presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, avalia que o crescimento de 7,2% confirma a capacidade de reação da indústria local e a importância da integração entre logística e mercado consumidor.

Ele destaca o papel do setor de alimentos, com ênfase no processamento de carnes bovinas frescas, refrigeradas e congeladas, além da indústria de bebidas, especialmente na produção de cervejas e chope.

Rangel ressalta ainda a relevância da indústria química. “A produção de fertilizantes minerais e químicos, como as fórmulas NPK, é fundamental para o agronegócio e para a segurança alimentar, o que explica o peso desse segmento no resultado”, pontua.

Novas regras tributárias devem impulsionar setor de bebidas

O cenário favorável tende a se intensificar em 2026 com a nova legislação tributária para microcervejarias artesanais. A partir de 1º de janeiro, serão enquadradas como microcervejarias as empresas com produção anual de até 5 milhões de litros, eliminando interpretações que geravam insegurança jurídica.

A mudança deve estimular a ampliação de plantas industriais, a modernização de equipamentos e novos investimentos, impulsionados também pelo crescimento do turismo gastronômico e pela valorização de produtos regionais.

Previsibilidade estimula investimentos e empregos

Segundo o governo estadual, a nova regra traz previsibilidade ao empresário e incentiva a formalização. Para César Miranda, critérios claros permitem o planejamento de expansões com mais segurança, impactando positivamente toda a cadeia produtiva.

“Isso se traduz em aumento da produção, geração de empregos e fortalecimento da indústria de transformação, especialmente a partir de 2026, quando esses projetos começam a maturar”, conclui o secretário.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sistema Fiemt/Divulgação

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Indústria

Montadoras pressionam contra cotas para carros chineses e alertam para impacto de R$ 103 bilhões

Disputa sobre cotas de importação ganha força
As montadoras instaladas no Brasil e fabricantes de autopeças intensificaram a mobilização contra as cotas de importação de carros chineses híbridos e elétricos isentos de imposto. O setor avalia que a manutenção do benefício pode gerar um impacto negativo de R$ 103 bilhões na cadeia automotiva nacional.

Cálculos técnicos foram elaborados pela Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos, como parte da preparação para o debate sobre o desempenho do setor em 2026 e os efeitos da política atual de importações.

Prazo das cotas termina no fim do mês
As cotas vigentes expiram no próximo dia 31 e permitem a importação, sem imposto, de veículos eletrificados parcialmente ou totalmente desmontados, desde que a montagem final ocorra no Brasil. O modelo é conhecido como SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), formato adotado por montadoras chinesas como a BYD, na Bahia.

A indústria teme que o benefício seja prorrogado e atua de forma preventiva para influenciar o governo antes mesmo de um eventual pedido chegar à Camex.

Modelo produtivo preocupa indústria nacional
Segundo a Anfavea, as cotas reduzem a complexidade produtiva no País. Em um cenário extremo, no qual montadoras com operação completa passassem a apenas montar veículos importados, a cadeia de autopeças teria queda anual de R$ 103 bilhões em encomendas.

Esse movimento resultaria em perda estimada de R$ 26 bilhões em arrecadação de ICMS e PIS/Cofins, além de impactos severos no emprego e na balança comercial.

Empregos e arrecadação em risco
O estudo aponta a possível eliminação de 69 mil postos de trabalho nas montadoras e outras 227 mil vagas em fornecedores, o que reduziria em R$ 18 bilhões a arrecadação de tributos federais sobre a folha. O custo adicional com seguro-desemprego poderia chegar a R$ 4 bilhões.

Também são estimados R$ 12 bilhões em saques do FGTS e uma redução de R$ 35 bilhões no poder de compra dos trabalhadores. Na balança comercial, o impacto poderia alcançar R$ 42 bilhões, considerando exportações que deixariam de ocorrer.

Efeito em cadeia preocupa setor
Mesmo uma migração parcial para esse modelo já traria consequências relevantes. Segundo a Anfavea, se apenas 10% da indústria adotasse o formato de baixa complexidade, o impacto sobre fornecedores chegaria a R$ 10,3 bilhões.

A entidade alerta ainda que investimentos já anunciados por montadoras e fabricantes de componentes, que somam R$ 190 bilhões, podem perder sentido caso o modelo de importação com benefícios seja ampliado.

Críticas ao modelo CKD e SKD
Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, os regimes CKD e SKD podem ser aceitáveis como fase inicial de instalação de novas montadoras, mas se tornam problemáticos quando associados a grandes volumes.

Segundo ele, esse formato reduz custos trabalhistas, logísticos e industriais no Brasil, favorecendo importações com carga tributária menor e criando uma concorrência desigual com quem produz localmente com impostos cheios.

Cotas envolvem até 30 mil veículos
As cotas atuais autorizam a importação de até US$ 463 milhões em veículos híbridos e elétricos desmontados, volume estimado em cerca de 30 mil automóveis. O receio do setor é que prazos sejam estendidos ou que novas cotas sejam liberadas.

Até o momento, a Camex informou que não recebeu pedido formal de renovação, mas entidades do setor, como o Sindipeças, já se manifestaram oficialmente contra qualquer prorrogação.

Autopeças também alertam para perdas
O Sindipeças estima que as importações de veículos eletrificados retiram cerca de R$ 97 bilhões em faturamento do setor de autopeças e representam uma renúncia fiscal de R$ 24 bilhões. A entidade também aponta risco de redução expressiva da força de trabalho e desestímulo a novos investimentos.

Histórico de tensão com montadoras chinesas
Em 2024, pedidos da BYD para redução permanente das alíquotas já haviam provocado reação da indústria, incluindo manifestação direta ao presidente da República. Na ocasião, as montadoras tradicionais alertaram para riscos de desindustrialização, enquanto a marca chinesa acusou o setor de tentar barrar a inovação.

A Camex não reduziu as tarifas, mas autorizou as cotas temporárias, agora próximas do vencimento.

Posição das empresas
A GWM, que monta veículos em Iracemápolis, afirmou que não solicitou renovação de cotas ou isenções para produção em CKD. A BYD não se manifestou até a publicação.

Para a Anfavea, o ponto central é garantir competição equilibrada. Segundo Calvet, conceder incentivos tributários para grandes volumes importados compromete a sustentabilidade da indústria automotiva nacional.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Indústria

GWM planeja segunda fábrica de carros no Brasil

A montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) planeja instalar sua segunda fábrica de carros no Brasil no Espírito Santo. O termo de compromisso para viabilizar o projeto foi assinado nesta quarta-feira (14), na China, pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e representantes da empresa.

A iniciativa marca um novo passo na estratégia de expansão da GWM no mercado brasileiro, com foco na produção de carros elétricos.

Aracruz é apontada como sede da nova fábrica
A previsão é que a nova unidade industrial seja instalada em Aracruz, no Norte do estado, em uma área destinada ao desenvolvimento do ParkLog, polo logístico e industrial da região.

A informação foi confirmada pelo governador Renato Casagrande (PSB) durante um evento realizado em Vitória. Segundo ele, a chegada da montadora chinesa representa um avanço estrutural para a economia local.

Economia mais sofisticada e novos investimentos
De acordo com Casagrande, a instalação de uma fábrica de automóveis no Espírito Santo tende a elevar o nível de complexidade da economia estadual e atrair novos negócios ligados à cadeia automotiva.

O governador destacou que o projeto pode estimular a vinda de fornecedores, prestadores de serviços e outros empreendimentos industriais associados ao setor.

Plano bilionário da GWM no Brasil
No ano passado, a GWM anunciou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 10 bilhões no Brasil ao longo de dez anos. Apenas na segunda fase do projeto, prevista para o período entre 2027 e 2032, a expectativa é de aportes superiores a R$ 6 bilhões.

Os valores reforçam a aposta da montadora chinesa na expansão da produção nacional e no crescimento do mercado de veículos elétricos e híbridos.

Empregos e capacidade ainda não foram divulgados
Procurada para detalhar a capacidade produtiva da futura fábrica e o número de empregos que poderão ser gerados no Espírito Santo, a empresa informou que ainda não há dados oficiais sobre esses pontos.

As definições devem ocorrer nas próximas etapas do projeto.

Única fábrica atual fica em São Paulo
Atualmente, a GWM conta com apenas uma fábrica nas Américas e no Hemisfério Sul. A unidade foi inaugurada em agosto de 2025, em Iracemápolis, no interior de São Paulo.

A planta paulista emprega cerca de 600 trabalhadores e possui capacidade para produzir 50 mil veículos por ano.

Modelos produzidos no Brasil
Na fábrica de Iracemápolis, a montadora produz três modelos: o SUV híbrido Haval H6, a picape média Poer P30 e o SUV de sete lugares Haval H9.

Com a possível instalação da nova unidade no Espírito Santo, a expectativa é de ampliação do portfólio e da presença da marca no mercado nacional.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/GWM

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Indústria

Produção industrial de Santa Catarina cresce 3,4% em 2025 e supera média nacional

A produção industrial de Santa Catarina acumulou alta de 3,4% em 2025 até novembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado colocou o estado na terceira posição nacional entre os maiores crescimentos da atividade industrial, segundo dados do Observatório FIESC.

O desempenho catarinense ficou bem acima da média brasileira, que avançou 0,6% no período, conforme levantamento do IBGE.

Diversidade industrial sustenta crescimento
Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, os números refletem a capacidade de adaptação do setor produtivo estadual.

Mesmo diante de desafios como o impacto do tarifaço internacional e a desaceleração das exportações para a China, a indústria local conseguiu ampliar a produção. Segundo ele, a diversidade de segmentos industriais foi decisiva para sustentar o crescimento.

Produtos de metal lideram expansão
Entre os setores industriais, o maior avanço no acumulado do ano foi registrado na fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com crescimento de 12,3%.

De acordo com o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, o desempenho está diretamente ligado ao bom momento da construção civil, tanto de edifícios residenciais quanto de obras de infraestrutura em Santa Catarina.

Máquinas e materiais elétricos ganham força
O segundo maior crescimento veio da fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançou 7,8% até novembro.

Segundo Bittencourt, o resultado foi impulsionado pela expansão das exportações industriais, com a abertura de novos mercados e a realocação de vendas antes concentradas nos Estados Unidos para destinos como Argentina, Chile e União Europeia. O programa de depreciação acelerada também contribuiu para o desempenho do setor.

Agronegócio impulsiona máquinas e equipamentos
A fabricação de máquinas e equipamentos registrou alta de 5,9% no período, beneficiada pelo bom momento do agronegócio, que teve safra recorde em 2025.

A produção de equipamentos agrícolas tem peso relevante na indústria catarinense e gerou efeitos positivos em cadeia. Assim como em outros segmentos, os incentivos fiscais ligados à depreciação acelerada ajudaram a estimular investimentos.

Incentivos reduziram impacto dos juros
Bittencourt destaca que programas de incentivo, como a depreciação acelerada e linhas de crédito com taxas mais atrativas, ajudaram a amenizar os efeitos da taxa Selic em 10% ao ano. O nível elevado de consumo das famílias também foi um fator favorável ao desempenho industrial ao longo do ano.

Produção industrial recua em novembro
Na análise mensal, porém, o cenário é menos favorável. Em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024, a produção industrial de SC recuou 1,4%, queda superior à média nacional, que foi de 1,2%.

O resultado reflete um ambiente econômico mais restritivo no curto prazo.

Bens não duráveis seguem em alta
Apesar da retração mensal, os bens de consumo não duráveis, como alimentos e embalagens, mantiveram crescimento.

Segundo a economista Tainara Venâncio de Souza, do Observatório FIESC, o desempenho foi sustentado pela renda das famílias e por efeitos residuais da recomposição do poder de compra ao longo do ano.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Indústria

Brasil acelera estratégia no gás natural, reduz dependência da Bolívia e mira liderança energética na América do Sul

Movimento estratégico reposiciona o Brasil no gás natural
O Brasil iniciou uma transformação silenciosa, porém estrutural, no setor de gás natural, capaz de alterar o equilíbrio energético da América do Sul. Com investimentos bilionários, avanço tecnológico e uma infraestrutura industrial de alta complexidade, o país reduz sua dependência histórica da Bolívia e amplia sua influência regional no setor energético.

A análise foi detalhada pelo canal Geopolítica de Concreto, que aponta uma mudança estratégica profunda, com impacto direto na geopolítica do mercado de energia sul-americano.

Bolívia perdeu centralidade como principal fornecedora
Por décadas, a Bolívia ocupou posição central como exportadora de gás natural na região. Grandes campos produtores sustentaram a economia do país e garantiram fornecimento estratégico aos vizinhos, especialmente ao Brasil.

A partir dos anos 2000, com a expansão das termoelétricas e do parque industrial brasileiro, mais de 70% do gás consumido internamente passou a ser importado do território boliviano, criando uma relação de dependência que moldou políticas energéticas por anos.

Infraestrutura brasileira reduz vulnerabilidades externas
Esse cenário começou a mudar de forma consistente. O Brasil passou a estruturar uma ampla rede de produção, processamento e distribuição de gás natural e gases industriais, com foco em autonomia logística e segurança do abastecimento.

O projeto envolve gasodutos, terminais, plantas industriais, sistemas de liquefação, unidades de processamento e novas rotas logísticas integradas, capazes de atender diferentes setores da economia nacional.

Gás natural como base da indústria nacional
A estratégia vai além da segurança energética. O gás natural passa a ser tratado como plataforma industrial, integrada a cadeias como fertilizantes, siderurgia, mineração, petroquímica, geração elétrica, indústria alimentícia, farmacêutica e hospitalar.

Nesse novo modelo, o insumo deixa de ser apenas fonte de energia e assume papel central na agregação de valor e no fortalecimento da indústria brasileira.

White Martins lidera investimento bilionário
No centro desse avanço está a White Martins, que anunciou um plano de investimentos de R$ 1 bilhão até 2026. O aporte será destinado à ampliação e modernização da infraestrutura de gases industriais no Brasil, configurando uma das maiores apostas do setor nas últimas décadas.

Segundo o Geopolítica de Concreto, trata-se de um investimento com efeito estrutural, voltado à eliminação de gargalos históricos e à elevação do padrão industrial do país.

Mais eficiência e competitividade para a indústria
Com a nova infraestrutura, a indústria brasileira reduz vulnerabilidades logísticas, amplia a capacidade de atendimento ao mercado interno e passa a operar em níveis próximos aos de economias industrializadas.

O resultado é menor dependência externa, ganho de eficiência produtiva e aumento da competitividade industrial no longo prazo.

Mudança na relação Brasil-Bolívia
Enquanto a Bolívia construiu sua influência regional exportando gás bruto, o Brasil avança sobre etapas mais lucrativas da cadeia de valor. O antigo cliente passa a dominar processos de transformação, industrialização e distribuição.

Essa mudança altera a lógica da dependência bilateral e redefine o equilíbrio energético regional.

Infraestrutura invisível sustenta setores críticos
Diferentemente de grandes obras públicas, essa transformação ocorre de forma discreta. A nova infraestrutura inclui gasodutos subterrâneos, plantas criogênicas, tanques refrigerados, sistemas de separação, unidades de liquefação, caminhões especializados e redes de distribuição que operam continuamente.

É essa base que garante oxigênio a hospitais, mantém siderúrgicas em operação ininterrupta e viabiliza a produção industrial em larga escala.

Gases industriais como ativo estratégico
Os gases industriais são essenciais para setores sensíveis. Na siderurgia, asseguram controle térmico preciso. Na indústria farmacêutica, garantem pureza e esterilidade. No setor alimentício, viabilizam conservação e transporte sem perda de qualidade.

Não por acaso, países como Alemanha, Coreia do Sul e China tratam esse segmento como estratégico.

Brasil se aproxima de economias avançadas
Ao adotar esse modelo, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de países que enxergam o gás natural e os gases industriais como ativos estratégicos de desenvolvimento econômico.

Esse movimento tem atraído atenção de analistas e mercados internacionais, que observam a velocidade e a profundidade da transformação em curso.

Impactos diretos na economia boliviana
Para a Bolívia, os efeitos são imediatos. O gás natural sempre foi uma das principais fontes de receita e influência do país. Com o principal comprador avançando sobre as etapas mais rentáveis da cadeia, a centralidade boliviana tende a diminuir.

Origem da dependência energética brasileira
A dependência teve origem nos anos 1990, quando o Brasil buscou diversificar sua matriz energética e reduziu a exposição ao petróleo. A construção do Gasbol conectou campos bolivianos ao mercado brasileiro, garantindo estabilidade ao Brasil e impulsionando a economia da Bolívia.

Cenário energético global mudou
Com o tempo, o Brasil ampliou reservas internas, investiu em terminais marítimos de importação e desenvolveu tecnologias de armazenamento e distribuição de gás. A Bolívia, por outro lado, enfrentou dificuldades na manutenção de seus campos e perdeu competitividade relativa.

Investimento com efeito multiplicador
O aporte da White Martins vai além dos números. Ele se traduz em novos equipamentos, plantas industriais, quilômetros de gasodutos e geração de milhares de empregos diretos e indiretos, movimentando cadeias de engenharia, logística e manufatura especializada.

Gás industrial é insubstituível
Diferentemente da eletricidade, o gás possui propriedades químicas e térmicas específicas. Ele é essencial para processos industriais que exigem precisão, controle e estabilidade, sendo difícil de substituir em larga escala.

Infraestrutura prepara o caminho para o hidrogênio
A estrutura em desenvolvimento também prepara o país para o avanço do hidrogênio, apontado como combustível estratégico das próximas décadas. Tanques criogênicos, sistemas de liquefação e compressão são semelhantes aos já em implantação.

Ao investir agora, o Brasil reduz dependência futura de estruturas externas.

Brasil avança enquanto Bolívia renegocia
Enquanto a Bolívia concentra esforços em renegociar contratos e preservar mercados tradicionais, o Brasil avança para a próxima etapa da cadeia, transformando gás natural em produtos, tecnologia e capacidade industrial.

A mudança silenciosa pode redefinir de forma duradoura a geopolítica do gás na América do Sul.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Indústria

Nova Indústria Brasil impulsiona reindustrialização com inovação e sustentabilidade

Ao longo de 2025, o Brasil consolidou a retomada dos investimentos industriais, com impactos diretos na geração de empregos, na inovação e no crescimento econômico. A política da Nova Indústria Brasil (NIB) tem demonstrado como a aplicação estratégica de recursos públicos pode acelerar a reindustrialização do país, ampliar oportunidades de trabalho e elevar a qualidade dos produtos oferecidos à população.

O principal instrumento financeiro da iniciativa, o Plano Mais Produção, alcançou R$ 643,3 bilhões em recursos no último ano. Desse total, R$ 588,4 bilhões já foram direcionados, entre 2023 e 2025, a cerca de 406 mil projetos distribuídos em todas as regiões do país. As ações seguem as seis missões estratégicas da NIB e têm fortalecido fábricas, modernizado parques industriais, incentivado novas tecnologias e ampliado a produção sustentável em empresas de diferentes portes.

Ciência e tecnologia no centro da reindustrialização

A inovação industrial é um dos pilares da Nova Indústria Brasil. A política aproxima universidades, institutos de pesquisa e ICTs do setor produtivo, levando o conhecimento científico diretamente para a indústria e o comércio.

Iniciativas como o desenvolvimento de um ônibus elétrico 100% nacional, a criação de um coquetel enzimático para produção de etanol a partir de resíduos agrícolas e soluções avançadas em inteligência artificial exemplificam como o investimento em ciência se converte em competitividade, redução de impactos ambientais e avanço tecnológico.

Em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o potencial brasileiro. “Não existe hoje ninguém capaz de competir com a fartura de possibilidades que nós temos”, afirmou. Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou que os dados confirmam a estratégia adotada. “O presidente Lula disse que 2025 seria o ano da colheita. Os investimentos mostram a qualidade das sementes plantadas neste governo”, declarou.

Mais inovação e produtividade nas empresas

Os números reforçam o avanço. O eixo Mais Inovação, dentro da NIB, já contratou R$ 108 bilhões, com R$ 60 bilhões desembolsados. O programa Crédito Indústria 4.0 destinou R$ 12 bilhões para a aquisição de máquinas modernas, apoiando a modernização industrial e o aumento da produtividade.

Outro destaque é o Brasil + Produtivo, que atendeu 67,5 mil pequenas e médias empresas em apenas dois anos. O programa registrou crescimento médio de 28% na produtividade e ganho de 19% em eficiência energética, alcançando setores da indústria, do comércio e dos serviços.

Depreciação acelerada estimula investimentos privados

Lançada em 2024, a política de depreciação acelerada tem se mostrado eficaz para incentivar a renovação do parque industrial. Com R$ 1,7 bilhão já utilizados, o programa estimulou R$ 4,7 bilhões em investimentos privados para a compra de máquinas e equipamentos novos em 24 setores industriais.

O mecanismo permite que empresas abatam o valor dos investimentos no Imposto de Renda e na Contribuição Social em apenas dois anos, em vez do prazo tradicional de cerca de dez anos, facilitando decisões de investimento e ampliando a capacidade produtiva.

Programa Mover fortalece a indústria automotiva

No setor automotivo, o Programa Mover simboliza a nova fase da política industrial. Em 2025, foram liberados R$ 3,8 bilhões em crédito, com previsão de R$ 3,9 bilhões para o próximo ano. A iniciativa já mobilizou R$ 190 bilhões em investimentos privados, fortalecendo a cadeia automotiva, das montadoras às autopeças, com foco em eficiência energética, inovação e segurança.

Esse ambiente favorável voltou a atrair grandes projetos industriais. A Great Wall Motor (GWM) inaugurou sua primeira fábrica nas Américas, em Iracemápolis (SP), dedicada à produção de veículos híbridos e elétricos. Já a BYD Brasil iniciou a produção nacional em Camaçari (BA), consolidando o país como polo estratégico da empresa na América Latina.

Brasil como polo da transição verde

Durante a inauguração da fábrica da BYD, o presidente global da empresa, Wang Chuanfu, destacou o país como cenário ideal para investimentos. Segundo ele, o Brasil reúne energia limpa abundante, sociedade aberta à inovação e uma política industrial voltada à transição verde. “O Brasil é líder na transformação verde e acreditamos que vamos ajudar a acelerar a transição energética, criar novas indústrias e empregos”, afirmou.

Carro Sustentável amplia acesso e fortalece a indústria

O Programa Carro Sustentável também trouxe benefícios diretos às famílias. A iniciativa zerou o IPI de veículos de entrada fabricados no Brasil, com motor flex, baixa emissão de CO₂ e alto índice de reciclabilidade. Desde julho, as vendas desses modelos cresceram 51% em relação ao mesmo período do ano anterior, sem impacto fiscal para o governo.

Medidas adicionais reduziram custos para trabalhadores do setor de transporte. Taxistas passaram a renovar o taxímetro a cada dois anos, com taxa zerada, enquanto caminhoneiros e empresas de ônibus tiveram redução no valor do cronotacógrafo, de R$ 207 para R$ 90.

Comércio exterior bate recordes históricos

Os reflexos da Nova Indústria Brasil também aparecem no comércio exterior. Em 2025, o país registrou US$ 349 bilhões em exportações, novo recorde histórico e US$ 9 bilhões acima do resultado de 2023. A corrente de comércio alcançou US$ 629,1 bilhões, o maior nível já registrado.

As negociações internacionais reduziram os impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos e preservaram a competitividade dos produtos brasileiros, especialmente os industriais. “Conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os existentes, mesmo em um cenário geopolítico desafiador”, afirmou Alckmin.

Os últimos três anos concentram os melhores resultados da balança comercial brasileira, impulsionados também por acordos como Mercosul–Singapura e Mercosul–EFTA, que ampliam o acesso a mercados estratégicos.

Ambiente de negócios atrai capital estrangeiro

A melhoria do ambiente regulatório é outro fator de destaque. A futura Janela Única de Investimento, desenvolvida em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), deve reduzir burocracias e custos para investidores.

Os efeitos já são visíveis. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil recebeu US$ 84 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto, o maior volume da última década, posicionando o país como o segundo maior destino de investimentos estrangeiros no mundo.

FONTE: Secretaria de Comunicação Social
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Indústria

Situação na Venezuela: FIESC monitora cenário e avalia possíveis reflexos para Santa Catarina

A FIESC acompanha de forma cautelosa os desdobramentos da situação na Venezuela e considera que ainda é cedo para indicar impactos diretos sobre a indústria de Santa Catarina. Segundo a entidade, o comércio exterior entre o estado e o país vizinho tem peso reduzido na balança comercial catarinense.

Comércio bilateral tem participação limitada

Em 2025, as transações com a Venezuela representaram apenas 0,24% das exportações e 0,12% das importações de Santa Catarina. O principal produto exportado pelo estado foi uma máquina agrícola, que somou US$ 15 milhões em vendas.

No fluxo inverso, os adubos e fertilizantes lideraram as importações de origem venezuelana. Esses insumos corresponderam a 3% das importações catarinenses do setor, com volume financeiro de US$ 126 milhões. Em seguida, aparece o alumínio bruto, com compras de US$ 93 milhões, o que colocou a Venezuela como o terceiro maior fornecedor desse produto para o estado.

Relações internacionais e impactos econômicos

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destaca que a expectativa da entidade é que o posicionamento do Brasil diante do cenário venezuelano não interfira nas negociações com os Estados Unidos, especialmente no debate sobre o Tarifaço. A federação defende que as tratativas sigam orientadas por critérios técnicos, preservando os interesses da indústria nacional.

Imigração venezuelana entra no radar da indústria

Outro ponto observado pela FIESC é a imigração venezuelana. Dados da Operação Acolhida indicam que 27,2 mil venezuelanos foram interiorizados para Santa Catarina entre abril de 2018 e janeiro de 2024.

De acordo com Seleme, a mão de obra venezuelana tem papel relevante no preenchimento de vagas e no atendimento à demanda crescente por trabalhadores na indústria catarinense. Ele avalia que, a depender dos próximos acontecimentos, existe a possibilidade de o país de origem voltar a se tornar atrativo para esses imigrantes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Brasil

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Indústria

Fundo da Marinha Mercante destina R$ 218 milhões para projetos no Sul do Brasil

O Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou a destinação de R$ 218,8 milhões para projetos no Sul do país, com foco na ampliação da frota, modernização de estaleiros e fortalecimento da cadeia produtiva naval. Os recursos foram autorizados durante a última reunião de 2025 do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), realizada em 17 de dezembro e coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Apoio estratégico ao desenvolvimento industrial

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os investimentos reforçam o papel estratégico do FMM no crescimento da indústria nacional.
“Estamos utilizando o Fundo da Marinha Mercante como instrumento de desenvolvimento. Esses projetos impulsionam inovação, competitividade e geração de empregos, além de fortalecer um setor essencial para o país”, afirmou.

Projetos beneficiam Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Os recursos aprovados contemplam empreendimentos nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, regiões reconhecidas como polos relevantes da indústria naval brasileira.

Em Santa Catarina, os investimentos incluem modernização de estaleiros, construção de embarcações para navegação interior, transporte de passageiros, apoio portuário e operações marítimas. As iniciativas ampliam a capacidade produtiva local e fortalecem atividades como docagem, reparo e construção naval.

Já no Rio Grande do Sul, os recursos serão aplicados na modernização de embarcações voltadas à navegação interior, com foco em eficiência operacional, segurança e confiabilidade do transporte hidroviário.

Impacto regional e geração de empregos

De acordo com o ministro, os aportes reforçam o compromisso do governo federal com o desenvolvimento regional.
“Cada projeto aprovado significa mais empregos, renda e oportunidades, além de fortalecer a logística nacional e a competitividade do setor naval”, destacou.

Ano histórico para o Fundo da Marinha Mercante

A reunião que aprovou os investimentos no Sul encerrou um ano histórico para o FMM. Somente nesta 61ª reunião, foram autorizados R$ 5 bilhões em projetos em todo o país. No acumulado de 2025, o volume aprovado chegou a R$ 32,1 bilhões, com potencial de gerar milhares de empregos diretos e indiretos e impulsionar a indústria naval brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Detroit Brasil

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Indústria

Gecex aprova medidas para fortalecer a indústria nacional e ampliar a competitividade no comércio exterior

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou, nesta quinta-feira (18/12), um conjunto de decisões voltadas ao fortalecimento da indústria nacional e ao aprimoramento da política comercial brasileira. A deliberação ocorreu durante a 232ª reunião ordinária do colegiado, a última do ano, e envolveu temas como redução tarifária, defesa comercial, estímulo a investimentos e reciprocidade econômica.

Redução de tarifas para insumos estratégicos

Entre as medidas aprovadas estão reduções temporárias do Imposto de Importação, aplicadas tanto à Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec) quanto ao mecanismo de desabastecimento. A iniciativa busca assegurar maior previsibilidade e regularidade no fornecimento de insumos essenciais, beneficiando setores estratégicos da economia.

Concessão de Ex-tarifários estimula investimentos e inovação

O colegiado também autorizou a concessão de Ex-tarifários para bens sem produção nacional equivalente. Foram aprovados 1.206 benefícios para bens de capital (BK), 119 para bens de informática e telecomunicações (BIT) e três para bens de capital autopropulsados. As concessões, que incluem prorrogações e renovações, terão validade de até dois anos e visam impulsionar investimentos, modernização produtiva e inovação tecnológica no parque industrial brasileiro.

Medidas antidumping reforçam a defesa comercial

No campo da defesa comercial, o Gecex aprovou a aplicação de direitos antidumping definitivos, com base em análises técnicas conduzidas pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC.
Entre os destaques estão a imposição de direito antidumping sobre cabos de fibras ópticas, posteriormente modulada por razões de interesse público, além da aplicação da medida sobre fibras ópticas. O colegiado também prorrogou direitos antidumping para fios de náilon, louças de mesa e pneus automotivos, e decidiu suspender a cobrança sobre luvas para procedimentos não cirúrgicos, igualmente por interesse público.

Elevação tarifária temporária para conter desequilíbrios comerciais

Outra decisão relevante foi a elevação temporária do Imposto de Importação para parafusos e produtos químicos, no âmbito da Lista de Elevações Tarifárias por Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (Lista DCC). A medida tem como objetivo proteger a indústria brasileira diante de aumentos atípicos e expressivos nas importações desses itens.

Reciprocidade econômica entra na pauta

Cumprindo prazos legais, o Gecex aprovou ainda o enquadramento de um pleito relacionado à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025) aos Estados Unidos. Quanto às próximas etapas, o comitê decidiu aguardar o avanço das consultas diplomáticas antes de avaliar a criação de um grupo de trabalho previsto no Decreto nº 12.551/2025.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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