Indústria

Empresas como Weg, Tupy e Schulz investem em terras raras para criar cadeia nacional de ímãs no Brasil

Um grupo estratégico de indústrias do Norte de Santa Catarina está na linha de frente de um projeto inédito no país voltado à exploração de terras raras no Brasil. Empresas como Weg, Tupy e Schulz, com operações em Jaraguá do Sul e Joinville, integram o MagBras, iniciativa que reúne 38 organizações com o objetivo de viabilizar a produção nacional de ímãs permanentes.

Coordenado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o projeto busca estruturar, pela primeira vez, uma cadeia produtiva completa, indo da extração mineral à fabricação de ímãs de alto desempenho, fundamentais para setores estratégicos da indústria.

O que são terras raras e por que são estratégicas

As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente associados a outros minérios, o que torna sua extração e separação processos caros e tecnologicamente complexos. Apesar do nome, esses elementos não são escassos, mas difíceis de isolar em alta pureza.

Entre os principais usos está o neodímio-ferro-boro, material essencial para a produção de ímãs permanentes, componentes críticos em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, dispositivos médicos, além de aplicações na indústria de defesa e energia.

Brasil tem grandes reservas, mas ainda depende da China

Atualmente, a China concentra cerca de 40% das reservas globais de terras raras, liderando também o processamento e fornecimento desses materiais. O Brasil aparece na sequência, com aproximadamente 23% das reservas mundiais, o equivalente a 21 milhões de toneladas, mas ainda não explora esse potencial de forma industrial, dependendo de importações.

Segundo Luís Gonzaga Trabasso, pesquisador-chefe do Senai de Inovação em Sistemas de Manufatura e Processamento a Laser de Santa Catarina, a demanda por ímãs segue elevada no mercado global, impulsionada pela transição energética e pela eletrificação da economia.

Indústrias participam do desenvolvimento dos ímãs

Durante a execução do MagBras, empresas como Weg, Tupy e Schulz contribuem diretamente com dados técnicos para a pesquisa, especialmente relacionados à composição metálica dos ímãs. As proporções dos elementos influenciam diretamente a intensidade do campo magnético e a adequação do produto a diferentes aplicações industriais.

De acordo com Trabasso, cada uso exige uma configuração específica. Ímãs destinados a motores elétricos, por exemplo, possuem características distintas daqueles aplicados em geradores eólicos. A definição dessas “receitas” permitirá, no futuro, que as empresas fabriquem seus próprios componentes com maior eficiência e competitividade.

Aliança industrial reúne empresas, centros de pesquisa e universidades

O projeto MagBras é sustentado por uma aliança industrial que envolve empresas, startups, centros de inovação, instituições de pesquisa, universidades e fundações de apoio, cobrindo diferentes etapas da cadeia produtiva.

No lançamento oficial do projeto, realizado em julho, o superintendente de Inovação e Tecnologia do SENAI Nacional, Roberto de Medeiros Júnior, destacou o caráter estratégico da iniciativa. Segundo ele, o projeto nasceu de uma necessidade concreta do país e só se tornou viável graças à cooperação entre os diversos atores envolvidos.

Joinville tem papel-chave na manufatura dos ímãs

A cidade de Joinville, maior polo industrial de Santa Catarina, exerce papel central no MagBras por sua expertise em manufatura aditiva metálica, tecnologia que permite a produção de peças tridimensionais a partir de modelos digitais, semelhante à impressão 3D de metais.

Esse conhecimento é fundamental para a fabricação experimental de ímãs com geometrias específicas, adaptadas a diferentes tipos de motores e equipamentos. O objetivo não é a produção em escala comercial, mas o desenvolvimento de processos que possam ser replicados futuramente por outras indústrias interessadas.

Após a transformação dos minérios em metais, o projeto avança para a moldagem e fabricação dos ímãs, que posteriormente poderão ser aplicados em diversas soluções industriais, fortalecendo a indústria nacional de alta tecnologia.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Indústria

Mesorregião Oeste de Santa Catarina concentra polos industriais com forte presença internacional

A mesorregião Oeste de Santa Catarina abriga dois polos industriais com expressiva inserção internacional: alimentos e bebidas e madeira e móveis. Juntos, esses segmentos responderam pela maior parte das exportações regionais em 2024, que somaram US$ 1,45 bilhão.

Do total exportado, US$ 638 milhões tiveram origem no polo de alimentos e bebidas, enquanto a indústria de madeira e móveis contribuiu com US$ 385,9 milhões. Os dados fazem parte de um levantamento do Observatório Nacional da Indústria, realizado pelo Observatório FIESC, que identificou as principais concentrações produtivas estratégicas do país.

Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o desempenho internacional desses setores confirma a relevância econômica do Oeste catarinense. “São cadeias produtivas consolidadas, com alta capacidade exportadora, forte geração de empregos e integração competitiva aos mercados globais”, afirma.

Indústria regional gera empregos e movimenta a economia

A mesorregião Oeste reúne 11,4 mil indústrias, inseridas em um universo de 50,2 mil estabelecimentos, e concentra 190,9 mil trabalhadores industriais, de um total de 437,3 mil empregos formais.

Chapecó lidera em número de trabalhadores na indústria, com 38,39 mil empregados, seguida por Caçador (13,9 mil) e Concórdia (11,7 mil). O município também ocupa a primeira posição em número de estabelecimentos industriais, com 2,4 mil indústrias, à frente de Concórdia (662) e Caçador (460).

Polo de alimentos e bebidas lidera exportações

O polo internacional de alimentos e bebidas é o maior da região em valor exportado. O segmento reúne 1.023 estabelecimentos e emprega 85,3 mil trabalhadores. Em 2024, os principais produtos exportados foram carne suína, com US$ 367 milhões, carnes de aves (US$ 129,4 milhões) e outras preparações de carnes (US$ 74,4 milhões).

Os principais destinos das exportações foram Chile (US$ 118 milhões), Filipinas (US$ 95,5 milhões) e Japão (US$ 79,6 milhões).

Entre as empresas de destaque está a Aurora Coop, que exporta para mais de 80 países. Em 2024, a cooperativa respondeu por 21,6% das exportações brasileiras de carne suína e por 8,4% das exportações de carne de frango. De acordo com o presidente da Aurora, Neivor Canton, a expansão internacional é prioridade estratégica. Em maio de 2025, a cooperativa inaugurou seu primeiro escritório comercial na China, com foco no mercado de carnes suína e de aves, e planeja ampliar a atuação para Hong Kong, Vietnã e outros países do sudeste asiático.

Outra grande exportadora é a BRF. A unidade de Chapecó é a maior produtora de perus de Santa Catarina e exporta peru, frango e empanados para mais de 50 países. As plantas de Concórdia e Herval d’Oeste exportam cortes suínos, enquanto a unidade de Videira atende também mercados do Oriente Médio.

Madeira e móveis ampliam presença no mercado externo

O polo de madeira e móveis da mesorregião Oeste reúne 1.263 estabelecimentos e emprega cerca de 21 mil trabalhadores. Em 2024, as exportações do segmento alcançaram US$ 385,9 milhões, impulsionadas principalmente por obras de carpintaria (US$ 146,5 milhões), móveis (US$ 83,3 milhões) e madeira em forma (US$ 54,9 milhões).

Os Estados Unidos foram o principal destino, com US$ 240,5 milhões, seguidos por Reino Unido (US$ 17,4 milhões) e França (US$ 15,9 milhões).

Seleme destaca que a indústria regional se diferencia pelo uso de tecnologia e por processos sustentáveis, com reaproveitamento integral da madeira. A proximidade com o setor florestal, segundo ele, reforça a competitividade do polo.

Entre as exportadoras de madeira estão Frameport, Guararapes (unidade de Caçador) e Adami. A Frameport se destaca na exportação de portas, especialmente para o mercado norte-americano. A Adami atende clientes em mais de 25 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Europa, África, Israel e Arábia Saudita. Já a unidade da Guararapes em Caçador é a maior produtora de MDF das Américas, com três linhas de produção.

No setor moveleiro, ganham destaque empresas como a Móveis Henn, voltada a móveis populares; a Temasa, fornecedora de móveis de madeira maciça para marcas como a IKEA; e a Sollos, de Princesa, especializada em móveis de alto padrão e detentora de 120 prêmios de design, muitos assinados pelo designer Jader Almeida, reconhecido internacionalmente.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Plinio Bordin

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Indústria

Aço chinês barato pressiona siderurgia no Brasil, derruba preços e fecha altos-fornos

A intensificação da entrada de aço chinês barato no Brasil já provoca impactos diretos na indústria siderúrgica nacional. O setor desligou altos-fornos, reduziu o nível de atividade e suspendeu investimentos bilionários, ao mesmo tempo em que pressiona o governo por tarifas de importação mais altas e busca renegociar o acesso ao mercado dos Estados Unidos, hoje sujeito a imposto de 50%.

Levantamento do Instituto Aço Brasil, divulgado nesta terça-feira (16), aponta que, até novembro, as siderúrgicas instaladas no país cortaram 5.100 empregos e congelaram R$ 2,5 bilhões em investimentos, reflexo do aumento das importações e da queda dos preços internacionais do aço, puxada principalmente pela China.

Altos-fornos desligados e empregos eliminados
De acordo com o Instituto Aço Brasil, quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco minimills foram paralisados ao longo do ano. A retração da demanda por aço produzido no país em 2025 tornou inviável manter essas unidades operando em plena capacidade.

O setor classifica o cenário atual como de concorrência desigual, especialmente diante do aço chinês, que chega ao mercado brasileiro a preços inferiores aos praticados internamente. O resultado imediato é o avanço da capacidade ociosa, o aumento do desemprego e o adiamento de novos projetos industriais.

Importações crescem e alteram o equilíbrio do mercado
A pressão sobre a produção nacional é reforçada pelo salto das importações. A projeção é de que, ao final de 2025, as compras externas de aço bruto avancem 7,5% em relação a 2024, enquanto os aços laminados devem registrar alta de 20,5%.

Até novembro, o Brasil já havia importado 5,4 milhões de toneladas de aço laminado, número muito acima da média anual de 2,2 milhões de toneladas registrada entre 2000 e 2019. Desse total, 64% tiveram origem na China, ampliando a dependência do produto asiático.

Além disso, outras 6,2 milhões de toneladas entraram de forma indireta no mercado nacional, incorporadas a bens como eletrodomésticos, veículos e máquinas, intensificando a concorrência mesmo fora da classificação aduaneira tradicional de aço.

Queda nos preços reforça suspeitas de dumping
A redução agressiva dos preços do aço chinês alimenta suspeitas de dumping. Dados da Platts mostram que a tonelada da bobina a quente da China caiu de US$ 560, em janeiro de 2024, para US$ 454, em novembro de 2025.

Segundo o Instituto Aço Brasil, a queda ocorre no mesmo período em que as margens das usinas chinesas diminuem, indicando vendas abaixo do custo ou do preço interno, prática que distorce a concorrência internacional.

Diante desse cenário, a entidade revisou novamente para baixo a estimativa de produção nacional. A previsão passou de retração de 0,8% para queda de 2,2% em 2025, com produção estimada em 33,1 milhões de toneladas. O consumo doméstico tende a enfraquecer, parcialmente substituído pelo produto importado, enquanto as exportações ganham peso.

Lucro cai e setor pede reforço nas tarifas
No terceiro trimestre de 2025, o Ebitda das siderúrgicas instaladas no Brasil somou R$ 2,8 bilhões, quase metade do registrado no mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda recuou de 12,9% para 7,7%, refletindo a pressão sobre os preços internos.

Em resposta, o governo renovou em maio o sistema de cotas de importação para 16 tipos de aço. Embora 76% desses produtos tenham origem na China, o setor considera a medida insuficiente. Atualmente, as tarifas variam de 9% a 16%, com adicional de 25% sobre volumes que excedem as cotas.

O Instituto Aço Brasil defende uma elevação das tarifas como forma de reequilibrar o mercado, preservar empregos e evitar novas paralisações.

Tarifa de 50% nos EUA amplia desafios externos
Além das dificuldades internas, as siderúrgicas brasileiras enfrentam a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre qualquer tipo de aço importado. A medida afeta especialmente o aço semiacabado, um dos principais itens exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.

Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a estratégia é negociar com o governo de Donald Trump a retomada do sistema de cotas adotado em 2018. Na época, o Brasil podia exportar até 3,5 milhões de toneladas anuais de aço semiacabado aos EUA sem sobretaxa.

A expectativa do setor é que um novo acordo permita a volta desse modelo, mantendo a tarifa elevada apenas para volumes que excedam o limite negociado.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Indústria

Produção industrial da China desacelera e varejo registra pior desempenho desde 2022

A produção industrial da China perdeu fôlego em novembro e avançou no ritmo mais lento dos últimos 15 meses, sinalizando desafios crescentes para a segunda maior economia do mundo. Ao mesmo tempo, o varejo chinês apresentou o pior resultado desde o fim das restrições da política de “Covid zero”, reforçando a necessidade de novas fontes de crescimento nos próximos anos.

Dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Escritório Nacional de Estatísticas mostram que a produção industrial cresceu 4,8% em novembro na comparação anual, abaixo dos 4,9% registrados em outubro e da expectativa de 5% projetada por analistas consultados pela Reuters.

Consumo interno segue fraco

O desempenho do consumo doméstico também decepcionou. As vendas no varejo avançaram apenas 1,3%, o resultado mais fraco desde dezembro de 2022, quando a China encerrou abruptamente as restrições sanitárias. O número ficou bem abaixo do crescimento de 2,9% observado em outubro e da projeção de 2,8% do mercado.

Segundo analistas, o enfraquecimento dos subsídios ao consumidor, a persistente crise no setor imobiliário e a pressão deflacionária sobre o investimento industrial continuam limitando os gastos das famílias.

Exportações sustentam crescimento, mas estratégia perde força

Diante da fragilidade do mercado interno, as autoridades chinesas têm recorrido às exportações como principal motor de crescimento. No entanto, essa estratégia começa a enfrentar limites, à medida que parceiros comerciais reagem ao superávit comercial da China, estimado em cerca de US$ 1 trilhão, com a adoção de barreiras às importações.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, o bom desempenho das exportações reduziu, até agora, a pressão por estímulos adicionais à demanda doméstica. “Os subsídios começaram a se esgotar e o foco das autoridades parece estar em 2026, já que a meta de crescimento em torno de 5% ainda parece alcançável neste ano”, afirmou.

Limites para novos estímulos econômicos

Economistas avaliam que a economia chinesa já ultrapassou o ponto em que novos estímulos de curto prazo seriam suficientes para reverter as fragilidades estruturais. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou que Pequim acelere reformas e avance em medidas para resolver os desequilíbrios do mercado imobiliário.

Segundo o FMI, cerca de 70% da riqueza das famílias chinesas está concentrada em imóveis, e a correção do setor ao longo dos próximos três anos pode custar o equivalente a 5% do PIB do país.

Confiança do consumidor é desafio central

Após a divulgação dos dados, o porta-voz da administração alfandegária chinesa, Fu Linghui, reconheceu que será necessário fazer mais para restaurar a confiança dos consumidores. Para ele, o fortalecimento da demanda interna será decisivo para sustentar o crescimento econômico em um cenário global cada vez mais desafiador.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Tingshu Wang

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Indústria

Indústrias brasileiras precisam se reinventar para competir no mercado global

Diante de um ambiente internacional marcado por incertezas econômicas, avanços tecnológicos acelerados e uma guerra tarifária que encarece produtos em diversos países, as indústrias brasileiras precisam se adaptar para competir em mercados cada vez mais digitais e exigentes. A avaliação é de Julio Damião, especialista em negócios e finanças e presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-MG).

O tema foi abordado durante o Seminário de Economia Internacional, realizado nesta quinta-feira (11), na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

China ganha protagonismo no cenário industrial global

Segundo Damião, a China vem ampliando sua competitividade de forma consistente, impulsionada por investimentos maciços em tecnologia, automação e inteligência artificial. Para ampliar a presença no comércio internacional, o especialista defendeu que empresas brasileiras considerem parcerias estratégicas com companhias chinesas.

“Os Estados Unidos continuam sendo um mercado essencial, mas a China se tornou um polo decisivo de inovação e escala. Minha recomendação é: almocem nos EUA e jantem na China”, afirmou.

Alianças estratégicas seguem tendência global

O especialista destacou que a formação de alianças internacionais já é uma realidade em setores como o automotivo, onde grandes fabricantes passaram a cooperar para enfrentar a concorrência de empresas chinesas mais produtivas e eficientes. Para Damião, esse modelo tende a se expandir para outros segmentos industriais.

Santa Catarina e a vocação para o comércio exterior

O 1º vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, reforçou que o comércio internacional sempre foi um dos motores da indústria catarinense. Segundo ele, o atual contexto geopolítico exige maior presença global e conexão com os principais mercados.

Na avaliação de Damião, o cenário de tarifas elevadas e mudanças geopolíticas sinaliza que as empresas precisarão rever estratégias consolidadas para se manterem competitivas. “As decisões que nos trouxeram até aqui não serão suficientes para os próximos três anos”, alertou.

Planejamento estratégico e foco na competitividade

Entre as principais recomendações, o especialista orientou que os empresários planejem o futuro com base em duas perguntas centrais: o que aumenta a competitividade do negócio e o que reduz essa competitividade. A partir dessas respostas, as decisões estratégicas devem ser direcionadas.

Outro ponto destacado foi a necessidade de acompanhar de perto os impactos da inteligência artificial, especialmente sobre custos, receitas e eficiência operacional.

Qualidade virou pré-requisito, não diferencial

Damião ressaltou ainda que a qualidade do produto deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma exigência básica do mercado. “O produto é apenas a porta de entrada. O desafio agora é gerar valor por meio da experiência do cliente”, explicou.

Como exemplo, citou a Ford, que reduziu a produção de veículos no Brasil, mas melhorou seus resultados ao investir em uma plataforma de serviços e soluções, ampliando os pontos de contato com o consumidor e fortalecendo a relação com a marca.

Inércia é o maior risco para as empresas

Para o especialista, o maior perigo para as indústrias atualmente não está na falta de capital ou na qualidade do produto, mas na resistência à mudança. “O maior risco das empresas hoje é a inércia diante das transformações do mercado”, concluiu.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabrício de Almeida

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Indústria

Indústria do Sul de Santa Catarina amplia potencial de exportações com polos internacionais

A indústria do Sul de Santa Catarina reúne condições favoráveis para ampliar sua presença no mercado externo, apoiada em dois polos industriais com inserção internacional: o de cerâmica e o de produtos de madeira. Em 2024, o polo cerâmico somou US$ 105,9 milhões em exportações, enquanto o segmento madeireiro alcançou US$ 54,3 milhões em vendas ao exterior.

Os dados fazem parte de um levantamento do Observatório Nacional da Indústria, com estudo conduzido pelo Observatório FIESC, que identificou as principais concentrações produtivas estratégicas do país.

Base industrial diversificada fortalece a região

De acordo com o estudo, o Sul catarinense possui uma estrutura industrial ampla, com 40,3 mil empreendimentos, dos quais cerca de 10 mil são indústrias, representando aproximadamente 25% da atividade econômica regional.

O parque industrial é liderado por Criciúma, que concentra 1,74 mil indústrias, seguida por Tubarão (1,2 mil) e Araranguá (672).

Tradição produtiva impulsiona competitividade global

Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, o desempenho da região está ligado à sua trajetória histórica e à capacidade de adaptação produtiva.

“O Sul de Santa Catarina se desenvolveu a partir da cultura do carvão e construiu uma base industrial sólida. A região conseguiu transformar tradição em competitividade internacional, com destaque histórico para o setor cerâmico e crescimento consistente da indústria de produtos de madeira”, afirma.

Polo cerâmico lidera exportações do Sul catarinense

O polo cerâmico é o principal destaque da pauta exportadora regional. Somente a cerâmica não vitrificada respondeu por cerca de US$ 100 milhões em vendas externas em 2024. Os principais destinos foram Estados Unidos (US$ 26,7 milhões), Paraguai (US$ 17,6 milhões), Uruguai (US$ 10,6 milhões) e Argentina (US$ 9,1 milhões).

O setor reúne 631 empresas e emprega aproximadamente 11,5 mil trabalhadores.

Segundo o coordenador do estudo, Marcelo de Albuquerque, o polo cerâmico do Sul de SC está entre os mais consolidados do país, com empresas de referência como Eliane (Mohawk) e Angelgres.

“A região construiu um ecossistema completo, que envolve desde a extração de matéria-prima até processos industriais altamente automatizados e foco em design. Essa estrutura explica a presença sólida em mercados exigentes, como o norte-americano”, destaca.

Indústria de madeira avança no mercado internacional

O polo de produtos de madeira exportou US$ 54,3 milhões em 2024, com destaque para pallets, madeira em forma e artigos como molduras. O segmento de molduras está concentrado em Braço do Norte, com empresas como Moldurarte e Sul America.

Os Estados Unidos absorvem 39,3% das exportações do polo, seguidos por Chile e Colômbia. O setor emprega cerca de 4,5 mil pessoas, distribuídas em 540 empresas.

Indústria é motor de emprego na região

Além do desempenho exportador, o Sul catarinense se destaca na geração de empregos industriais. São 128,6 mil trabalhadores na indústria, de um total de 318,9 mil empregos formais na região.

Criciúma lidera como maior empregador industrial, com 24,9 mil postos de trabalho, seguida por Tubarão (12 mil) e Içara (10,3 mil), reforçando a importância do setor produtivo para o desenvolvimento regional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Anfacer/Divulgação

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Indústria

Indústrias do Sul defendem setor madeireiro brasileiro em investigação dos EUA

A FIESC, ao lado da FIEP, da FIERGS e da ABIMCI, enviou ao governo dos Estados Unidos uma manifestação técnica defendendo que a madeira brasileira exportada ao país norte-americano tem origem exclusivamente privada e não recebe subsídios. O posicionamento responde a um questionamento do Departamento de Comércio dos EUA, que analisa possíveis benefícios indevidos na importação de determinados tipos de madeira.

O documento, protocolado na última sexta-feira (5), reúne informações detalhadas sobre a operação do setor no Brasil e busca ampliar o entendimento das autoridades americanas sobre a cadeia produtiva nacional.

Investigação 232 segue em andamento

A expectativa das entidades é de que o posicionamento contribua para o desfecho da chamada Investigação 232, ainda sem conclusão por parte do governo dos EUA. O estudo pode influenciar diretamente o fluxo comercial entre os dois países, especialmente no segmento de madeira processada.

União entre federações empresariais

A articulação foi liderada pelo presidente da FIESC, Gilberto Seleme. Logo após receber o questionamento dos EUA, Seleme convidou os presidentes da FIERGS, Cláudio Bier, da FIEP, Edson Vasconcellos, e da ABIMCI, Paulo Pupo, para organizar dados e argumentos técnicos que embasassem a resposta.

A consulta americana foi dirigida a países que representam ao menos 1% das importações totais dos EUA no setor madeireiro — entre eles Brasil, Áustria, Canadá, Chile, Alemanha e Suécia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/CNI

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Indústria

Serra Catarinense se destaca como polo industrial e exportador no setor florestal

A Serra Catarinense firmou-se como um dos principais polos exportadores de produtos de base florestal em Santa Catarina, unindo tradição industrial, abundância de recursos naturais e capacidade de inovação. Esses elementos contribuíram para a consolidação de dois polos com inserção internacional: o de madeira e móveis e o de celulose e papel, ambos altamente competitivos no mercado global.

Em 2024, o polo de madeira e móveis movimentou US$ 381,8 milhões em exportações, enquanto o polo de celulose e papel registrou US$ 166,5 milhões, reforçando a força da região no comércio exterior.

Estrutura produtiva sólida e mão de obra especializada

O estudo coordenado pelo Observatório Nacional da Indústria, com liderança do Observatório FIESC, mapeou os polos industriais por mesorregião. Na área serrana, o polo de madeira e móveis reúne 485 empresas e 9,8 mil trabalhadores, com foco em madeira serrada, painéis e MDF. Já o polo de celulose e papel reúne 27 indústrias e 4,4 mil empregados, principalmente na produção de papel kraft e recipientes de papel.

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, o desempenho industrial da região é reflexo de uma cultura produtiva consolidada e da capacidade de adaptação. Segundo ele, a Serra tem uma “base produtiva madura e inovadora”, aliada à proximidade de insumos essenciais, o que fortalece sua competitividade.

Cadeia florestal fortalece competitividade da Serra

A estrutura da mesorregião conta com 14,6 mil estabelecimentos, dos quais 2,5 mil são indústrias, empregando 33,2 mil trabalhadores formais. Lages lidera em número de empregados industriais, com 12,9 mil, seguida por Campos Novos (5,4 mil) e Curitibanos (3,4 mil). A tradição do setor florestal e a especialização em produtos de alto valor agregado são fatores determinantes para o avanço dos polos.

De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo de Albuquerque, os polos internacionais contribuem diretamente para a diversificação econômica, ampliando a competitividade regional, estimulando a inovação e fortalecendo a formação de profissionais qualificados.

Exportações impulsionam a inserção global

No polo de madeira e móveis, os principais destinos das exportações são Estados Unidos (US$ 114,4 milhões), China (US$ 49,9 milhões) e México (US$ 40,2 milhões). Já no polo de celulose e papel, a liderança é da Argentina (US$ 45,2 milhões), seguida por Estados Unidos e México.

Entre as empresas de destaque, as três unidades da Klabin — Lages, Correia Pinto e Otacílio Costa — se sobressaem nas exportações de papel para embalagens. No segmento madeireiro, atuam com relevância BlueFlorest, G13 Madeiras, JJ Thomazzi e Madepar.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Indústria

Indústria de defesa brasileira cresce 114% e bate recorde de exportações em 2025

Setor supera marca histórica e amplia presença globalA indústria de defesa brasileira atingiu um novo recorde em 2025, com US$ 3,1 bilhões em autorizações de exportações, segundo o Ministério da Defesa. O montante representa alta de 74% em relação a 2024 e mais que dobra o volume registrado em 2023, acumulando 114% de crescimento em dois anos.

O avanço reflete o desempenho de uma Base Industrial de Defesa (BID) composta por cerca de 80 empresas exportadoras presentes em 140 países. O portfólio inclui aeronaves, embarcações, blindados, munições, soluções cibernéticas, radares e sistemas de comunicação. O setor responde por 3,49% do PIB e gera quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Entre os principais compradores estão Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal. Aeronaves como o KC-390 Millennium seguem como destaques na pauta de exportações.

Estratégias para ampliar as vendas externas
De acordo com o Ministério da Defesa, o crescimento é resultado de ações coordenadas para elevar a competitividade do setor e facilitar a entrada de empresas brasileiras em novos mercados. “O trabalho com a indústria de defesa permite produzir equipamentos competitivos para atender às Forças Armadas e ampliar as vendas ao exterior”, afirmou o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues.

A estrutura da pasta conta com quatro áreas estratégicas para fortalecer a BID: promoção comercial, regulação, financiamentos e inovação tecnológica.

Promoção comercial e diplomacia industrial
O Depcom (Departamento de Promoção Comercial) atua na abertura de mercados e na participação em feiras internacionais. Em 2025, o órgão promoveu diálogos bilaterais com Turquia e Jordânia, participou da LAAD Defence & Security no Rio de Janeiro e organizou o Brazilian Defense Day, que reuniu representantes de cerca de 50 países.

Regulação e certificação de produtos
O Deprod, responsável pela creditação de empresas e classificação de produtos, registrou resultados expressivos: 417 novos produtos classificados e 62 empresas credenciadas em 2025. Ao todo, já são 307 empresas e 2.219 produtos homologados. O setor também acompanha programas de compensação tecnológica e comercial (offset).

Financiamento e apoio à expansão do setor
O Depfin atua na busca por linhas de crédito, garantias e investimentos. Entre os avanços de 2025 está o acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que visa ampliar a participação de bens de defesa nas exportações e aumentar a nacionalização de produtos estratégicos.

Inovação e desenvolvimento tecnológico
O Decti lidera iniciativas para transformar pesquisa em capacidade industrial. Nos últimos cinco anos, cerca de 140 projetos de PD&I foram incorporados à carteira do Ministério, somando R$ 700 milhões em investimentos. Outras 34 iniciativas receberam R$ 1,1 bilhão de apoio de instituições como Finep e CNPq.

Em 2025, dois seminários nacionais reuniram governo, indústria e academia para discutir integração tecnológica, aceleração de projetos e o fortalecimento da competitividade brasileira no setor de defesa.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Corrêa/PR

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Indústria

Gecex aprova medidas para fortalecer a indústria nacional e acelerar a transição energética

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), ligado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), aprovou, na 231ª reunião ordinária realizada nesta quinta-feira (27/11), um conjunto de ações voltadas a proteger a indústria nacional, ampliar a competitividade e incentivar a transição energética, especialmente no setor aéreo. Entre as deliberações, está a prorrogação, por até cinco anos, do direito antidumping aplicado a pneumáticos para motocicletas importados de China, Tailândia e Vietnã. O colegiado também definiu a continuidade das medidas antidumping para alto-falantes automotivos e revogou o direito provisório sobre fios de náilon, por razões de interesse público.

Redução tarifária para reduzir desabastecimentos
Com foco no estímulo à produção regional, o Gecex aprovou 17 pedidos brasileiros no mecanismo de desabastecimento, reduzindo tarifas de itens essenciais à indústria, como tintas para impressão, fibras têxteis de alta tenacidade e componentes eletrônicos. A medida busca garantir acesso mais competitivo a insumos estratégicos e apoiar a cadeia produtiva nacional em setores altamente dependentes de importação.

FGE terá nova modalidade para apoiar setor aéreo
Um dos avanços mais significativos da reunião foi a aprovação de um novo modelo de cobertura do Fundo de Garantia às Exportações (FGE), criado para viabilizar operações de financiamento destinadas à compra de querosene de aviação (QAV) por companhias aéreas brasileiras. A proposta foi construída com participação dos ministérios integrantes da Camex, da Secretaria Nacional de Aviação Civil e da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

A nova modalidade exige contrapartidas voltadas ao fortalecimento do mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) no país. As empresas poderão cumprir a exigência de três formas: adquirindo SAF produzido no Brasil, investindo em plantas nacionais de produção do combustível ou realizando aportes no Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), que apoia projetos voltados ao SAF.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jim Watson/AFP

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