Indústria

Acordo Mercosul-União Europeia ganha destaque como estratégia para indústria brasileira

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou o potencial do Acordo Mercosul-União Europeia durante seminário realizado em São Paulo, na sexta-feira (27). O evento, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reuniu lideranças políticas e empresariais para discutir os impactos da parceria comercial na indústria brasileira.

Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do presidente da CNI, Ricardo Alban, Tebet participou do painel de abertura, que abordou oportunidades e desafios do acordo.

Acordo amplia integração entre grandes economias

Formalizado em janeiro deste ano, em Assunção, no Paraguai, o Acordo Mercosul-União Europeia é resultado de mais de 20 anos de negociações. A parceria conecta dois dos maiores blocos econômicos globais, reunindo cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.

Considerando o volume econômico e populacional, o tratado é considerado um dos maiores acordos de livre comércio internacional já firmados.

Medida é vista como estratégica para o Brasil

Durante o seminário, Tebet ressaltou que o acordo vai além de uma decisão econômica, sendo uma questão de posicionamento estratégico para o país.

Segundo a ministra, o Brasil enfrenta uma janela limitada — estimada em cerca de uma década — para avançar em áreas como energia limpa, minerais críticos, terras raras e desburocratização. Nesse contexto, o acordo pode ajudar a impulsionar reformas estruturais e destravar o crescimento econômico.

Indústria forte é essencial para crescimento

A ministra também destacou que a combinação do acordo com iniciativas como a Reforma Tributária e o programa Nova Indústria Brasil pode elevar a participação da indústria no PIB nacional, aproximando o país dos padrões observados em economias desenvolvidas.

Ela reforçou que o fortalecimento da indústria nacional é fundamental para geração de empregos, aumento da renda e redução das desigualdades sociais.

Multilateralismo é reforçado com o acordo

Outro ponto enfatizado foi o papel do acordo na promoção do multilateralismo. Tebet defendeu que a cooperação entre países é essencial para o desenvolvimento sustentável, em contraste com políticas isolacionistas.

A integração com países do Mercosul e parceiros internacionais, segundo ela, amplia as possibilidades de crescimento econômico e fortalece a posição do Brasil no cenário global.

Rotas de integração ganham relevância

O Programa Rotas de Integração Sul-Americana, coordenado pelo Ministério do Planejamento, também foi apontado como estratégico. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a iniciativa como uma das principais contribuições da atual gestão.

A proposta busca ampliar o comércio regional, especialmente na América do Sul, agregando valor às exportações brasileiras e fortalecendo a presença da indústria nacional nos mercados vizinhos.

União Europeia é parceiro comercial estratégico

Atualmente, a União Europeia ocupa a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo de comércio estimado em US$ 90,1 bilhões em 2025.

O acordo deve ampliar a diversificação comercial, estimular investimentos e promover a modernização do parque industrial brasileiro, por meio da integração às cadeias produtivas europeias.

Redução de tarifas e modernização comercial

No campo comercial, o tratado prevê ampla liberalização tarifária. O Mercosul permitirá acesso gradual a 91% dos bens europeus, enquanto a União Europeia abrirá seu mercado para 95% das exportações do bloco sul-americano.

Além disso, o acordo abrange temas modernos como serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual, sustentabilidade e facilitação de comércio, ampliando sua relevância econômica.

Situação atual do acordo

Nos países do Mercosul, o acordo já foi aprovado pelos parlamentos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. No caso brasileiro, ainda falta a promulgação presidencial para entrada em vigor completa.

Na Europa, o texto segue em análise jurídica, mas há previsão de aplicação provisória a partir de maio de 2026.

Entenda o Mercosul

O Mercosul é um bloco econômico formado inicialmente por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com foco na integração regional e na ampliação de oportunidades comerciais.

Além dos membros plenos, o bloco conta com países associados na América do Sul e mantém acordos com diversas nações e organizações internacionais, fortalecendo sua atuação global.

FONTE: Ministério do Planejamento e Orçamento
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério do Planejamento e Orçamento

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Indústria

Produção industrial de Santa Catarina recua 6,5% em janeiro

A produção industrial de Santa Catarina registrou queda de 6,5% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2025. No cenário nacional, o desempenho foi praticamente estável: a produção industrial brasileira avançou apenas 0,2% no período.

De acordo com Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, o resultado reflete um cenário de desaceleração da atividade industrial, influenciado principalmente pelo ciclo de alta dos juros, que restringe o acesso ao crédito, reduz investimentos e impacta o ritmo da economia. A avaliação é do presidente da entidade, Gilberto Seleme.

Setor moveleiro lidera queda na indústria catarinense

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, compilado pelo Observatório FIESC, aponta que a fabricação de móveis apresentou o pior desempenho entre os segmentos analisados. O setor teve retração de 25,9% em relação a janeiro do ano passado.

Um dos fatores apontados para o resultado negativo é o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, principal destino das exportações do setor. Em janeiro, as exportações de madeira e móveis para os EUA registraram queda de 56,25% na comparação com o mesmo período de 2025.

Máquinas, equipamentos e veículos também recuam

Outros segmentos relevantes da indústria catarinense também apresentaram retração no início do ano. A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 24,9%, enquanto a produção de máquinas e equipamentos registrou queda de 18,2%.

Entre os fatores que explicam o desempenho negativo estão a taxa Selic elevada, que restringe o crédito para empresas e consumidores, e o aumento do endividamento das famílias, que tende a reduzir o consumo e afetar a produção industrial.

Apenas dois setores apresentam crescimento

Dos 14 segmentos industriais analisados em Santa Catarina, somente dois apresentaram resultado positivo em janeiro.

A fabricação de produtos alimentícios avançou 0,9%, enquanto a indústria de borracha e plástico registrou crescimento de 5,3%, destacando-se como exceções em um cenário de retração mais ampla da atividade industrial no estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sollos

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Indústria

Impasse na BR-101 Norte preocupa indústria e pode frear desenvolvimento de Santa Catarina

A falta de acordo para a repactuação do contrato de concessão da BR-101 Norte acendeu um alerta no setor produtivo de Santa Catarina. A Federação das Indústrias de Santa Catarina avalia que o impasse pode comprometer o desenvolvimento socioeconômico do estado, além de agravar problemas históricos de mobilidade e segurança na rodovia.

Segundo a entidade, a decisão da comissão de solução consensual instalada no Tribunal de Contas da União de encerrar as negociações para revisar o contrato com a concessionária Autopista Litoral Sul frustrou as expectativas de empresários e da população catarinense.

Rodovia enfrenta congestionamentos e altos índices de acidentes

A BR-101 Norte é considerada um dos principais corredores logísticos de Santa Catarina, conectando importantes polos industriais, turísticos e portuários do estado.

Atualmente, a rodovia enfrenta longos congestionamentos e elevado número de acidentes, cenário que preocupa usuários e empresas que dependem da via para transporte de mercadorias e deslocamentos diários.

Na avaliação da FIESC, as obras previstas na proposta de repactuação eram fundamentais para aumentar a fluidez do tráfego e melhorar a segurança viária em trechos críticos da estrada.

Setor produtivo cobra investimentos na infraestrutura

De acordo com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a ausência de novos investimentos pode transformar a rodovia em um obstáculo ainda maior ao crescimento econômico do estado.

Segundo ele, sem melhorias estruturais, a BR-101 Norte tende a continuar sobrecarregada, prejudicando o comércio exterior, o turismo e diversas atividades econômicas que dependem do corredor rodoviário.

O dirigente também destaca que os impactos não se limitam ao setor empresarial, atingindo moradores das cidades próximas e turistas que utilizam a rodovia.

Trechos críticos concentram maiores problemas

A federação defende que sejam adotadas soluções urgentes para os pontos mais críticos da BR-101, especialmente nos trechos que ligam:

  • Itapema
  • Balneário Camboriú
  • Itajaí
  • Penha
  • Joinville

Essas regiões concentram intenso fluxo de veículos, especialmente durante a alta temporada turística e em períodos de grande movimentação logística.

Entenda o impasse na concessão da rodovia

A Agência Nacional de Transportes Terrestres e o Ministério dos Transportes informaram que não houve consenso nas negociações para revisar o contrato da concessionária responsável pela rodovia.

As tratativas ocorreram no âmbito da comissão criada pelo TCU para buscar uma solução consensual para o contrato de concessão.

A proposta inicial de repactuação incluía novas obras e melhorias operacionais, voltadas a aumentar a eficiência da rodovia e reduzir congestionamentos. O plano chegou a ser discutido com entidades do setor produtivo catarinense, incluindo a FIESC, que apresentou sugestões de intervenções e mecanismos para ampliar a segurança e a fluidez do tráfego.

Com o encerramento das negociações, o futuro das melhorias previstas para a BR-101 Norte permanece indefinido.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Heitor Pergher/Grupo ND

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Indústria

Indústrias de SC recebem missão empresarial da Suíça para ampliar parcerias e negócios

Empresas de Santa Catarina participaram de uma reunião de negócios com uma missão empresarial da Suíça, realizada na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina. O encontro reuniu representantes do setor produtivo brasileiro e suíço com o objetivo de ampliar parcerias comerciais, cooperação tecnológica e oportunidades de investimento.

A visita integra as ações de relacionamento internacional iniciadas durante o SC Day, evento realizado em janeiro no cantão de Berna.

Encontro busca fortalecer relações entre empresas dos dois países

Com a participação de empresários, entidades industriais e agências de promoção de negócios, a reunião teve como foco aproximar os mercados de Santa Catarina e da Suíça.

A iniciativa pretende estimular projetos conjuntos, internacionalização de empresas e intercâmbio tecnológico, ampliando a presença de indústrias catarinenses em mercados internacionais.

Para Luiz Gonzaga Coelho, que também é sócio-fundador da empresa C-Pack, a aproximação entre os dois ecossistemas industriais pode gerar benefícios mútuos.

Segundo ele, empresas brasileiras e suíças têm potencial para avançar juntas em estratégias de expansão global e desenvolvimento de novos negócios.

Cooperação pode envolver ciência, tecnologia e investimentos

Durante o encontro, o secretário de Estado de Articulação Internacional de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, destacou o interesse do estado em fortalecer laços com o cantão de Berna.

De acordo com o secretário, a parceria entre as regiões pode ir além das relações comerciais e incluir iniciativas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico.

Empresas discutem parcerias estratégicas

Ao longo do evento, os participantes tiveram a oportunidade de realizar reuniões diretas entre empresas, discutindo possibilidades de cooperação em áreas como:

  • parcerias comerciais internacionais
  • cooperação tecnológica
  • desenvolvimento de mercado
  • novos investimentos industriais

A delegação suíça também conheceu as instalações do Observatório FIESC, que oferece estudos e análises estratégicas sobre economia, indústria e inovação.

A iniciativa reforça o movimento de internacionalização da indústria catarinense, que busca ampliar sua presença no cenário global por meio de parcerias com mercados estratégicos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Indústria

Indústria da Alemanha começa 2026 com queda nas encomendas e produção abaixo do esperado

A indústria da Alemanha iniciou 2026 com desempenho abaixo das expectativas do mercado. Dados divulgados pelo departamento oficial de estatísticas mostram que as encomendas industriais sofreram uma queda expressiva no primeiro mês do ano.

Em janeiro, os pedidos recuaram 11,1% em relação a dezembro, considerando os ajustes sazonais e de calendário. O resultado interrompe uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do indicador.

A retração foi significativamente maior do que a prevista por analistas consultados pela Reuters, que estimavam uma diminuição de aproximadamente 4,5%.

Apesar da queda acentuada, o cenário se mostra menos negativo quando se excluem grandes pedidos industriais. Nesse recorte, a redução foi de apenas 0,4% em janeiro, após os pedidos terem registrado em dezembro o maior avanço em dois anos.

Analistas mantêm expectativa positiva para a economia alemã

Mesmo com a volatilidade dos dados, economistas seguem relativamente otimistas quanto ao desempenho da economia da Alemanha em 2026. A principal preocupação, segundo especialistas, seria uma possível escalada do conflito envolvendo o Irã, que poderia pressionar os preços do petróleo e afetar o cenário econômico global.

Para o economista Jens-Oliver Niklasch, do LBBW, os números exigem cautela na análise.

“Esses dados certamente não são para os fracos de coração”, afirmou. Ainda assim, ele ressalta que a expectativa geral permanece de que os indicadores econômicos deste ano superem os resultados registrados em 2025.

Investimentos públicos podem impulsionar a indústria

Na avaliação de Michael Herzum, economista da Union Investment, a carteira de pedidos da indústria segue relativamente sólida graças aos investimentos do governo alemão em defesa e infraestrutura.

Segundo ele, caso não haja agravamento do cenário geopolítico envolvendo o Irã, a indústria pode deixar de ser um obstáculo e passar a contribuir para o crescimento econômico em 2026.

Produção industrial também recua no início do ano

Além da queda nas encomendas, a produção industrial alemã também apresentou resultado negativo. Em janeiro, o indicador registrou retração de 0,5% na comparação mensal, contrariando projeções de analistas, que esperavam alta de cerca de 1%.

De acordo com o departamento de estatísticas, o principal fator por trás da redução foi a queda de 12,4% na produção de produtos metálicos.

Outros setores também contribuíram para o desempenho fraco, incluindo indústria farmacêutica, além da fabricação de computadores, produtos eletrônicos e equipamentos ópticos.

Clima frio impulsiona produção de energia

Em contrapartida, a produção de energia na Alemanha avançou de forma significativa em janeiro. O aumento foi de 10,3%, impulsionado pelas temperaturas excepcionalmente baixas registradas durante o mês.

O frio intenso elevou a demanda por energia, compensando parcialmente as perdas observadas em outros segmentos da indústria.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Fabian Bimmer

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Indústria

Indústria brasileira cresce 1,8% em janeiro de 2026 e recupera parte das perdas do fim de 2025

A produção da indústria brasileira registrou crescimento de 1,8% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, indicando uma retomada após meses de retração no setor. O resultado representa o maior avanço mensal desde junho de 2024, quando o setor industrial havia registrado expansão de 4,4%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), levantamento que acompanha o desempenho da produção industrial no Brasil.

Produção industrial volta a crescer após sequência de quedas

Na comparação com janeiro de 2025, a indústria apresentou alta de 0,2%, interrompendo três meses consecutivos de retração.

No final de 2025, o setor havia acumulado resultados negativos:

  • dezembro: -0,1%
  • novembro: -1,4%
  • outubro: -0,5%

Com o desempenho positivo no início de 2026, a indústria nacional conseguiu recuperar parte das perdas registradas entre setembro e dezembro do ano passado.

Nível de produção supera período pré-pandemia

O crescimento observado em janeiro também coloca a produção industrial brasileira cerca de 1,8% acima do nível registrado antes da pandemia de Covid-19, em fevereiro de 2020.

Apesar da recuperação recente, o desempenho ainda permanece distante do recorde histórico do setor. O maior crescimento mensal da série ocorreu em maio de 2011, quando a indústria chegou a registrar expansão de 15,3%.

Retomada após férias coletivas e queda forte em dezembro

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o avanço de janeiro está relacionado à retomada da produção após uma forte queda registrada no último mês de 2025.

De acordo com ele, dezembro apresentou retração significativa, influenciada tanto pelo menor ritmo da atividade industrial quanto pela adoção de férias coletivas em diversas empresas.

Com o início do novo ano e a retomada das operações nas fábricas, parte dessa perda foi recuperada.

Juros altos ainda limitam crescimento da indústria

Apesar da melhora pontual no desempenho do setor, especialistas apontam que fatores macroeconômicos ainda dificultam uma recuperação mais consistente.

Entre os principais obstáculos estão os efeitos da política monetária restritiva, marcada por taxas de juros elevadas, que reduzem o acesso ao crédito para investimentos industriais.

Segundo Macedo, embora o crescimento de janeiro seja relevante, ele ainda não foi suficiente para anular completamente as perdas acumuladas no final de 2025. No período entre setembro e dezembro, a indústria acumulou saldo negativo de 0,8%.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Indústria

Desindustrialização no Brasil volta ao centro do debate após queda da indústria de transformação

A retração registrada na indústria de transformação em 2025 reacendeu o alerta para o avanço da desindustrialização no Brasil. De acordo com avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segmento no ano passado evidencia dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor e reforça a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da atividade industrial.

O desempenho negativo representa a quinta retração do setor nos últimos sete anos. Caso o cenário atual se mantenha, a indústria pode perder ainda mais participação na economia brasileira em 2026.

Juros altos e avanço das importações pressionam a indústria

Após crescer 3,9% em 2024, a indústria de transformação não conseguiu sustentar o ritmo no ano seguinte. Em 2025, o setor foi impactado principalmente pela política de juros elevados, que encareceu o crédito e reduziu a capacidade de investimento das empresas.

Além disso, a ampliação da entrada de produtos importados no mercado nacional também contribuiu para o enfraquecimento da atividade industrial.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, o nível elevado da taxa Selic afetou tanto empresas quanto consumidores.

“A Selic desestimulou investimentos, encareceu o crédito para o consumidor e reduziu a demanda por bens industriais. Ao mesmo tempo, as importações cresceram de forma generalizada e em ritmo superior ao da própria demanda”, afirmou.

Crescimento industrial perde força em relação a 2024

O impacto da política monetária mais restritiva se espalhou por diferentes áreas da cadeia produtiva. O setor da construção civil, por exemplo, registrou crescimento modesto de 0,5%.

Como resultado, o PIB industrial avançou apenas 1,4% em 2025 — menos da metade do crescimento observado no ano anterior.

O resultado geral só não foi ainda mais fraco graças ao desempenho da indústria extrativa, que registrou alta de 8,6%, impulsionada principalmente pela produção de petróleo e gás.

Outro ponto de preocupação apontado pela CNI é o nível de investimentos na economia brasileira. A taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, abaixo dos cerca de 20% registrados entre 2010 e 2013, percentual considerado mais adequado para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Para Marcio Guerra, o quadro exige resposta rápida.

“O cenário preocupa, mas não é novidade: convivemos com desindustrialização e baixo investimento há anos. Sem medidas imediatas para reverter esse quadro, o desempenho do PIB em 2026 tende a ser ainda mais limitado”, avaliou.

Debate sobre redução da jornada preocupa setor industrial

Diante desse contexto econômico, a CNI também defende cautela nas discussões sobre a redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a adoção de mudanças que elevem os custos das empresas pode agravar ainda mais a situação financeira do setor.

A confederação destaca que a indústria brasileira possui características que ampliam o impacto de eventuais aumentos de custos:

• utiliza proporcionalmente mais mão de obra qualificada que a média do setor privado;
• ocupa posição central nas cadeias produtivas, o que amplia a pressão de custos;
• enfrenta forte concorrência internacional, especialmente com produtos importados;
• possui atividades e funções nas quais a compensação de horas é difícil ou onerosa.

Segundo a CNI, as incertezas em torno da discussão sobre a jornada de trabalho também podem afetar decisões de investimento produtivo, fundamentais para elevar a produtividade da indústria — condição considerada essencial antes de qualquer redução da carga horária.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Indústria

Conflito no Irã acende alerta para indústria catarinense

O atual conflito no Irã gera preocupação para a indústria de Santa Catarina, impactando não apenas oportunidades de expansão, mas também a logística de embarque de insumos estratégicos.

Riscos para mercados e logística

A instabilidade no Oriente Médio dificulta a abertura de novos mercados internacionais e aumenta a complexidade do transporte de matérias-primas essenciais, com possíveis atrasos e aumento de custos nas rotas comerciais.

Oportunidades de aproximação regional

Ao mesmo tempo, crises globais podem incentivar o fortalecimento das relações comerciais com mercados mais próximos e previsíveis. Países do Mercosul surgem como alternativas estratégicas, promovendo maior segurança logística e consolidando cadeias de suprimentos regionais.

O cenário evidencia a necessidade de adaptação rápida das empresas catarinenses para minimizar riscos e aproveitar oportunidades em regiões geograficamente mais próximas.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marco Favero/SECOM

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Indústria

Senado aprova R$ 3,1 bilhões em incentivos para a indústria química e petroquímica

O Senado aprovou o Projeto de Lei 14/2026, que eleva de R$ 1,1 bilhão para R$ 3,1 bilhões os incentivos fiscais para a indústria química e petroquímica. O texto agora segue para sanção presidencial.

A proposta, de autoria do deputado Carlos Zarattini, foi relatada pelo senador Afonso Motta e recebeu 59 votos favoráveis e 3 contrários no Senado Federal.

Além de fortalecer o setor em âmbito nacional, a medida deve beneficiar diretamente o Polo Industrial de Cubatão, que enfrenta fechamento de unidades produtivas e redução de empregos.

Regime provisório até criação do Presiq

O texto institui um regime tributário transitório válido até 2027, quando entra em vigor o Programa de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).

O relator dividiu o novo limite de incentivos em duas fases e ampliou o volume total de recursos destinados ao setor. Segundo Motta, a indústria química brasileira sofre com o alto custo do gás natural e com a concorrência de produtos importados, cenário que levou a um déficit comercial de US$ 44,1 bilhões em 2025.

Redução de impostos sobre insumos estratégicos

As novas regras preveem diminuição das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre insumos considerados essenciais, como nafta petroquímica, gás natural e amônia.

Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, as alíquotas serão reduzidas para 1,52% (PIS/Pasep) e 7% (Cofins). Já de março a dezembro de 2026, os percentuais cairão para 0,62% e 2,83%, respectivamente.

O objetivo é aliviar a carga tributária sobre matérias-primas utilizadas na fabricação de plásticos, resinas e outros derivados químicos, aumentando a competitividade do setor.

Setor vê medida como alívio temporário

Para Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, o pacote representa um “alívio momentâneo” até a implementação do Presiq.

Ele ressalta, porém, que permanecem desafios estruturais, como o custo elevado da matéria-prima e a ausência de barreiras alfandegárias mais eficazes para conter a concorrência externa.

Incentivo adicional para Cubatão

Paralelamente à aprovação do projeto, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia anunciado um aporte de R$ 2 bilhões ao setor por meio de medida provisória.

No início de fevereiro, o prefeito de Cubatão, César Nascimento, esteve em Brasília para solicitar ações emergenciais voltadas à recuperação do polo industrial local.

A expectativa é que o reforço nos benefícios fiscais, aliado a políticas estruturais, ajude a conter a retração produtiva e estimule novos investimentos na cadeia petroquímica nacional.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo A Tribuna

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Indústria

Governo impõe medidas antidumping contra aço da China e reforça proteção à indústria nacional

O governo federal decidiu aplicar medidas antidumping contra aço da China, atendendo a uma demanda histórica do setor siderúrgico brasileiro. A decisão foi confirmada na noite de quinta-feira (12/02) pelo Câmara de Comércio Exterior, por meio do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex).

A medida atinge importações de laminados planos a frio e laminados planos revestidos de origem chinesa e deve beneficiar empresas como a Usiminas. O anúncio reforça declaração feita anteriormente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante evento empresarial realizado no início da semana.

Novos direitos antidumping e defesa comercial

De acordo com nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o colegiado aprovou três novos direitos antidumping, com foco na proteção da indústria nacional diante de práticas consideradas desleais no comércio internacional.

O mecanismo é aplicado quando se identifica que produtos importados chegam ao país por valores inferiores ao praticado no mercado de origem, muitas vezes sustentados por subsídios governamentais. A intenção, segundo o ministério, é neutralizar prejuízos causados por esse tipo de concorrência.

Os detalhes técnicos e a lista completa dos itens contemplados devem ser divulgados após publicação no Diário Oficial da União.

Setor de dispositivos médicos também é contemplado

Além do segmento siderúrgico, o Gecex determinou a aplicação de direito antidumping por cinco anos sobre agulhas hipodérmicas importadas da China.

A medida integra o conjunto de ações de defesa comercial adotadas pelo governo para conter impactos negativos de produtos vendidos abaixo do valor de mercado.

Governo admite novas ações contra importações desleais

Durante encontro com empresários, Alckmin sinalizou que outras medidas estão em análise, especialmente em setores mais expostos à concorrência externa, como o siderúrgico.

Segundo ele, caso sejam comprovadas novas práticas de dumping, o governo deverá adotar providências adicionais para preservar a competitividade da indústria brasileira.

No fim de janeiro, o Gecex já havia aprovado tarifas antidumping sobre o aço pré-pintado importado da China e da Índia, com validade de cinco anos. A decisão favoreceu companhias como a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Usiminas defende medidas mais rigorosas

Em comunicado ao mercado, o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que a questão das importações de aço chinês segue como prioridade para o setor.

Segundo ele, as investigações confirmam a necessidade de medidas efetivas de proteção comercial, citando como avanço a elevação do imposto de importação para nove produtos siderúrgicos. Para o executivo, a iniciativa contribui para equilibrar a concorrência e fortalecer a cadeia produtiva nacional.

Gecex zera imposto de importação para mais de mil itens

Na mesma reunião, o Gecex aprovou a redução a zero da alíquota de importação para 1.059 produtos por meio do regime de ex-tarifário — instrumento utilizado quando não há fabricação equivalente no Brasil.

Do total liberado:

  • 421 itens são bens de capital e informática
  • 638 correspondem a autopeças

A medida visa estimular investimentos, reduzir custos industriais e ampliar a competitividade por meio da importação de máquinas, equipamentos e componentes sem produção nacional.

Também foram zeradas tarifas para 20 insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio, além de dois produtos finais. As isenções abrangem áreas como saúde, energia, setor automotivo, eletroeletrônicos e alimentação animal.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Usiminas

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