Exportação

Em meio ao tarifaço, SP quer retomar exportação de carne ao Japão

Secretário de Agricultura e Abastecimento do governo paulista, Guilherme Piai, teve reunião com o cônsul-geral do Japão em São Paulo

O secretário de Agricultura e Abastecimento do governo paulista, Guilherme Piai, teve uma reunião com o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Shimizu Toru, para tratar da possível retomada das exportações de carne ao país asiático.

O encontro acontece em meio às discussões sobre o tarifaço comercial imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a diversos países pelo mundo, entre os quais o Brasil – alvo das maiores taxas (50%) sobre determinados produtos e setores. A informação foi publicada inicialmente pela Folha de S.Paulo.

Entenda

Em maio do ano passado, o Brasil foi declarado livre da febre aftosa sem vacinação animal. Com esse status, o país, em tese, tem sinal verde para voltar a exportar carne bovina para países como o Japão e a Coreia do Sul – que só compram de mercados livres da doença.

Por outro lado, o fim da vacinação exige protocolos mais rígidos de controle sanitário por parte dos estados brasileiros.

Atualmente, o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome – o que representa algo em torno de US$ 4 bilhões por ano. Desse montante, 80% são importados dos EUA e da Austrália.

Em relação ao Brasil, o processo de negociação com os japoneses se desenrola há mais de 20 anos. O último protocolo entre os dois países vem sendo discutido há cinco anos.

Objetivo é diversificar destino de exportações, diz secretário

Por meio de nota, o secretário da Agricultura de São Paulo confirmou que o estado pretende reabrir a venda de carne ao Japão.

“A ampliação do diálogo com o Consulado do Japão reforça o nosso compromisso de fortalecer e expandir a presença da pecuária paulista no mercado internacional”, diz Piai. “A diversificação dos destinos das nossas exportações, além de aumentar a competitividade, gera mais oportunidades e promove o desenvolvimento dos nossos produtores.”

Carne não escapou do tarifaço

Pelo menos até este momento, a carne brasileira não foi incluída na lista de mais de 700 produtos isentos das tarifas adicionais impostas pelo governo dos EUA.

Ao todo, 694 produtos brasileiros escaparam do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump, que assinou uma ordem executiva oficializando a taxa de 50% sobre exportações vindas do Brasil. A informação consta de documentos divulgados pela Casa Branca, na última quarta-feira (30/7), sobre a medida.

Entre os produtos isentos da taxa, estão itens como suco e polpa de laranja, minérios de ferro, derivados de petróleo, castanha, carvão, e peças de aeronaves civis.

Governo Tarcísio anunciou pacote emergencial

Após a confirmação das tarifas comerciais de 50% impostas pelos EUA, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou um pacote de medidas emergenciais para ajudar setores atingidos pelas taxas norte-americanas.

Uma das medidas anunciadas pelo governo de São Paulo é a oferta de R$ 400 milhões em empréstimos subsidiados às empresas exportadoras do estado. O valor é o dobro daquele que foi anunciado na semana passada, de R$ 200 milhões.

Outra medida confirmada pelo Palácio dos Bandeirantes é a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por meio do programa ProAtivo – o que representa um incremento de R$ 500 milhões em relação ao que havia sido anunciado.

De acordo com o governo paulista, a liberação dos créditos de ICMS será destinada, de forma prioritária, a contribuintes exportadores que possuam créditos acumulados aptos à transferência. Cada empresa poderá solicitar até R$ 120 milhões, e os pedidos aprovados serão atendidos em até 10 parcelas. O cronograma de liberação terá início em setembro.

Como ficou o tarifaço de Trump

Na quinta-feira (31/7), Trump assinou um decreto que amplia as chamadas “tarifas recíprocas” aplicadas a dezenas de países. A medida, que eleva os encargos sobre produtos estrangeiros que entram no mercado norte-americano, é justificada pelo governo como uma resposta a desequilíbrios comerciais e, em alguns casos, a questões de segurança pública.

As novas tarifas, que variam entre 10% e 41%, começarão a ser aplicadas no dia 7 de agosto, e não mais neste dia 1º, como prometido anteriormente. No entanto, mercadorias embarcadas para os EUA antes dessa data e que cheguem ao país até 5 de outubro estarão isentas da nova tributação.

A tarifa mais alta, de 41%, foi imposta à Síria. Países como Laos e Mianmar foram sobretaxados em 40%. Suíça (39%), Iraque e Sérvia (35%), além de Argélia, Bósnia e Herzegovina, Líbia e África do Sul (30%) também estão entre os mais afetados.

A União Europeia (UE), o Japão e a Coreia do Sul passarão a enfrentar tarifas de 15% sobre determinados produtos. Já para Costa Rica, Bolívia e Equador, o encargo subiu de 10% para 15%. No mesmo pacote de medidas, Trump também assinou uma ordem executiva específica para o Canadá, elevando de 25% para 35% a tarifa sobre produtos importados do país vizinho.

O Brasil, por sua vez, manteve a alíquota base de 10% estabelecida em abril. No entanto, com o novo decreto, que impõe sobretaxa de 40% a partir da primeira semana de agosto, com exceção de quase 700 produtos, a maior parte das exportações brasileiras passará a enfrentar tarifas efetivas de até 50%.

As tarifas anunciadas fazem parte da estratégia do governo Trump de pressionar países com os quais os EUA mantêm déficits comerciais. Segundo a Casa Branca, a ideia é estabelecer “condições justas e equilibradas” no comércio exterior americano.

Veja lista das tarifas recíprocas ajustadas:

  • Afeganistão: 15%
  • Argélia: 30%
  • Angola: 15%
  • Bangladesh: 20%
  • Bolívia: 15%
  • Bósnia e Herzegovina: 30%
  • Botsuana: 15%
  • Brasil: 10% (acrescido da sobretaxa de 40% anunciada em 30/7)
  • Brunei: 25%
  • Camboja: 19%
  • Camarões: 15%
  • Chade: 15%
  • Costa Rica: 15%
  • Costa do Marfim: 15%
  • República Democrática do Congo: 15%
  • Equador: 15%
  • Guiné Equatorial: 15%
  • União Europeia: 15% (para a maioria dos produtos)
  • Ilhas Malvinas (Falkland): 10%
  • Fiji: 15%
  • Gana: 15%
  • Guiana: 15%
  • Islândia: 15%
  • Índia: 25%
  • Indonésia: 19%
  • Iraque: 35%
  • Israel: 15%
  • Japão: 15%
  • Jordânia: 15%
  • Cazaquistão: 25%
  • Laos: 40%
  • Lesoto: 15%
  • Líbia: 30%
  • Liechtenstein: 15%
  • Madagascar: 15%
  • Maláui: 15%
  • Malásia: 19%
  • Maurício: 15%
  • Moldávia: 25%
  • Moçambique: 15%
  • Mianmar (Birmânia): 40%
  • Namíbia: 15%
  • Nauru: 15%
  • Nova Zelândia: 15%
  • Nicarágua: 18%
  • Nigéria: 15%
  • Macedônia do Norte: 15%
  • Noruega: 15%
  • Paquistão: 19%
  • Papua-Nova Guiné: 15%
  • Filipinas: 19%
  • Sérvia: 35%
  • África do Sul: 30%
  • Coreia do Sul: 15%
  • Sri Lanka: 20%
  • Suíça: 39%
  • Síria: 41%
  • Taiwan: 20%
  • Tailândia: 19%
  • Trinidad e Tobago: 15%
  • Tunísia: 25%
  • Turquia: 15%
  • Uganda: 15%
  • Reino Unido: 10%
  • Vanuatu: 15%
  • Venezuela: 15%
  • Vietnã: 20%
  • Zâmbia: 15%
  • Zimbábue: 15%

Fonte: Metrópoles


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Exportação

Tarifaço exclui 44,6% das exportações do Brasil para EUA, informa Mdic

Tarifaço exclui 44,6% das exportações do Brasil para EUA, informa Mdic

O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump exclui 44,6% das exportações brasileiras em valores para os Estados Unidos, divulgou nesta quarta-feira (31) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A pasta calculou o impacto da lista com cerca de 700 exceções para produtos que ficaram fora da sobretaxação.

Esses 700 itens, entre os quais aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro, continuarão a pagar a tarifa de até 10% definida em abril. Segundo a pasta, as medidas anunciadas na quarta-feira (30) incidirão apenas sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Há ainda 19,5% das vendas sujeitas a tarifas específicas, adotadas pelo governo de Donald Trump com base em argumentos de segurança nacional. Entre esses produtos, estão as autopeças e automóveis de todos os países, que pagam 25% para entrarem nos Estados Unidos desde maio.

O aço, alumínio e cobre pagam alíquota de 50%, mas, segundo o levantamento do Mdic, estão dentro dos 19,5% porque as tarifas foram definidas com base nos argumentos de segurança nacional em fevereiro, com entrada em vigor em março.

De acordo com o Mdic, 64,1% das exportações brasileiras continuam concorrendo em condições semelhantes com produtos de outros países no mercado estadunidense. Esse percentual é a soma dos 44,6% de vendas excluídas do tarifaço e dos 19,5% de exportações com tarifas específicas.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Mdic, o levantamento é preliminar e foi elaborado com base nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024. O governo brasileiro espera alguns esclarecimentos sobre se algumas especificações de produtos estão fora da lista de exceções.

A pasta esclareceu que os produtos em trânsito para os Estados Unidos não serão afetados pelas tarifas adicionais. A decisão, emitida na quinta-feira (30), excluiu da elevação da tarifa mercadorias que tenham sido embarcadas no Brasil até sete dias após a data da ordem executiva, observadas as condições previstas.

O Mdic divulgou uma tabela do efeito do tarifaço e da lista de exceções sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos: Com base nos valores vendidos em 2024:

Exportação brasileira aos EUA em 2024:

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Impacto de tarifaço no lucro da ArcelorMittal pode chegar a US$ 150 milhões

A ArcelorMittal elevou sua estimativa sobre o impacto financeiro das tarifas dos Estados Unidos, e agora espera que as alíquotas reduzam seu lucro operacional em US$ 150 milhões este ano, acima dos US$ 100 milhões previstos em fevereiro. A segunda maior siderúrgica do mundo está respondendo às medidas com um aprofundamento de sua produção nos EUA, disse o diretor financeiro da ArcelorMittal, Genuino Christino, nesta quinta-feira (31). “O que fornecemos do Canadá para os EUA é material de alto valor agregado que não pode ser facilmente substituído”, disse Christino em entrevista. “Nosso foco é trabalhar com os clientes para garantir que possamos continuar a fornecer, proteger a participação no mercado e ainda obter uma margem.” A empresa está buscando várias opções, incluindo estender as tarifas aos clientes e cortar custos, ele acrescentou.

A ArcelorMittal também está se movimentando para expandir sua presença nos EUA. Em junho, a empresa finalizou a aquisição da participação de 50% da Nippon Steel na joint venture Calvert, assumindo o controle total da instalação localizada no Alabama. Christino disse que o acordo está prestes a transformar a presença do grupo no mercado.

FONTE: CNN Brasil

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Exportação

Tarifa dos EUA atinge em cheio exportações de MT e preocupa indústria

Medida eleva para 50% o imposto sobre produtos brasileiros e atinge 76% da pauta de exportação mato-grossense, com impactos imediatos para a indústria local

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, formalizada nesta quarta-feira (30), acendeu o alerta no setor industrial de Mato Grosso. A nova taxação, que eleva para 50% o imposto de importaçãoafeta diretamente cinco dos seis principais produtos exportados pelo estado ao mercado norte-americano.

A medida prevê uma longa lista de exceções como suco de laranja, aeronaves civis, ouro, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.

Comunicado emitido pela Casa Branca, logo após a formalização, destaca que o decreto entra em vigor no dia 6 de agosto. Ainda conforme a Casa Branca, o decreto foi adotado em resposta às ações do governo brasileiro que, na avaliação do governo americano, representaria uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

De acordo com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), a medida deve ter impactos imediatos na economia estadual. Produtos como carne bovina, gelatina, gordura animal (sebo), soja e madeira perfilada — que representam parte significativa da pauta exportadora — estão entre os atingidos. Apenas o ouro, entre os principais itens enviados aos EUA, ficou de fora da taxação. Esses seis principais produtos concentram 98% das exportações.

Ao todo, Mato Grosso exporta 54 produtos para os Estados Unidos. Com a nova medida, 41 deles foram incluídos na tarifa adicional, o que corresponde a 76% do total. Em 2024, as exportações para o país somaram US$ 415 milhões, sendo que os produtos agora tarifados respondem por US$ 266 milhões — ou 65% do valor negociado.

“A medida, formalizada nesta quarta-feira (30), afeta diretamente as exportações mato-grossenses, especialmente os produtos industrializados — que representam cerca de 90% do total enviado pelo estado ao mercado norte-americano”, diz a Fiemt.

A federação ressalta ainda que “entende que medidas unilaterais comprometem a previsibilidade, a segurança jurídica e a confiança entre as nações. A indústria de Mato Grosso trabalha com base em inovação, qualidade e competitividade, e tem buscado ampliar sua presença internacional com base na sustentabilidade e na agregação de valor aos seus produtos”.

A federação informa que segue mobilizada junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e autoridades brasileiras para discutir alternativas diante dos impactos da decisão unilateral dos EUA.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior, Exportação

FIESC apresenta resultado da pesquisa com exportadoras nesta quinta, às 15h

Federação consultou indústrias de SC sobre os potenciais impactos da entrada em vigor de tarifas de 50% sobre exportações aos Estados Unidos

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) realiza nesta quinta-feira (31), às 15h, uma live para apresentar os resultados da pesquisa com indústrias exportadoras sobre os impactos das tarifas de 50% a serem aplicadas sobre produtos brasileiros com destino aos Estados Unidos.

O objetivo da pesquisa é municiar o governo do estado e o federal com informações para a formulação de políticas públicas para minimizar os reflexos da taxação de Trump sobre a economia do estado. Em 2024, 99% das exportações catarinenses aos Estados Unidos foram de produtos industriais. SC exportou US$ 1,74 bilhão para o mercado norte-americano no ano passado. Entre os principais produtos embarcados estavam: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

SERVIÇO:
Apresentação resultado da Pesquisa Impactos do Tarifaço
Onde: Online, com transmissão ao vivo pelo Youtube
Quando: quinta-feira, 31/07, às 15h
Link para acesso: https://www.youtube.com/live/ZLDqHIoyh_4?si=nufqHk-U-x0F9MZV

Fonte: FIESC

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Exportação, Portos

Exportadores de café perdem R$ 1 bi com atrasos em portos brasileiros

Mais de 450 mil sacas deixaram de ser embarcadas em junho; o setor cobra ações emergenciais para melhorar a infraestrutura

Os exportadores de café do Brasil enfrentam crescente dificuldade para consolidar seus embarques nos portos nacionais. Em junho de 2025, mais de 453 mil sacas de 60 kg –equivalentes a 1.375 contêineres– não foram exportadas pelo esgotamento da infraestrutura portuária do país. Os dados são de levantamento do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

O impacto financeiro é expressivo. O país deixou de arrecadar R$ 1,022 bilhão em receita cambial no mês, considerando o preço médio FOB (Free on Board, o valor da mercadoria no porto de embarque, sem incluir frete internacional, seguro ou custos no país de destino) de exportação de US$ 405,81 por saca e a cotação média do dólar a R$ 5,5465.

Além disso, os exportadores acumularam prejuízo de R$ 3 milhões em custos extras com:

  • armazenagem adicional;
  • detentions (multas pela permanência prolongada de contêineres após o prazo acordado);
  • pré-stacking (necessidade de posicionar os contêineres com antecedência no terminal antes do embarque);
  • antecipação de gates (entrada antecipada dos contêineres no porto para tentar garantir espaço nos navios).

Desde junho de 2024, quando o Cecafé iniciou o monitoramento, os gastos imprevistos com atrasos e alterações nas escalas dos navios somam R$ 78,9 milhões.

Segundo Eduardo Heron, diretor técnico da entidade, o cenário tende a se agravar com a chegada da nova safra, especialmente do café canéfora (conilon e robusta), e, em seguida, da variedade arábica.

“Esse cenário tende a se agravar, pois a principal movimentação de exportação de café se dá agora neste 2º semestre, com a chegada dos cafés novos, incluindo a espécie arábica”, afirmou.

INVESTIMENTOS E STS-10

Heron defende medidas emergenciais dos setores público e privado, como aceleração dos leilões de terminais, ampliação de pátios e berços, investimento em ferrovias e hidrovias e a criação de indicadores logísticos para acompanhar a evolução da demanda.

“O governo anunciou uma série de investimentos, que, sem dúvida, são positivos, mas que demandarão, em condições normais, pelo menos 5 anos para serem concluídos. O problema é que precisamos de ações emergenciais, que possibilitem melhorias imediatas ou, no máximo, no curto prazo, pois os setores do agronegócio que demandam contêineres seguem evoluindo e demandando cada vez mais estrutura dos portos”, afirmou.

Heron citou ainda preocupação com o leilão do megaterminal STS-10, no Porto de Santos (SP), diante da limitação de participação de interessados.

Para ele, a restrição carece de justificativa técnica ou legal e contraria a Nota Técnica nº 51 da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que recomenda um modelo mais competitivo para evitar concentração de mercado e judicialização do processo.

PANORAMA DOS ATRASOS

Em junho, 49% das 306 embarcações nos principais portos do país registraram atrasos ou alterações de escala, segundo o Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

No Porto de Santos (SP), responsável por 80% das exportações de café no 1º semestre, o índice foi ainda maior: 59% dos navios sofreram atrasos. Das 161 embarcações previstas, 95 enfrentaram alterações nas escalas. O maior tempo de espera registrado no terminal santista foi de 37 dias.

Sobre os prazos de gate aberto para embarques em Santos:

  • 7% dos procedimentos ultrapassaram 4 dias;
  • 60% duraram de 3 a 4 dias;
  • 33% foram concluídos em menos de 2 dias.

No complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café do país (15,7% do total no semestre), 57% dos navios previstos sofreram atrasos em junho. Foram 34 de um total de 60 embarcações. O maior intervalo entre o 1º e o último deadline foi de 20 dias.

No 1º semestre, os portos fluminenses registraram:

  • 43% dos embarques com mais de 4 dias de gate aberto;
  • 37% de 3 a 4 dias;
  • 21% com menos de 2 dias.

Fonte: Poder 360

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças

Alckmin: Governo trabalha pela diminuição da alíquota para todos

Vice-presidente relata avanço nas discussões com bigtechs sobre inovação tecnológica, segurança jurídica e regulação.

O governo está empenhado em evitar que os EUA apliquem uma tarifa totalmente injustificada de 50% sobre produtos brasileiros, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante entrevista coletiva concedida no fim da tarde desta terça-feira (29/7), em Brasília.

“Nós estamos trabalhando para que a diminuição da alíquota seja para todos. Não tem justificativa você ter uma alíquota de 50% para um país que é um grande comprador. Você tem uma balança comercial superavitária”, afirmou.

Alckmin voltou a citar dados do comércio e dos interesses entre os dois países, afirmando que há muito mais convergência do que divergência. “Então, não há razão para ter essa questão tarifária. Isso parece totalmente equivocado”.

Durante o dia, o ministro teve mais três reuniões dentro da série de conversas que o MDIC e outros ministérios vêm realizando, no âmbito do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a possibilidade de impor tarifas de 50% os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Um dos encontros desta terça foi com representantes de grandes empresas do setor de tecnologia, como Meta, Google e Apple. Segundo Alckmin, o governo propôs uma mesa de trabalho para debater pautas de interesse das companhias, que incluem ambiente regulatório, inovação tecnológica, oportunidade econômica e segurança jurídica.

“Essa questão de regulamentação de bigtechs, de redes sociais, está em discussão no mundo. Então, vamos aprender. Onde é que já foi implementado?  O que deu certo? O que levou à crítica? Nós não devemos ter muita pressa nisso. Eu acho que a gente deve verificar a legislação comparada e ouvir, ouvir e dialogar”, afirmou o ministro.

O setor de data center foi apontado por Alckmin como oportunidade econômica para fortalecer parceria comercial entre os dois países.

“O Brasil vai ser campeão de data center. Nós temos energia mais barata, energia renovável, especialmente eólica e solar, e energia abundante. Você tem muitas oportunidades e segurança jurídica”, garantiu. A convite do governo brasileiro, a reunião também contou com a participação de representante da Secretaria de Comércio dos Estados Unidos.

Ceará e Rio de Janeiro

Alckmin também se reuniu com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e empresários do estado; e com dirigentes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre eles o presidente da entidade, Luiz Césio Caetano Alves.

Desde o anúncio da possível imposição de tarifas ao Brasil, o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais tem se reunido com representes de todos os setores produtivos potencialmente afetados pela medida. Foram 25 reuniões envolvendo mais de 120 empresas/entidades, com quase 200 representantes empresariais e dos trabalhadores.

Questionado na coletiva sobre eventual plano de contingência para apoiar empresas que possam ser atingidas pelo tarifaço, o vice-presidente reiterou que o Brasil continua trabalhando para evitar que a taxação seja consumada.

 “O Brasil tem estabilidade, previsibilidade e segurança jurídica. O plano de contingência, que está sendo bem trabalhado, só deve ser discutido se consumada a questão dos 50%. Nós não vamos esmorecer, vamos trabalhar permanentemente para evitar que isso ocorra”, garantiu.

Fonte: MDIC.gov

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Exportação

“Impacto pode chegar a 78% nas exportações de cerâmica”, diz presidente da Anfacer sobre tarifas

O setor brasileiro de revestimentos cerâmicos projeta uma forte retração nas exportações em decorrência da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A medida, que pode entrar em vigor já nesta sexta-feira (1º), é vista com preocupação por empresários do setor, que mobilizam entidades e governos para tentar mitigar os efeitos da política comercial norte-americana.

“Nós vamos ter esse impacto, dentro do ano de 2025, representando uma queda de 40%. Mas, anualizado, esse efeito chega a 78%”, afirmou Sérgio Wuaden, presidente do Conselho de Administração da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmicas para Revestimentos).

Em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Wuaden detalhou os impactos estimados. Segundo ele, no segundo semestre de 2025 a redução será de cerca de 6 milhões de metros quadrados em volume exportado. Caso a tarifa se mantenha, o setor pode deixar de exportar 12 milhões de metros quadrados em um ano completo.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de cerâmica brasileira. O tipo de produto mais demandado é composto por peças de menor dimensão, o que, de acordo com Wuaden, dificulta a adaptação para outros mercados. “Não existem mercados alternativos com a mesma relevância em volume e especificidade”, disse.

Confira abaixo as exportações Brasileiras de cerâmica aos Estados Unidos via contêineres de 2022 a 2025 e que serão diretamente impactados pelas tarifas impostas pelo governo americano:

Exportação de Cerâmica Brasileria aos Estados Unidos | Jan – Maio 2022 a Jan – Maio 2025 |TEU

Setor articula apoio
O setor cerâmico está em diálogo com o governo federal e governos estaduais. A intenção é viabilizar linhas de crédito emergenciais para os fabricantes. Wuaden explicou que a Anfacer está conduzindo tratativas para que os estados onde as fábricas estão localizadas ofereçam apoio financeiro. “Estamos procurando maneiras de sensibilizar o estado onde os fabricantes estão instalados para oferecer alguma forma de compensação”, afirmou.

Indagado sobre a possibilidade de reversão da medida por parte dos Estados Unidos, Wuaden foi cauteloso. Disse que ainda há esforço por parte da entidade para que haja, no mínimo, uma postergação. No entanto, reconheceu que essa possibilidade perdeu força nos últimos dias. “Temos trabalhado cada vez mais com a alternativa de que isso não vai ocorrer nesse momento.”

Viés político
O presidente da Anfacer considera que a medida norte-americana tem motivação política e não econômica. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm superávit com o Brasil tanto na balança comercial quanto na balança de pagamentos. “Claramente o que resta é um viés político, uma aposta numa tentativa de demonstrar forças”, disse.

Wuaden comparou o caso brasileiro ao da China, que conseguiu postergar tarifas semelhantes. Para ele, o Brasil não conseguiu estabelecer um canal efetivo de negociação. “Outros países que encaminharam negociações acabam tendo resultados melhores do que aqueles que medem forças.”

Fonte: Times Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Notícias, Tributação

Plano de contingência sobre tarifas dos EUA já foi apresentado a Lula

Segundo Haddad, o Brasil não sairá da mesa de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (28) o plano de contingenciamento para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% aos produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos, disse nesta noite o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele reiterou que o Brasil não pretende sair da mesa de negociações e continuará a dar prioridade ao diálogo para tentar reverter a medida.

Formulado pelos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; das Relações Exteriores; e pela Casa Civil, o plano de contingência agora está sob análise de Lula, que tomará uma decisão, caso os Estados Unidos não adiem a entrada em vigor da tarifa, prevista para a próxima sexta-feira (1º).

“Nós nos debruçamos sobre isso hoje. Os cenários possíveis já são de conhecimento do presidente [Lula]. Ainda não tomamos nenhuma decisão, porque nem sabemos qual será a decisão dos Estados Unidos no dia 1º. O importante é que o presidente tem na mão os cenários todos que foram definidos pelos quatro ministérios”, declarou Haddad, que não adiantou detalhes sobre o plano de socorro.

Apesar da apresentação do plano de contingência, Haddad informou que a prioridade do governo brasileiro continua a ser o diálogo com os Estados Unidos. Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que o governo brasileiro está tendo diálogos “com reserva” com o governo estadunidense.

“Combinamos de apresentar para ele [Lula] o plano de contingência com todas as possibilidades que estão à disposição do Brasil e dele à frente da Presidência da República. O foco continua sendo as negociações”, afirmou Haddad, em entrevista a jornalistas ao deixar o ministério na noite desta segunda.

O ministro da Fazenda afirmou que Alckmin está em “contato permanente e à disposição permanentemente” das autoridades estadunidenses. “O foco, por determinação do presidente, é negociar, tentar evitar medidas unilaterais, mas, independentemente da decisão que o governo dos Estados Unidos vai tomar, nós vamos continuar abertos à negociação”, reiterou Haddad.

Fonte: Agencia Brasil

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Exportação

Acredita Exportação: Governo vai ‘devolver’ 3% das exportações de MPEs

O presidente Lula (PT) sancionou hoje a lei que cria o Programa Acredita Exportação. A medida, descrita como uma antecipação da Reforma Tributária de 2027, busca fortalecer as MPEs (micro e pequenas empresas) no mercado internacional, com foco na devolução de tributos federais pagos ao longo da cadeia produtiva de bens industriais destinados à exportação.

O que aconteceu

MPEs poderão pedir uma devolução de até 3% das receitas com vendas externas. O valor será compensado com tributos federais ou pago diretamente. Benefícios começam a valer na sexta-feira, mesmo dia em que os EUA devem começar a taxar produtos brasileiros em 50%. A medida se aplica até 2027, quando entrará em vigor a nova CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços).

Programa corrige distorções no sistema tributário. Empresas cadastradas no Simples Nacional não podiam, até agora, recuperar tributos pagos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Estima-se que cerca de 50% das MPEs exportadoras sejam beneficiadas.

Apenas 0,8% do exportado pelo Brasil no ano passado foi comercializado por MPEs, totalizando US$ 2,6 bilhões. Dados apresentados pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, apontam que das 28.847 empresas que exportam, as MPEs respondem por 40% desse total (11.500).

“1% das grandes empresas é responsável por 99% das exportações, e os 99% restantes são responsáveis por 1% das vendas internacionais.” A afirmação foi feita pelo ministro da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Márcio França. “Na China, por exemplo, 65% do valor que é exportado é comercializado pelos pequenos”, comparou, ao justificar incentivos para empresas “menores” como uma escolha necessária para impulsionar a economia.

MPEs exportadoras devem acessar o sistema da Receita Federal para solicitar o benefício. O processo é regulamentado por um decreto presidencial, com informações detalhadas disponíveis no portal da Receita Federal.

Medidas de antecipação da Reforma Tributária também são estudadas para outros setores. Sem citar quais seriam as áreas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, com a reforma, seria possível o Brasil crescer até 12% em cima do PIB (Produto Interno Bruto) potencial.

Isenção para serviços relacionados à exportação

Acelera Exportação também prevê alterações nos regimes aduaneiros, como o Drawback Suspensão. Drawback é um regime aduaneiro especial que visa facilitar as exportações brasileiras, permitindo que empresas importem insumos (como matérias-primas, produtos semiacabados ou outros componentes) sem a incidência de tributos, desde que esses insumos sejam utilizados na produção de bens destinados à exportação.

Serviços respondem por aproximadamente 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros. Os dados são da ODCE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgados pelo governo no lançamento do programa.

Em 2024, o regime de Drawback Suspensão foi utilizado por 1.900 empresas e atingiu US$ 69 bilhões em exportações. Valor representa cerca de 20% do total exportado pelo Brasil. A proposta anunciada hoje prevê isenção do PIS/Cofins e do Imposto de Importação.

Empresas já podem acionar o Drawback Suspensão. É necessário incluir informações sobre os serviços importados ou adquiridos no Brasil nos atos concessórios emitidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic.

Fonte: UOL

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