Comércio, Exportação

Santa Catarina lidera exportações e prevê safra recorde de banana em 2025

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de US$ 15,7 milhões

O mercado da banana em Santa Catarina enfrentou um período de desvalorização nos meses de maio e junho de 2025. A banana-caturra, por exemplo, teve queda de 25,3% nos preços pagos ao produtor, reflexo do aumento na oferta. A banana-prata também registrou recuo de 16,4%, influenciada pela concorrência com outras frutas da estação e pela redução na demanda.

Para julho, a expectativa é de recuperação nas cotações da caturra, com a redução na oferta decorrente do menor desenvolvimento das frutas. No caso da banana-prata, a tendência é de estabilidade, ainda sob influência da presença de outras frutas no mercado.

Em nível nacional, as variedades nanica e prata devem apresentar valorização, impulsionadas pela menor oferta provocada pelas baixas temperaturas que afetam o desenvolvimento dos cachos. Com isso, o preço ao consumidor deve subir um pouco.

Estimativa da safra da banana

Para a safra 2024/25, a estimativa é de aumento de 17,5% na produção estadual. Que pode chegar a 768 mil toneladas, impulsionada pela ampliação da área cultivada, que passou para 28,4 mil hectares. A produção de banana-caturra deve crescer 18%, enquanto a da banana-prata tem alta estimada de 15,2% em relação à safra anterior.

Conforme explica o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Rogério Goulart Júnior, o setor da bananicultura catarinense tem enfrentado um cenário desafiador. Também devido as condições climáticas também foram determinantes nesse período. “Tivemos chuvas frequentes e uma geada em junho que comprometeram a qualidade dos cachos. Muitos produtores precisaram colher antes do ponto ideal de maturação, o que impactou ainda mais o mercado”, observa.

Apesar das dificuldades, Goulart destaca que o cenário tende a melhorar para os produtores a partir de julho. O que também significa preços ,mais salgados ao consumidor.  “A expectativa é de valorização nos preços devido à redução da oferta, causada pelas baixas temperaturas e pelo menor desenvolvimento dos cachos nos bananais. A banana-caturra deve ter recuperação nos preços, enquanto a banana-prata tende a se manter estável, favorecida por uma demanda mais equilibrada no período”, projeta.

Painel temático de Comércio Exterior

De acordo com o painel temático de Comércio Exterior do Observatório Agro Catarinense, Santa Catarina se mantém como o maior exportador de bananas do Brasil em 2025. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, com receita de US$ 15,7 milhões. Santa Catarina foi responsável por praticamente 50% do volume exportado, com 21,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 103% em relação ao mesmo período de 2024. O estado gerou US$ 7,2 milhões, equivalente a 45,9% da receita nacional com exportações de banana no primeiro semestre de 2025.

Os dados dos painéis temáticos do Observatório Agro Catarinense são atualizados mensalmente, com isso, além de permitirem o monitoramento da variação da balança comercial catarinense, é possível comparar o desempenho de Santa Catarina com o restante do país.

Os principais compradores da banana catarinense são Argentina, responsável por 62% das exportações com um faturamento de US$ 4,5 milhões, e em segundo lugar é o Uruguai, com 37,8% gerando uma receita de US$ 2,7 milhões. Conforme o analista da Epagri/Cepa, Rogério Goulart Júnior, as perspectivas do setor para o mercado internacional são positivas. “Santa Catarina teve um crescimento expressivo no primeiro semestre de 2025 nas exportações brasileiras de banana. Para o segundo semestre, a expectativa é de uma queda sazonal na oferta, mas com perspectiva de melhores valores nas exportações, em comparação com anos anteriores”, conclui o analista.

Fonte: Guararema News

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Exportação, Mercado Internacional

PCI Itália: estudo destaca 410 oportunidades para ampliar exportações brasileiras com destino ao país europeu

Estudo da ApexBrasil revela potencial de diversificação da pauta exportadora e destaca aumento dos investimentos italianos no Brasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) publicou uma atualização do Perfil de Comércio e Investimentos: Itália. Elaborado pela equipe de Inteligência da Agência, o estudo reforça a importância estratégica da Itália como parceiro comercial do Brasil na Europa e destaca oportunidades concretas para diversificação da pauta exportadora e ampliação de investimentos bilaterais.

Com população de 59,3 milhões de habitantes e PIB de US$ 2,4 trilhões, a Itália é a oitava maior economia do mundo. Em 2024, o comércio bilateral entre os países totalizou US$ 10,8 bilhões, tornando o país o 15º principal destino das exportações brasileiras. No entanto, o estudo aponta que a pauta exportadora ainda é concentrada em commodities, produtos como café, celulose, soja, carnes, petróleo, farelo de soja, açúcar e minérios.

O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 410 produtos com potencial de exportação para o mercado italiano. Além dos setores tradicionais, há espaço para avançar em áreas como madeira compensada, papel e motores elétricos. A Agência atualmente apoia sete projetos setoriais voltados à Itália, que incluem moda, couro, audiovisual, móveis, gemas e joias, vitivinicultura e produtos para pets.

O estudo traz alertas importantes para os exportadores sobre regulamentações ambientais recentes da União Europeia, como o EUDR (Produtos Livres de Desmatamento) e o CBAM (Ajuste de Fronteira de Carbono). As tratativas do Acordo de Associação Mercosul–União Europeia também são relevantes para o comércio bilateral. A Itália participa do processo, que pode reduzir tarifas e facilitar o acesso de produtos brasileiros ao bloco europeu. No entanto, o país ainda não definiu oficialmente sua posição.

Do lado dos investimentos, os números também são expressivos. Em 2023, o estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) da Itália no Brasil cresceu US$ 2,7 bilhões, alcançando US$ 23,8 bilhões, um aumento de 12,8% em relação ao ano anterior. Os aportes italianos se concentram principalmente nos setores automotivo, de energia, agricultura e bens de consumo.

Fonte: Apex Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Informação, Tributação

Tarifa de Trump obriga Brasil a acelerar busca por novos mercados de exportação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, provocou uma reação em cadeia no comércio exterior do Brasil. Com os EUA respondendo por uma fatia expressiva das exportações brasileiras — 40% do total no primeiro semestre deste ano, somando-se à China —, setores estratégicos, como agronegócio e aviação, estão em alerta.

O tarifaço obriga empresas brasileiras a repensarem suas rotas comerciais. Produtos como carne bovina, suco de laranja, café e pescado são alguns dos mais afetados. De acordo com dados do comércio exterior, só no primeiro semestre de 2025, os americanos compraram quase 8% da carne exportada pelo Brasil, 56% do pescado e 16% do café. “Redirecionar esses produtos não é uma tarefa simples. São décadas de negociações e avaliações técnicas para conquistar a confiança de novos mercados”, explicou o economista André Galhardo, em entrevista à Rede Globo.

Além das barreiras comerciais, o Brasil também precisa lidar com obstáculos culturais na busca por novos mercados. Países como a Índia, por exemplo, não consomem determinados produtos por motivos religiosos, o que impede a exportação de itens como carne bovina. Adaptar-se a esses novos destinos exige mais do que estratégia comercial — é necessário compreender profundamente os hábitos e preferências de consumo de cada população.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou uma ofensiva diplomática para minimizar os impactos das sanções americanas. O ministro Carlos Fávaro declarou que o foco agora será abrir novas frentes no Oriente Médio, no Sul Asiático e no Sul Global — regiões com grande potencial consumidor. “Vamos reforçar as ações diplomáticas e buscar mercados alternativos. Já estamos em diálogo com entidades dos setores mais afetados para diversificar as exportações e reduzir os impactos internos, como a queda dos preços das commodities”, afirmou o ministro em pronunciamento oficial.

As medidas vêm sendo articuladas em parceria com os adidos agrícolas, que atuam como pontes entre o Brasil e outros países, levantando dados sobre demanda, legislações sanitárias e oportunidades comerciais.

Entre as novas apostas, destaca-se o mercado de carne caprina na Nigéria, país com mais de 220 milhões de habitantes e grande consumo dessa proteína. Outro exemplo está nas mangas: mesmo com produção limitada, os EUA importaram mais de US$ 570 milhões em mangas frescas em 2023, sendo o Brasil um dos principais fornecedores.

Dependência crítica do setor aéreo

Mesmo com alguma diversificação, o setor aeronáutico ainda depende fortemente dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, 65% das exportações do setor tiveram como destino o mercado americano. Trata-se de um segmento técnico, com ciclos longos de negociação e alto valor agregado.

Diversificação é palavra de ordem

Com o comércio exterior brasileiro pressionado, o governo e especialistas avaliam que o momento é propício para repensar a pauta exportadora e investir em produtos estratégicos para a economia do século 21. O Mapa tem incentivado a exportação de novos produtos e a entrada em mercados menos tradicionais, com base em relatórios detalhados que consideram hábitos de consumo, conjuntura política e ambiente regulatório. “Temos uma estratégia clara de diversificação. Estamos mapeando oportunidades que muitas vezes o setor produtivo ainda não enxergou, e que podem garantir mais resiliência ao agro exportador brasileiro”, explicou um porta-voz do Ministério da Agricultura.

FONTES: G1 / CNN / AGÊNCIA BRASIL

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTO DE SANTOS / DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Fontes de Washington alertam empresários que tarifa de 50% pode ser mantida

Segundo relatos feitos à CNN, mensagens sempre vêm acompanhadas da lembrança de que decisão final cabe apenas a Trump

Diante do impasse nas negociações entre Brasil e Estados Unidos, fontes de Washington disseram a um grupo de empresários e negociadores brasileiros que a Casa Branca tende a confirmar a tarifa de 50% no dia primeiro de agosto.

E num segundo momento, depois de alguns dias ou semanas, iniciar um processo de negociação contando com vulnerabilidade maior do Brasil.

Segundo relatos feitos à CNN, as mensagens sempre vêm acompanhadas da lembrança de que a decisão final cabe apenas a Donald Trump, mas que a sinalização mais forte nesta segunda-feira (21) é de confirmação da tarifa daqui a dez dias.

Os americanos ainda sinalizaram que o governo Trump parece não ter pronta uma lista de demandas para o Brasil, o que dificulta o processo negociador entre os dois países.

Executivos disseram ao blog que os dois tópicos comerciais que parecem mais óbvios nas conversas com a Casa Branca são a questão do etanol e as queixas sobre o tratamento às big techs.

Na percepção das fontes ouvidas pela CNN, o Brasil não é uma prioridade e, por isso, os negociadores americanos não se debruçaram sobre o que poderiam ser os contornos da barganha comercial.

A lista de cobranças é abrangente e difusa, como ficou claro na abertura de investigação do Escritório do USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos).

Este grupo de executivos brasileiros que está atuando junto a autoridades e empresas dos EUA enfatiza que, mesmo que eles consigam ser ouvidos por quem importa em Washington, a negociação precisa ser conduzida pelo governo brasileiro.

Muitos veem como positiva a movimentação do governo brasileiro, especialmente na figura do presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB). Mas que, no contexto atual, ainda parece pouco, sobretudo diante do prazo exíguo para qualquer solução.

Se nos EUA, a última palavra é de Trump, a mesma coisa acontece no Brasil com Lula (PT). E, do ponto de vista dos empresários, há muitas dúvidas sobre o empenho do Planalto em encontrar uma solução que desative o modo de “combate ao inimigo externo”. Este passou a ser o mote do governo Lula diante dos ataques do presidente americano.

Sobre a ligação de Jair Bolsonaro (PL) com Donald Trump, fontes de Washington têm dados sinais de que não tratam o ex-presidente brasileiro como um negociador, ou mesmo como alguém que pode influenciar uma ruptura no processo de negociação que venha acontecer entre o governo Lula e o governo americano.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Exportações brasileiras para a China recuam 7,5% em meio a tensões globais e China amplia domínio sobre importações

A guerra tarifária entre China e EUA, a queda nos preços das commodities e a diversificação dos fornecedores chineses mudaram o cenário da balança comercial entre Brasil e seu principal parceiro asiático.

A relação comercial entre Brasil e China passou por transformações importantes no primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez em uma década, as exportações brasileiras para a China caíram significativamente, somando US$ 47,7 bilhões — queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Essa retração ocorre em um contexto internacional conturbado, com destaque para a intensificação da guerra tarifária entre Estados Unidos e China, iniciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. Em resposta, a China acelerou sua estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo sua dependência de parceiros tradicionais como o Brasil.

Queda nas exportações e perda de superávit

Apesar de seguir como principal destino das exportações brasileiras, com 28,7% de participação, o volume embarcado sofreu fortes baixas em produtos-chave. A soja, principal item exportado, registrou crescimento de 5% no volume, mas a queda nos preços derrubou o valor negociado para US$ 18,9 bilhões — uma redução de 6% na receita.

Outro destaque negativo foi o petróleo bruto, que sofreu sua maior retração em cinco anos, com queda de 7% no volume e de 15% no faturamento, totalizando US$ 9,3 bilhões. O impacto foi significativo na balança comercial, que, embora ainda positiva, teve seu superávit com os chineses reduzido para US$ 12 bilhões — o menor desde 2019 e quase metade do registrado no primeiro semestre de 2024.

China amplia presença no mercado brasileiro

Na contramão, as importações do Brasil vindas da China cresceram 22%, atingindo um novo recorde: US$ 35,7 bilhões. A participação chinesa nas compras brasileiras subiu para 26,3%, o maior percentual já registrado no comércio bilateral.

Esse crescimento foi impulsionado especialmente pelo aumento nas importações de veículos híbridos e aço. As compras de carros híbridos somaram US$ 1,38 bilhão — alta de 52% —, enquanto os laminados planos de aço cresceram impressionantes 318%, totalizando US$ 294 milhões.

Segundo especialistas, esses picos foram influenciados por uma corrida de antecipação às novas tarifas sobre veículos elétricos no Brasil, que subiram de 25% em julho de 2024 para 30% em julho de 2025. Mesmo com uma pequena retração em relação a 2024, os veículos chineses ganharam protagonismo, aparecendo pela primeira vez como o segundo bem mais vendido para o Brasil.

De acordo com o Icomex/FGV, entre 2002 e 2025, o Brasil passou de 17º para 6º maior mercado da indústria automotiva chinesa, representando 5,6% das vendas globais de veículos do país asiático.

Crescimento das exportações de industrializados e terras-raras

Apesar da concentração ainda alta em commodities, os embarques de bens industrializados brasileiros para a China avançaram. Destaque para o crescimento nas vendas de torneiras, dispositivos de aquecimento e aferidores de gases, além da valorização das exportações de terras-raras — compostos essenciais para a indústria de eletrônicos, turbinas e baterias de carros elétricos.

As exportações brasileiras de compostos de terras-raras para a China somaram US$ 6,7 milhões no semestre, mais que o triplo do valor registrado em todo o ano de 2024. O aumento coincide com o fortalecimento da presença do Brasil nesse mercado estratégico, impulsionado por acordos internacionais envolvendo China e EUA.

Contexto geopolítico influencia comércio bilateral

O cenário de tensões entre as duas maiores economias do mundo impactou diretamente a dinâmica do comércio internacional. A China, que encerrou o semestre com um superávit comercial global de US$ 586 bilhões, vem ganhando espaço como fornecedora global com preços competitivos e alta capacidade produtiva.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o avanço da China sobre o mercado brasileiro reflete uma mudança estrutural no comércio global: “A China hoje concorre com tudo, produz de tudo e tem preço competitivo em tudo. O mundo está se adaptando a essa nova realidade”.

FONTES: ICL NOTÍCIAS / COMEX DO BRASIL / FGV / MDIC
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: FREEPIK

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Comércio Exterior, Exportação, Informação, Tributação

Governo aguarda sinal de Trump para avançar negociação do tarifaço

No governo brasileiro, leitura é de que bola está no campo dos americanos

O Brasil aguarda um sinal da Casa Branca sobre as cartas já encaminhadas ao governo americano antes de avançar nas negociações para tentar derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras.

No governo brasileiro, a leitura é de que a bola está no campo dos americanos. Não há previsão de que o presidente Lula inicie ou provoque um contato com Trump, e nenhuma missão oficial do Executivo brasileiro rumo aos Estados Unidos está sendo planejada.

Segundo o Itamaraty, primeiro é preciso saber qual orientação a Casa Branca dará ao USTR sobre o Brasil. Foi ao órgão — sigla para United States Trade Representative (em tradução livre, Representante Comercial dos Estados Unidos) — que o vice-presidente Geraldo Alckmin encaminhou uma carta no dia 16 de maio, sem resposta, e outra na última terça-feira de julho, na qual demonstra “indignação” sobre o tarifaço, mas se coloca aberto à negociação.

O problema é que, segundo diplomatas brasileiros, os canais diplomáticos estão fechados em todos os níveis e não há interlocutores.

Até mesmo o Congresso brasileiro sofre as consequências. A comitiva de deputados e senadores que pretende embarcar na próxima sexta-feira para Washington com o objetivo de negociar o tarifaço ainda não tem certeza se será recebida por alguém do governo americano com força para negociar.
No governo, ainda prevalece a ideia de que o episódio abriu espaço para que Lula surfe a onda do nacionalismo e da defesa da soberania pelo maior tempo possível — o que tem incomodado o setor privado.

Empresários relatam que, com essa postura, o governo piora a situação, pois nada faz para “desescalar” as tensões e pensar em contramedidas. Também avaliam que a realização de reuniões com o setor privado serve mais para demonstrar diálogo do que para ajudar a definir uma estratégia clara de ação junto aos Estados Unidos.

O receio é de que, com a escalada do nacionalismo e o avanço do STF sobre Jair Bolsonaro, Trump retalie e amplie o tarifaço para 100%.

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Comércio Exterior, Economia, Exportação

Santa Catarina é líder nacional em exportação de madeira e móveis

Exportações de madeira e móveis são destaque na economia catarinense com faturamento de mais de US$ 800 milhões no primeiro semestre 

Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2025 com alta de 6,6% no faturamento com exportações, principalmente pela contribuição de dois segmentos essenciais para a economia catarinense: o setor de madeira e o de móveis. O estado foi líder nacional em ambos os setores, que representaram cerca de 15% das exportações catarinenses entre janeiro e junho. Neste período, esses produtos chegaram a mais de 100 destinos em todo o mundo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O governador Jorginho Mello afirma que o resultado mostra, mais uma vez, a pujança da economia catarinense. “Temos apenas 1% do território nacional, mas somos destaque em diversos setores porque em Santa Catarina o Governo do Estado é parceiro de quem produz e trabalha. Além de não aumentar impostos, estamos facilitando a abertura de empresas, desburocratizando, para facilitar a vida do empreendedor e permitir que a economia se desenvolva”, destaca.

Líder nacional em exportação de madeira

No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais faturou com exportação de madeira e produtos derivados de madeira e cortiça. Foram 1,3 milhão de toneladas de produtos que renderam US$ 668,7 milhões. O valor representa 37% das exportações brasileiras de madeira e 11,4% de toda a exportação catarinense no período (US$ 5,85 bilhões).

No ranking nacional liderado por Santa Catarina, o segundo lugar é do Paraná, também grande exportador do produto. Os paranaenses tiveram faturamento de US$ 641,2 milhões. Rio Grande do Sul (US$ 148 milhões), São Paulo (US$ 106 milhões) e Pará (US$ 99 milhões) aparecem na sequência.

“Santa Catarina possui diversas indústrias especializadas em matérias-primas e produtos de madeira, como pallets, laminados, portas e compensados. O status de primeiro lugar no Brasil é mais um indicativo de que nossas empresas estão produzindo com excelência e competitividade. E muitas delas contaram com apoio do Governo do Estado por meio de programas como Prodec e Pró-Emprego. Ou seja, programas que deram resultado positivo”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de madeira são Caçador, Lages, Três Barras, Itajaí e Curitibanos.

Líder nacional em exportação de móveis

Santa Catarina também foi líder nacional na exportação de móveis durante o primeiro semestre de 2025. O estado faturou US$ 141,3 milhões, à frente do Rio Grande do Sul, com US$ 118,1 milhões; Paraná, com US$ 80,8 milhões; e São Paulo, com US$ 77,9 milhões. Conforme os dados, Santa Catarina responde por quase um terço (32%) do faturamento com exportações de móveis em todo o Brasil.

“O resultado positivo nas exportações de móveis é um orgulho para Santa Catarina. Isso porque a produção catarinense está ingressando em mercados muito exigentes, como América do Norte e Europa. Além disso, o faturamento em alta injeta recursos na economia catarinense, gerando emprego e renda e trazendo benefícios para toda a cadeia produtiva”, acrescenta o secretário Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de móveis são, em ordem, São Bento do Sul, Caçador, Campo Alegre, Rio Negrinho e Fraiburgo. Entre os produtos mais exportados estão camas, colchões, mesas e cadeiras.

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Exportação, Industria, Internacional, Mercado Internacional

Ciudad del Este ganha nova cara com avanço da indústria e das exportações

Cidade paraguaia antes conhecida pelo comércio popular vive nova fase com crescimento industrial e aumento das exportações para o Brasil

Ciudad del Este, que sozinha responde por cerca de 10% do Produto Interno Bruto do Paraguai, é hoje “um dos centros nevrálgicos de geração de valor, produção e circulação de bens no Paraguai atual”, analisa o jornal ABC Color, em matéria especial.

Durante décadas, a cidade da fronteira paraguaia foi conhecida como sinônimo de compras, reexportação de produtos eletrônicos e dinamismo fronteiriço. Agora, avança para uma estrutura mais diversificada, com indústrias assentadas, empresas exportadoras formais e polos de investimento produtivo em crescimento, destaca o jornal.

Maquiadoras

Até março deste ano, quase metade (47%) das empresas maquiadoras do Paraguai estava instalada nesta região onde se localiza Ciudad del Este. Assim, o município se tornou o epicentro da indústria maquiadora paraguaia.

Em entrevista ao ABC Color, o vice-ministro da Indústria, Marco Riquelme, disse que “Ciudad del Este é o lugar atrativo por excelência dos maquiadores”, devido à proximidade com o Brasil — para onde a maior parte da produção é exportada — e de onde vem a maior parte das maquiadoras, atraídas pela baixa carga tributária, energia barata, capital humano, conectividade logística e segurança jurídica, completou o vice-ministro.

As exportações de indústrias maquiadoras já representam 68% de todas as manufaturas industriais do país, um crescimento de 16% no valor exportado até agosto de 2024. A balança comercial maquiadora beneficia o Paraguai, já que as empresas exportam quase o dobro do que importam.

Ciudad del Este concentra 12.627 empresas — quase a metade das mais de 26 mil ativas no departamento de Alto Paraná, segundo dados ainda de 2024.

O comércio, por sua vez, segue em alta, com investimentos cada vez maiores em grandes empreendimentos. Só o grupo Cellshop investiu US$ 40 milhões em seu projeto. Calcula-se que mais de US$ 3,3 bilhões em produtos importados pelo regime do turismo de compras circularam em Ciudad del Este em 2023.

Mas nem tudo são flores. Diz o ABC Color que “o crescimento sustentado de Ciudad del Este enfrenta desafios estruturais: a falta de estatísticas urbanas precisas, as lacunas no planejamento territorial, a pressão migratória interna e os atrasos na infraestrutura social continuam limitando seu salto qualitativo”.

E ressalva, para finalizar: “Ainda assim, o potencial para se tornar uma cidade logística, produtiva e financeiramente integrada à região é real”.

Fonte: Porta da Cidade

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Comércio Exterior, Exportação

Exportações para a China recuam

Do lado das importações, o Brasil aumentou significativamente as compras de produtos

As exportações do Brasil para a China somaram US$ 47,7 bilhões no primeiro semestre de 2025, uma queda de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2024, o pior desempenho desde 2015. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento contrasta com o avanço das importações vindas do país asiático, que cresceram 22% e bateram recorde para o período, totalizando US$ 35,7 bilhões.

O saldo comercial entre os dois países, ainda positivo, caiu para US$ 12 bilhões, o menor desde 2019 e praticamente a metade do superávit registrado no mesmo intervalo do ano passado. Ainda assim, o valor representou 40% do superávit total da balança comercial brasileira no período. O cenário reforça a relevância do mercado chinês, mas indica aumento da dependência de produtos industrializados de alto valor agregado.

Apesar da concentração das exportações em commodities, houve avanços expressivos em segmentos industriais. Destaque para o salto de 10 vezes nas exportações de torneiras para canalizações (US$ 37 milhões), além do crescimento das vendas de dispositivos para aquecimento (20 vezes), centrífugas (16 vezes) e aferidores de gases (35 vezes). Também foram embarcados US$ 6,7 milhões em compostos de metais de terras raras, mais que o triplo de todo o volume exportado em 2024.

Do lado das importações, o Brasil aumentou significativamente as compras de produtos siderúrgicos da China, incluindo laminados planos de aço (quatro vezes mais), fios-máquinas (triplo), barras de ferro (dobro) e semimanufaturados de aço (22 vezes). As importações de carros híbridos chineses cresceram 52% no semestre, com picos em junho — reflexo da estratégia de antecipação de embarques diante da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados. Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações, com 15,7% do total, enquanto São Paulo concentrou 31% das importações.

Fonte: Agrolink

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Comércio Exterior, Exportação

EUA teriam poucas opções para substituir exportações do Brasil, aponta estudo do Daycoval

Perda de receita estimada de US$ 5,9 bi representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos diminuiria em 15% o volume exportado do Brasil para o país. A perda de receita estimada de US$ 5,9 bilhões representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo. Os cálculos são do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.

Segundo a equipe, a demanda de curto prazo pelas principais categorias de exportação do Brasil para os EUA mostra-se inelástica ao preço, ou seja, o volume exportado oscila menos (15%) que a mudança do preço do bem (tarifas adicionais de 50%). “Esse efeito amortecido é uma consequência direta da natureza pouco sensível da demanda dos EUA pelos produtos brasileiros”, diz o Daycoval no relatório.

Bens intermediários – a principal categoria exportada para os EUA, com peso de 54%, representada por derivados de ferro e aço, principalmente – apresenta a menor elasticidade-preço, fazendo com que o aumento de 50% no preço implique queda de apenas 8,2% no volume exportado, estima o Daycoval. Isso indica, segundo o banco, que os EUA teriam dificuldade em encontrar outros parceiros para suprimir a ausência da importação do Brasil.

Combustíveis/lubrificantes, segunda maior pauta de exportação, e bens de capital também apresentam baixa sensibilidade, com as tarifas levando a queda potencial no volume exportado de 23,4% e 21,8%, respectivamente. Os bens de capital incluem as aeronaves da Embraer, e os resultados também mostram que os EUA tenderiam a ter dificuldades em substituir as importações desses produtos, diz o Daycoval.

Apesar do impacto macroeconômico limitado, o choque de receita para esses setores, como de -US$ 1,79 bilhão para bens intermediários e -US$ 1,76 bilhão para combustíveis, é significativo, afirma o Daycoval.

Com queda potencial de 19,1% no volume exportado, os bens não duráveis, grupo que contém as exportações de suco de laranja – 7º item mais exportado para os EUA em 2024 –, também sugerem que os EUA possuem poucas opções de substituir os produtos brasileiros, segundo o banco.

Apenas os bens de consumo duráveis poderiam observar uma queda mais pronunciada, de quase 46% no volume exportado, estima. “Os bens de consumo duráveis são os mais afetados, com sensibilidade próxima a -1, indicando alta substituição dos EUA por esse tipo de bem por outras economias globais. Porém, como a categoria representa apenas 1% das exportações dos Brasil para os EUA, o impacto deste grupo é praticamente nulo”, diz o relatório.

Analisar as elasticidades específicas de cada categoria é fundamental porque a sensibilidade de preço dos itens brasileiros exportados aos EUA é heterogênea, observa o Daycoval.

“Produtos como o suco de laranja, no qual o Brasil é um fornecedor importante para os EUA, e as aeronaves da Embraer, que possuem características técnicas particulares e são vendidas sob contratos de longo prazo, não são facilmente substituíveis no curto prazo. A dificuldade de substituição, seja por volume ou por especificidade, resulta em uma demanda menos sensível a preço”, afirma a equipe no relatório.

Ao confrontar os preços específicos dos EUA com o volume global de exportações do Brasil, o Daycoval encontrou uma capacidade de redirecionamento de parte do comércio para outros mercados, reduzindo o impacto líquido sobre a atividade total.

Fonte: Valor Econômico

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