Economia

Como a melhora da economia da Argentina ajuda o Brasil – e o que esperar daqui em diante

No primeiro semestre, exportações para a Argentina cresceram 55,4% e somaram US$ 9,120 bilhões, puxadas pelo setor automotivo

Num momento de escalada da guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos, as exportações brasileiras para a Argentina têm crescido de forma acelerada e trazido algum alívio para a balança comercial do País. No primeiro semestre, elas somaram US$ 9,120 bilhões, um crescimento de 55,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Argentina passou a oferecer uma combinação bastante positiva para o exportador brasileiro. Depois dos choques promovidos pelo presidente argentino Javier Milei, que provocaram uma dura recessão, a economia do país cresceu de forma acelerada. O câmbio também se valorizou, o que estimula e torna mais barata a compra de produtos de outros países.

No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 5,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, a alta foi de 0,8%.

Entre janeiro e junho, segundo dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento, Comércio e Serviços (Mdic), os argentinos responderam por 5,5% das exportações do Brasil – atrás da China (28,7%) e dos Estados Unidos (12,1%).

“O peso está extremamente valorizado. O grosso do comércio é no setor automotivo. Não estamos exportando produtos diferentes. A diferença é que agora está muito mais interessante para as empresas venderem o carro brasileiro na Argentina, que sai muito mais barato”, afirma Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).

Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ilustram bem o bom momento das vendas brasileiras e deixam evidente como as exportações foram um motor importante para o setor no primeiro semestre.

De acordo com a Anfavea, a produção de veículos somou 1,227 milhão de unidades nos primeiros seis meses do ano, o que representa um crescimento de 88.782 unidades em relação ao período de janeiro a junho de 2024. No mesmo período, o volume exportado aumentou em 98.850 unidades, de 165.299 para 264.149.

“Ou seja, as exportações tiveram contribuição fundamental para o desempenho da indústria neste ano”, afirma Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea.

Até agora, nos primeiros seis meses deste ano, a participação da Argentina nas exportações de veículos brasileiros é de 60%, o patamar mais alto desde 2018, quando alcançou 68%. Em 2024, foi de 34%.

“Historicamente, a Argentina sempre desempenhou um papel relevante como um dos principais destinos das exportações brasileiras de veículos”, afirma Andrea. “Considerando o desempenho expressivo no primeiro semestre, a expectativa é de que a fatia da Argentina nas exportações brasileiras de veículos se mantenha elevada em 2025.”

Além dos produtos ligados à indústria automobilística, os produtos químicos e alimentícios também são importantes na pauta de exportação do Brasil para a Argentina.

A recuperação da Argentina – e os desafios

Ao assumir o governo da Argentina, em dezembro de 2023, Javier Milei adotou uma dura política fiscal e promoveu a desvalorização do peso, para reduzir a diferença entre o câmbio paralelo e o oficial, que praticamente desapareceu depois de ter superado o patamar de 150%. O choque produziu uma recessão brutal no País, levou ao aumento da pobreza, agora em queda, e houve um aumento da inflação inicial. No entanto, ajudou, num primeiro momento, a economia argentina a não ter problemas no setor externo.

“No começo do ano passado, havia um câmbio hiper desvalorizado, contraindo as importações, porque elas eram caríssimas, e estimulando as exportações. E você tinha um nível de atividade muito deprimido por causa da recessão econômica e, consequentemente, gerando saldos de exportações”, diz o economista Fabio Giambiagi.

Nos meses seguintes, o quadro argentino começou a mudar: embora o governo de Milei tenha promovido uma desvalorização nominal do peso, a inflação avançava em ritmo ainda maior, o que resultou numa valorização do câmbio real.

“A competitividade cambial caiu quase 40% em termos reais, atingindo um piso em janeiro de 2025. Esse fator, somado à extraordinária recuperação econômica, fez com que as importações chegassem a valores recordes no primeiro trimestre deste ano, reduzindo significativamente o superávit comercial”, afirma Dante Sica, ex-ministro da Produção e do Trabalho e sócio fundador da consultoria Abeceb.

A falta de dólares na Argentina voltou ao radar do governo, o que fez com que o governo passasse a lançar mão de várias medidas para tentar contornar o problema. Uma delas flexibilizou os controles financeiros e permitiu que os argentinos “tirassem os dólares do colchão”. Vivendo décadas de instabilidade econômica, se tornou comum entre os argentinos a prática de guardar dinheiro em casa. O novo plano de Milei prometeu isentar os argentinos de qualquer punição por dinheiro não declarado anteriormente.

“Que há uma recuperação é um fato inegável. O que não quer dizer que não haja problemas. Os problemas claramente estão localizados no setor externo”, afirma Giambiagi. “O que está acontecendo este ano é exatamente o espelho oposto do que aconteceu no ano passado.”

Em abril, o governo de Milei acertou mais um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com duração de 48 meses, prevê um empréstimo de US$ 20 bilhões. De imediato, US$ 12 bilhões foram liberados pelo órgão. Em troca, o governo de Milei anunciou uma flexibilização nas regras cambiais do país.

“Todo mundo sabe que esse câmbio como está é um problema, porque o custo de vida do argentino está absolutamente alto”, afirma Lia.

Com os empréstimos do Fundo e de outros organismos internacionais, as reservas argentinas somam US$ 40 bilhões.

“Apesar dos ruídos de curto prazo de uma economia que está aprendendo a flutuar, não vemos condições para que ocorram choques ou mudanças dramáticas no cenário (como um salto abrupto do câmbio)”, afirma Dante. “Isso porque, hoje, os ruídos – ao contrário do que ocorria no passado – acontecem dentro de um quadro macroeconômico muito mais sólido.”

Fonte: Estadão

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Comércio, Comércio Exterior, Economia

AGU pede ao STF que investigue “insider trading” antes de Trump tarifar o Brasil

Volume grande de compra e venda de dólares às vésperas e depois logo após o anúncio da taxa de Donald Trump aos produtos brasileiros sugere uso indevido de informações privilegiadas, segundo AGU

A AGU (Advocacia Geral da União) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite do último sábado (19), uma investigação no mercado financeiro sobre operações de câmbio feitas com base em informações privilegiadas (insider trading), às vésperas do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de taxa de importação de 50% sobre produtos brasileiros.

Segundo a AGU, o pedido direcionado ao STF pede para que “sejam investigadas possíveis correlações entre os elementos em apuração no inquérito e a o uso indevido de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro envolvendo o anúncio oficial de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, no dia 9 de julho”.

Na última sexta-feira (18), o portal g1 e a TV Globo noticiaram a realização de grandes compras de dólares horas antes do anúncio de Trump sobre o Brasil e que, horas depois, houve um grande volume de venda de dólares, “o que sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto”.

O pedido da nova investigação está contido no inquérito já instaurado, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para apurar a conduta do Deputado Federal licenciado, Eduardo Bolsonaro, acusado de usar instrumentos comerciais internacionais como mecanismo de coação premeditada contra a Justiça brasileira.

“À luz dos fatos noticiados, podemos inferir que eles se inserem em contexto no qual os fatos já em apuração neste inquérito estão além dos ilícitos penais já indicados na Pet 14.129 pela Procuradoria-Geral da República, relacionados à obstrução da Justiça, mas também com possíveis ganhos financeiros ilícitos, mediante os mesmos fatos que buscaram impor embaraço à aplicação da lei penal”, enfatiza a AGU.

Providências 

O gabinete do ministro da AGU, Jorge Messias, pediu que a Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU que representa judicialmente Comissão de Valores Mobiliários (CVM), adote em caráter prioritário as medidas que reputar cabíveis no âmbito de suas atribuições, inclusive em articulação com outras autoridades nacionais.

“A AGU pontua, que além da esfera criminal, o uso ilícito de informação privilegiada enseja responsabilidade civil e administrativa, inclusive por prejuízos ao mercado e a investidores”, diz em comunicado.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Economia, Exportação

Santa Catarina é líder nacional em exportação de madeira e móveis

Exportações de madeira e móveis são destaque na economia catarinense com faturamento de mais de US$ 800 milhões no primeiro semestre 

Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2025 com alta de 6,6% no faturamento com exportações, principalmente pela contribuição de dois segmentos essenciais para a economia catarinense: o setor de madeira e o de móveis. O estado foi líder nacional em ambos os setores, que representaram cerca de 15% das exportações catarinenses entre janeiro e junho. Neste período, esses produtos chegaram a mais de 100 destinos em todo o mundo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O governador Jorginho Mello afirma que o resultado mostra, mais uma vez, a pujança da economia catarinense. “Temos apenas 1% do território nacional, mas somos destaque em diversos setores porque em Santa Catarina o Governo do Estado é parceiro de quem produz e trabalha. Além de não aumentar impostos, estamos facilitando a abertura de empresas, desburocratizando, para facilitar a vida do empreendedor e permitir que a economia se desenvolva”, destaca.

Líder nacional em exportação de madeira

No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais faturou com exportação de madeira e produtos derivados de madeira e cortiça. Foram 1,3 milhão de toneladas de produtos que renderam US$ 668,7 milhões. O valor representa 37% das exportações brasileiras de madeira e 11,4% de toda a exportação catarinense no período (US$ 5,85 bilhões).

No ranking nacional liderado por Santa Catarina, o segundo lugar é do Paraná, também grande exportador do produto. Os paranaenses tiveram faturamento de US$ 641,2 milhões. Rio Grande do Sul (US$ 148 milhões), São Paulo (US$ 106 milhões) e Pará (US$ 99 milhões) aparecem na sequência.

“Santa Catarina possui diversas indústrias especializadas em matérias-primas e produtos de madeira, como pallets, laminados, portas e compensados. O status de primeiro lugar no Brasil é mais um indicativo de que nossas empresas estão produzindo com excelência e competitividade. E muitas delas contaram com apoio do Governo do Estado por meio de programas como Prodec e Pró-Emprego. Ou seja, programas que deram resultado positivo”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviço, Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de madeira são Caçador, Lages, Três Barras, Itajaí e Curitibanos.

Líder nacional em exportação de móveis

Santa Catarina também foi líder nacional na exportação de móveis durante o primeiro semestre de 2025. O estado faturou US$ 141,3 milhões, à frente do Rio Grande do Sul, com US$ 118,1 milhões; Paraná, com US$ 80,8 milhões; e São Paulo, com US$ 77,9 milhões. Conforme os dados, Santa Catarina responde por quase um terço (32%) do faturamento com exportações de móveis em todo o Brasil.

“O resultado positivo nas exportações de móveis é um orgulho para Santa Catarina. Isso porque a produção catarinense está ingressando em mercados muito exigentes, como América do Norte e Europa. Além disso, o faturamento em alta injeta recursos na economia catarinense, gerando emprego e renda e trazendo benefícios para toda a cadeia produtiva”, acrescenta o secretário Silvio Dreveck.

Os principais municípios exportadores de móveis são, em ordem, São Bento do Sul, Caçador, Campo Alegre, Rio Negrinho e Fraiburgo. Entre os produtos mais exportados estão camas, colchões, mesas e cadeiras.

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Economia

Dólar mais caro, imposto retroativo: como decisão de Moraes sobre o IOF afeta você?

STF restabelece decreto do governo com aumento do IOF e aplica efeitos retroativos; empresas e especialistas apontam risco jurídico e insegurança tributária

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de restabelecer parcialmente o decreto presidencial que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) reacendeu o debate sobre segurança jurídica e previsibilidade tributária no país. Publicado em 11 de junho, o decreto havia sido sustado pelo Congresso, mas volta a valer com efeitos retroativos, segundo a decisão do STF, exceto no ponto que tratava da tributação de operações com risco sacado.

A seguir, veja os principais pontos da decisão e seus desdobramentos:

Viajar ficou mais caro

Com o aumento do IOF para 3,5% em diversas operações cambiais, viajar ao exterior ficou mais caro para os brasileiros. A nova alíquota atinge diretamente o uso de cartões de crédito, débito e pré-pagos internacionais, além de compras de moeda estrangeira em espécie e remessas para contas pessoais no exterior para gastos gerais.

Na prática, isso significa que cada transação feita fora do país ou cada dólar comprado no Brasil será mais onerosa, encarecendo despesas comuns em viagens como hospedagem, alimentação e compras. A medida eleva o custo efetivo de viajar, especialmente para quem não possui conta em moeda estrangeira no exterior.

Veja as novas alíquotas:

  • Cartões internacionais (crédito, débito e pré-pagos): alíquota sobe para 3,5%
  • Remessas para contas de pessoas físicas no exterior (gastos pessoais): de 1,1% para 3,5%
  • Compra de moeda estrangeira em espécie: de 1,1% para 3,5%

Investir em moeda estrangeira também

Investir no exterior também ficou mais caro com as mudanças no IOF. A alíquota para remessas destinadas a aplicações financeiras, que antes era de 0,38%, passou a ser de 1,1% com o novo decreto. Isso impacta diretamente investidores que transferem recursos para corretoras ou contas de investimento no exterior.

Além disso, aportes em planos de previdência privada do tipo VGBL, que eram isentos, agora estão sujeitos a uma cobrança de 5% sobre valores anuais que excedam R$ 300 mil, com o limite subindo para R$ 600 mil a partir de 2026.

Leandro Turaça, sócio da Ouro Preto Investimentos, afirmou que a decisão “impõe um custo alto: a perda de previsibilidade”. Segundo ele, o impacto será direto sobre o mercado de crédito estruturado, “especialmente via FIDCs”, que também começaram a ser tributados, exigindo revisão nas estruturas e rentabilidades dos produtos.

Veja as novas alíquotas:

  • Remessas para contas de pessoas físicas no exterior (investimentos): de 0,38% para 1,1%
  • Aportes em previdência privada VGBL: antes isentos, passam a estar sujeitos a 5% sobre valores acima de R$ 300 mil (em 2025) e R$ 600 mil (em 2026).
  • Compra de cotas primárias de FIDCs: antes isentas, passam a estar sujeitas a 0,38%

O que ficou de fora

Moraes retirou da decisão a tributação sobre o risco sacado, ao considerar que essas operações de antecipação de recebíveis não se equiparam a operações de crédito. Segundo o ministro, tratam-se de “transações comerciais sobre direitos creditórios”, o que justificaria seu tratamento diferenciado.

O risco sacado, também conhecido como forfait, ocorre quando uma empresa credora vende ao banco o direito de receber um pagamento futuro de outra empresa. O banco antecipa o valor ao fornecedor, com desconto, e passa a receber diretamente o valor no prazo originalmente definido.

Efeito retroativo preocupa

A retroatividade da medida — que obriga a cobrança do IOF a partir de 11 de junho — provocou reações entre tributaristas e investidores. O escritório Cepeda Advogados alertou que o impacto da decisão deve ser avaliado por empresas e instituições financeiras para apuração de eventual passivo, inclusive com juros e multa, referente ao período entre 27 de junho e 16 de julho, quando o decreto estava suspenso.

“O risco existente para os responsáveis tributários, é o passivo tributário que se estabelece, não só em relação ao principal, mas também à multa e aos juros”, diz o escritório em nota.

Ainda não se sabe se os bancos e fintechs irão arcar com esse custo para repassar ao governo, como alguns chegaram a fazer após o decreto do governo ser sustado pelo Congresso, ou se o consumidor terá que arcar de alguma forma com o tributo.

Para Mary Elbe Queiroz, presidente do Cenapret, a majoração do IOF por decreto “fere os princípios da legalidade e da anterioridade tributária”. Ela afirmou que a decisão “abre um precedente preocupante”, ao permitir que o Executivo altere tributos de forma unilateral.

Justificativas de Moraes

Na decisão, Moraes argumentou que o IOF é um “importantíssimo instrumento de regulação do mercado financeiro”, com função extrafiscal e regulatória. Ele escreveu que “a excepcionalidade de incidência dos princípios tributários da legalidade e da anterioridade” é justificada nesse caso, por se tratar de instrumento de política econômica.

Ao tratar da exclusão do risco sacado, Moraes sustentou que houve “excesso normativo”, pois o decreto do Executivo ampliou a base de incidência do IOF sem respaldo legal. “A equiparação normativa realizada pelo decreto presidencial feriu o princípio da segurança jurídica”, afirmou.

Aumento na percepção de risco?

A decisão é considerada uma vitória para o governo federal, que argumentava que a elevação do IOF fazia parte de uma política de justiça tributária. Segundo análise da LCA Consultores, a decisão e os avanços recentes no Congresso ajudam a reequilibrar o cenário político para o Executivo após o desgaste com a derrubada do decreto.

Analistas, no entanto, veem o cenário com preocupação. Para a Ativa Investimentos, a decisão piora a previsibilidade econômica. “Alterar o passado afeta profundamente o planejamento dos agentes e seu comportamento futuro”, escreveu Étore Sanchez, economista-chefe da casa.

Nesta quinta, também pressionados pelo ambiente externo, o dólar subiu e as taxas dos títulos públicos voltaram a avançar. Segundo especialistas, o receio é de que o embate entre governo e Congresso contribua para piorar ainda mais o cenário fiscal, apesar de as contas de curto prazo terem ficado mais encaminhadas.

Quando começa a valer?

A cautelar de Moraes ainda será submetida ao plenário do STF, mas já está em vigor. Especialistas alertam que novos ajustes podem ser feitos, caso os impactos econômicos e operacionais da medida sejam demonstrados ao relator. O Judiciário está de recesso e volta aos trabalhos apenas em agosto.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Decisão de Alexandre de Moraes autoriza cobrança retroativa do IOF

As operações realizadas desde que o Congresso derrubou o aumento, em junho, terão imposto recalculado; retroatividade afeta desde MEIs a grandes corporações

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que mantém o decreto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras), tem efeito retroativo. Isso significa que as operações realizadas desde que o Congresso derrubou o aumento, no fim de junho, terão de pagar o imposto com alíquota majorada.

O governo dobrou a alíquota do IOF nas operações de crédito para empresas de todos os portes, desde MEIs (microempreendedores individuais) até grandes corporações. A retroatividade afetará operações de crédito e câmbio, compras com cartões internacionais e aportes em VGBL (Vida gerador de benefício livre, uma modalidade de previdência privada) realizadas desde a suspensão do decreto original.

RISCOS

Não está claro como será feita a cobrança das operações realizadas no período em que a decisão do Congresso que derrubou o aumento do IOF esteve em vigor. Para o setor financeiro, a retroatividade gera insegurança jurídica e desafios operacionais.

Desde que o decreto foi suspenso, milhares de operações foram realizadas. Como o imposto sobre operações financeiras é instantâneo, no caso do câmbio, por exemplo, no momento da compra da moeda estrangeira há recolhimento do IOF. Arrecadar retroativamente da pessoa física que comprou moeda estrangeira e já recolheu o imposto não é uma operação fácil.

DECISÃO

Determino o retorno da eficácia do decreto 12.499/2025, com efeitos ‘ex tunc’, ou seja, desde a sua edição”, lê-se na decisão de Moraes. A determinação ainda precisa ser analisada pelo plenário da Corte, em data a ser definida, mas já está em vigor. Ao manter o decreto, Moraes excluiu a cobrança do chamado risco sacado.

O risco sacado, ou forfait, é uma operação usada pelo varejo para obter capital de giro, ou seja, manter estoques e abastecer as lojas. As empresas vendem direitos de receber pagamentos futuros para bancos ou fundos, antecipando dinheiro para o capital de giro. A cobrança do IOF sobre esse tipo de operação renderia menos de R$ 2 bilhões por ano para o governo Lula.

Moraes disse que “não restou comprovado qualquer desvio de finalidade na alteração das alíquotas”. Câmara e Senado chegaram a sustentar na Justiça que havia desvio de finalidade com a apresentação dos decretos. Argumentaram que a iniciativa tinha “nítido propósito arrecadatório, e não extrafiscal”.

A decisão representa uma vitória para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e para Lula. O governo conseguiu assegurar novas receitas para tentar cumprir a meta fiscal. O Planalto tem investido em um discurso de que a alta no IOF seria uma forma de justiça tributária contra os chamados super-ricos. Segundo especialistas e entidades, entretanto, o impacto não se limita à alta renda.

O governo federal arrecadou R$ 8 bilhões com o IOF em junho de 2025, R$ 2,1 bilhões a mais em comparação com maio (R$ 5,9 bi). A arrecadação é recorde para o IOF em um único mês desde o ano de 2005, segundo os dados do Siga Brasil, plataforma do Senado Federal.

Segundo o Ministério da Fazenda, o aumento na arrecadação do IOF não se deu apenas por conta da elevação das alíquotas –antes da suspensão do decreto–, mas também porque houve aumento nos empréstimos para pessoas físicas, o que reflete no imposto sobre operações financeiras. “O aquecimento da economia impactou na maior arrecadação do Imposto de Renda e das contribuições sociais”, acrescentou o ministério.

O QUE HOUVE

Em maio, a equipe econômica do governo aumentou o IOF para fortalecer a arrecadação. O Congresso ficou insatisfeito depois de o Executivo publicar uma MP (medida provisória) que aumentou mais impostos e um decreto que revogou parte do reajuste do IOF, não sua totalidade.

O governo Lula decidiu judicializar a questão depois que Câmara e Senado conseguiram derrubar os decretos presidenciais por meio da aprovação de um PDL (Projeto de Decreto Legislativo).

Na 3ª feira (15.jul), Haddad havia sinalizado que a decisão de Moraes viria com um bloqueio só sobre a incidência do imposto sobre o risco sacado.

Fonte: Poder 360

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Comércio Exterior, Economia

África do Sul pede “liderança” a países do G20 em meio a ameaças tarifárias

Ameaça por Trump de impor tarifas de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais

África do Sul pediu aos países do G20 que forneçam liderança global e cooperativa para enfrentar os desafios, incluindo o aumento das barreiras comerciais, conforme os chefes de finanças do grupo se reúnem nesta quinta-feira (17) sob a sombra das ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O G20, que surgiu como um fórum de cooperação para combater a crise financeira global de 2008, há anos tem sido prejudicado por disputas entre os principais participantes, exacerbadas pela guerra da Rússia na Ucrânia e pelas sanções ocidentais contra Moscou.

A anfitriã África do Sul, sob o lema de sua presidência “Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade”, tem como objetivo promover uma agenda africana, com tópicos que incluem o alto custo do capital e o financiamento para ações contra as mudanças climáticas.

No discurso de abertura, o ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, disse que o G20 deve oferecer liderança global estratégica, cooperação e ação diante de desafios complexos.

“Muitos países em desenvolvimento, especialmente na África, continuam sobrecarregados pelas vulnerabilidades de dívidas altas e crescentes, espaço fiscal restrito e alto custo de capital que limita sua capacidade de investir em seu povo e em seu futuro”, disse ele.

“A necessidade de uma liderança cooperativa ousada nunca foi tão grande.”

No entanto, há dúvidas sobre a capacidade dos ministros das Finanças e dos presidentes de bancos centrais reunidos na cidade costeira de Durban de lidar com essas e outras questões em conjunto. O G20 tem como objetivo coordenar políticas, mas seus acordos não são vinculativos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não participará da reunião de dois dias, sua segunda ausência em um evento do G20 na África do Sul neste ano.

Bessent também não compareceu à reunião de fevereiro na Cidade do Cabo, onde várias autoridades de China, Japão e Canadá também estavam ausentes, embora Washington deva assumir a presidência rotativa do G20 no fim do ano.

Michael Kaplan, subsecretário interino de assuntos internacionais do Tesouro, representará os EUA nas reuniões.

Um delegado do G20, que pediu para não ser identificado, disse que a ausência de Bessent não é ideal, mas que os EUA estão participando de discussões sobre comércio, economia global e linguagem climática.

Os ministros das Finanças de Índia, França e Rússia também não participarão da reunião de Durban.

O presidente do banco central da África do Sul, Lesetja Kganyago, disse que a representação é o que mais importa.

“O que importa é: há alguém com um mandato sentado atrás da bandeira e todos os países estão representados com alguém sentado atrás da bandeira?”, disse Kganyago à Reuters.

As autoridades dos EUA têm falado pouco publicamente sobre seus planos para a presidência no próximo ano, mas uma fonte familiarizada com elas disse que Washington reduzirá o número de grupos de trabalho não financeiros e simplificará o cronograma da cúpula.

As políticas tarifárias de Trump têm impactado o comércio global, com taxas básicas de 10% sobre todas as importações para os EUA e tarifas de até 50% sobre aço e alumínio, 25% sobre automóveis e possíveis taxas sobre produtos farmacêuticos.

Sua ameaça de impor tarifas adicionais de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais.

Além disso, a última vez que o G20 conseguiu emitir um comunicado coletivo foi em julho de 2024, concordando mutuamente com a necessidade de resistir ao protecionismo, mas sem mencionar a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Fonte: CNN Brasil


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Agricultura, Economia, Exportação, Importação, Tributação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Informação, Internacional

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação oficial contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. A medida, baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, foi autorizada pelo então presidente Donald Trump e tem como foco identificar ações do governo brasileiro que possam estar prejudicando o comércio e a competitividade de empresas norte-americanas.

Entre os principais pontos da investigação estão barreiras ao comércio digital, tarifas preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, tratamento tarifário ao etanol norte-americano e até mesmo a aplicação de regras contra o desmatamento ilegal.

Pix e WhatsApp Pay estão entre os focos da investigação

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, é citado no processo como um dos principais exemplos de favorecimento local. Segundo o USTR, o governo brasileiro prioriza tecnologias nacionais, criando obstáculos para empresas norte-americanas de serviços de pagamento eletrônico, como foi o caso do WhatsApp Pay, serviço da big tech Meta.

Lançado em junho de 2020, o WhatsApp Pay teve sua operação suspensa uma semana depois pelo Banco Central (BC) e pelo Cade, sob a justificativa de avaliar riscos ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e à concorrência. A decisão foi considerada, pelo governo dos EUA, uma barreira que impactou negativamente o serviço de uma empresa americana, especialmente em um mercado promissor como o brasileiro.

Enquanto o WhatsApp Pay enfrentava restrições, o BC acelerava os testes do Pix, que foi oficialmente lançado em novembro de 2020 e rapidamente adotado por milhões de brasileiros. Quando o WhatsApp Pay finalmente recebeu autorização para operar, em 2021, o Pix já era um sucesso consolidado — o que, segundo o USTR, inviabilizou a competição em condições de igualdade.

Outros pontos de atrito comercial entre Brasil e EUA

Além das questões envolvendo pagamentos digitais, o USTR destaca outros setores críticos:

  • Comércio digital: Empresas americanas alegam sofrer retaliações por não censurar discursos políticos ou enfrentar dificuldades operacionais no Brasil.
  • Tarifas preferenciais: O Brasil estaria oferecendo tarifas mais vantajosas a parceiros selecionados, prejudicando exportações norte-americanas.
  • Corrupção e transparência: Os EUA apontam falhas na fiscalização de práticas anticorrupção por parte do Brasil.
  • Direitos de propriedade intelectual: O país é acusado de não garantir proteção adequada às criações americanas.
  • Etanol: O Brasil teria aumentado as tarifas para o produto norte-americano, retirando benefícios anteriores.
  • Desmatamento ilegal: A má aplicação das leis ambientais no Brasil impactaria negativamente o setor agrícola e madeireiro dos EUA.

Próximos passos da investigação

De acordo com o comunicado oficial, o USTR solicitou esclarecimentos formais ao governo brasileiro e agendou uma audiência pública para o dia 3 de setembro. Os interessados em participar devem enviar comentários por escrito e um resumo do testemunho até o dia 18 de agosto.

O embaixador Jamieson Greer afirmou:

“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos.”

Brasil na mira há décadas, segundo EUA

O USTR ainda reforça que as barreiras comerciais impostas pelo Brasil não são recentes. Segundo o órgão, “as práticas desleais brasileiras têm criado obstáculos ao comércio de bens americanos há décadas”, o que exige uma resposta mais incisiva por parte do governo dos Estados Unidos.

TEXTO: REDAÇÃO

FONTES: DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS / CNN

IMAGEM: REPRODUÇÃO DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS

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Economia, Sem Categoria

Audiência no STF termina sem acordo sobre IOF

Não houve acordo na audiência sobre os decretos das Operações Financeiras (IOF) realizada nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião foi promovida para acabar com o impasse entre o governo federal e o Legislativo na adoção das medidas que aumentavam as alíquotas do imposto.

A audiência contou com a participação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, representantes do Ministério Público Federal, do Ministério da Fazenda, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Partido Liberal (PL) e do Partido Socialismo e Liberdade (Psol).

Na audiência, o relator do caso, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, perguntou aos participantes se “seriam possíveis concessões recíprocas que pudessem resultar na conciliação”.

A resposta dos presentes foi a de que não haveria acordo: “Apesar da importância do diálogo e da iniciativa dessa audiência, preferiram aguardar a decisão judicial”.  A audiência foi solicitada no início do mês por Alexandre Moraes para uma negociação após o Legislativo rejeitar a proposta do Executivo sobre a rearranjo tributário.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

IMAGEM: AGÊNCIA BRASIL/ANTONIO AUGUSTO/STF

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Comércio Exterior, Economia, Especialista

CAUTELA: A estratégia mais inteligente para um cenário econômico volátil

O ESPECIALISTA: PATRÍCIA SOARES

Vivemos um momento econômico global especialmente sensível — e o setor reefer não é exceção. A cada nova notícia, as oscilações do mercado se tornam mais intensas e imprevisíveis. O que parecia um movimento calculado ontem, hoje pode ser afetado por uma decisão política internacional ou uma nova política comercial. E, diante de tantos fatores incontroláveis, a única regra clara neste cenário é: cautela.

Não estamos apenas diante de variações de preços ou ajustes pontuais. O ambiente de negócios assumiu um tom quase caótico, onde as tomadas de decisão se tornam verdadeiros testes de sangue-frio. Se não pararmos para analisar com clareza, corremos o sério risco de entrar no ciclo da histeria coletiva — um fenômeno silencioso, mas devastador, capaz de levar empresários e corporações a escolhas precipitadas e, consequentemente, a resultados bem distantes dos desejados.

A tensão aumentou ainda mais após o anúncio do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que estremeceu estratégias em diversos segmentos, incluindo o reefer. A notícia não apenas gerou insegurança no comércio exterior, mas também impactou diretamente as dinâmicas do mercado interno, afetando tanto decisões corporativas quanto a atuação de profissionais da área.

Neste contexto, pode ser prudente — e até estratégico — revisar as metas para o segundo semestre. Mas, ainda mais importante do que replanejar, é não se deixar arrastar pelo looping de confusão e ansiedade que essas incertezas costumam provocar. É o momento de respirar fundo, analisar com visão ampla e não perder de vista o cenário global.

Quando ampliamos nosso olhar, entendemos que o pano de fundo dessa situação vai muito além das relações comerciais bilaterais. Mais de 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos — produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja, aço, celulose entre outros. É, sem dúvida, uma fatia relevante do comércio exterior brasileiro. No entanto, os impactos mais profundos parecem se desenhar, neste momento, dentro das próprias fronteiras americanas — com inflação interna, pressão sobre o consumo e crescente insatisfação popular.

Por aqui, cabe a nós mantermos o equilíbrio. Seguir atentos, conscientes e, acima de tudo, resilientes. Porque se este ano tem nos ensinado algo, é que a resiliência não é mais uma qualidade opcional, mas uma competência essencial para quem deseja prosperar.

E é justamente nesses momentos de incerteza que se revelam os líderes, os visionários e os negócios que farão história. Seguimos firmes, atentos e prontos para transformar desafios em oportunidades.

Patrícia Soares é uma profissional reconhecida no segmento Reefer, com uma sólida trajetória de mais de 19 anos no setor logístico. Atualmente ocupa o cargo de Key Account Manager, onde lidera o relacionamento com clientes estratégicos, contribuindo para soluções logísticas personalizadas e de alto valor agregado.

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