Economia

Yuan registra maior valorização frente ao dólar em três anos

O yuan, moeda oficial da China, alcançou nesta segunda-feira (11) sua maior valorização em relação ao dólar desde março de 2023. A cotação registrada no Sistema de Comércio Cambial chinês ficou em US$ 1 para 6,847 yuans, movimento observado poucos dias antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim.

A valorização da moeda chinesa ocorre em meio ao fortalecimento do uso do yuan no comércio internacional e à crescente busca por alternativas ao dólar em operações globais.

Participação do yuan cresce nas transações globais

Dados do Banco de Compensações Internacionais mostram que a presença do yuan nas transações financeiras internacionais aumentou significativamente na última década.

Em 2013, a moeda chinesa representava apenas 2,2% das operações globais. Já em 2025, essa participação avançou para 8,6%, refletindo o esforço da China para ampliar a internacionalização de sua moeda.

Entre as iniciativas recentes está a criação de um sistema de pagamento via QR Code entre China e Indonésia, lançado em maio deste ano. A ferramenta permite operações diretamente em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar nas transações bilaterais.

Valorização do yuan pode pressionar exportações chinesas

Apesar do fortalecimento internacional da moeda, a valorização do yuan também gera desafios para a economia chinesa. Com a moeda mais forte, produtos exportados pela China tendem a ficar mais caros no mercado externo, o que pode reduzir a competitividade das empresas do país.

Especialistas avaliam que esse movimento exige equilíbrio por parte das autoridades chinesas para evitar impactos negativos sobre setores exportadores, considerados estratégicos para o crescimento econômico.

Dólar enfrenta pressão por incertezas nos EUA

Outro fator que influencia o avanço do yuan é a oscilação da confiança dos investidores em ativos ligados ao dólar.

Nos últimos meses, a moeda norte-americana vem sofrendo pressão em meio a preocupações envolvendo o cenário político em Washington, questionamentos sobre a independência do Federal Reserve e dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal de longo prazo dos Estados Unidos.

Esse contexto tem incentivado investidores e países a ampliarem o uso de moedas alternativas em operações internacionais.

Encontro entre Trump e Xi Jinping deve abordar sistema financeiro global

A expansão do uso do yuan e os mecanismos de pagamentos internacionais fora da influência direta do dólar devem integrar as discussões entre Donald Trump e Xi Jinping nos próximos dias.

A viagem do presidente norte-americano a Pequim está prevista para começar na quarta-feira (13), com retorno aos Estados Unidos na sexta-feira (15).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Economia

China impulsiona uso do yuan na Ásia e reduz dependência do dólar

A China vem intensificando sua estratégia de ampliar o uso do yuan no comércio internacional, movimento que tem levado países asiáticos a diminuírem a dependência do dólar. A iniciativa, liderada por Pequim, inclui acordos com nações do Sudeste Asiático para viabilizar pagamentos em moedas locais e na divisa chinesa.

Acordos com a ASEAN fortalecem integração financeira

Os países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão no centro dessa transformação. A China tem firmado parcerias que permitem transações diretas em moedas locais e yuan, utilizando diferentes sistemas digitais adaptados a cada mercado.

Na Indonésia, por exemplo, foi lançado recentemente um sistema de pagamentos internacionais via QR Code, que possibilita transações entre países sem a necessidade de conversão para o dólar. A solução é vista como um avanço na integração econômica regional e na redução de riscos cambiais.

Pagamentos digitais ampliam uso do yuan

Outros países da região também avançam nessa direção. Na Tailândia, turistas chineses já utilizam carteiras digitais para pagamentos em yuan desde 2025. Iniciativas semelhantes estão em andamento no Vietnã, Malásia e Singapura, fortalecendo o comércio regional com menor dependência da moeda americana.

Além disso, autoridades financeiras chinesas têm intensificado o diálogo com bancos centrais asiáticos. Representantes da China participaram recentemente de encontros com membros da ASEAN, além de Japão e Coreia do Sul, para aprofundar a cooperação monetária.

Estratégia de desdolarização ganha força

O avanço faz parte de uma política mais ampla de desdolarização, que busca reduzir a influência do dólar nas transações globais. Ao mesmo tempo, a China tenta consolidar o yuan como alternativa viável no sistema financeiro internacional.

A estratégia também responde a tensões geopolíticas e ao receio de que o dólar seja utilizado como instrumento de pressão econômica. Nesse cenário, o fortalecimento de uma rede própria de pagamentos surge como prioridade para Pequim.

Sistema chinês de pagamentos cresce

Um dos pilares dessa estratégia é o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS), desenvolvido como alternativa a plataformas ocidentais. A adesão crescente de bancos internacionais ao sistema tem ampliado a eficiência das operações comerciais com a China.

Com isso, analistas projetam um aumento no volume de transações internacionais em yuan, consolidando a moeda como uma opção mais robusta no comércio global.

Turismo e consumo também entram na estratégia

A China também aposta no turismo como ferramenta para expandir o uso da moeda. O país tem facilitado regras de visto e incentivado viagens entre nações asiáticas, estimulando gastos diretamente em yuan.

A Indonésia ilustra esse movimento: em 2025, recebeu cerca de 1,34 milhão de visitantes chineses, o maior número em seis anos. O fluxo também ocorre no sentido inverso, com a China figurando entre os destinos mais procurados por turistas indonésios.

Essa dinâmica fortalece o consumo e contribui para a expansão do uso internacional da moeda chinesa, alinhando-se aos objetivos econômicos do país.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jenhung Huang/Getty Images

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Economia

Inflação 2026: mercado eleva previsão do IPCA para 4,89%, aponta Banco Central

A expectativa do mercado financeiro para a inflação no Brasil voltou a subir. Segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (4), a projeção para o IPCA 2026 avançou de 4,86% para 4,89%. O índice é considerado o principal termômetro da inflação oficial brasileira.

Pressões externas elevam projeções de inflação

A revisão para cima ocorre em meio ao cenário internacional instável. A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente os preços de combustíveis, refletindo também no custo de alimentos e pressionando a economia brasileira.

Com isso, já são oito semanas consecutivas de alta nas previsões para o índice de inflação, que ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, o objetivo é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Inflação recente mostra avanço nos preços

Dados mais recentes indicam aceleração da inflação. Em março, o IPCA registrou alta de 0,88%, puxada principalmente pelos setores de transporte e alimentação. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,14%, conforme levantamento do IBGE.

Para os próximos anos, as projeções permanecem relativamente estáveis:

  • 2027: 4%
  • 2028: 3,64%
  • 2029: 3,5%

Taxa Selic segue como principal ferramenta de controle

A taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, está atualmente em 14,5% ao ano. Na última reunião, o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo.

Apesar do movimento de queda, o cenário ainda inspira cautela. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas.

O Banco Central indicou que acompanha de perto os desdobramentos do cenário externo, especialmente os impactos do conflito internacional sobre os preços. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

As projeções do mercado para a Selic são:

  • 2026: 13% ao ano
  • 2027: 11% ao ano
  • 2028 e 2029: 10% ao ano

Entenda o impacto dos juros na economia

O aumento da taxa de juros encarece o crédito, reduz o consumo e ajuda a conter a inflação. Por outro lado, também pode frear o crescimento econômico. Já a redução da Selic tende a estimular o consumo e a produção, embora possa pressionar os preços.

Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na definição das taxas ao consumidor.

PIB e dólar: projeções do mercado

O Boletim Focus também trouxe atualizações para outros indicadores:

  • PIB 2026: crescimento estimado em 1,85%
  • 2027: 1,75%
  • 2028 e 2029: 2%

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, marcando o quinto ano seguido de expansão, com destaque para o setor agropecuário.

Já a previsão para o dólar indica:

  • 2026: R$ 5,25
  • 2027: R$ 5,30

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joédson Alves/Agência Brasil

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Economia

Investimento estrangeiro direto coloca Brasil entre os maiores destinos globais em 2025

O Brasil consolidou sua relevância no fluxo global de investimento estrangeiro direto ao ocupar a terceira posição entre os principais destinos em 2025. O país ficou atrás apenas da China e dos Estados Unidos, que tradicionalmente lideram o ranking mundial.

Os dados foram divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com base nos números consolidados do último ano. O levantamento considera aportes de longo prazo, como aquisição de participações, reinvestimento de lucros e expansão de operações no exterior — diferentemente de capitais especulativos.

Crescimento expressivo dos investimentos no Brasil

O volume de investimentos diretos no Brasil alcançou US$ 77 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 23% em relação ao ano anterior. Esse montante equivale a 4,9% de todo o fluxo global.

No ranking, o país ficou atrás da China, com US$ 80 bilhões, e dos Estados Unidos, que lideraram com ampla vantagem, somando US$ 288 bilhões em aportes.

Histórico recente reforça atratividade do país

O desempenho brasileiro tem sido consistente nos últimos anos. Em 2024, o país também ocupou a terceira colocação, naquela ocasião atrás de Estados Unidos e Canadá. Já em 2023, o Brasil chegou ao segundo lugar global, ficando atrás apenas da economia norte-americana.

Esse histórico reforça a atratividade do país para capital estrangeiro, especialmente em setores estratégicos e projetos de longo prazo.

Projetos estruturais impulsionam interesse internacional

Mesmo com a redução global dos chamados investimentos greenfield — aqueles iniciados do zero — em economias emergentes, o Brasil conseguiu se destacar. Um dos exemplos citados foi a atração de um projeto de US$ 40 bilhões para a construção de um datacenter movido a energia eólica, evidenciando o potencial em infraestrutura e energia limpa.

Fluxo global volta a crescer em 2025

Segundo a OCDE, o volume mundial de investimentos estrangeiros diretos cresceu 15% em 2025, atingindo US$ 1,7 trilhão. O avanço ocorre após um período de retração e foi impulsionado, principalmente, pela retomada dos aportes na China, que voltou a registrar crescimento após três anos de queda.

Perspectivas para os próximos anos

O cenário indica que o Brasil deve continuar entre os principais destinos de investimentos internacionais, apoiado por fatores como mercado interno robusto, recursos naturais e oportunidades em transição energética.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva

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Economia

Economia do Mar em Santa Catarina responde por 8,5% dos empregos formais

A Economia do Mar em Santa Catarina se consolida como um dos principais motores de geração de empregos no estado. Atualmente, o setor reúne cerca de 250 mil trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a 8,5% de toda a força de trabalho formal catarinense.

Setor impulsiona criação de vagas

Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, as atividades ligadas ao uso econômico do mar abriram quase 6 mil novos postos formais. O número representa 13% do saldo total de empregos criados em Santa Catarina no período.

Os dados fazem parte do Informativo Mensal de Emprego, elaborado pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan/SC) com base nas informações do Novo Caged, divulgadas em março de 2026.

Incentivo público fortalece a atividade

O governo estadual destaca a relevância histórica e econômica do setor. Iniciativas como o Programa Pescados SC buscam ampliar a produtividade por meio da oferta de equipamentos e crédito facilitado, reforçando a importância da pesca, da aquicultura e das atividades marítimas para a renda de milhares de famílias.

Santa Catarina supera média nacional

O desempenho catarinense na geração de empregos ligados ao mar está acima da média brasileira, que foi de 12% no período. Somente em fevereiro de 2026, o estado registrou 1.929 novos vínculos formais no setor, o que corresponde a 11% das vagas criadas no país nesse segmento.

Além disso, Santa Catarina lidera nacionalmente em áreas como pesca (45% dos empregos formais) e processamento de pescado (27%). O estado também ocupa posição de destaque na indústria naval, fabricação de equipamentos e produção de itens voltados à atividade pesqueira.

Diversificação e valor agregado em alta

A Economia do Mar catarinense não se limita às atividades tradicionais. Segmentos como logística, engenharia, serviços especializados e armazenamento de cargas têm ganhado espaço, indicando maior diversificação e agregação de valor à cadeia produtiva.

Entre os destaques na geração de empregos estão:

  • Armazenamento, carga e descarga: +1.744 vagas
  • Manutenção de máquinas e equipamentos: +1.206 vagas
  • Fabricação de produtos alimentícios: +967 vagas

Micro e pequenas empresas foram responsáveis por 65% das contratações, enquanto médias e grandes empresas responderam por 35%. A distribuição por gênero ficou equilibrada: 51% homens e 49% mulheres.

Crescimento consistente na última década

Dados da RAIS mostram que, entre 2014 e 2024, o número de empregos na Economia do Mar cresceu 25% em Santa Catarina — um avanço superior à média nacional (15%). No mesmo período, o setor ganhou quase 50 mil novos trabalhadores formais.

O número de estabelecimentos também avançou, saltando de 15.871 para 23.515 unidades, alta de 48%. Já a massa salarial mensal atingiu cerca de R$ 1,158 bilhão, crescimento de 20% em relação a 2014.

Regiões concentram empregos, mas interior cresce

A maior parte dos empregos está concentrada em três regiões:

  • Grande Florianópolis: 28%
  • Foz do Rio Itajaí: 18%
  • Nordeste catarinense: 15%

Apesar disso, regiões do interior apresentaram crescimento expressivo, como o Extremo Oeste e a região de Laguna, indicando a expansão territorial da atividade.

Os municípios com maior número de trabalhadores formais no setor são Florianópolis, Joinville e Itajaí, que juntos somam mais de 82 mil vínculos.

Economia do Mar ganha protagonismo estratégico

A expansão da Economia Azul, conceito que engloba o uso sustentável dos recursos marinhos, reforça o papel estratégico do setor para o desenvolvimento econômico e social de Santa Catarina. A diversificação produtiva e o avanço tecnológico contribuem para tornar a economia mais resiliente e inovadora.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guararema News

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Economia

Super Quarta movimenta mercados com decisões de juros no Brasil e EUA e balanços de gigantes de tecnologia

A chamada “Super Quarta” concentra, neste 29 de abril, uma série de eventos capazes de impactar diretamente os mercados financeiros globais. Entre os destaques estão as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além de indicadores econômicos relevantes e a divulgação de resultados de grandes empresas de tecnologia.

Decisões de juros no Brasil e nos EUA dominam o dia

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão sobre a taxa Selic. A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,50% ao ano, mantendo o ritmo de ajuste iniciado nas últimas reuniões.

Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) deve optar pela manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. A postura reflete a persistência da inflação, pressionada principalmente pelos custos de energia, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido.

Indicadores econômicos ampliam o foco dos investidores

A agenda brasileira traz ainda a divulgação do IGP-M de abril, com projeção de alta de 2,53%. Também estão previstos dados como as sondagens de comércio e serviços da Fundação Getulio Vargas (FGV), o fluxo cambial e o resultado primário do Governo Central.

Outro dado relevante é o Caged, que mede a geração de empregos formais no país. A divulgação foi antecipada para esta quarta-feira, às 14h30, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No cenário corporativo nacional, investidores acompanham os resultados da Vale, que reportou lucro líquido de US$ 1,89 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — um avanço de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. A teleconferência da companhia também está no radar do mercado.

Outras empresas brasileiras que divulgam seus números ao longo do dia incluem Santander Brasil, WEG, Motiva, Multiplan e Suzano.

Nos Estados Unidos, a temporada de balanços ganha ainda mais relevância com a divulgação dos resultados de gigantes da tecnologia após o fechamento do mercado. Entre elas estão Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta Platforms, que devem influenciar o humor dos investidores globais.

Na véspera, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,51%, aos 188.618 pontos. O índice acumula uma sequência de perdas que não era registrada desde julho do ano passado, indicando maior cautela por parte dos investidores diante do cenário macroeconômico.

Fonte: InfoMoney

Texto: Redação

Imagem: Arquivo / ReConecta News

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Economia

Brics Pay busca reduzir uso do dólar em transações internacionais, dizem especialistas

O Brasil apresentou ao bloco BRICS um novo sistema de pagamentos internacionais, batizado de Brics Pay. A iniciativa pretende criar uma plataforma que permita transferências diretas entre moedas dos países membros, diminuindo a dependência do dólar nas operações comerciais.

O modelo busca substituir intermediários tradicionais, como o SWIFT, atualmente dominado por transações em moeda norte-americana.

Sistema deve funcionar de forma semelhante ao Pix

A proposta prevê um mecanismo inspirado no Pix, com transferências rápidas e integradas entre os sistemas financeiros nacionais. Na prática, isso permitiria, por exemplo, negociações diretas entre real e yuan, sem necessidade de conversão para dólar.

Segundo o especialista Thiago Godoy, a ferramenta pode simplificar as operações comerciais dentro do bloco e reduzir custos cambiais.

Geopolítica impulsiona busca por alternativas

Além de ganhos operacionais, o projeto está ligado a questões estratégicas. Para Marilia Fontes, a criação de um sistema próprio também responde ao risco de sanções internacionais, permitindo maior autonomia nas transações.

A possibilidade de manter o comércio ativo mesmo em cenários de restrição ao sistema global é um dos fatores que impulsionam o debate sobre desdolarização.

Limitações e desafios do Brics Pay

Apesar do potencial, especialistas apontam desafios na implementação. Bernardo Pascowitch destaca que há diferença entre acordos comerciais e a criação de um sistema financeiro integrado.

Segundo ele, um dos pontos sensíveis envolve o nível de acesso dos governos às transações, tema que levanta discussões sobre privacidade e governança financeira.

Debate sobre nova arquitetura financeira global

O Brics Pay surge em meio a discussões mais amplas sobre a diversificação do sistema financeiro internacional. A iniciativa reflete o interesse de países emergentes em reduzir a dependência de estruturas tradicionais e ampliar sua autonomia econômica.

Ainda em fase inicial, o projeto deve enfrentar desafios técnicos, regulatórios e políticos antes de se consolidar como alternativa viável no cenário global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Financiamento para aviação: CMN aprova R$ 8 bilhões para enfrentar alta do combustível

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a criação de uma linha de financiamento para aviação com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), totalizando R$ 8 bilhões. A iniciativa tem como foco reduzir os impactos da alta do querosene de aviação (QAv) no mercado global e fortalecer o setor aéreo brasileiro.

A decisão foi tomada em reunião realizada na noite de quarta-feira (23), em Brasília, e integra um pacote de medidas voltadas à sustentabilidade financeira das companhias aéreas.

Condições do crédito e limites por empresa

A nova linha de crédito do FNAC será reembolsável e contará com taxa de juros de 4% ao ano, acrescida de spread bancário de até 4,5% ao ano. O valor máximo por empresa será de R$ 2,5 bilhões, enquanto companhias de menor porte poderão acessar até R$ 500 milhões.

Os recursos poderão ser liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras credenciadas.

Prazos e regras para acesso aos recursos

Entre as principais condições estabelecidas para o financiamento estão:

  • Prazo total de até 60 meses;
  • Carência de até 12 meses;
  • Proibição de distribuição de dividendos durante o período de carência;
  • Ausência de contrapartidas diretas por parte das empresas.

A liberação efetiva dos valores ainda depende da edição de uma Medida Provisória para abertura de crédito extraordinário. Já os critérios detalhados de distribuição serão definidos pelo Comitê Gestor do FNAC.

Governo destaca impacto positivo para o setor

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, avaliou a medida como estratégica para garantir maior estabilidade ao setor. Segundo ele, as condições oferecidas devem ampliar o acesso ao crédito e melhorar a previsibilidade financeira das empresas aéreas.

A expectativa é que a iniciativa contribua para impulsionar investimentos, ampliar a conectividade e estimular o desenvolvimento da aviação civil brasileira.

Outras medidas para reduzir custos do QAv

A criação da linha de financiamento faz parte de um conjunto de ações anunciadas pelo governo federal no início de abril. Entre elas, está a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível de aviação, medida que pode gerar queda aproximada de R$ 0,07 por litro.

Outra iniciativa foi o adiamento do pagamento das tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), referentes ao período entre abril e junho de 2026, com vencimento postergado para dezembro.

Medidas visam fortalecer a aviação brasileira

Combinadas, as ações buscam mitigar os efeitos da alta dos custos operacionais e garantir maior fôlego financeiro às empresas do setor. O objetivo é preservar a competitividade da aviação comercial no país e evitar impactos mais amplos na economia.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil

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Economia

Diesel mais caro que gasolina: entenda por que o combustível virou um problema econômico global

O avanço dos preços do diesel tem sido mais intenso do que o da gasolina desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou diretamente a oferta global de petróleo. O impacto é especialmente preocupante para setores que dependem fortemente desse combustível, como transporte e agricultura.

Desde o fim de fevereiro, o valor médio do diesel subiu cerca de 45%, enquanto a gasolina teve aumento próximo de 35%. Projeções indicam que o diesel pode ultrapassar US$ 5,80 por galão, contra aproximadamente US$ 4,30 da gasolina. Apesar de uma leve queda recente motivada por expectativas de acordo de paz, a diferença entre os dois combustíveis continua significativa.

Escassez global impulsiona preços do diesel

A elevação acelerada do preço do diesel não começou com a guerra. Antes mesmo do conflito, o mercado já operava com oferta limitada. Com a redução das exportações por países do Golfo Pérsico — importantes produtores —, o desequilíbrio se intensificou.

Outro fator relevante é que o petróleo extraído nessa região é mais adequado para a produção de diesel e combustível de aviação. Com menos disponibilidade, houve escassez simultânea desses derivados, enquanto a gasolina manteve um nível de oferta relativamente mais estável.

Além disso, países com capacidade de compensar parte da produção, como a China, restringiram exportações para priorizar o abastecimento interno, agravando ainda mais o cenário global.

Limitações na produção dificultam resposta rápida

Mesmo sendo exportadores líquidos de derivados, os Estados Unidos não conseguem suprir totalmente a demanda mundial. Parte disso se explica pelas características do petróleo produzido no país, mais indicado para a fabricação de gasolina do que de diesel.

As refinarias também enfrentam limitações técnicas. Embora consigam ajustar parcialmente a produção, não é possível ampliar significativamente a oferta de diesel sem investimentos elevados e mudanças estruturais. Isso reduz a capacidade de resposta imediata diante da crise.

Diesel é essencial e difícil de substituir

Diferentemente da gasolina, cujo consumo pode ser reduzido por alternativas como caronas ou menos deslocamentos, o consumo de diesel é mais rígido. Caminhoneiros, agricultores e operadores de máquinas pesadas dependem diretamente do combustível, o que mantém a demanda elevada mesmo com preços altos.

Diferenças entre diesel e gasolina

Ambos os combustíveis são derivados do petróleo, mas possuem características distintas. A gasolina é mais utilizada em veículos leves, enquanto o diesel, mais eficiente energeticamente, abastece caminhões, tratores e equipamentos industriais.

Essa diferença de uso contribui para a pressão sobre o diesel em momentos de crise, já que ele está ligado a cadeias produtivas essenciais.

Por que o diesel costuma ser mais caro?

Nos Estados Unidos e em outros países, o diesel geralmente custa mais do que a gasolina. Um dos motivos é o processo adicional necessário para reduzir o teor de enxofre, exigido por normas ambientais — o que encarece a produção.

Além disso, o diesel sofre tributação maior e tem preços mais sensíveis ao mercado internacional, já que grande parte da produção é destinada à exportação.

Outro desafio é logístico: a infraestrutura para transporte de diesel, como oleodutos, é mais limitada, o que pode gerar variações regionais de preço.

Quando os preços podem cair?

A normalização dos preços depende diretamente da retomada do fluxo de petróleo, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Caso isso ocorra, a tendência é de redução gradual dos custos.

No entanto, especialistas apontam que o diesel caro pode persistir por mais tempo, já que a cadeia de abastecimento foi profundamente afetada. A recomposição dos estoques e da distribuição global pode levar meses.

No cenário atual, o diesel segue como peça-chave da economia mundial, influenciando diretamente custos de transporte, alimentos e diversos produtos.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NY Times

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Economia

Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP) é criada para fortalecer cooperação financeira internacional

Durante as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial, representantes de diversos bancos centrais oficializaram a criação da Rede dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP). A iniciativa reúne instituições de Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados da África Ocidental (Guiné-Bissau), Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

O objetivo é ampliar a cooperação econômica e financeira internacional entre países que compartilham a língua portuguesa, fortalecendo a articulação técnica e institucional entre os membros.

Cooperação estratégica entre bancos centrais lusófonos

A criação da rede representa um passo importante na consolidação de um espaço permanente de diálogo entre os bancos centrais dos países lusófonos. A proposta busca estruturar e dar continuidade às ações conjuntas já existentes, ampliando o intercâmbio de informações e experiências.

Segundo os participantes, a iniciativa reforça a capacidade de atuação conjunta e contribui para o alinhamento de posições em fóruns internacionais e multilaterais.

Presidência rotativa e agenda de temas econômicos

A BCPLP funcionará com uma presidência rotativa anual, permitindo que cada banco central conduza a agenda de discussões com foco em temas prioritários de sua realidade econômica.

Entre os objetivos está o aprofundamento de debates sobre política monetária, estabilidade financeira e desenvolvimento econômico.

A primeira reunião oficial da rede está prevista para novembro de 2026, em Luanda. Já a primeira presidência será exercida pelo Banco de Portugal em 2027.

Grupos técnicos e troca de experiências

Além dos encontros de alto nível, a estrutura da rede prevê a criação de grupos de trabalho técnicos voltados à análise de temas específicos da agenda econômica.

A proposta é estimular a troca de boas práticas entre bancos centrais, promovendo maior integração institucional e cooperação operacional entre os países participantes.

Também será instituído um comitê de política econômica, responsável por discutir desafios comuns às economias lusófonas e propor encaminhamentos conjuntos.

Integração reforça relevância da lusofonia

Com a criação da rede, os bancos centrais reforçam o compromisso com a cooperação estratégica e com o fortalecimento da presença dos países de língua portuguesa no cenário financeiro global.

A iniciativa busca ampliar a relevância da lusofonia em debates econômicos internacionais, promovendo maior articulação entre as economias envolvidas.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BCB

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