Economia, Exportação, Informação, Negócios, Tributação

Brasil responde Justiça dos EUA e nega práticas que prejudiquem comércio bilateral

Investigação começou em julho, Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O governo do Brasil enviou, nesta segunda-feira (18), respostas aos questionamentos do governo dos Estados Unidos sobre uma investigação aberta pelo Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas que possam prejudicar o comércio internacional dos Estados Unidos e até impor sanções a práticas consideradas discriminatórias contra empresas americanas.

O Brasil alega no documento que não adota políticas discriminatórias, injustificáveis ou restritivas ao comércio com os EUA. Ainda, afirma não existir base jurídica ou factual para a imposição de sanções.

A investigação foi aberta no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Em julho, quando os questionamentos foram feitos, o embaixador Jamieson Greer afirmou que a investigação foi iniciada sob orientação de Trump “sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”.

Na resposta, na qual lista uma explicação para cada tópico da acusação dos Estados Unidos, o Brasil também pede um “diálogo construtivo”.

“O Brasil insta o USTR a reconsiderar o início desta investigação e a iniciar um diálogo construtivo. Medidas unilaterais previstas na Seção 301 podem comprometer o sistema multilateral de comércio e ter consequências adversas para as relações bilaterais”, escreveu o governo brasileiro.

Alguns dos alvos da investigação são o Pix, tarifas chamadas de injustas e preferenciais, a aplicação de medidas anticorrupção, a proteção da propriedade intelectual e a comercialização do etanol brasileiro, além do desmatamento ilegal.

As respostas foram dadas pelo Itamaraty, com auxílio de setores importantes, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que enviou um ofício abordando cada um dos tópicos. Sobre o comércio digital e serviços eletrônicos de pagamento, como o Pix, os industriais afirmam que “não há evidência de que a introdução do Pix reduziu o uso de outras formas de pagamento, exceto por cheques e pagamentos em dinheiro”.

Além disso, outro argumento usado foi de que o Pix ajudou a facilitar transações comerciais, incluindo importações dos Estados Unidos, gerando “mais benefício do que dano à competitividade e ganhos das companhias americanas”.

“Ao oferecer transações rápidas, seguras e de baixo custo, o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu a dependência do dinheiro em espécie e aumentou a eficiência no varejo e no comércio eletrônico, beneficiando as empresas dos EUA”, afirmou, em resposta.

Tarifas preferenciais

A confederação argumentou que as tarifas preferenciais foram aplicadas com acordos internacionais dos quais os Estados Unidos também fazem parte, com a aplicação de uma tarifa média de 2,7% sobre produtos americanos.

Combate à corrupção

Sobre o chamado enfraquecimento do combate à corrupção, a CNI respondeu que “o Brasil mantém uma estrutura legal e institucional abrangente para o combate à corrupção” e citou, ainda, a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de condenações que foram consideradas violadoras de direitos constitucionais, considerando as críticas a decisões judiciais isoladas como não indicadoras de “fragilidades sistêmicas”.

“A melhoria contínua das políticas anticorrupção no Brasil promove um ambiente econômico estável, no qual as empresas competem com base no mérito”.

Proteção da propriedade intelectual

Segundo a CNI, o Brasil demonstra um compromisso de longa data com a proteção de direitos de propriedade intelectual, com aplicação de políticas públicas para “fortalecer o ecossistema de propriedade industrial e combater crimes como a pirataria e a falsificação”.

“Além disso, o Brasil conseguiu alcançar melhorias significativas no exame de patentes por meio de uma série de medidas institucionais e tecnológicas voltadas a aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços de propriedade industrial”, afirmou.

Etanol

Outro ponto enfático da confederação foi em relação ao Etanol, onde a CNI disse que o Brasil não utiliza “atos discriminatórios” que prejudiquem o comércio americano, e defendeu que os países trabalhem juntos “para abrir mercados estrangeiros para seus etanol e biocombustíveis”.

A CNI afirmou, ainda, que “os interesses de ambos os países em relação ao etanol concentram-se na promoção da expansão de seu uso, que é obrigatoriamente misturado à gasolina em seus respectivos territórios”.

Desmatamento ilegal

O último ponto considerado foi o desmatamento ilegal, onde a confederação diz que não foram adotadas políticas ou práticas que “prejudiquem a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas, ou que sejam irrazoáveis ou discriminatórios e onerem ou restrinjam o comércio dos EUA”.

“O Brasil fortaleceu suas leis ambientais, bem como sua aplicação, o que contribuiu para a redução das taxas de desmatamento”.

Com informações da CNN e g1

Fonte: NSC Total.

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Economia

Tendência é de dólar mais fraco e moedas emergentes em alta, diz Goldman Sachs

Relatório do banco avalia que cortes graduais do Fed e juros elevados em países como Brasil e África do Sul favorecem estratégias de carry trade em emergentes

O dólar tende a perder valor nos próximos meses porque a economia dos Estados Unidos não sustenta mais a alta precificação da moeda, afirma o Goldman Sachs em relatório enviado ao mercado na sexta-feira (15).

No documento, os analistas dizem que a fraqueza recente do mercado de trabalho reforça essa leitura, o que pode abrir espaço para uma queda gradual da moeda em relação a outros ativos globais. A expectativa é de que o simpósio anual de Jackson Hole, promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e que ocorrerá neste ano entre 21 e 23 de agosto, traga discursos semelhantes aos do ano passado, quando Jerome Powell e outros membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) evitaram sinalizar um caminho fechado para os juros antes da divulgação dos próximos dados de emprego e inflação.

Para o banco, quem espera um sinal mais direto de política monetária no encontro pode se frustrar. O Goldman Sachs observa que os discursos recentes das autoridades do Fed e os números divulgados até agora mantêm espaço para cortes adicionais na taxa de juros de curto prazo.

Os estrategistas citam ainda que o dólar pode continuar a ter um desempenho inferior em relação a outros ativos cíclicos, já que parte do Fomc defende uma postura de cortes mais graduais por conta da contração da oferta de trabalho. Esse movimento, segundo os analistas, sugere um ritmo mais baixo de criação de empregos e crescimento potencial reduzido, o que pesa sobre a moeda.

Os especialistas do Goldman Sachs escrevem que os dados de inflação da semana passada ajudam a entender que os preços ao consumidor não devem limitar as decisões do Fed. Já os números do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) sinalizam um ambiente de negócios volátil e incerto.

Outro fator que pesou no mercado de câmbio foi a especulação de que o relatório mensal de emprego poderia ser suspenso. Apesar do esclarecimento posterior da Casa Branca, a questão da governança institucional nos Estados Unidos voltou ao radar dos investidores de moedas e pode levar a uma depreciação adicional do dólar conforme gestores globais reconsideram sua posição em ativos considerados porto seguro.

Na leitura do banco, parte da queda do dólar na semana também esteve ligada à baixa liquidez e a fatores externos, como as apostas em uma possível alta de juros pelo Banco do Japão (BoJ). A instituição avalia que a ajuda de eventos externos tende a ser cada vez mais necessária para que a trajetória de depreciação da moeda americana se mantenha, já que os preços atuais estão menos favoráveis para movimentos mais rápidos.

Moedas de mercados emergentes

Em relação às moedas de mercados emergentes, o Goldman Sachs nota que agosto tem sido positivo. A valorização tem sido mais forte entre as moedas de maior retorno em juros, como o real e o rand sul-africano, que ainda são considerados subavaliados e sensíveis ao comportamento do yuan chinês.

Já as moedas asiáticas, de maneira geral, ficaram para trás, e o peso mexicano mostrou desempenho inferior ao de outras moedas de alto retorno. De acordo com o relatório, isso se explica pela maior dependência da economia mexicana da demanda dos Estados Unidos, além do fato de a moeda estar mais próxima de seu valor justo.

O banco explica que, mesmo com cortes de juros ao longo do ano no México, o peso seguiu relativamente estável, o que se deve a fatores externos mais relevantes para sua cotação. A leitura é de que o Banco do México deve reduzir o ritmo de cortes e que a moeda seguirá reagindo de forma mais sensível às variações dos rendimentos dos títulos norte-americanos. O Goldman Sachs diz que, se o mercado precificar novos cortes do Fed, a moeda mexicana pode se beneficiar em parte, mas ainda vê melhores oportunidades em outras divisas emergentes.

No caso do real e do rand, os analistas afirmam que há espaço para ganhos adicionais, já que as duas moedas continuam com retorno elevado e mantêm forte correlação com o yuan. A expectativa é que estratégias de carry trade (operações em que investidores buscam lucrar com a diferença de juros entre países) sigam atraentes enquanto o crescimento dos Estados Unidos ficar abaixo da tendência, sem sinais de uma recessão global mais acentuada.

Fonte: InfoMoney


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Economia

Dólar cai de 70% para 58% nas reservas mundiais enquanto novo ‘dólar’ da China avança e altera comércio brasileiro

É o fim do dólar? Entenda como o novo “dólar” da China pode impactar o Brasil e seus investimentos. Especialistas analisam a ascensão do yuan no comércio global e os riscos e oportunidades para a economia brasileira

O avanço do novo “dólar” da China — o yuan — no comércio internacional está acendendo um alerta entre economistas e investidores. Empresas brasileiras, como a Chilli Beans, já anunciaram que vão abandonar o dólar em operações de importação e adotar a moeda chinesa diretamente. O movimento reflete uma tendência global de diversificação cambial, acelerada após sanções dos Estados Unidos contra a Rússia.

Atualmente, o dólar representa 54% do comércio mundial e domina o mercado financeiro, mas perde espaço em reservas internacionais e pagamentos globais. Já o yuan, embora responda por apenas 2% das reservas globais e 7% das transações cambiais, cresce de forma constante e estratégica. Para especialistas, esse cenário coloca o Brasil em uma posição única — e potencialmente vantajosa — nas disputas comerciais entre EUA e China.

A ascensão do yuan e o reposicionamento global

De acordo com dados recentes, o dólar caiu de 70% para 58% na participação das reservas cambiais mundiais desde o início dos anos 2000. Nesse mesmo período, o yuan passou a integrar oficialmente as reservas internacionais, ganhando força no comércio asiático e em operações bilaterais.

O professor de economia internacional ouvido pela reportagem lembra que a história das moedas hegemônicas é cíclica: a libra esterlina perdeu espaço para o dólar no século XX, e agora o avanço da China como maior potência industrial pode abrir caminho para o yuan. No entanto, a falta de transparência do sistema chinês e o controle estatal ainda geram desconfiança entre investidores globais.

Oportunidades e riscos para o Brasil

O Brasil é hoje o maior fornecedor de matérias-primas para a China e um parceiro comercial relevante para os Estados Unidos. Isso o coloca no centro de uma disputa que pode render ganhos estratégicos se o país souber negociar. Especialistas defendem que o Brasil deveria adotar uma postura de neutralidade e exigir contrapartidas — como transferência de tecnologia e instalação de indústrias locais — em troca do fornecimento de insumos.

Com os preços das commodities em alta e o real ganhando força, o país já sente impactos positivos: o índice EWZ, que mede a bolsa brasileira em dólar, cresceu 25,01% em 2025, superando os 9,64% do S&P 500 no mesmo período. Mesmo sem reformas fiscais significativas, o cenário externo tem favorecido a economia brasileira.

O investidor brasileiro nesse novo cenário

Para quem investe, a recomendação de analistas é diversificar a carteira internacional e se preparar para possíveis mudanças no sistema monetário global. A queda do dólar no Brasil abre oportunidades para compra de ativos externos a preços mais atraentes, mas a instabilidade geopolítica exige cautela.

A disputa cambial não será resolvida a curto prazo, e o Brasil precisa decidir se quer apenas reagir aos movimentos das potências ou atuar de forma ativa para se beneficiar desse realinhamento econômico.

novo “dólar” da China ainda está longe de substituir o dólar como principal moeda global, mas sua expansão já influencia estratégias comerciais e investimentos. O Brasil, se bem posicionado, pode ser um dos grandes beneficiados — desde que alinhe política externa, setor industrial e interesses de longo prazo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Informação

Movimentação de cargas pelo setor aquaviário atinge recorde no primeiro semestre do ano

O setor aquaviário movimentou 653,7 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 1,02% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

Esse é o maior volume registrado para os primeiros seis meses do ano desde o início da série histórica, em 2010. A movimentação de junho, que atingiu 120,4 milhões de toneladas, também foi recorde para o período.

A alta de cargas movimentadas no primeiro semestre foi puxada principalmente pelas cargas conteinerizadas e por granéis sólidos, que também atingiram o maior patamar desde 2010.

Perfis de carga

Em relação às cargas conteinerizadas, a movimentação atingiu 78,1 milhões de toneladas no primeiro semestre do ano, um aumento de 6,17%. Desse total, 53,7 milhões de toneladas foram movimentadas em longo curso, 23,7 milhões por cabotagem e 0,7 milhão por navegação interior e apoio portuário. Em TEUs, a movimentação de contêineres foi de 7,3 milhões.

No ano passado, esse perfil de carga também chegou a um recorde com alta de 22,72%. Isso demonstra uma evolução contínua da atividade, que cresceu de forma constante nos últimos cinco anos.

Por sua vez, os granéis sólidos, que representam 59,2% de tudo que é movimentado pelos portos brasileiros, registrou 387,1 milhões de toneladas de cargas, um crescimento de 0,7% frente ao primeiro semestre de 2024.

Cargas gerais apresentaram alta de 5,21% durante os primeiros seis meses do ano, com movimentação de 31,7 milhões de toneladas e os granéis líquidos recuaram 1,4% com 156,8 milhões movimentados.

Movimentação nos portos

Os portos públicos mantiveram o mesmo patamar de movimentação do primeiro semestre de 2024, chegando a 231,5 milhões de toneladas nos primeiros seis meses deste ano. Isso representa uma leve queda de 0,53%.

Entre os 20 portos públicos que mais movimentaram no país, o com maior crescimento percentual no semestre foi o Porto do Rio de Janeiro (RJ). A instalação, que movimentou 8,4 milhões de toneladas, cresceu 24,9%.

Confira abaixo um histórico das exportações e importações do Porto do Rio de Janeiro desde janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações e Importações do Rio de Janeiro – Jan 2022 a Jun 2025 – TEUs

Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)

Outro destaque do período é o Porto de Itajaí (SC), que desde a retomada das operações, em maio de 2025, já movimentou 1,7 milhão de toneladas de cargas.

Por sua vez, em mais um ano consecutivo, o porto de maior movimentação no semestre foi o de Santos, com 67,9 milhões de toneladas, registrando um decréscimo de 1,09%. O porto foi responsável por 10,4% de toda a movimentação portuária dos primeiros seis meses do ano.

Os Terminais de Uso Privado (TUPs) registraram 422,3 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025. O número representa um aumento de 1,88% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os 20 TUPs que mais movimentaram no período, o com o maior crescimento é o Terminal Marítimo Ponta Ubu (ES), com alta de 50,66%. A instalação movimentou 7 milhões de toneladas de cargas.

Já o destaque de maior movimentação no semestre ficou para o terminal Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), que registrou 75,2 milhões de toneladas e crescimento leve de 0,59%.

Mercadorias

Entre os destaques percentuais de mercadorias movimentadas ao longo do primeiro semestre de 2025 estão os Fertilizantes, com crescimento de 13,65% e 20,9 milhões de toneladas de cargas movimentadas; o Enxofre, com alta de 10,76% e 1,2 milhão movimentados; e a Pasta de Celulose, com aumento de 9,12% e 12,5 milhões movimentados.

Nos primeiros seis meses do ano, as cargas mais movimentadas foram Minério de Ferro, com 190,5 milhões de toneladas de cargas (+2,5%), seguido pelo Óleo Bruto de Petróleo, com 104,1 milhões toneladas de cargas (+0,62%) e Soja, com 93 milhões movimentados (+5,2%).

Navegação

A navegação interior movimentou 44,3 milhões de toneladas nos primeiros seis meses do ano, registrando um crescimento de 2,37%. A movimentação de cargas de longo curso foi de 463,6 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, apresentando crescimento de 2,01% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A cabotagem, no entanto, teve queda de 1,95% em comparação com o primeiro semestre do ano passado, atingindo uma movimentação de 144,8 milhões de toneladas.

Painel Estatístico

O Painel Estatístico da ANTA Q está disponível no site da Agência e pode ser acessado via smartphones e tablets. Na consulta eletrônica, podem ser checados dados de transporte de longo curso, cabotagem, vias interiores, além da movimentação portuária de contêineres.

Fonte: Agência Gov

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Economia

Tarifas ainda podem reacender a inflação? Capital Economics analisa

O impacto na economia dos EUA das tarifas agressivas do presidente Donald Trump tem sido limitado até agora, mas deve aumentar gradualmente com o tempo, segundo analistas da Capital Economics.

Observadores há muito argumentam que as elevadas tarifas de Trump elevarão os preços e pesarão sobre o crescimento, embora dados desta semana sugiram que as pressões inflacionárias nos EUA permanecem moderadas.

Ainda assim, persistem preocupações de que o efeito total das tarifas ainda não tenha sido sentido. Em uma nota, os analistas da Capital Economics liderados por Simon MacAdam previram que as tarifas terão uma influência crescente – e ascendente – sobre o ritmo dos ganhos de preços nos “próximos meses”.

“Até agora, houve muito pouco repasse para os preços ao consumidor, mas isso não pode durar”, escreveram os analistas, referindo-se a um movimento potencial de algumas empresas para transferir despesas incorridas com as tarifas para os clientes.

Alguns economistas sugeriram que o ritmo relativamente tímido da inflação em julho se deveu em parte às empresas ainda reduzirem estoques que foram expandidos por uma onda de pedidos antes do anúncio da tarifa “recíproca” de Trump no início de abril. Outros argumentaram que as empresas também podem ter optado por absorver mais os custos das tarifas na tentativa de proteger a participação de mercado.

“Embora os varejistas dos EUA pareçam ter estado muito dispostos a absorver o impacto inicial das tarifas via margens mais baixas, isso não é sustentável”, disseram os analistas da Capital Economics. “Com muitos acordos comerciais firmados, há agora maior certeza sobre onde as tarifas vão parar, o que deve permitir que os varejistas finalmente aumentem seus preços.”

Eles estimaram que a taxa tarifária dos EUA agora está em 17% após a implementação dos impostos comerciais “recíprocos” elevados de Trump no início deste mês, acrescentando que o número poderia subir ainda mais caso a Casa Branca cumpra as ameaças de impor tarifas sobre importações de semicondutores e produtos farmacêuticos.

Essas tarifas, juntamente com uma repressão contínua da Casa Branca à imigração, são antecipadas pela Capital Economics para manter a inflação básica – um indicador subjacente que exclui itens voláteis como alimentos e combustíveis – acima de 3% “bem até 2026”.

Fonte: Investing

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Economia

Indústria da zona do euro encolhe mais do que o esperado em junho, mas PIB cresce no 2º tri

A produção industrial da zona do euro caiu mais do que o esperado em junho, mesmo com crescimento econômico geral no segundo trimestre, contrariando as opiniões de que a união monetária de 20 países permanece resiliente às consequências de uma guerra comercial global.

A produção industrial caiu 1,3% em junho sobre o mês anterior com uma grande queda na Alemanha e a fraqueza da produção de bens de consumo, pior do que a expectativas de retração de 1,0%, mostraram dados do Eurostat nesta quinta-feira.

Além da surpresa negativa, o Eurostat também revisou sua estimativa de crescimento da produção para maio de 1,7% para 1,1%, sugerindo que a tendência subjacente é mais fraca do que se pensava.

Enquanto isso, o PIB cresceu 0,1% no segundo trimestre sobre os três meses anteriores, em linha com a estimativa preliminar, e o emprego aumentou apenas 0,1% no trimestre, em linha com as expectativas em uma pesquisa da Reuters mas abaixo dos 0,2% nos três meses anteriores.

Uma série recente de indicadores relativamente positivos alimentou a narrativa de que o consumo está mantendo o bloco resiliente às tensões comerciais, mas números mais recentes, como encomendas à indústria e uma leitura importante de confiança da Alemanha, contrariaram essa visão.

Ainda assim, os investidores continuam apostando em uma recuperação modesta com base na premissa de que o recente acordo comercial da UE com os EUA proporciona a certeza necessária e que os planos da Alemanha de aumentar acentuadamente os gastos orçamentários darão suporte ao crescimento.

É por isso que os investidores financeiros acham que o Banco Central Europeu pode ter terminado de cortar as taxas de juros e que as autoridades vão esperar uma queda temporária na inflação abaixo da meta de 2%, já que as pressões sobre os preços no médio prazo já estão se acumulando.

Fonte: MSN

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Economia

Focus: Mercado reduz projeções de inflação e PIB para 2025 e 2026

Expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 5,05%, de 5,07% na semana anterior

Analistas consultados pelo Banco Central reduziram pela 11ª semana seguida a perspectiva para a inflação neste ano, ao mesmo tempo em que passaram a ver um superávit comercial menor tanto em 2025 quanto em 2026, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (11).

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 5,05%, de 5,07% na semana anterior. Para 2026 a conta também caiu, a 4,41% de 4,43%.

O IBGE divulga na terça-feira (12) os dados do IPCA de julho, com expectativas em pesquisa da Reuters de alta mensal de 0,37% e taxa em 12 meses de 5,34%.

O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que não houve mudanças nas perspectivas para a taxa básica de juros, com a Selic estimada nos atuais 15% ao final de 2025 e em 12,50% em 2026.

Em relação à balança comercial, os especialistas reduziram a projeção de superávit a US$ 65 bilhões e US$ 69 bilhões respectivamente neste ano e no próximo, de US$ 65,25 bilhões e US$ 70,79 bilhões no Focus anterior.

O governo dos Estados Unidos impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, e o governo prepara um plano de contingência de apoio a empresas e setores afetados.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), a estimativa de crescimento no Focus caiu a 2,21% em 2025 e 1,87% em 2026, de 2,23% e 1,88% antes.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças, Informação, Tributação

“Cenário não é bom”, alerta especialista sobre primeira semana do tarifaço dos EUA

Primeiros dados do impacto da taxação serão divulgados nesta segunda-feira (11)

O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em vigor na última quarta-feira (6). A sobretaxa de 50% aplicada sobre os produtos brasileiros preocupa especialistas já nos primeiros dias. Os dados do governo sobre as exportações serão divulgados nesta segunda-feira (11). As informações são do g1.

Apreensão no mercado

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou ao g1 que será possível ter uma noção do impacto assim que sair o balanço das exportações desses primeiros dias de taxação. Mesmo sem os dados oficiais, ele avaliou que o cenário “não é bom”.

A alíquota imposta pelos Estados Unidos atinge cerca de 36% das exportações brasileiras ao país, o que corresponde a US$ 14,5 bilhões em 2024. Segundo Castro, na última semana de julho deste ano foi observada uma diminuição da média das exportações ao país norte-americano.

“Era um sintoma porque este ano, de março até o mês de julho, a média de exportação foi superior a R$ 1,4 bilhão, e, nessa última semana, chegou a R$ 1,4. Então, na verdade, já mostrou que o fôlego estava acabando e deve começar a cair o preço e a quantidade também”, projetou Castro na entrevista.

Os produtos mais exportados de SC aos EUA

Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%) (Foto: Cristiano Estrela, Secom SC)

Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%) (Foto: WEG, Divulgação)

Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%) (Foto: Aimex, Divulgação)

Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%) (Foto: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Divulgação)

Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%) (Foto: Cadu Ristum, Divulgação)

Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%) (Foto: WEG, Divulgação)

Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%) (Foto: Cristiano Estrela, Secom SC)

Devido à taxação, há uma preocupação imediata com produtos perecíveis, que devem ser priorizados no primeiro momento. Integrantes do governo brasileiro citam que há peixes já estocados, frutas prontas para serem colhidas, além de mel, que seria exportado para os Estados Unidos.

Plano de contingência

Para enfrentar a taxa de 50%, os diferentes setores do Brasil devem tomar medidas que amenizem as consequências, que podem ser imediatas e também de longo prazo. A alíquota sob cada produto exportado gera efeitos variados dentro de um mesmo setor e, por isso, as empresas podem lidar com medidas próprias em alguns casos.

Ainda de acordo com o g1, o governo federal trabalha em um plano de contingência que deve ser apresentado nesta semana. A ideia é apoiar pequenas e médias empresas — contemplar linhas de crédito, adiar cobranças de tributos e contribuições federais, além de compras públicas de mercadorias perecíveis.

A economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carla Beni, avalia que “o peso do problema será o peso do Estado para resolvê-lo”. Ela menciona a reportagem da revista britânica “The Economist” que afirmou que as tarifas de Donald Trump sobre o Brasil “são mais ameaça do que impacto real”.

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Robson Gonçalves, também economista da FGV, defende que as medidas precisam ser suficientemente alinhadas para ajudar as empresas que realmente tenham impacto em virtude da elevação da tarifa. “A gente precisa de uma política de mais médio e longo prazos. Algo que não se improvisa, mas que precisa ser discutida o mais rapidamente possível, de maior intensificação da agenda de diversificação”, acrescentou em entrevista ao g1.

De acordo com o especialista, o Brasil não tem uma política de comércio exterior forte, como uma política agressiva e articulada, mas agora será preciso ter.

Fonte: G1

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Economia

TARIFAÇO: Supermercados projetam queda de US$ 40,4 bilhões na economia do Brasil

O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA), que reúne associações ligadas às redes de supermercados, enviou um relatório ao governo federal para alertar sobre os impactos do tarifaço dos Estados Unidos na economia e no consumo, a partir do cenário atual de sobretaxas de 50% sobre o Brasil.

Segundo o estudo enviado pelo grupo, se não houver mudanças no médio prazo, a economia brasileira pode perder US$ 40,4 bilhões em 12 meses, o que significaria uma redução de 1,8 ponto percentual no PIB. De acordo com o relatório, essa situação derrubaria o crescimento esperado para 2025, de 3,2%, para 1,3%.

Associações ligadas a redes de supermercados apresentam lista de medidas ao governo

O estudo aponta que o setor mais exposto neste momento é a indústria de transformação, que pode ter retração de até 5,6 pontos percentuais no cenário mais grave, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa sofreriam menos por terem maior capacidade de redirecionar commodities para outros mercados.

O documento também traça cenário de impactos negativos sobre a arrecadação federal, com perdas de até 2% no curto prazo, além de pressão sobre o emprego.

Sem medidas de fomento ao mercado interno, projeta-se uma redução de 179 mil postos de trabalho no curtíssimo prazo (até seis meses após a entrada em vigor da tarifa), até 287 mil postos no médio prazo (18 a 36 meses).

“O FCNA manifesta sua profunda preocupação com os impactos econômicos e sociais potenciais, em especial sobre setores que lideram as exportações brasileiras de alimentos, bebidas e insumos industriais, como café, carnes, frutas e derivados agroindustriais”, afirma o documento, que foi enviado na quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de oito ministros.

Para enfrentar o choque, o Fórum das associações propõe um conjunto de medidas para fortalecer o mercado interno. Entre elas, menciona a necessidade de antecipar a vigência da cesta básica nacional de alimentos com isenção tributária total.

O setor pede, ainda, “aceleração da redução da taxa Selic e ampliação do crédito produtivo”, além de “desoneração e simplificação das contratações formais, com foco nas pequenas e médias empresas”.

As demandas também incluem a criação de um programa emergencial de apoio aos setores mais impactados, com refinanciamento de passivos e compra pública de excedentes de produção, além de “medidas fiscais estruturantes, com foco no equilíbrio orçamentário”.

Segundo o Fórum, se as ações forem adotadas de forma coordenada, será possível neutralizar grande parte dos efeitos recessivos e de perda de empregos provocados pelo tarifaço.

Apesar do cenário traçado pelo setor, a imposição de tarifa de 50% feita por Donald Trump não causou uma mudança significativa nas expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para os principais índices da economia nacional.

O boletim Focus da segunda-feira (4) apresentou uma queda na previsão para a inflação e manteve a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto), o dólar e a taxa de juros deste ano.

A expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu pela décima semana seguida, indo de 5,09% para 5,07%. Os analistas também reduziram o IPCA de 2026 para 4,43%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à semana passada. Já a expectativa para 2027 e 2028 segue em 4% e 3,8%, respectivamente.

Com isso, o mercado manteve a expectativa que a inflação fique no limite da meta no próximo ano. O objetivo é alcançar uma alta de preços anual de 3%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo.

Além da inflação, o outro índice que teve alteração na comparação com o último boletim foi o PIB, que teve uma redução em 2026 (de 1,89% para 1,88%) e 2027 (de 2% para 1,95%). Neste ano, a perspectiva é que o crescimento econômico seja de 2,23%, patamar mantido pela quarta semana consecutiva.

O documento é endossado por 15 instituições:

Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), Abralog (Associação Brasileira de Logística), Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), ANR (Associação Nacional de Restaurantes) e CropLife Brasil (Associação de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para a Produção Agrícola Sustentável).

Fonte: Blog do BG

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Industria

China reforça parceria com o Brasil e destaca importação do açaí

Em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a China voltou a demonstrar, publicamente, seu interesse em importar produtos brasileiros. O destaque mais recente foi uma postagem feita nesta quarta-feira (7) pela embaixada chinesa no Brasil, que promoveu o açaí como um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses e símbolo do comércio entre os dois países.

A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que destacou a iniciativa como parte da estratégia chinesa de estreitar os laços com o Brasil em um momento de tensões entre Brasília e Washington. Na publicação, feita na plataforma X (antigo Twitter), a embaixada chinesa afirma: “O Brasil é o maior exportador de açaí do mundo. O sabor único e os benefícios à saúde fazem dele um dos produtos mais populares entre os consumidores chineses”. A postagem foi acompanhada por imagens do fruto e emojis de corações.

O gesto é interpretado como um aceno diplomático e comercial diante das recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, que elevaram tarifas sobre diversas exportações brasileiras, incluindo carne, café e suco de laranja. A atitude de Pequim reforça a disposição da China em ampliar sua presença no mercado brasileiro e fortalecer o fluxo bilateral de comércio.

A sinalização é clara: enquanto os Estados Unidos fecham portas, a China amplia oportunidades. A recente aprovação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado chinês, válida por cinco anos, e a promoção de itens como o açaí, fazem parte de um conjunto de iniciativas que visam consolidar o Brasil como fornecedor estratégico em tempos de reconfiguração do comércio global.

Fonte: Brasil247

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