Economia

Governo lança linha de R$ 12 bilhões do BNDES e da Finep para difusão de equipamentos 4.0 na economia

Iniciativa contempla investimentos em máquinas e equipamentos que contenham robótica, inteligência artificial, computação na nuvem, sensoriamento, comunicação máquina a máquina e internet das coisas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 25 de agosto, em Brasília (DF), a ampliação dos recursos disponíveis do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o financiamento de projetos de difusão de máquinas e equipamentos 4.0 na economia.

Com incentivos que mesclam a Taxa Referencial (TR) e custos de mercado, o orçamento da linha Crédito Indústria 4.0 em 2025 é de R$ 12 bilhões. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também acompanhou o evento no Palácio do Planalto.

A medida é para bens de capital: máquinas e equipamentos que vão fazer com que a indústria ganhe competitividade e reduza custos. Vai modernizar o parque industrial brasileiro. E esses R$ 12 bilhões serão com juros entre 7,5% e 8% mais o spread. São juros bem mais em conta para a modernização do parque industrial”
Geraldo Alckmin
Vice-presidente da República e titular do MDIC

“A medida é para bens de capital: máquinas e equipamentos que vão fazer com que a indústria ganhe competitividade e reduza custos. Vai modernizar o parque industrial brasileiro, que tem uma média de 14 anos de idade. E esses R$ 12 bilhões serão com juros entre 7,5% e 8% mais o spread. São juros bem mais em conta para a modernização do parque industrial, com melhora de eficiência energética e redução de custos”, ressaltou Alckmin.

O presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, destacou que a medida é “fundamental, porque não tem crescimento e emprego sem investimento, e o investimento precisa de inovação”. “Essa é uma linha de crédito que vai direto na competitividade, na produtividade e na eficiência. No setor que tem mais P&D [pesquisa e desenvolvimento], que mais precisa inovar, e que irradia isso para toda a indústria e para toda a economia”, afirmou.

A medida é resultado da Resolução nº 5.232, de julho deste ano, do Conselho Monetário Nacional, que ampliou para até 2,5% do saldo dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) sob gestão do BNDES que podem financiar projetos ao custo da TR.

FORTALECIMENTO – A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, pontuou que a nova iniciativa representa o fortalecimento da soberania. “Essa resolução vai dar o impacto que nós todos desejamos: entrar naquilo que é base para o crescimento, que é o chamado capital bruto fixo. Ou seja, máquinas, equipamentos, e mais, nas indústrias de base tecnológica, que incorporem tecnologias portadoras do futuro, como é o caso do sensoriamento, de IA, de internet das coisas e de robótica”, disse.

Na cerimônia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abordou os esforços governamentais para fomentar a indústria em diferentes frentes. “Nós estamos tendo que inovar muito no Brasil de hoje, porque muitas portas se fecharam para a indústria ao longo dos últimos anos. É impressionante a quantidade de políticas públicas que foram sendo desmontadas ao longo dos anos, a começar pelo não enfrentamento do maior desafio de todos da indústria, que foi a reforma tributária”, afirmou, lembrando que no primeiro ano do atual governo foi aprovada a maior reforma tributária da história do país.

MODERNIZAÇÃO – No BNDES, a linha Crédito Indústria 4.0 tem R$ 10 bilhões e pretende impulsionar a agenda de modernização industrial e dos serviços tecnológicos, contribuindo para alavancar a indústria 4.0 e ampliar a produtividade e a digitalização.

ÁREAS CONTEMPLADAS – São objeto da iniciativa os investimentos em bens de capital que incorporem tecnologias em robótica, inteligência artificial, computação na nuvem, sensoriamento, comunicação máquina a máquina e internet das coisas (IoT), entre outras, todos credenciados no BNDES. A iniciativa é parte do eixo de inovação e digitalização do Plano Mais Produção, que integra a Nova Indústria Brasil.

“Não tem crescimento e emprego sem investimento, e o investimento precisa de inovação. Essa é uma linha de crédito que vai direto na competitividade, na produtividade e na eficiência. No setor que tem mais P&D [pesquisa e desenvolvimento], que mais precisa inovar, e que irradia isso para toda a indústria e para toda a economia” 
Aloízio Mercadante
Presidente do BNDES 

ESTÍMULO – A Finep complementa a ação, seguindo no propósito de reduzir as assimetrias regionais e estimular a indústria nacional de bens de capital, alocando R$ 2 bilhões de crédito à sua linha Difusão Tecnológica exclusivamente para empresas que precisem modernizar seu parque industrial localizado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

PRODUTIVIDADE – “Com a nova linha para aquisição de máquinas e equipamentos 4.0, o BNDES reforça o compromisso com o aumento da produtividade e a difusão tecnológica na economia, eixos fundamentais da Nova Indústria Brasil”, disse o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL – Segundo Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, a participação da Finep, com o aporte de mais R$ 2 bilhões, reforça a parceria com o BNDES e contribui para a redução das assimetrias regionais, a partir do apoio a empresas de menor porte nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

CONJUNTO – No lançamento, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira, comemorou mais essa ação para fortalecer o desenvolvimento do país. “Quero parabenizar pela linha que está sendo anunciada hoje, porque vai ao encontro a tudo que o governo vem fazendo desde que retomou o Brasil, desde que a gente retomou esse processo de desenvolvimento, que é de fato ter um projeto para o desenvolvimento nacional”, declarou.

MPMEs – A partir da mistura (blend) entre TR e taxas de mercado, o custo financeiro da linha não ultrapassará 8,5% ao ano, beneficiando mais projetos, principalmente de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que verão a redução, em média, de 6% das taxas atualmente pagas em financiamentos. Todos os bancos credenciados ao BNDES estarão aptos a repassar os recursos.

CRITÉRIOS – Para aquisição de máquinas e equipamentos 4.0, MPMEs com projetos de até R$ 50 milhões, terão acesso a financiamento na forma indireta, por meio da rede credenciada de instituições do BNDES. Para médias e grandes empresas com projetos no valor de até R$ 300 milhões, o financiamento será feito diretamente com o BNDES. O Banco também apoiará fabricantes de máquinas e equipamentos 4.0 na comercialização de seus equipamentos credenciados, no valor de até R$ 300 milhões.

PAPEL CENTRAL – A indústria de máquinas e equipamentos desempenha papel central na difusão tecnológica para o aumento da produtividade em toda a indústria. Estudos mostram que o parque fabril brasileiro ainda opera com maquinário antigo, com idade média de 14 anos, o que reduz a produtividade. No Brasil, 38% dos equipamentos industriais estão próximos ou além do ciclo de vida ideal estabelecido pelos fabricantes. A defasagem tecnológica aumenta custos de manutenção, consumo energético e impacta negativamente a competitividade do país.

Fonte: Planalto

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Agronegócio, Comércio Exterior, Economia

Soja Cai em Chicago Porque China Sinaliza Menos Apetite Pelo Grão dos EUA

A soja de Chicago caiu nesta segunda-feira (25), depois de atingir máximas de dois meses na sexta-feira (22), com os participantes do setor perdendo a confiança de que os compradores chineses comprariam a soja dos Estados Unidos, enquanto os comerciantes avaliaram as isenções concedidas às refinarias de petróleo dos EUA para o uso de biocombustíveis à base de soja.

A soja mais ativa da bolsa de Chicago fechou com queda de 10,75 centavos, a US$10,4775 por bushel.

No domingo, o embaixador de Pequim em Washington disse que o protecionismo dos EUA estava prejudicando a cooperação agrícola com a China e alertou que os agricultores não deveriam arcar com o preço da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

“Normalmente, em setembro, a China compra de 14% a 15% de suas necessidades de soja”, disse Dan Basse, presidente da AgResource. “Eles não vão comprar toneladas nos próximos dias, quando nem sequer estão conversando.”

Em relação ao milho, o cereal se firmou depois que um tour de safra previu a colheita dos EUA abaixo das estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA. O trigo subiu com o apoio dos futuros do milho e as esperanças de vendas de exportação dos EUA, com os preços robustos do Mar Negro.

Espera-se que o Departamento de Agricultura dos EUA reduza suas classificações das safras de milho e soja dos EUA em um relatório semanal nesta segunda-feira, disseram analistas em uma pesquisa da Reuters, embora os agricultores ainda estejam preparados para produzir grandes colheitas.

O milho fechou com alta de 0,75 centavos, a US$ 4,1225 por bushel, e o trigo fechou com alta de 2,5 centavos mais alto, a US$5,2975 por bushel.

Na sexta-feira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA aprovou a maioria dos pedidos em atraso de pequenas refinarias de petróleo para isenções do uso obrigatório de biocombustíveis, levantando preocupações sobre a redução da demanda por combustíveis renováveis, geralmente produzidos a partir da soja.

A consultoria Pro Farmer previu na sexta-feira que os agricultores dos EUA colheriam uma safra recorde de milho, embora sua estimativa tenha colocado a safra abaixo das projeções do USDA, acrescentando um toque de alta ao mercado.

Fonte: Forbes Brasil

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Economia

Governo arrecadou R$ 6,554 bilhões com IOF em julho; alta é de 13% ante 2024

O aumento é decorrente da elevação das alíquotas estabelecidas por decreto presidencial

A Receita Federal informou que a arrecadação com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em julho de 2025 foi de R$ 6,554 bilhões, um crescimento real de 13,05% ante o mesmo mês de 2024. O aumento é decorrente da elevação das alíquotas estabelecidas por decreto presidencial.

No acumulado de janeiro a julho deste ano, foram arrecadados R$ 43,517 bilhões com IOF, uma alta real de 9,42% em relação a igual período do ano passado. O total recolhido nos primeiros sete meses foi de R$ 1,679 trilhão.

A Receita listou a alta no IOF como componente da arrecadação total do acumulado do ano. “Elevação da arrecadação do IOF, em razão de alteração na legislação do tributo – Decretos 12.467/25 e 12.499/25”, destacou o Fisco.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Argentina: peso cai pela 1ª vez em 13 dias e ações cedem com PIB e tensões internas

A economia do país encolheu pelo segundo mês consecutivo em junho, marcando a quarta contração no ano

O dólar oficial subiu, nesta quarta-feira, 20, pela primeira vez em 13 dias ante o peso argentino, voltando a superar a os 1.300 pesos – segundo o Ámbito Financiero – e o índice Merval cedeu 0,49% com um Produto Interno Bruto (PIB) enfraquecido na Argentina e tensões políticas internas.

A economia do país encolheu pelo segundo mês consecutivo em junho, marcando a quarta contração no ano, a medida que se aproximam as eleições de meio de mandato do país, marcadas para outubro.

Paralelamente, a oposição argentina marcou um triunfo na Câmara dos Deputados da Argentina ao rejeitar nesta quarta-feira o veto do presidente Javier Milei à lei de Emergência em Deficiência. No que se prevê ser uma jornada extensa, os blocos opositores pretendem insistir em outras três leis que Milei vetou em prol de sustentar o “déficit zero”.

Tentando controlar o orçamento, o presidente da Argentina vetou no começo de agosto uma tentativa de aumentar os gastos com pensões e uma lei que expande as proteções para pessoas com deficiência, além de proibir o Tesouro de financiar gastos com emissão monetária.

Os argentinos irão às urnas no início de setembro para votar na legislatura provincial de Buenos Aires e, depois, renovar o congresso no final de outubro. As eleições são amplamente esperadas como um referendo sobre o governo de Milei.

Às 18h02 (de Brasília) o dólar subia a 1.300,45 pesos argentinos. No paralelo, o dólar blue recuou 0,37%, a 1.315,00 pesos argentinos, segundo o Ámbito Financiero.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Queda do dólar alivia inflação de alimentos, mas volta dos importados ainda é tímida

Embora a cotação do dólar tenha tido desvalorização recente, importadores ainda se mantém cuidadosos; economistas avaliam cenário e as variáveis que afetam os preços dos alimentos

A recente apreciação do real frente ao dólar fez com que o preço dos alimentos caísse, impulsionado pelo efeito da moeda norte-americana na cadeia produtiva, pelo tarifaço dos EUA – na troca de mercados internacionais pelo doméstico — e pela sazonalidade das safras.

A queda do dólar, no entanto, ainda não impactou a importação de produtos alimentícios e bebidas, segundo Adilson Carvalhal Junior, presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Alimentos e Bebidas (BFBA).

Isso porque os valores atuais da moeda norte-americana, apesar de terem registrado queda recente, ainda não atingiram o patamar do início do ano passado. Ou seja, o brasileiro até pode estar sentindo alívio momentâneo no bolso e se animar em levar para casa um pacote de pistache ou um vinho importado, mas isso devido à percepção recente da variação de preços.

A inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) vem recuando desde fevereiro deste ano, quando registrou 1,31%, chegando a 0,26% em julho, percentual abaixo do esperado. Na análise por setor, a inflação de alimentos e bebidas chegou à -0,27% em julho, após atingir +1,17% em março.

PeríodoIPCAAlimentos e bebidas
Julho0,26-0,27
Junho0,24-0,18
Maio0,260,26
Abril0,430,82
Março0,561,17
Fevereiro1,310,7
Janeiro0,160,96

Já a cotação média do dólar em janeiro de 2024 foi de R$ 4,91, ultrapassou a barreira de R$ 5 em abril, chegou a R$ 6 em dezembro e, desde fevereiro deste ano, vem se movimento em uma trajetória descendente, chegando à média de R$ 5,45 até 19 de agosto, segundo dados do Banco Central.

PeríodoCotação média (R$)
jan./244,91
fev./244,96
mar./244,98
abr./245,12
mai./245,13
jun./245,38
jul./245,54
ago./245,55
set./245,54
out./245,62
nov./245,8
dez./246,09
jan./256,02
fev./255,76
mar./255,74
abr./255,78
maio/255,66
jun./255,54
jul./255,52
ago/25*5,45

Impacto do dólar na cadeia de alimentos

A cotação do dólar impacta na cadeia de alimentos porque o Brasil tem uma forte dependência de produtos importados, explica Ricardo Pastore, coordenador do núcleo de estudos de varejo da ESPM.

“O dólar influencia na inflação e o Brasil tem dependência de produtos importados porque muitos componentes na linha de produção vêm de fora e impactam no preço final”, afirma Pastore.

Além disso, muitos produtos brasileiros são dolarizados, commodities como a carne bovina e o café, por exemplo. “É um produto do dia a dia da família brasileira mas, se o preço sobe em dólar, o produtor tende a preferir exportar, tirando o produto do mercado interno”, diz.

No caso da cadeia de alimentos in natura, o dólar impacta na importação de fertilizantes para produzir toda cadeia de grãos, como soja e milho. Há também o peso do dólar sobre os combustíveis, já que importamos gasolina – o que interfere no preço do frete.

Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a desvalorização do dólar e a queda na inflação de alimentos são reflexo das tarifas de Donald Trump, dos efeitos climáticos e da sazonalidade da safra. Como este conjunto de variáveis se entrelaça, é difícil filtrar o que vem somente do câmbio, segundo Braz.

E os preços, vão cair mais?

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que a fraqueza do dólar, refletida no índice DXY, traduz o reposicionamento de investidores diante de sinais de desaceleração da economia americana. “Indicadores mais fracos de inflação e emprego aumentaram as apostas de que o Federal Reserve poderá iniciar cortes de juros em setembro, reduzindo a atratividade dos Treasuries de curto prazo e pressionando a moeda americana”, afirma.

No Brasil, a Selic em 15% sustenta o “apetite” pelo real, na explicação de Shahini. “Além disso, o arrefecimento das tensões tarifárias contribui para um clima de menor incerteza, favorecendo os fluxos para ativos de risco”, analisa.

Mas, segundo Shahini, o anúncio do pacote de apoio aos exportadores brasileiros no contexto do tarifaço dos EUA gerou dúvidas em relação ao impacto fiscal, recolocando a pauta orçamentária no centro das atenções. “Esse fator limitou a valorização mais expressiva do real nos últimos dias e permanece como potencial fonte de pressão sobre a taxa de câmbio daqui para frente”, avalia.

Ele também traz para a análise a decisão do STF envolvendo a Lei Magnitsky, que reacendeu dúvidas sobre a aplicação de normas estrangeiras no Brasil. “Isso levantou questionamentos sobre segurança jurídica e autonomia das instituições financeiras, aumentando a percepção de risco local e reforçando o movimento defensivo no câmbio, com maior busca por proteção no dólar”, afirma.

Fonte: InfoMoney

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Economia, Exportação, Finanças, Informação, Tributação

Consumidor e empresas americanas reclamam de taxação contra o Brasil, diz economista

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos

Em entrevista, o economista Roberto Gianetti analisa os impactos da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil: “Ninguém sabe dizer o que vai acontecer amanhã”. O especialista destaca que pode ocorrer um efeito de acomodação dos fluxos de comércio, e dá ênfase a setores mais vulneráveis, como a indústria de peixe no Nordeste.

“O consumidor americano e as empresas americanas que importam nossos produtos estão reclamando com tanta veemência em Washington, que em algum momento eles vão ter que ceder. Essa é a nossa expectativa, o problema não é só nosso”, pontua ainda.

Após as tarifas, setores da economia buscam novos mercados para tentar substituir os parceiros comerciais. Apesar da estratégia, o cenário é pessimista — uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria revela que o setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos.

Fonte: R7

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Economia

Bancos perdem quase R$ 42 bi em valor de mercado com temor de Lei Magnitsky

Movimento se dá após decisão de Dino que gera impasse sobre o cumprimento das sanções econômicas a Moraes pelas instituições financeiras

Cinco dos principais bancos do Brasil totalizaram perdas de R$ 41,98 bilhões em valor de mercado no pregão de terça-feira (19), impactados pelos receios de punições caso cumpram a Lei Magnitsky.

As ações derreteram depois da decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino de que leis ou decisões judiciais estrangeiras só podem ser cumpridas no Brasil caso sejam validadas pela Justiça brasileira.

O parecer alarmou o mercado por sinalizar que poderia haver punição aos bancos que cumprirem a determinação da Lei Magnitsky aplicada pela Casa Branca a Alexandre de Moraes que, entre outras proibições, restringe as movimentações financeiras do ministro pelas instituições financeiras.

Segundo levantamento feito por Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, os cinco bancos que foram mais afetados pela tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos no pregão da véspera foram Itaú Unibanco, BTG, Bradesco, Banco do Brasil e Santander. Veja abaixo:

Além dos bancos, ao ampliar o leque para todas as empresas listadas na B3, as perdas totalizaram R$ 88,44 bilhões em um único dia.

Impasse

Dino esclareceu por meio de novo despacho nesta terça-feira (19) que a regra que impede a aplicação de leis e decisões judiciais estrangeiras no Brasil não é válida para tribunais internacionais dos quais o país é signatário.

Isso significa que a validação da Justiça brasileira é exigida somente para leis e decisões tomadas por tribunais estrangeiros comuns. Ou seja, decisões de Cortes das quais o Brasil faz parte, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos ou a Corte Internacional de Justiça (Haia), não serão afetadas.

Ainda assim, a decisão trouxe questionamentos sobre as consequências negativas para empresas brasileiras que operam nos Estados Unidos — como os bancos.

Ricardo Inglez de Souza, especialista em comércio internacional e direito econômico, alertou em entrevista ao WW para os possíveis impactos nas atividades comerciais internacionais.

Para o especialista, as empresas brasileiras se encontram em uma situação complexa: se cumprirem a decisão do STF, podem sofrer consequências nos Estados Unidos, o que impactaria suas atividades internacionais. Por outro lado, se seguirem as restrições impostas pelo governo americano, estariam descumprindo uma decisão da justiça brasileira.

O especialista ressalta que essa situação pode gerar uma crise que afetará principalmente o mercado financeiro brasileiro e outras empresas com operações internacionais, e o impacto pode ser especialmente significativo para companhias que mantêm relações comerciais regulares com os Estados Unidos.

Fonte: CNN Brasil

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Economia, Informação, Tributação

Dólar alcança R$ 5,50 e bolsa cai 2,1% após decisão de Dino

Dúvidas sobre Lei Magnitsky pesaram contra ações de bancos na bolsa

Em um dia marcado por tensões em torno da aplicação da Lei Magnitsky, usada pelos Estados Unidos para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o dólar aproximou-se de R$ 5,50. A bolsa teve a segunda maior queda do ano, puxada por ações de bancos.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (19) vendido a R$ 5,499, com alta de R$ 0,065 (+1,19%). A cotação chegou a operar em estabilidade nos primeiros minutos de negociação, mas disparou para R$ 5,47 ainda durante a manhã. Na máxima do dia, por volta das 16h30, chegou a ultrapassar R$ 5,50.

No maior nível desde 5 de agosto, a moeda estadunidense acumula queda de 1,82% em agosto. Em 2025, a divisa recua 11,02%.

O mercado de ações também teve um dia tenso. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 134.432 pontos, com queda de 2,1%. O indicador está no menor patamar também desde 5 de agosto.

As ações de bancos puxaram as perdas nesta terça, devido a dúvidas sobre possíveis sanções a instituições financeiras brasileiras que não aplicarem as restrições contra Moraes. As maiores perdas foram registradas em bancos com filiais nos Estados Unidos.

Ao analisar decisão da Justiça do Reino Unido sobre indenização a vítimas do desastre de Mariana e Brumadinho (MG), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino esclareceu que leis estrangeiras não valem automaticamente no Brasil, precisando ser confirmadas pela Justiça brasileira.

Embora não cite a Lei Magnitsky, a decisão de Dino poderia proteger cidadãos brasileiros da legislação estadunidense, usada pelo governo de Donald Trump para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, restringindo seu acesso a serviços financeiros. A sanção faz parte das ações adotadas pelos Estados Unidos contra importações e autoridades brasileiras para interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista, que está em fase final.

Entre as sanções previstas estão o bloqueio de contas bancárias, de bens e interesses em bens dentro da jurisdição em solo norte-americano, além da proibição de entrada no país. Essa última medida já havia sido aplicada a Moraes e outros ministros do STF.

Além disso, um efeito indireto, mesmo para quem não possui bens no país, seria a possibilidade de interrupção de serviços como os relacionados à operadoras de cartão de crédito e serviços digitais, de empresas que operem sob leis americanas ou mantenham relações bancárias nos EUA, uma vez que seriam, em tese, obrigadas a respeitar a sanção.

Em despacho no início da tarde, Dino reafirmou não haver eficácia automática de leis estrangeiras em território nacional, mas esclareceu que decisões de tribunais internacionais vigoram no Brasil.

Fonte: Agencia Brasil

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Economia, Exportação, Informação, Negócios, Tributação

Brasil responde Justiça dos EUA e nega práticas que prejudiquem comércio bilateral

Investigação começou em julho, Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O governo do Brasil enviou, nesta segunda-feira (18), respostas aos questionamentos do governo dos Estados Unidos sobre uma investigação aberta pelo Escritório do Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas que possam prejudicar o comércio internacional dos Estados Unidos e até impor sanções a práticas consideradas discriminatórias contra empresas americanas.

O Brasil alega no documento que não adota políticas discriminatórias, injustificáveis ou restritivas ao comércio com os EUA. Ainda, afirma não existir base jurídica ou factual para a imposição de sanções.

A investigação foi aberta no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Em julho, quando os questionamentos foram feitos, o embaixador Jamieson Greer afirmou que a investigação foi iniciada sob orientação de Trump “sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”.

Na resposta, na qual lista uma explicação para cada tópico da acusação dos Estados Unidos, o Brasil também pede um “diálogo construtivo”.

“O Brasil insta o USTR a reconsiderar o início desta investigação e a iniciar um diálogo construtivo. Medidas unilaterais previstas na Seção 301 podem comprometer o sistema multilateral de comércio e ter consequências adversas para as relações bilaterais”, escreveu o governo brasileiro.

Alguns dos alvos da investigação são o Pix, tarifas chamadas de injustas e preferenciais, a aplicação de medidas anticorrupção, a proteção da propriedade intelectual e a comercialização do etanol brasileiro, além do desmatamento ilegal.

As respostas foram dadas pelo Itamaraty, com auxílio de setores importantes, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que enviou um ofício abordando cada um dos tópicos. Sobre o comércio digital e serviços eletrônicos de pagamento, como o Pix, os industriais afirmam que “não há evidência de que a introdução do Pix reduziu o uso de outras formas de pagamento, exceto por cheques e pagamentos em dinheiro”.

Além disso, outro argumento usado foi de que o Pix ajudou a facilitar transações comerciais, incluindo importações dos Estados Unidos, gerando “mais benefício do que dano à competitividade e ganhos das companhias americanas”.

“Ao oferecer transações rápidas, seguras e de baixo custo, o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu a dependência do dinheiro em espécie e aumentou a eficiência no varejo e no comércio eletrônico, beneficiando as empresas dos EUA”, afirmou, em resposta.

Tarifas preferenciais

A confederação argumentou que as tarifas preferenciais foram aplicadas com acordos internacionais dos quais os Estados Unidos também fazem parte, com a aplicação de uma tarifa média de 2,7% sobre produtos americanos.

Combate à corrupção

Sobre o chamado enfraquecimento do combate à corrupção, a CNI respondeu que “o Brasil mantém uma estrutura legal e institucional abrangente para o combate à corrupção” e citou, ainda, a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de condenações que foram consideradas violadoras de direitos constitucionais, considerando as críticas a decisões judiciais isoladas como não indicadoras de “fragilidades sistêmicas”.

“A melhoria contínua das políticas anticorrupção no Brasil promove um ambiente econômico estável, no qual as empresas competem com base no mérito”.

Proteção da propriedade intelectual

Segundo a CNI, o Brasil demonstra um compromisso de longa data com a proteção de direitos de propriedade intelectual, com aplicação de políticas públicas para “fortalecer o ecossistema de propriedade industrial e combater crimes como a pirataria e a falsificação”.

“Além disso, o Brasil conseguiu alcançar melhorias significativas no exame de patentes por meio de uma série de medidas institucionais e tecnológicas voltadas a aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços de propriedade industrial”, afirmou.

Etanol

Outro ponto enfático da confederação foi em relação ao Etanol, onde a CNI disse que o Brasil não utiliza “atos discriminatórios” que prejudiquem o comércio americano, e defendeu que os países trabalhem juntos “para abrir mercados estrangeiros para seus etanol e biocombustíveis”.

A CNI afirmou, ainda, que “os interesses de ambos os países em relação ao etanol concentram-se na promoção da expansão de seu uso, que é obrigatoriamente misturado à gasolina em seus respectivos territórios”.

Desmatamento ilegal

O último ponto considerado foi o desmatamento ilegal, onde a confederação diz que não foram adotadas políticas ou práticas que “prejudiquem a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas, ou que sejam irrazoáveis ou discriminatórios e onerem ou restrinjam o comércio dos EUA”.

“O Brasil fortaleceu suas leis ambientais, bem como sua aplicação, o que contribuiu para a redução das taxas de desmatamento”.

Com informações da CNN e g1

Fonte: NSC Total.

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Economia

Tendência é de dólar mais fraco e moedas emergentes em alta, diz Goldman Sachs

Relatório do banco avalia que cortes graduais do Fed e juros elevados em países como Brasil e África do Sul favorecem estratégias de carry trade em emergentes

O dólar tende a perder valor nos próximos meses porque a economia dos Estados Unidos não sustenta mais a alta precificação da moeda, afirma o Goldman Sachs em relatório enviado ao mercado na sexta-feira (15).

No documento, os analistas dizem que a fraqueza recente do mercado de trabalho reforça essa leitura, o que pode abrir espaço para uma queda gradual da moeda em relação a outros ativos globais. A expectativa é de que o simpósio anual de Jackson Hole, promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e que ocorrerá neste ano entre 21 e 23 de agosto, traga discursos semelhantes aos do ano passado, quando Jerome Powell e outros membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) evitaram sinalizar um caminho fechado para os juros antes da divulgação dos próximos dados de emprego e inflação.

Para o banco, quem espera um sinal mais direto de política monetária no encontro pode se frustrar. O Goldman Sachs observa que os discursos recentes das autoridades do Fed e os números divulgados até agora mantêm espaço para cortes adicionais na taxa de juros de curto prazo.

Os estrategistas citam ainda que o dólar pode continuar a ter um desempenho inferior em relação a outros ativos cíclicos, já que parte do Fomc defende uma postura de cortes mais graduais por conta da contração da oferta de trabalho. Esse movimento, segundo os analistas, sugere um ritmo mais baixo de criação de empregos e crescimento potencial reduzido, o que pesa sobre a moeda.

Os especialistas do Goldman Sachs escrevem que os dados de inflação da semana passada ajudam a entender que os preços ao consumidor não devem limitar as decisões do Fed. Já os números do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) sinalizam um ambiente de negócios volátil e incerto.

Outro fator que pesou no mercado de câmbio foi a especulação de que o relatório mensal de emprego poderia ser suspenso. Apesar do esclarecimento posterior da Casa Branca, a questão da governança institucional nos Estados Unidos voltou ao radar dos investidores de moedas e pode levar a uma depreciação adicional do dólar conforme gestores globais reconsideram sua posição em ativos considerados porto seguro.

Na leitura do banco, parte da queda do dólar na semana também esteve ligada à baixa liquidez e a fatores externos, como as apostas em uma possível alta de juros pelo Banco do Japão (BoJ). A instituição avalia que a ajuda de eventos externos tende a ser cada vez mais necessária para que a trajetória de depreciação da moeda americana se mantenha, já que os preços atuais estão menos favoráveis para movimentos mais rápidos.

Moedas de mercados emergentes

Em relação às moedas de mercados emergentes, o Goldman Sachs nota que agosto tem sido positivo. A valorização tem sido mais forte entre as moedas de maior retorno em juros, como o real e o rand sul-africano, que ainda são considerados subavaliados e sensíveis ao comportamento do yuan chinês.

Já as moedas asiáticas, de maneira geral, ficaram para trás, e o peso mexicano mostrou desempenho inferior ao de outras moedas de alto retorno. De acordo com o relatório, isso se explica pela maior dependência da economia mexicana da demanda dos Estados Unidos, além do fato de a moeda estar mais próxima de seu valor justo.

O banco explica que, mesmo com cortes de juros ao longo do ano no México, o peso seguiu relativamente estável, o que se deve a fatores externos mais relevantes para sua cotação. A leitura é de que o Banco do México deve reduzir o ritmo de cortes e que a moeda seguirá reagindo de forma mais sensível às variações dos rendimentos dos títulos norte-americanos. O Goldman Sachs diz que, se o mercado precificar novos cortes do Fed, a moeda mexicana pode se beneficiar em parte, mas ainda vê melhores oportunidades em outras divisas emergentes.

No caso do real e do rand, os analistas afirmam que há espaço para ganhos adicionais, já que as duas moedas continuam com retorno elevado e mantêm forte correlação com o yuan. A expectativa é que estratégias de carry trade (operações em que investidores buscam lucrar com a diferença de juros entre países) sigam atraentes enquanto o crescimento dos Estados Unidos ficar abaixo da tendência, sem sinais de uma recessão global mais acentuada.

Fonte: InfoMoney


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