Economia

Dólar a R$ 5,20: eleições e cenário externo devem manter câmbio volátil

O dólar voltou a superar a marca de R$ 5,20 na segunda-feira (28), em um momento de maior cautela nos mercados financeiros diante da proximidade do primeiro turno das eleições gerais de 2026. A moeda norte-americana avançou pela primeira vez em pouco mais de um mês para esse patamar, após encerrar o pregão anterior cotada a R$ 5,18.

A expectativa de analistas consultados pela CNN Money é de que a volatilidade do câmbio continue elevada nas próximas sessões. Além das pesquisas eleitorais e das perspectivas para o cenário político brasileiro, fatores internacionais também devem influenciar a cotação.

O boletim Focus aponta que a mediana das projeções do mercado indica o dólar em R$ 5,20 ao fim de 2026. Apesar disso, especialistas destacam a dificuldade de estabelecer uma trajetória definida para a moeda até o encerramento do ano.

Eleições colocam cenário fiscal no radar

A preocupação dos investidores não está necessariamente relacionada ao processo eleitoral, mas aos possíveis impactos do resultado sobre a condução da economia brasileira, especialmente em relação às contas públicas.

Relatório do Goldman Sachs, divulgado em 23 de setembro, apontou que o dólar apresentou movimentos relevantes frente ao real à medida que os primeiros turnos de eleições anteriores se aproximaram.

Uma análise do banco Inter sobre os três últimos ciclos de eleições presidenciais também identificou forte influência do chamado risco fiscal-eleitoral sobre a formação da taxa de câmbio.

Segundo os analistas, informações relacionadas à política fiscal têm peso importante nas oscilações diárias do câmbio e da curva de juros. À medida que a eleição se aproxima, mudanças nas expectativas do mercado sobre os candidatos também podem influenciar os preços dos ativos.

Risco fiscal pode pressionar o real

O estudo do Inter estimou que, considerando os 30 dias anteriores e posteriores ao segundo turno das três eleições mais recentes, o componente fiscal contribuiu para um prêmio de risco que resultou em uma desvalorização do real entre 2% e 4%.

Para Carlos Henrique Silva Junior, strategic advisor da corretora de câmbio Freex, a perspectiva mais cautelosa é de que o mercado de câmbio não apresente uma direção definida até dezembro.

Na avaliação dele, dúvidas relacionadas à situação fiscal, ao resultado eleitoral ou à capacidade de governabilidade tendem a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para manter recursos em ativos brasileiros.

O Goldman Sachs considera plausível que o dólar seja negociado entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em um cenário eleitoral percebido pelo mercado como favorável a uma política fiscal mais rigorosa. O banco, porém, ressalta que a manutenção do atual quadro fiscal, sem deterioração adicional, também poderia permitir alguma valorização do real, embora envolva riscos diante do desequilíbrio das contas públicas e das condições dos juros internacionais.

Mercado externo também influencia o dólar

A trajetória do câmbio brasileiro não depende apenas dos fatores domésticos. O comportamento da moeda norte-americana no exterior também exerce influência direta sobre o real.

Tomás Urani, head de estratégia macroeconômica do Santander, destaca que o dólar é uma das variáveis da economia brasileira mais sensíveis às condições internacionais. Segundo ele, uma valorização global da moeda americana tende a pressionar o real, mesmo quando os fundamentos domésticos são favoráveis.

O Santander projeta o dólar em R$ 5,30 no fim de 2026, acima tanto das cotações observadas recentemente quanto da mediana apresentada no boletim Focus.

Entre os fatores de risco apontados pelo banco estão, além das incertezas relacionadas à política fiscal brasileira, a possibilidade de fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional.

Conflitos internacionais aumentam cautela

O cenário geopolítico também está no radar dos investidores. A continuidade dos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã mantém a atenção sobre os preços de energia e seus possíveis efeitos sobre a inflação global.

A pressão inflacionária pode influenciar as decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, sobre os juros. Nesse ambiente, investidores podem buscar maior proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries.

A ausência de uma solução de curto prazo para os conflitos no Oriente Médio também aumenta as preocupações com a inflação internacional e pode manter os juros dos Estados Unidos em níveis elevados.

Na avaliação de Urani, parte importante da recente valorização do dólar está relacionada ao ambiente externo, e não exclusivamente às condições econômicas brasileiras. Comparado ao desempenho de outras moedas diante do dólar, o real apresenta uma valorização relativamente mais expressiva em 2026.

Outubro deve continuar marcado pela volatilidade

Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, o comportamento do câmbio continuará bastante dependente das notícias relacionadas aos conflitos internacionais e às eleições brasileiras.

Indicadores econômicos divulgados no Brasil e nos Estados Unidos também devem contribuir para os movimentos da moeda nas próximas semanas.

Nesse contexto, as avaliações dos especialistas apontam para um ambiente de alta volatilidade do dólar ao longo de outubro, com os mercados atentos simultaneamente ao cenário eleitoral, às contas públicas brasileiras e às condições da economia internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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