Internacional

Irã ataca navios no Estreito de Ormuz e base dos EUA na Jordânia

O conflito entre Irã e Estados Unidos voltou a ganhar força nesta quarta-feira (9), com uma nova sequência de ataques envolvendo embarcações no Estreito de Ormuz e uma instalação utilizada por tropas americanas na Jordânia.

Teerã afirmou ter atacado dez navios nas proximidades da estratégica passagem marítima, em uma ação apresentada como retaliação após os Estados Unidos destruírem cinco petroleiros iranianos. A ofensiva representa, segundo o relato, uma das maiores ondas de ataques contra embarcações entre os dois países desde o início da guerra, há seis meses.

A escalada já provocou reflexos no mercado de petróleo. O Brent, principal referência internacional, superou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel também atingiu um recorde, passando de US$ 5,94 por galão.

Mísseis iranianos atingem região de base americana na Jordânia

Além dos ataques no Golfo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou ter lançado mísseis balísticos contra uma base utilizada por militares americanos próxima a Al Azraq, no leste da Jordânia.

Segundo o Irã, a ofensiva provocou danos significativos. O governo jordaniano, entretanto, informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram 18 dos 20 mísseis lançados.

Os outros dois projéteis teriam caído em áreas sem população. Não foram registradas vítimas, segundo as autoridades jordanianas.

Um funcionário americano também afirmou que o ataque não alcançou seus objetivos e que todos os militares dos Estados Unidos na região foram contabilizados.

Imagens feitas durante a noite na região de Ash-Shajarah, no norte da Jordânia, e verificadas pela Reuters mostraram clarões no céu durante a ofensiva.

EUA dizem ter afundado cinco petroleiros iranianos

Washington afirmou ter destruído cinco petroleiros iranianos durante a noite. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) divulgou imagens nas quais embarcações aparecem em chamas antes de afundarem.

De acordo com o governo americano, a operação foi uma resposta a dois ataques com mísseis balísticos atribuídos à Guarda Revolucionária iraniana contra um navio de guerra dos EUA nos dois dias anteriores. Os Estados Unidos afirmaram que nenhum militar americano ficou ferido.

A Casa Branca também anunciou uma mudança na política de resposta a ataques contra seus navios de guerra. A nova orientação prevê ataques contra petroleiros iranianos sempre que disparos forem considerados uma ameaça às embarcações militares americanas.

“O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros”, declarou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Irã amplia área considerada proibida em Ormuz

A Guarda Revolucionária afirmou ter disparado contra dois navios americanos e oito petroleiros que tentavam atravessar uma área do Estreito de Ormuz considerada proibida por Teerã.

O governo iraniano também declarou que passou a utilizar mísseis mais modernos e potentes contra embarcações americanas e que ampliou a área de restrição ao redor do estreito.

A movimentação preocupa o setor de transporte marítimo e energia, já que Ormuz é uma das principais rotas de petróleo do planeta.

Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo mundial passava pela região.

Navios mercantes são atingidos no Golfo

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou ter recebido relatos sobre vários navios comerciais atingidos por disparos no norte do Golfo e no Golfo de Omã.

Segundo os relatos, algumas embarcações ficaram impossibilitadas de navegar. Até o momento, a agência não conseguiu confirmar se houve mortes ou danos ambientais provocados pelos ataques.

Uma embarcação também foi avistada inclinada perto de Port Rashid, nos Emirados Árabes Unidos. A posição do navio pode indicar que ele sofreu entrada de água após ser atingido por um projétil.

O Irã ainda teria ameaçado petroleiros atracados em portos do Kuwait e do Bahrein, conforme declaração divulgada pela imprensa estatal.

Uma fonte de segurança marítima informou ainda que um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.

Trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz despenca

O Irã praticamente interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra.

Em resposta, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio aos portos iranianos e afirmam ter conseguido conduzir diversos petroleiros pela passagem estratégica.

Monitoramentos independentes, porém, apontam dificuldades crescentes para determinar quanto petróleo continua deixando a região.

Dados preliminares indicaram que apenas seis embarcações com os transponders ligados atravessaram o estreito nas 24 horas anteriores.

A redução do fluxo aumenta a preocupação com o abastecimento global e ajuda a explicar a alta recente das cotações do petróleo.

Ataques também atingem a Arábia Saudita

A crise se agravou ainda mais com a intensificação dos confrontos entre a Arábia Saudita e os Houthis, grupo alinhado ao Irã que controla grande parte das regiões povoadas do Iêmen.

Na terça-feira (8), os Houthis lançaram ataques contra quatro cidades sauditas. As ofensivas provocaram grandes incêndios em instalações ligadas ao setor de petróleo, que chegaram a ser registrados por imagens de satélite.

As autoridades da Arábia Saudita informaram que 73 pessoas ficaram feridas.

No dia seguinte, o governo saudita chegou a emitir um alerta sobre uma possível ameaça contra Khamis Mushait, uma das cidades atingidas anteriormente. O aviso foi posteriormente suspenso, sem que as autoridades divulgassem detalhes adicionais.

Conflito no Iêmen amplia riscos para o mercado de energia

Os combates no Iêmen também se intensificaram nos últimos dias. Um governo apoiado pela Arábia Saudita, instalado no sul do país, iniciou uma ofensiva em várias frentes contra territórios controlados pelos Houthis.

O grupo ligado ao Irã afirma que os ataques aéreos sauditas provocaram um número elevado de mortes.

Os Houthis também ampliaram a interrupção do tráfego marítimo na região, atingindo a ligação entre o Golfo e a entrada do Mar Vermelho.

Com ataques simultâneos envolvendo o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e a região do Mar Vermelho, o conflito passa a representar um risco ainda maior para as rotas internacionais de petróleo, gás e comércio marítimo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS

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