Economia

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e reduz estimativas para Selic e dólar, aponta Focus

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2026, enquanto reduziu as estimativas para a taxa Selic e a cotação do dólar no mesmo período. Os dados constam no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,01% para 5,22%, registrando a quarta alta semanal consecutiva. O resultado está 0,72 ponto percentual acima do teto de 4,50% considerado na comparação com o centro da meta de inflação, fixado em 3%, e seu limite superior.

Além das perspectivas para os preços, o levantamento apresenta mudanças nas expectativas para os juros, o câmbio e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Inflação de 2026 chega a 5,22% nas projeções do mercado

A estimativa para o IPCA de 2026 avançou de 5,01% para 5,22%. Entre as 54 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores à coleta, a mediana subiu de 5,07% para 5,19%.

Para 2027, a previsão geral permaneceu em 4,30%, embora tenha recuado para 4,26% quando consideradas apenas as 54 estimativas mais recentes.

Nas projeções de prazo mais longo, a expectativa para a inflação de 2028 passou de 3,80% para 3,79%. Para 2029, houve leve redução, de 3,51% para 3,50%.

O Banco Central, por sua vez, projetava inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027, conforme o comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o primeiro trimestre de 2028, o órgão estimava inflação acumulada de 3,2% em 12 meses, dentro do horizonte relevante para a condução da política monetária.

Como funciona a meta de inflação

Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, calculada com base na variação acumulada do IPCA em 12 meses.

O objetivo central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo de referência vai de 1,5% a 4,5%.

Caso a inflação permaneça fora desses limites por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu a meta.

Mercado reduz projeção para a taxa Selic em 2026

A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, interrompendo duas semanas de estabilidade. Entre as 48 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana também ficou em 13,25%.

Para o encerramento de 2027, a projeção geral permaneceu em 12% pela 17ª semana consecutiva. No recorte das 47 estimativas mais recentes, entretanto, a expectativa recuou de 12% para 11,75%.

As previsões para os anos seguintes continuaram praticamente estáveis. A Selic esperada para o fim de 2028 permaneceu em 10,50% pela 15ª semana seguida, enquanto a estimativa para 2029 ficou em 10% pela 23ª semana consecutiva.

Copom mantém atenção aos riscos inflacionários

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, conforme o histórico apresentado no levantamento. A decisão representou o quinto corte consecutivo naquele ciclo de flexibilização monetária.

Desde março, quando iniciou o chamado ciclo de calibração, a Selic havia acumulado redução de 1,25 ponto percentual. A condução da política monetária ocorre em meio às incertezas sobre os efeitos da guerra envolvendo o Irã nas cadeias globais de abastecimento, nos preços das commodities e na inflação.

Na ata da reunião, o Copom destacou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas, do desancoramento das expectativas inflacionárias e dos riscos associados ao cenário econômico.

O comitê também afirmou que continuaria avaliando os novos dados para manter as condições monetárias necessárias à convergência da inflação para a meta.

Dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,15

As expectativas para o dólar em 2026 também recuaram. A mediana do Focus passou de R$ 5,20 para R$ 5,15, após permanecer estável durante 16 semanas.

Considerando apenas as 40 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a estimativa caiu de R$ 5,20 para R$ 5,05.

Para o fim de 2027, a previsão recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Já a estimativa para 2028 continuou em R$ 5,30 pela 12ª semana consecutiva.

Em relação a 2029, a mediana diminuiu de R$ 5,33 para R$ 5,30. Um mês antes, a projeção estava em R$ 5,36.

O relatório Focus utiliza a média esperada para a cotação do dólar em dezembro de cada ano como referência para suas projeções anuais. O método é diferente daquele adotado até 2020, quando a estimativa considerava a taxa prevista para o último dia útil do ano.

Projeção de crescimento do PIB permanece em 1,85% para 2026

A expectativa do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,85%. Um mês antes, a mediana estava em 1,89%.

Entre as 35 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a projeção recuou de 1,83% para 1,81%.

O resultado está próximo da estimativa do Banco Central, que previa expansão de 1,8% para a economia brasileira, segundo o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.

Para 2027, a expectativa geral de crescimento do PIB continuou em 1,40%. No grupo das 35 projeções mais recentes, porém, a mediana caiu para 1,35%, ante 1,40%.

Expectativas para o PIB até 2029

As estimativas para os anos seguintes apresentaram pequenas alterações. A previsão de crescimento do PIB em 2028 subiu de 1,81% para 1,83%, mas permaneceu abaixo dos 1,87% projetados um mês antes.

Para 2029, a expectativa ficou em 2% pela 82ª semana consecutiva.

Os números indicam que, enquanto as projeções de inflação para 2026 continuam em trajetória de alta, as estimativas para juros e câmbio recuam. Para o crescimento econômico, o mercado mantém perspectivas de expansão moderada nos próximos anos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Indústria

Anfavea eleva previsão de crescimento da produção de veículos no Brasil para 6,7% em 2026

A produção de veículos no Brasil deve crescer 6,7% em 2026, segundo nova projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa, que era de 5,8% em junho, foi revisada para cima após o desempenho do setor superar as expectativas nos primeiros meses do ano.

Caso a previsão se confirme, as montadoras brasileiras deverão produzir 2,82 milhões de veículos até dezembro. O volume será o maior registrado em sete anos, indicando uma recuperação da indústria automotiva aos patamares anteriores à pandemia.

A revisão positiva está relacionada principalmente ao aquecimento do mercado interno, que tem impulsionado a procura por automóveis, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Venda de veículos deve atingir maior volume em 12 anos

A Anfavea também aumentou a estimativa para o crescimento das vendas de veículos novos no mercado brasileiro. A projeção passou de 12,1% para 15,2% em 2026.

Com isso, a expectativa é que sejam comercializadas 3,1 milhões de unidades ao longo do ano, considerando automóveis de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Se confirmado, será o maior volume de vendas em 12 anos.

O avanço das comercializações reforça a importância da demanda doméstica para o desempenho da indústria automobilística, mesmo diante de desafios relacionados aos custos de financiamento e à concorrência com veículos importados.

Importação de carros limita avanço da produção nacional

Apesar da perspectiva de aumento na fabricação, a produção das montadoras brasileiras não acompanha o mesmo ritmo de crescimento esperado para as vendas.

Um dos fatores que explicam essa diferença é a maior participação dos veículos importados no mercado nacional, especialmente os modelos provenientes da China.

Com mais automóveis estrangeiros disponíveis para os consumidores, parte da demanda interna deixa de ser atendida pela produção das fábricas instaladas no Brasil.

Outro obstáculo é a retração das exportações, principalmente para a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros enviados ao exterior. A redução das compras pelo mercado argentino afeta diretamente o desempenho das montadoras nacionais.

Anfavea prevê queda de 17,7% nas exportações

As perspectivas para o comércio externo do setor automotivo ficaram mais negativas. A entidade passou a projetar uma redução de 17,7% nas exportações de veículos em 2026, com embarques estimados em 435 mil unidades.

Na previsão anterior, a queda esperada era menor, de 12,8%.

A revisão evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira para ampliar suas vendas internacionais, sobretudo diante da diminuição da demanda em mercados importantes da América do Sul.

O cenário contrasta com as expectativas mais favoráveis para o consumo interno e mostra que o crescimento do setor depende também da recuperação dos mercados compradores de veículos fabricados no país.

Juros elevados continuam pressionando o setor automotivo

Embora o mercado de trabalho apresente baixo desemprego e a economia conte com estímulos fiscais que favorecem o consumo, o custo do crédito continua sendo um ponto de atenção para a indústria automobilística.

A direção da Anfavea destacou que a taxa Selic permanece elevada e vem recuando em ritmo inferior ao esperado pelo mercado no início do ano.

Os juros altos podem encarecer os financiamentos e dificultar a aquisição de veículos, especialmente em um segmento no qual o crédito tem papel relevante nas decisões de compra.

Assim, apesar da revisão positiva das projeções de produção e vendas, a indústria automotiva brasileira segue exposta a fatores como o custo do financiamento, a concorrência dos importados e a desaceleração das exportações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Economia

Selic cai para 14,25% após novo corte de juros decidido pelo Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), levando os juros básicos da economia para 14,25% ao ano. A medida foi aprovada por unanimidade e marca a terceira redução consecutiva da taxa neste ciclo de flexibilização monetária.

Com o novo ajuste, a autoridade monetária dá continuidade ao movimento iniciado em março, quando a Selic começou a recuar após atingir 15% ao ano.

Banco Central mantém cautela sobre próximos passos

Apesar da nova redução, o comunicado divulgado após a reunião não sinaliza claramente qual será o ritmo das próximas decisões.

Segundo o Copom, a extensão do atual ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos e das condições necessárias para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

O colegiado destacou que o atual nível de restrição monetária permite diferentes trajetórias para os juros, mas ressaltou que as projeções seguem cercadas por um grau elevado de incerteza.

Cenário internacional influencia decisão

Entre os fatores monitorados pelo Banco Central está o ambiente externo, que continua marcado por instabilidade geopolítica e volatilidade nos mercados globais.

O Copom citou as incertezas relacionadas aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre os preços de ativos financeiros, commodities e condições de financiamento internacional.

Nos últimos dias, declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre um possível entendimento para encerrar hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz trouxeram algum alívio aos investidores. No entanto, a ausência de detalhes concretos sobre a implementação do acordo mantém o cenário sob observação.

Inflação segue como principal preocupação

Mesmo com a redução dos juros, o Banco Central indicou que continua enxergando mais riscos para uma alta da inflação do que para uma desaceleração dos preços.

Entre os fatores que podem pressionar o índice inflacionário estão a persistência da inflação em determinados setores, o comportamento das expectativas econômicas, políticas de estímulo ao consumo e possíveis impactos de medidas adotadas no Brasil e no exterior.

Além disso, o Copom destacou que choques de oferta ainda podem influenciar a dinâmica dos preços nos próximos meses.

Quais são os fatores que podem reduzir a inflação?

Por outro lado, a autoridade monetária também apontou elementos que podem favorecer uma desaceleração mais intensa da inflação.

Entre eles estão uma eventual perda de ritmo da atividade econômica brasileira, uma desaceleração mais forte da economia global e uma possível queda nos preços internacionais de commodities, incluindo petróleo e matérias-primas.

Esses fatores, segundo o Banco Central, podem contribuir para reduzir pressões inflacionárias e abrir espaço para novas avaliações sobre a trajetória dos juros.

Mercado já esperava nova redução

A decisão anunciada pelo Copom ficou alinhada às projeções predominantes do mercado financeiro, que já precificava um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião.

O movimento ocorre em um contexto de busca por equilíbrio entre o controle da inflação e a necessidade de preservar o crescimento econômico, em meio a desafios fiscais internos e incertezas no cenário internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Inflação 2026: mercado eleva previsão do IPCA para 4,89%, aponta Banco Central

A expectativa do mercado financeiro para a inflação no Brasil voltou a subir. Segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (4), a projeção para o IPCA 2026 avançou de 4,86% para 4,89%. O índice é considerado o principal termômetro da inflação oficial brasileira.

Pressões externas elevam projeções de inflação

A revisão para cima ocorre em meio ao cenário internacional instável. A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente os preços de combustíveis, refletindo também no custo de alimentos e pressionando a economia brasileira.

Com isso, já são oito semanas consecutivas de alta nas previsões para o índice de inflação, que ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, o objetivo é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Inflação recente mostra avanço nos preços

Dados mais recentes indicam aceleração da inflação. Em março, o IPCA registrou alta de 0,88%, puxada principalmente pelos setores de transporte e alimentação. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,14%, conforme levantamento do IBGE.

Para os próximos anos, as projeções permanecem relativamente estáveis:

  • 2027: 4%
  • 2028: 3,64%
  • 2029: 3,5%

Taxa Selic segue como principal ferramenta de controle

A taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, está atualmente em 14,5% ao ano. Na última reunião, o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo.

Apesar do movimento de queda, o cenário ainda inspira cautela. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas.

O Banco Central indicou que acompanha de perto os desdobramentos do cenário externo, especialmente os impactos do conflito internacional sobre os preços. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

As projeções do mercado para a Selic são:

  • 2026: 13% ao ano
  • 2027: 11% ao ano
  • 2028 e 2029: 10% ao ano

Entenda o impacto dos juros na economia

O aumento da taxa de juros encarece o crédito, reduz o consumo e ajuda a conter a inflação. Por outro lado, também pode frear o crescimento econômico. Já a redução da Selic tende a estimular o consumo e a produção, embora possa pressionar os preços.

Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro na definição das taxas ao consumidor.

PIB e dólar: projeções do mercado

O Boletim Focus também trouxe atualizações para outros indicadores:

  • PIB 2026: crescimento estimado em 1,85%
  • 2027: 1,75%
  • 2028 e 2029: 2%

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, marcando o quinto ano seguido de expansão, com destaque para o setor agropecuário.

Já a previsão para o dólar indica:

  • 2026: R$ 5,25
  • 2027: R$ 5,30

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joédson Alves/Agência Brasil

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Economia

Super Quarta movimenta mercados com decisões de juros no Brasil e EUA e balanços de gigantes de tecnologia

A chamada “Super Quarta” concentra, neste 29 de abril, uma série de eventos capazes de impactar diretamente os mercados financeiros globais. Entre os destaques estão as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além de indicadores econômicos relevantes e a divulgação de resultados de grandes empresas de tecnologia.

Decisões de juros no Brasil e nos EUA dominam o dia

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão sobre a taxa Selic. A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,50% ao ano, mantendo o ritmo de ajuste iniciado nas últimas reuniões.

Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) deve optar pela manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. A postura reflete a persistência da inflação, pressionada principalmente pelos custos de energia, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido.

Indicadores econômicos ampliam o foco dos investidores

A agenda brasileira traz ainda a divulgação do IGP-M de abril, com projeção de alta de 2,53%. Também estão previstos dados como as sondagens de comércio e serviços da Fundação Getulio Vargas (FGV), o fluxo cambial e o resultado primário do Governo Central.

Outro dado relevante é o Caged, que mede a geração de empregos formais no país. A divulgação foi antecipada para esta quarta-feira, às 14h30, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No cenário corporativo nacional, investidores acompanham os resultados da Vale, que reportou lucro líquido de US$ 1,89 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — um avanço de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. A teleconferência da companhia também está no radar do mercado.

Outras empresas brasileiras que divulgam seus números ao longo do dia incluem Santander Brasil, WEG, Motiva, Multiplan e Suzano.

Nos Estados Unidos, a temporada de balanços ganha ainda mais relevância com a divulgação dos resultados de gigantes da tecnologia após o fechamento do mercado. Entre elas estão Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta Platforms, que devem influenciar o humor dos investidores globais.

Na véspera, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,51%, aos 188.618 pontos. O índice acumula uma sequência de perdas que não era registrada desde julho do ano passado, indicando maior cautela por parte dos investidores diante do cenário macroeconômico.

Fonte: InfoMoney

Texto: Redação

Imagem: Arquivo / ReConecta News

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Economia

Dólar em queda: impacto nas reservas, inflação e taxa de juros no Brasil

A redução do valor do dólar frente ao real costuma trazer uma percepção imediata de alívio para consumidores e empresas. Produtos importados ficam mais acessíveis, viagens ao exterior se tornam mais baratas e há uma tendência de desaceleração da inflação. No entanto, no campo das contas públicas, esse movimento envolve efeitos mais amplos e, por vezes, contraditórios.

Enquanto a queda da moeda americana pode reduzir o valor contábil das reservas internacionais, ela também contribui para um ambiente favorável à diminuição da taxa Selic, com impactos positivos na economia.

Impactos diretos e indiretos do dólar mais baixo

A dinâmica do câmbio pode ser analisada sob duas perspectivas principais: a contábil e a econômica.

No aspecto contábil, a valorização do real reduz, em termos nominais, o valor das reservas internacionais — que são mantidas em moeda estrangeira. Ou seja, quando convertidas para reais, essas reservas aparentam encolher. Por outro lado, a parcela da dívida externa atrelada ao dólar também diminui, o que gera um efeito de compensação no balanço público.

Já no campo econômico, os efeitos são mais abrangentes. Um dólar mais barato reduz o custo de importações, contribuindo diretamente para o controle da inflação. Esse cenário abre espaço para decisões de política monetária mais flexíveis, especialmente no que diz respeito à redução dos juros.

Por que o Brasil mantém reservas em dólar?

Mesmo com oscilações no valor contábil, as reservas internacionais cumprem um papel estratégico. Elas funcionam como uma espécie de seguro contra crises externas, oferecendo liquidez e confiança aos investidores.

Esse “colchão” financeiro permite ao país operar com maior estabilidade em um regime de câmbio flutuante, além de reduzir riscos de ataques especulativos contra a moeda nacional.

No entanto, existe um custo associado à manutenção dessas reservas. Para acumulá-las, o Banco Central emite dívida interna, geralmente atrelada à taxa de juros doméstica. Como os juros pagos internamente costumam ser mais elevados do que o retorno obtido com ativos internacionais, manter esse volume de recursos pode gerar despesas relevantes.

Moeda forte como proteção contra inflação

A valorização do real também atua como um mecanismo de proteção contra pressões inflacionárias externas. Em um cenário global de alta de preços — especialmente de commodities como o petróleo —, um câmbio favorável ajuda a suavizar os impactos no mercado interno.

Na prática, isso significa que aumentos nos preços internacionais podem ser parcialmente compensados por um real mais forte, reduzindo o repasse ao consumidor final e ajudando a estabilizar índices de preços.

Além disso, o bom desempenho da moeda brasileira tem sido associado a fatores estruturais, como o avanço da balança comercial e o aumento no volume de exportações de bens e serviços.

Queda da Selic e alívio na dívida pública

O principal benefício de um dólar mais baixo está na sua influência sobre a inflação. Com preços mais controlados, o Banco Central ganha margem para reduzir a taxa Selic, o que tem impacto direto sobre a dívida pública.

Como grande parte da dívida brasileira é indexada aos juros básicos, qualquer redução na Selic gera economia significativa para o Tesouro Nacional. Esse efeito prático tende a superar eventuais perdas contábeis associadas à queda no valor das reservas.

Em resumo, embora a valorização do real possa trazer desafios pontuais no balanço das reservas, seus efeitos positivos sobre a inflação, os juros e a sustentabilidade da dívida pública são amplamente relevantes para a economia.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Economia

PIB do Brasil deve crescer 1,6% em 2026, projeta Banco Central

O PIB do Brasil deve avançar 1,6% em 2026, conforme projeção mantida pelo Banco Central em relatório divulgado nesta quinta-feira (26). Apesar da estabilidade na estimativa, a autoridade monetária alerta para o aumento das incertezas, especialmente diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global.

Cenário externo pressiona crescimento

De acordo com o relatório, a continuidade das tensões internacionais pode gerar um choque negativo de oferta, com efeitos diretos na inflação e no ritmo de crescimento econômico.

A interrupção de cadeias produtivas e dificuldades logísticas na região podem prolongar os impactos, elevando preços e reduzindo a atividade econômica tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, setores específicos, como o segmento petrolífero, podem se beneficiar do cenário.

Fatores que sustentam a projeção

A manutenção da previsão de crescimento está associada ao desempenho recente da economia e à expectativa de expansão moderada ao longo de 2026.

Segundo o Banco Central, o cenário considera:

  • política monetária restritiva (juros elevados);
  • baixo nível de ociosidade na economia;
  • desaceleração da economia global;
  • ausência do forte impulso da agropecuária observado em 2025.

No ano passado, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário.

Consumo e mercado de trabalho

Medidas recentes também entram no radar da projeção, como o aumento real do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda, que ampliam a renda disponível e ajudam a sustentar a demanda interna.

Além disso, o mercado de trabalho aquecido, com queda do desemprego e alta dos salários, contribui para manter o consumo das famílias.

Juros e política monetária

O relatório também detalha a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa Selic, principal instrumento de controle da inflação.

Após uma sequência de altas entre 2024 e 2025, os juros foram mantidos em 15% ao ano por um período prolongado, sendo reduzidos recentemente para 14,75% ao ano. No entanto, o Banco Central não descarta interromper o ciclo de cortes caso o cenário externo pressione a inflação.

Inflação deve permanecer acima da meta

A projeção indica que a inflação no Brasil tende a subir até o fim de 2026, iniciando queda gradual posteriormente, mas ainda acima da meta oficial.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o período em 3,6%, influenciado principalmente pela alta nos preços do petróleo.

A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta (4,5%) aumentou, passando de 23% para 30%, segundo o relatório.

Crédito cresce, mas em ritmo menor

A previsão para o crédito no Brasil foi revisada para cima, com expansão de 9% em 2026, impulsionada pelo crédito a pessoas físicas e empresas.

Mesmo com a alta, o ritmo indica desaceleração pelo segundo ano consecutivo, refletindo o impacto dos juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias.

Contas externas e exportações

O déficit em transações correntes foi levemente reduzido, com expectativa de US$ 58 bilhões (2,2% do PIB) em 2026. A melhora está ligada ao desempenho das exportações, favorecidas pela alta nos preços internacionais, especialmente de combustíveis.

A entrada de investimentos estrangeiros diretos deve garantir o financiamento desse déficit, com previsão de US$ 70 bilhões.

Riscos seguem no radar

Apesar das projeções, o Banco Central destaca que o cenário permanece incerto. A redução do fluxo comercial em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, pode afetar o comércio global, cadeias produtivas e condições financeiras internacionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Indústria

Desindustrialização no Brasil volta ao centro do debate após queda da indústria de transformação

A retração registrada na indústria de transformação em 2025 reacendeu o alerta para o avanço da desindustrialização no Brasil. De acordo com avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segmento no ano passado evidencia dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor e reforça a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da atividade industrial.

O desempenho negativo representa a quinta retração do setor nos últimos sete anos. Caso o cenário atual se mantenha, a indústria pode perder ainda mais participação na economia brasileira em 2026.

Juros altos e avanço das importações pressionam a indústria

Após crescer 3,9% em 2024, a indústria de transformação não conseguiu sustentar o ritmo no ano seguinte. Em 2025, o setor foi impactado principalmente pela política de juros elevados, que encareceu o crédito e reduziu a capacidade de investimento das empresas.

Além disso, a ampliação da entrada de produtos importados no mercado nacional também contribuiu para o enfraquecimento da atividade industrial.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, o nível elevado da taxa Selic afetou tanto empresas quanto consumidores.

“A Selic desestimulou investimentos, encareceu o crédito para o consumidor e reduziu a demanda por bens industriais. Ao mesmo tempo, as importações cresceram de forma generalizada e em ritmo superior ao da própria demanda”, afirmou.

Crescimento industrial perde força em relação a 2024

O impacto da política monetária mais restritiva se espalhou por diferentes áreas da cadeia produtiva. O setor da construção civil, por exemplo, registrou crescimento modesto de 0,5%.

Como resultado, o PIB industrial avançou apenas 1,4% em 2025 — menos da metade do crescimento observado no ano anterior.

O resultado geral só não foi ainda mais fraco graças ao desempenho da indústria extrativa, que registrou alta de 8,6%, impulsionada principalmente pela produção de petróleo e gás.

Outro ponto de preocupação apontado pela CNI é o nível de investimentos na economia brasileira. A taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, abaixo dos cerca de 20% registrados entre 2010 e 2013, percentual considerado mais adequado para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Para Marcio Guerra, o quadro exige resposta rápida.

“O cenário preocupa, mas não é novidade: convivemos com desindustrialização e baixo investimento há anos. Sem medidas imediatas para reverter esse quadro, o desempenho do PIB em 2026 tende a ser ainda mais limitado”, avaliou.

Debate sobre redução da jornada preocupa setor industrial

Diante desse contexto econômico, a CNI também defende cautela nas discussões sobre a redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a adoção de mudanças que elevem os custos das empresas pode agravar ainda mais a situação financeira do setor.

A confederação destaca que a indústria brasileira possui características que ampliam o impacto de eventuais aumentos de custos:

• utiliza proporcionalmente mais mão de obra qualificada que a média do setor privado;
• ocupa posição central nas cadeias produtivas, o que amplia a pressão de custos;
• enfrenta forte concorrência internacional, especialmente com produtos importados;
• possui atividades e funções nas quais a compensação de horas é difícil ou onerosa.

Segundo a CNI, as incertezas em torno da discussão sobre a jornada de trabalho também podem afetar decisões de investimento produtivo, fundamentais para elevar a produtividade da indústria — condição considerada essencial antes de qualquer redução da carga horária.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Economia

Economia brasileira cresce 2,3% em 2025, aponta IBGE

A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, consolidando o quinto ano consecutivo de expansão. No quarto trimestre, o avanço foi de 0,1% frente ao período imediatamente anterior.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em valores correntes, o PIB brasileiro atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. O PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9% em relação a 2024. Segundo o instituto, tanto o resultado total quanto o valor por habitante são os maiores da série histórica iniciada em 1996.

Cinco anos seguidos de alta

O desempenho mantém uma sequência de crescimento iniciada em 2021:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Apesar da desaceleração frente aos anos anteriores, o país permaneceu em trajetória positiva.

Agropecuária lidera expansão do PIB

Pela ótica da produção, todos os grandes setores da economia registraram crescimento em 2025.

  • Agropecuária: 11,7%
  • Serviços: 1,8%
  • Indústria: 1,4%

O principal destaque foi a agropecuária, impulsionada por ganhos de produtividade e recordes de produção, especialmente de milho (23,6%) e soja (14,6%). O setor respondeu por 32,8% da alta do PIB no ano.

Na indústria, a extração de petróleo e gás sustentou o avanço das indústrias extrativas, que cresceram 8,6%. A construção apresentou estabilidade, com leve alta de 0,5%.

O setor de serviços também avançou em todas as atividades pesquisadas, com ênfase para informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).

Segundo o IBGE, agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão econômica em 2025.

Consumo das famílias desacelera

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3% em 2025, resultado associado à melhora do mercado de trabalho, maior oferta de crédito e programas de transferência de renda. Ainda assim, houve desaceleração frente ao crescimento de 5,1% registrado em 2024.

O IBGE atribui a perda de fôlego à política monetária contracionista, marcada por juros elevados.

O consumo do governo cresceu 2,1% no ano, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) avançou 2,9%, puxada por importações de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de softwares e desempenho da construção.

A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. Já a taxa de poupança subiu para 14,4%.

Desempenho no quarto trimestre

Entre outubro e dezembro, o PIB variou 0,1% em relação ao trimestre anterior.

Pelo lado da produção:

  • Serviços: +0,8%
  • Agropecuária: +0,5%
  • Indústria: -0,7%

Na ótica da despesa:

  • Consumo do governo: +1%
  • Consumo das famílias: 0%
  • Investimentos: -3,5%

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a estabilidade do consumo das famílias e o aumento dos gastos públicos compensaram a queda nos investimentos.

Juros altos marcaram o ano

O cenário de desaceleração está relacionado ao ciclo de alta da taxa básica de juros. Em setembro de 2024, o Banco Central do Brasil iniciou um processo de elevação da taxa Selic, conduzido pelo Comitê de Política Monetária. A taxa passou de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, permanecendo nesse patamar.

A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo permaneceu por 13 meses fora desse intervalo, abrangendo praticamente todo o ano de 2025.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos e tendem a frear o consumo, contribuindo para o controle da inflação, mas com impacto sobre o ritmo da atividade econômica.

Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica, também segundo o IBGE.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. O indicador permite avaliar o desempenho da economia e comparar resultados entre regiões e países.

O cálculo considera pesquisas setoriais de comércio, serviços e indústria, além dos impostos embutidos nos preços ao consumidor.

Embora seja um dos principais indicadores econômicos, o PIB não reflete aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida da população.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Informação

Juros altos dificultam acesso ao crédito para 80% das indústrias brasileiras

O acesso ao crédito segue limitado para a maior parte do setor industrial no Brasil. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) revela que 80% das indústrias enfrentaram algum tipo de dificuldade para obter financiamento, principalmente devido aos juros elevados, que continuam sendo o principal obstáculo para novos investimentos.

Os dados fazem parte da Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Juros elevados lideram as queixas das empresas

Entre os empresários que relataram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo, com vencimento de até cinco anos, oito em cada dez apontaram os juros altos como o maior entrave. Na sequência, aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis e máquinas, citada por 32%, e a falta de linhas de crédito adequadas, mencionada por 17%.

A situação é semelhante no crédito de longo prazo, acima de cinco anos. Nesse caso, 71% das empresas atribuíram as dificuldades às taxas de juros, enquanto 31% reclamaram das garantias exigidas e 17% da ausência de produtos financeiros compatíveis com seus projetos de investimento.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, o atual cenário monetário contribui diretamente para o encarecimento do crédito. Com a taxa Selic em 15% ao ano e juros reais próximos de 10%, o financiamento se torna menos atrativo e acaba desestimulando investimentos em expansão, modernização e inovação.

Selic alta reduz a procura por financiamento

A pesquisa mostra que a busca por crédito também diminuiu de forma significativa nos meses anteriores ao levantamento. Nos seis meses analisados, 54% das indústrias não procuraram crédito de longo prazo, enquanto 49% deixaram de buscar crédito de curto ou médio prazo.

Entre as empresas que efetivamente contrataram ou renovaram financiamentos, apenas 26% acessaram crédito de curto prazo. No caso do crédito de longo prazo, o índice foi ainda menor, chegando a 17%.

Crédito de longo prazo é o mais difícil

As tentativas frustradas são mais frequentes nos financiamentos com prazos mais extensos. Quase um terço das empresas que buscaram crédito de longo prazo não obteve sucesso. Já no crédito de curto ou médio prazo, cerca de 20% das indústrias também não conseguiram aprovação.

O impacto varia conforme o porte da empresa. No crédito de curto ou médio prazo, 26% das médias empresas não obtiveram recursos, contra 21% das pequenas e 16% das grandes. No longo prazo, as dificuldades aumentam: 43% das médias empresas, 37% das pequenas e 27% das grandes não conseguiram acessar o financiamento desejado.

Empresários percebem piora nas condições de crédito

A avaliação das condições de crédito também reflete um cenário negativo. Para 35% das indústrias, as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram. No crédito de longo prazo, esse percentual ficou em 33%.

Quase metade dos empresários, 47%, afirmou que as condições permaneceram semelhantes. Já a percepção de melhora foi registrada por apenas 14% no curto ou médio prazo e 12% no longo prazo, indicando baixo avanço no ambiente de financiamento.

Risco sacado tem baixa adesão na indústria

A modalidade de risco sacado, utilizada para antecipação de recebíveis, ainda é pouco difundida no setor industrial. Apenas 13% das empresas contrataram esse tipo de operação nos últimos 12 meses. Outros 5% demonstraram intenção de contratar, enquanto 54% afirmaram não ter contratado nem pretendiam aderir. Já 29% não souberam ou preferiram não responder.

Nesse modelo, o fornecedor recebe o pagamento antecipadamente por meio de uma instituição financeira, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data acordada.

Perfil das empresas entrevistadas

A sondagem ouviu 1.789 indústrias entre os dias 1º e 12 de agosto do ano passado. Do total, 713 são empresas de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte, abrangendo diferentes segmentos da indústria nacional.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Washington Alves

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