Indústria

Anfavea eleva previsão de crescimento da produção de veículos no Brasil para 6,7% em 2026

A produção de veículos no Brasil deve crescer 6,7% em 2026, segundo nova projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa, que era de 5,8% em junho, foi revisada para cima após o desempenho do setor superar as expectativas nos primeiros meses do ano.

Caso a previsão se confirme, as montadoras brasileiras deverão produzir 2,82 milhões de veículos até dezembro. O volume será o maior registrado em sete anos, indicando uma recuperação da indústria automotiva aos patamares anteriores à pandemia.

A revisão positiva está relacionada principalmente ao aquecimento do mercado interno, que tem impulsionado a procura por automóveis, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Venda de veículos deve atingir maior volume em 12 anos

A Anfavea também aumentou a estimativa para o crescimento das vendas de veículos novos no mercado brasileiro. A projeção passou de 12,1% para 15,2% em 2026.

Com isso, a expectativa é que sejam comercializadas 3,1 milhões de unidades ao longo do ano, considerando automóveis de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Se confirmado, será o maior volume de vendas em 12 anos.

O avanço das comercializações reforça a importância da demanda doméstica para o desempenho da indústria automobilística, mesmo diante de desafios relacionados aos custos de financiamento e à concorrência com veículos importados.

Importação de carros limita avanço da produção nacional

Apesar da perspectiva de aumento na fabricação, a produção das montadoras brasileiras não acompanha o mesmo ritmo de crescimento esperado para as vendas.

Um dos fatores que explicam essa diferença é a maior participação dos veículos importados no mercado nacional, especialmente os modelos provenientes da China.

Com mais automóveis estrangeiros disponíveis para os consumidores, parte da demanda interna deixa de ser atendida pela produção das fábricas instaladas no Brasil.

Outro obstáculo é a retração das exportações, principalmente para a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros enviados ao exterior. A redução das compras pelo mercado argentino afeta diretamente o desempenho das montadoras nacionais.

Anfavea prevê queda de 17,7% nas exportações

As perspectivas para o comércio externo do setor automotivo ficaram mais negativas. A entidade passou a projetar uma redução de 17,7% nas exportações de veículos em 2026, com embarques estimados em 435 mil unidades.

Na previsão anterior, a queda esperada era menor, de 12,8%.

A revisão evidencia as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira para ampliar suas vendas internacionais, sobretudo diante da diminuição da demanda em mercados importantes da América do Sul.

O cenário contrasta com as expectativas mais favoráveis para o consumo interno e mostra que o crescimento do setor depende também da recuperação dos mercados compradores de veículos fabricados no país.

Juros elevados continuam pressionando o setor automotivo

Embora o mercado de trabalho apresente baixo desemprego e a economia conte com estímulos fiscais que favorecem o consumo, o custo do crédito continua sendo um ponto de atenção para a indústria automobilística.

A direção da Anfavea destacou que a taxa Selic permanece elevada e vem recuando em ritmo inferior ao esperado pelo mercado no início do ano.

Os juros altos podem encarecer os financiamentos e dificultar a aquisição de veículos, especialmente em um segmento no qual o crédito tem papel relevante nas decisões de compra.

Assim, apesar da revisão positiva das projeções de produção e vendas, a indústria automotiva brasileira segue exposta a fatores como o custo do financiamento, a concorrência dos importados e a desaceleração das exportações.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook