Economia

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e reduz estimativas para Selic e dólar, aponta Focus

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2026, enquanto reduziu as estimativas para a taxa Selic e a cotação do dólar no mesmo período. Os dados constam no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,01% para 5,22%, registrando a quarta alta semanal consecutiva. O resultado está 0,72 ponto percentual acima do teto de 4,50% considerado na comparação com o centro da meta de inflação, fixado em 3%, e seu limite superior.

Além das perspectivas para os preços, o levantamento apresenta mudanças nas expectativas para os juros, o câmbio e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Inflação de 2026 chega a 5,22% nas projeções do mercado

A estimativa para o IPCA de 2026 avançou de 5,01% para 5,22%. Entre as 54 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores à coleta, a mediana subiu de 5,07% para 5,19%.

Para 2027, a previsão geral permaneceu em 4,30%, embora tenha recuado para 4,26% quando consideradas apenas as 54 estimativas mais recentes.

Nas projeções de prazo mais longo, a expectativa para a inflação de 2028 passou de 3,80% para 3,79%. Para 2029, houve leve redução, de 3,51% para 3,50%.

O Banco Central, por sua vez, projetava inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027, conforme o comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o primeiro trimestre de 2028, o órgão estimava inflação acumulada de 3,2% em 12 meses, dentro do horizonte relevante para a condução da política monetária.

Como funciona a meta de inflação

Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, calculada com base na variação acumulada do IPCA em 12 meses.

O objetivo central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo de referência vai de 1,5% a 4,5%.

Caso a inflação permaneça fora desses limites por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu a meta.

Mercado reduz projeção para a taxa Selic em 2026

A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, interrompendo duas semanas de estabilidade. Entre as 48 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana também ficou em 13,25%.

Para o encerramento de 2027, a projeção geral permaneceu em 12% pela 17ª semana consecutiva. No recorte das 47 estimativas mais recentes, entretanto, a expectativa recuou de 12% para 11,75%.

As previsões para os anos seguintes continuaram praticamente estáveis. A Selic esperada para o fim de 2028 permaneceu em 10,50% pela 15ª semana seguida, enquanto a estimativa para 2029 ficou em 10% pela 23ª semana consecutiva.

Copom mantém atenção aos riscos inflacionários

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, conforme o histórico apresentado no levantamento. A decisão representou o quinto corte consecutivo naquele ciclo de flexibilização monetária.

Desde março, quando iniciou o chamado ciclo de calibração, a Selic havia acumulado redução de 1,25 ponto percentual. A condução da política monetária ocorre em meio às incertezas sobre os efeitos da guerra envolvendo o Irã nas cadeias globais de abastecimento, nos preços das commodities e na inflação.

Na ata da reunião, o Copom destacou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas, do desancoramento das expectativas inflacionárias e dos riscos associados ao cenário econômico.

O comitê também afirmou que continuaria avaliando os novos dados para manter as condições monetárias necessárias à convergência da inflação para a meta.

Dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,15

As expectativas para o dólar em 2026 também recuaram. A mediana do Focus passou de R$ 5,20 para R$ 5,15, após permanecer estável durante 16 semanas.

Considerando apenas as 40 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a estimativa caiu de R$ 5,20 para R$ 5,05.

Para o fim de 2027, a previsão recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Já a estimativa para 2028 continuou em R$ 5,30 pela 12ª semana consecutiva.

Em relação a 2029, a mediana diminuiu de R$ 5,33 para R$ 5,30. Um mês antes, a projeção estava em R$ 5,36.

O relatório Focus utiliza a média esperada para a cotação do dólar em dezembro de cada ano como referência para suas projeções anuais. O método é diferente daquele adotado até 2020, quando a estimativa considerava a taxa prevista para o último dia útil do ano.

Projeção de crescimento do PIB permanece em 1,85% para 2026

A expectativa do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,85%. Um mês antes, a mediana estava em 1,89%.

Entre as 35 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a projeção recuou de 1,83% para 1,81%.

O resultado está próximo da estimativa do Banco Central, que previa expansão de 1,8% para a economia brasileira, segundo o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.

Para 2027, a expectativa geral de crescimento do PIB continuou em 1,40%. No grupo das 35 projeções mais recentes, porém, a mediana caiu para 1,35%, ante 1,40%.

Expectativas para o PIB até 2029

As estimativas para os anos seguintes apresentaram pequenas alterações. A previsão de crescimento do PIB em 2028 subiu de 1,81% para 1,83%, mas permaneceu abaixo dos 1,87% projetados um mês antes.

Para 2029, a expectativa ficou em 2% pela 82ª semana consecutiva.

Os números indicam que, enquanto as projeções de inflação para 2026 continuam em trajetória de alta, as estimativas para juros e câmbio recuam. Para o crescimento econômico, o mercado mantém perspectivas de expansão moderada nos próximos anos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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