Negócios

Empresários veem dificuldade maior em negociar tarifaço após operação da PF

Avaliação é de que a ação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro podia ser evitada diante das tensões já existentes entre o governo brasileiro e Donald Trump

Empresários diretamente envolvidos nos debates com o governo para formular uma estratégia de negociação do tarifaço imposto por Donald Trump relataram à CNN que a operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (18), amplia as dificuldades do Brasil em negociar com os Estados Unidos para que a medida seja revista pela Casa Branca.

A avaliação é de que a soberania brasileira e a autonomia dos Poderes nacionais são inegociáveis e não devem ser colocadas à mesa com os americanos em nenhum momento.

No entanto, consideram que a ação foi desnecessária e poderia ter sido evitada ou adiada, diante das dificuldades enfrentadas pelo Brasil nas tratativas com Trump.

Um desses empresários apontou ser “complicadíssimo” prosseguir com as negociações, que envolvem três frentes de tensão simultâneas. Segundo ele, são elas:

  • A pressa — considerada excessiva — para condenar Bolsonaro;
  • O presidente Lula provocar Trump constantemente, gerando entre os empresários a sensação de que busca recuperar popularidade com o episódio e incentiva seus aliados a adotarem a mesma postura;
  • O interesse dos Estados Unidos em evitar a criação de um precedente, pois, se o Brasil tiver êxito nesse embate, poderia servir de exemplo para outros países.

Outro empresário avaliou que a operação de hoje poderá ter efeito reverso sobre o STF (Supremo Tribunal Federal), ao dar repercussão mundial às alegações da defesa de Bolsonaro sobre o processo jurídico e fomentar dúvidas quanto à imparcialidade da Corte nesse julgamento.

A percepção entre as fontes ouvidas pela CNN é de que, pela forma como os fatos estão se desenrolando, Trump será “implacável” com o Brasil e não cederá em nada.

Um sinal nesse sentido, segundo um dos negociadores, poderá ser o endurecimento da posição dos Estados Unidos quanto à exigência empresarial de suspender ou rever a nova tarifa.

Diante do cenário de maior dificuldade, as críticas à condução das negociações por parte do governo aumentaram após a operação.

Representantes do setor privado também relataram receio de serem usados como instrumento político pelo governo em uma negociação que deveria ser prioritariamente estatal.

Caso a negociação fracasse, temem que o governo transfira a responsabilidade ao setor privado.

O temor é que, ao final, o governo colha ganhos políticos internos enquanto atribui ao setor privado a culpa pelo insucesso da negociação — setor esse que, até o momento, enxerga uma sequência de erros e falta de estratégia por parte da equipe governamental.

Também há a percepção de que o governo caminha para responsabilizar Bolsonaro pelo eventual fracasso nas negociações.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação

EUA teriam poucas opções para substituir exportações do Brasil, aponta estudo do Daycoval

Perda de receita estimada de US$ 5,9 bi representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos diminuiria em 15% o volume exportado do Brasil para o país. A perda de receita estimada de US$ 5,9 bilhões representaria um choque de -0,3 ponto percentual do PIB brasileiro, considerando apenas os choques de primeira ordem sobre o setor externo. Os cálculos são do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval.

Segundo a equipe, a demanda de curto prazo pelas principais categorias de exportação do Brasil para os EUA mostra-se inelástica ao preço, ou seja, o volume exportado oscila menos (15%) que a mudança do preço do bem (tarifas adicionais de 50%). “Esse efeito amortecido é uma consequência direta da natureza pouco sensível da demanda dos EUA pelos produtos brasileiros”, diz o Daycoval no relatório.

Bens intermediários – a principal categoria exportada para os EUA, com peso de 54%, representada por derivados de ferro e aço, principalmente – apresenta a menor elasticidade-preço, fazendo com que o aumento de 50% no preço implique queda de apenas 8,2% no volume exportado, estima o Daycoval. Isso indica, segundo o banco, que os EUA teriam dificuldade em encontrar outros parceiros para suprimir a ausência da importação do Brasil.

Combustíveis/lubrificantes, segunda maior pauta de exportação, e bens de capital também apresentam baixa sensibilidade, com as tarifas levando a queda potencial no volume exportado de 23,4% e 21,8%, respectivamente. Os bens de capital incluem as aeronaves da Embraer, e os resultados também mostram que os EUA tenderiam a ter dificuldades em substituir as importações desses produtos, diz o Daycoval.

Apesar do impacto macroeconômico limitado, o choque de receita para esses setores, como de -US$ 1,79 bilhão para bens intermediários e -US$ 1,76 bilhão para combustíveis, é significativo, afirma o Daycoval.

Com queda potencial de 19,1% no volume exportado, os bens não duráveis, grupo que contém as exportações de suco de laranja – 7º item mais exportado para os EUA em 2024 –, também sugerem que os EUA possuem poucas opções de substituir os produtos brasileiros, segundo o banco.

Apenas os bens de consumo duráveis poderiam observar uma queda mais pronunciada, de quase 46% no volume exportado, estima. “Os bens de consumo duráveis são os mais afetados, com sensibilidade próxima a -1, indicando alta substituição dos EUA por esse tipo de bem por outras economias globais. Porém, como a categoria representa apenas 1% das exportações dos Brasil para os EUA, o impacto deste grupo é praticamente nulo”, diz o relatório.

Analisar as elasticidades específicas de cada categoria é fundamental porque a sensibilidade de preço dos itens brasileiros exportados aos EUA é heterogênea, observa o Daycoval.

“Produtos como o suco de laranja, no qual o Brasil é um fornecedor importante para os EUA, e as aeronaves da Embraer, que possuem características técnicas particulares e são vendidas sob contratos de longo prazo, não são facilmente substituíveis no curto prazo. A dificuldade de substituição, seja por volume ou por especificidade, resulta em uma demanda menos sensível a preço”, afirma a equipe no relatório.

Ao confrontar os preços específicos dos EUA com o volume global de exportações do Brasil, o Daycoval encontrou uma capacidade de redirecionamento de parte do comércio para outros mercados, reduzindo o impacto líquido sobre a atividade total.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Negócios

Empresários americanos pedem negociações contra tarifa de 50% dos EUA sobre Brasil

“Medida (…) tem potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos EUA”, afirmam a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram uma nota para a imprensa dos Estados Unidos nesta terça-feira (15) pedindo para que os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se engajem em negociações de alto nível para evitar a implementação da tarifa de 50% a produtos brasileiros pelos EUA a partir de 1º de agosto.

“A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante”, afirmam, em nota.

Ambas as instituições mencionam que a tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos.

“Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”, acrescentam.

A Amcham Brasil e a U.S. Chamber afirmam ainda que uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países.

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva – que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”

Fonte: InfoMoney

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Comércio, Portos

Remessas de Alimentos Paralisadas no Principal Porto do Brasil em Meio à Incerteza sobre Tarifas dos EUA

A tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já está tendo repercussões no Porto de Santos, localizado no litoral de São Paulo. De acordo com o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região (SDAS), os embarques estão atualmente paralisados no maior complexo portuário do Brasil devido ao cancelamento de exportações por parte das empresas, principalmente do setor de alimentos.

Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), os EUA importaram mais de 8,1 milhões de toneladas através do Porto de Santos em 2024, totalizando R$ 12,8 bilhões. Isso representou 12,6% das exportações totais do complexo portuário, colocando os Estados Unidos atrás apenas da China, que importou 42,4 milhões de toneladas (R$ 26 bilhões ou 25,5%).

Abaixo está um gráfico histórico das exportações brasileiras em contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos, com base em dados do DataLiner:

Exportações em Contêineres para os Estados Unidos via Porto de Santos – Jan 2022 a Mai 2025 – TEUs

A tarifa de 50%, anunciada por Donald Trump, deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. No entanto, os efeitos já estão sendo sentidos devido à incerteza por parte dos exportadores.

Em entrevista ao G1, o secretário do SDAS, Hugo Cesar Evangelista, afirmou que o sindicato recebeu relatos de seus associados (despachantes aduaneiros) sobre embarques paralisados nos terminais do Porto de Santos. “Algumas empresas já estão devolvendo mercadorias, especialmente pequenos negócios”, disse ele.

Ele explicou que a suspensão dos embarques se deve à incerteza sobre a alíquota que será aplicada quando a carga chegar aos Estados Unidos, já que o transporte leva vários dias.

“Temos relatos de cargas retidas enquanto as empresas aguardam para entender como a situação vai se desenrolar, enquanto outras estão cancelando e devolvendo os produtos para seus armazéns”, disse Evangelista.

Segundo o sindicato, produtos como frutas, sucos e carne bovina estão entre os que estão paralisados no complexo portuário. No entanto, o sindicato ainda não tem uma estimativa completa das exportações interrompidas.

O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos. A tarifa atual sobre o café é de 10%, e a nova taxa de 50% representaria um aumento de 400%. Cerca de 35% das exportações brasileiras com destino aos EUA são embarcadas pelo Porto de Santos.

Fonte: G1

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Comércio Exterior, Economia

África do Sul pede “liderança” a países do G20 em meio a ameaças tarifárias

Ameaça por Trump de impor tarifas de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais

A África do Sul pediu aos países do G20 que forneçam liderança global e cooperativa para enfrentar os desafios, incluindo o aumento das barreiras comerciais, conforme os chefes de finanças do grupo se reúnem nesta quinta-feira (17) sob a sombra das ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O G20, que surgiu como um fórum de cooperação para combater a crise financeira global de 2008, há anos tem sido prejudicado por disputas entre os principais participantes, exacerbadas pela guerra da Rússia na Ucrânia e pelas sanções ocidentais contra Moscou.

A anfitriã África do Sul, sob o lema de sua presidência “Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade”, tem como objetivo promover uma agenda africana, com tópicos que incluem o alto custo do capital e o financiamento para ações contra as mudanças climáticas.

No discurso de abertura, o ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, disse que o G20 deve oferecer liderança global estratégica, cooperação e ação diante de desafios complexos.

“Muitos países em desenvolvimento, especialmente na África, continuam sobrecarregados pelas vulnerabilidades de dívidas altas e crescentes, espaço fiscal restrito e alto custo de capital que limita sua capacidade de investir em seu povo e em seu futuro”, disse ele.

“A necessidade de uma liderança cooperativa ousada nunca foi tão grande.”

No entanto, há dúvidas sobre a capacidade dos ministros das Finanças e dos presidentes de bancos centrais reunidos na cidade costeira de Durban de lidar com essas e outras questões em conjunto. O G20 tem como objetivo coordenar políticas, mas seus acordos não são vinculativos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não participará da reunião de dois dias, sua segunda ausência em um evento do G20 na África do Sul neste ano.

Bessent também não compareceu à reunião de fevereiro na Cidade do Cabo, onde várias autoridades de China, Japão e Canadá também estavam ausentes, embora Washington deva assumir a presidência rotativa do G20 no fim do ano.

Michael Kaplan, subsecretário interino de assuntos internacionais do Tesouro, representará os EUA nas reuniões.

Um delegado do G20, que pediu para não ser identificado, disse que a ausência de Bessent não é ideal, mas que os EUA estão participando de discussões sobre comércio, economia global e linguagem climática.

Os ministros das Finanças de Índia, França e Rússia também não participarão da reunião de Durban.

O presidente do banco central da África do Sul, Lesetja Kganyago, disse que a representação é o que mais importa.

“O que importa é: há alguém com um mandato sentado atrás da bandeira e todos os países estão representados com alguém sentado atrás da bandeira?”, disse Kganyago à Reuters.

As autoridades dos EUA têm falado pouco publicamente sobre seus planos para a presidência no próximo ano, mas uma fonte familiarizada com elas disse que Washington reduzirá o número de grupos de trabalho não financeiros e simplificará o cronograma da cúpula.

As políticas tarifárias de Trump têm impactado o comércio global, com taxas básicas de 10% sobre todas as importações para os EUA e tarifas de até 50% sobre aço e alumínio, 25% sobre automóveis e possíveis taxas sobre produtos farmacêuticos.

Sua ameaça de impor tarifas adicionais de 10% sobre os países do Brics – dos quais oito são membros do G20 – aumentou os temores de fragmentação nos fóruns globais.

Além disso, a última vez que o G20 conseguiu emitir um comunicado coletivo foi em julho de 2024, concordando mutuamente com a necessidade de resistir ao protecionismo, mas sem mencionar a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Fonte: CNN Brasil


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Comércio Exterior, Industria

Canadá anuncia novas medidas tarifárias sobre aço importado para proteger indústria nacional

O primeiro-ministro Mark Carney disse nesta quarta-feira que o Canadá introduzirá uma cota tarifária para os países com os quais tem acordos de livre comércio, excluindo os Estados Unidos, para proteger a indústria siderúrgica nacional.

O Canadá também implementará tarifas adicionais de 25% sobre as importações de aço de todos os países não norte-americanos que contenham aço derretido e derramado da China antes do final de julho.

Carney está respondendo às reclamações da indústria doméstica, que afirmou que outros países estão desviando aço para o Canadá e tornando a indústria doméstica não competitiva devido às tarifas dos EUA.

A indústria siderúrgica canadense pediu ao governo que introduzisse medidas antidumping mais rígidas para proteger a indústria nacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as tarifas de importação sobre aço e alumínio de 25% para 50% no início deste mês. O Canadá é o maior vendedor de aço para os Estados Unidos.

Carney também disse que as empresas siderúrgicas nacionais seriam priorizadas nas compras governamentais e introduziu um fundo de 1 bilhão de dólares canadenses para ajudar as empresas siderúrgicas a avançar em projetos em setores como o de defesa.

“Essas medidas garantirão que os produtores de aço canadenses sejam mais competitivos, protegendo-os contra o desvio de comércio resultante de um ambiente global em rápida mudança para o aço”, disse Carney na quarta-feira.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior, Importação

Importados do Brasil pesam na inflação dos EUA antes mesmo da tarifa

Grupo alimentação puxou preços ao consumidor, com destaque para café e frutas cítricas

A inflação nos Estados Unidos voltou a subir em junho, atingindo seu nível mais alto em quatro meses, à medida que o aumento de preços — incluindo aqueles provenientes de tarifas — tiveram um impacto maior.

Os preços ao consumidor subiram 0,3% no mês passado, elevando a taxa de inflação anual para 2,7%, a mais alta desde fevereiro, de acordo com os últimos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) divulgados na terça-feira (15) pelo BLS (Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA).

Esperava-se que o dado de junho fosse um “ponto de virada” em que tarifas elevadas deixariam uma marca ainda maior nos dados de inflação. No entanto, até que ponto as tarifas podem aumentar a inflação e por quanto tempo isso pode durar ainda é uma questão em aberto.

Economistas como Heather Long, da Navy Federal Credit Union, alertaram que os impactos relacionados às tarifas ainda são iniciais.

“As tarifas estão começando a pesar”, disse a economista-chefe da Navy Federal Credit Union, em entrevista à CNN Internacional. “Não foi tão ruim quanto o esperado, mas dá para ver nos dados. Isso parece o primeiro inning, os estágios iniciais do que provavelmente será um número cada vez maior de itens apresentando aumento de preço.”

Ela observou como os preços do café e da laranja — categorias já duramente afetadas pelos impactos climáticos e que também devem sofrer pressão adicional com as tarifas — dispararam em junho.

Os produtos são duas das principais exportações que o Brasil faz aos EUA. Enquanto o café é 3º item mais vendido, somando US$ 1,172 bilhão entre janeiro e junho deste ano, os sucos de frutas — dentre os quais prevalece o da laranja — são o 6º, com US% 743 milhões.

O CPI apurou que o café subiu 2,2% nos EUA ao longo do último ano, enquanto as frutas cítricas 2,3%, acima da meta perseguida pelo Fed (Federal Reserve) de 2%.

“Você não compra uma máquina de lavar nova toda semana, mas compra frutas e vegetais”, disse Long.

Na terça, Trump comemorou a queda dos preços ao consumidor e autoridades da Casa Branca minimizaram o efeito das tarifas sobre a inflação geral. Trump pediu ao Fed que cortasse as taxas de juros “agora!”.

Os dados vieram em linha com as previsões dos economistas de que o CPI geral aumentaria em relação às variações mensal de 0,1% e anual de 2,4% relatadas em maio.

Eles esperavam que preços mais altos do gás ajudassem a elevar o índice geral (o que foi o caso) e anteciparam que um conjunto mais amplo de produtos mostraria o efeito das empresas repassando custos mais altos de importação aos consumidores (o que também foi o caso).

Excluindo gás e alimentos, que tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do CPI ficou abaixo das expectativas, subindo 0,2% em relação a maio e 2,9% nos 12 meses encerrados em junho. No entanto, isso representa uma aceleração em relação aos 0,1% e 2,8%, respectivamente, do mês anterior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Após tarifas, frigoríficos do MS interrompem produção destinada aos EUA

À CNN, presidente de entidade fala em inviabilização de negócios e busca por novos contratos com outros países

Frigoríficos do Mato Grosso do Sul que produzem carne para o mercado dos Estados Unidos estão interrompendo a produção destinada às exportações norte-americanas, afirmou à CNN Regis Luís Comarella, presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Carne do Mato Grosso do Sul) e diretor da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul).

Comarella disse que os produtores “viraram a chave” e estão buscando desviar o excedente para China, Chile e países da África, como a Argélia.

“Os frigoríficos pararam de produzir produtos para os Estados Unidos, com rotulagem para o mercado americano […] até que haja solução para voltar ao normal. Eles diminuíram um pouco a escala e os abates para não ficar com estoque alto”, relatou o presidente do Sicadems à CNN nesta terça-feira (15).

“Com certeza a tarifa inviabiliza [o comércio com os EUA], já que o Brasil já é taxado por eles, […] com mais 50% não há condições de honrar os contratos existentes, pois o prejuízo é muito para as empresas”, ressaltou.

Quatro dos frigoríficos que atuam no estado são habilitados para enviar suas carnes aos EUA:

  • Naturafrig;
  • JBS;
  • Minerva;
  • Iguatemi.

A CNN entrou em contato com as empresas e aguarda retorno para atualizar a matéria.

Segundo o Sicadems, os Estados Unidos foram o segundo maior mercado para a carne sul-mato-grossense em 2024: foram enviados US$ 215 milhões de dólares em produtos aos EUA.

Um impacto que Comarella diz que virá “com certeza” é o da queda no preço do arroba do boi, não só no estado, “mas em nível Brasil”, por conta do excedente de produtos que devem ficar estacionados por aqui.

Como alternativas para mitigar o impacto da tarifa dos EUA, o presidente do Sicadems lista três caminhos.

“Primeiramente, é tentar que aplicação da taxa seja prorrogada mais para frente, para que dê tempo dessa carne que está embarcada chegar até o destino, fugindo da taxa. Segundo, é dialogar para que se tenha um resultado positivo. Terceiro, ir atrás de novos contratos com outros países que não tenham essa taxa.”

Na última quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa de 50% contra os importados brasileiros que entrarem no país. A taxa entra em vigor no dia 1º de agosto, reforçou o republicano nesta terça.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Comércio Exterior

Câmaras de comércio nos EUA e no Brasil pedem suspensão de taxas

Entidades apontam prejuízos para cadeias produtivas dos dois países

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram nota conjunta na qual pedem para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a suspensão das tarifas de 50% imposta aos produtos brasileiros.

A taxação às exportações brasileiras está prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto.  A nota das entidades destaca que a medida unilateral do governante dos Estados Unidos vai afetar “produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”.

As duas câmaras de comércio defenderam que Estados Unidos e Brasil “se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%”. Além disso, as entidades alertam que as taxações podem estabelecer um precedente “preocupante” nas relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos”.

As entidades apontam que mais de 6,5 mil pequenas empresas dos Estados Unidos dependem das importações brasileiras e outros 3,9 mil empreendimentos norte-americanos contam com investimentos no Brasil.

“O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”, destaca o comunicado.

A seguir, a íntegra da nota das U.S. Chamber of Commerce e a AmCham:

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil solicitam aos governos dos Estados Unidos e do Brasil que se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%. A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante.

A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos.

Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos.

Uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países. A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva — que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Os pedidos de Lula na carta que será enviada aos EUA após tarifaço de Trump

Documento será endereçado à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas

O governo Lula (PT) pretende enviar, nos próximos dias, uma carta para os Estados Unidos por meio da embaixada do Brasil em território norte-americano. A decisão ocorre em meio às negociações do Brasil para reverter a taxação de 50% a produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump. As informações são do g1.

A carta será endereçada à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas. O documento está pronto e será assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. O texto aguarda o aval de Lula.

No documento enviado ao governo dos EUA, o Brasil formaliza três pedidos:

  • Que os canais de diálogo entre os dois governos continuem abertos;
  • Que sejam marcadas novas reuniões entre os representantes dos países sobre o tema; e
  • Que os Estados Unidos respondam o material que o governo brasileiro mandou ainda em maio, detalhando informações sobre balança comercial e outros números, e que permanecem sem resposta.

Lei da Reciprocidade

Lula (PT) assinou na segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade. A medida possibilita que o Brasil adote uma resposta à sobretaxa de 50% anunciada por Donald Trump para produtos brasileiros.

A proposta foi aprovada no Congresso em abril, quando teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas. O decreto impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países.

O tarifaço de Trump

A taxação adicional de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foi anunciada na semana passada em carta divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump. No texto, o líder credita a medida a uma “caça às bruxas” que na opinião dele vem sendo feita na Justiça do Brasil contra o ex-presidente e aliado Jair Bolsonaro, além de citar um suposto déficit do país nas relações comerciais com o Brasil e processos para retirada de conteúdo contra gigantes de tecnologia que atuam no país.

O anúncio gerou reações no meio político e econômico brasileiro, com o receio sobre possíveis reflexos no país. As vendas para os Estados Unidos representam cerca de 12% das exportações nacionais e 14% das vendas de Santa Catarina para o mercado externo.

Fonte: NSC Total

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