Comércio Exterior

Trump ameaça dobrar a aposta se Lula aplicar reciprocidade no tarifaço

Tarifaço de Donald Trump sobre o Brasil entra em vigor na próxima quarta-feira (6) com lista de quase 700 exceções

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou o “tarifaço” sobre o Brasil ao assinar um decreto na quarta-feira (30). O texto impõe taxa de 40% aos produtos brasileiros, em complemento aos 10% anunciados em abril, o que ainda pode aumentar conforme a reação do governo brasileiro.

O tarifaço entra em vigor na próxima quarta-feira (6). O governo estadunidense, porém, abriu exceção para quase 700 produto brasileiros, como suco de laranja, castanha-do-Pará, minérios, petróleo, ventiladores e peças de aviação civil.

Trump deixou claro que pode modificar o decreto a depender da resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em caso de retaliação aos Estados Unidos, ele promete reforçar a medida.

“Por exemplo, se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre exportações dos Estados Unidos, vou aumentar a taxa estabelecida nesta ordem para uma quantia correspondente”, declarou Trump.

Ele também está disposto a mudar de ideia se o governo brasileiro tomar providências contra o que chamou de “emergência nacional” e se alinhar com os Estados Unidos em “questões de segurança nacional, economia e política externa” abordadas no decreto.

Trump voltou a criticar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por golpe de Estado no STF (Supremo Tribunal Federal), que classificou de “perseguição política”.

“O tratamento do ex-presidente Bolsonaro pelo governo brasileiro contribui para o colapso deliberado do Estado de direito no Brasil, para a intimidação política e para abusos dos direitos humanos”, escreveu no decreto.

O norte-americano também citou o ministro Alexandre de Moraes, que teria “abusado de sua autoridade judicial para atacar oponentes políticos, proteger aliados corruptos e reprimir a dissidência”.

Em referência às ordens do STF para que plataformas suspendessem o perfil de investigados como Allan dos Santos, Trump disse que o ministro está “coagindo empresas estadunidenses para censurar discurso político”.

Moraes foi enquadrado na quarta-feira na Lei Magnitsky, que impõe sanções a autoridades estrangeiras acusadas de corrupção ou violação aos direitos humanos. Além da proibição da entrada no país, a lei bloqueia contas bancárias nos Estados Unidos e impede transações com empresas estadunidenses.

‘Interferência inaceitável’: Lula reage ao tarifaço de Trump

Em nota na quarta-feira, o presidente Lula reiterou que o Brasil é um país soberano e democrático, que respeita os direitos humanos e a independência entre os Poderes.

“É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira”, rebateu o presidente.

Lula se solidarizou com o ministro Alexandre de Moraes e criticou o tarifaço dos Estados Unidos, se colocando novamente à disposição para negociar com Trump.

“O governo brasileiro considera injustificável o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras. O Brasil tem acumulado nas últimas décadas um significativo déficit comercial em bens e serviços com os Estados Unidos”, declarou.

“O Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais”, acrescentou o presidente.

Por fim, Lula afirmou que o governo federal já iniciou a avaliação dos impactos das medidas e a elaboração das ações para apoiar e proteger os trabalhadores, as empresas e as famílias brasileiras.

Fonte: ND+

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Exportação

Tarifa dos EUA atinge em cheio exportações de MT e preocupa indústria

Medida eleva para 50% o imposto sobre produtos brasileiros e atinge 76% da pauta de exportação mato-grossense, com impactos imediatos para a indústria local

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, formalizada nesta quarta-feira (30), acendeu o alerta no setor industrial de Mato Grosso. A nova taxação, que eleva para 50% o imposto de importaçãoafeta diretamente cinco dos seis principais produtos exportados pelo estado ao mercado norte-americano.

A medida prevê uma longa lista de exceções como suco de laranja, aeronaves civis, ouro, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.

Comunicado emitido pela Casa Branca, logo após a formalização, destaca que o decreto entra em vigor no dia 6 de agosto. Ainda conforme a Casa Branca, o decreto foi adotado em resposta às ações do governo brasileiro que, na avaliação do governo americano, representaria uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

De acordo com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), a medida deve ter impactos imediatos na economia estadual. Produtos como carne bovina, gelatina, gordura animal (sebo), soja e madeira perfilada — que representam parte significativa da pauta exportadora — estão entre os atingidos. Apenas o ouro, entre os principais itens enviados aos EUA, ficou de fora da taxação. Esses seis principais produtos concentram 98% das exportações.

Ao todo, Mato Grosso exporta 54 produtos para os Estados Unidos. Com a nova medida, 41 deles foram incluídos na tarifa adicional, o que corresponde a 76% do total. Em 2024, as exportações para o país somaram US$ 415 milhões, sendo que os produtos agora tarifados respondem por US$ 266 milhões — ou 65% do valor negociado.

“A medida, formalizada nesta quarta-feira (30), afeta diretamente as exportações mato-grossenses, especialmente os produtos industrializados — que representam cerca de 90% do total enviado pelo estado ao mercado norte-americano”, diz a Fiemt.

A federação ressalta ainda que “entende que medidas unilaterais comprometem a previsibilidade, a segurança jurídica e a confiança entre as nações. A indústria de Mato Grosso trabalha com base em inovação, qualidade e competitividade, e tem buscado ampliar sua presença internacional com base na sustentabilidade e na agregação de valor aos seus produtos”.

A federação informa que segue mobilizada junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e autoridades brasileiras para discutir alternativas diante dos impactos da decisão unilateral dos EUA.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior

Embraer fica livre de taxação e defende tarifa zero para setor

Ações da empresa valorizaram mais de 10% após anúncio dos EUA

Embraer ficou livre da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileirosAeronaves, motores, peças e componentes de aviação aparecem na lista de cerca de 700 produtos considerados exceções.

Para a empresa, terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, a liberação é o reconhecimento da importância estratégica das atividades da empresa para Brasil e Estados Unidos.

“Continuamos acreditando e defendendo firmemente o retorno à regra de tarifa zero para a indústria aeroespacial global”, afirma a nota da Embraer.

“Mais importante ainda, apoiamos o diálogo contínuo entre os governos brasileiro e norte-americano e permanecemos confiantes em um resultado positivo para os dois países”, complementa.

Na semana passada, a empresa informou que o tarifaço de 50% elevaria o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões, o que acabaria por inviabilizar a venda. Considerando o período até 2030, o impacto poderia chegar a R$ 20 bilhões em tarifas. 

Em nota publicada, no início da noite, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil – Amcham Brasil calcula que os 694 produtos excluídos da Ordem Executiva representam US$ 18,4 bilhões em exportações brasileiras no último período apurado (2024).

O valor corresponde a 43,4% do total de US$ 42,3 bilhões exportados pelo Brasil para os EUA, de acordo com a análise da entidade.

Somente o setor de aeronaves vendeu US$ 2 bilhões no ano passado, sendo metade somente em aeronaves leves, principal produto da Embraer. Apenas o setor de combustíveis exporta mais, com US$ 18,4 bilhões em vendas em 2024.

Desde o dia 2 de abril, os produtos da Embraer estão taxados em 10%, o que permanecerá em agosto.

Ações 

Com a inclusão de aeronaves na lista de exceções, as ações da Embraer valorizaram 10,93% nesta quarta-feira (30). 

Entenda o tarifaço

Na Ordem Executiva, que elevou a tarifa para os produtos brasileiros em 50%, Trump argumenta que o Brasil é uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA, classificação semelhante à adotada contra países considerados hostis a Washington, como Cuba, Venezuela e Irã.

O documento afirma que o Brasil estaria perseguindo, intimidando e censurando “o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores que são graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil”

Além do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, medidas do governo brasileiro em relação a plataformas digitais e decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foram citadas como justificativas para as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. 

“A perseguição política, por meio de processos forjados, ameaça o desenvolvimento ordenado das instituições políticas, administrativas e econômicas do Brasil, inclusive minando a capacidade do Brasil de realizar uma eleição presidencial livre e justa em 2026. O tratamento dado pelo governo do Brasil ao ex-presidente Bolsonaro também contribui para o colapso deliberado do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação politicamente motivada naquele país e para abusos de direitos humanos”, diz o texto.

No documento do governo norte-americano, o ministro Alexandre de Moraes é acusado de abusar de sua autoridade judicial “para atingir oponentes políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, muitas vezes em coordenação com outras autoridades brasileiras”. Trump acusa o ministro de confiscar passaportes, prender pessoas sem julgamento e impor multas a empresas que não cumpriram “suas exigências ilegais de censura”.  

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Sanções que Estados Unidos podem impor ao Brasil não se limitam ao tarifaço; entenda as medidas

Empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que governo norte-americano pode adotar sem qualquer aviso formal ou rito público

As sanções que o governo dos Estados Unidos pode impor ao Brasil em uma disputa comercial e política não se limitam ao tarifaço de 50% aos produtos brasileiros anunciados pelo presidente Donald Trump e podem ter um efeito ainda mais prejudicial para as empresas brasileiras.

O advogado José Andrés Lopes da Costa, mestre em Direito Tributário Internacional e Desenvolvimento pelo IBDT/SP e professor de Direito Tributário Internacional da FGV, afirmou que as empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que os Estados Unidos podem adotar sem qualquer aviso formal ou rito público, para além das barreiras alfandegárias.

Segundo ele, tanto o BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio quanto a OFAC (Office of Foreign Assets Control) do Departamento do Tesouro são órgãos do governo dos Estados Unidos responsáveis por regulações profundas e muito menos discutidas, que operam por mecanismos técnicos, listas confidenciais e cláusulas em contratos de financiamento, tecnologia, transporte e seguro.

Essas sanções já foram aplicadas a países considerados “hostis” pelo governo dos Estados Unidos, como Rússia, Venezuela, Cuba e Irã.

“E o ponto central: essas regras valem também para empresas fora dos Estados Unidos, desde que elas usem dólar, tecnologia norte-americana ou bancos com correspondência nos Estados Unidos, o que, na prática, abrange quase todas as operações relevantes do comércio internacional”, disse.

Bloqueio de pagamentos e suspensão de contratos

Os efeitos concretos das medidas que podem ser determinadas por esses dois órgãos, disse Costa, são o bloqueio de pagamentos, a suspensão de contratos, a perda de acesso a fornecedores ou clientes, o aumento de custo de capital, e até multas administrativas de alto valor.

“E não há aviso formal dessas decisões. Muitas vezes, a empresa só descobre que está sob restrição quando o banco trava a operação ou quando um parceiro rompe o contrato por precaução”, afirmou.

Segundo Costa, a possibilidade de defesa legal das empresas contra essas decisões do governo dos Estados Unidos, na prática, não existe.

“Mesmo a OMC [Organização Mundial do Comércio] oferece pouca margem de reação e, ainda assim, com tramitação lenta e sem eficácia imediata. Não há contraditório, não há um devido processo legal, e os efeitos reputacionais e comerciais são imediatos”, disse.

Embraer e agronegócio podem ser afetados

Todo esse “poder de fogo” dos Estados Unidos em uma disputa comercial, afirmou Costa, enfraquece a tese de que o Brasil deveria acelerar a reorientação comercial em direção a mercados como China, Rússia, Índia ou Irã.

“Exportar para uma empresa estatal chinesa que conste de alguma lista restritiva do governo americano pode ser tão perigoso quanto exportar diretamente para o Irã. Realizar uma transação de carne bovina para um comprador russo pode ser inviabilizado se o financiamento passar por banco que opere sob jurisdição americana, o que, na prática, significa quase todos os grandes bancos do mundo. A operação não precisa ser ilícita. Basta que ela seja vista como arriscada. E o risco, nesse universo, é definido por Washington”, disse.

Como exemplo prático, Costa citou os potenciais efeitos negativos para a Embraer. A empresa brasileira utiliza motores, softwares e sistemas de navegação fabricados por companhias norte-americanas. Cada venda para mercados classificados como sensíveis, afirmou o especialista, exige não apenas o mapeamento de componentes, mas a solicitação formal de licenças, cuja concessão está sujeita a vetos unilaterais.

“Isso significa que o governo americano pode bloquear a exportação de um jato brasileiro a um país terceiro com base no simples fato de que parte de sua tecnologia é de origem americana. E pode fazê-lo sem anúncio, sem aviso e sem direito de resposta”, disse.

No agronegócio, afirmou o advogado, os riscos também não são desprezíveis. Segundo ele, a cadeia de exportação de grãos, carnes e fertilizantes depende de uma infraestrutura tecnológica que inclui desde softwares de rastreabilidade e sistemas de armazenamento até equipamentos agrícolas dotados de sensores que podem estar sujeitos a controle do governo dos Estados Unidos.

“Além disso, os contratos são lastreados em dólares, os pagamentos passam por bancos internacionais e os seguros marítimos são emitidos por grandes conglomerados ocidentais que seguem, rigorosamente, as diretrizes impostas pelas listas de sanção”, afirmou.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Tarifaço: apesar de exceções, impacto é ‘gigantesco’, avalia ex-secretário de Comércio Exterior

Produtos como café, carne bovina e cacau serão taxados pelos EUA. País é o maior comprador de café do Brasil

Apesar da lista com quase 700 exceções, a tarifa aplicada pelos EUA de 50% a produtos brasileiros ainda terá um impacto “gigantesco” para o comercio nacional. A avaliação é do ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, ex-árbitro no Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul e do sistema de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio).

O presidente americano, Donald Trump, assinou, nesta quarta-feira (30), uma ordem executiva que impõe tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros — o que eleva o total da taxa para 50%, tendo em vista a alíquota aplicada anteriormente de 10%.

Ao R7, Barral ressaltou que produtos como café, celulose e maquinários serão taxados pelos EUA, o que ele considera preocupante porque não sabe de onde os EUA vão importar café.

Em lista divulgada nesta tarde, Trump deixou fora da taxação 694 itens exportados pelo Brasil aos EUA. Entre os produtos que não receberão a tarifa, estão suco de laranja, aviões comerciais, combustíveis, petróleo e minério de ferro.

Commodities brasileiras com grande fluxo comercial para os Estados Unidos, como carne bovina, café e cacau, não foram incluídas nas exceções e serão taxadas em 50%.

A manutenção da tarifa ao café e ao cacau diverge de declaração feita pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, na terça (29).

Café e cacau

Segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), os Estados Unidos são os maiores compradores de café do Brasil — tanto do item torrado quanto do não torrado.

Apenas em junho, os EUA adquiriram 15,9% do café não torrado vendido pelo Brasil, um total de US$ 148,2 milhões.

Também no mês passado, no caso do café torrado — modalidade que inclui extratos, essências e concentrados de café —, os Estados Unidos compraram 23,4% do que foi produzido pelo Brasil: US$ 21 milhões.

Os EUA também têm participação importante na compra do cacau brasileiro. Em junho deste ano, o país foi o maior comprador de cacau em pó, manteiga ou pasta de cacau, com 42,6% de participação (US$ 22,5 milhões).

Com relação ao chocolate e a outras preparações alimentícias oriundas do cacau, os Estados Unidos (12,2%) foram o segundo maior destino no mês passado, atrás apenas da Argentina (27,2%). O valor total das compras chegou a US$ 2,4 milhões.

Frutas

A participação dos EUA no mercado brasileiro de mangas e abacaxis é menos significativa do que no caso de café e cacau.

Em 2024, os Estados Unidos foram o 17º maior comprador de abacaxis frescos ou secos, de acordo com números da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Foram 1,7 mil toneladas adquiridas, um total de cerca de US$ 4,1 mil.

Também segundo a Embrapa, em junho deste ano, os EUA compraram cerca de 0,6% da manga exportada pelo Brasil, a oitava maior porcentagem. Países como Holanda (52%), Portugal (9%), Reino Unido (5,6%), Argentina (2,7%), Coreia do Sul (1%) e Chile (1%) tiveram participação maior do que a norte-americana.

Fonte: R7

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Comércio Exterior

Trump assina ordem que implementa tarifa de 50% sobre o Brasil, com várias exceções

Casa Branca declara nova “emergência nacional” e acusa governo brasileiro de ameaçar segurança dos EUA, citando Moraes e Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que oficializa a aplicação de uma tarifa total de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada como resposta a uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, política externa e economia norte-americana. A nova alíquota entra em vigor em um prazo de sete dias, e traz diversas exceções, entre elas suco de laranja e outros produtos agrícolas, petróleo e derivados, metais e peças de aeronaves.

Segundo comunicado da Casa Branca, a decisão foi tomada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e mira “políticas e ações” do governo brasileiro que, na visão dos EUA, prejudicam empresas e cidadãos norte-americanos.

O texto cita diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como “perseguição politicamente motivada” e acusando autoridades brasileiras de cometer “abusos graves de direitos humanos”.

Trump também acusa o ministro Alexandre de Moraes, sancionado nesta quarta, de “coagir arbitrariamente empresas dos EUA a censurar discurso político, entregar dados de usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob ameaça de multas, processos criminais, congelamento de ativos ou expulsão do mercado brasileiro”.

“Ao impor essas tarifas para enfrentar as ações imprudentes do governo do Brasil, o presidente Trump está protegendo a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos de uma ameaça estrangeira”, diz o comunicado.

A Casa Branca afirma que a decisão também busca “preservar e proteger a liberdade de expressão” de cidadãos americanos e “defender empresas dos EUA de censura forçada”.

O anúncio intensifica a já tensa relação entre os dois países, que desde julho enfrentam uma disputa comercial e diplomática. O governo brasileiro tem classificado a medida como “chantagem” e insiste que não cederá a pressões políticas ligadas ao julgamento de Bolsonaro.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Com tarifaço, SC é o estado que terá o 4° maior prejuízo financeiro do país

Quase tudo que o estado vende aos EUA vem da indústria (99%), mostra levantamento da CNI

O aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, previsto para 1º de agosto, pode provocar impactos econômicos relevantes e desiguais entre as unidades da federação, com perdas superiores a R$ 19 bilhões para os estados brasileiros. Santa Catarina aparece em quarto lugar na lista de maior prejuízo financeiro (R$ 1,7 bi), mas é o estado com a segunda maior queda prevista no PIB: -0,31%. Isso é o que mostra levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2024.

A CNI estima que, caso entre em vigor, a medida pode ocasionar a perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, além de reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e de provocar uma queda de 0,12% na economia global, com retração de 2,1% no comércio mundial.

Prejuízo bilionário para Sul e Sudeste  
Em termos de impacto financeiro, os estados do Sudeste e do Sul serão os mais prejudicados. O estado de São Paulo, maior economia brasileira, deve liderar o prejuízo com as tarifas, com perdas estimadas em R$ 4,4 bilhões, representando uma queda de 0,13% no PIB. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações paulistas, com 19% de tudo que o estado exportou no ano. Além disso, 92,1% do que o estado vendeu ao país veio da indústria de transformação.

Ocupando o segundo lugar de estado com maior impacto com o tarifaço, com potencial de retração de R$ 1,917 bilhão no PIB está o Rio Grande do Sul. Os Estados Unidos são o terceiro maior destino de exportações gaúchas, representando 8,4% do total exportado. 

No caso do Paraná, os EUA também aparecem como o terceiro principal destino comercial. Em 2024, 6,8% do que o estado exportou teve como destino o mercado norte-americano, sendo 97,5% provenientes da indústria de transformação. O PIB paranaense pode perder R$ 1,914 bilhão com o tarifaço de Donald Trump.  

Em quinto lugar, Minas Gerais pode amargar perdas de R$ 1,6 bilhão (-0,15% no PIB). A participação da indústria nas exportações aos EUA foi de 66,1% em 2024. Os EUA são o 3º maior destino das vendas externas do estado. 

Amazonas e Pará também terão perdas bilionárias  
Puxado pela exportação do polo industrial de Manaus, o estado do Amazonas pode sofrer o sexto maior impacto em volume financeiro: R$ 1,1 bilhão, uma queda de 0,67% no PIB. A indústria respondeu por 96,1% das vendas aos EUA no ano passado. No caso do Pará, o impacto de novas tarifas pode chegar a R$ 973 milhões, uma queda de 0,28% no PIB. Apesar de os EUA corresponderem por 3,6% das exportações do estado, a indústria responde por 95,2% dos bens vendidos aos americanos. 

Menos dependentes, com impactos significativos  
No Centro-Oeste, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul acumulam prejuízos superiores a R$ 1,9 bilhão. Já no Nordeste, as perdas são menores, mas ainda relevantes: Bahia (R$ 404 milhões), Pernambuco (R$ 377 milhões) e Ceará (R$ 190 milhões) lideram na região.

Com informações da CNI

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Brics e dólar: aliado de Trump diz que tarifaço é “combinação de tudo”

Advogado Brian Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o presidente norte-americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”

Em entrevista à CNN Brasil, Brian Ballard, advogado próximo ao presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a imposição de tarifas contra as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto.

Questionado sobre os motivos da taxação, Ballard atribuiu a medida a uma série de fatores, incluindo o papel do Brasil no Brics, a proximidade do presidente Lula com o líder chinês, Xi Jinping, e os discursos que propõem o fim do domínio do dólar.

“O presidente [Trump] vê o governo brasileiro como não tão pró-Estados Unidos como já foi no passado e como deveria ser. Então, ele tem várias ferramentas que pode usar para tentar alcançar o que ele considera serem resultados mais justos”, disse Ballard.

Anteriormente, durante a Cúpula do Brics, sediada no Rio de Janeiro em 7 de julho, Lula defendeu a adoção de medidas para enfraquecer o uso do dólar no comércio internacional, como a utilização de moedas locais nas transações entre os países.

A proposta é amplamente defendida por alguns países do bloco, especialmente pela Rússia, que passou a ser alvo de sanções internacionais após a invasão na Ucrânia, e pela China.

Em 9 de julho, na carta endereçada ao presidente Lula e publicada por Trump na Truth Social, o republicano atribuiu a cobrança à postura do STF (Supremo Tribunal Federal) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além disso, ele disse que a relação comercial entre os países era “muito injusta” e marcada por desequilíbrios gerados por “políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil”.

Ballard recomendou que o governo brasileiro se esforce para falar diretamente com o líder americano e disse que “Trump é um negociador duro, mas é um negociador justo”.

“Eu faria tudo o que pudesse para falar diretamente com o presidente e sua equipe sênior, o secretário [do Comércio] Lutnick, o secretário do Tesouro, o representante comercial, todos eles […] como vocês viram em seu histórico, Trump adora conversar diretamente”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Após tarifaço dos EUA, madeireira catarinense anuncia férias coletivas

Após o anúncio de Donald Trump de que produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos serão taxados em 50%, as empresas exportadoras do Brasil buscam formas de adiar o impacto da medida.

Na cidade de Ipumirim, em Santa Catarina, uma empresa exportadora do setor madeireiro anunciou nesta terça-feira (29) que deu férias coletivas a quase 500 funcionários. A empresa fabrica molduras de madeira para o mercado externo – sendo 95% do total para os Estados Unidos.

A decisão de reduzir as operações foi motivada pela suspensão, na semana passada, dos contratos de exportação que ainda não haviam sido enviados aos portos.

Em comunicado ao mercado e aos colaboradores, o grupo diz que a medida “visa aguardar que ambos os governos cheguem a um acordo, permitindo que as atividades comerciais continuem fluindo”.

Com quase 500 colaboradores diretos, apenas um setor com 15 deve seguir trabalhando. 

Além de molduras, a empresa ainda atua na fabricação de paletes para o mercado interno e de portas de madeira e kits de portas prontas tanto para o Brasil quanto para o Uruguai e o Paraguai. Considerando toda a produção da empresa, o percentual de comércio com os Estados Unidos gira em torno de 50%.

Tarifas

Os EUA anunciaram que taxarão produtos de diversos países, sendo que o Brasil teve o maior índice anunciado: 50% sobre todas as exportações. 

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou na terça-feira que alguns produtos não cultivados no país, como café, manga e abacaxi, poderiam entrar nos Estados Unidos sem tarifa de importação, porém isenção depende de acordo entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

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Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

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