Comércio Exterior

Análise: Demora do governo acirra tensão do tarifaço

Analista de Política Clarissa Oliveira avaliou no Live CNN que a ausência de medidas de contingência para enfrentar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gera insegurança no empresariado e críticas ao governo federal

A ausência de um plano de contingência do governo para enfrentar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais tem gerado apreensão no setor produtivo. Em vigor deste a última quarta-feira (6), a taxa afeta diversos segmentos da economia, criando um cenário de incertezas para empresários e produtores. A análise é de Clarissa Oliveira no Live CNN.

Havia expectativas de que o governo apresentasse medidas na última semana. Entretanto, a falta de ações tem intensificado as tensões tanto no setor produtivo quanto no meio político, gerando críticas sobre a capacidade de resposta do governo diante de adversidades econômicas.

Impactos e possíveis medidas

As empresas afetadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump aguardam definições sobre possíveis linhas de crédito e outras formas de auxílio. Entre as medidas em discussão, cogita-se o aproveitamento de parte da produção excedente para programas governamentais, como o reforço de merendas escolares e parcerias com prefeituras.

Porém, o governo justifica que há cautela na elaboração do plano de contingência, citando a necessidade de não superdimensionar a ajuda e garantir mecanismos eficientes de controle. A preocupação com o impacto fiscal das medidas também é um fator relevante, considerando experiências anteriores com programas de auxílio que se expandiram além do planejado.

Perspectivas de negociação entre Brasil e EUA

Há expectativa em relação a uma reunião programada para a próxima semana entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

No entanto, as empresas têm um limite de tempo para aguardar definições antes de precisarem tomar medidas para conter prejuízos, o que pode impactar empregos e gerar insegurança no mercado brasileiro.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Em meio à polêmica do tarifaço, EUA ampliam superávit com o Brasil até junho

Saldo positivo americano foi de US$ 1,3 bi no mês e de US$ 4,5 bi no semestre; em junho, os EUA anunciaram um déficit global de US$ 60 bi, 16% mais baixo que o contabilizado em maio

O superávit comercial de US$ 1,3 bilhão que os Estados Unidos tiveram com o Brasil em junho foi o quinto mais alto individualmente entre os países com quem o país faz transações. A informação está nas planilhas que o Departamento de Comércio americano disponibilizou ao anunciar os dados da balança comercial do mês. No período, os EUA registraram um déficit global de US$ 60 bilhões, 16% mais baixo que o contabilizado em maio.

No mesmo mês de 2024, a relação comercial com o Brasil tinha sido favorável aos EUA em US$ 881 milhões.

Segundo os dados, os EUA exportaram US$ 4,9 bilhões para o Brasil em junho e importaram US$ 3,6 bilhões entre bens e serviços no mês. No acumulado do primeiro semestre, o superávit americano somou US$ 4,5 bilhões, ante US$ 2,8 bilhões no mesmo período do ano passado.

Os dados não estão com os devidos ajustes sazonais, por isso podem diferir dos anunciado pela brasileira Secex. Segundo as informações oficiais brasileiras, o déficit com os EUA ficou em US$ 590 milhões em junho e a conta negativa alcançou US$ 1,67 bilhão em seis meses.

Não houve detalhamento pelos EUA sobre produtos específicos relacionados aos países, mas as tabelas gerais não mostram mudanças significativas até aqui na comparação com os dados de 2024. Até junho, as importações de commodities agrícolas pelos EUA somaram US$ 114,5 bilhões este ano, ante US$ 105,8 bilhões no 1º semestre do ano passado.

Sobre alguns dos principais itens que o Brasil comercializa com os EUA, também não foram registrados recuos até aqui. As compras americanas globais de carnes cresceram de US$ 7,7 bilhões para US$ 9,6 bilhões na mesma comparação. As de peixes e pescados avançaram de US$ 12,1 bilhões para US$ 13,6 bilhões e as importações de frutas e vegetais como um todo passaram de US$ 28,6 bilhões para US$ 28,8 bilhões em um ano.

Mais uma vez, a China manteve a vantagem na relação comercial com os EUA. O Departamento anunciou um déficit de US$ 9,4 bilhões com o gigante asiático — o quinto maior entre todos os países e blocos –, mas destacou que a conta negativa foi US$ 4,6 bilhões menor entre maio e junho – provavelmente sob efeito da política comercial mais agressiva de Donald Trump.

Veja abaixo o ranking de superávits e de déficits comerciais dos EUA em junho:

Superávits em junho:

País/blocoValor (em US$)
HolandaUS$ 6,2 bilhões
América do Sul e CentralUS$ 4,4 bilhões
Reino UnidoUS$ 2,2 bilhões
AustráliaUS$ 1,6 bilhão
Hong KongUS$ 1,6 bilhão
BrasilUS$ 1,3 bilhão

Déficits em junho

País/blocoValor (em US$)
México-US$ 16,3 bilhões
Vietnã-US$16,2 bilhões
Taiwan-US$ 12,9 bilhões
União Europeia-US$ 9,5 bilhões
China-US$ 9,4 bilhões
Japão-US$ 5,7 bilhões
Coreia do Sul-US$5,5 bilhões
Irlanda-US$ 5,3 bilhões
Índia-US$ 5,3 bilhões
Alemanha-US$ 4,0 bilhões

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Tarifas mais altas de Trump atingem grandes parceiros comerciais dos EUA, gerando questionamentos e preocupação

As tarifas mais altas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de dezenas de países entraram em vigor nesta semana, elevando a tarifa média de importação dos Estados Unidos para o maior patamar em um século e deixando importantes parceiros comerciais, como a Suíça, o Brasil e a Índia, na busca apressada por acordos melhores.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA passou a cobrar as tarifas mais altas nesta quinta-feira — no caso do Brasil a taxação maior começou já na quarta-feira — após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

Os líderes do Brasil e da Índia prometeram não se intimidar com a posição de barganha de Trump, enquanto seus negociadores buscam um alívio dos níveis tarifários mais altos.

As novas tarifas testarão a estratégia de Trump para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem causar grandes interrupções nas cadeias de suprimentos globais ou provocar inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

“BILHÕES” EM RECEITA TARIFÁRIA

Depois de revelar suas tarifas do “Dia da Libertação” em abril, Trump modificou frequentemente seus planos, aplicando taxas muito mais altas sobre as importações de alguns países, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias, devido às compras de petróleo russo pela Índia.

“BILHÕES DE DÓLARES, EM GRANDE PARTE DE PAÍSES QUE TIVERAM VANTAGEM DOS ESTADOS UNIDOS POR MUITOS ANOS, RINDO O TEMPO TODO, COMEÇARÃO A ENTRAR NOS EUA”, disse Trump no Truth Social, pouco antes do prazo final da tarifa.

As tarifas são, em última instância, pagas pelas empresas que importam as mercadorias e repassadas total ou parcialmente aos consumidores dos produtos finais.

O principal negociador comercial de Trump, Jamieson Greer, disse que os EUA trabalham para reverter décadas de políticas que enfraqueceram a capacidade de produção e a força de trabalho dos EUA, e que muitos outros países compartilhavam preocupações sobre desequilíbrios macroeconômicos.

“As regras do comércio internacional não podem ser um pacto suicida”, escreveu ele em uma coluna publicada pelo New York Times.

“Ao impor tarifas para reequilibrar o déficit comercial e negociar reformas significativas que formam a base de um novo sistema internacional, os Estados Unidos demonstraram uma liderança ousada”, disse Greer.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, disse nesta quinta-feira que as conversações com os EUA continuariam depois que ela voltou para casa de mãos vazias de uma viagem de 11 horas a Washington com o objetivo de evitar a tarifa de importação dos EUA sobre os produtos suíços.

Uma tentativa de última hora da África do Sul de melhorar sua oferta em troca de uma tarifa mais baixa também fracassou. As equipes de negociação comercial dos dois países terão mais conversas, informou o gabinete do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

O Vietnã disse na quinta-feira que continuaria as negociações com os EUA, buscando reduzir ainda mais as tarifas, depois de negociar uma redução para 20% da tarifa de 46% que Trump impôs às importações do país do sudeste asiático em abril.

Enquanto isso, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à Reuters na quarta-feira que não se humilharia ao tentar fazer uma ligação telefônica com Trump, mesmo tendo afirmado que seu governo continuará as negociações em nível de gabinete para reduzir a tarifa de 50%.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi igualmente desafiador, dizendo que não comprometerá os interesses dos agricultores do país.

Também há sinais de que alguns países estão se unindo para enfrentar Trump. Lula ligou nesta quinta-feira para Modi e disse que também falará com o presidente da China, Xi Jinping, para discutir uma resposta conjunta do Brics às tarifas.

A Índia disse na quarta-feira que Modi visitará a China pela primeira vez em sete anos.

RECEITAS E PREÇOS MAIORES 

Os impostos de importação dos EUA são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trilha tarifária separada e enfrentará um possível aumento de imposto de importação dos EUA em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Trump tem elogiado um grande aumento na arrecadação proveniente da cobrança de impostos de importação, e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse à Fox Business Network nesta quinta-feira esperar que a receita das tarifas chegue a US$50 bilhões por mês.

A medida elevará a média das taxas tarifárias dos EUA para cerca de 20%, a mais alta em um século e bem acima dos 2,5% de quando Trump assumiu o cargo em janeiro, segundo estimativas do Instituto Atlantic.

Dados do Departamento de Comércio divulgados na semana passada mostraram mais evidências de que as tarifas estão elevando os preços dos EUA, enquanto os custos estão aumentando para as empresas.

Na quinta-feira, a Toyota disse esperar um impacto de quase US$10 bilhões das tarifas sobre os carros importados para os EUA e reduziu sua previsão de lucro para o ano inteiro em 16%.

Mas outras empresas japonesas, como a Sony e a Honda, disseram que agora esperam um impacto menor sobre os lucros, depois que o Japão fechou um acordo bilateral com Washington para reduzir as tarifas.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Governo deve anunciar medidas de apoio a empresas alvo das tarifas americanas

Diversificação de mercados; Encontro do PSD e outros destaques

O governador Jorginho Mello (PL) deve anunciar na próxima semana um pacote de medidas em apoio às empresas catarinenses que serão impactadas pelo tarifaço dos Estados Unidos. O aumento das tarifas afetará setores estratégicos, o que fez com que o governo montasse uma verdadeira força-tarefa com as principais secretarias da sua área econômica. 

A Federação das Indústrias (Fiesc) tem auxiliado na elaboração das propostas, trocando informações com o governo e mantendo contato com a Confederação Nacional da Indústria em busca de dados sobre os impactos. Um escritório de advocacia americano também está prestando informações sobre o cenário. A ideia principal é manter os empregos, pelo menos por um período, para evitar a queda da renda no Estado. As pessoas ouvidas pela coluna deixaram a impressão de que o conceito está pronto; o que falta são os números. 

A força-tarefa é composta por técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda, junto com as secretarias de Indústria, Comércio e Serviços; Planejamento; Agricultura; Articulação Internacional; Badesc, BRDE e a InvestSC. A proposta, que deve ser concluída até amanhã, contempla três frentes principais: 

Apoio financeiro e fiscal – A ideia é dar um alívio imediato para as empresas impactadas pela nova tarifação. Entre as propostas que serão apresentadas ao governador, está a criação de linhas de crédito emergenciais com prazos mais estendidos, carência e taxas reduzidas. A operação ficará por conta do Badesc e do BRDE. Também deve entrar no pacote a ampliação ou reestruturação de programas estaduais já existentes, focando nas empresas exportadoras. 

As empresas, caso os estudos apontem que é possível e Jorginho Mello aprove as propostas, poderão contar com incentivos fiscais temporários e mecanismos de diferimento de tributos. Ou seja, as empresas que compram insumos para exportação ou industrialização deixarão de pagar o ICMS por um período, o que, na opinião das fontes, aliviará o fluxo de caixa. Na prática, não se trata de uma isenção, mas de um retardo no recolhimento do imposto. A antecipação da devolução de crédito de ICMS também está na mesa de discussão. 

Diversificação de mercados

A Secretaria de Articulação Internacional e a InvestSC trabalharão para identificar novos mercados para os produtos catarinenses que ficarão represados por conta do aumento das tarifas dos EUA. “A ideia é promover ações de diplomacia comercial e inteligência de mercado para reorientar parte das exportações atingidas”, relatou uma fonte. 

Para atender às empresas e reduzir os impactos, está sendo feito um mapeamento e diagnóstico técnico para identificar quais serão diretamente impactadas. A ideia é construir um retrato dos prejuízos, permitindo que o pacote seja direcionado com mais precisão às reais necessidades de quem for atingido. 

O que pode atrasar um pouco o anúncio é o fato de que o governo ainda não sabe quais produtos foram excluídos da taxação. A grande preocupação, por exemplo, é com a madeira, que representa um percentual muito grande no volume de exportações. O formato do plano dependerá dos possíveis prejuízos que esse setor, em específico, terá. 

Complementação 

Outro ponto importante é que o Governo do Estado pretende realizar ações que complementem as que serão realizadas pelo Governo Federal. Porém, há uma ideia de que, se não houver um anúncio de Brasília a curto prazo, o plano para Santa Catarina será colocado em prática e revisto quando houver alguma iniciativa federal. 

Balanço da missão 

O senador Esperidião Amin (Progressistas) participou ontem de audiência com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), para apresentar um balanço da missão oficial de senadores aos Estados Unidos, liderada por Nelsinho Trad (PSD). O encontro tratou das tensões comerciais entre os dois países, agravadas pela compra de petróleo russo pelo Brasil.

Segundo Amin, parlamentares democratas e republicanos sinalizaram a aprovação de uma lei, entre agosto e setembro, que poderá punir países que mantêm relações comerciais com a Rússia. O Brasil, que importa óleo diesel e defensivos agrícolas russos, pode ser diretamente afetado. 

Impacto 

De acordo com o senador Esperidião Amin (Progressistas), a possível lei americana que poderá punir com mais taxas países que compram, principalmente, petróleo russo, poderá afetar fortemente Santa Catarina. 

“Isso é muito grave. Óleo diesel é vital para a nossa economia, assim como os defensivos para a competitividade do agro”, alertou Amin. O senador também demonstrou preocupação com as exportações de Santa Catarina, como madeira, pescado, compressores e motores elétricos, que ainda enfrentam barreiras tarifárias. 

Selecionando a imprensa? 

Uma novidade na comunicação do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), como presidente da Fecam. Em agenda hoje, no Oeste, para a chamada “Rota Municipalista”, ele estará em Chapecó para se reunir com os prefeitos dos municípios da região da Amosc, em encontro que terá início às 08h30. Procurada por veículos interessados em uma entrevista com Topázio, a assessoria pediu foto dos jornalistas que farão a entrevista, uma biografia e, pasmem, o posicionamento político. Nem em cobertura presidencial se pede o posicionamento político do jornalista, que é algo irrelevante. Um verdadeiro ataque ao jornalismo livre. 

Encontro do PSD 

O PSD realizará na próxima segunda-feira (11), no Expocentro de Balneário Camboriú, mais um Encontro Estadual do partido. Entre as presenças confirmadas, o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia; o prefeito de Chapecó e pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues; e o governador do Paraná e pré-candidato à Presidência da República, Ratinho Júnior. O início está marcado para as 19h30 e terá como anfitriã a prefeita Juliana Pavan. Deputados estaduais e federais, além de prefeitos e vereadores, também são esperados. Entre os temas da pauta, estão o bem-estar animal, políticas públicas para as mulheres e o fortalecimento da família. “O PSD está ampliando sua presença e relevância em temas que fazem diferença na vida dos catarinenses”, afirmou o presidente estadual, Eron Giordani. 

Alesc Itinerante 

A forte presença de representantes da sociedade civil, prefeitos, vereadores e entidades foi um dos pontos altos da edição do programa Alesc Itinerante, realizada nesta semana em Mafra. O presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), destacou o envolvimento da população como essencial para o sucesso da iniciativa. “Foram quase 100 vereadores, uma dezena de prefeitos, diversas entidades. Tivemos também o acompanhamento da juventude, com a presença das câmaras mirins”, comentou, mencionando a participação de jovens parlamentares de Mafra, São Bento do Sul e Itaiópolis. Segundo Garcia, o objetivo é justamente aproximar o Legislativo da sociedade. “O que tem de mais importante nessa aproximação é a participação da sociedade, como vimos aqui em Mafra”, concluiu. 

Quinto 

A advogada Giane Bello oficializou sua candidatura ao Quinto Constitucional da OAB, para disputar uma vaga no Tribunal de Justiça. Com quase 30 anos de atuação, Giane destacou o compromisso com a transparência e com o diálogo igualitário entre os profissionais. “Coloco meu nome à disposição com o propósito de servir e bem representar a classe junto ao Poder Judiciário”, afirmou.

A advogada foi diretora da Caixa de Assistência dos Advogados e conselheira estadual, com atuação na reformulação da tabela de honorários e em ações de proteção à advocacia. Após sofrer agressão no exercício da profissão, foi uma das responsáveis pela elaboração do projeto de lei que tramita no Senado e propõe medidas de proteção para advogados.

Fonte: Guararema News

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Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifaço de 50% dos EUA ameaça um mercado de US$ 3,7 bilhões no Brasil

Os produtos florestais lideram as exportações para os EUA. Desses, cerca de US$ 1,7 bilhão vem dos estados do Sul. Só no Paraná, cerca de 40 mil empregos estão ameaçados

A decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros impacta diretamente o setor de base florestal, com efeitos severos sobre os estados da Região Sul, em especial o Paraná — maior produtor brasileiro de madeira de pinus.

A nova tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira, 6, e incide sobre itens como madeira serrada, painéis, portas, móveis e molduras produzidos de florestas plantadas de pinus e eucalipto. Segundo dados do setor, os produtos florestais lideram as exportações do agronegócio para os Estados Unidos, somando US$ 3,7 bilhões por ano — dos quais cerca de US$ 1,7 bilhão é originado da Região Sul.

“É uma notícia muito ruim. Justamente no que o Paraná é bom, onde se destaca, vamos ser taxados de forma muito forte e veemente”, afirma Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas). O executivo também alerta para o risco de fechamento de postos de trabalho e paralisação de operações em larga escala.

“Só no Paraná cerca de 40 mil empregos estão ameaçados”, afirma o presidente.

Dependência crítica do mercado americano

A dependência do setor florestal brasileiro em relação ao mercado americano é evidente. No caso das molduras produzidas no Paraná, 98% das exportações — o equivalente a US$ 102 milhões entre janeiro e junho de 2025 — têm como destino os EUA. O mesmo ocorre com as portas de madeira: 96% da receita (US$ 34 milhões de um total de US$ 35 milhões) vem do país.

Em produtos como compensados de pinus e madeira serrada, a dependência é um pouco menor, mas ainda significativa: 33% das exportações desses itens são destinadas aos Estados Unidos.

Impacto imediato: retração e férias coletivas

Antes mesmo da publicação oficial da medida, empresas do setor já haviam adotado estratégias para conter os impactos: suspenderam os envios aos Estados Unidos, reduziram estoques e implementaram férias coletivas para evitar demissões.

“A exportação para os Estados Unidos representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho de médio prazo e, muitas vezes, exige redução de preços”, afirma Brun.

Uma das empresas que adotaram férias coletivas foi a Braspine, empresa do Paraná que fabrica molduras de madeira, que decidiu no começo do mês adotar férias coletivas de 30 dias para 1,5 mil funcionários nas unidades de Jaguariaíva e Telemaco Borba .

“Essa turma de funcionários é toda da operação e será dividida em dois grupos, um deles sai de férias, e depois o outro sai. A ideia é manter as unidades em operação porque temos compromissos com os nossos clientes”, diz a fonte da empresa.

Celulose escapa da tarifa

Alguns produtos importantes para o setor ficaram de fora da nova tarifa. Entre eles, a celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica e a celulose feita de papel reciclado ou bambu — insumos não produzidos nos EUA e utilizados na fabricação de itens como papel higiênico e guardanapos.

Também escapou o ferro-gusa produzido com carvão vegetal, que integra a cadeia das florestas plantadas e substitui insumos de origem fóssil.

Setor florestal: motor do agro e da economia do Sul

O setor de base florestal é um dos líderes das exportações do agronegócio, como tem forte capilaridade no interior do país, especialmente no Sul. O Paraná concentra metade da produção nacional de pinus e é responsável por 15% dos empregos diretos no setor florestal.

“Estamos falando de uma cadeia produtiva bem diversificada. Além da atividade econômica, essas indústrias mantêm projetos sociais e de saúde. Ou seja, a área social também poderá ser bastante afetada com essa retração”, afirma o presidente da APRE.

Contradição com os compromissos climáticos

A medida é vista com perplexidade pelo setor, especialmente por ocorrer em um momento em que as florestas plantadas ganham destaque global como solução sustentável para o enfrentamento das mudanças climáticas. A madeira proveniente dessas florestas é considerada renovável e menos intensiva em carbono.

“O setor de base florestal plantado é hoje um dos pilares da sustentabilidade global. É difícil entender por que estamos sendo penalizados dessa forma, em um movimento que não tem base técnica, comercial ou regulatória, mas sim política”, critica Brun.

Setor pede por apoio emergencial

Nos próximos dias, a associação deve apresentar ao governo do Paraná uma série de pleitos, incluindo:

  • Liberação de linhas de financiamento subsidiadas via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) para pagamento da folha de funcionários;
  • Antecipação dos créditos de ICMS para exportadores de madeira;
  • Criação de programas estaduais de incentivo ao uso da madeira.

A expectativa, segundo o CEO da APRE Florestas, é que o governo estadual e o federal atuem com urgência para proteger essa cadeia do agronegócio. “Precisamos garantir empregos, renda e competitividade em meio à crise gerada pela tarifa dos EUA”.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA atinge 77,8% das exportações brasileiras, diz CNI

Nesse universo, segundo a Confederação Nacional da Indústria, 45,8% dos produtos estão submetidos a tarifas de 40% ou 50%

Dados da CNI mostram que o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil vai impactar 77,8% da pauta produtos exportados por empresas nacionais ao mercado norte-americano.

“No total, 77,8% da pauta exportadora está sujeita a alguma taxação adicional, considerando as ordens executivas que instituíram as tarifas de 10%, de 40% e a Seção 232 do Trade Expansion Act, de 25% e 50%, aplicadas exclusivamente a produtos de aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Mais da metade das exportações enfrentarão sobretaxas de 50%”, diz a CNI.

O levantamento baseia-se em dados da United States International Trade Commission, com análise no nível de dez dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais.

É importante destacar que cada medida comercial tem a própria lista de cobertura e isenções, o que significa que produtos livres de uma tarifa adicional podem estar submetidos à outra.

O cruzamento mostra que dos 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil.

“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

Os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou 17,5 bilhões de dólares.

Principal segmento exportador ao mercado americano, a indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram 12,3 bilhões de dólares em 2024.

Os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% seriam: Vestuário e acessórios (14,6%), Máquinas e equipamentos (11,2%), Produtos têxteis (10,4%), Alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).

Os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%.

Combinados, esses blocos da pauta exportadora representam 50,7% das exportações brasileiras aos americanos.

Fonte: Veja

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Comércio Exterior

Trump separa tarifas globais em 4 grupos de países; veja quais

Em comunicação confusa, o governo dos Estados Unidos separa países entre tarifas impostas, negociadas e “presenteadas” com a alíquota mais baixa, enquanto deixa apenas dois países em negociação

As tarifas comerciais de Donald Trump entram em vigor para mais de 90 países nesta quinta-feira (7), uma semana após uma atualização completa das confusas “tarifas recíprocas”. Quase ninguém escapou, nem mesmo aliados históricos, com percentuais que variam de 10% a 50%.

O Brasil aparece entre os países mais impactados: embora a tarifa recíproca seja de 10%, Trump impôs uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. A alíquota total de 50%, que entrou em vigor na última quarta-feira (6), é a mais alta do mundo junto, mas poderá ser igualada à da Índia, que tem até 27 de agosto para evitar elevação por ter relação comercial com a Rússia.

Na lista de tarifas impostas, destacam-se ainda países como Suíça (39%), que tentou, mas não conseguiu negociar um valor mais baixo; Canadá (35%) e os que compõem a União Europeia (15%).

Já países como Vietnã (20%), Indonésia (19%) e Filipinas (19%) estavam sujeitos a tarifas ainda maiores, mas conseguiram negociar alíquotas menores.

No outro extremo, Argentina, Arábia Saudita, Colômbia, Austrália e dezenas de países permanecem com a tarifa base de 10%, considerada benéfica em comparação às alíquotas impostas a outras nações.

Outros poucos permanecem na mesa de negociação com os EUA, caso de México (25%) e China (30%), que tiveram a entrada em vigor adiada e, portanto, ainda podem ter seus percentuais ajustados.

As mudanças refletem uma combinação de critérios que vão do comercial ao político. No caso brasileiro, segundo a Casa Branca, a medida é uma resposta a supostas “violações à liberdade de expressão” e “perseguição política” no país. Por outro lado, o Brasil tem a maior lista de exceções, com Washington poupando 694 itens, atenuando o impacto sobre o PIB.

Confira a seguir um resumo da situação de cada país no momento:

1. Países que sofreram imposição de tarifas

PaísTarifa recíproca (%)Tarifa total (%)
Brasil1050
Índia2550 (em 27/08)
Síria4141
Laos4040
Mianmar4040
Suíça3939
Canadá35
Iraque3535
Sérvia3535
África do Sul3030
Argélia3030
Líbia3030
Bósnia e Herzegovina3030
Cazaquistão2525
Tunísia2525
Brunei2525
Moldávia2525
Taiwan2020
Bangladesh2020
Sri Lanka2020
Tailândia1919
Malásia1919
Camboja1919
Paquistão1919
Nicarágua1818
Israel1515
Turquia1515
Costa Rica1515
Equador1515
Noruega1515
Venezuela1515
Nigéria1515
Nova Zelândia1515
Guiana1515
Jordânia1515
Trinidad e Tobago1515
Angola1515
Gana1515
Islândia1515
Costa do Marfim1515
Madagascar1515
Bolívia1515
Botsuana1515
República Democrática do Congo1515
Namíbia1515
Fiji1515
Camarões1515
Liechtenstein1515
Lesoto1515
Maurício1515
Moçambique1515
Macedônia do Norte1515
Zâmbia1515
Uganda1515
Guiné Equatorial1515
Chade1515
Papua-Nova Guiné1515
Zimbábue1515
Malawi1515
Afeganistão1515
Vanuatu1515
Nauru1515

2. Países que negociaram tarifas

PaísTarifa recíproca total (%)
Vietnã20
Indonésia19
Filipinas19
Alemanha15
Japão15
Coreia do Sul15
Irlanda15
Itália15
França15
Países Baixos15
Bélgica15
Espanha15
Suécia15
Áustria15
Polônia15
Hungria15
Dinamarca15
Eslováquia15
Finlândia15
Tchéquia15
Portugal15
Eslovênia15
Romênia15
Grécia15
Lituânia15
Bulgária15
Estônia15
Croácia15
Luxemburgo15
Letônia15
Malta15
Chipre15
Reino Unido10

3. Países que ficaram com a tarifa base

PaísTarifa total (%)
Albânia10
Andorra10
Antígua e Barbuda10
Arábia Saudita10
Argentina10
Armênia10
Austrália10
Azerbaijão10
Bahamas10
Bahrein10
Barbados10
Belize10
Benim10
Bielorrússia10
Burkina Faso10
Burundi10
Butão10
Cabo Verde10
Catar10
Chile10
Cingapura10
Colômbia10
Comores10
Coreia do Norte10
Cuba10
Djibuti10
Dominica10
Egito10
El Salvador10
Emirados Árabes Unidos10
Eritreia10
Essuatíni10
Etiópia10
Gabão10
Gâmbia10
Geórgia10
Granada10
Guatemala10
Guiné10
Guiné-Bissau10
Haiti10
Honduras10
Iêmen10
Ilhas Marshall10
Ilhas Salomão10
Irã10
Jamaica10
Kiribati10
Kosovo10
Kuwait10
Líbano10
Libéria10
Maldivas10
Mali10
Marrocos10
Mauritânia10
Micronésia10
Mônaco10
Mongólia10
Montenegro10
Nepal10
Níger10
Omã10
Palau10
Panamá10
Paraguai10
Peru10
Quênia10
Quirguistão10
República Centro-Africana10
República do Congo10
República Dominicana10
Ruanda10
Rússia10
Samoa10
San Marino10
Santa Lúcia10
São Cristóvão e Nevis10
São Tomé e Príncipe10
São Vicente e Granadinas10
Senegal10
Serra Leoa10
Somália10
Sudão10
Sudão do Sul10
Suriname10
Tajiquistão10
Tanzânia10
Timor-Leste10
Togo10
Tonga10
Turcomenistão10
Tuvalu10
Ucrânia10
Uruguai10
Uzbequistão10

4. Países que ainda negociam tarifas

PaísTarifa recíproca provisória (%)
México25
China30

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

EUA: Tarifas mais altas de Trump atingem produtos dos principais parceiros comerciais

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos

As tarifas mais altas de 10% a 50% impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos entraram em vigor, testando sua estratégia para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem grandes interrupções nas cadeias globais de oferta, inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA começou a cobrar as tarifas mais altas após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

As mercadorias carregadas em navios com destino aos EUA e em trânsito antes do prazo final podem entrar com tarifas anteriores mais baixas antes de 5 de outubro, de acordo com um aviso da agência para os expedidores emitido esta semana. As importações de muitos países estavam anteriormente sujeitas a uma tarifa básica de importação de 10% depois que Trump suspendeu as tarifas mais altas anunciadas em abril.

Mas, desde então, Trump modificou frequentemente seu plano tarifário, aplicando a alguns países taxas muito mais altas, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias devido às compras de petróleo russo pelo país do sul da Ásia.

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos.

“A ÚNICA COISA QUE PODE IMPEDIR A GRANDEZA DA AMÉRICA SERIA UMA CORTE DE ESQUERDA RADICAL QUE QUER VER NOSSO PAÍS FRACASSAR!”, disse Trump no Truth Social.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A ordem de Trump especificou que qualquer mercadoria que tenha sido transbordada de um terceiro país para escapar das tarifas mais altas dos EUA estará sujeita a uma tarifa de importação adicional de 40%, mas seu governo divulgou poucos detalhes sobre como essas mercadorias serão identificadas ou como a disposição será aplicada.

O decreto tarifário de Trump de 31 de julho impôs tarifas acima de 10% a 67 parceiros comerciais, enquanto a taxa foi mantida em 10% para aqueles que não estão listados.

Esses impostos de importação são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trajetória separada e enfrentará um possível aumento de tarifas em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Fonte: InfoMoney

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