Exportação

Tarifaço dos EUA: exportadoras de SC terão pacote de apoio de até R$ 186 milhões

As empresas exportadoras de Santa Catarina mais afetadas pelo novo tarifaço dos Estados Unidos terão acesso a um pacote emergencial de apoio financeiro e tributário do Governo do Estado. As medidas serão aplicadas durante três meses e têm como principal objetivo preservar cerca de 43 mil empregos diretos nas cadeias produtivas atingidas.

A proposta foi construída com apoio técnico da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), que forneceu dados para identificar os negócios mais expostos à elevação das tarifas norte-americanas.

Segundo o Governo de Santa Catarina, o conjunto de medidas poderá representar até R$ 186 milhões em apoio às empresas afetadas. Os dados e critérios utilizados na elaboração do pacote constam em nota técnica da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC).

“A FIESC reconhece os esforços do governo estadual para minimizar o impacto na geração de emprego e renda ao longo das cadeias produtivas das empresas exportadoras diretamente atingidas, dentro do que é legalmente e tecnicamente possível”, afirmou o presidente da entidade, Gilberto Seleme.

Como funciona o pacote para exportadoras de SC

O programa estadual foi estruturado em duas medidas principais, ambas voltadas às empresas que apresentam maior exposição ao tarifaço dos EUA.

A primeira prevê a liberação de créditos de ICMS provenientes das exportações, com potencial de alcançar R$ 126 milhões ao longo de três meses. Poderão ser beneficiadas empresas que tenham pelo menos 5% do faturamento anual comprometido pela alta das tarifas.

A segunda medida estabelece o adiamento do pagamento de ICMS por 60 dias, também durante três meses. Conforme estimativas da Fazenda estadual, o diferimento poderá alcançar até R$ 60 milhões em impostos.

Ao todo, 132 empresas catarinenses estão enquadradas nos níveis de exposição considerados “gerenciável”, “relevante”, “alto” e “crítico”, indicando maior risco de perda de competitividade no mercado internacional.

O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, participou das análises que ajudaram a identificar os negócios mais vulneráveis. De acordo com ele, a classificação leva principalmente em conta a proporção das exportações afetadas pelas tarifas em relação ao faturamento total de cada empresa.

Quanto maior for a participação das vendas sujeitas à nova cobrança, maior é o grau de risco atribuído ao negócio.

Além das medidas já anunciadas, a Fazenda de Santa Catarina avalia a possibilidade jurídica e econômica de permitir o diferimento do ICMS sobre a compra de insumos e energia elétrica utilizados na industrialização.

Quais empresas catarinenses são mais afetadas pelo tarifaço

O levantamento realizado pelo grupo de trabalho coordenado pela Secretaria da Fazenda indica que os efeitos da nova tarifa norte-americana são significativos, mas estão concentrados em determinados segmentos da pauta de exportações de Santa Catarina.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, empresas catarinenses venderam aproximadamente R$ 6,3 bilhões em produtos para os Estados Unidos. Desse montante, cerca de R$ 3,8 bilhões — aproximadamente 60% — correspondem a mercadorias potencialmente atingidas pela nova tarifa de 25% específica para o Brasil.

Dos R$ 2,5 bilhões que não estão sujeitos à nova cobrança, 33% estão submetidos à Seção 232, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para aplicar restrições comerciais globais sob justificativa de segurança nacional. Outros 7% foram excluídos expressamente da tarifa.

Apesar do impacto sobre parte relevante das exportações, a exposição não é igual entre as empresas. Das exportadoras abrangidas pela nova tarifa, 509 companhias, quase 80% do total, tiveram menos de 5% do faturamento afetado.

Por esse motivo, a maior parte das empresas foi classificada nos níveis de exposição “baixo” ou “gerenciável”.

Entenda como funciona a tarifa dos Estados Unidos

A cobrança sobre os produtos brasileiros não representa, de forma geral, uma tarifa única de 37,5%. O percentual é resultado da combinação de diferentes medidas comerciais.

São 25% de tarifa específica aplicada ao Brasil, por meio da Seção 301, além de uma alíquota global de 12,5% destinada a mais de 40 países.

Regras específicas para determinados produtos e exceções fazem com que a carga efetiva varie de acordo com a mercadoria. Dessa forma, o impacto sobre as exportações de Santa Catarina para os EUA não é uniforme entre os setores.

Empresas buscam diversificar mercados

A análise da Secretaria da Fazenda também aponta que parte das empresas catarinenses passou a buscar novos destinos para seus produtos depois da primeira rodada de tarifas.

Um dos sinais desse movimento foi o crescimento de 4,4% das exportações de Santa Catarina em 2025, mesmo diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A FIESC também vem incentivando a abertura de novos mercados por meio de eventos e iniciativas voltadas à ampliação das relações comerciais internacionais.

“A FIESC tem sido um parceiro das exportadoras nesse sentido, promovendo eventos para ampliar relações comerciais com outros países, tendo em vista os recentes acordos comerciais firmados pelo Mercosul”, destacou Gilberto Seleme.

Setor madeireiro lidera impacto em Santa Catarina

Entre os segmentos da indústria catarinense, o setor de madeira e derivados, incluindo a fabricação de móveis, aparece como o mais exposto às novas tarifas. Quase 40% das exportações do segmento para os Estados Unidos são potencialmente afetadas.

Na sequência estão os fabricantes de motores elétricos e transformadores, com 29,1% das exportações destinadas ao mercado norte-americano sujeitas ao impacto.

Em terceiro lugar aparecem os fabricantes de blocos de motor, compressores e bombas, segmento que representa 11,8% das exportações catarinenses para os Estados Unidos.

Santa Catarina já havia criado pacote de apoio

Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda, Santa Catarina é o único Estado brasileiro a ter criado pacotes específicos de apoio às empresas afetadas pelas tarifas norte-americanas nas duas ocasiões.

A primeira iniciativa foi anunciada em agosto de 2025, quando o Governo do Estado adotou medidas emergenciais tributárias e financeiras para apoiar a indústria.

Na ocasião, o pacote de auxílio alcançou aproximadamente R$ 435 milhões.

Com a nova rodada de medidas, o Estado pretende reduzir os efeitos do tarifaço dos EUA sobre a indústria catarinense, preservar empregos e dar maior capacidade financeira às empresas que enfrentam aumento dos custos para acessar o mercado norte-americano.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dami Radin

Ler Mais
Portos

Assoreamento ameaça operações do complexo portuário Itajaí-Navegantes

O avanço do assoreamento do Rio Itajaí-Açu vem comprometendo as condições de navegação no complexo portuário Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina. O alerta é do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), que aponta agravamento do problema desde novembro de 2025.

Naquele período, a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí (DelItajaí), vinculada à Marinha do Brasil, já havia chamado atenção para a necessidade de atualização da batimetria, levantamento utilizado para medir a profundidade do canal.

Segundo o Centronave, a situação passou a afetar diretamente a capacidade dos navios e a movimentação de cargas no complexo.

Restrições de calado reduzem capacidade dos navios

O diretor-executivo do Centronave, Fábio Lavor, afirma que a dragagem de manutenção chegou a ser interrompida em 15 de fevereiro de 2026. Embora o serviço tenha sido retomado posteriormente de maneira pontual, os resultados não teriam sido suficientes para recuperar as condições necessárias de navegação.

Desde então, foram determinadas reduções sucessivas na folga abaixo da quilha, medida de segurança que representa a distância entre a parte inferior do navio e o fundo do canal.

Em abril, a redução foi de 30 centímetros. Em agosto, outros 50 centímetros foram acrescentados, totalizando atualmente uma restrição de 80 centímetros na bacia de evolução.

Na prática, os navios precisam operar com menor calado e, consequentemente, deixam de utilizar toda a capacidade disponível para transporte de cargas.

Menor calado afeta exportação de cargas refrigeradas

De acordo com Lavor, cada centímetro de redução do calado representa, aproximadamente, quatro contêineres refrigerados a menos embarcados.

Em uma ocorrência recente citada pelo executivo, uma embarcação precisou reduzir o calado de 12,70 metros para 12,50 metros. A mudança fez com que aproximadamente 2,4 mil toneladas de carga refrigerada destinada à exportação permanecessem no cais.

A limitação também pode provocar omissões de escala, aumento dos custos de frete e necessidade de transferência de cargas para outros portos.

Assoreamento pode reduzir movimentação de cargas em 30%

Entidades empresariais alertam que, caso as restrições de calado continuem, a movimentação de cargas do complexo Itajaí-Navegantes poderá sofrer uma redução de até 30%.

Em manifesto conjunto enviado à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), responsável pela gestão do Porto de Itajaí, e à Superintendência do Porto de Itajaí, as entidades pediram uma dragagem emergencial do canal de acesso.

O Centronave avalia que os efeitos vão além da carga que deixa de ser embarcada. A menor capacidade dos navios pode gerar aumento de custos logísticos, sobrecarga de outros terminais e utilização de portos alternativos.

Para o setor, o resultado é uma perda de eficiência que pode elevar o custo do comércio exterior e prejudicar a competitividade das exportações brasileiras.

Problema de assoreamento é considerado recorrente

A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) também considera preocupante a situação. Segundo a diretora-executiva da entidade, Gabriela Costa, episódios de restrição no canal vêm ocorrendo ao longo dos últimos anos.

A entidade defende uma solução estrutural para o problema, com acompanhamento permanente das condições de navegação e manutenção da infraestrutura.

A avaliação é de que a previsibilidade operacional é essencial para um complexo portuário estratégico para a economia catarinense e para o comércio exterior.

Dragagem emergencial é iniciada no Porto de Itajaí

A Superintendência do Porto de Itajaí informou que recebeu a draga hopper Utrecht para realizar a retirada dos sedimentos acumulados no canal.

A previsão é de que a dragagem do canal de acesso dure entre sete e dez dias. O prazo, porém, poderá sofrer alterações conforme as condições hidrológicas e meteorológicas e o volume efetivamente retirado.

Após a conclusão do serviço, deverão ser realizados novos levantamentos hidrográficos para verificar os resultados e avaliar possíveis mudanças nos parâmetros operacionais.

A SPI ressalta que a recuperação completa das profundidades somente poderá ser confirmada após a conclusão da dragagem e a validação das novas medições de profundidade.

Porto afirma que canal continua navegável

A Superintendência do Porto de Itajaí informou que o canal de acesso permanece navegável e que as operações seguem os parâmetros de segurança definidos pela Autoridade Marítima.

De acordo com a administração, as atuais restrições de calado estão relacionadas às condições hidrológicas e aos efeitos do El Niño, que teriam contribuído para o aumento da vazão do Rio Itajaí-Açu e do volume de sedimentos transportados.

A SPI também afirmou que os canais e as bacias de evolução estão dentro das metas de profundidade. A dificuldade para atualizar a batimetria estaria relacionada à elevada concentração de materiais em suspensão na água.

Reconstrução do Molhe Sul não elimina gargalo

Outra obra prevista para a região é a reconstrução e recuperação do Molhe Sul, localizado na foz do Rio Itajaí-Açu, próximo à Praia da Atalaia.

A Codeba prevê realizar a licitação do projeto em 3 de setembro. Para o Centronave, entretanto, a intervenção é importante, mas não resolve isoladamente o problema que atualmente limita a capacidade operacional do complexo.

Com base em um estudo técnico apresentado à Codeba em julho, a entidade aponta o canal externo como o principal gargalo do sistema de navegação.

Concessão do canal pode avançar ainda em 2026

Paralelamente às medidas emergenciais, o governo federal trabalha na concessão do canal de navegação do Porto de Itajaí à iniciativa privada.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) informou que o edital poderá ser publicado ainda em 2026. O processo está em fase final de análise técnica e jurídica na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e deve ser levado à diretoria colegiada da agência em setembro.

A decisão da diretoria será uma das etapas que antecedem a publicação do edital. O ministério também informou que a expectativa é realizar o leilão ainda neste ano, desde que sejam cumpridos os procedimentos técnicos, regulatórios e processuais necessários.

A proposta faz parte da política federal de concessão de canais de acesso portuário, modelo que teve como primeiro exemplo o canal do Porto de Paranaguá.

Concessão prevê investimentos contínuos em dragagem

Segundo o MPor, o modelo de concessão busca aumentar a previsibilidade da manutenção da infraestrutura aquaviária e melhorar a segurança da navegação.

Entre os objetivos estão a garantia de investimentos contínuos em dragagem, sinalização náutica, monitoramento do tráfego de embarcações e gestão do acesso aquaviário.

A Antaq informou que atualmente analisa a conformidade jurídica, a consistência técnica e a adequação do projeto às normas regulatórias.

A agência também esclareceu que o processo não precisará retornar ao MPor para uma nova análise, pois o ministério já autorizou a continuidade da tramitação após as revisões dos estudos e a deliberação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Enquanto as medidas estruturais avançam, o setor portuário defende uma resposta imediata para recuperar as profundidades do canal e evitar que o assoreamento em Itajaí provoque impactos ainda maiores sobre a movimentação de cargas e os custos do comércio exterior.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto de Itajaí/ Divulgação

Ler Mais
Comércio Exterior

China muda hábitos alimentares e abre oportunidades para a indústria de alimentos de SC

As mudanças nos hábitos alimentares da China e a estratégia do país para aumentar a produção doméstica de alimentos devem entrar no radar da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC mostra que fatores como urbanização, industrialização e crescimento da renda estão alterando o perfil de consumo chinês, com possíveis reflexos sobre as exportações de Santa Catarina para a China.

A análise foi apresentada nesta terça-feira (25), durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC.

Mudanças no consumo chinês exigem atenção de SC

Para Rosimeri Francener, presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, acompanhar a transformação do mercado chinês é essencial para antecipar movimentos capazes de afetar a economia catarinense.

Segundo ela, a indústria atravessa uma transformação significativa nos padrões globais de produção e consumo e precisa se preparar para continuar competitiva diante dessas mudanças.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, explica que a China vem adotando medidas para ampliar a produção nacional de alimentos e incorporar mais tecnologia à indústria do setor.

Entre os objetivos estabelecidos nos planos quinquenais está o aumento da produção de grãos, que deverá passar de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030.

Autossuficiência chinesa pode pressionar exportações

Embora tenha uma produção agrícola de grande escala, a China ainda depende do mercado externo em determinadas cadeias, como a soja. Em segmentos importantes para Santa Catarina, porém, o nível de produção doméstica é elevado.

No caso do frango, a autossuficiência chinesa chega a 98%. Para a carne suína, o índice é de 97%. Os dois produtos estão entre os principais itens da pauta exportadora catarinense destinada ao mercado chinês.

Os dados do Observatório FIESC mostram uma diferença importante no desempenho das exportações. Enquanto as vendas brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% na série histórica considerada, as exportações catarinenses registraram queda de 34%.

Carne suína mostra impacto da recuperação chinesa

A trajetória da carne suína catarinense ajuda a explicar os efeitos da mudança no mercado chinês.

Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência da China caiu de 97% para 89% em 2020. A redução da produção doméstica abriu espaço para fornecedores estrangeiros e impulsionou as vendas de Santa Catarina.

Em 2021, o Estado chegou a exportar US$ 758 milhões em carne suína para a China. Com a recuperação da produção chinesa nos anos seguintes, porém, Santa Catarina perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

O cenário demonstra como a dependência de poucos produtos e de um único grande mercado pode aumentar a exposição da indústria às mudanças na oferta e na demanda internacional.

Diversificação pode ampliar espaço para SC na China

O estudo do Observatório FIESC aponta que Santa Catarina possui alternativas para diversificar as exportações de alimentos destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos catarinenses que já são produzidos e exportados e apresentam potencial de crescimento estão:

  • Pescados e crustáceos;
  • Preparações alimentícias;
  • Miudezas comestíveis;
  • Farinha de carne;
  • Produtos para alimentação animal;
  • Leite em pó.

A estratégia pode incluir ainda o avanço de produtos com maior valor agregado. A mudança no perfil de consumo dos chineses cria espaço para alimentos processados, segmento no qual a indústria catarinense possui capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor.

Condição sanitária é diferencial competitivo

Além da capacidade industrial, Santa Catarina conta com um diferencial importante para ampliar sua presença no mercado asiático: a condição sanitária do Estado.

De acordo com Tamires Costa, esse fator pode contribuir para aumentar a competitividade dos produtos catarinenses e facilitar a conquista de novos espaços no mercado chinês de alimentos.

A expansão, entretanto, depende de uma estratégia que acompanhe de perto as políticas de autossuficiência alimentar da China e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Indústria catarinense precisa reduzir concentração

Para o setor produtivo de Santa Catarina, o principal desafio é diminuir a dependência de um grupo restrito de produtos e ampliar a variedade de itens exportados.

Isso envolve diversificar a pauta, investir em produtos de maior valor agregado e prospectar novos destinos internacionais. A estratégia pode reduzir a vulnerabilidade da indústria catarinense às oscilações de demanda provocadas pelas mudanças no mercado chinês.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Notícias

Governo Federal articula força-tarefa em Santa Catarina para resposta rápida aos impactos do El Niño

Reunião no Porto de Itajaí mobilizou representantes de órgãos federais que atuarão de forma integrada no atendimento à população, empresas, agricultores e municípios diante de possíveis eventos climáticos extremos

O Governo Federal está articulando uma força-tarefa em Santa Catarina para garantir uma resposta rápida e coordenada aos possíveis impactos do fenômeno El Niño. A mobilização reúne representantes de ministérios, órgãos e instituições federais no estado que serão responsáveis pela articulação e pelo atendimento imediato à população, empresas, agricultores, municípios e demais setores que possam ser afetados por eventos climáticos extremos.

A estratégia foi discutida nesta terça-feira (25), durante a 3ª Reunião do Fórum de Gestores Federais de Santa Catarina, realizada na Superintendência do Porto de Itajaí. A atuação será integrada e coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, com apoio da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, fortalecendo a conexão entre a estrutura do Governo Federal em Santa Catarina, o Estado, os municípios e as estruturas locais de resposta.

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, participou da abertura por videoconferência e destacou a necessidade de antecipar ações.

“Esse fenômeno El Niño pode trazer graves consequências para o Brasil, tanto do ponto de vista dos seres humanos quanto do ponto de vista da nossa economia. É preciso que o Governo Federal atue preventivamente, em conjunto com estados e municípios, para enfrentar o fenômeno de forma coordenada”, afirmou.

Segundo o ministro, a articulação nacional envolve 24 ministérios e instituições e considera as diferentes características e possíveis impactos do fenômeno em cada região brasileira. No Sul, a atenção está voltada principalmente à possibilidade de chuvas intensas e enchentes, enquanto outras regiões podem enfrentar períodos de seca, ondas de calor e queimadas.

R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta em todo o país

O planejamento nacional apresentado durante o encontro prevê R$ 1,335 bilhão para todo o país em ações de preparação e resposta a possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

Entre as ações estão o fortalecimento do monitoramento realizado por estruturas como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a ampliação das redes de acompanhamento meteorológico, a identificação de áreas de risco, o aprimoramento dos sistemas de alerta e medidas para garantir serviços essenciais, abastecimento de alimentos, energia e combustíveis.

Estrutura federal mobilizada em Santa Catarina

Durante a reunião, os representantes federais apresentaram estruturas, protocolos e ações que já estão disponíveis em diferentes áreas e que poderão ser mobilizados diante de uma eventual emergência.

Áreas como saúde, agricultura e agricultura familiar, abastecimento e segurança alimentar, meio ambiente, proteção social, fiscalização, segurança, transportes, telecomunicações, inteligência, trabalho e comunicação em situações de desastre já possuem ações que poderão ser integradas conforme a necessidade.

A proposta da força-tarefa é justamente conectar essas estruturas para que, diante de uma situação crítica, cada órgão conheça previamente sua responsabilidade e os canais de articulação, reduzindo o tempo de resposta e facilitando a chegada do Governo Federal aos municípios e às comunidades atingidas.

As ações podem envolver desde o acompanhamento das condições meteorológicas e emissão de alertas até atendimento à população, assistência social, apoio aos agricultores, fiscalização ambiental, segurança, abastecimento, infraestrutura e suporte aos setores econômicos eventualmente afetados. Além do Protocolo Mulheres em Emergências Climáticas, que estabelece diretrizes para a proteção dos direitos das mulheres durante situações de risco e desastres.

Articulação permanente

A reunião foi conduzida por Josias Lech, gerente de Assuntos Federativos da Secretaria Especial de Assuntos Federativos (SEAF), da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

**Participaram do encontro **representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Agência Nacional de Mineração (ANM), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Caixa Econômica Federal, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Correios, Embratur, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Cultura (MinC), Ministério da Saúde, Ministério das Mulheres, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Receita Federal do Brasil, Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), Superintendência do Patrimônio da União em Santa Catarina (SPU/SC), Superintendência do Porto de Itajaí, Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura em Santa Catarina (SFPA/SC), Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Santa Catarina (SRTE/SC).

Porto de Itajaí reforça preparação

“Estamos em uma posição de, eventualmente, sermos bastante impactados, então estamos tentando tomar medidas para evitar esses danos ou minimizá-los ao máximo. Ter todos esses órgãos aqui reunidos para discutir e buscar auxílio é de suma importância”, afirmou Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí.

Em maio deste ano, a Superintendência instituiu a Comissão Especial de Monitoramento e Avaliação dos Potenciais Impactos do Fenômeno Climático El Niño, responsável pelo acompanhamento dos cenários meteorológicos e hidrológicos e pelo apoio à definição de medidas preventivas. O Porto também estabeleceu o Protocolo de Prevenção, Preparação, Monitoramento e Contingência para Eventos Hidrometeorológicos.

FONTE: Porto de Itajaí

Ler Mais
Portos

Porto de Itajaí recebe navio com 599 veículos de luxo em nova operação Ro-Ro

Operação eleva para 17.056 o número de veículos movimentados pelo Porto de Itajaí em operações roll-on/roll-off ao longo de 2026

O Porto de Itajaí recebeu, nesta quarta-feira (19), uma nova operação de cargas do tipo roll-on/roll-off (Ro-Ro), com a atracação do navio Bosporus Highway, no berço 4. A embarcação chegou às 17h30, trazendo 599 veículos de luxo para importação.

Com a nova escala, o Porto de Itajaí alcança a marca de 17.056 veículos movimentados em operações Ro-Ro ao longo de 2026, reforçando a presença do segmento na movimentação de cargas do complexo portuário.

Para o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a operação demonstra a continuidade e a diversificação das atividades realizadas no porto.

“A chegada de mais uma operação de veículos reforça a capacidade do Porto de Itajaí de atender diferentes perfis de carga e demonstra a continuidade das operações Ro-Ro ao longo deste ano. A movimentação de veículos de alto valor também evidencia a confiança dos operadores na estrutura portuária e contribui para fortalecer Itajaí como uma alternativa competitiva para esse segmento.”

Com 199,97 metros de comprimento e 32,26 metros de largura, o Bosporus Highway é um navio especializado no transporte de veículos. Construída em 2009, a embarcação tem bandeira do Panamá e realiza operações por meio do sistema roll-on/roll-off, no qual os veículos são embarcados e desembarcados por rampas próprias.

As operações Ro-Ro são destinadas ao transporte de cargas sobre rodas, como automóveis, caminhões, ônibus e máquinas. O modelo permite que os veículos sejam conduzidos diretamente para dentro e para fora da embarcação, sem a necessidade de utilização de guindastes para o embarque da carga.

A nova escala amplia a movimentação de veículos no Porto de Itajaí em 2026 e dá continuidade às operações Ro-Ro realizadas ao longo do ano.

FONTE: Porto de Itajaí

Ler Mais
Portos

Porto de Imbituba movimenta mais de 4,5 milhões de toneladas em sete meses de 2026

O Porto de Imbituba, em Santa Catarina, movimentou mais de 4,56 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e julho de 2026. No período, 202 navios passaram pelo terminal. Apenas em julho, foram 633,5 mil toneladas movimentadas em 30 embarcações.

Um dos principais destaques do ano é o crescimento na operação de contêineres, que atingiu 1,01 milhão de toneladas no acumulado até julho. O resultado representa avanço de 44,8% em relação aos sete primeiros meses de 2025.

Com esse desempenho, os contêineres responderam por 24% de toda a movimentação de cargas registrada pelo porto no período.

Importações concentram maior volume

As importações foram responsáveis pela maior fatia das operações do Porto de Imbituba nos primeiros sete meses do ano. O segmento representou 44% do total, com 1,98 milhão de toneladas movimentadas.

O volume importado ficou 2,59% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025. Entre os principais produtos estão hulha betuminosa, sal e coque de petróleo.

Já as exportações somaram 1,79 milhão de toneladas e corresponderam a 39% da movimentação total. Na comparação anual, houve crescimento de 2,42%.

Entre os produtos de maior destaque nas exportações estão coque calcinado e não calcinado, farelo de milho e toras de madeira.

Granéis sólidos respondem por 71% da movimentação

Os granéis sólidos seguem como o principal tipo de carga movimentado pelo terminal catarinense. De janeiro a julho, foram 3,23 milhões de toneladas, equivalentes a 71% do total registrado.

A categoria inclui produtos como coque de petróleo, sal, farelo de milho, hulha betuminosa, fertilizantes, barrilha e ferro-gusa.

A carga geral também apresentou desempenho positivo. O segmento ultrapassou 195 mil toneladas no acumulado do ano, crescimento de 4,8% frente ao mesmo período de 2025.

Operações de transbordo avançam mais de 600%

As operações de transbordo de cargas, que envolvem a transferência de mercadorias entre embarcações, tiveram uma expansão expressiva no Porto de Imbituba.

Foram movimentadas mais de 309,2 mil toneladas nesse tipo de operação entre janeiro e julho, resultado mais de 600% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

A cabotagem, modalidade de transporte de cargas entre portos brasileiros, também registrou crescimento. Em julho, o terminal movimentou 67,7 mil toneladas nesse segmento, alta de 3,86% sobre o mesmo mês de 2025.

Comércio exterior movimenta US$ 1,19 bilhão

As operações de comércio exterior realizadas por meio do Porto de Imbituba movimentaram mais de US$ 1,19 bilhão entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O montante representa uma alta de 18,17% em relação ao valor registrado no mesmo período de 2025.

Para Christiano Lopes, diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, os resultados evidenciam a importância do complexo portuário catarinense para as cadeias produtivas do Estado e para os corredores logísticos que conectam a produção brasileira ao mercado internacional.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Indústria

Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis debate produtividade e inovação

A produtividade na indústria têxtil, a transformação digital e a sustentabilidade estarão no centro das discussões do 5º Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis. Promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design, o evento será realizado em 9 de setembro, das 8h às 12h, no Auditório do Centro Universitário SENAI Blumenau.

A programação reunirá especialistas, empresas e lideranças do setor têxtil para discutir tecnologias e estratégias capazes de melhorar a eficiência industrial, aumentar a competitividade e gerar valor para as empresas.

“O polo têxtil é um dos mais relevantes de Santa Catarina, com uma forte tradição industrial e, ao mesmo tempo, uma grande capacidade de adaptação”, destaca Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC.

Segundo ele, a capacidade de incorporar novas soluções é essencial para que o setor avance em tecnologia, produtividade e inovação. Nesse cenário, o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design atua no desenvolvimento e na disseminação de conhecimentos e soluções tecnológicas voltadas aos desafios atuais e futuros da indústria.

Seminário terá três trilhas temáticas

A quinta edição do evento será dividida em três eixos: transformação digital, novos processos e sustentabilidade.

Na trilha de transformação digital, os debates vão abordar o uso de tecnologias emergentes, automação e análise de dados como ferramentas para melhorar a tomada de decisões, aperfeiçoar a gestão e elevar o desempenho das empresas.

A proposta é mostrar como a digitalização pode contribuir para operações mais eficientes, com redução de desperdícios e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado.

Automação ganha espaço nos processos têxteis

O eixo dedicado a novos processos terá como foco as aplicações de automação inteligente na indústria têxtil e de confecção.

As discussões vão explorar maneiras de estruturar processos mais eficientes, confiáveis e escaláveis em diferentes etapas da cadeia produtiva. A abordagem considera tanto os ganhos de produtividade quanto a necessidade de adaptar as operações às novas demandas industriais.

Sustentabilidade alia eficiência e inovação

A terceira trilha será dedicada às soluções de sustentabilidade na indústria têxtil. Entre os assuntos previstos estão a valorização de resíduos, eficiência energética e uso mais racional de recursos.

A programação também vai discutir formas de melhorar a performance ambiental das empresas sem dissociar sustentabilidade de inovação e competitividade.

Evento terá cases e painel com especialistas

Além dos conteúdos técnicos, o seminário apresentará cases e experiências práticas relacionados à transformação digital, automação e reestruturação de processos.

O encontro também terá discussões sobre estratégias para integrar inovação e sustentabilidade às operações industriais. A programação será encerrada com um painel interativo, reunindo especialistas e lideranças para aprofundar os principais desafios e oportunidades do setor têxtil.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

Ler Mais
Portos

Porto de Itapoá abre escritório em Xangai para ampliar negócios com a China

O Porto de Itapoá, em Santa Catarina, vai inaugurar, em 26 de agosto, um escritório de representação comercial em Xangai, na China. A nova estrutura tem como objetivo aproximar o terminal de exportadores e importadores, facilitar operações já realizadas pelo porto e prospectar novos clientes, cargas e serviços.

O investimento para instalar o escritório foi de US$ 100 mil, valor próximo de R$ 530 mil na cotação atual. Para Ricardo Arten, CEO do Porto de Itapoá, o custo é relativamente baixo diante do potencial de geração de negócios proporcionado pela presença no principal centro financeiro e logístico chinês.

“Tomamos a decisão de estar na China por uma oportunidade comercial, de facilitar esse comércio. É um fluxo bastante intenso e queremos mostrar a capacidade que o terminal tem criado para importadores e exportadores”, afirma.

China tem peso nas operações do Porto de Itapoá

A relevância do mercado chinês para o terminal catarinense já é expressiva. No primeiro semestre de 2026, a China respondeu por 49,4% das importações que chegaram ao Brasil pelo Porto de Itapoá. No sentido contrário, o país asiático foi destino de 17,9% das exportações embarcadas pelo terminal.

Localizada na costa leste da China, Xangai é um dos principais centros logísticos do país e abriga o maior porto de contêineres do mundo, o que torna a cidade estratégica para a expansão internacional do terminal catarinense.

Nas exportações destinadas à China por meio de Itapoá, o agronegócio concentra mais de 90% das cargas em 2026. O principal produto é papel e celulose, com 50,13% de participação. Na sequência aparecem carne refrigerada e congelada (43,97%), algodão (2,72%) e madeira (2,12%).

Outros segmentos têm participação menor, como alimentos secos, com 0,9%; commodities agrícolas, excluindo o algodão, com 0,09%; e outros alimentos refrigerados, com 0,07%.

Terminal busca ampliar participação no agronegócio

Segundo Arten, o Porto de Itapoá vem ganhando espaço entre empresas do setor agropecuário de diferentes regiões brasileiras. Parte do algodão e da celulose movimentados pelo terminal, por exemplo, tem origem no Centro-Oeste.

Empresas exportadoras de açúcar e café também começaram a testar operações pelo porto catarinense. Para o executivo, o movimento reforça a necessidade de continuar ampliando a infraestrutura voltada ao agronegócio.

“Isso nos alerta para continuar investindo no agro. E tem o sentido inverso também. Insumos que também vêm pelo Porto de Itapoá. Isso passa pela China. É bastante feliz o momento em que estamos colocando esse escritório de pé”, avalia.

A instalação da representação comercial contou com apoio do governo de Santa Catarina e da diplomacia brasileira. A expectativa é que a presença em Xangai também contribua para viabilizar novos investimentos no mercado chinês.

Neste primeiro momento, a unidade terá função comercial, aproximando o terminal de empresas e potenciais parceiros. Entre as possibilidades futuras está a criação de armazéns logísticos em Xangai.

Porto de Itapoá investe R$ 500 milhões em expansão

A abertura do escritório na China ocorre paralelamente à quarta etapa de expansão da capacidade operacional do Porto de Itapoá. O projeto prevê R$ 500 milhões em investimentos e acrescentará 120 mil metros quadrados ao pátio.

Com a ampliação, a área total do pátio chegará a 575 mil metros quadrados. O cais também será ampliado, alcançando 1,2 mil metros de extensão.

Outro foco dos investimentos é o aumento da infraestrutura para contêineres refrigerados (reefer), especialmente para atender à demanda da indústria de carnes. A quantidade de tomadas, que era de 3,8 mil no ano passado, deve alcançar 4,4 mil em 2026 e chegar a 5,3 mil em 2027.

“Nossa intenção é ser um hub de proteína animal para os exportadores brasileiros”, afirma Arten.

O terminal também planeja expandir sua estrutura de cross docking, utilizada para retirar a carga dos caminhões e realizar o carregamento dos contêineres. A operação é importante sobretudo para commodities mais pesadas, que precisam permanecer no terminal por períodos maiores antes do embarque.

“São poucas as empresas que fazem esse tipo de operação. Normalmente, é na retroárea; e o porto faz. Queremos aumentar essa capacidade”, explica o CEO.

Meta é alcançar 3 milhões de TEUs até 2040

A estratégia de longo prazo do Porto de Itapoá é se tornar o maior terminal de contêineres da América do Sul em capacidade de movimentação.

Atualmente, o terminal possui capacidade de 2 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A meta é atingir pelo menos 3 milhões de TEUs até 2040, por meio de novas etapas de expansão.

Para sustentar esse crescimento, porém, o terminal depende também da melhoria dos acessos terrestres. O aumento da capacidade portuária exige investimentos nas rodovias de acesso ao Porto de Itapoá, de modo a garantir maior fluidez no trânsito de caminhões.

Arten afirma que está próxima a assinatura da ordem de serviço para obras em uma das duas rodovias estaduais que levam ao terminal. Segundo ele, a Prefeitura de Itapoá também informou que possui orçamento para duplicar uma estrada municipal utilizada no acesso ao porto.

“O terminal tem que crescer em cais, pátio e gates. Mas se não houver condições de escoar essa carga, fragiliza todo o investimento privado”, afirma.

Dragagem da Baía da Babitonga amplia capacidade marítima

A expansão da operação marítima também está ligada à dragagem da Baía da Babitonga, área compartilhada pelo Porto de Itapoá e pelo Porto de São Francisco do Sul. O projeto está orçado em aproximadamente R$ 300 milhões e é financiado por meio de uma estrutura que reúne recursos públicos e privados.

O Porto de Itapoá assumiu o compromisso de bancar a dragagem, enquanto a execução está sob responsabilidade da autoridade portuária. O pagamento será realizado ao longo de 12 anos, utilizando recursos provenientes das tarifas de utilização do canal, com correção anual de 4%.

De acordo com Arten, cerca de 89% da dragagem já foi concluída. A previsão é finalizar os trabalhos nos próximos dois meses e elevar o calado do canal para 16 metros.

Após a conclusão, a expectativa é obter ainda em 2026 a homologação do novo canal de acesso pela Marinha do Brasil.

Atualmente, o Porto de Itapoá recebe navios de contêineres de até 336 metros de comprimento, mas essas embarcações não conseguem operar com carga máxima. Com o aprofundamento do canal, será possível receber navios de até 366 metros totalmente carregados e embarcações de até 400 metros com carregamento parcial.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

Ler Mais
Indústria

Indústria têxtil acelera transformação para enfrentar avanço da ultra fast fashion

A indústria têxtil enfrenta uma nova realidade de mercado com o avanço da ultra fast fashion, modelo baseado em lançamentos rápidos, grande variedade de produtos e forte presença nas plataformas digitais. A necessidade de reduzir prazos e aumentar a eficiência foi debatida na quinta-feira (13), durante reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A projeção para o setor reforça o tamanho do desafio. O mercado mundial de ultra fast fashion deve passar de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões até 2033, mais que dobrando de tamanho no período.

Tecnologia ganha espaço na competição

O presidente do conselho, César Döhler, chamou atenção para o avanço das importações de vestuário e para o crescimento das compras realizadas em plataformas digitais. Segundo ele, a indústria brasileira precisa responder ao cenário com investimentos em inovação e maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

Para Matheus Fagundes, presidente da Audaces, a principal mudança está no ritmo da competição. O setor, que antes trabalhava com ciclos de produção de vários meses, passou a lidar com prazos de semanas ou até dias.

A diferença de escala entre mercados evidencia essa transformação. Enquanto os Estados Unidos lançam aproximadamente 23 mil novos produtos por ano, a China chega a 1,5 milhão de itens.

Nesse ambiente, a velocidade de produção se tornou um fator decisivo. Fagundes defende o uso de tecnologia para encurtar processos, conectar fornecedores e fabricantes e acelerar as decisões baseadas em informações.

Inteligência artificial pode reduzir estoques

Entre as ferramentas apontadas para elevar a produtividade da indústria estão a inteligência artificial, a digitalização das operações e estratégias para diminuir estoques.

A utilização de dados permite antecipar tendências, ajustar a produção à demanda e reduzir o tempo entre a criação de uma peça e sua chegada ao consumidor.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes.

A transformação é vista como necessária não apenas para disputar espaço no exterior, mas também para proteger a participação da indústria brasileira no mercado doméstico.

Importações aumentam pressão sobre a indústria brasileira

O cenário argentino foi citado como exemplo dos riscos provocados pela perda de competitividade da indústria nacional. Atualmente, cerca de 70% das roupas comercializadas no país são importadas.

Para Fagundes, a dinâmica é direta: empresas brasileiras precisam ter condições de competir em outros mercados para evitar que produtos estrangeiros conquistem espaço no Brasil.

“Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu.

Santa Catarina tem forte participação no setor

O impacto desse processo é especialmente relevante para Santa Catarina, onde a cadeia têxtil ocupa posição de destaque na indústria.

O setor é o maior empregador industrial do estado e aparece em segundo lugar em número de estabelecimentos. Em 2023, eram 170.787 postos de trabalho formais, o equivalente a 18,9% de todo o emprego industrial catarinense.

No comércio exterior, o segmento também tem peso. As exportações da indústria têxtil catarinense movimentaram aproximadamente US$ 288,6 milhões em 2024.

Cadeia produtiva precisa ganhar integração

Além da adoção de novas tecnologias, representantes do setor defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar a transformação do mercado.

Entre as prioridades estão a qualificação profissional, integração da cadeia produtiva, uso estratégico de dados, diversificação dos mercados consumidores e maior proximidade com o público.

A avaliação é que o modelo tradicional de produção já não atende sozinho às exigências impostas pela ultra fast fashion.

“A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Portos

Porto de Itajaí reforça dragagem do canal de acesso com chegada da draga Utrecht

Equipamento chegou na manhã desta sexta-feira (14), já está em operação e deverá permanecer trabalhando entre 7 e 10 dias; campanha foi antecipada de setembro diante das condições climáticas e do aumento da descarga fluvial

A Superintendência do Porto de Itajaí antecipou a campanha de dragagem com draga de sucção do tipo hopper para reforçar a manutenção do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. A Utrecht chegou ao Porto entre 5h e 6h desta sexta-feira (14) e já está em operação, realizando a sucção dos sedimentos depositados no fundo do canal. A previsão é de que a draga permaneça trabalhando entre 7 e 10 dias. O período poderá variar de acordo com as condições climáticas, o volume de material dragado e o atingimento dos objetivos previstos para a campanha, entre outros fatores operacionais.

A campanha estava prevista para setembro, mas foi antecipada pela Superintendência diante das condições climáticas registradas nas últimas semanas e do aumento da descarga fluvial no Rio Itajaí-Açu. A medida tem caráter preventivo e busca preservar as condições de navegabilidade, garantir segurança às operações e dar previsibilidade aos armadores, terminais e a todo o trade portuário.

**O canal de acesso permanece navegável, com profundidade de até 14 metros. **A nova campanha reforça os trabalhos de manutenção que já vêm sendo realizados no canal, ampliando a capacidade de remoção dos sedimentos depositados no fundo do rio.

“A Utrecht chegou hoje e já iniciou os trabalhos de sucção dos sedimentos. Essa campanha estava prevista para setembro, mas decidimos antecipá-la diante das condições que estamos acompanhando no Rio Itajaí-Açu. A previsão é de que os trabalhos ocorram entre 7 e 10 dias, período que poderá variar conforme as condições climáticas, o volume dragado e o atingimento dos objetivos da campanha. O objetivo é reforçar a manutenção do canal e garantir as condições adequadas de navegabilidade para as embarcações que acessam o Porto de Itajaí”, explica o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.

Segundo Artur, a antecipação integra o planejamento preventivo adotado pelo Porto diante das condições do rio. “Estamos acompanhando permanentemente a dinâmica do canal e antecipamos essa campanha para atuar de forma preventiva. Nossa prioridade é garantir segurança à navegação e dar previsibilidade ao mercado e a todo o trade portuário”, afirma.

A dragagem por aspersão já realizada no canal pela Njord permanece em funcionamento. O método utiliza jatos de água de alta pressão para movimentar os sedimentos, enquanto a Utrecht atua por meio da sucção dos materiais depositados no fundo do canal. Os trabalhos são complementares e integram as ações de manutenção das condições de navegabilidade.

A Superintendência do Porto de Itajaí acompanha desde junho os efeitos das condições climáticas sobre a dinâmica do Rio Itajaí-Açu. O aumento da descarga fluvial nas últimas semanas elevou o transporte de sedimentos em direção ao canal, fator considerado na decisão de antecipar a campanha.

Autoridade Marítima aumentou folga adicional de segurança

Na última terça-feira (11) a Autoridade Marítima ampliou a margem de segurança abaixo da quilha dos navios que operam no Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A folga adicional passou de 0,3 metro para 0,8 metro, após levantamentos batimétricos identificarem redução de 1,4 metro na profundidade em parte da Bacia de Evolução nº 1, que passou de 13,6 para 12,2 metros. Na prática, o aumento da distância de segurança entre a quilha e o fundo do canal reduz o calado operacional disponível para as embarcações e pode limitar o volume de carga transportado pelos navios. A medida é preventiva e temporária e permanecerá em vigor enquanto as condições batimétricas permanecerem alteradas.

Draga Utrecht

Operada pela empresa holandesa Van Oord, a Utrecht é uma draga autotransportadora de sucção, com 154,6 metros de comprimento e capacidade de cisterna superior a 18 mil metros cúbicos. O equipamento atua na remoção de sedimentos para manutenção da profundidade e da segurança da navegação em complexos portuários.

A chegada da embarcação e o início dos trabalhos foram acompanhados pelo superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, e pelo diretor-geral de Engenharia do Porto, Maurício Moromizato, que estiveram a bordo da Utrecht, nesta sexta-feira.

Fonte e imagens: Porto de Itajaí

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook