Negócios, Sustentabilidade

“A sustentabilidade está no DNA da Siemens”

Márcia Sakamoto expõe o modelo que posiciona a empresa como referência regional.

Em um cenário global onde a sustentabilidade se tornou uma prioridade urgente, a Siemens Brasil se destaca como um referencial de transformação profunda e integral. Com uma abordagem estratégica que articula inovação, eficiência energética, equidade e circularidade, a empresa promove um modelo industrial comprometido com o desenvolvimento sustentável — tanto ambiental quanto socialmente.

Diretamente de sua sede em São Paulo, Márcia Sakamoto, especialista em Sustentabilidade e Relações Governamentais da Siemens Brasil, participou da série de entrevistas realizada pelo portal serindustria.com.ar sob o título Indústria e Desenvolvimento Sustentável. Nesse contexto, ela detalhou como a empresa internacional integra os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) no coração de suas operações, em sua cultura organizacional e em sua visão de longo prazo.

“Em uma trajetória guiada pela inovação, responsabilidade e ações estratégicas, a Siemens se destaca por adotar metas ambiciosas que orientam seu caminho rumo a um futuro verdadeiramente mais sustentável”, afirma Sakamoto. Essa direção se materializa em uma arquitetura corporativa denominada DEGREE, uma estrutura que define seis campos de ação fundamentais: descarbonização, ética, governança, uso eficiente de recursos, equidade e empregabilidade.

“O DEGREE não apenas orienta as decisões corporativas, mas também proporciona uma visão holística da sustentabilidade, integrando compromissos ambientais com impactos sociais e humanos”, assegura.

Redução de emissões e energias renováveis
A abordagem vai além de declarações institucionais. Em 2024, a Siemens Brasil alcançou uma redução de 68% nas emissões de CO₂ — um resultado que supera a média global do grupo (60%) e antecipa o cumprimento da meta original de 2025, fixada em 55%. “Nossos esforços estão direcionados para alcançar o net zero até 2030, que é a meta global”, destaca a executiva. Esse avanço se baseia, entre outras medidas, no uso de eletricidade 100% proveniente de fontes renováveis em todas as suas instalações, na ampliação da infraestrutura para carregamento de veículos elétricos, na substituição do gás liquefeito de petróleo por energia elétrica e na adaptação progressiva das cozinhas e processos industriais para soluções elétricas.

A sustentabilidade também se reflete na relação com o meio ambiente. A Siemens Brasil preserva uma área de 45 mil metros quadrados de Mata Atlântica dentro de sua sede em São Paulo, habitat de dezenas de espécies nativas de flora e fauna. Esse compromisso se complementa com uma estratégia de gestão de recursos baseada no ecodesign, na dissociação do uso de matérias-primas e na circularidade. “A empresa adota uma estratégia de uso eficiente de recursos em seus produtos, centrada em três pilares principais: ecodesign, dissociação do uso de recursos naturais e circularidade”, explica Sakamoto.

Durante o exercício fiscal de 2024, 35% dos metais utilizados pela Siemens Brasil — principalmente ferro, cobre e alumínio — foram adquiridos de fontes recicladas, baseando-se em valores médios regionais e globais. A empresa planeja, até 2030, aplicar princípios de ecodesign em todas as famílias de produtos relevantes. Para destacar essas inovações, a Siemens desenvolveu o selo EcoTech, que identifica produtos com desempenho ambiental superior em termos de eficiência energética, circularidade e redução de emissões.

Pegada de carbono e auditorias internacionais
A medição precisa da pegada de carbono é outro aspecto crítico. “O sistema de gestão ambiental é constantemente monitorado e verificado”, aponta Sakamoto. A Siemens utiliza ferramentas globais alinhadas ao GHG Protocol, garantindo relatórios transparentes e auditáveis. Cada procedimento, investimento e projeto em suas instalações passa por uma avaliação detalhada, desde o planejamento até a operação.

Essas ações são respaldadas por auditorias periódicas realizadas pela matriz alemã. Atualmente, a operação brasileira representa apenas 0,3% do total de carbono gerado pela Siemens no mundo. Esse compromisso foi reconhecido pelo Carbon Disclosure Project (CDP), que incluiu a Siemens na Lista A de Mudanças Climáticas desde 2023 — a categoria mais alta de desempenho ambiental.

Paralelamente, a empresa promove o uso eficiente de energia, água e outros recursos naturais por meio de certificações como ISO 14001 e ISO 50001. Um exemplo concreto é o projeto Anhanguera Green & Digital, onde sua planta em São Paulo foi transformada em um modelo de operação inteligente e sustentável.

Essa transformação incluiu a compra de energia renovável no mercado livre, a instalação de painéis solares, a reutilização de água da chuva para irrigação e sanitários, além da digitalização dos processos produtivos por meio de sensores e sistemas automatizados que otimizam consumos e reduzem desperdícios.

Graças ao monitoramento em tempo real de indicadores ambientais como energia, água e emissões, a Siemens conseguiu alcançar uma melhoria de 7% na eficiência energética em 2024. Além disso, um projeto piloto da Siemens Real Estate conseguiu reduzir em 16% o consumo energético ao ajustar automaticamente o uso do ar-condicionado conforme a ocupação real dos espaços.

Governança ESG e cultura organizacional
Além das ações técnicas, a sustentabilidade na Siemens é respaldada por uma estrutura de governança sólida, transversal e altamente especializada. “A sustentabilidade está no DNA da Siemens. Não é uma opção, mas uma parte integral e central das decisões estratégicas”, enfatiza Sakamoto.

Essa estratégia envolve desde o Conselho de Administração Global até embaixadores de sustentabilidade nas áreas operacionais. O Chief Sustainability Officer preside o Conselho de Sustentabilidade e lidera o Comitê Executivo de Sustentabilidade, enquanto os diretores globais e gerentes locais reportam avanços e desafios em cada uma das dimensões do modelo DEGREE. Essa arquitetura garante que os critérios ESG não sejam metas periféricas, mas princípios que impulsionam a tomada de decisões em todos os níveis.

Quanto aos desafios, a Siemens reconhece que a descarbonização de sua cadeia de valor — especificamente o escopo 3, que inclui fornecedores e parceiros — é um dos maiores obstáculos. Para enfrentá-lo, lançaram o programa Trilha Greenlight, voltado a disseminar boas práticas ESG e ajudar os fornecedores a construir seus próprios planos de sustentabilidade. Paralelamente, reforçam a capacitação constante de suas equipes: cada colaborador no Brasil recebe pelo menos 32 horas anuais de treinamento, com programas sobre sustentabilidade ambiental, inovação e transformação digital. “A Siemens investe continuamente em qualificação técnica”, ressalta Sakamoto.

Líderes e soluções tecnológicas sustentáveis
Durante 2024, a Siemens destinou globalmente 442 milhões de euros para formação corporativa. A sustentabilidade foi um dos eixos estratégicos desse investimento, com iniciativas como o programa Leading in Sustainability, projetado para líderes e áreas-chave, e o LEAP, focado no desenvolvimento de lideranças transformadoras. Também se estimula a inovação aplicada à eficiência de recursos e à transição ecológica por meio de comitês internos que desenvolvem soluções concretas em eficiência energética e descarbonização.

“Os colaboradores da Siemens desempenham um papel central na estratégia de sustentabilidade da empresa”, afirma Sakamoto, que também destaca o trabalho da Fundação Siemens, que canaliza ações de voluntariado e apoio social. Por meio dessa plataforma, os funcionários impulsionam projetos de educação e desenvolvimento sustentável, como o Conexão Aprendiz, que já impactou mais de 300 jovens em situação de vulnerabilidade.

No aspecto cultural, a Siemens promove a ética, a integridade e a conscientização sobre valores ambientais desde cedo. Programas como o EduComÉtica, que leva formação ética para escolas públicas, ou iniciativas como as doações às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, ampliam o impacto positivo da empresa além do âmbito produtivo.

Para Sakamoto, os valores pessoais dos líderes da Siemens influenciam diretamente a forma de abordar a agenda sustentável. “Temos uma visão otimista e de longo prazo sobre o papel da empresa e do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono e inclusiva”. Segundo sua visão, sustentabilidade e ética caminham juntas porque “só negócios limpos interessam à Siemens. Essa convicção orienta nossas decisões e nossas relações com clientes, parceiros e fornecedores”.

Transformação colaborativa
Em outubro de 2024, a Siemens Brasil apresentou, junto ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), o relatório Pictures of Transformation: um retrato do Brasil em 2035, que explora cenários futuros impulsionados pela digitalização e sustentabilidade. O objetivo é fomentar uma visão “future back” que inspire a construção de uma economia mais inclusiva, resiliente e verde. “O propósito é inspirar uma transformação positiva… estimulando debates colaborativos entre os setores público, privado e a sociedade civil”, ressalta Sakamoto.

Ao projetar o futuro da Siemens nos próximos dez anos, caso continue e aprofunde sua estratégia sustentável, a visão é clara. “Queremos continuar sendo uma referência em decisões éticas e responsáveis, com impacto positivo em toda a nossa cadeia produtiva e de valor”, enfatiza a especialista.

Com um caminho já traçado, a empresa pretende liderar o desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis em setores-chave, como biocombustíveis, hidrogênio verde, digitalização de redes, bioeconomia e economia circular. “Trabalhamos para que a atuação da empresa tenha impacto direto na consolidação do país como referência global em energia limpa e inovação tecnológica com valor ambiental agregado”, concluiu.

Fonte: Ser Indústria






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Internacional, Mercado Internacional

Brasil e Índia assinam memorando de cooperação em Propriedade Intelectual

Objetivo é promover o intercâmbio de experiências, boas práticas e conhecimento técnico entre os dois países

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR) e do Department for Promotion of Industry and Internal Trade (DPIIT), do Ministério do Comércio e Indústria da Índia, assinaram nesta quarta-feira (9/7), memorando de cooperação em Propriedade Intelectual (PI).

A ideia é promover intercâmbio de experiências, de boas práticas e conhecimento técnico, para fortalecer os sistemas de PI do Brasil e da Índia, além de fomentar a inovação, a criatividade e o desenvolvimento tecnológico. O intercâmbio terá vigência de cinco anos.

O plano de trabalho, a ser assinado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), contará com participação do MDIC nas atividades desenvolvidas. Cada parte contará com um coordenador responsável pela implementação e monitoramento das ações, com reuniões de acompanhamento que poderão ocorrer virtualmente. As informações poderão ser compartilhadas livremente, desde que não haja restrições legais ou confidencialidade expressa.

Entre as áreas de cooperação previstas, destacam-se:

  • Cooperação em base de ados, inclusive sobre conhecimentos tradicionais.
  • Disseminação de conhecimento sobre PI para o público, empresas e instituições educacionais;
  • Programas de treinamento e intercâmbio de especialistas;
  • Compartilhamento de boas práticas com universidades, centros de P&D e PMEs;
  • Troca de informações sobre procedimentos de patentes, marcas, desenhos industriais e indicações geográficas;
  • Desenvolvimento de projetos de automação e modernização de sistemas de PI;
  • Cooperação em base de ados, inclusive sobre conhecimentos tradicionais.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Agronegócio, Internacional

Embrapa assina acordo com a Índia para ampliar cooperação em pesquisa agropecuária

Memorando de Entendimento amplia parceria entre Brasil e Índia com foco em sustentabilidade, segurança alimentar e intercâmbio tecnológico; Embrapa é vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (ICAR) assinaram, nesta quarta-feira (9), em Brasília, um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação em pesquisa agropecuária entre os dois países. O foco da parceria está no desenvolvimento sustentável da agricultura e no fortalecimento institucional das entidades envolvidas. A cerimônia contou com a presença da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, além de representantes do ICAR e da Embaixada da Índia no Brasil.

O acordo representa um novo marco na agenda bilateral Brasil–Índia. Na terça-feira (8), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou da recepção ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmando o papel do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no fortalecimento de parcerias estratégicas.

Vinculada ao Mapa, a Embrapa é a principal instituição de pesquisa do país voltada ao desenvolvimento da agropecuária nacional. A colaboração com o ICAR reforça o compromisso do Brasil em buscar soluções sustentáveis, inovadoras e colaborativas para os desafios globais da agricultura.

“A parceria entre a Embrapa e o ICAR – Indian Council of Agricultural Research – amplia a cooperação histórica entre as duas instituições e foca em áreas como etanol de 2ª geração, pulses, bioinsumos, entre outras”, destacou Silvia Massruhá.

Com vigência inicial de cinco anos, o acordo prevê a realização de projetos conjuntos em ciência, tecnologia e inovação nas áreas de agricultura e recursos naturais. Entre os principais temas estão: biotecnologia, nanotecnologia, agricultura de precisão, automação, tecnologias da informação, saúde animal e vegetal, segurança alimentar, produção de bioetanol de segunda geração, desenvolvimento de culturas agrícolas de alto rendimento, biofertilizantes, biopesticidas e o fortalecimento de cadeias de valor pós-colheita.

Também estão previstas ações como o intercâmbio de cientistas, o compartilhamento de germoplasma e o desenvolvimento de pesquisas colaborativas em temas de interesse comum.

“É determinação do presidente Lula o fortalecimento de laços com parceiros estratégicos. Esta assinatura sedimentará ainda mais as relações no campo da agropecuária, abrindo novas possibilidades de negócios e de pesquisas”, afirmou o ministro Fávaro.

Para garantir o bom andamento da parceria, será criado um Grupo de Trabalho Conjunto (GTC), com representantes de ambas as instituições, que se reunirá a cada dois anos para acompanhar a execução das atividades e propor novos encaminhamentos.

Desde 2023, o agronegócio brasileiro conquistou 392 aberturas de mercado, sendo dez delas com a Índia. Entre os principais produtos exportados para o país asiático estão cítricos, açaí em pó e suco de açaí, pescados, derivados de ossos para gelatina e abacate. A Índia é, atualmente, o 10º maior destino das exportações do agro brasileiro, com destaque para produtos do complexo sucroalcooleiro, soja e fibras têxteis.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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ANVISA

Anvisa participa de reunião das Autoridades Reguladoras de Referência Regional

Encontro teve como objetivo discutir estratégias para o fortalecimento das capacidades regulatórias na região das Américas.

A Anvisa participou, nos dias 8 e 9 de julho, da reunião das Autoridades Reguladoras Nacionais de Encontro teve como objetivo discutir estratégias para o fortalecimento das capacidades regulatórias na região das Américas.Referência Regional (ARNr) das Américas, realizada em Santiago, no Chile. A Agência foi representada por seu diretor-presidente substituto, Rômison Mota, e pela chefe da Assessoria Internacional, Ana Carolina Marino.

O objetivo do encontro foi discutir estratégias para o fortalecimento das capacidades regulatórias na região, considerando as melhores práticas globais.

Durante a reunião, foram abordados temas prioritários para o grupo, como a proposta de um plano de trabalho bianual, a cooperação e o papel das ARNr no apoio ao desenvolvimento e à maturidade dos sistemas regulatórios nacionais — com base na metodologia da Ferramenta Global de Benchmarking (Global Benchmarking Tool – GBT) da Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a confiança regulatória (reliance) e a resiliência sanitária.

A Anvisa, como uma das autoridades reguladoras de referência regional designadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), reafirmou seu compromisso com a promoção da convergência regulatória com padrões internacionais e com o fortalecimento da vigilância sanitária na região das Américas.

A reunião foi coordenada pelo Instituto de Salud Pública do Chile (ISP), atual presidente do grupo das ARNr, com apoio técnico da Opas.

Fonte: ANVISA

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Internacional, Negócios

Empresas dos EUA evitam tarifas com estratégia de crise global; entenda

Zonas de comércio exterior nos Estados Unidos permitem que as empresas importem produtos ou materiais e os armazenem isentos de impostos

As empresas estão cada vez mais recorrendo a uma política da era da Depressão para evitar as tarifas do presidente Donald Trump, importando produtos para zonas designadas dos EUA, onde não precisam pagar tarifas até que queiram.

Existem 374 zonas de comércio exterior, ou FTZs, nos Estados Unidos, originalmente criadas para ajudar a manter as empresas competitivas durante a Grande Depressão.

Atualmente, essas zonas existem em todos os estados e em Porto Rico e permitem que as empresas importem produtos ou materiais (insumos) para os Estados Unidos e os armazenem isentos de impostos.

Os importadores só pagam tarifas quando vendem seus produtos para clientes americanos. E se optarem por exportar itens para fora dos Estados Unidos, não pagam tarifa alguma.

Desde que Trump anunciou tarifas sobre quase todos os países em abril, o interesse nessas zonas de comércio exterior quadruplicou, de acordo com a Descartes, uma empresa de logística que ajuda empresas a se estabelecer e operar em FTZs.

“As zonas de comércio exterior foram criadas nos Estados Unidos em 1934, coincidentemente a última vez em que as tarifas foram tão proeminentes e, francamente, tão impactantes quanto agora”, disse Jackson Wood, diretor de estratégia industrial da Descartes.

“E é por isso que elas também estão muito mais presentes na mente dos importadores americanos.”

Quase US$ 1 trilhão em mercadorias foram importadas para essas zonas em 2023, de acordo com o Departamento de Comércio, que aprova novas zonas. Isso representa quase um terço de todas as mercadorias importadas para os Estados Unidos naquele ano, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras.

Essas zonas empregam mais de meio milhão de pessoas.

O Departamento de Comércio dos EUA confirmou à CNN que a Associação de Comércio Internacional (ACI) observou um interesse crescente em zonas de comércio exterior, mas disse que é muito cedo para dizer se isso resultará em mais empresas operando nas zonas.

Mesmo assim, muitas empresas estão estocando mercadorias nessas Zonas de Livre Comércio. Não se trata de uma brecha, dizem os especialistas, mas de uma maneira de as empresas manterem o fluxo de caixa em um momento em que muitas se sentem pressionadas.

“Eles sempre foram um instrumento de nicho na caixa de ferramentas dos importadores americanos”, disse Wood. “Agora, como estamos neste ambiente tarifário incrivelmente impactante, cada vez mais organizações estão dizendo: ‘sim, o argumento comercial para criar uma zona de comércio exterior faz sentido para nós.’”

Zonas francas são uma almofada tarifária

Altamente seguras e rigorosamente fiscalizadas, as Zonas de Livre Comércio (ZLCs) devem estar a menos de 90 minutos, ou 90 milhas, de um ponto de entrada da Alfândega e Proteção de Fronteiras. Mas não há duas ZLCs exatamente iguais.

As zonas podem variar em tamanho, desde uma pequena sala em um armazém até centenas de hectares da área ocupada por uma empresa inteira. Dezenas de empresas podem fabricar e distribuir produtos a partir de um único armazém.

O que as FTZs têm em comum é que elas oferecem às empresas alívio — ainda que temporário — no pagamento de impostos em meio à atual guerra comercial.

A Audio-Technica, fabricante de toca-discos e equipamentos de áudio, inaugurou seu segundo armazém e centro de distribuição em uma zona de comércio exterior em San Diego em junho.

A empresa japonesa importa produtos totalmente montados de suas unidades de produção no Japão e na China. Oitenta por cento dessas mercadorias são vendidas no mercado americano, enquanto 20% são exportadas, informou a empresa.

“Com tarifas mais altas, temos a possibilidade de adiar o pagamento dessas tarifas até que possamos retirá-las da Zona de Livre Comércio para fins comerciais”, disse Dan Ratley, diretor executivo de cadeias de suprimentos da Audio-Technica.

A Audio-Technica não precisa pagar tarifas sobre seus produtos importados até que a empresa decida liberar seus produtos nos Estados Unidos para venda aos clientes. Isso significa que a empresa pode mantê-los isentos de impostos na zona até que estejam dispostos ou possam pagar.

“Todos estão investigando e tentando minimizar (os efeitos das tarifas), melhorar seu fluxo de caixa e evitá-las completamente”, disse Ratley.

Motores para economias locais

As empresas não podem simplesmente se estabelecer em uma zona de comércio exterior — elas precisam de um beneficiário, que atue como intermediário entre elas e o Departamento de Comércio. Esses beneficiários geralmente são cidades, portos ou aeroportos, e as Zonas de Livre Comércio podem ser uma vantagem para eles.

A cidade de Phoenix, beneficiária desde 1988, ajudou a criar dezenas de empresas em sua zona, conhecida como Zona 75.

“Como beneficiários, precisamos estar dispostos a aceitá-los em nossa zona de comércio exterior. Sem nossa carta de apoio, eles não conseguiriam enviar sua solicitação”, disse Christine Mackay, diretora de desenvolvimento econômico da cidade de Phoenix.

As Zonas de Livre Comércio (ZLCs) podem ser multiplicadoras econômicas, especialmente para comunidades menores. O crescimento do emprego e dos salários aumentou nas comunidades de seis a oito anos após a criação de uma ZLC, de acordo com um estudo de 2019 publicado pela Associação Nacional de Zonas de Comércio Exterior.

Atualmente, 75.000 pessoas trabalham na Zona 75 de Phoenix. Para cada emprego na Zona 75, a cidade afirma que gera entre três e seis empregos adicionais. Dez anos atrás, o salário médio para um novo emprego em Phoenix era de US$ 30.000. Hoje, é de US$ 84.000.

“Fizemos a diferença ao alavancar nosso status de beneficiários de zona de comércio exterior e trazer empresas que têm grandes multiplicadores econômicos, que trazem benefícios realmente fortes para a comunidade”, disse Mackay.

‘Um grande problema’

As zonas de comércio exterior oferecem muitos benefícios. Mas, sob o regime comercial atual, alguns não estão mais disponíveis.

Historicamente, quando as empresas importavam insumos — pequenas peças feitas de cobre, aço ou alumínio — para a ZLC para fabricar outros produtos, elas só tinham que pagar a tarifa sobre o produto acabado.

Mas, conforme detalhado nas ordens executivas de Trump sobre tarifas recíprocas em abril , as empresas que operam em FTZs agora devem pagar a tarifa dos insumos, não do produto acabado, que geralmente é mais alta.

Mesmo que o material ou peça seja usado para fabricar um produto enquanto estiver na zona de comércio exterior, o produto final ainda será tarifado na mesma taxa do insumo quando sair da zona, disse o Departamento de Comércio à CNN.

Por exemplo, a Audio-Technica importa produtos totalmente montados para sua Zona de Livre Comércio (ZLC) do Japão e da China, que têm tarifas médias de 10% ou 30%, respectivamente.

Mas alguns desses produtos são feitos de aço e alumínio, o que coloca a empresa em risco de uma tarifa de até 70% devido às tarifas sobre essas peças metálicas.

“Uma das características do programa de zonas de comércio exterior é esse benefício, mas essas restrições impostas por decretos executivos impediram tudo isso. Portanto, se você trouxer um componente para produtos acabados para a zona de comércio exterior dos EUA, estará pagando uma taxa de imposto mais alta quando ele sair”, disse Melissa Irmen, diretora de advocacy e relações estratégicas da Associação Nacional de Zonas de Comércio Exterior.

Embora as zonas de comércio exterior continuem sendo uma ferramenta atraente para alguns importadores, a política comercial atual as torna mais complicadas para outros.

“Temos membros que estão muito chateados por terem perdido a capacidade de manter a competitividade global que este programa lhes deu para permanecer nos Estados Unidos — e isso é um grande problema”, disse Irmen.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Brasil e Índia querem ampliar negócios em diferentes mercados

Os destaques são energia, tecnologia, alimentos e fertilizantes

Ampliar as relações comerciais entre Brasil e Índia em diferentes mercados, com destaque para energia, tecnologia, alimentos e fertilizantes. Autoridades e representantes da indústria dos dois países avaliaram essa necessidade, nesta segunda-feira, durante o Fórum Econômico Brasil-Índia, no Rio de Janeiro.  A conferência acontece em paralelo ao segundo dia da Cúpula de Líderes do Brics, que reúne chefes de Estado de 11 países sob a presidência temporária do Brasil.

Segundo levantamento da ApexBrasil, as exportações brasileiras para a Índia aumentaram em média 13,7% ao ano desde 2019, totalizando US$ 5,3 bilhões em 2024. Os destaques da pauta incluem açúcar, petróleo, óleos vegetais e algodão bruto.

Entre as mais de 380 oportunidades comerciais identificadas, destacam-se os setores de combustíveis, celulose e máquinas e equipamentos. Os dados são do estudo Perfil de Comércio e Investimentos Índia, realizado pela ApexBrasil e publicado em junho de 2025.

O presidente da CNI, Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, destacou as similaridades entre os dois países.

Também no evento, o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou as convergências econômicas e políticas entre os dois países, que defendem o multilateralismo e o compromisso com o crescimento sustentável. Rosa comentou, por exemplo, sobre a possibilidade de cooperação nas áreas de fertilizantes e tecnologia digital. E reafirmou o desejo do governo Lula de ampliar a integração, a cooperação e o comércio exterior.

Para o embaixador e presidente da Cop-30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, André Corrêa do Lago, as questões energética e climática estão entre os principais temas da agenda comum entre Brasil e Índia.

“A Índia tem que colocar ainda centenas de milhões de habitantes numa média de consumo de energia muito mais alta do que a atual, o que faz com que a Índia tenha uma escala extraordinária para investimentos.”

André Corrêa do Lago comentou também que a Índia, ao adotar os biocombustíveis, se tornou um dos maiores produtores cana de açúcar do mundo, ultrapassando o Brasil; e que o Brasil já tem uma matriz energética limpa. O embaixador disse ainda que uma das principais metas do governo brasileiro é acabar com o desmatamento e aumentar a restauração florestal.

Em 2025, o relacionamento diplomático Brasil-Índia completou 76 anos.

Fonte: Agência Brasil

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Negócios

Mato Grosso na rota do Pacífico: acordo entre Brasil e China impulsiona Ferrovia Bioceânica

Novo corredor ferroviário prevê ligar Mato Grosso ao Oceano Pacífico, ampliando exportações e reduzindo custos logísticos

Mato Grosso deve se tornar um dos principais pontos de conexão do Brasil com o mercado asiático. Um acordo firmado nesta segunda-feira (7) entre o Governo Federal e o Instituto de Planejamento da China State Railway Group marca o início dos estudos para viabilizar a Ferrovia Bioceânica — corredor ferroviário que promete ligar o país ao Oceano Pacífico, por meio do Porto de Chancay, no Peru.

O memorando de entendimento foi assinado pelo Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., e representa um avanço estratégico na integração logística sul-americana.

A assinatura do memorando é resultado de uma articulação iniciada em abril, quando uma delegação chinesa visitou o Brasil e percorreu obras estratégicas como a Fiol 1 e a Fico. Em maio, durante missão oficial à China, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, acompanhou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, em agendas com autoridades chinesas, aprofundando o diálogo técnico-institucional que culminou na formalização da parceria.

Conforme o Ministério dos Transportes, equipes técnicas do Brasil e China desde então realizam análises detalhadas sobre a logística brasileira, com foco no escoamento da produção agrícola e mineral do Centro-Oeste para os portos do Arco Norte e do Sudeste. O eixo ferroviário Fico-Fiol, cujo leilão está previsto para o primeiro semestre de 2026, é a base estruturante do corredor em estudo.

A Fiol (Ferrovia Integração Oeste-Leste) liga Ilhéus, na Bahia, a Mara Rosa, no estado de Goiás. Já a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), cujas obras já alcançaram 39% de execução, como destacado recentemente pelo Canal Rural Mato Grosso, vai de Mara Rosa até Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, em um percurso de 888 quilômetros.

Com potencial para transformar a matriz de exportações do agronegócio mato-grossense, o projeto visa impulsionar o escoamento da produção de grãos e minerais da região, encurtando o caminho até a Ásia e reduzindo a dependência de portos do Sudeste e Sul do país.

A assinatura do memorando é considerada “um marco na cooperação entre o Brasil e a China na área ferroviária”, conforme o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.

Para o diretor-geral da China State Railway Group, Wang Jie, a “parceria é um fruto da sabedoria e da confiança mútua, e vai contribuir no dinamismo e desenvolvimento dos transportes em nossos países. Que a amizade entre o Brasil e a China perdure por longo tempo e continue a frutificar”.

Ainda durante a assinatura do memorando, o secretário Leonardo Ribeiro ressaltou que “o Brasil está preparado para liderar uma nova era de infraestrutura logística. E essa liderança se fará com responsabilidade, com engenharia de qualidade, com parcerias sólidas e com trilhos voltados para o futuro. É por isso que estamos trazendo os melhores do campo ferroviário para nos dar subsídios”.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Internacional, Negócios

Brasil e China firmam parceria estratégica para integração ferroviária continental

Memorando assinado nesta segunda (7) marca avanço na integração logística sul-americana e amplia cooperação internacional no setor. Corredor ligará Brasil e Peru

Governo Federal deu mais um passo rumo à modernização da infraestrutura de transportes do país. Nesta segunda-feira (7), o Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., firmou um memorando de entendimento com o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, braço estratégico da maior empresa pública ferroviária do mundo.

Durante a cerimônia, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, ressaltou a relevância estratégica da parceria. “Celebramos hoje a assinatura deste memorando de entendimento, um marco na cooperação entre o Brasil e a China na área ferroviária. Este não é apenas um gesto formal, é o primeiro passo de uma jornada técnica, institucional e diplomática que visa aproximar continentes, reduzir distâncias e fortalecer laços entre nações que compartilham uma visão de longo prazo”, afirmou.

O acordo prevê a realização de estudos conjuntos para avaliar a viabilidade de um novo corredor ferroviário bioceânico, ligando o Brasil ao Oceano Pacífico, por meio do Porto de Chancay, no Peru. A proposta busca reposicionar o país no comércio internacional, promovendo ganhos logísticos, econômicos e ambientais, especialmente para as exportações brasileiras com destino ao mercado asiático.

O secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Casa Civil, Maurício Muniz, destacou que o projeto integra uma diretriz definida pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da China, Xi Jinping, dentro da nova agenda de cooperação estratégica entre os países.

“Tenho confiança que nossas instituições estão estruturadas e melhor organizadas, o Ministério dos Transportes e a Infra S.A., assim como o governo chinês, dando todo o suporte para que esses estudos dessa vez se concluam e tragam bons resultados para os nossos países”, destacou.

A diretora de Administração e Finanças da Infra S.A., Elisabeth Braga, enfatizou o papel da empresa no desenvolvimento técnico do projeto.

“Estamos iniciando uma parceria estratégica para construir os melhores estudos para alavancar a infraestrutura ferroviária no Brasil, em especial, esse estudo específico da conexão do continente americano na parte sul do continente. A Infra S.A. está pronta para desenvolver essa parceria”, ressaltou.

A assinatura do memorando é resultado de uma articulação iniciada em abril, quando uma delegação chinesa visitou o Brasil e percorreu obras estratégicas como a Fiol 1 e a Fico. Em maio, durante missão oficial à China, o secretário Leonardo Ribeiro acompanhou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, em agendas com autoridades chinesas, aprofundando o diálogo técnico-institucional que culminou na formalização da parceria.

Desde então, equipes dos dois países vêm conduzindo análises detalhadas sobre a logística brasileira, com foco no escoamento da produção agrícola e mineral do Centro-Oeste para os portos do Arco Norte e do Sudeste. O eixo ferroviário Fico-Fiol, cujo leilão está previsto para o primeiro semestre de 2026, é a base estruturante do corredor em estudo.

O projeto considera ainda a integração com outros modais, como rodovias e hidrovias, e está alinhado às diretrizes do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), responsável pelo mapeamento das rotas bioceânicas na América do Sul. O objetivo é consolidar uma malha logística integrada, sustentável e conectada aos principais corredores comerciais do mundo.

Representando o lado chinês, o diretor-geral da China State Railway Group, Wang Jie, reforçou o compromisso da empresa com a cooperação.

“Esta parceria é um fruto da sabedoria e da confiança mútua, e vai contribuir no dinamismo e desenvolvimento dos transportes em nossos países. Que a amizade entre o Brasil e a China perdure por longo tempo e continue a frutificar”, disse.

Parceria global 

A parceria com a China insere o Brasil em uma nova dinâmica de planejamento estratégico de longo prazo. Com ampla experiência no setor ferroviário, a China State Railway Group é referência mundial em eficiência, inovação e velocidade de expansão. Apenas nos quatro primeiros meses de 2025, o sistema chinês transportou mais de 1,46 bilhão de passageiros, estabelecendo um novo recorde. A empresa opera a maior malha de trens de alta velocidade do planeta e acumula projetos de destaque internacional, como a ferrovia Jacarta–Bandung, na Indonésia.

O Brasil, por sua vez, fortalece sua agenda de integração regional e infraestrutura sustentável, alinhada aos princípios da cooperação Sul-Sul e às metas do Novo PAC. A expectativa é que os estudos em andamento deem suporte a futuros investimentos e concessões ferroviárias, contribuindo para reduzir o custo logístico e ampliar a eficiência do transporte de cargas no país.

“O Brasil está preparado para liderar uma nova era de infraestrutura logística. E essa liderança se fará com responsabilidade, com engenharia de qualidade, com parcerias sólidas e com trilhos voltados para o futuro. É por isso que estamos trazendo os melhores do campo ferroviário para nos dar subsídios”, concluiu o secretário Leonardo Ribeiro.

Também participaram da cerimônia representantes da Casa Civil, do Ministério do Planejamento e da Embaixada da China no Brasil.

Assista à reunião na íntegra no canal do Ministério dos Transportes no YouTube

Fonte: Ministério dos Transportes

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Negócios

Ministro Fávaro destaca potencial do BRICS para novas oportunidades

Na ocasião, ressaltou que o multilateralismo para promover um sistema internacional mais justo

Neste domingo (6), foi realizada a 17ª Cúpula dos Chefes de Estado do BRICS. A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Na Sessão Plenária Paz e Segurança e Reforma da Governança Global, o presidente Lula destacou o potencial do BRICS para a mediação e prevenção de conflitos no mundo. “Se a governança internacional não reflete a nova realidade multipolar do século XXI, cabe ao BRICS contribuir para sua atualização. Sua representatividade e diversidade o torna uma força capaz de promover a paz e de prevenir e mediar conflitos. Podemos lançar as bases de uma governança revigorada”.

Já o ministro Carlos Fávaro, em entrevista, ressaltou sua percepção durante o evento. “O que ouvi de todos os líderes, nas plenárias e nas reuniões bilaterais, foi uma defesa firme do multilateralismo. O Brasil vem ganhando cada vez mais espaço nesse cenário, por meio do diálogo e da construção de pontes. O BRICS é uma grande oportunidade para levar essa mensagem positiva a diversos setores”, declarou.

O ministro também comentou que o mercado está cada vez mais exigente e que boas práticas abrem novas oportunidades. “O mundo está cada vez mais atento à procedência dos alimentos e é natural que seja assim. O consumidor não aceita mais produtos de origem ambiental questionável, envolvendo desmatamento, queimadas ilegais ou degradação. Também não aceita produtos sem boas práticas sanitárias”, explicou.

Fávaro elogiou ainda a robustez do sistema sanitário brasileiro. “O Brasil tem um nível baixíssimo de restrições ao comércio internacional. A nossa eficiência no enfrentamento da gripe aviária demonstrou a força e a solidez do sistema”.

Comentou também o processo em curso para a recuperação de mercados. “Hoje, apenas nove países ainda mantêm restrições à carne de frango brasileira. Desses, três não têm relação comercial relevante conosco. Então, são apenas seis países em que precisamos focar para retomar as vendas. Tive a oportunidade de tratar do assunto durante a bilateral entre o presidente Lula e o primeiro-ministro da China. Ele disse que já estava ciente do caso e que os protocolos estão sendo revistos rapidamente para retomar as compras”, relatou o ministro.

Outro destaque foi a exportação do primeiro lote de carne bovina brasileira para o Vietnã, realizada no último sábado (5). O mercado foi aberto em março, durante missão oficial ao país asiático, fruto de reuniões com as principais lideranças políticas vietnamitas.

BRICS

Os países do BRICS representam 48,5% da população mundial, 36% do território do planeta, 40% do PIB global e 21,6% do comércio internacional (fonte: TradeMap; Banco Mundial). A corrente de comércio do Brasil com o grupo totalizou US$ 210 bilhões, o equivalente a 35% do comércio exterior brasileiro em 2024.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional, Negócios

Brasil recebe cúpula do Brics em meio a guerras e disputas comerciais de países

Líderes de bloco de nações com economias emergentes se reúnem neste domingo e segunda no Rio de Janeiro com desafios em pauta

O Brasil sedia neste domingo (6) e segunda-feira 7) a cúpula do Brics, grupo de países com economias emergentes que reúne nações como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O encontro ocorre no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (RJ). As informações são do portal g1.

A cúpula dos Brics ocorre em um momento delicado para o bloco, com guerras em andamento envolvendo países do grupo, disputas comerciais e novos integrantes. Segundo especialistas, o desafio do Brasil na edição do encontro sediada pelo país é evitar uma suposta “guinada anti-Ocidente”, após a entrada de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Irã no bloco dos Brics.
O encontro deve testar a habilidade do país de governar com democracias e também com governos autoritários de países como Rússia, China e Irã.

Outro assunto a ser abordado na cúpula é a proposta de uma moeda comum entre os países do Brics para transações comerciais. A ideia seria reduzir a dependência do dólar, mas por outro lado poderia causar um desgaste ainda maior com os Estados Unidos.

Entre os assuntos defendidos pelo Brasil devem estar o meio ambiente e o avanço da Inteligência Artificial — conflitos armados entre os países devem ficar em segundo plano na discussão, segundo a agenda brasileira.

Ausência de líderes internacionais

Um fato importante sobre a cúpula do Brics no Brasil é a ausência de algumas lideranças importantes do grupo. O líder chinês Xi Jinping não está presente no encontro do Brasil, em gesto que foi atribuído a resposta a postura do presidente Lula após convite feito a lideranças da Índia. O presidente russo Vladimir Putin também participará apenas por videoconferência — como o Brasil é signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), precisaria prender Putin caso o líder viesse ao país. Sem dois dos principais líderes do bloco, o protagonismo deve ficar com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modri, que virá ao país também como visita de estado.

Ao término do encontro, os países elaboram uma declaração final, que neste ano deve abordar condenação a ataques militares, defesa de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) e protecionismo cultural.

Fonte: NSC Total

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