Comércio Internacional

Alertam que certificados ambientais se tornam novo requisito nos negócios internacionais

As regras do comércio global estão mudando. Cada vez mais, os acordos internacionais e os consumidores exigem que as empresas comprovem seu compromisso ambiental. Os selos verdes, certificações e critérios de sustentabilidade deixaram de ser opcionais e tornaram-se condições de acesso aos mercados mais competitivos. Nesse cenário, surgem desafios para a Argentina — especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs) — na adaptação às novas exigências ambientais impostas pelo comércio internacional.

Para compreender esse processo, o portal serindustria.com.ar entrevistou Adriana H. Narváez, doutora em Relações Internacionais e reitora do Instituto de Capacitação Aduaneira. Com mestrado pela Universidade Paris I Panthéon Sorbonne e experiência em fóruns da Organização Mundial do Comércio (OMC), Narváez também lidera projetos de pesquisa no Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina.

A especialista destacou que a sustentabilidade se tornou um elemento essencial da competitividade global. Segundo ela, os selos e certificações ambientais estão se transformando em novas barreiras não tarifárias, especialmente em mercados como União Europeia e Japão. Narváez também observou que muitas PMEs argentinas ainda reagem às exigências externas de sustentabilidade apenas quando enfrentam demandas concretas, em vez de adotar essas práticas de forma estratégica.

Ela analisou ainda o impacto do acordo Mercosul-União Europeia, a necessidade de maior divulgação e incentivos governamentais para estimular a certificação ambiental e o cambio geracional na formação dos novos profissionais de comércio exterior.

Narváez ressaltou que, embora existam programas e linhas de crédito voltados à certificação e à sustentabilidade, a falta de divulgação é o principal obstáculo para que as empresas — especialmente as PMEs — tenham acesso a essas oportunidades. Também explicou que as certificações ambientais, longe de representarem um custo, são investimentos estratégicos que aumentam a rentabilidade e a competitividade das empresas no médio e longo prazo.

A especialista concluiu que, à medida que o mundo avança rumo a economias de baixo carbono, a Argentina tem o potencial de se adaptar e competir globalmente, desde que invista na capacitação de suas empresas e na adoção de padrões ambientais internacionais. Segundo ela, “mais cedo ou mais tarde, essa transição será inevitável — e quem se antecipar sairá na frente”.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Exportação

Exportações de Santa Catarina para a Argentina avançam 25,2% com retomada da economia argentina

As exportações de Santa Catarina para a Argentina registraram um salto de 25,2% entre janeiro e outubro deste ano, somando US$ 746 milhões. O resultado reflete a recuperação econômica argentina e o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. No mesmo período, as vendas do Brasil para a Argentina atingiram US$ 15,85 bilhões, alta de 41,4%, enquanto as exportações totais brasileiras cresceram 9,1%, segundo dados da FIESC.

Indústrias catarinenses buscam novos negócios em Buenos Aires

Acompanhando esse movimento positivo, cerca de 20 indústrias do setor moveleiro de Santa Catarina participam, nos dias 10 e 11 de novembro, do Encontro de Negócios SC-Argentina, promovido pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) na Embaixada do Brasil em Buenos Aires.

O evento reúne o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Glintenick Bitelli, o governador Jorginho Mello, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, e representantes da indústria argentina. A agenda inclui apresentações institucionais e rodadas de negócios entre empresas catarinenses e potenciais compradores argentinos.

Argentina dá sinais de recuperação econômica

“O momento é extremamente favorável para ampliarmos as parcerias comerciais, já que a Argentina demonstra sinais de crescimento econômico”, afirmou Seleme. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), após dois anos de retração, o PIB argentino deve crescer 4,5% em 2025, impulsionado pela queda da inflação e pela recuperação do poder de compra da população.

Bruno Pauli, do Grupo 4B, um dos empresários participantes da missão, destacou o potencial de consumo dos argentinos. “Quando vêm a Santa Catarina como turistas, eles investem, compram imóveis e movimentam a economia. Agora, queremos levar nossos produtos até eles e fortalecer os laços comerciais”, afirmou.

Vantagens logísticas reforçam competitividade catarinense

A proximidade geográfica e a estrutura logística de Santa Catarina também favorecem o comércio com o país vizinho. O porto seco de Dionísio Cerqueira, no extremo oeste catarinense, é hoje a aduana com melhor infraestrutura da fronteira com a Argentina, com 23 mil caminhões registrados em 2024.

“Santa Catarina tem uma posição estratégica no Mercosul, mantém relações comerciais e culturais com a Argentina e oferece produtos reconhecidos pela qualidade brasileira”, reforçou o presidente da FIESC.

As rodadas de negócios entre as indústrias catarinenses e os compradores argentinos acontecem na terça-feira, 11 de novembro, encerrando o evento com foco na expansão das exportações do estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Visit Buenos Aires

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Agricultura

França mantém posição contrária ao acordo UE-Mercosul, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reiterou neste domingo (9) que o país não assinará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul caso ele prejudique os produtores rurais franceses. A declaração reforça a postura cautelosa de Paris dias após o presidente Emmanuel Macron ter demonstrado otimismo quanto à aprovação do tratado.

“Queremos proteger nossos agricultores, e por isso a França não firmará um acordo que, no fim das contas, os condene”, afirmou Genevard ao Journal du Dimanche (JDD). Segundo ela, a França mantém “linhas vermelhas” inegociáveis nas discussões com o bloco sul-americano.

Exigências da França no acordo

A ministra destacou três condições essenciais para que o país aceite o pacto comercial:

  1. Uma cláusula de salvaguarda agrícola, que permita acionar um “freio de emergência” caso os preços caiam por causa de importações em larga escala;
  2. Medidas que impeçam a entrada de produtos agrícolas que não respeitem os padrões europeus de saúde e meio ambiente;
  3. Controles sanitários mais rigorosos para proteger o mercado interno.

Genevard afirmou que ainda há pontos em aberto e prometeu manter “vigilância total” sobre o processo. “Quem decide? Quem verifica? Quais critérios acionam o mecanismo? Estamos avaliando tudo isso, sempre com a mesma pergunta: este sistema realmente protege nossos agricultores?”, questionou.

Apoio de outros países europeus

Questionada sobre a possibilidade de a França bloquear o acordo UE-Mercosul, especialmente após o Brasil mencionar a intenção de assiná-lo até 20 de dezembro, Genevard respondeu que Paris “tem os meios para fazer sua voz ser ouvida”. Ela acrescentou que outros Estados-membros — Polônia, Áustria, Holanda, Irlanda e Hungria — compartilham das mesmas preocupações.

“Enquanto essas garantias não forem formalmente escritas, validadas e aceitas pelos parceiros do Mercosul, a França manterá sua posição”, reforçou.

Divergência com Macron

Na última quinta-feira (4), durante visita ao Brasil, Emmanuel Macron afirmou estar “bastante otimista” quanto ao avanço do acordo, embora tenha ressaltado que o país continuaria “vigilante”. Poucas horas depois, em passagem pelo México, o presidente voltou a dizer que a França “ainda aguarda respostas claras”.

As declarações de Macron foram recebidas com críticas por setores agrícolas e parte da classe política francesa, que consideram o pacto inaceitável nos moldes atuais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Comércio Exterior

Agricultores franceses criticam Macron por apoio ao acordo entre União Europeia e Mercosul

Declaração do presidente na COP30, em Belém, é vista como ameaça à soberania agrícola da França e gera forte reação do setor rural.

Macron sinaliza apoio ao Mercosul e irrita agricultores franceses

A fala de Emmanuel Macron durante a COP30, realizada em Belém (PA), provocou forte repercussão na França. Ao afirmar estar “bastante positivo” em relação ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, o presidente francês foi acusado por representantes do agronegócio de trair os interesses do campo e comprometer o modelo produtivo nacional.

Durante o encontro de chefes de Estado que antecedeu a conferência climática, Macron destacou que permanece “vigilante” e atento aos interesses franceses, mas a aproximação com o Mercosul foi vista como um gesto político de abertura que desagradou profundamente o setor agrícola.

Setor rural fala em “ruptura total” com o governo

Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola da França, reagiu de forma contundente. Segundo ele, a postura do presidente representa “uma ruptura total com a agricultura francesa”.

“Não deixaremos que nosso modelo, nossos empregos e nossa soberania sejam liquidados”, afirmou Rousseau, convocando os eurodeputados franceses a se oporem à ratificação do tratado. O líder sindical prometeu ainda uma mobilização nacional contra o acordo, que, em sua visão, sacrificaria a produção agrícola francesa em nome de uma globalização sem regras.

Governo tenta conter danos políticos

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, tentou minimizar o impacto das declarações de Macron. Segundo ela, “os limites deste acordo na França são conhecidos desde o início” e, apesar de alguns avanços nas negociações, “a conta ainda não fecha”.

A posição francesa sobre o acordo UE-Mercosul tem oscilado ao longo dos últimos anos. Em fevereiro de 2025, durante o Salão da Agricultura de Paris, Macron havia classificado o tratado como “um texto ruim”. Desde então, a Comissão Europeia anunciou cláusulas de salvaguarda para proteger setores sensíveis, especialmente o agroalimentar, o que teria influenciado a mudança de tom do presidente.

O que está em jogo no acordo UE-Mercosul

Negociado há mais de duas décadas, o acordo entre União Europeia e Mercosul busca reduzir tarifas comerciais e ampliar o acesso mútuo aos mercados. Para a UE, o tratado abriria espaço para exportações de automóveis, máquinas e bebidas alcoólicas. Já os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — poderiam expandir suas vendas de carne bovina, açúcar, arroz e mel no continente europeu.

A França tem sido uma das maiores opositoras do texto desde 2019, alegando riscos ambientais e concorrência desleal. A pressão de sindicatos agrícolas, ambientalistas e parlamentares tem travado a aprovação do acordo, que depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países europeus.

A volta do tema ao centro do debate geopolítico

Com a fala de Macron em Belém, o acordo UE-Mercosul volta ao centro das discussões econômicas e diplomáticas. O episódio reacendeu tensões internas na França e reforçou o sentimento de resistência entre os agricultores, que veem na abertura comercial uma ameaça direta à sobrevivência do modelo produtivo francês.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS – Stephane Mahe / RFI

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Comércio

Mercosul e Emirados Árabes avançam em nova rodada de negociações para acordo de livre comércio

As delegações do Mercosul e dos Emirados Árabes Unidos se reuníram em Brasília, entre os dias 4 e 7 de novembro, para a quarta rodada de negociações do acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e o país árabe. O encontro aconteceu no Itamaraty e envolveu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e dos EAU, com grupos técnicos discutindo temas como comércio de bens, regras de origem, serviços, questões institucionais e jurídicas.

Acordo pode ser concluído ainda em 2025

As negociações, iniciadas em 2024, têm avançado de forma significativa e, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money, há expectativa de conclusão do acordo ainda neste ano. As divergências entre as partes diminuíram e se concentram em poucas questões específicas, o que alimenta o otimismo sobre um desfecho próximo.

O principal ponto em debate é a redução a zero das tarifas de importação cobradas pelo Mercosul sobre cerca de 20 produtos petroquímicos. A medida é um pedido dos Emirados Árabes, grandes produtores de petróleo e derivados, mas enfrenta resistência por parte da indústria brasileira, que busca proteger-se da concorrência externa nesse segmento sensível.

Comércio entre Brasil e Emirados Árabes segue em alta

Em 2024, a corrente comercial entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos alcançou US$ 5,4 bilhões, com superávit de US$ 3,6 bilhões para o lado brasileiro, segundo dados do governo federal.

Os principais produtos exportados pelo Brasil para o país árabe são carne de frango, carne bovina e açúcar. Já as importações vindas dos Emirados incluem petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Relação estratégica e investimentos crescentes

Além do comércio em expansão, Brasil e Emirados Árabes têm fortalecido uma parceria estratégica baseada na confiança e cooperação bilateral. O diálogo diplomático vem se ampliando em diferentes áreas, incluindo energia, infraestrutura, defesa e inovação.

O fluxo de investimentos dos Emirados no Brasil também cresce rapidamente. Grupos como Mubadala, Abu Dhabi Investment Group (ADIG), Edge Group e DP World têm ampliado sua presença no país, atuando em setores como logística, portos, aviação e energia renovável.

Especialistas avaliam que o acordo Mercosul–Emirados Árabes Unidos pode consolidar o Brasil como porta de entrada comercial dos árabes na América do Sul, além de ampliar as oportunidades de exportação e investimento mútuo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Agronegócio

Deputados do agronegócio pressionam governo contra importação de leite do Mercosul

Bancada ruralista reage ao avanço do leite estrangeiro

Deputados ligados ao agronegócio intensificaram a ofensiva contra o aumento das importações de leite no Brasil, especialmente dos países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. O movimento ganha força às vésperas da assinatura do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia, que pode ampliar ainda mais a concorrência para os produtores nacionais.


Preços abaixo do custo geram alerta no setor

O setor leiteiro atravessa uma crise de rentabilidade. Com o litro pago ao produtor valendo menos de R$ 2, bem abaixo do custo médio de R$ 2,40, a bancada ruralista considera o cenário uma emergência econômica. As importações recordes têm pressionado os preços internos, agravando as dificuldades enfrentadas pelos pequenos e médios produtores.


Governo tenta conter a insatisfação

Em meio à tensão, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, sugeriu, em coletiva realizada na terça-feira (4), que o governo federal compre leite produzido no país como forma de aliviar o impacto sobre o setor. A proposta, no entanto, não acalmou os parlamentares ligados à Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, que seguem cobrando medidas mais efetivas.


Produtores pedem medidas antidumping

A principal reivindicação da Frente é a aplicação de medidas antidumping, usadas internacionalmente para conter produtos importados vendidos a preços artificialmente baixos. Segundo o grupo, ao recusar o pedido, o governo “lançou uma sentença de morte aos produtores de leite”, permitindo que as importações aumentassem 28% em setembro, o terceiro maior volume da série histórica.

Fonte: Com informações de agências e órgãos oficiais.
Texto: Redação

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Internacional

UE e Mercosul podem selar acordo em dezembro, indica governo brasileiro

O governo brasileiro informou que a União Europeia deve formalizar o acordo de livre comércio com o Mercosul em 20 de dezembro. A declaração foi feita pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, após encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (5), em Belém.

Reunião em Belém e COP30

O encontro ocorreu no Museu Paraense Emílio Goeldi, durante a participação de Ursula na Cúpula de Líderes da COP30, que começou na quinta-feira na capital paraense. A assinatura do acordo está prevista para a Cúpula do Mercosul, marcada para dezembro, no Rio de Janeiro.

“A presidente reafirmou sua firme esperança de que o acordo seja assinado no final do ano, em 20 de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a cúpula do Mercosul”, afirmou Vieira.

Negociação histórica e desafios

O tratado entre os dois blocos se arrasta há 25 anos e visa criar uma zona de livre comércio entre os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 países da União Europeia. O acordo enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, principalmente da França.

Durante a conversa, Lula e Ursula também discutiram mudanças climáticas e a agenda da COP30. A presidente europeia não participará da 4ª Cúpula entre Celac e União Europeia, marcada para 9 de novembro em Santa Marta, Colômbia. Segundo Vieira, Lula irá à Colômbia para demonstrar “solidariedade regional”.

Sobre a ausência de alguns chefes de Estado, Vieira destacou que “nem todos participam”, mas que a presença de países estratégicos garante a relevância política do evento. Ele comentou ainda sobre o financiamento climático, afirmando que, mesmo sem aporte inicial do Reino Unido ao TFFF, o fundo continua aberto para outros países e há expectativas positivas quanto ao sucesso do programa.

Agenda de reuniões bilaterais

Na manhã de quinta-feira (5), Lula recebeu o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; e o presidente de Comores, Azali Assoumani.

À tarde, além de Ursula, encontrou o primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, James Marape; a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons; o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Ding Zuexiang; e a presidente de Honduras, Xiomara Castro.

Segundo Vieira, os encontros preparatórios da cúpula tiveram como foco o enfrentamento das mudanças climáticas, incluindo financiamento climático, transição energética e integração entre clima e natureza. O Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado no coração da floresta amazônica em Belém, foi escolhido para reforçar simbolicamente o compromisso ambiental dos líderes.

Durante seu terceiro mandato, Lula já realizou 70 reuniões bilaterais, segundo dados do governo.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

A recuperação da Argentina impulsiona exportações e turismo do Brasil

A recuperação econômica da Argentina trouxe um impulso à economia brasileira neste ano, com um aumento expressivo nas exportações de bens e um salto no turismo argentino. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para a Argentina atingiram o equivalente a 0,8% do PIB do Brasil, ante 0,5% no mesmo período de 2024.

Dados do governo brasileiro mostram que esse crescimento continuou no terceiro trimestre. De julho a setembro, as exportações para a Argentina subiram 34,6%, em comparação com um aumento de 4,7% nas exportações totais do Brasil.

Francisco Pessoa Faria, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), calculou que o turismo argentino no Brasil acrescentou o equivalente a 0,2% do PIB brasileiro no primeiro semestre do ano, ante 0,08% no mesmo período do ano passado.

No total, as exportações de serviços para a Argentina cresceram de 0,12% do PIB no início de 2024 para 0,25% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da agência de estatísticas oficial da Argentina, o INDEC.

Gastos com viagens quase dobram

De janeiro a junho, o Brasil exportou US$ 2,69 bilhões em serviços para a Argentina — o dobro dos US$ 1,33 bilhão do mesmo período de 2024. O principal motor foi o gasto de turistas argentinos no Brasil, que totalizou US$ 2,14 bilhões, ante US$ 918 milhões um ano antes.

Em contrapartida, as importações brasileiras de serviços caíram 11,9% em 2025, para US$ 869,7 milhões. Isso resultou em um superávit de US$ 1,82 bilhão na balança de serviços do Brasil, muito superior aos US$ 337,3 milhões registrados no primeiro semestre de 2024.

Economistas afirmam que essa retomada tem sido positiva para o Brasil, embora haja incerteza sobre sua duração. Apesar de um swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar a Argentina e dos bons resultados nas eleições de meio de mandato de 26 de outubro, o presidente Javier Milei deve implementar medidas que podem pesar sobre a economia argentina.

O impulso econômico sob Milei tem aumentado a demanda por produtos brasileiros, afirmou Gustavo Pérego, sócio da consultoria argentina Abeceb. “No ano passado, a Argentina passou por um processo de reestruturação econômica. Houve uma forte queda na primeira metade do ano, seguida de recuperação na segunda.”

Vendas de automóveis impulsionam superávit comercial

Automóveis e autopeças são os principais produtos exportados do Brasil para a Argentina, disse Pérego. O aumento se deveu aos controles cambiais do governo anterior, que restringiram o acesso de importadores a dólares, reduzindo a oferta de carros no mercado local.

Para resolver isso, o governo argentino implementou em 2024 medidas para quitar dívidas com importadores e melhorar o poder de compra dos consumidores. “Quando a situação se normalizou, a demanda por carros e motocicletas disparou”, afirmou Pérego. “E grande parte desses veículos é fabricada no Brasil.”

De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 14,2 bilhões em bens para a Argentina — um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024 —, enquanto as importações de produtos argentinos caíram 1,8%, para US$ 9,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit comercial virou a favor do Brasil, chegando a US$ 4,7 bilhões, ante um déficit de US$ 50,5 milhões em 2024.

Produtos manufaturados do setor de transporte dominam as exportações brasileiras para o parceiro do Mercosul. Veículos de passeio responderam por 21,9% do total exportado à Argentina, somando US$ 3,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano — mais que o dobro dos US$ 1,4 bilhão de 2024. Autopeças representaram 9,7%, veículos comerciais leves 6,4% e veículos rodoviários 5,5%.

Pérego prevê que o PIB argentino cresça 4% neste ano, após uma contração de 1,7% em 2024. “Isso estimula a demanda por carros, o que, por sua vez, impulsiona as exportações brasileiras.” Uma pesquisa de mercado do Banco Central da Argentina, o relatório REM (equivalente ao Focus brasileiro), projeta crescimento de 3,9% do PIB em 2025.

No entanto, ele alertou que as exportações de automóveis brasileiros para a Argentina dificilmente manterão o mesmo ritmo de expansão. “Havia uma demanda reprimida, então as vendas dispararam entre o fim de 2024 e este ano. Isso deve se normalizar.”

Concorrência dos elétricos chineses

Pérego também destacou a concorrência dos veículos elétricos chineses, que a Argentina atualmente importa com isenção de impostos sob um programa que permite a entrada de 50 mil veículos neste ano e mais 50 mil em 2026. O país pode ter até 200 mil veículos elétricos em circulação em três ou quatro anos, disse ele.

A economia argentina deve desacelerar em 2026, com crescimento previsto de 3%, um ponto percentual abaixo de 2025.

Faria, da FGV Ibre, afirmou que as mudanças na demanda argentina têm grande impacto na indústria automotiva brasileira. Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a Argentina respondeu por 8,6% das exportações totais de manufaturados do Brasil e 48,4% das exportações de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Ariane Benedito, economista-chefe da fintech PicPay, projetou crescimento de até 5,5% do PIB argentino neste ano. “É uma recuperação significativa, mas a economia argentina continua vulnerável”, afirmou. A volatilidade cambial é uma preocupação central, dependendo de como Milei implementará seu plano econômico. A inflação também preocupa, impulsionada pelo forte consumo. “O cenário base depende de quanto a terapia de choque de Milei vai custar em termos de desaceleração econômica.”

Ela também apontou uma provável desaceleração global em 2026, o que afetaria o Brasil. O PicPay projeta crescimento de 1,7% do PIB brasileiro em 2026, ante 2,2% neste ano.

Ainda assim, Benedito disse que a posição geográfica do Brasil lhe dá vantagem no fornecimento de produtos automotivos à Argentina. Essa relação comercial ajudou o Brasil a evitar queda no volume e no valor das exportações em 2025, apesar das novas tarifas dos EUA.

Turismo argentino

Faria também destacou o impulso do turismo argentino. De janeiro a setembro, 2,79 milhões de argentinos visitaram o Brasil, ante 1,47 milhão no mesmo período do ano passado, segundo a Embratur. Os argentinos agora representam 39% de todos os turistas estrangeiros no país, contra 30% em 2024.

“O fluxo de turistas argentinos em 2025 foi impulsionado pelo câmbio”, disse Faria. Em abril, a Argentina substituiu seus rígidos controles cambiais — em vigor desde o fim de 2019 — por uma banda de câmbio flutuante administrada entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar, ampliada em 1% ao mês. Também foram retiradas as restrições à compra de dólares.

Historicamente, a Argentina é um mercado emissor forte quando sua moeda está relativamente estável, e o Brasil é o destino de praia mais próximo, observou Pérego. “Foi assim no último verão e provavelmente será novamente no próximo. Os argentinos são atraídos ao Brasil por dois motivos: praias quentes e custos mais baixos. Um feriado de 10 ou 15 dias na praia na Argentina pode sair mais caro do que no sul do Brasil”, disse ele, especialmente para quem viaja de carro ao Rio Grande do Sul ou Santa Catarina.

No entanto, Pérego observou que o Brasil ficou mais caro para os argentinos ao longo de 2025 devido à valorização do real. A cotação do dólar caiu para R$ 5,38 em 31 de outubro, ante R$ 6,19 no fim de dezembro de 2024, segundo o Banco Central.

Roberto Dumas Damas, professor do Insper, alertou que, apesar dos ganhos eleitorais de Milei, a Argentina ainda enfrenta alta dívida externa e baixas reservas. “A eleição dá mais tempo a Milei, mas o país ainda precisa de reformas”, disse.

“O único caminho real é algo semelhante ao que o Brasil fez em janeiro de 1999: deixar a moeda flutuar, elevar fortemente os juros, definir uma meta de inflação e aprovar uma lei que garanta plena independência ao Banco Central da Argentina.”

FONTE: Valor Econômico
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Internacional

Brasil e Paraguai iniciam projeto-piloto de certificado de origem digital no setor automotivo

A partir desta segunda-feira (3 de novembro), Brasil e Paraguai darão início ao projeto-piloto do Certificado de Origem Digital (COD) no setor automotivo, dentro do Acordo de Complementação Econômica nº 74 (ACE-74). A iniciativa representa um marco na modernização e integração comercial entre os dois países.

O certificado de origem, emitido pelas 47 entidades habilitadas pelo governo brasileiro, é essencial para garantir os benefícios tarifários previstos no acordo e assegurar a competitividade da indústria automotiva. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a adoção do documento digital amplia o uso da certificação eletrônica já consolidada no ACE-18 (Mercosul), trazendo mais agilidade, segurança e rastreabilidade às operações de exportação e importação.

Digitalização promete mais eficiência e redução de custos

De acordo com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o projeto reforça o compromisso do Brasil com a facilitação do comércio exterior, a transformação digital e o fortalecimento das cadeias produtivas regionais. Com a digitalização, o tempo de emissão do certificado deve cair de 48 horas para apenas 2 horas, e o custo do processo deve ser reduzido em até 95%.

“O certificado é uma ferramenta que simplifica o dia a dia de quem exporta e importa. A digitalização reduz etapas, amplia a transparência e aumenta a previsibilidade nas transações comerciais”, afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

O Certificado de Origem Digital substituirá totalmente o formato em papel, gerando ganhos de eficiência, sustentabilidade e controle aduaneiro. O piloto será conduzido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com implementação definitiva prevista para 1º de dezembro.

Comércio bilateral em alta entre Brasil e Paraguai

O comércio entre Brasil e Paraguai movimentou US$ 7,2 bilhões em 2024, com superávit brasileiro de US$ 273 milhões, segundo dados da Secex. De janeiro a setembro de 2025, as exportações brasileiras para o Paraguai somaram US$ 2,9 bilhões, um aumento de 6,15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as importações ficaram em US$ 2,5 bilhões, uma queda de 3,32%.

A indústria de transformação responde por 96% das exportações do Brasil e 48% das importações vindas do país vizinho. Entre os principais produtos exportados estão fertilizantes, máquinas agrícolas, bebidas alcoólicas e automóveis, enquanto o Brasil importa energia elétrica, arroz, soja e equipamentos elétricos. Em 2024, o comércio de veículos automotores, tratores, ciclos e peças — foco do ACE-74 — movimentou US$ 374,5 milhões em exportações brasileiras para o Paraguai.

Integração regional e inovação digital

Com a implementação do Certificado de Origem Digital, Brasil e Paraguai reafirmam o compromisso com a integração econômica regional e com o uso de soluções digitais para aprimorar o comércio exterior. O projeto fortalece o Mercosul, aumenta a competitividade das empresas e impulsiona a eficiência nas trocas bilaterais.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diplomacia Business

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Comércio

Mercosul fará notificações conjuntas à OMC para agilizar harmonização regulatória

Os países do Mercosul chegaram a um acordo técnico inédito para enviar notificações conjuntas à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre projetos e resoluções do Subgrupo de Trabalho 8 (SGT-8), responsável por temas de agricultura. A iniciativa marca um avanço no processo regulatório do bloco, ao permitir que as propostas sejam submetidas à consulta pública internacional antes de sua aprovação definitiva.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), coordenou as negociações e atuará como ponto focal das notificações à OMC.

Cooperação entre países do Mercosul

Com o novo modelo, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai passarão a comunicar, de forma coordenada e transparente, os demais membros da OMC sobre regulamentos em elaboração dentro do bloco. O procedimento aumenta a previsibilidade, permite colaborações técnicas externas e contribui para reduzir retrabalho e acelerar prazos de implementação das normas regionais.

A medida abrange áreas estratégicas como saúde animal, sanidade vegetal e vitivinicultura, setores em que a harmonização regulatória é essencial para o acesso ao mercado regional e para a competitividade internacional.

Ao consolidar uma única notificação por regulamento, o Mercosul cria um canal unificado para receber comentários e sugestões internacionais, favorecendo a avaliação de impactos e o alinhamento com boas práticas multilaterais.

Próximos passos do acordo

O texto segue agora para análise política no Grupo Mercado Comum (GMC). Se aprovado, a resolução entrará em vigor imediatamente, e a SCRI/Mapa dará início ao fluxo operacional das notificações — definindo cronogramas, recepção de comentários e encaminhamentos técnicos junto aos órgãos competentes dos quatro países.

O que muda na prática

  • Canal único de transparência: um expediente conjunto do Mercosul por regulamento, substituindo notificações individuais por país;
  • Consulta internacional prévia: regulamentos em elaboração serão submetidos a comentários de outros membros da OMC antes da adoção final;
  • Previsibilidade regulatória: etapas e prazos mais claros para harmonização no âmbito do SGT-8;
  • Coordenação estruturada: enquanto o Brasil estiver na Presidência Pro Tempore, a SCRI/Mapa centralizará o envio e acompanhamento das notificações em articulação com as contrapartes nacionais e regionais.

Modernização regulatória no bloco

A proposta representa uma modernização dos marcos regulatórios do Mercosul, reforçando a integração entre os setores público e privado no processo de formulação de normas agropecuárias. O objetivo é garantir maior transparência, base técnica e alinhamento às práticas multilaterais, fortalecendo a credibilidade internacional do bloco.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Oliveira/Agência Senado

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