Agronegócio

Pecuária em Mato Grosso é sustentada por pequenos produtores, que representam 80% das propriedades rurais

A pecuária em Mato Grosso, referência nacional na produção de carne bovina, tem como principal base os pequenos produtores rurais. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) mostram que, dos 106.009 imóveis cadastrados para a criação de gado de corte, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Os números evidenciam que a força da atividade pecuária está distribuída entre milhares de propriedades de menor porte, que desempenham papel fundamental na manutenção da cadeia produtiva e no abastecimento do mercado.

Setor tem forte peso na economia de Mato Grosso

Além da ampla presença no campo, a pecuária bovina ocupa posição de destaque na economia estadual. O segmento representa 9,36% dos CNPJs ativos em Mato Grosso, superando setores tradicionais como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário e o transporte rodoviário de cargas.

Entre as demais categorias de propriedades, o levantamento aponta a existência de 12.583 fazendas de médio porte, correspondentes a 11,8% do total. Já as grandes propriedades somam 8.417 unidades, representando 7,9% dos estabelecimentos cadastrados.

Municípios concentram maior número de fazendas

A distribuição das propriedades demonstra forte presença da atividade pecuária em diferentes regiões do estado, especialmente no Norte e na faixa de fronteira.

O município de Colniza lidera o ranking estadual, com 3.762 propriedades destinadas à criação de gado de corte. Em seguida aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051), formando os principais polos da atividade.

Capilaridade fortalece a economia regional

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a predominância de pequenas propriedades demonstra que a liderança de Mato Grosso na produção de proteína animal não depende apenas de grandes grupos empresariais.

Segundo ele, a ampla distribuição da atividade contribui para descentralizar a geração de renda, fortalecer as economias locais e ampliar as oportunidades nos municípios do interior.

O especialista destaca ainda que essa base produtiva diversificada é um dos fatores que sustentam o protagonismo do estado na pecuária nacional.

Tecnologia impulsiona produtividade no campo

De acordo com o Imac, a adoção crescente de tecnologias de manejo, aliada à presença da atividade em praticamente todas as regiões de Mato Grosso, tem elevado os índices de produtividade da cadeia pecuária.

A combinação entre inovação, diversificação e ampla distribuição dos produtores consolida o estado como uma das principais referências mundiais na produção de carne bovina, fortalecendo sua competitividade no mercado nacional e internacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Logística

Duplicação da BR-163 em Mato Grosso será entregue em quatro anos e acelera logística do agronegócio

A duplicação da BR-163 em Mato Grosso deverá ser concluída em apenas quatro anos, antecipando em 50% o cronograma previsto inicialmente no contrato firmado com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que estabelecia prazo de oito anos para a execução das obras.

A informação foi confirmada pelo governador Otaviano Pivetta durante visita técnica realizada na última quarta-feira (24) à sede da concessionária Nova Rota do Oeste, responsável pela administração da rodovia.

Segundo o planejamento da empresa, os 96 quilômetros restantes previstos no contrato original serão entregues até dezembro de 2026. Até agora, cerca de 230 quilômetros de pistas duplicadas já foram liberados para circulação.

Contrato foi ampliado com novos trechos

Além da duplicação inicialmente prevista, a concessionária incorporou ao contrato, em janeiro de 2025, mais 100 quilômetros de obras entre Várzea Grande e Jangada, ampliando a capacidade da principal rodovia de escoamento da produção mato-grossense.

O Governo de Mato Grosso informou que os recursos necessários para manter todas as frentes de trabalho estão assegurados, garantindo a continuidade das intervenções.

Desde maio de 2023, o Estado assumiu o controle acionário da Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela gestão dos 850 quilômetros da BR-163, trecho que liga a divisa com Mato Grosso do Sul ao município de Sinop.

A transferência do controle foi oficializada em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro dos Transportes, Renan Filho.

Governo destaca importância estratégica da rodovia

Durante a visita, o governador Otaviano Pivetta ressaltou que a antecipação das obras representa um avanço importante para a infraestrutura estadual.

Segundo ele, a redução do prazo permitirá transformar a BR-163 em uma das principais autoestradas do país, além de oferecer maior eficiência ao transporte de cargas. O governador também garantiu que os recursos financeiros destinados à duplicação estão integralmente assegurados.

Tecnologia e inteligência artificial reforçam controle de qualidade

Para manter o ritmo acelerado das obras sem comprometer a qualidade do pavimento, a Nova Rota do Oeste investiu em um laboratório especializado em tecnologia de materiais.

De acordo com o diretor-presidente da concessionária, Luciano Uchoa, mais de 370 mil testes de qualidade foram realizados apenas no último ano, incluindo análises de compactação, concreto e asfalto. Os dados são processados com apoio de inteligência artificial, permitindo maior controle sobre todas as etapas da pavimentação.

Duplicação fortalece o escoamento da safra em Mato Grosso

A modernização da BR-163 atende diretamente ao crescimento da produção agrícola do estado, consolidando a rodovia como o principal corredor logístico de Mato Grosso.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e presidente do Conselho de Administração da Nova Rota, Marcelo Oliveira, destacou que o diálogo permanente entre o governo e a concessionária tem garantido transparência na condução das obras.

Segundo ele, a expectativa é que Mato Grosso alcance uma produção de aproximadamente 130 milhões de toneladas de grãos na próxima década, cenário que reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura para garantir eficiência no escoamento da safra e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mayke Toscano/Secom-MT

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Logística

Ferrovia do Mato Grosso: Rumo inaugura novo terminal e amplia capacidade logística no agronegócio

A Rumo confirmou para o dia 19 de junho a inauguração do novo terminal localizado na BR-070 e da primeira etapa operacional da Ferrovia do Mato Grosso. Considerado o maior investimento em andamento da companhia, o projeto também figura como a principal obra ferroviária atualmente em execução no Brasil.

A iniciativa faz parte da estratégia da empresa para fortalecer sua atuação no transporte de cargas e ampliar a participação no escoamento da produção agrícola nacional.

Nova fase impulsiona infraestrutura de transporte no Centro-Oeste

A entrega da primeira etapa da ferrovia representa um marco para a expansão da malha logística da Rumo. O empreendimento chega em um momento de crescente demanda por soluções de infraestrutura logística voltadas ao agronegócio, especialmente na região Centro-Oeste.

Com o início do processo de comissionamento dos novos ativos, a expectativa é de aumento na capacidade de transporte ferroviário, contribuindo para a redução dos custos operacionais e para o ganho de competitividade das exportações brasileiras de grãos.

Terminal terá capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas

De acordo com a companhia, a nova estrutura foi projetada para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. O investimento fortalece a presença da Rumo em Mato Grosso, estado líder na produção agrícola do país, e amplia a eficiência do corredor logístico direcionado aos portos do Arco Sul.

A ampliação da capacidade de escoamento é vista como um passo importante para atender ao crescimento da produção agropecuária e melhorar a integração entre o campo e os mercados internacionais.

Mercado acompanha impacto econômico do projeto

O avanço da Ferrovia do Mato Grosso também desperta atenção do mercado financeiro. Projetos de grande porte no setor ferroviário costumam gerar ganhos de produtividade, otimização operacional e potencial aumento de receitas ao longo dos anos.

Analistas apontam que a nova ferrovia pode se tornar um dos principais motores de crescimento da Rumo no médio e longo prazo, consolidando a empresa como uma das protagonistas da logística nacional voltada ao agronegócio.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Agronegócio

Milho perde rentabilidade em Mato Grosso e produtores já reduzem investimentos na soja

A queda no preço do milho aliada ao aumento dos custos de produção começa a impactar diretamente o planejamento agrícola em Mato Grosso. Em Jaciara, produtores relatam dificuldade para manter a rentabilidade das lavouras e já estudam cortar investimentos na próxima safra, inclusive na cultura da soja.

Baixo preço do milho preocupa produtores

Mesmo com boas condições climáticas e expectativa de produtividade semelhante à do ano anterior, agricultores enfrentam dificuldades financeiras diante da desvalorização do cereal.

O produtor Murilo Degaspari Fritsch cultivou nesta temporada cerca de 1,5 mil hectares de milho verão e outros 2,8 mil hectares de milho segunda safra. Segundo ele, o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras desde o início do ciclo, garantindo um desempenho considerado satisfatório.

Apesar disso, o resultado financeiro não acompanhou a produtividade. A expectativa inicial era repetir os preços registrados em 2025, quando a saca chegou perto de R$ 80 em Jaciara. No entanto, o cenário atual é bem diferente.

Hoje, a saca do milho está sendo comercializada entre R$ 42 e R$ 43, com baixa demanda e dificuldades para negociação. Segundo o produtor, o valor não cobre os custos de produção.

Custos elevados pressionam a próxima safra

Além da desvalorização do cereal, o aumento dos insumos agrícolas agrava ainda mais a situação no campo. O custo do milho verão ficou próximo de R$ 5 mil por hectare, reduzindo drasticamente a margem de lucro do produtor rural.

Dados do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar Mato Grosso, mostram que o custo do milho subiu 2,32% em abril, alcançando R$ 3.772 por hectare na projeção da safra 2026/27.

Os fertilizantes seguem entre os principais fatores de pressão. Segundo relatos de produtores, o fósforo praticamente dobrou de preço, enquanto potássio e adubos nitrogenados continuam em forte alta.

Diante desse cenário, muitos agricultores pretendem reduzir investimentos em tecnologia e fertilização, utilizando a reserva de nutrientes já existente no solo para diminuir despesas na próxima safra de soja.

Estratégia de manejo fica mais limitada

O produtor rural Everton Jorge Schinoca afirma que encontrar alternativas economicamente viáveis para manter a atividade se tornou um grande desafio.

Ele destaca que as usinas de etanol de milho ajudam a sustentar os preços no estado. Ainda assim, os custos seguem elevados, especialmente com a adubação nitrogenada, considerada essencial para manter a produtividade das lavouras.

Segundo Schinoca, retirar tecnologia do manejo significa reduzir diretamente o potencial produtivo da cultura. Atualmente, ele calcula que sejam necessárias entre 85 e 95 sacas por hectare apenas para cobrir os custos da próxima safra.

Com isso, a tendência é de redução significativa da área plantada com milho na propriedade da família, que deve iniciar em breve a colheita de 1,4 mil hectares de milho segunda safra em Jaciara.

Clima evita perdas maiores nas lavouras

As chuvas registradas recentemente ajudaram a amenizar os impactos da estiagem em parte das áreas produtoras. Ainda assim, produtores estimam queda de aproximadamente 10% na produtividade esperada devido ao período de seca registrado durante o desenvolvimento das plantas.

O clima adverso aumenta ainda mais a preocupação dos agricultores, principalmente em um momento de margens apertadas e custos crescentes.

Soja também pode sofrer impacto na produtividade

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirma que muitos produtores acabaram plantando milho fora da janela ideal após já terem adquirido sementes e fertilizantes antecipadamente.

Segundo ele, a redução das chuvas em diversas regiões e os conflitos internacionais envolvendo países fornecedores de insumos, como Rússia, Ucrânia e Irã, elevaram ainda mais os custos de produção.

O reflexo já aparece no planejamento da próxima safra. A tendência, segundo Beber, é de redução no uso de tecnologia agrícola e fertilizantes nitrogenados para tentar preservar a rentabilidade das propriedades.

O levantamento mais recente aponta que o custeio da safra de soja 2026/27 deve atingir R$ 4.286 por hectare, alta de 1,88% em relação ao mês anterior. O aumento foi puxado principalmente pelos fertilizantes, defensivos agrícolas e pela pressão do mercado internacional.

Para cobrir os custos da próxima temporada, a soja precisaria ser vendida a pelo menos R$ 68,65 por saca, valor acima do ponto de equilíbrio registrado na safra anterior.

Diante do aperto financeiro, produtores já cogitam reduzir drasticamente o uso de fertilizantes nas lavouras, o que pode comprometer a produtividade futura tanto da soja quanto do milho em Mato Grosso.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Alta nos custos da soja, milho e algodão pressiona produtores em Mato Grosso

O aumento da instabilidade no mercado internacional elevou os custos de produção das lavouras de soja, milho e algodão em Mato Grosso para a safra 2026/27. Os dados divulgados em abril de 2026 apontam avanço no custeio agrícola, impulsionado principalmente pelo encarecimento de insumos importados e pelos impactos logísticos globais.

Milho registra maior avanço no custeio agrícola

Levantamento do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, mostra que o milho apresentou a maior alta mensal entre as culturas analisadas. O custo por hectare chegou a R$ 3.772,24, crescimento de 2,32% em relação a março.

O resultado foi influenciado principalmente pela valorização dos fertilizantes e corretivos, que tiveram aumento de 4,30%. Também contribuíram para a elevação os gastos com defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%).

Produção de soja também fica mais cara

Na cultura da soja, o custeio estimado alcançou R$ 4.286,89 por hectare, avanço de 1,88% no comparativo mensal.

O cenário reflete o aumento das despesas com fertilizantes, que ficaram 2,73% mais caros, além da alta de 2,17% nos defensivos. O comportamento dos preços acompanha a pressão internacional sobre os insumos utilizados no campo.

Algodão sofre impacto de tensões internacionais

O algodão manteve a tendência de alta nos custos de produção. Em abril, o custeio da cultura foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare, crescimento de 1,05% frente ao mês anterior.

Segundo o levantamento, o principal fator para o avanço foi o encarecimento dos macronutrientes, afetados pelos problemas logísticos globais relacionados às tensões no Estreito de Ormuz.

Margens dos produtores ficam mais apertadas

Com os custos operacionais em alta e os preços das commodities ainda pressionados, produtores rurais enfrentam redução nas margens de lucro.

Analistas do Imea e do Senar-MT avaliam que as incertezas no cenário externo, especialmente no Oriente Médio, ampliam os riscos para o setor agrícola, impactando diretamente a logística e os preços dos insumos.

Ponto de equilíbrio preocupa produtores de soja

Para a soja, considerando produtividade média de 62,44 sacas por hectare, o produtor precisa vender a saca a R$ 68,65 para cobrir o custeio da lavoura. O valor representa alta de 8,42% em relação à safra passada.

Com parte dos insumos ainda em processo de compra, os agricultores seguem atentos às oscilações do mercado internacional.

Milho exige estratégia de comercialização

No caso do milho, a produtividade projetada é de 118,71 sacas por hectare. O preço necessário para cobrir o custeio é de R$ 31,78 por saca, enquanto o valor para arcar com o Custo Operacional Efetivo (COE) sobe para R$ 46,34.

Como a média de preços do cereal em abril foi de R$ 45,68 por saca, o valor cobre apenas o custeio básico, exigindo maior planejamento comercial dos produtores.

Cotonicultores buscam proteger margens

Para o algodão, a produtividade média estimada é de 119,82 arrobas de pluma por hectare. Nesse cenário, o produtor precisa comercializar a arroba por pelo menos R$ 127,09 para cobrir o COE, calculado em R$ 15.227,56 por hectare.

Diante dos preços mais atrativos da fibra nos últimos meses, muitos cotonicultores aceleraram estratégias de proteção de margem e travamento de custos, ampliando a comercialização da safra 2026/27.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

Estreito de Ormuz eleva custos da soja e milho em Mato Grosso

A crise no Estreito de Ormuz já impacta diretamente o agronegócio brasileiro, com reflexos imediatos no custo de produção em Mato Grosso. A escalada das tensões na região, considerada estratégica para o comércio global, provocou aumento nos preços do petróleo, combustíveis e insumos agrícolas, pressionando o planejamento da safra 2026/27.

Alta do diesel encarece operações no campo

Um dos principais fatores por trás da elevação dos custos é o avanço no preço do óleo diesel, essencial para as atividades mecanizadas. Em Mato Grosso, o valor médio do combustível subiu de R$ 6,35 por litro em fevereiro para R$ 7,21 em março, segundo dados oficiais.

Esse aumento impacta diretamente etapas como preparo do solo, plantio e manejo, tornando a produção mais cara e reduzindo a margem do produtor rural.

Fertilizantes lideram pressão nos custos da soja

O custo de produção da soja registrou alta de 6,98% no último mês, chegando a R$ 4.435,40 por hectare. O principal responsável por esse avanço foi o encarecimento dos fertilizantes, que representam quase metade do custo total da cultura.

Os insumos tiveram aumento de 10,77% no período, atingindo R$ 2.071,87 por hectare — um dos maiores níveis já registrados. A valorização está ligada à menor oferta global de nitrogenados e fosfatados, afetada pelas tensões geopolíticas.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de planejamento estratégico na compra de insumos, como forma de reduzir riscos e evitar prejuízos.

Milho também sofre com piora na relação de troca

A produção de milho segue a mesma tendência de alta nos custos. Para a safra 2026/27, o valor estimado é de R$ 3.686,80 por hectare, avanço de 3,38%.

Os principais aumentos foram observados em:

  • fertilizantes (+5,67%);
  • corretivos e defensivos (+3,12%).

Com o preço médio do milho em R$ 43,48 por saca, o poder de compra do produtor caiu. A relação de troca piorou significativamente, exigindo mais produto para adquirir insumos básicos como ureia, MAP e KCl.

Produtores reduzem compras diante da incerteza

O ambiente de volatilidade tem levado agricultores a adotar uma postura mais cautelosa. O volume de insumos negociados e as importações de fertilizantes no estado estão abaixo do registrado no ano anterior.

Essa retração indica menor apetite por risco, diante da instabilidade dos preços internacionais e da incerteza sobre os custos futuros.

Algodão também registra aumento no custo de produção

A cultura do algodão, que exige alto investimento tecnológico, também foi impactada. O custo da safra 2026/27 subiu 2,64%, alcançando R$ 10.531,50 por hectare.

Já o custo total da produção atingiu R$ 18.630,38 por hectare, revertendo a tendência de queda observada anteriormente.

Os gastos com fertilizantes e corretivos aumentaram 6,27%, influenciados por:

  • restrições na oferta global;
  • elevação dos custos logísticos;
  • mudanças nas rotas comerciais devido à crise no Oriente Médio.

Gestão de risco se torna essencial

Com a alta generalizada dos custos, a rentabilidade do produtor fica mais pressionada, especialmente em culturas intensivas como o algodão. Especialistas destacam que o cenário exige maior atenção à gestão de risco, acompanhamento constante do mercado e estratégias como a compra antecipada de insumos.

A instabilidade no Estreito de Ormuz reforça como fatores geopolíticos podem afetar diretamente o agronegócio brasileiro, elevando custos e exigindo decisões mais estratégicas no campo.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

Manejo precoce e sanidade do baixeiro garantem produtividade na soja e milho em Mato Grosso

As últimas safras em Mato Grosso têm sido impactadas por um fator recorrente no campo: o avanço das doenças fúngicas. De progressão rápida e sintomas iniciais pouco visíveis, essas patologias afetam a lavoura logo nos primeiros estágios, muitas vezes antes de serem identificadas pelo produtor.

O resultado é a perda de potencial produtivo ainda no início do ciclo, especialmente em sistemas intensivos do Cerrado. Nesse contexto, o manejo do baixeiro e a atenção à sanidade foliar ganham protagonismo como estratégias para evitar prejuízos acumulados até a colheita.

Perdas começam na base da planta

Especialistas destacam que os danos frequentemente se iniciam na parte inferior das plantas, comprometendo a capacidade de produção de energia necessária ao desenvolvimento inicial das culturas.

Por isso, o manejo antecipado e aplicações preventivas ao longo do ciclo são apontados como essenciais para manter a área fotossintética ativa e garantir o máximo potencial produtivo de culturas como soja, milho e algodão.

Principais doenças afetam soja e milho

O produtor Leonardo Lorenzi, que atua com soja e milho em Mato Grosso, relata que o campo enfrenta uma combinação de doenças que exigem atenção constante. Entre elas estão cercóspora, mancha-alvo, tombamento e anomalias na soja, além de bipolares, diplodia e fusarium no milho.

Segundo ele, os impactos são significativos e, em muitos casos, as perdas não podem ser revertidas. Lorenzi também observa que a soja sofre deterioração na parte inferior no final do ciclo, enquanto no milho a falta de manejo inicial compromete o desenvolvimento e eleva os custos com aplicações posteriores.

Manejo preventivo reduz prejuízos

A engenheira agrônoma Mariana Ferneda Dossin, da Basf, destaca que o sistema agrícola do Cerrado é altamente intensivo e baseado na sucessão de culturas, o que favorece a permanência das doenças ao longo do ciclo produtivo.

Ela reforça que a integridade de cada folha é decisiva para o rendimento final. Em variedades mais modernas, que possuem menor área foliar, cada estrutura da planta tem peso direto na produtividade.

“Cada folha representa uma parcela importante da produção”, explica a especialista, destacando que perdas aparentemente pequenas podem gerar impacto expressivo na colheita.

Baixeiro é ponto crítico de atenção

A pesquisadora da Fundação Rio Verde, Luana Belufi, ressalta que muitas infecções começam no terço inferior das plantas, onde surgem sinais iniciais de doenças como cercóspora e septoria.

Essa região, segundo ela, concentra parte relevante do potencial produtivo da lavoura. Por isso, evitar que as doenças avancem para as partes superiores é um dos principais objetivos do manejo eficiente de sanidade vegetal.

Luana também reforça que a integração entre tecnologias de controle e práticas de campo é fundamental para a proteção da lavoura desde a fase inicial, incluindo o tratamento de sementes.

Tecnologia e manejo elevam eficiência produtiva

No campo tecnológico, especialistas destacam o avanço de soluções voltadas ao controle de doenças desde a germinação. Produtos com maior seletividade e ação direcionada têm contribuído para reduzir impactos fisiológicos nas plantas e ampliar o espectro de controle.

Entre as estratégias adotadas, o uso de soluções voltadas ao controle de manchas foliares e proteção do baixeiro tem sido associado a ganhos de eficiência no ciclo produtivo.

O produtor Leonardo Lorenzi afirma que o foco no manejo preventivo é determinante para o resultado econômico. Em áreas de alta produtividade, pequenas melhorias no controle podem representar ganhos expressivos em sacas por hectare, com retorno superior ao custo investido.

“O manejo preventivo garante resultado e reduz perdas”, resume o agricultor.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Alcooduto de R$ 22 bilhões em Mato Grosso deve ligar Sinop a Paulínia para escoar etanol

O setor de biocombustíveis em Mato Grosso avançou no planejamento de um ambicioso projeto logístico: a construção de um alcooduto de aproximadamente 2,1 mil quilômetros, com investimento estimado em R$ 22 bilhões. A estrutura deverá conectar Sinop, no médio-norte do estado, ao polo industrial de Paulínia (SP).

A proposta foi apresentada durante a 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá, e é tratada como peça-chave para sustentar o crescimento da produção de etanol de milho no estado.

Mato Grosso lidera produção nacional de etanol de milho

Atualmente, Mato Grosso ocupa a liderança absoluta na produção brasileira do segmento. Na safra 2024/2025, o estado produziu cerca de 5,6 bilhões de litros, o equivalente a 70% de todo o etanol de milho no Brasil.

Com 17 usinas em operação, o desafio do setor passa a ser a logística de escoamento, diante do aumento expressivo da produção. A expectativa é de que a demanda futura alcance 26,8 milhões de toneladas de milho processadas na safra 2026/2027, ampliando ainda mais a pressão sobre o sistema de transporte.

O projeto do alcooduto teria capacidade para movimentar até 13 milhões de metros cúbicos, funcionando como solução estruturante para o fluxo até os grandes centros consumidores.

Projeto atrai interesse público e capital privado

Segundo o ex-senador e CEO do Grupo MC, Cidinho Santos, a iniciativa já desperta interesse do governo federal para inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de atrair investidores privados.

Ele afirma que o empreendimento pode nascer com cerca de 70% de ocupação garantida, considerando a produção atual estimada em 8 milhões de metros cúbicos na região.

Integração logística é vista como estratégica

Especialistas apontam que o alcooduto faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura, que inclui a duplicação da BR-163 e a expansão da malha ferroviária.

A avaliação do setor é que a integração entre diferentes modais é essencial para garantir competitividade ao milho processado e seus derivados, como o próprio etanol e o DDGS, coproduto utilizado na nutrição animal.

“Esse projeto ainda será amplamente discutido, mas já sinaliza um novo patamar de competitividade para Mato Grosso quando somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção”, afirmou Cidinho Santos.

Arco Norte e hidrovias ampliam alternativas de escoamento

Além da rota para o Sudeste, cresce a defesa pela utilização do Arco Norte como alternativa logística para abastecer as regiões Norte e Nordeste.

O diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, destaca que o escoamento por Miritituba e Barcarena não compete com o alcooduto, mas atua de forma complementar na distribuição do etanol.

“Essas rotas ampliam as possibilidades e ajudam a levar o produto para regiões com déficit de abastecimento”, explicou.

Já no campo hidroviário, o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, defende a integração entre Santarém e o Porto do Itaqui como forma de reduzir custos logísticos.

Segundo ele, o uso de balsas para distribuição a partir de um hub fluvial pode tornar o transporte mais eficiente e econômico.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Reprodução
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural

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Exportação

Exportação de carne bovina em Mato Grosso bate recorde no 1º trimestre de 2026

Mato Grosso registrou o maior volume já exportado de carne bovina para um primeiro trimestre, alcançando 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) entre janeiro e março de 2026. O resultado representa um avanço de 53,39% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com esse desempenho, o estado foi responsável por 26,72% de toda a exportação de carne bovina brasileira no período, consolidando sua relevância no cenário internacional.

Faturamento cresce com valorização do produto

Além do aumento no volume, a receita também apresentou forte expansão. O faturamento atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71% na comparação anual. O crescimento foi impulsionado pela valorização do preço médio da tonelada, que chegou a US$ 4,54 mil.

Esse cenário reforça não apenas o ganho em escala, mas também o avanço no valor agregado da produção.

China lidera compras; EUA ampliam participação

A China permanece como principal destino da carne bovina exportada, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC.

Já os Estados Unidos se destacam pelo crescimento acelerado na demanda. Em apenas três meses, o país adquiriu 23,03 mil TEC — volume que corresponde a 9,14% das exportações no período e a mais da metade de tudo o que foi enviado ao mercado norte-americano ao longo de 2025.

Expansão de mercados fortalece pecuária

O avanço nas exportações reflete a abertura de novos mercados e o fortalecimento da pecuária de Mato Grosso. Segundo especialistas do setor, a confiança internacional está diretamente ligada à qualidade e à regularidade do produto ofertado.

Eficiência produtiva e sustentabilidade elevam competitividade

O crescimento do setor também está associado a melhorias na genética bovina, no manejo e no cumprimento de exigências sanitárias e ambientais. Esses fatores contribuem para elevar o padrão da carne e ampliar sua aceitação em mercados mais exigentes.

Além do aumento no volume exportado, o estado também tem avançado na geração de valor, com foco em eficiência produtiva e adoção de práticas sustentáveis — aspectos cada vez mais determinantes no comércio global.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução Assessoria Imac

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Exportação

Exportação de DDGS cresce e Sinop envia 45 mil toneladas para a Turquia

Um carregamento de 45 mil toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) saiu de Sinop, no médio-norte de Mato Grosso, com destino ao mercado da Turquia. A operação foi conduzida pela Inpasa e reforça uma rota comercial considerada estratégica, que já acumulou cerca de 600 mil toneladas exportadas para o país desde 2023.

Atualmente, a Turquia ocupa a posição de segundo maior comprador global do insumo produzido pela companhia, ficando atrás apenas do Vietnã.

Corredor logístico do Arco Norte ganha protagonismo

O transporte da carga utilizou o Arco Norte, alternativa logística que vem ganhando espaço no escoamento da produção do Centro-Oeste. O trajeto começou por rodovia até o terminal de Miritituba, em Itaituba (PA). Em seguida, o produto seguiu por barcaças pelo rio Tapajós até Santarém, onde foi embarcado no navio Ionic para a viagem internacional.

Esse modelo logístico reduz a dependência dos portos das regiões Sul e Sudeste, ampliando a eficiência no transporte de grandes volumes.

Demanda externa impulsiona embarques

A exportação ocorre em meio ao avanço da procura internacional por coprodutos do milho, especialmente na nutrição animal. Recentemente, a empresa também realizou o envio de 62 mil toneladas do produto para a China, indicando uma tendência de crescimento nas vendas externas.

Qualidade do DDGS amplia mercado

O DDGS é um concentrado proteico obtido durante a produção de etanol de milho e tem conquistado espaço em mercados exigentes. O produto exportado apresenta, no mínimo, 32% de proteína bruta, além de não conter antibióticos e passar por rigoroso controle de micotoxinas.

Essas características permitem sua utilização em diferentes cadeias produtivas, como avicultura, suinocultura, aquicultura e também na bovinocultura de corte e leite.

Estratégia fortalece competitividade

Segundo a empresa, a operação evidencia a capacidade de atuação em múltiplas rotas logísticas e reforça a confiabilidade no atendimento ao mercado externo. A combinação entre qualidade do produto, regularidade nas entregas e flexibilidade logística tem sido determinante para ampliar a presença internacional.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Inpasa

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