Internacional

União Europeia e Brasil negociam fim de embargo à carne bovina durante encontro do G7

A União Europeia e o Brasil iniciaram tratativas para encontrar uma solução para o impasse envolvendo a suspensão das exportações de carne bovina brasileira ao bloco europeu. A medida, prevista para entrar em vigor em setembro, está sendo discutida paralelamente à realização da cúpula do G7, na França.

A informação foi confirmada pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que participa do encontro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o diálogo entre as partes representa um caminho construtivo para resolver divergências comerciais.

Questões sanitárias motivaram a decisão europeia

A restrição foi anunciada pouco depois da implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciada em maio. Na ocasião, autoridades europeias retiraram o Brasil da lista de países autorizados a vender carne bovina ao mercado europeu.

De acordo com representantes do bloco, a decisão ocorreu após alegações de que o país não teria cumprido integralmente as normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Antonio Costa destacou que o cumprimento dos padrões sanitários é indispensável para o acesso ao mercado europeu. Ele ressaltou, porém, que as negociações estão sob responsabilidade da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia.

Lula deve tratar do tema com Ursula von der Leyen

A expectativa é que o presidente Lula aproveite sua participação no encontro internacional para discutir a retirada do embargo às exportações brasileiras. Uma reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está sendo considerada para esta terça-feira, embora ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O Brasil participa da reunião do G7 na condição de convidado. O grupo é formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Presença brasileira ganha destaque na cúpula

Esta é a décima participação do Brasil em encontros de líderes do G7. Para Antonio Costa, a presença brasileira é estratégica diante dos desafios globais debatidos pelo grupo.

Segundo ele, temas como inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, parcerias internacionais e desequilíbrios macroeconômicos exigem cooperação ampla entre diferentes países, tornando a participação brasileira relevante para as discussões.

Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade alpina francesa que recebe o encontro até quarta-feira sob forte esquema de segurança.

Lula e Macron discutem agenda internacional

Durante a programação, Lula manteve uma reunião de quase uma hora com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Integrantes do governo brasileiro informaram que não houve solicitação por parte do Brasil para uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Oriente Médio domina debates entre líderes

A situação no Oriente Médio ganhou destaque logo antes da abertura oficial do encontro. Donald Trump anunciou um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, informação posteriormente confirmada por autoridades iranianas. O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Em entrevista à televisão francesa, Macron afirmou que a retomada da navegação no estreito é uma prioridade imediata. O presidente francês, contudo, criticou a possibilidade de cobrança de taxas por embarcações que utilizem a passagem marítima, medida que, segundo relatos, estaria sendo considerada pelo Irã.

Macron também declarou que países europeus poderiam enviar embarcações em até três dias para remover minas instaladas durante o conflito e garantir a segurança da navegação.

Já Trump minimizou a necessidade de apoio internacional para a reabertura da rota, embora tenha admitido que a participação de navios franceses poderia ser útil caso fosse necessária assistência adicional.

Guerra na Ucrânia e economia global também estão na pauta

Além das tensões no Oriente Médio, os líderes do G7 devem concentrar suas discussões na guerra da Ucrânia. Outros temas previstos na agenda incluem minerais críticos, regulação da internet, comércio internacional e os desafios da economia global.

As reuniões seguem até quarta-feira e devem resultar em posicionamentos conjuntos sobre algumas das principais questões geopolíticas e econômicas da atualidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Belli/Valor

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Comércio Exterior

Brasil avalia reduzir tarifas de importação sobre máquinas dos EUA durante negociações comerciais

O governo federal estuda a possibilidade de diminuir as tarifas de importação incidentes sobre máquinas industriais e produtos de tecnologia da informação provenientes dos Estados Unidos. A medida faz parte das negociações em andamento para evitar a aplicação de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Segundo fontes ligadas às tratativas, uma lista inicial com um número limitado de itens foi apresentada como ponto de partida para as discussões bilaterais. A expectativa é que as conversas avancem ao longo desta semana.

Lista inclui máquinas e equipamentos de tecnologia

Entre os produtos que podem ser contemplados pela redução tarifária estão equipamentos cujas alíquotas de importação foram elevadas em fevereiro por decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex). Esses itens possuem similares produzidos pela indústria nacional.

A revisão das tarifas havia sido adotada como forma de fortalecer a produção brasileira e, conforme estimativas divulgadas anteriormente, poderia gerar cerca de R$ 14 bilhões em arrecadação adicional ao longo deste ano.

Além desses produtos, a proposta encaminhada aos Estados Unidos também inclui bens fabricados exclusivamente por empresas norte-americanas e que não possuem equivalentes produzidos no Brasil.

Propostas estão sob análise do governo norte-americano

A relação de produtos foi apresentada durante reuniões técnicas entre representantes dos dois países. Na ocasião, o Brasil indicou áreas nas quais estaria disposto a flexibilizar sua política tarifária como parte de um eventual acordo comercial.

As sugestões encontram-se atualmente em avaliação pelo governo dos Estados Unidos. Autoridades brasileiras, no entanto, descartam qualquer negociação envolvendo o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

As tratativas ocorrem no âmbito do grupo de trabalho bilateral criado após o encontro realizado em 7 de maio entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Negociações devem seguir até julho

Embora o prazo inicial de 30 dias estabelecido para os trabalhos do grupo tenha sido encerrado no último domingo (7), a expectativa é que as discussões continuem nas próximas semanas.

O governo brasileiro busca uma solução negociada antes de 15 de julho, data prevista para a conclusão do processo administrativo conduzido pelos Estados Unidos que poderá resultar na imposição da tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras.

Na semana passada, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou conclusões preliminares de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O dispositivo permite a aplicação de tarifas em resposta a práticas consideradas prejudiciais à competitividade dos produtos dos EUA.

Investigação envolve Pix, desmatamento e comércio informal

Aberta em julho do ano passado, a investigação analisa diversos temas relacionados ao Brasil, incluindo o funcionamento do Pix, questões ligadas ao desmatamento ilegal, medidas de combate à corrupção e atividades comerciais na região da Rua 25 de Março, em São Paulo.

Até o momento, a recomendação de sobretaxa de 25% ainda não representa uma decisão definitiva. Integrantes do governo brasileiro avaliam que ao menos mais uma ou duas reuniões serão necessárias para verificar a possibilidade de um acordo capaz de evitar a medida.

Governo prepara estratégia para setores afetados

Paralelamente às negociações com Washington, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pretende retomar grupos de trabalho com representantes do setor privado.

A estratégia segue o modelo adotado durante a primeira rodada de discussões tarifárias e tem como objetivo preparar os segmentos potencialmente impactados pelas medidas norte-americanas.

O governo considera fundamental discutir mecanismos de proteção comercial e acompanhar os possíveis efeitos das novas tarifas sobre a economia brasileira.

Entre os setores que devem participar das próximas reuniões está a indústria calçadista. Também estão previstos novos encontros com entidades empresariais, incluindo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Produtos brasileiros podem enfrentar tarifa total de 37,5%

Além da sobretaxa de 25% atualmente em discussão, alguns produtos brasileiros poderão ser atingidos por uma tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a cerca de 60 países.

A justificativa para essa cobrança está relacionada à avaliação norte-americana sobre falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Caso ambas as medidas sejam implementadas, a carga tarifária total sobre determinados produtos brasileiros poderá alcançar 37,5%.

Nos bastidores, porém, integrantes do governo reconhecem que há menor margem para negociação em relação à tarifa extra de 12,5%, já que se trata de uma política de alcance global e não direcionada especificamente ao Brasil.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP Photo/Mark Schiefelbein

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Comércio Internacional

Lula diz que Brasil buscará novos parceiros comerciais para reduzir impactos de tarifas dos EUA

O presidente da República afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil pretende ampliar sua rede de parceiros comerciais internacionais para minimizar os efeitos das novas barreiras impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto.

Segundo Lula, o país não ficará dependente de um único mercado e seguirá buscando alternativas para fortalecer as relações econômicas e ampliar oportunidades de negócios no exterior.

“Se um país não quiser comprar nossos produtos, vamos comercializar com quem tiver interesse. Da mesma forma, se não houver interesse em investir aqui, buscaremos novos investidores. O Brasil é uma nação soberana e democrática”, afirmou o presidente.

Lula reforça defesa da soberania brasileira

Durante o encontro, o chefe do Executivo destacou que o Brasil não deve adotar uma postura de submissão diante das grandes potências mundiais. Para ele, o país deve manter relações baseadas no respeito mútuo.

Lula ressaltou que o governo busca uma política externa pautada pela independência e pelo fortalecimento da posição brasileira no cenário internacional.

Tarifas de 25% entram no centro das discussões

A manifestação do presidente ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras.

A proposta é resultado de uma investigação iniciada durante a gestão do presidente Donald Trump, que apura supostas práticas consideradas desleais nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Entre os argumentos apresentados pelo órgão norte-americano está a alegação de que o Pix teria favorecido o sistema de pagamentos brasileiro em detrimento de empresas dos EUA que atuam no setor, como operadoras de cartões de crédito e plataformas de pagamento digital.

Participação no G7 ganha importância diante do cenário internacional

Lula também confirmou que participará da próxima reunião do G7, marcada para junho, na França. Inicialmente, a viagem não fazia parte da agenda presidencial.

O encontro reúne os líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil participará como país convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron.

De acordo com Lula, a presença no evento será uma oportunidade para defender o fortalecimento do multilateralismo, das instituições internacionais e da cooperação entre os países.

Defesa da ONU e da governança global

Durante sua fala, o presidente voltou a defender a valorização da Organização das Nações Unidas (ONU) e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da entidade.

Segundo ele, os desafios globais exigem o fortalecimento dos mecanismos internacionais de diálogo e cooperação, em vez do enfraquecimento das instituições multilaterais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Internacional

Brasil e Suriname negociam ampliação de acordo comercial e fortalecem parceria econômica

Brasil e Suriname devem iniciar, no segundo semestre deste ano, negociações para ampliar o acordo comercial entre os dois países. O objetivo é aumentar o fluxo de negócios e abrir novas oportunidades em setores estratégicos da economia.

O tema esteve no centro da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, realizada na quinta-feira (28), em Brasília. Simons, eleita em 2025, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência do país sul-americano.

Comércio bilateral ainda é considerado limitado

Durante declaração conjunta no Palácio do Itamaraty, Lula afirmou que o intercâmbio comercial entre os dois países ainda é reduzido e concentrado em poucos produtos.

Segundo o presidente, o volume de comércio bilateral alcançou apenas US$ 55 milhões em 2025. Atualmente, o acordo comercial em vigor é considerado restrito, o que motivou o avanço das negociações para ampliar a parceria econômica.

Entre os principais itens comercializados estão maquinários, materiais elétricos, produtos da indústria química e commodities. A maior parte das operações é composta por exportações brasileiras.

Setores estratégicos devem ganhar espaço nas negociações

A agenda da delegação surinamesa em Brasília inclui encontros empresariais com representantes brasileiros dos setores de energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações.

A expectativa dos governos é facilitar o comércio bilateral e estimular investimentos conjuntos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional.

Petróleo offshore e minerais críticos ampliam interesse econômico

Nos últimos anos, o Suriname ganhou destaque internacional após a descoberta de grandes reservas de petróleo offshore na chamada Bacia da Guiana, no Oceano Atlântico. A exploração deve impulsionar significativamente a economia do país nos próximos anos.

Em 2024, a Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie assinaram acordos de cooperação envolvendo petróleo, energias renováveis e segurança operacional na exploração de hidrocarbonetos.

Lula também destacou o potencial dos dois países na produção de minerais críticos, defendendo parcerias voltadas à mineração sustentável, industrialização e agregação de valor às matérias-primas.

Segurança alimentar fortalece parceria entre os países

A cooperação agrícola também entrou na pauta bilateral. O governo brasileiro avalia que pode colaborar com o abastecimento alimentar do Suriname por meio da exportação de carne bovina, suína, aves e outros alimentos.

A presidente Jennifer Geerlings-Simons afirmou que a redução dos custos dos alimentos e a ampliação da segurança alimentar são prioridades do governo surinamês.

Como parte da agenda oficial, Simons visitará uma unidade da Embrapa para conhecer experiências brasileiras em agricultura familiar, sistemas agroflorestais sustentáveis e produção de alimentos.

Programas sociais brasileiros despertam interesse do Suriname

A presidente surinamesa também deve conhecer projetos sociais brasileiros, incluindo uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo Simons, as iniciativas podem servir de inspiração para políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população do Suriname.

Brasil e Suriname assinam 13 acordos de cooperação

Além das negociações comerciais, os dois países formalizaram 13 acordos de cooperação em áreas como cibersegurança, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas, saúde pública, manejo integrado do fogo e segurança de barragens hidrelétricas.

Os governos também discutiram medidas para ampliar as conexões marítimas e aéreas, além de avançar no projeto conhecido como Anel das Guianas, iniciativa de integração regional que conecta o Norte do Brasil ao Suriname, Guiana e Guiana Francesa, fortalecendo o acesso ao mercado caribenho.

FONTE: Folha de PE
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


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Economia

Medida Provisória zera imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50

Uma Medida Provisória (MP) que elimina a cobrança de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, foi publicada na edição extraordinária do Diário Oficial da União, nesta terça-feira (12).

Durante o anúncio oficial da MP, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a decisão foi possível após um processo de maior controle e regularização do setor de compras internacionais. Segundo ele, o avanço na fiscalização reduziu significativamente práticas ilegais ligadas ao comércio eletrônico internacional. “O contrabando, que era uma marca presente nesse setor, foi eliminado. Agora, o setor regularizado vai poder usufruir dessa isenção sobre esses produtos”, declarou.

Compras internacionais populares devem ser beneficiadas

De acordo com o governo federal, a medida deve impactar principalmente consumidores de baixa renda, que utilizam plataformas internacionais para adquirir produtos de menor valor. A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ressaltou que o termo “taxa das blusinhas” não representa toda a variedade de itens comprados pelos brasileiros. “Não é só roupa. Há um conjunto de outros bens que são comprados, todos de valor pequeno”, afirmou.

Já o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, destacou que a retirada da tributação federal pode tornar o sistema tributário mais alinhado ao consumo popular. “Os números mostram que a maior parte das compras, de fato, é de baixo valor. Está associado ao consumo popular”, explicou.

Entenda a “taxa das blusinhas”

A cobrança do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme. Na prática, o tributo era aplicado já no momento da compra em plataformas estrangeiras, com o objetivo de ampliar a fiscalização, combater fraudes e aumentar a regularização das remessas internacionais.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Internacional

Trump e Lula se reúnem na Casa Branca após meses de tensão diplomática

Os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva participaram nesta quinta-feira de um encontro na Casa Branca marcado por tentativas de aproximação após um período de forte desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O encontro ocorreu em meio a uma trégua considerada delicada, depois de meses de disputas envolvendo tarifas comerciais, críticas públicas e divergências políticas.

Apesar da expectativa de uma aparição conjunta para a imprensa, a agenda prevista foi cancelada sem explicações oficiais. Após cerca de três horas de reunião, Trump afirmou em suas redes sociais que o encontro “foi muito bom” e classificou Lula como “muito dinâmico”, sem detalhar os principais temas discutidos.

Relação entre Brasil e Estados Unidos passa por reaproximação

Após o encontro, Lula avaliou a reunião de forma positiva durante declaração na Embaixada do Brasil em Washington. Segundo o presidente brasileiro, houve um avanço importante na consolidação das relações históricas e democráticas entre os dois países.

O chefe do Executivo brasileiro destacou ainda que as duas maiores democracias do hemisfério ocidental podem servir de exemplo internacional. Entre os assuntos debatidos, Lula citou comércio internacional, combate ao crime organizado e exploração de minerais críticos.

Tarifas e caso Bolsonaro aumentaram tensão diplomática

Nos últimos meses, a relação entre Washington e Brasília foi marcada por episódios de instabilidade. Trump chegou a impor tarifas sobre produtos brasileiros em uma tentativa de pressionar o Brasil a interromper ações judiciais contra Jair Bolsonaro, aliado político do republicano.

Bolsonaro acabou condenado por participação em uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral para Lula. Além das tarifas, Trump também aplicou sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso.

O governo brasileiro reagiu classificando as medidas como interferência na soberania nacional. Posteriormente, parte das tarifas sobre exportações brasileiras foi suspensa pelo governo norte-americano, reduzindo a tensão entre os países.

Segurança pública e facções criminosas entraram na pauta

Outro tema relevante da reunião envolveu a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A proposta ganhou força após articulação de filhos de Bolsonaro, entre eles Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência.

A segurança pública deve ser um dos principais assuntos das eleições brasileiras de outubro, cenário em que Lula e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas.

Especialistas avaliam que uma eventual classificação poderia ampliar o debate sobre criminalidade no Brasil e beneficiar politicamente Bolsonaro, crítico da atual política de segurança do governo federal.

Segundo Lula, o Brasil propôs aos Estados Unidos a criação de um grupo de trabalho envolvendo países sul-americanos para enfrentar o crime organizado de forma conjunta.

Minerais críticos ampliam disputa geopolítica

A reunião também abordou o interesse norte-americano em firmar acordos relacionados à produção de minerais críticos, recursos considerados estratégicos para tecnologia, indústria e defesa militar.

Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China, hoje líder global no setor. O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais e vem sendo pressionado a ampliar parcerias comerciais com Washington.

No entanto, o governo Lula demonstra resistência a acordos exclusivos, defendendo autonomia para negociar com diferentes mercados internacionais.

Analistas apontam que a disputa por minerais críticos ganhou ainda mais importância diante das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Lula reforça soberania brasileira durante encontro

Durante conversa com jornalistas, Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar temas comerciais e diplomáticos, mas não aceitará interferências externas em assuntos internos ou ameaças à democracia brasileira.

O presidente também comentou, em tom descontraído, que brincou com Trump sobre a possibilidade de jogadores brasileiros terem problemas com vistos para disputar a próxima Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Segundo Lula, Trump apenas riu da observação.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Internacional

Lula e Trump discutem acordo sobre minerais críticos em reunião nos EUA

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7), pode representar um avanço nas tratativas envolvendo um acordo de minerais críticos entre Brasil e Estados Unidos.

As negociações começaram em fevereiro, após o governo norte-americano apresentar uma proposta de cooperação voltada ao fortalecimento das cadeias produtivas de insumos minerais considerados estratégicos para setores como defesa, tecnologia e transição energética.

Embora não exista expectativa concreta de assinatura imediata do memorando, integrantes dos dois governos avaliam que um eventual anúncio só ocorreria em um encontro direto entre os chefes de Estado.

Câmara aprova política nacional para minerais estratégicos

A discussão acontece logo após a Câmara dos Deputados aprovar a política nacional de minerais críticos e estratégicos, na quarta-feira (6). O projeto cria mecanismos para incentivar o beneficiamento mineral, a industrialização e o aumento da agregação de valor no país.

O texto também prevê a criação do CIMCE, conselho responsável por coordenar projetos considerados prioritários para o setor mineral brasileiro. O órgão terá funções como definir prioridades, analisar projetos e supervisionar operações envolvendo ativos estratégicos.

Durante a tramitação, foi retirada a exigência de autorização prévia do Executivo em operações societárias ligadas ao setor, após pressão de representantes da iniciativa privada e integrantes do próprio governo.

Apesar da aprovação na Câmara, a proposta ainda depende de análise do Senado Federal.

Proposta dos EUA prevê investimentos e transferência de tecnologia

Trechos da proposta enviada pelos Estados Unidos ao Brasil indicam que o acordo prevê apoio financeiro para projetos de refino e processamento mineral em território brasileiro, além de transferência de tecnologia e ações para ampliar a segurança das cadeias de suprimento.

O modelo apresentado pelos americanos segue parâmetros semelhantes aos acordos já firmados com Austrália e Tailândia, considerados referências internacionais no segmento de mineração estratégica.

Entre os pontos centrais do documento está a intenção de reduzir a dependência global da China no fornecimento de minerais essenciais para a indústria tecnológica e energética.

Financiamento e prioridade de investimentos geram debate

O segundo eixo da proposta trata de financiamento para projetos de mineração e processamento. O texto prevê participação de governos e iniciativa privada por meio de empréstimos, seguros, garantias e participação acionária.

Diferentemente do acordo firmado entre Estados Unidos e Austrália, no entanto, a proposta enviada ao Brasil não estabelece um valor mínimo de investimento. No caso australiano, os países anunciaram ao menos US$ 1 bilhão em financiamento para projetos estratégicos.

Outro trecho considerado sensível dentro do governo brasileiro envolve a possibilidade de prioridade para investidores americanos em determinados projetos minerais.

Segundo o documento, os países “esperam ter a primeira oportunidade de investir” em ativos ligados aos minerais críticos, desde que respeitadas as legislações nacionais.

Parte do governo interpreta o trecho como uma possível vantagem preferencial aos Estados Unidos. Os representantes americanos, por outro lado, negam qualquer cláusula de exclusividade.

Governo brasileiro avalia impactos geopolíticos

O memorando segue em análise no Palácio do Planalto e enfrenta divergências internas. Um dos pontos de preocupação envolve o impacto geopolítico do acordo, especialmente pela relação comercial entre Brasil e China.

Setores do governo avaliam que um alinhamento mais próximo aos Estados Unidos em uma estratégia voltada à redução da influência chinesa no mercado mineral poderia gerar desgastes diplomáticos.

Além das questões econômicas, interlocutores do governo apontam fatores políticos como entraves para a assinatura do acordo. A avaliação é de que uma aproximação com Trump em período pré-eleitoral pode ser considerada sensível no cenário político brasileiro.

Acordo também prevê flexibilização regulatória

Outro ponto relevante da proposta trata da aceleração de processos regulatórios e licenciamento ambiental para projetos classificados como prioritários.

O texto também menciona cooperação em áreas como mapeamento geológico, reciclagem mineral e fortalecimento das cadeias globais de suprimento.

Além disso, o acordo prevê mecanismos para evitar práticas consideradas desleais no mercado internacional, incluindo sistemas de preços mínimos para proteger investimentos de longo prazo no setor de minerais estratégicos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/Divulgação

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Internacional

Lula e Trump discutem agenda internacional e articulam visita aos EUA em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta segunda-feira, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um diálogo de aproximadamente 50 minutos. A ligação tratou de agenda internacional, relações bilaterais e da possibilidade de uma visita oficial de Lula a Washington ainda em 2026.

Segundo informações do Palácio do Planalto, o contato foi considerado produtivo e ocorreu em tom positivo, com troca de avaliações sobre temas políticos, econômicos e diplomáticos de interesse comum.

Venezuela e Gaza estiveram no centro do diálogo

Durante a conversa, os presidentes abordaram a situação na Venezuela, com ênfase na defesa da paz, da estabilidade regional e nos impactos sociais e políticos vividos pelo país vizinho.

Outro ponto relevante foi o conflito na Faixa de Gaza. Lula defendeu que eventuais iniciativas internacionais voltadas à região tenham foco direto no conflito e contem com representação palestina, como forma de ampliar a efetividade das ações diplomáticas.

Economia e cooperação contra o crime organizado

Os dois líderes também trocaram impressões sobre o cenário econômico de Brasil e Estados Unidos, classificado como positivo por ambos. A avaliação compartilhada é de que os indicadores recentes apontam perspectivas favoráveis de crescimento, com reflexos para a região e para o comércio internacional.

Além disso, houve consenso sobre a importância de ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, incluindo o fortalecimento da troca de informações e de ações conjuntas contra o tráfico de drogas, armas e a lavagem de dinheiro.

Visita de Lula a Washington entra no radar diplomático

Ao final da ligação, ficou encaminhada a visita de Lula aos Estados Unidos nos próximos meses. A viagem deverá ocorrer após compromissos já previstos do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul.

A data oficial ainda será definida pelas equipes diplomáticas dos dois países, que darão sequência às tratativas para organizar a agenda e os encontros institucionais em Washington.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diarinho/Redes sociais

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Notícias

Mercosul prepara cúpula decisiva para possível assinatura do acordo com a União Europeia

Expectativa para o tratado Mercosul–UE
O governo Lula confirmou para 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR), a cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, encontro no qual o bloco pretende finalmente concluir o acordo comercial com a União Europeia. A UE será representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A assinatura do tratado é vista como prioridade diplomática para o Brasil e países vizinhos.

Pressão francesa dificulta avanço
Apesar do esforço sul-americano, o governo da França, liderado por Emmanuel Macron, tem sinalizado resistência. Segundo o Politico Europe, Paris tenta adiar a votação de ratificação do acordo para janeiro, pressionado por agricultores franceses contrários à abertura do mercado europeu para produtos do agro brasileiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que o país, considerado “um grande poder agrícola”, defenderá seus “interesses agrícolas muito firmemente” e que o texto atual não é aceitável para Macron.

Declarações de Lula sobre o acordo
Durante o encontro do G20 na África do Sul, em novembro, o presidente Lula havia declarado que o tratado seria assinado em 20 de dezembro. O petista destacou a relevância econômica do pacto, que envolveria cerca de 722 milhões de pessoas e movimentaria aproximadamente US$ 22 trilhões em PIB, podendo se tornar o maior acordo comercial do mundo. Lula ainda lembrou que, mesmo após a assinatura, haverá um processo extenso até que os países possam usufruir plenamente dos benefícios previstos.

Agenda completa em Foz do Iguaçu
Na véspera da cúpula presidencial, o Conselho do Mercado Comum (CMC) realizará sua reunião ordinária. A programação inclui ainda encontros entre ministros das Relações Exteriores, ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais dos países do bloco, além da presença de convidados especiais, conforme informou o Palácio do Planalto.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikimedia Commons

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Economia

Governo adia Cúpula do Mercosul, mas mantém acordo de livre-comércio com a União Europeia

Brasil confirma acordo Mercosul–União Europeia em dezembro

O governo federal decidiu adiar a Cúpula do Mercosul para janeiro do próximo ano, informaram interlocutores do Palácio do Planalto. Apesar da mudança no calendário, está mantida para 20 de dezembro, em Brasília, a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) — um dos compromissos mais aguardados da agenda diplomática.

A formalização do tratado ocorrerá ainda sob a presidência brasileira do Mercosul, já que a troca de comando do bloco será concluída antes da reunião de chefes de Estado.

Lula busca consolidar protagonismo nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido o principal articulador, pelo lado sul-americano, do avanço nas negociações com a UE. O governo vê na assinatura do acordo uma oportunidade de reforçar o protagonismo brasileiro no cenário internacional e capitalizar politicamente o desfecho das tratativas.

Ausências de Milei e Peña levaram ao adiamento

O adiamento da cúpula foi motivado, principalmente, pela impossibilidade de participação dos presidentes Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai) na data inicialmente prevista.

A nova reunião deverá ocorrer em Foz do Iguaçu (PR), escolha considerada simbólica pelo Planalto: além de marcar a transição da presidência do bloco para o Paraguai, a cidade abriga uma das principais fronteiras entre os dois países.

Com informações do Palácio do Planalto.
Texto: Redação

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