Economia

Governo adia Cúpula do Mercosul, mas mantém acordo de livre-comércio com a União Europeia

Brasil confirma acordo Mercosul–União Europeia em dezembro

O governo federal decidiu adiar a Cúpula do Mercosul para janeiro do próximo ano, informaram interlocutores do Palácio do Planalto. Apesar da mudança no calendário, está mantida para 20 de dezembro, em Brasília, a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) — um dos compromissos mais aguardados da agenda diplomática.

A formalização do tratado ocorrerá ainda sob a presidência brasileira do Mercosul, já que a troca de comando do bloco será concluída antes da reunião de chefes de Estado.

Lula busca consolidar protagonismo nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido o principal articulador, pelo lado sul-americano, do avanço nas negociações com a UE. O governo vê na assinatura do acordo uma oportunidade de reforçar o protagonismo brasileiro no cenário internacional e capitalizar politicamente o desfecho das tratativas.

Ausências de Milei e Peña levaram ao adiamento

O adiamento da cúpula foi motivado, principalmente, pela impossibilidade de participação dos presidentes Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai) na data inicialmente prevista.

A nova reunião deverá ocorrer em Foz do Iguaçu (PR), escolha considerada simbólica pelo Planalto: além de marcar a transição da presidência do bloco para o Paraguai, a cidade abriga uma das principais fronteiras entre os dois países.

Com informações do Palácio do Planalto.
Texto: Redação

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Comércio Exterior

Lula pede a Trump revisão completa das tarifas sobre produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a solicitar ao governo dos Estados Unidos uma revisão ampla das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. O pedido foi feito durante uma ligação na terça-feira (2), na qual Lula conversou diretamente com o presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo o Palácio do Planalto, Lula reconheceu a decisão recente dos EUA de retirar a tarifa adicional de 40% para itens como carne, café e outros produtos agrícolas, mas ressaltou que ainda persistem barreiras que precisam ser eliminadas. O Brasil, afirmou, deseja “avançar rápido” nas tratativas.

Origem das tarifas e mudança no cenário político
As tarifas extras foram anunciadas por Trump em julho, justificadas por ele como resposta a uma “emergência nacional”. À época, o presidente americano alegou que políticas brasileiras prejudicavam empresas dos EUA e citou ainda uma suposta “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, então prestes a ser julgado pelo STF.
A tensão começou a diminuir após o encontro entre Lula e Trump em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, quando o norte-americano afirmou ter tido uma “química excelente” com o petista.
Em outubro, no primeiro telefonema oficial entre os dois, Lula já havia solicitado a retirada das tarifas. O assunto voltou à mesa durante um novo encontro, na Malásia, quando Trump sinalizou que buscaria uma negociação rápida.

EUA retiram tarifas de 40% para parte dos produtos
Em novembro, a Casa Branca anunciou a eliminação das sobretaxas de 40% sobre alguns produtos brasileiros, incluindo café, carne bovina, frutas, petróleo e peças de aeronaves. A decisão foi vista pelo governo brasileiro como um avanço, embora ainda haja setores afetados que aguardam revisão.

Cooperação no combate ao crime organizado
Além da pauta comercial, Lula e Trump discutiram ações conjuntas de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado. O tema ganhou força no Brasil após a megaoperação realizada em outubro no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos em ações contra o Comando Vermelho.
Nos Estados Unidos, a preocupação envolve o avanço do narcotráfico na região do Caribe, o que levou o país a enviar embarcações militares para reforçar o patrulhamento.
No telefonema, Lula defendeu ampliar a cooperação bilateral, e Trump teria demonstrado “disposição total” para trabalhar ao lado do Brasil. A expectativa é que os dois voltem a conversar “em breve” para avaliar o andamento das iniciativas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Internacional

Macron sinaliza assinatura do acordo UE–Mercosul para o dia 20, dizem empresários brasileiros

A expectativa pela assinatura do acordo UE–Mercosul ganhou novo impulso após empresários brasileiros relatarem que o presidente francês, Emmanuel Macron, indicou o dia 20 como data possível para a conclusão do trato comercial. A sinalização ocorreu durante encontros realizados em Paris nesta quinta-feira (27), dentro da programação do Lide, fórum empresarial fundado por João Doria.

Reunidos no Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, representantes de grandes companhias e líderes políticos discutiram parcerias estratégicas, taxação de produtos brasileiros e entraves que ainda travam o acordo birregional. No período da tarde, parte dos executivos foi recebida por Macron para aprofundar o diálogo.

Resistências francesas continuam no debate

Apesar do otimismo, a resistência da França permanece como principal obstáculo. Pressionado por agricultores, Macron tem adotado uma postura mais conservadora em relação ao tratado — posição já demonstrada durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Paris e em encontros internacionais como a COP30, em Belém.

O ex-presidente Michel Temer, presente ao evento, voltou a cobrar a conclusão das negociações. Ele lembrou que, durante sua gestão, houve forte empenho dos países do Mercosul para finalizar o acordo, mas entraves do setor agrícola francês dificultaram o processo.

Temer ressaltou que, após duas décadas de tratativas, o entendimento deveria ter sido alcançado há anos, e afirmou acreditar no esforço conjunto de Macron e Lula para finalizar o texto.

Expectativa por assinatura ainda em dezembro

A ex-ministra Kátia Abreu, defensora histórica da aproximação entre os blocos, também demonstrou otimismo. Ela afirmou aguardar a conclusão do acordo há 15 anos e reforçou que a data de 20 de dezembro, proposta por Lula, pode finalmente marcar a formalização do pacto.

Para Kátia, o tratado representaria um avanço estratégico para o Brasil, para o Mercosul e para os europeus, quebrando um período prolongado sem novos acordos comerciais. Segundo ela, o entendimento ajudaria a “tirar a Europa do isolamento” e ofereceria ganho econômico para ambos os lados.

Produtores franceses buscam garantias

O presidente da JBJ Agropecuária, José Batista Júnior, destacou que a missão brasileira busca tranquilizar o governo francês e seus produtores rurais quanto à concorrência com o agronegócio brasileiro. Ele afirmou que o objetivo é mostrar que o comércio entre os blocos pode contribuir para estabilidade de preços, controle da inflação e equilíbrio nas importações e exportações.

Kátia Abreu também reconheceu que setores brasileiros podem sentir impactos, citando especialmente os produtores de vinho, preocupados com o aumento da competitividade dos rótulos franceses — amplamente apreciados no mercado nacional.

Energia, tecnologia e sustentabilidade em pauta

Além da discussão comercial, o fórum empresarial abordou temas como transição energética, minerais estratégicos, segurança alimentar, sustentabilidade e potencial tecnológico. Entre as autoridades francesas presentes estavam representantes de empresas como a Engie, além da ministra da Francofonia, Eleonore Caroit, e da presidente do Conselho Regional de Île-de-France, Valérie Pécresse.

Pécresse reforçou que França e Brasil precisam de uma parceria mais robusta, construída sobre equilíbrio e benefícios mútuos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DC News

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Comércio Exterior

Alckmin destaca que redução de tarifas pelos EUA é o maior avanço nas negociações com o Brasil

O presidente em exercício e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou na última sexta-feira (21/11) que a nova ordem executiva do governo dos Estados Unidos, que revoga a tarifa extra de 40% sobre diversos produtos agropecuários brasileiros, representa o “maior avanço” nas negociações recentes entre os dois países. A medida beneficia itens como carne, café, frutas, cacau, açaí e fertilizantes.

Segundo Alckmin, a decisão — anunciada ontem pelo presidente Donald Trump — retirou 238 produtos do chamado “tarifaço”. Ele lembrou que, no início das negociações, 36% das exportações brasileiras aos EUA estavam sujeitas à sobretaxa. Com a nova ordem, o impacto cai para 22%.

Decisão terá efeito retroativo
A nova regra foi divulgada na quinta-feira (20/11), mas terá validade retroativa a 13 de novembro, garantindo o reembolso a exportadores que pagaram a tarifa extra após essa data. Alckmin afirmou que o diálogo entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinante para o recuo norte-americano.

“Continuamos otimistas. O trabalho segue, agora com menos barreiras”, declarou o ministro.

Lula celebra avanço na relação bilateral
Na noite de quinta-feira, Lula publicou um vídeo nas redes sociais comemorando a decisão dos EUA. Ele classificou a medida como um “sinal importante” para uma relação “civilizada” entre os dois países. O presidente viajou nesta sexta (21/11) para Joanesburgo, onde participará da Cúpula do G20, entre 22 e 23 de novembro.

Agropecuária volta a ganhar competitividade
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também destacou o impacto positivo da retirada das tarifas adicionais, afirmando que a decisão reforça o papel do Brasil como grande fornecedor global de alimentos. Ele avalia que o retorno ao fluxo técnico e institucional no diálogo com os EUA consolida uma “relação mais madura e eficiente”.

Para Fávaro, produtores brasileiros recuperam competitividade imediata no mercado norte-americano. “Quem ganha com isso são brasileiros, norte-americanos e o comércio mundial”, afirmou. Ele reforçou que as conversas continuam e que ainda há pontos a serem negociados.

Confira os produtos brasileiros beneficiados com a retirada de tarifas adicionais de 40% impostas pelos EUA:

1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

Carcaças e meias-carcaças
Cortes com osso
Cortes sem osso
Cortes de “high-quality beef”
Miúdos bovinos
Carne salgada, curada, seca ou defumada

2. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

Tomate (por sazonalidade)
Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
Lima Tahiti / Lima da Pérsia
Abacate
Manga
Goiaba
Mangostim
Abacaxi (fresco e processado)
Papaya (mamão)
Diversas raízes tropicais: mandioca

3. Café e derivados

Café verde
Café torrado
Café descafeinado
Cascas e películas de café (“husks and skins”)
Substitutos contendo café

4. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

Chá verde
Chá preto
Erva-mate
Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
Noz-moscada
Cravo
Canela
Cardamomo
Açafrão
Gengibre
Cúrcuma
Misturas de especiarias

5. Castanhas e sementes

Castanha-do-pará
Castanha de caju
Macadâmia
Nozes pignolia e outras
Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

6. Sucos de frutas e derivados

Suco de laranja (várias classificações)
Suco de limão / lima
Suco de abacaxi
Água de coco
Açaí (polpas e preparados)

7. Produtos de cacau

Amêndoas de cacau
Pasta de cacau
Manteiga de cacau
Pó de cacau

8. Produtos processados

Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
Geleias
Pastas e purês
Palmito
Tapioca, féculas e amidos
Produtos preservados em açúcar ou vinagre

9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

Ureia
Sulfato de amônio
Nitrato de amônio
Misturas NPK
Fosfatos (MAP/DAP)
Cloreto de potássio (KCl).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Economia

Acordo Mercosul–União Europeia deve ser oficializado em 20 de dezembro, afirma Lula

Expectativa de conclusão após mais de 20 anos de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que pretende formalizar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no próximo dia 20 de dezembro. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas em Johannesburgo, na África do Sul, onde Lula participa da programação da Cúpula do G20.

O tratado, discutido há mais de duas décadas, é considerado o mais abrangente já articulado entre os dois blocos econômicos e envolve temas como comércio internacional, cooperação econômica e sustentabilidade.

Assinatura deve ocorrer na Cúpula dos Líderes do Mercosul

Lula informou que a assinatura está prevista para a Cúpula dos Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), período em que o Brasil ainda ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. Segundo o presidente, a agenda internacional de 2025 deve ser encerrada justamente com esse anúncio oficial.

“Eu regresso para o Brasil, onde eu pretendo não viajar mais esse ano, a não ser para Brasília ou para Foz do Iguaçu, para assinar o acordo Mercosul-União Europeia, que eu penso que vai ser assinado dia 20 de dezembro”, declarou o presidente.

Marco estratégico para integração internacional

A expectativa positiva de Lula reforça o interesse do governo em concluir um acordo visto como estratégico para ampliar competitividade, exportações e parcerias econômicas entre América do Sul e Europa. Caso seja formalizado, o tratado representará um avanço significativo no processo de integração entre os blocos e poderá redefinir rotas comerciais nos próximos anos.

Com informações de Dimitrius Dantas.
Texto: Redação

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Comércio Exterior

Governo autoriza JBS a importar tilápia do Vietnã para o Brasil

O governo Lula autorizou a JBS a retomar a importação de tilápia do Vietnã, com a chegada de 700 toneladas do peixe ao Brasil. Ao todo, serão 32 contêineres, sendo o primeiro despachado em 6 de novembro e com desembarque previsto no Porto de Santos em 17 de dezembro.

A liberação foi formalizada pelo Ministério da Agricultura, por meio do Despacho Decisório nº 379, em abril. O fluxo de importações estava suspenso desde 2024 e agora integra os compromissos comerciais firmados entre o presidente Lula e o primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh, durante a Cúpula Ampliada do Brics, incluindo tilápia, tra e basa vietnamitas e a expansão da compra de carne bovina brasileira pelo Vietnã.

Cooperação econômica entre Brasil e Vietnã

O embaixador vietnamita Bui Van Nghi destacou que a operação reforça a cooperação econômica bilateral e consolida o Vietnã como fornecedor de produtos agrícolas e aquícolas para a América Latina. A embaixada informou ainda que continuará apoiando empresas interessadas em expandir o comércio entre os dois países e inserir novos produtos sul-americanos no mercado vietnamita.

Preocupações do setor de aquicultura

Ao mesmo tempo, a tilápia foi incluída na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, provocando apreensão entre produtores nacionais. Representantes da aquicultura local temem insegurança jurídica e dificuldades no licenciamento. O Ministério do Meio Ambiente reforçou que a classificação é de caráter técnico e não interfere na produção comercial do peixe no país.

A operação evidencia a busca do governo por equilibrar segurança ambiental e expansão do comércio internacional, especialmente em setores estratégicos como a aquicultura.

FONTE: Pleno News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Internacional

Brasil e Colômbia suspendem denúncia de acordo automotivo e mantêm integração produtiva

Os governos do Brasil e da Colômbia decidiram suspender, por um período de um ano, os efeitos da denúncia do Entendimento Automotivo Bilateral, firmado no âmbito do Acordo de Complementação Econômica nº 72 (ACE-72). A medida foi oficializada junto à Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e garante a continuidade da cooperação entre os dois países no setor automotivo.

Decisão reforça cooperação entre os países

A suspensão havia sido acordada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro durante encontro realizado em Manaus, em 9 de setembro, à margem da inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia). Na ocasião, os líderes reafirmaram o compromisso de preservar a integração produtiva e fortalecer as cadeias regionais de valor na indústria automotiva latino-americana.

Acordo formalizado na ALADI

O documento de suspensão foi oficialmente depositado na ALADI no dia 7 de novembro de 2025, confirmando o entendimento entre os dois governos. A decisão assegura a manutenção das preferências tarifárias e dos mecanismos de cooperação industrial e aduaneira previstos no acordo original.

Próximos passos para um novo entendimento

Durante o período de suspensão, Brasil e Colômbia deverão negociar um novo acordo automotivo, que reflita as inovações tecnológicas e as novas políticas industriais adotadas por ambos os países.

Integração e competitividade regional

A medida reforça a integração produtiva, estimula a competitividade industrial e promove investimentos, inovação e sustentabilidade na região. A decisão também destaca o papel estratégico do diálogo diplomático e da cooperação econômica regional, além de reafirmar a importância da ALADI como fórum de integração latino-americana.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

COP30 em Belém discute financiamento climático, transição energética e adaptação às mudanças do clima

A partir desta segunda-feira (10), Belém assume o papel de capital mundial das discussões sobre mudanças climáticas. A cidade sedia a COP30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que segue até 21 de novembro.

Pela primeira vez, o evento acontece na Amazônia, bioma com a maior biodiversidade do planeta e essencial para o equilíbrio climático global. O desafio é recolocar o tema da crise climática no centro das prioridades internacionais.

Delegações de 194 países e da União Europeia participam das negociações. A expectativa é que Belém receba mais de 50 mil visitantes, entre diplomatas, cientistas, representantes de governos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Lula cobra ações práticas e financiamento para transição

Durante a Cúpula do Clima, também realizada em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esta deve ser “a COP da verdade”. Ele reforçou a urgência de garantir financiamento internacional para acelerar a transição energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, a fala de Lula foi essencial para recolocar o debate sobre o fim dos combustíveis fósseis. “O presidente quer um roteiro concreto para essa transição — quais países começam, em quanto tempo e com quanto financiamento. Esse recado foi fundamental”, afirmou.

Dados da plataforma Climate Watch apontam que o uso de petróleo e carvão representa 75% das emissões globais de gases do efeito estufa, seguido pela agricultura (11,7%), processos industriais (4%) e desmatamento (2,7%).

Conjuntura global desafia avanços climáticos

Apesar dos alertas, o cenário internacional continua desafiador. Guerras, tensões políticas e o retorno de posturas negacionistas — como a saída temporária dos Estados Unidos do Acordo de Paris — atrasam o progresso.

Apenas 80 países atualizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos criados há dez anos para reduzir emissões. Juntas, essas metas cobrem 64% das emissões globais. No entanto, grandes emissores como a Índia ainda não apresentaram novas metas.

Para Astrini, a falta de novas promessas representa “um dos pontos mais negativos da conferência”.

Adaptação, transição e balanço global: os eixos da COP30

Três grandes temas guiam as negociações da COP30: adaptação climática, transição justa e o Balanço Global do Acordo de Paris (GST).

A adaptação busca definir indicadores que ajudem países a se preparar para eventos climáticos extremos, como tempestades e secas prolongadas. Já a transição justa deve ganhar um programa oficial com diretrizes para proteger trabalhadores e comunidades afetados pela descarbonização da economia.

O Balanço Global, iniciado na COP28 em Dubai, tem o objetivo de medir o progresso e orientar ações concretas contra o aquecimento global.

Financiamento climático é o maior impasse

O financiamento climático continua sendo o ponto mais sensível das negociações. Segundo Astrini, os países ricos ainda não cumpriram as promessas de investir em soluções sustentáveis para as nações em desenvolvimento. “O dinheiro nunca apareceu, e isso gerou uma crise de confiança”, criticou.

Para tentar destravar o impasse, foi apresentado o plano “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, que prevê US$ 1,3 trilhão por ano em investimentos climáticos.

O Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com mais de US$ 5,5 bilhões prometidos para a preservação de florestas em 70 países. Ao menos 20% dos recursos devem ir para comunidades tradicionais e povos indígenas.

Sociedade civil marca presença histórica

Com forte mobilização, a sociedade civil promete protagonismo inédito na COP30. Além da Zona Azul, restrita a negociadores, a Zona Verde, no Parque da Cidade, será aberta ao público e reunirá projetos de tecnologia, inovação e sustentabilidade.

A conferência deve registrar a maior participação indígena da história, com mais de 3 mil representantes. Para Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), é essencial que os acordos sejam cumpridos e que os povos tradicionais participem “de igual para igual” nas decisões.

Na Cúpula dos Povos, marcada para quarta-feira (12) na UFPA, movimentos sociais, quilombolas e ribeirinhos de mais de 60 países discutirão uma transição climática justa. Uma barqueata no Rio Guamá e uma grande marcha no sábado (15) devem marcar os atos públicos.

“Clima não é assunto só de ambientalista. Ele está no preço do café, na conta de luz e no prato de comida”, resume Márcio Astrini.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Mauro Vieira e Marco Rubio voltam a se reunir no Canadá em meio a tensões comerciais entre Brasil e EUA.

Reunião entre Brasil e Estados Unidos acontecerá durante encontro do G7

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá um novo encontro com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na próxima semana, durante a reunião ministerial do G7, que ocorrerá no Canadá. O objetivo é dar continuidade às negociações comerciais entre os dois países, que enfrentam tensões após a recente imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

As conversas continuam. Temos realizado reuniões virtuais entre as equipes técnicas, e na próxima semana estarei no Canadá, onde também estará o secretário de Estado. Pretendo manter o diálogo que temos conduzido regularmente”, afirmou Vieira em Belém, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na COP30, conferência climática da ONU.


Governo brasileiro busca encontro ampliado com autoridades dos EUA

O Palácio do Planalto trabalha para viabilizar uma reunião mais ampla, que deve incluir, além de Vieira e Rubio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A expectativa é que esse encontro ocorra ainda na próxima semana, embora a data não esteja confirmada.

A retomada do diálogo foi reforçada após o encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, realizado no mês passado, na Malásia. Na ocasião, ambos os governos se comprometeram a abrir novas rodadas de negociações, após Trump decretar tarifas de 50% sobre importações brasileiras.


Lula aguarda avanços nas negociações antes de intervir diretamente

Em entrevista à Reuters e a outras agências internacionais, Lula declarou que aguarda “avanços concretos” nas tratativas e que enviará sua equipe de negociadores a Washington em breve. O presidente afirmou que esperará até o fim da COP30 para avaliar o andamento das conversas. Caso não haja progresso, disse que pretende ligar pessoalmente para Trump a fim de acelerar as negociações.


Questão da Venezuela ficará fora da pauta principal

Questionado se a situação da Venezuela será abordada nas conversas com Rubio, Vieira esclareceu que as discussões se limitam, por enquanto, às questões comerciais.

O chanceler também confirmou a presença de Lula na Cúpula da Celac-União Europeia, marcada para os dias 9 e 10 de novembro, onde o tema Venezuela estará em destaque. Segundo Vieira, o encontro servirá para demonstrar solidariedade ao país vizinho e reforçar que a América Latina é uma região de paz, após os recentes ataques militares dos EUA a embarcações no Caribe, próximos à costa venezuelana — ações que Washington justifica como parte do combate ao tráfico de drogas.


Fonte: Com informações da Reuters e agências internacionais.
Texto: Redação

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Internacional

UE e Mercosul podem selar acordo em dezembro, indica governo brasileiro

O governo brasileiro informou que a União Europeia deve formalizar o acordo de livre comércio com o Mercosul em 20 de dezembro. A declaração foi feita pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, após encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (5), em Belém.

Reunião em Belém e COP30

O encontro ocorreu no Museu Paraense Emílio Goeldi, durante a participação de Ursula na Cúpula de Líderes da COP30, que começou na quinta-feira na capital paraense. A assinatura do acordo está prevista para a Cúpula do Mercosul, marcada para dezembro, no Rio de Janeiro.

“A presidente reafirmou sua firme esperança de que o acordo seja assinado no final do ano, em 20 de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a cúpula do Mercosul”, afirmou Vieira.

Negociação histórica e desafios

O tratado entre os dois blocos se arrasta há 25 anos e visa criar uma zona de livre comércio entre os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 países da União Europeia. O acordo enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, principalmente da França.

Durante a conversa, Lula e Ursula também discutiram mudanças climáticas e a agenda da COP30. A presidente europeia não participará da 4ª Cúpula entre Celac e União Europeia, marcada para 9 de novembro em Santa Marta, Colômbia. Segundo Vieira, Lula irá à Colômbia para demonstrar “solidariedade regional”.

Sobre a ausência de alguns chefes de Estado, Vieira destacou que “nem todos participam”, mas que a presença de países estratégicos garante a relevância política do evento. Ele comentou ainda sobre o financiamento climático, afirmando que, mesmo sem aporte inicial do Reino Unido ao TFFF, o fundo continua aberto para outros países e há expectativas positivas quanto ao sucesso do programa.

Agenda de reuniões bilaterais

Na manhã de quinta-feira (5), Lula recebeu o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; e o presidente de Comores, Azali Assoumani.

À tarde, além de Ursula, encontrou o primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, James Marape; a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons; o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Ding Zuexiang; e a presidente de Honduras, Xiomara Castro.

Segundo Vieira, os encontros preparatórios da cúpula tiveram como foco o enfrentamento das mudanças climáticas, incluindo financiamento climático, transição energética e integração entre clima e natureza. O Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado no coração da floresta amazônica em Belém, foi escolhido para reforçar simbolicamente o compromisso ambiental dos líderes.

Durante seu terceiro mandato, Lula já realizou 70 reuniões bilaterais, segundo dados do governo.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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