Comércio Exterior

Governo autoriza JBS a importar tilápia do Vietnã para o Brasil

O governo Lula autorizou a JBS a retomar a importação de tilápia do Vietnã, com a chegada de 700 toneladas do peixe ao Brasil. Ao todo, serão 32 contêineres, sendo o primeiro despachado em 6 de novembro e com desembarque previsto no Porto de Santos em 17 de dezembro.

A liberação foi formalizada pelo Ministério da Agricultura, por meio do Despacho Decisório nº 379, em abril. O fluxo de importações estava suspenso desde 2024 e agora integra os compromissos comerciais firmados entre o presidente Lula e o primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh, durante a Cúpula Ampliada do Brics, incluindo tilápia, tra e basa vietnamitas e a expansão da compra de carne bovina brasileira pelo Vietnã.

Cooperação econômica entre Brasil e Vietnã

O embaixador vietnamita Bui Van Nghi destacou que a operação reforça a cooperação econômica bilateral e consolida o Vietnã como fornecedor de produtos agrícolas e aquícolas para a América Latina. A embaixada informou ainda que continuará apoiando empresas interessadas em expandir o comércio entre os dois países e inserir novos produtos sul-americanos no mercado vietnamita.

Preocupações do setor de aquicultura

Ao mesmo tempo, a tilápia foi incluída na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, provocando apreensão entre produtores nacionais. Representantes da aquicultura local temem insegurança jurídica e dificuldades no licenciamento. O Ministério do Meio Ambiente reforçou que a classificação é de caráter técnico e não interfere na produção comercial do peixe no país.

A operação evidencia a busca do governo por equilibrar segurança ambiental e expansão do comércio internacional, especialmente em setores estratégicos como a aquicultura.

FONTE: Pleno News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Internacional

Brasil e Colômbia suspendem denúncia de acordo automotivo e mantêm integração produtiva

Os governos do Brasil e da Colômbia decidiram suspender, por um período de um ano, os efeitos da denúncia do Entendimento Automotivo Bilateral, firmado no âmbito do Acordo de Complementação Econômica nº 72 (ACE-72). A medida foi oficializada junto à Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e garante a continuidade da cooperação entre os dois países no setor automotivo.

Decisão reforça cooperação entre os países

A suspensão havia sido acordada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro durante encontro realizado em Manaus, em 9 de setembro, à margem da inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia). Na ocasião, os líderes reafirmaram o compromisso de preservar a integração produtiva e fortalecer as cadeias regionais de valor na indústria automotiva latino-americana.

Acordo formalizado na ALADI

O documento de suspensão foi oficialmente depositado na ALADI no dia 7 de novembro de 2025, confirmando o entendimento entre os dois governos. A decisão assegura a manutenção das preferências tarifárias e dos mecanismos de cooperação industrial e aduaneira previstos no acordo original.

Próximos passos para um novo entendimento

Durante o período de suspensão, Brasil e Colômbia deverão negociar um novo acordo automotivo, que reflita as inovações tecnológicas e as novas políticas industriais adotadas por ambos os países.

Integração e competitividade regional

A medida reforça a integração produtiva, estimula a competitividade industrial e promove investimentos, inovação e sustentabilidade na região. A decisão também destaca o papel estratégico do diálogo diplomático e da cooperação econômica regional, além de reafirmar a importância da ALADI como fórum de integração latino-americana.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

COP30 em Belém discute financiamento climático, transição energética e adaptação às mudanças do clima

A partir desta segunda-feira (10), Belém assume o papel de capital mundial das discussões sobre mudanças climáticas. A cidade sedia a COP30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que segue até 21 de novembro.

Pela primeira vez, o evento acontece na Amazônia, bioma com a maior biodiversidade do planeta e essencial para o equilíbrio climático global. O desafio é recolocar o tema da crise climática no centro das prioridades internacionais.

Delegações de 194 países e da União Europeia participam das negociações. A expectativa é que Belém receba mais de 50 mil visitantes, entre diplomatas, cientistas, representantes de governos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Lula cobra ações práticas e financiamento para transição

Durante a Cúpula do Clima, também realizada em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que esta deve ser “a COP da verdade”. Ele reforçou a urgência de garantir financiamento internacional para acelerar a transição energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, a fala de Lula foi essencial para recolocar o debate sobre o fim dos combustíveis fósseis. “O presidente quer um roteiro concreto para essa transição — quais países começam, em quanto tempo e com quanto financiamento. Esse recado foi fundamental”, afirmou.

Dados da plataforma Climate Watch apontam que o uso de petróleo e carvão representa 75% das emissões globais de gases do efeito estufa, seguido pela agricultura (11,7%), processos industriais (4%) e desmatamento (2,7%).

Conjuntura global desafia avanços climáticos

Apesar dos alertas, o cenário internacional continua desafiador. Guerras, tensões políticas e o retorno de posturas negacionistas — como a saída temporária dos Estados Unidos do Acordo de Paris — atrasam o progresso.

Apenas 80 países atualizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos criados há dez anos para reduzir emissões. Juntas, essas metas cobrem 64% das emissões globais. No entanto, grandes emissores como a Índia ainda não apresentaram novas metas.

Para Astrini, a falta de novas promessas representa “um dos pontos mais negativos da conferência”.

Adaptação, transição e balanço global: os eixos da COP30

Três grandes temas guiam as negociações da COP30: adaptação climática, transição justa e o Balanço Global do Acordo de Paris (GST).

A adaptação busca definir indicadores que ajudem países a se preparar para eventos climáticos extremos, como tempestades e secas prolongadas. Já a transição justa deve ganhar um programa oficial com diretrizes para proteger trabalhadores e comunidades afetados pela descarbonização da economia.

O Balanço Global, iniciado na COP28 em Dubai, tem o objetivo de medir o progresso e orientar ações concretas contra o aquecimento global.

Financiamento climático é o maior impasse

O financiamento climático continua sendo o ponto mais sensível das negociações. Segundo Astrini, os países ricos ainda não cumpriram as promessas de investir em soluções sustentáveis para as nações em desenvolvimento. “O dinheiro nunca apareceu, e isso gerou uma crise de confiança”, criticou.

Para tentar destravar o impasse, foi apresentado o plano “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, que prevê US$ 1,3 trilhão por ano em investimentos climáticos.

O Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com mais de US$ 5,5 bilhões prometidos para a preservação de florestas em 70 países. Ao menos 20% dos recursos devem ir para comunidades tradicionais e povos indígenas.

Sociedade civil marca presença histórica

Com forte mobilização, a sociedade civil promete protagonismo inédito na COP30. Além da Zona Azul, restrita a negociadores, a Zona Verde, no Parque da Cidade, será aberta ao público e reunirá projetos de tecnologia, inovação e sustentabilidade.

A conferência deve registrar a maior participação indígena da história, com mais de 3 mil representantes. Para Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), é essencial que os acordos sejam cumpridos e que os povos tradicionais participem “de igual para igual” nas decisões.

Na Cúpula dos Povos, marcada para quarta-feira (12) na UFPA, movimentos sociais, quilombolas e ribeirinhos de mais de 60 países discutirão uma transição climática justa. Uma barqueata no Rio Guamá e uma grande marcha no sábado (15) devem marcar os atos públicos.

“Clima não é assunto só de ambientalista. Ele está no preço do café, na conta de luz e no prato de comida”, resume Márcio Astrini.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Mauro Vieira e Marco Rubio voltam a se reunir no Canadá em meio a tensões comerciais entre Brasil e EUA.

Reunião entre Brasil e Estados Unidos acontecerá durante encontro do G7

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá um novo encontro com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na próxima semana, durante a reunião ministerial do G7, que ocorrerá no Canadá. O objetivo é dar continuidade às negociações comerciais entre os dois países, que enfrentam tensões após a recente imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

As conversas continuam. Temos realizado reuniões virtuais entre as equipes técnicas, e na próxima semana estarei no Canadá, onde também estará o secretário de Estado. Pretendo manter o diálogo que temos conduzido regularmente”, afirmou Vieira em Belém, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na COP30, conferência climática da ONU.


Governo brasileiro busca encontro ampliado com autoridades dos EUA

O Palácio do Planalto trabalha para viabilizar uma reunião mais ampla, que deve incluir, além de Vieira e Rubio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A expectativa é que esse encontro ocorra ainda na próxima semana, embora a data não esteja confirmada.

A retomada do diálogo foi reforçada após o encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, realizado no mês passado, na Malásia. Na ocasião, ambos os governos se comprometeram a abrir novas rodadas de negociações, após Trump decretar tarifas de 50% sobre importações brasileiras.


Lula aguarda avanços nas negociações antes de intervir diretamente

Em entrevista à Reuters e a outras agências internacionais, Lula declarou que aguarda “avanços concretos” nas tratativas e que enviará sua equipe de negociadores a Washington em breve. O presidente afirmou que esperará até o fim da COP30 para avaliar o andamento das conversas. Caso não haja progresso, disse que pretende ligar pessoalmente para Trump a fim de acelerar as negociações.


Questão da Venezuela ficará fora da pauta principal

Questionado se a situação da Venezuela será abordada nas conversas com Rubio, Vieira esclareceu que as discussões se limitam, por enquanto, às questões comerciais.

O chanceler também confirmou a presença de Lula na Cúpula da Celac-União Europeia, marcada para os dias 9 e 10 de novembro, onde o tema Venezuela estará em destaque. Segundo Vieira, o encontro servirá para demonstrar solidariedade ao país vizinho e reforçar que a América Latina é uma região de paz, após os recentes ataques militares dos EUA a embarcações no Caribe, próximos à costa venezuelana — ações que Washington justifica como parte do combate ao tráfico de drogas.


Fonte: Com informações da Reuters e agências internacionais.
Texto: Redação

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Internacional

UE e Mercosul podem selar acordo em dezembro, indica governo brasileiro

O governo brasileiro informou que a União Europeia deve formalizar o acordo de livre comércio com o Mercosul em 20 de dezembro. A declaração foi feita pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, após encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (5), em Belém.

Reunião em Belém e COP30

O encontro ocorreu no Museu Paraense Emílio Goeldi, durante a participação de Ursula na Cúpula de Líderes da COP30, que começou na quinta-feira na capital paraense. A assinatura do acordo está prevista para a Cúpula do Mercosul, marcada para dezembro, no Rio de Janeiro.

“A presidente reafirmou sua firme esperança de que o acordo seja assinado no final do ano, em 20 de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a cúpula do Mercosul”, afirmou Vieira.

Negociação histórica e desafios

O tratado entre os dois blocos se arrasta há 25 anos e visa criar uma zona de livre comércio entre os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 países da União Europeia. O acordo enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, principalmente da França.

Durante a conversa, Lula e Ursula também discutiram mudanças climáticas e a agenda da COP30. A presidente europeia não participará da 4ª Cúpula entre Celac e União Europeia, marcada para 9 de novembro em Santa Marta, Colômbia. Segundo Vieira, Lula irá à Colômbia para demonstrar “solidariedade regional”.

Sobre a ausência de alguns chefes de Estado, Vieira destacou que “nem todos participam”, mas que a presença de países estratégicos garante a relevância política do evento. Ele comentou ainda sobre o financiamento climático, afirmando que, mesmo sem aporte inicial do Reino Unido ao TFFF, o fundo continua aberto para outros países e há expectativas positivas quanto ao sucesso do programa.

Agenda de reuniões bilaterais

Na manhã de quinta-feira (5), Lula recebeu o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; e o presidente de Comores, Azali Assoumani.

À tarde, além de Ursula, encontrou o primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, James Marape; a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons; o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Ding Zuexiang; e a presidente de Honduras, Xiomara Castro.

Segundo Vieira, os encontros preparatórios da cúpula tiveram como foco o enfrentamento das mudanças climáticas, incluindo financiamento climático, transição energética e integração entre clima e natureza. O Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado no coração da floresta amazônica em Belém, foi escolhido para reforçar simbolicamente o compromisso ambiental dos líderes.

Durante seu terceiro mandato, Lula já realizou 70 reuniões bilaterais, segundo dados do governo.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Brasil e EUA terão nova reunião para discutir tarifas comerciais na próxima semana

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, voltará a se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na próxima semana, no Canadá, durante uma reunião ministerial do G7. O objetivo é dar continuidade às discussões sobre as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros.

Segundo Vieira, as tratativas entre os dois países seguem ativas, com reuniões virtuais entre equipes técnicas ocorrendo regularmente. “As negociações continuam. Na próxima semana estarei no Canadá, onde também estará o secretário de Estado, e manteremos os contatos que temos tido frequentemente”, declarou o ministro em Belém, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na COP30, conferência climática da ONU.

Expectativa por reunião ampliada com Haddad e Alckmin

O governo brasileiro também aguarda a realização de uma reunião mais ampla de negociação, que deve envolver, além de Vieira e Rubio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A expectativa é que o encontro ocorra até a próxima semana, embora ainda não haja uma data confirmada.

A retomada das conversas acontece após o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no mês passado, na Malásia. Na ocasião, ambos os governos concordaram em abrir novas rodadas de diálogo após a decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre diversas importações brasileiras.

Lula avalia próximos passos nas negociações

Em entrevista à Reuters e outras agências internacionais, Lula afirmou que espera enviar negociadores a Washington em breve. O presidente também disse que aguardará o término da COP30 para avaliar possíveis avanços nas discussões. Caso não haja progresso, ele pretende ligar diretamente para Trump a fim de acelerar as tratativas.

Questão da Venezuela fica fora da pauta

Questionado sobre se o tema Venezuela entraria nas conversas com Rubio, Mauro Vieira esclareceu que as reuniões têm se limitado às questões comerciais. O ministro confirmou ainda a participação de Lula na Cúpula da Celac com a União Europeia, nos dias 9 e 10, que deve abordar a situação venezuelana e reafirmar o compromisso da América Latina como região de paz. O encontro também discutirá os recentes ataques dos EUA a embarcações no Caribe, próximos à costa da Venezuela, que Washington afirma estarem ligadas ao tráfico de drogas.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP/Arquivos

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Economia

Bolsa brasileira dispara e marca novo recorde histórico

Ibovespa atinge 150 mil pontos e vive melhor momento em mais de uma década.

A Bolsa de Valores brasileira segue em forte alta e alcançou, nesta segunda-feira (3), a marca inédita de 150 mil pontos no Ibovespa, acumulando valorização superior a 20% em 2025. O desempenho contrasta com o fim turbulento de 2024, quando o índice caiu 9,35% e encerrou o ano em 118 mil pontos, pressionado pela crise fiscal e pela desconfiança em relação aos ativos brasileiros. Naquele período, o dólar chegou à máxima de R$ 6,20.

Mudança no cenário global impulsiona emergentes

A virada começou com a posse de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. A nova política tarifária americana aumentou a cautela de investidores sobre a estabilidade econômica dos EUA — tradicionalmente vistos como porto seguro — e provocou uma migração de recursos para mercados emergentes e ativos alternativos, como o ouro.

Com isso, diversas bolsas de países em desenvolvimento também avançaram: o S&P/BMV IPC (México) subiu 25%, enquanto os chineses CSI 1000 e Shanghai Composite cresceram 30% e 22%, respectivamente. Já o MSCI COLCAP (Colômbia) e o S&P CLX IPSA (Chile) dispararam 42% cada.

“O movimento de diversificação geográfica trouxe uma enxurrada de liquidez para as bolsas emergentes”, explica Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter. Segundo ele, mercados menos consolidados reagem de forma mais intensa à entrada de capital estrangeiro.

Dólar enfraquecido e juros altos favorecem emergentes

A incerteza sobre a política econômica de Trump também contribuiu para o enfraquecimento global do dólar, o que, aliado a juros reais mais elevados, levou os mercados emergentes a viver “seu melhor momento em mais de uma década”, segundo Leonardo Terroso, analista da AMW, ligada à Warren Investimentos.

Outro fator de impulso é a desconfiança crescente em relação à bolha de inteligência artificial nos Estados Unidos. Muitos investidores têm buscado proteção e diversificação fora de Wall Street. Além disso, o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) tem redirecionado recursos da renda fixa americana para outros mercados.

Brasil se beneficia de fatores internos e externos

O Brasil tem se destacado entre os emergentes, não apenas pela liquidez global, mas também por avanços domésticos. Entre eles, a recente reunião entre Trump e o presidente Lula, realizada na Malásia, que abriu diálogo sobre as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros. Apesar da falta de acordos concretos, o gesto foi interpretado como sinal positivo para o clima político e comercial, fortalecendo o real e o otimismo na Bolsa.

A queda projetada da Selic também reforça o apetite por renda variável. Hoje em 15%, a taxa deve começar a recuar no início de 2026, conforme as expectativas de inflação convergem para o teto da meta do Banco Central (3% ao ano). O último Boletim Focus prevê o IPCA em 4,56% para 2025 e Selic em 12,25% para 2026.

Ibovespa ainda é considerado “barato”

Mesmo em 150 mil pontos, analistas afirmam que a Bolsa brasileira segue subavaliada. O múltiplo preço/lucro do Ibovespa está em 8,5 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes e do “valor justo” estimado pela XP Investimentos, de 10 vezes.

Para efeito de comparação, o S&P 500 americano negocia a 23 vezes lucro. A XP projeta o Ibovespa em 170 mil pontos em 2026, caso o cenário macroeconômico se mantenha estável.

“O investidor local ainda está mais voltado à renda fixa, mas, com a queda dos juros, tende a voltar para a Bolsa”, diz Felipe Miranda, CEO da Empiricus. Ele ressalta que o investidor brasileiro hoje prefere CDI, CRIs, LCIs, LCAs e debêntures, mas essa tendência deve mudar conforme o retorno da renda variável se torne mais atrativo.

Risco fiscal e eleições podem limitar ganhos

Apesar do otimismo, persiste o temor de uma crise fiscal a partir de 2027. “O Brasil cresce, o desemprego está baixo e a inflação sob controle, mas o modelo de crescimento baseado em dívida preocupa”, avalia Miranda. Para ele, o mercado vive um momento semelhante ao de 2013-2014, que precedeu a crise de 2015-2016.

A expectativa é que o Ibovespa siga em alta até o primeiro trimestre de 2026, quando as eleições passam a influenciar o humor dos investidores. Três cenários estão no radar:

  1. Governo de centro-direita, reformista e fiscalista, o mais favorável ao mercado;
  2. Reeleição de Lula, com postura semelhante à de Simone Tebet, disposta a promover ajuste fiscal;
  3. Manutenção da política econômica atual, considerada expansionista, o que poderia aumentar o risco Brasil.

“Se Lula sinalizar compromisso com o equilíbrio fiscal, a Bolsa continuará subindo. O mercado não é personalista: ele reage à política econômica”, conclui Miranda.

FONTE: Com informações da Folha de S.Paulo e mercado financeiro.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Brasil busca solução para tarifas de carne bovina nos EUA

A indústria de carne bovina do Brasil aguarda uma definição sobre as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos nos próximos 60 dias. A previsão foi feita por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

“Eu acredito que, em um prazo entre 30 e 60 dias, isso deve estar equacionado”, declarou Perosa, destacando o otimismo da associação diante das negociações bilaterais após o encontro dos presidentes Lula e Donald Trump, na Malásia, no fim do mês passado.

Queda nas exportações e impacto do aumento de tarifas

As exportações de carne bovina do Brasil para os EUA, atualmente o segundo maior mercado do produto brasileiro após a China, sofreram queda desde agosto, quando foram impostas as taxas adicionais. Perosa afirmou que espera boas notícias em breve, com a possível retirada das tarifas, o que permitiria a retomada do fluxo comercial.

O aumento tarifário elevou o imposto sobre a carne brasileira para 76,4%, sendo 50 pontos percentuais referentes à taxa adicional. Antes, a alíquota já era de 26,4% para exportar aos Estados Unidos.

Negociações bilaterais e outros produtos brasileiros

Além da carne bovina, o Brasil busca a redução de tarifas para outros itens, como o café, reforçando a importância do país norte-americano como maior consumidor mundial e principal importador de grãos brasileiros.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Comércio

Tarifa de 50% sobre café brasileiro pressiona torrefadores dos EUA e eleva preços ao consumidor

Os torrefadores norte-americanos estão consumindo seus estoques de café à espera de uma definição nas negociações comerciais entre EUA e Brasil, que podem determinar se o setor precisará pagar ainda mais por grãos de outras origens.

O café brasileiro, responsável por cerca de um terço do consumo nos Estados Unidos, praticamente desapareceu do mercado americano desde agosto, após o governo de Donald Trump impor uma tarifa de 50% sobre as importações. A medida, que mistura política e comércio, foi interpretada como retaliação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, após críticas envolvendo o tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF.

Impactos da tarifa: preços altos e estoques em queda

O imposto de importação gerou grandes prejuízos para um setor que movimenta cerca de US$ 340 bilhões por ano nos EUA. Importadores enfrentam dificuldades para liberar cargas brasileiras retidas, torrefadores pagam multas por cancelamento de contratos e consumidores já chegam a pagar até 40% mais caro pelo café.

A expectativa é que os estoques norte-americanos atinjam níveis críticos em dezembro, pressionando torrefadores e redes varejistas a buscarem alternativas para manter suas margens de lucro.

Estratégias logísticas: redirecionamento para o Canadá

Algumas empresas adotaram soluções logísticas para minimizar perdas. A importadora Lucatelli Coffee, por exemplo, recebeu US$ 720 mil em café brasileiro após a entrada em vigor da tarifa, armazenando parte em depósitos alfandegados na Flórida para postergar o pagamento do imposto.

Para evitar a taxa de 50%, parte do café tem sido redirecionada para o Canadá, aumentando o custo de transporte, mas evitando perdas maiores.

“O problema não é comércio, é política — é pessoal entre Trump e Lula”, afirmou Steven Walter Thomas, proprietário da Lucatelli Coffee.

Cancelamentos e substituições elevam custos

Diante do cenário indefinido, várias torrefadoras norte-americanas optaram por cancelar pedidos de café brasileiro, pagando taxas de US$ 20 a US$ 25 por saca de 60 kg (aproximadamente US$ 515 sem tarifas).

A Downeast Coffee Roasters, em Rhode Island, cancelou parte dos contratos e busca alternativas mais caras, como cafés colombianos, mexicanos e centro-americanos, cujos preços subiram até 10% desde o anúncio das tarifas, enquanto o café brasileiro caiu cerca de 5%.

“Temos estoques, mas eles estão se esgotando rapidamente”, alertou Michael Kapos, executivo da Downeast Coffee Roasters.

Alta do café contribui para inflação nos EUA

A tarifa também impacta diretamente o consumidor. Segundo o Bureau of Labor Statistics, o preço médio do café torrado e moído nos supermercados norte-americanos subiu 41% em setembro na comparação anual, alcançando US$ 9,14 por libra-peso.

A combinação de tarifas e escassez global por fatores climáticos tem pressionado a inflação de alimentos nos Estados Unidos.

“Costumava pagar US$ 6 ou US$ 7, agora está US$ 11 — e o pacote parece menor”, comentou Yasmin Vazquez, consumidora de Nova Jersey.

Estoques em níveis críticos e expectativa por acordo

Atualmente, os estoques de café nos EUA estão em 4 milhões de sacas, podendo cair para 2,5 a 3 milhões até dezembro, próximo do limite mínimo de segurança, considerando que o país consome cerca de 25 milhões de sacas por ano, das quais 8 milhões vêm do Brasil.

Enquanto isso, o presidente Lula se mostrou otimista com a possibilidade de um acordo comercial em breve, enquanto Trump afirmou: “Não sei se algo vai acontecer, mas vamos ver”. Até lá, os consumidores americanos devem continuar pagando caro pelo café diário.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Fernando Ogura

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Comércio Internacional

EUA iniciam diálogo com empresas afetadas por tarifas contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos deu um novo passo nas negociações sobre as tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump e iniciou uma série de reuniões com empresas americanas afetadas pelas sobretaxas. As taxas, que chegam a 40%, foram aplicadas com base em motivações políticas, entre elas o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com fontes ligadas ao governo americano, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) determinou que todas as empresas interessadas sejam ouvidas diretamente pelo órgão e pelo Departamento de Estado. A medida foi tomada após o encontro entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio, realizado há duas semanas. A reunião foi vista por ambas as partes como o início efetivo das negociações tarifárias entre Brasil e EUA.

Reuniões indicam avanço nas tratativas

Segundo membros da comitiva americana, o clima após o diálogo entre Lula e Trump, ocorrido na Malásia, foi positivo, com sinais de boa disposição para um acordo comercial.

O USTR já havia conduzido audiências com empresas dentro de uma investigação baseada na Seção 301, legislação americana de 1974 que permite a aplicação de medidas tarifárias e não tarifárias contra países considerados prejudiciais ao comércio dos EUA — como China e União Europeia, que já foram alvos anteriormente.

Desta vez, porém, o processo de escuta não estaria formalmente vinculado à Seção 301. O objetivo seria identificar as demandas das empresas americanas e incorporá-las às negociações com o Brasil, sinalizando uma intenção real de avançar nas discussões sobre as tarifas.

USTR assume protagonismo técnico nas negociações

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, sócio do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados, o movimento do USTR demonstra uma abertura para diálogo técnico. “O USTR está se reunindo com as empresas que pediram para falar sobre o Brasil, para ver se elas têm elementos para colocar na mesa de negociações”, afirmou.

O superintendente de relações internacionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Federico Lamego, avalia que o protagonismo do USTR é um sinal positivo. “Estamos com grande expectativa de que haja um bom desfecho, com possibilidade de suspensão temporária das tarifas de 50%. O fato de o USTR liderar as negociações indica que o processo tende a seguir um caminho técnico”, declarou.

A CNI defende ainda que o acordo com os EUA seja mais abrangente, indo além da questão tarifária. A entidade propõe incluir compromissos de investimentos de empresas brasileiras nos EUA, compras governamentais e parcerias estratégicas em áreas como minerais críticos, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e data centers. Um documento com essas sugestões está sendo preparado para ser entregue ao governo americano.

Setores brasileiros buscam espaço nas negociações

Enquanto isso, setores diretamente afetados pelas tarifas também se movimentam. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) informou que busca incluir o café na solicitação de suspensão das tarifas por 90 dias. Caso a medida não avance, o setor pretende garantir que o produto entre na lista de isenções assinada por Trump em 5 de setembro.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) destacou, em nota, que as negociações são fundamentais para preservar a competitividade da carne brasileira e garantir previsibilidade aos exportadores.

“O encontro entre Lula e Trump reforça a importância do diálogo para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e demonstra a disposição de ambos os governos em avançar nas discussões sobre as tarifas atualmente em vigor”, afirmou a entidade.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brendan SMIALOWSKI/AFP

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