Comércio Exterior

Audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil começa com defesa de produtos brasileiros e debate sobre o Pix

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de novas tarifas dos EUA contra o Brasil teve início na segunda-feira (6). O encontro reuniu representantes de setores produtivos brasileiros e norte-americanos para discutir a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro optou por não participar ativamente das discussões, enviando apenas observadores. Segundo participantes, o ambiente da audiência foi considerado receptivo e voltado para análises técnicas. Cada expositor teve aproximadamente cinco minutos para apresentar seus argumentos.

Ao longo do primeiro dia, as entidades brasileiras destacaram a dificuldade que os Estados Unidos enfrentariam para substituir produtos estratégicos, como café brasileiro e arroz, além de defenderem a inclusão de itens na lista de exceções à medida tarifária.

Ao todo, a audiência contou com 42 participantes e representantes de oito órgãos do governo norte-americano, incluindo os departamentos de Comércio, Estado, Tesouro e Agricultura.

Especialista vê ambiente técnico e otimista nas discussões

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, avaliou positivamente o perfil das discussões. Segundo ele, as autoridades norte-americanas demonstraram interesse em ouvir os argumentos apresentados, sem que o debate fosse dominado por questões políticas.

De acordo com o especialista, houve uma postura técnica por parte dos representantes dos Estados Unidos, indicando disposição para compreender os impactos econômicos das medidas propostas.

Setores econômicos pedem retirada das tarifas

Grande parte das entidades presentes defendeu a exclusão de diversos produtos brasileiros da nova taxação. Segmentos como café solúvel e mel orgânico argumentaram que a cobrança de tarifas elevaria diretamente os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Em sentido contrário, duas associações de pecuaristas dos Estados Unidos defenderam a aplicação de sanções à carne bovina brasileira. As entidades alegaram preocupações relacionadas à corrupção, trabalho forçado e desmatamento associados à cadeia produtiva.

Segundo Gustavo Pessoa, os representantes afirmaram que as exportações brasileiras ocupam parcela significativa do mercado de carne bovina dos EUA, o que, na visão deles, comprometeria a competitividade da indústria local.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rebateu as críticas, destacando que o país mantém sistemas de rastreabilidade e monitoramento da produção destinada à exportação.

Empresas norte-americanas pedem isenção para produtos brasileiros

Mesmo sem participação presencial, grandes companhias dos Estados Unidos enviaram manifestações formais ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais.

Nas cartas encaminhadas ao órgão, as empresas alertaram que a medida poderá afetar as cadeias de suprimentos, elevar custos para consumidores americanos e reduzir a competitividade de negócios instalados nos Estados Unidos.

Pix desperta interesse durante audiência

Outro tema debatido foi o Pix. Gustavo Pessoa e o executivo Vinícius Nunes Pinto apresentaram argumentos em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a audiência, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA questionou de que forma uma eventual integração com o Pix poderia beneficiar o mercado norte-americano.

Segundo Pessoa, a resposta destacou que o sucesso do sistema brasileiro pode servir como referência para estudos e futuras iniciativas de cooperação entre os dois países no setor financeiro.

Entenda a proposta de novas tarifas

O USTR avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, com base em investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O relatório cita supostas práticas consideradas restritivas ao comércio, incluindo referências ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas para o etanol, questões ambientais, corrupção e combate à pirataria.

A decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho e será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.

Governo brasileiro contesta relatório dos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um documento ao USTR contestando a proposta de ampliação das tarifas.

Na manifestação, o Itamaraty rejeita a avaliação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado e sustenta que eventuais divergências comerciais devem ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro também afirma que o relatório norte-americano desconsidera informações apresentadas durante o processo, incluindo legislações e ações de fiscalização voltadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Além disso, o Itamaraty entende que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 não são compatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

Segundo dia terá participação de Flávio Bolsonaro e representantes da indústria

A programação desta terça-feira (7) prevê novos depoimentos de representantes da indústria brasileira, além da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo declarações públicas, o parlamentar defenderá o adiamento da decisão sobre as tarifas dos EUA contra o Brasil para depois das eleições. Em publicação nas redes sociais, afirmou acreditar que a medida poderá ser revista e disse que apresentará argumentos técnicos durante a audiência.

Também estão entre os participantes representantes da indústria de máquinas, madeira, ferro-gusa, calçados, cerâmica, mineração, engenharia, automação e do setor florestal, que defenderão a manutenção das relações comerciais e alertarão para os impactos econômicos da sobretaxação nos dois países.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Austrália abre 324 oportunidades de exportação para empresas brasileiras, aponta ApexBrasil

Um estudo técnico da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 324 oportunidades de exportação para empresas brasileiras interessadas em ampliar sua atuação na Austrália. O levantamento, intitulado Perfil de Comércio e Investimentos – Austrália, apresenta um panorama de uma das maiores economias da região, com PIB de US$ 1,8 trilhão e consumo interno estimado em US$ 1,4 trilhão.

Os dados também mostram a relevância da relação comercial entre os dois países. Em 2025, a corrente de comércio alcançou US$ 1,8 bilhão, sendo que as exportações brasileiras responderam por US$ 777,4 milhões desse total.

Café brasileiro lidera as exportações

O principal produto brasileiro vendido ao mercado australiano é o café não torrado, responsável por 24,2% das exportações para o país.

O desempenho é impulsionado pelo perfil de consumo dos australianos, que apresentam forte demanda por cafés do tipo expresso e bebidas preparadas à base de café com leite.

Setor industrial também apresenta potencial de crescimento

Além do agronegócio, o estudo aponta espaço para ampliar a presença de produtos industrializados brasileiros na Austrália. Os investimentos locais em habitação e infraestrutura devem impulsionar a demanda por diferentes segmentos da indústria.

Entre os setores com maior potencial de expansão estão veículos ferroviários e rodoviários, medicamentos, equipamentos para engenharia civil, celulose, materiais de construção, máquinas elétricas, motocicletas e aeronaves.

Benefícios tarifários favorecem empresas brasileiras

Outro fator que fortalece a competitividade dos produtos nacionais é o acesso da Austrália ao Sistema Geral de Preferências (SGP), por meio do Australian System of Tariff Preferences (ASTP).

Como o Brasil está enquadrado na categoria Developing Country Status (DCS), empresas brasileiras podem obter tarifas reduzidas em determinadas linhas de importação, tornando seus produtos mais competitivos no mercado australiano.

Investimentos australianos avançam no Brasil

A relação entre os dois países também cresce na área de investimentos. Em 2024, o estoque de investimento direto da Austrália no Brasil atingiu US$ 7,2 bilhões, colocando o país como a 23ª maior origem de capital estrangeiro na economia brasileira.

Os recursos estão concentrados principalmente em projetos de mineração, transição energética, exploração de minerais estratégicos em Minas Gerais e iniciativas voltadas ao hidrogênio verde e às energias renováveis nos estados do Ceará e do Rio de Janeiro.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Indústria

Tarifa de 25% dos EUA pode atingir principalmente a indústria brasileira, aponta análise

O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta segunda-feira (6), uma série de audiências com representantes do setor produtivo para discutir a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil. Caso a medida seja confirmada, a indústria brasileira tende a ser o segmento mais afetado, segundo avaliação da editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto.

Impacto na economia brasileira deve ser limitado

Apesar da preocupação com alguns setores, a analista considera que os efeitos sobre a economia brasileira como um todo não seriam significativos.

Atualmente, apenas 10,8% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos. Além disso, a proposta de sobretaxa atingiria cerca de 31% desse volume, o equivalente a aproximadamente US$ 11,7 bilhões.

Na avaliação de Lucinda Pinto, mesmo com a cobrança da tarifa de 25%, o impacto macroeconômico tende a ser restrito devido ao alcance limitado da medida.

Outro fator que reduz os efeitos gerais é que importantes produtos da pauta de exportação brasileira, como petróleo, café, suco de laranja e carne, não fazem parte da relação de itens que poderão ser tarifados.

Produtos industrializados estão no foco da proposta

A proposta norte-americana concentra-se principalmente sobre produtos industrializados. Entre os itens citados estão madeira perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça.

De acordo com a análise, aproximadamente metade dos produtos incluídos na lista possui alto valor agregado e é classificada como de elevada tecnologia, o que amplia a preocupação do setor.

Regiões mais dependentes das exportações sentirão maior impacto

Embora o reflexo sobre a economia nacional seja considerado moderado, os efeitos podem ser bastante expressivos em determinadas regiões do país.

Levantamento da consultoria Integra Associados indica que estados como Santa Catarina, Alagoas e Paraíba estão entre os mais vulneráveis por apresentarem maior dependência das exportações destinadas ao mercado norte-americano. Já São Paulo, apesar do elevado volume exportado para os Estados Unidos, possui uma economia mais diversificada e menor dependência desse destino.

Redirecionamento das exportações é um dos principais desafios

Outro ponto destacado pela analista é a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar novos mercados em curto prazo.

Ao contrário das commodities, que costumam ser redirecionadas com maior facilidade, muitos produtos industrializados são desenvolvidos sob encomenda para atender especificações técnicas de clientes específicos. Essa característica reduz a possibilidade de substituir rapidamente o mercado norte-americano por outros compradores.

Segundo Lucinda Pinto, máquinas e equipamentos produzidos para atender linhas de produção específicas dificilmente encontram novos destinos de forma imediata.

Especialistas ainda apostam em mudanças na proposta

Apesar do avanço das discussões nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre o alcance da medida e sobre os objetivos do governo norte-americano.

Especialistas ouvidos pela analista acreditam que existe a possibilidade de a tarifa não ser aplicada integralmente ou de atingir apenas parte dos produtos inicialmente previstos, reduzindo os impactos para o setor exportador brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho

O superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 2,273 bilhões (cerca de R$ 11,87 bilhões) na primeira semana de julho, impulsionado pelo forte desempenho das exportações brasileiras, que cresceram 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No período, o país exportou US$ 5,891 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,618 bilhões.

Indústria extrativa lidera crescimento das exportações

O avanço das exportações foi puxado principalmente pela indústria extrativa, que registrou crescimento de 81,7% na comparação anual e movimentou US$ 1,761 bilhão. A indústria de transformação também apresentou desempenho expressivo, com embarques de US$ 3,167 bilhões, alta de 39,4%. Já a agropecuária exportou US$ 947 milhões, crescimento mais moderado de 1,5%.

As importações brasileiras cresceram 10,4% frente ao mesmo período de julho de 2025. Entre os setores, a agropecuária registrou retração de 15%, totalizando US$ 75 milhões. Em contrapartida, a indústria extrativa ampliou as compras externas em 86,6%, alcançando US$ 245 milhões. A indústria de transformação respondeu pela maior parcela das importações, com US$ 3,288 bilhões, resultado 7,4% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

No acumulado de janeiro até a primeira semana de julho, o superávit da balança comercial chegou a US$ 44,630 bilhões, representando crescimento de 39,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo era de US$ 37,184 bilhões. O resultado reforça o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro ao longo do ano, sustentado principalmente pelo aumento das exportações.

A expectativa do MDIC é que o superávit comercial alcance US$ 90 bilhões até o fim de 2026. Para isso, o governo estima que as exportações brasileiras totalizem US$ 394,4 bilhões no ano, enquanto as importações devem chegar a US$ 304,4 bilhões.

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Porto de Itajaí / Foto Tanajura

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Comércio Internacional

Tarifa dos EUA pode afetar mais de 4 mil produtos brasileiros, alerta CNI

Mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser impactados caso os Estados Unidos confirmem a adoção de novas tarifas sobre mercadorias brasileiras. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que calcula que cerca de 4,1 mil itens, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, poderão ser atingidos pelas medidas.

A audiência que discute a aplicação das novas tarifas começou nesta segunda-feira (6) e segue até terça-feira (7). A decisão final do governo norte-americano está prevista para o próximo dia 15 de julho.

Tarifas podem elevar taxação para 37,5%

De acordo com a CNI, a combinação das medidas propostas pode elevar a tributação adicional sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

Há pouco mais de um mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma proposta de tarifa extra de 25% para produtos brasileiros, com exceção daqueles enquadrados nas regras de segurança nacional.

Além disso, outra proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% após a conclusão de uma investigação sobre trabalho forçado em cerca de 90 países, incluindo o Brasil. Segundo o USTR, essas nações não adotariam ou aplicariam de forma eficaz restrições à importação de bens produzidos com mão de obra forçada.

Caso as duas medidas sejam implementadas simultaneamente, a taxação adicional poderá atingir 37,5%.

Produtos industriais estão entre os mais expostos

Segundo o levantamento da CNI, o Brasil é o principal fornecedor dos Estados Unidos em 11 importantes produtos industriais, o que amplia os impactos potenciais das novas tarifas.

Entre os itens mais afetados estão:

  • Ferro-gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira de pinho;
  • Tabaco curado por fumaça ou processado;
  • Peptonas e derivados;
  • Compensado de pinus;
  • Granito monumental ou de construção;
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira;
  • Hidróxido de alumínio.

CNI alerta para impactos na cadeia produtiva

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas pode gerar prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias norte-americanas.

Segundo ele, o aumento da tributação compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e afeta cadeias produtivas integradas, nas quais diversos insumos brasileiros são considerados estratégicos para a indústria dos Estados Unidos.

Audiência em Washington reúne representantes contrários à medida

A audiência pública realizada em Washington contará com a participação do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, que representará a CNI na sessão desta terça-feira (7).

Dos 80 inscritos para se manifestar durante o processo, 66 devem apresentar posicionamento contrário às novas tarifas propostas pelo governo norte-americano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Carlos Barria

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Exportação

Brasil adota novas regras para exportação de carnes à União Europeia

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou a implementação de novos procedimentos de inspeção para a produção de carnes e derivados destinados à União Europeia (UE). A medida busca adequar o sistema brasileiro às exigências do bloco europeu e preservar o acesso dos produtos nacionais ao mercado internacional.

As novas orientações foram divulgadas pelo Globo Rural, que informou ter obtido um documento enviado pelo governo federal aos auditores fiscais federais agropecuários.

Objetivo é evitar restrições às exportações brasileiras

A iniciativa faz parte da estratégia do governo para impedir que a União Europeia suspenda, a partir de setembro, a importação de determinados produtos de origem animal provenientes do Brasil.

Entre os itens que podem ser afetados pelas restrições estão carne bovina, carne de frango, ovos e animais vivos, segmentos de grande relevância para o agronegócio brasileiro e para a pauta de exportações do país.

Mudança atende exigências sanitárias da União Europeia

As exigências europeias estão relacionadas às normas que regulamentam o uso de determinadas substâncias antimicrobianas em animais destinados à produção de alimentos.

Anunciadas pela União Europeia em maio, as novas regras estabelecem critérios mais rigorosos para a entrada de produtos de origem animal no bloco, exigindo que os países exportadores comprovem conformidade com os padrões sanitários adotados pelos europeus.

Com a adoção dos novos procedimentos de inspeção, o Brasil busca manter a habilitação de seus estabelecimentos exportadores e assegurar a continuidade das vendas para um dos principais mercados consumidores de proteínas do mundo.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

EUA iniciam audiência sobre tarifas de 25% a produtos brasileiros antes de decisão final

Representantes do setor produtivo brasileiro e autoridades dos Estados Unidos iniciam, nesta segunda-feira (6), uma audiência pública para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. O encontro representa a última etapa do processo antes da definição oficial das medidas, prevista para o próximo dia 15.

A audiência começa às 11h (horário de Brasília) e reúne empresas, entidades de classe, importadores e representantes da indústria dos dois países para apresentar argumentos técnicos sobre os impactos da nova política tarifária.

Investigação do USTR fundamenta proposta de novas tarifas

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

Entre os fatores apontados pelo órgão estão supostos benefícios concedidos ao sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais considerados preferenciais, questões relacionadas ao etanol, desmatamento, corrupção e combate à pirataria. Esses pontos serviram de base para a recomendação das novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Os debates acontecem na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e serão distribuídos em 14 painéis. Sete sessões estão programadas para esta segunda-feira e outras sete ocorrerão na terça-feira (7), sempre a partir das 11h (horário de Brasília).

Cada participante inscrito terá cinco minutos para apresentar um resumo executivo defendendo os interesses do setor que representa. Após as exposições, integrantes do USTR poderão realizar questionamentos, seguidos das respostas das entidades participantes.

O processo de preparação da audiência começou no mês passado. As inscrições para participação ficaram abertas até 22 de junho, enquanto o envio das manifestações técnicas por escrito foi encerrado em 1º de julho. Os documentos servirão como base para as apresentações durante os painéis.

Agronegócio e indústria lideram mobilização brasileira

A audiência é considerada pelo setor privado brasileiro como a principal oportunidade para tentar reduzir ou evitar a adoção das tarifas antes da decisão definitiva. Entre os participantes estão representantes do agronegócio, que deve concentrar boa parte das discussões devido à forte relação comercial com compradores norte-americanos.

Também confirmaram participação entidades da indústria, como a Sindifer, a Fiesp, a Abimaq e o Centrorochas, que pretendem apresentar argumentos sobre os possíveis impactos econômicos da medida para a cadeia produtiva e para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Ilustração Dado Ruvic – Reuters

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Exportação

Brasil endurece regras para exportação de carne à União Europeia e exige novos controles sanitários

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) anunciou novas exigências para a certificação de produtos de origem animal destinados à União Europeia. A medida atende às normas adotadas pelo bloco europeu sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária e altera os critérios para emissão dos certificados sanitários internacionais.

As determinações estão previstas no Ofício-Circular nº 24/2026/CGCOA/DIPOA/SDA/MAPA, encaminhado aos serviços oficiais de inspeção e aos estabelecimentos habilitados para exportação. A partir de 3 de setembro de 2026, somente poderão ser certificados os produtos que comprovarem conformidade com a legislação europeia.

Exportadores terão de comprovar rastreabilidade e conformidade

Com as novas regras, frigoríficos e demais empresas exportadoras deverão manter sistemas de controle auditáveis que comprovem a elegibilidade de animais, matérias-primas e insumos utilizados na produção.

Entre as exigências estão registros de rastreabilidade, documentação que ateste a conformidade dos produtos, mecanismos para separar lotes aptos e não aptos à exportação e procedimentos para bloquear cargas que deixarem de atender aos critérios estabelecidos. A fiscalização oficial ficará responsável por verificar a implantação e a eficiência desses controles durante as auditorias.

As mudanças têm como base o Regulamento Delegado (UE) 2023/905 e o Regulamento de Execução (UE) 2022/1255, que impedem a entrada no mercado europeu de animais e produtos oriundos de sistemas que utilizem antimicrobianos para promoção de crescimento ou medicamentos considerados críticos para a medicina humana.

Impacto varia entre os setores da produção animal

As novas exigências abrangem carnes, ovos, mel, pescado, aquicultura e outros produtos de origem animal, mas os efeitos deverão ser diferentes em cada cadeia produtiva.

Nos setores de aves, ovos e aquicultura, o MAPA passa a exigir programas documentados de qualificação e monitoramento dos fabricantes de alimentação animal utilizados nos lotes destinados à União Europeia. Também será necessária a comprovação de que esses fornecedores estejam devidamente registrados junto ao ministério.

Nas integrações avícolas, boletins sanitários e registros dos programas de alimentação passam a integrar a documentação sujeita à fiscalização oficial.

Já na bovinocultura, a adaptação tende a ser mais desafiadora devido ao longo ciclo de produção. A certificação exigirá documentação que demonstre que o animal permaneceu em conformidade com as normas europeias durante toda a sua vida produtiva, reforçando a necessidade de sistemas robustos de rastreabilidade desde a cria até o abate.

Fiscalização passa a avaliar programas de autocontrole

Outra mudança importante é a ampliação das responsabilidades das empresas exportadoras. A fiscalização deixará de concentrar sua análise apenas na etapa final de processamento e passará a avaliar os programas de autocontrole adotados pelos estabelecimentos.

O Serviço Oficial deverá verificar se esses procedimentos são suficientes para assegurar a manutenção da elegibilidade sanitária dos produtos destinados ao mercado europeu, analisando sua adequação, implementação e efetividade.

O documento também informa que os mesmos critérios servirão de base para as exportações ao Reino Unido enquanto permanecerem em vigor requisitos equivalentes relacionados ao uso de antimicrobianos, embora não existam novas restrições sanitárias impostas pelas autoridades britânicas neste momento.

Adequação acompanha mudanças na legislação europeia

As novas orientações fazem parte do processo de adequação do Brasil às recentes mudanças regulatórias promovidas pela União Europeia. Em maio, o bloco atualizou a relação de países autorizados a oferecer garantias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal e estabeleceu prazo até setembro para adaptação dos sistemas de certificação.

Antes disso, o governo brasileiro já havia publicado a Portaria SDA nº 1.617/2026, proibindo o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal. A medida integra o alinhamento da legislação nacional às normas internacionais voltadas ao combate da resistência antimicrobiana.

Segundo o MAPA, a emissão dos certificados sanitários internacionais, a partir de 3 de setembro de 2026, dependerá da comprovação de que os produtos atendem integralmente às exigências previstas pela legislação europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Comércio Internacional

Governo Lula apresenta plano aos EUA para evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo federal entregou aos Estados Unidos uma proposta de negociação para tentar impedir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada durante uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento foi apresentado nesta quinta-feira (2) e estabelece um roteiro para avançar nas negociações entre os dois países.

A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para preservar o comércio entre Brasil e Estados Unidos, sem abrir mão de temas considerados estratégicos para o país.

Proposta prevê redução de tarifas em setores específicos

O plano foi entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O conteúdo do documento não foi divulgado oficialmente.

Entre as medidas apresentadas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em aproximadamente 300 linhas de produtos. Segundo o governo, a proposta foi elaborada em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As reduções estariam concentradas em segmentos nos quais a produção nacional é limitada, como máquinas, equipamentos industriais e produtos de tecnologia da informação. A avaliação é que a medida pode ampliar o acesso de mercadorias norte-americanas ao mercado brasileiro sem comprometer a competitividade da indústria nacional.

Temas políticos ficam fora das negociações

O governo brasileiro informou que assuntos relacionados ao Pix, decisões do Poder Judiciário e temas de política interna não fazem parte das negociações com Washington.

A orientação é manter o diálogo restrito às questões comerciais levantadas pela investigação conduzida pelo USTR, evitando ampliar as discussões para outros assuntos diplomáticos ou políticos.

Além das medidas tarifárias, o documento busca demonstrar que as políticas brasileiras questionadas pelos Estados Unidos não provocam distorções comerciais nem estabelecem tratamento discriminatório às empresas norte-americanas.

Brasil e EUA terão novas rodadas de negociação

Durante o encontro, representantes dos dois países concluíram que será necessário ampliar as discussões técnicas antes da decisão final do governo norte-americano.

Uma nova reunião entre as equipes técnicas está prevista para o início da próxima semana. Outro encontro de alto nível deverá ocorrer antes de 15 de julho, data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidirá se aplicará ou não as tarifas propostas.

Em nota oficial, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que as conversas continuam avançando sobre os seis temas incluídos na investigação da Seção 301 do USTR: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Segundo o ministro, ambos os governos consideram o diálogo produtivo, mas reconhecem que será necessário mais tempo para detalhar propostas e aproximar posições.

Entenda as tarifas propostas pelos Estados Unidos

A investigação conduzida pelo USTR prevê duas possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

A primeira estabelece uma tarifa adicional de 25%, relacionada à investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais.

A segunda prevê uma cobrança de 12,5% em razão de questionamentos sobre a importação de produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão, tema analisado em uma investigação de alcance global.

As medidas ainda não entraram em vigor. O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso até 6 de julho. No dia 7 será realizada uma audiência pública, enquanto a decisão definitiva sobre a adoção das sanções está prevista para 15 de julho.

Flávio Bolsonaro participa do processo de consulta pública

O senador Flávio Bolsonaro inscreveu-se para participar da audiência pública promovida pelo USTR. Conforme o documento apresentado às autoridades norte-americanas, o parlamentar defenderá a suspensão das tarifas e buscará uma solução negociada para as questões levantadas na investigação.

O gabinete do senador também encaminhou um documento ao órgão norte-americano argumentando que a adoção das tarifas poderia gerar efeitos políticos favoráveis ao governo brasileiro.

Desde o anúncio da investigação comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contestado as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a possível adoção das sanções. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a manifestação enviada por Flávio Bolsonaro tem como principal objetivo influenciar o debate político interno no Brasil.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta novas barreiras e gera preocupação com acesso ao mercado europeu

A entrada em vigor do acordo UE-Mercosul trouxe expectativas de ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos. No entanto, uma série de novas medidas discutidas ou adotadas pela União Europeia tem gerado preocupações entre os países sul-americanos, especialmente o Brasil, que vê crescer o risco de restrições ao acesso ao mercado europeu mesmo após concessões negociadas ao longo de décadas.

Em um cenário global marcado por tensões comerciais, barreiras regulatórias e enfraquecimento das regras multilaterais, especialistas avaliam que acordos comerciais já não garantem, por si só, acesso estável aos mercados internacionais.

Restrição ao aço abre primeiro foco de tensão

O primeiro grande teste para a relação entre os dois blocos envolve o setor siderúrgico. Bruxelas pretende implementar novas restrições às importações de aço com o argumento de combater a sobrecapacidade global de produção, atribuída principalmente à China.

A proposta prevê uma redução significativa das cotas de exportação atualmente disponíveis e a elevação da tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem esses limites, passando de 25% para 50%.

A medida causa desconforto porque o acordo Mercosul-União Europeia prevê justamente a eliminação dessas tarifas. Para países como Brasil e Argentina, a iniciativa reduz parte dos benefícios comerciais que haviam sido negociados no tratado.

Suspensão da carne bovina amplia insatisfação

Outro episódio que gerou reação em Brasília foi a suspensão das importações de determinados produtos de carne bovina brasileira pela União Europeia.

O bloco europeu justificou a decisão com preocupações relacionadas à presença de antimicrobianos utilizados na produção animal. Embora o tema já estivesse sendo discutido entre as partes, autoridades brasileiras consideraram a medida desproporcional, especialmente por ter sido adotada logo após o início da vigência do acordo.

Agora, a expectativa é que a documentação enviada pelo governo brasileiro permita uma reavaliação da decisão e uma eventual reabertura parcial do mercado europeu para esses produtos.

Açúcar, soja e biocombustíveis também entram no radar

As preocupações não se limitam ao setor pecuário. Em maio, a União Europeia suspendeu por um ano um regime aduaneiro que facilitava a entrada de açúcar bruto destinado ao refino e posterior reexportação.

A medida afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor dentro desse sistema.

Além disso, mudanças recentes na política europeia para biocombustíveis classificaram o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, associando sua produção a potenciais impactos sobre o desmatamento. A decisão reduz as oportunidades de acesso do produto ao mercado europeu.

União Europeia busca ampliar autossuficiência agrícola

Novas propostas em discussão também podem afetar as exportações agrícolas do Mercosul.

Bruxelas avalia estratégias para aumentar a produção interna de oleaginosas e proteínas vegetais, elevando a participação da produção europeia no abastecimento do bloco. A iniciativa poderá reduzir a dependência de importações de soja provenientes do Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Paralelamente, a União Europeia pretende ampliar as compras desses produtos da Ucrânia, país que busca ingressar oficialmente no bloco europeu.

Novas regras industriais podem criar obstáculos adicionais

O setor industrial também acompanha com atenção a elaboração de novos mecanismos de proteção ao mercado europeu.

Entre as propostas está o chamado Industrial Accelerator Act, iniciativa que pretende fortalecer a indústria local por meio de exigências de produção doméstica para acesso a licitações públicas e programas de subsídios.

Na avaliação de especialistas, caso seja implementada sem mecanismos de equilíbrio, a medida poderá restringir o acesso de empresas do Mercosul ao mercado europeu de compras governamentais.

Taxa de carbono e lei antidesmatamento elevam desafios

Outro ponto de atenção é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), conhecido como taxa de carbono da União Europeia. Previsto para entrar em vigor plenamente em 2027, o instrumento poderá gerar custos adicionais para exportadores brasileiros de determinados produtos.

No mesmo ano, passará a valer a rigorosa Lei Antidesmatamento da União Europeia, que estabelecerá critérios para a comercialização de commodities como soja, carne bovina, café, madeira, cacau, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis.

As regras restringirão a entrada de mercadorias associadas a áreas desmatadas após 2020.

Cresce percepção de desequilíbrio no acordo

A sucessão de medidas tem alimentado a percepção, em setores produtivos do Mercosul, de que as concessões obtidas no acordo comercial podem ser reduzidas por novas exigências regulatórias, sanitárias, ambientais ou industriais.

Enquanto os compromissos assumidos pelos países sul-americanos permanecem válidos, o surgimento de novas barreiras gera dúvidas sobre os ganhos efetivos esperados com o tratado.

Para exportadores e representantes da indústria, o desafio agora será garantir que os benefícios negociados no acordo UE-Mercosul sejam preservados e não sejam gradualmente limitados por mudanças regulatórias posteriores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

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