Transporte

Ponte Bioceânica entre Brasil e Paraguai entra na reta final e pode reduzir em 14 dias o transporte de cargas para a Ásia

Com 1.294 metros de extensão e investimento estimado em R$ 520 milhões, a Ponte Bioceânica entre Brasil e Paraguai está na fase final de construção. A estrutura ligará Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, e tem conclusão prevista para 2027.

A obra integra um projeto de infraestrutura internacional que pretende transformar a logística de exportação da América do Sul. A expectativa é que a chamada Rota Bioceânica reduza em até 14 dias o tempo de transporte de mercadorias destinadas à Ásia, ampliando as alternativas de acesso aos mercados internacionais.

Ponte Bioceânica avança com investimento de R$ 520 milhões

O empreendimento conta com investimento previsto de US$ 103 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 520 milhões. Com a construção avançando nas duas margens do Rio Paraguai, os trabalhos se concentram na instalação de componentes estruturais e na execução de acabamentos.

De acordo com o Consórcio Binacional PYBRA, responsável pela obra, as equipes atuam simultaneamente nos territórios brasileiro e paraguaio para concluir as diferentes etapas da estrutura.

No lado brasileiro, os serviços incluem a montagem de plataformas destinadas ao ajuste da tensão dos estais, cabos que conectam os mastros ao tabuleiro e ajudam a sustentar a ponte. Também está em andamento a aplicação de argamassa nas bainhas de protensão do vão central, procedimento que contribui para proteger os componentes de aço.

Já no Paraguai, as frentes de trabalho abrangem a construção de meios-fios de concreto, a instalação de estruturas auxiliares para regulagem dos cabos de sustentação e a colocação de conduítes elétricos sob a ciclovia do viaduto de acesso.

As equipes também realizam a retirada de andaimes, os acabamentos nas laterais dos pilares e a execução de estacas para a instalação dos guarda-corpos de proteção aos pedestres na rampa de acesso rodoviário.

Rota Bioceânica pode encurtar o caminho até a Ásia

A ponte é uma das principais estruturas de um corredor logístico que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A proposta é facilitar o transporte de mercadorias até os portos chilenos no Oceano Pacífico, criando uma alternativa às rotas tradicionais de exportação pelos terminais brasileiros no Atlântico.

Com essa integração, a logística de exportação brasileira poderá ganhar agilidade, com uma redução de até 14 dias no tempo de transporte de cargas entre a América do Sul e a Ásia.

O prazo, no entanto, dependerá de fatores como a localização de origem e destino das mercadorias, as condições de transporte e o funcionamento das operações portuárias. Por isso, o ganho de tempo poderá variar conforme cada operação comercial.

Corredor internacional deve impulsionar o comércio regional

Além de diversificar os caminhos para o escoamento da produção, a Rota Bioceânica busca fortalecer as relações comerciais entre os quatro países envolvidos. A iniciativa também poderá ampliar a demanda por serviços de transporte, logística e outras atividades econômicas ligadas ao comércio internacional.

Uma das regiões que poderá se beneficiar dessa integração é o Chaco paraguaio, onde a conexão com os demais países sul-americanos tende a abrir novas possibilidades para a circulação de produtos e o desenvolvimento de negócios.

A coordenação do empreendimento está sob responsabilidade do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC). A execução dos trabalhos cabe ao Consórcio Binacional PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil S.A., Paulitec Construções e Construtora Cidade Ltda.

Com a entrega prevista para 2027, a ponte deverá representar um avanço na integração física entre Brasil e Paraguai e na implantação de um corredor estratégico para o comércio sul-americano com os mercados asiáticos.

FONTE: Correio 24 Horas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Porto de Paranaguá responde por 65% do crescimento das exportações brasileiras de frango congelado

O Porto de Paranaguá teve participação decisiva no avanço das exportações brasileiras de carne de frango congelada em 2026. Entre janeiro e setembro, o terminal paranaense embarcou 1,87 milhão de toneladas do produto, volume que representa 47% de todas as exportações marítimas brasileiras da proteína no período.

O resultado supera em 18,7% as 1,57 milhão de toneladas registradas nos nove primeiros meses de 2025. No cenário nacional, os embarques marítimos de carne de frango alcançaram 3,98 milhões de toneladas entre janeiro e setembro deste ano.

Paranaguá concentra 65,1% do crescimento das exportações de frango

O desempenho do porto foi responsável por 65,1% do aumento das exportações brasileiras de frango congelado em relação ao ano anterior. Das 451,9 mil toneladas adicionais embarcadas pelo Brasil, 294 mil toneladas passaram pelo terminal paranaense.

Em setembro de 2026, Paranaguá movimentou 199,2 mil toneladas da proteína, crescimento de 12% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando os embarques somaram 177,8 mil toneladas.

Os números consolidam o porto como o principal corredor de exportação de carne de frango congelada do Brasil e do mundo. As informações são do Comex Stat, plataforma do Governo Federal que reúne dados do comércio exterior, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná.

Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, os investimentos em infraestrutura são determinantes para esse desempenho.

“A Portos do Paraná é referência mundial na movimentação de frango congelado, especialmente em razão dos investimentos em infraestrutura que ampliaram capacidade de armazenagem e de exportação de contêineres frigorificados”, afirma Garcia.

Ele destaca que a estrutura portuária contribui para ampliar a competitividade do agronegócio paranaense, que tem o estado como líder nacional na produção de frango.

China lidera as compras de frango embarcado em Paranaguá

A China foi o principal destino da carne de frango exportada pelo Porto de Paranaguá entre janeiro e setembro de 2026, com 198,4 mil toneladas.

O avanço das compras chinesas está relacionado ao aumento da demanda interna do país asiático. Em todo o ano de 2025, as importações chinesas do produto totalizaram 325 mil toneladas. Já nos primeiros nove meses de 2026, o volume chegou a 450 mil toneladas.

Com essa expansão, a China, que terminou 2025 na quinta posição entre os compradores de frango brasileiro, passou a ocupar a liderança do ranking em 2026.

Para o diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, Gabriel Vieira, o crescimento está ligado ao cenário favorável do mercado internacional e ao aumento da procura pela proteína brasileira.

Vieira também ressalta que a infraestrutura disponível no Paraná permite atender à elevação dos embarques e favorece os investimentos na produção.

A carne de frango ocupa a 11ª posição entre os produtos mais exportados pelo Brasil. Nas operações da Portos do Paraná, a proteína corresponde a 5,5% das 33,9 milhões de toneladas exportadas em 2026.

Movimentação portuária chega a 52,1 milhões de toneladas

Além do avanço nas exportações de frango, os portos paranaenses registraram uma movimentação total de 52,1 milhões de toneladas de cargas embarcadas e desembarcadas no acumulado do ano.

Desse montante, 18,2 milhões de toneladas corresponderam a importações, o equivalente a 35% de toda a movimentação portuária.

Outro destaque foi o óleo de soja, cujas exportações pelo Porto de Paranaguá atingiram 1,24 milhão de toneladas entre janeiro e setembro de 2026. No mesmo intervalo de 2025, o volume havia sido de 760,6 mil toneladas, o que representa um crescimento de 63%.

Porto de Paranaguá amplia participação nas exportações de óleo de soja

O aumento dos embarques de óleo de soja também reforçou a presença de Paranaguá no comércio exterior brasileiro. O porto respondeu por mais de 82% do crescimento nacional das exportações do derivado em 2026.

Enquanto o Brasil ampliou as vendas externas em 586,6 mil toneladas na comparação com o mesmo período de 2025, Paranaguá registrou um acréscimo de 486,3 mil toneladas.

Do total de 1,75 milhão de toneladas de óleo de soja exportadas pelo país, 70% foram embarcadas pelo terminal paranaense.

De acordo com Gabriel Vieira, o resultado está associado à capacidade de produção estadual e à estrutura dos terminais portuários, que permitem ampliar o escoamento da produção.

O diretor também destaca os processos de controle de qualidade aplicados ao óleo e ao farelo de soja antes do embarque, fatores que contribuem para a reputação internacional dos portos paranaenses.

Soja em grão segue como principal produto exportado

A soja em grão permaneceu na liderança entre os produtos exportados pelos portos do Paraná. De janeiro a setembro, foram embarcadas 13,29 milhões de toneladas, alta de 9% sobre as 12,2 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

O produto respondeu por 39,1% do volume exportado pelo porto no intervalo analisado.

Exportações e importações em contêineres também crescem

A movimentação de contêineres apresentou evolução positiva em 2026. O volume passou de 1,22 milhão para 1,27 milhão de TEUs, sigla utilizada para designar unidades equivalentes a contêineres de 20 pés. O crescimento foi de 4%.

Considerando o peso das cargas, as exportações avançaram 6%, passando de 7,01 milhões para 7,44 milhões de toneladas.

As importações transportadas em contêineres também aumentaram, de 5,62 milhões para 5,96 milhões de toneladas.

Os resultados reforçam a relevância da infraestrutura portuária do Paraná para o comércio exterior brasileiro, com destaque para as exportações de proteínas animais e produtos do complexo da soja.

FONTE: Governo do Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Negócios

BR do Mar pode ampliar competitividade do Brasil com acordo Mercosul-União Europeia

O programa BR do Mar pode desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da logística brasileira diante das novas oportunidades comerciais abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia. Com a perspectiva de expansão das exportações, a eficiência no transporte de mercadorias ganha importância para reduzir custos, melhorar a previsibilidade das operações e ampliar a presença dos produtos nacionais no mercado internacional.

O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril, que promulgou o acordo comercial, marcou uma nova etapa nas relações econômicas entre os dois blocos. Com a entrada em vigor provisória das medidas previstas no tratado, a preparação da infraestrutura logística torna-se um fator relevante para aproveitar o potencial de crescimento do comércio exterior.

Nesse contexto, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aposta no BR do Mar, iniciativa voltada ao estímulo da cabotagem e à ampliação do transporte de cargas entre portos brasileiros.

Cabotagem pode ganhar espaço na logística nacional

A cabotagem, modalidade de transporte marítimo realizada entre portos do mesmo país, representa atualmente cerca de 12% da matriz de transportes brasileira, segundo o Guia de Utilização da Cabotagem e de Habilitação ao BR do Mar.

A participação é inferior à registrada em outras economias, como Japão, onde chega a 44%, União Europeia, com 32%, e China, com 25%.

O programa busca ampliar o uso desse modal, especialmente no transporte de contêineres, que movimentam produtos industrializados e mercadorias de maior valor agregado.

Ao incentivar a navegação entre portos nacionais, a iniciativa pretende diversificar as alternativas de transporte e diminuir a dependência das rodovias em deslocamentos de longas distâncias.

Acordo comercial pode abrir novas oportunidades de exportação

Um estudo da ApexBrasil indica que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir 543 oportunidades imediatas de exportação para empresas brasileiras.

A estimativa apresentada aponta que as vendas do Brasil para o mercado europeu podem crescer em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do acordo.

Para transformar essas oportunidades em negócios, o país precisará oferecer condições logísticas compatíveis com as exigências do comércio internacional, incluindo custos competitivos, regularidade no transporte e maior previsibilidade nas entregas.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destaca que a modernização da logística é fundamental para ampliar a competitividade nacional. Segundo ele, o BR do Mar contribui para aprimorar a matriz de transportes, integrar diferentes modais e preparar o país para uma possível expansão das exportações.

Portos do Norte e Nordeste podem ganhar importância

Com o crescimento potencial das vendas para a Europa, os portos das regiões Norte e Nordeste podem ampliar sua relevância nas operações de comércio exterior, considerando sua localização geográfica em relação ao continente europeu.

Nesse cenário, a integração entre cabotagem e transporte de exportação pode facilitar a redistribuição de cargas produzidas em diferentes partes do país.

Mercadorias industrializadas provenientes das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, poderão ser transportadas por navios até terminais exportadores do Norte e Nordeste, reduzindo a necessidade de percorrer longas distâncias exclusivamente por rodovias.

A estratégia pode ampliar as alternativas logísticas para os exportadores e contribuir para uma distribuição mais eficiente dos fluxos de carga entre os portos brasileiros.

Transporte marítimo pode reduzir custos e emissões

Além dos ganhos operacionais, a cabotagem apresenta vantagens relacionadas à sustentabilidade no transporte de cargas.

Estimativas da Infra S.A. indicam que o transporte marítimo pode emitir até seis vezes menos poluentes do que o rodoviário para movimentar a mesma carga em longas distâncias.

Em relação aos custos médios, o modal marítimo pode apresentar despesas até 60% inferiores às do transporte rodoviário e até 40% menores que as do ferroviário, conforme os parâmetros citados.

Essas diferenças reforçam o potencial da navegação costeira como alternativa para reduzir despesas logísticas e a pegada ambiental do transporte de mercadorias.

Em um cenário de maior integração comercial com a Europa, a combinação entre eficiência econômica e redução de emissões pode se tornar um diferencial para empresas brasileiras.

BR do Mar prevê incentivos para embarcações sustentáveis

O programa também estabelece mecanismos para ampliar a capacidade de transporte das Empresas Brasileiras de Navegação (EBN), incluindo regras para o afretamento de embarcações estrangeiras.

Entre os incentivos previstos está a possibilidade de ampliar o uso de navios afretados conforme as características da frota e o atendimento aos critérios estabelecidos pelo programa, com vantagens associadas à utilização de embarcações mais sustentáveis.

Na prática, determinadas condições permitem que as empresas ampliem em até 50% a tonelagem de sua frota própria por meio do afretamento de navios estrangeiros. O percentual pode chegar a 100% quando são utilizadas embarcações sustentáveis e alcançar até 300% em combinações específicas entre frota própria e embarcações afretadas com características ambientais mais eficientes.

Esses mecanismos buscam estimular a expansão da capacidade de transporte e incentivar a adoção de soluções com menor impacto ambiental.

Integração logística será decisiva para ampliar exportações

O avanço do acordo Mercosul-União Europeia coloca a infraestrutura de transportes entre os fatores que podem determinar a capacidade brasileira de conquistar novos mercados.

Nesse contexto, o BR do Mar surge como uma ferramenta para ampliar a participação da cabotagem, fortalecer a integração entre os modais e oferecer alternativas de transporte mais competitivas.

A combinação entre portos estruturados, navegação costeira e incentivos à sustentabilidade poderá contribuir para reduzir custos, melhorar o escoamento da produção e preparar o Brasil para atender às novas demandas do comércio internacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

El Niño acende alerta nos portos de Santa Catarina e expõe limite para receber cargas de Itajaí e Navegantes

O risco de eventos climáticos associados ao El Niño preocupa o setor portuário de Santa Catarina. Apesar de contar com cinco portos em operação, o estado não dispõe de capacidade ociosa suficiente para absorver integralmente as cargas do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes em caso de interrupção das atividades.

A possibilidade de fechamento do canal do rio Itajaí-Açu a partir de novembro motivou uma reunião entre a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), representantes de terminais portuários, autoridades e integrantes do governo estadual. O encontro, realizado na tarde de quinta-feira, teve como objetivo discutir um plano de contingência portuária para reduzir os impactos de eventuais paralisações.

A avaliação dos participantes é que outros terminais catarinenses podem receber parte das cargas desviadas, mas não conseguiriam compensar integralmente a movimentação de Itajaí e Navegantes por um período prolongado.

Fechamento do canal pode deixar dezenas de navios sem operação

A interrupção da navegação no canal do rio Itajaí-Açu é um risco recorrente, principalmente em períodos de correnteza intensa. Um dos episódios mais críticos ocorreu em outubro de 2023, quando o canal permaneceu fechado durante 16 dias, impedindo a movimentação de cargas de mais de 40 navios nos dois terminais.

Atualmente, uma semana de interrupção já seria suficiente para impedir a atracação de aproximadamente 20 embarcações, segundo informações apresentadas pelo setor.

O diretor setorial da Facisc, Lito Guimarães, destacou que a possibilidade de novos episódios preocupa o Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais (Conceni) da entidade. O grupo reúne exportadores, importadores, agentes de carga e representantes das áreas portuária e logística.

Uma reunião sobre o tema também já havia sido realizada na Secretaria de Estado de Portos.

Porto de Imbituba pode receber mais 9 mil TEUs por mês

A análise da capacidade disponível nos demais terminais revelou limitações para absorver uma eventual transferência de cargas.

A Santos Brasil, responsável pela operação do Tecon Imbituba, informou que o terminal pode receber mais 9 mil TEUs mensais sem comprometer o atendimento aos clientes atuais. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Em setembro, o terminal movimentou 130 mil TEUs, alcançando um recorde, e atualmente opera quatro linhas regulares de navegação.

Segundo Leonardo Silva, executivo da empresa que participou da reunião, a principal restrição não está no cais, preparado para receber navios de até 366 metros de comprimento, mas na capacidade do pátio para armazenar contêineres.

A disponibilidade de espaço para acomodação das cargas, portanto, representa um dos principais obstáculos para ampliar a operação em situações emergenciais.

Porto Itapoá também enfrenta restrições de capacidade

O Porto Itapoá, que passou por expansões recentes, também possui margem limitada para receber volumes adicionais de contêineres.

De acordo com o executivo Alberto Machado, o terminal opera acima de 80% de sua capacidade. Está prevista ainda uma ampliação de 120 mil metros quadrados destinada ao armazenamento de contêineres, mas a nova área será utilizada para o pré-stacking de exportações — modalidade em que as cargas são posicionadas antecipadamente para embarque.

A expansão, portanto, não representa necessariamente uma solução imediata para absorver grandes volumes desviados de outros portos.

Representantes do setor ressaltaram que a transferência de operações depende também das decisões dos armadores, responsáveis por definir os destinos e as escalas dos navios. Caso haja paralisação prolongada, exportadores poderão precisar reduzir a produção ou redirecionar suas cargas para outras regiões.

Paralisação de Itajaí e Navegantes teria impacto nacional

O presidente da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, alertou que uma interrupção do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes teria consequências que ultrapassariam as fronteiras catarinenses.

Na avaliação do executivo, nem Santa Catarina nem o Brasil teriam condições de absorver integralmente o volume de cargas movimentado pelo complexo em caso de paralisação.

A SC Portos, operadora que atua em Itajaí com 20 serviços semanais de navegação, também informou que não dispõe de condições para ampliar significativamente suas atividades diante de um evento climático dessa natureza. A informação foi apresentada pelo diretor Antonio Carlos Guimarães Neto.

O cenário evidencia a importância estratégica do complexo para o comércio exterior brasileiro, especialmente para as operações de importação e exportação que dependem da estrutura portuária catarinense.

Correnteza é a principal causa do fechamento do canal

Segundo Artur Antunes Pereira, diretor da Autoridade Portuária de Itajaí, os episódios recentes de interrupção foram provocados pelo aumento da vazão do rio e pela intensificação da correnteza.

De acordo com o dirigente, os fechamentos não tiveram como causa principal o assoreamento do canal, mas as condições hidrodinâmicas que tornam a navegação insegura.

Desde maio, a autoridade portuária realiza um acompanhamento interno dessas condições com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A partir de 10 de novembro, também está previsto o início de um monitoramento ambiental contratado para fornecer informações sobre ventos e correnteza, permitindo acompanhar as condições que podem comprometer a navegação.

Estudos e dragagem fazem parte das medidas preventivas

Além do monitoramento, estão em andamento iniciativas técnicas para ampliar o conhecimento sobre o comportamento do rio e reduzir os riscos operacionais.

Entre as medidas estão:

  • Aprofundamento dos estudos hidrodinâmicos do rio Itajaí-Açu.
  • Retomada dos trabalhos de dragagem, com a chegada de uma draga do tipo hopper.
  • Desenvolvimento de estudos para aperfeiçoar a orientação e o uso do canal em situações emergenciais.
  • Monitoramento das condições ambientais, especialmente dos ventos e da intensidade da correnteza.

As ações foram detalhadas por Artur Antunes Pereira e buscam melhorar a capacidade de antecipação e resposta diante de condições adversas.

O secretário de Estado de Portos, Ivan Amaral, também ressaltou a importância de considerar a capacidade disponível nos portos de Imbituba e Itapoá como alternativa em episódios de interrupção da navegação.

Agilidade na liberação de cargas pode reduzir prejuízos

Durante a reunião, representantes do setor destacaram ainda a necessidade de agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de mercadorias nos portos catarinenses.

A atuação de órgãos como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura foi apontada como relevante para reduzir atrasos e amenizar os prejuízos quando eventos climáticos provocam o fechamento de terminais.

Com a capacidade ociosa limitada e a dependência de decisões dos armadores para redirecionar navios, a combinação entre monitoramento preventivo, planejamento logístico e maior agilidade nos processos de liberação é considerada fundamental para diminuir os impactos de possíveis interrupções.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave, Divulgação

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Portos

Portos do Paraná movimentam 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026

Os Portos do Paraná movimentaram 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026, considerando operações de embarque e desembarque. Desse volume, 18,2 milhões de toneladas foram destinadas às importações, o equivalente a 35% da movimentação total no período.

Entre os produtos que impulsionaram os resultados, o óleo de soja apresentou crescimento expressivo nas exportações, reforçando a importância do Porto de Paranaguá para o comércio exterior brasileiro.

Exportações de óleo de soja crescem 63% em Paranaguá

Nos nove primeiros meses de 2026, o Porto de Paranaguá exportou 1,24 milhão de toneladas de óleo de soja. No mesmo intervalo de 2025, o volume havia alcançado 760,6 mil toneladas, representando um avanço de 63% em um ano.

O desempenho também teve impacto significativo no cenário nacional. Do crescimento de 586,6 mil toneladas nas exportações brasileiras do produto em relação a 2025, Paranaguá respondeu por 486,3 mil toneladas, contribuindo com mais de 82% da expansão registrada no país.

Ao todo, o Brasil exportou 1,75 milhão de toneladas de óleo de soja no período, das quais 70% foram embarcadas pelo terminal paranaense.

Infraestrutura portuária impulsiona movimentação de cargas

O aumento nas operações está relacionado à capacidade dos terminais, ao crescimento da produção estadual e à demanda do mercado internacional.

Segundo Gabriel Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, a expansão da produção de farelo e óleo de soja no estado favoreceu o escoamento de volumes superiores aos registrados em anos anteriores.

O executivo também destaca o rigor dos procedimentos de controle de qualidade aplicados aos produtos antes do embarque. Esse processo, conforme Vieira, contribui para consolidar os portos paranaenses como referência em padrões internacionais de qualidade.

Soja em grão lidera as exportações paranaenses

A soja em grão permaneceu como o principal produto exportado pelos portos do Paraná entre janeiro e setembro de 2026.

No período, foram embarcadas 13,29 milhões de toneladas, um aumento de 9% em comparação com as 12,2 milhões de toneladas registradas nos mesmos meses de 2025. O produto correspondeu a 39,1% do volume total exportado pelos portos paranaenses.

Os números reforçam a relevância da cadeia da soja para a movimentação portuária e para o desempenho das exportações do estado.

Movimentação de contêineres também registra alta

As operações com contêineres também apresentaram crescimento em 2026. A movimentação avançou de 1,22 milhão para 1,27 milhão de TEUs, uma elevação de 4%. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada como referência no transporte marítimo.

Em relação ao peso das cargas conteinerizadas, as exportações passaram de 7,01 milhões para 7,44 milhões de toneladas, alta de 6%.

Já as importações registraram aumento de 5,62 milhões para 5,96 milhões de toneladas no período analisado.

Os resultados evidenciam o avanço das operações portuárias no Paraná, tanto no transporte de produtos agrícolas quanto na movimentação de mercadorias destinadas ao mercado interno e ao comércio internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Exportação

Reabertura do mercado europeu pode elevar exportações brasileiras de pescado em 20%

O Brasil trabalha para recuperar o acesso do pescado brasileiro ao mercado da União Europeia, fechado aos produtos nacionais desde 2018. A retomada das vendas para o bloco pode aumentar em aproximadamente 20% o valor das exportações do setor, atualmente estimado em US$ 472 milhões, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura.

O processo está na etapa de análise das respostas apresentadas pelo governo brasileiro às recomendações feitas pelas autoridades europeias. O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, informou que o relatório preliminar foi recebido no mês passado e que o Brasil encaminhou suas manifestações dentro do prazo, em 9 de outubro.

Em entrevista à CNN durante o Seafood Show, realizado em São Paulo, o ministro destacou a importância de recuperar o acesso a um dos principais mercados internacionais para os produtos brasileiros.

A expectativa do governo é avançar nas tratativas ainda este ano, ampliando as oportunidades comerciais para a indústria pesqueira e aquícola nacional.

Exportações de pescado buscam novos mercados internacionais

Paralelamente às negociações com a União Europeia, o governo pretende ampliar a presença do pescado brasileiro no comércio internacional e diminuir a dependência de poucos compradores.

Atualmente, os Estados Unidos respondem por cerca de 50% das exportações brasileiras do setor. A China também figura entre os principais destinos, com aproximadamente US$ 51 milhões em compras, enquanto as vendas para a Argentina somam cerca de US$ 16 milhões.

A estratégia do Ministério da Pesca e Aquicultura é diversificar os destinos comerciais, reduzindo a concentração das vendas e criando novas oportunidades para produtores e exportadores.

Segundo o ministro, o Brasil já ampliou o acesso de seus produtos pesqueiros a mais de 20 novos mercados durante a atual gestão.

Entre as iniciativas recentes está a abertura dos Emirados Árabes Unidos, anunciada na semana anterior à entrevista, em uma ação que envolveu o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A conquista foi apresentada como o 700º mercado aberto pelo Brasil para produtos agropecuários.

Mercado europeu pode agregar valor ao pescado brasileiro

Além da possibilidade de aumentar o volume comercializado, a retomada das exportações para a União Europeia é considerada estratégica pelo potencial de elevar o valor das vendas externas.

O governo avalia que o acesso a mercados com diferentes exigências e oportunidades comerciais pode favorecer a comercialização de produtos de maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva.

Nesse contexto, a diversificação dos compradores e a recuperação do mercado europeu são vistas como medidas importantes para ampliar a receita do setor e reduzir a dependência de destinos específicos.

Governo quer ampliar consumo de pescado no Brasil

O fortalecimento do mercado interno também está entre as prioridades do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Apesar de possuir aproximadamente 8.500 quilômetros de litoral, cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e uma ampla biodiversidade aquática, o Brasil registra um consumo de pescado relativamente baixo, com diferenças expressivas entre as regiões.

A média nacional varia de 10 a 12 quilos por habitante ao ano. Na Região Norte, o consumo é mais elevado, enquanto estados do Centro-Sul e do Sul apresentam índices que podem ficar entre 2 e 5 quilos por pessoa anualmente, conforme os dados citados pelo ministro.

Para ampliar a demanda, a pasta pretende estimular a presença do pescado na alimentação cotidiana, com iniciativas voltadas a diferentes faixas etárias.

Entre as ações previstas estão parcerias com o Ministério da Educação (MEC) para incentivar a inclusão do alimento na merenda escolar, além de medidas para ampliar sua presença na cesta básica.

A proposta é estimular hábitos alimentares desde a infância e a juventude, contribuindo para o crescimento sustentável da cadeia produtiva.

Tilápia impulsiona o consumo e a aquicultura nacional

A tilápia é apontada pelo ministério como um exemplo de produto que ganhou espaço na alimentação dos brasileiros.

Originária da África, a espécie se consolidou na produção aquícola nacional devido à possibilidade de criação em escala, à disponibilidade no mercado e à boa aceitação dos consumidores.

O Paraná se destaca entre os principais produtores brasileiros de tilápia, mesmo tendo uma extensão de litoral relativamente pequena. O desempenho demonstra o potencial da aquicultura brasileira para ampliar a oferta de pescado em regiões distantes da costa.

A expansão da criação de peixes também está relacionada à busca por alternativas de produção de alimentos com menor impacto ambiental.

Na avaliação do ministro, o pescado pode desempenhar um papel importante diante dos desafios das mudanças climáticas, reforçando a necessidade de ampliar a produção e estimular o consumo.

Exportações e mercado interno podem fortalecer o setor

A estratégia do governo combina três frentes: recuperar o acesso ao mercado europeu, diversificar os destinos das exportações e ampliar o consumo doméstico.

A expectativa é que essas iniciativas aumentem as oportunidades comerciais para a produção nacional, estimulem investimentos na aquicultura e fortaleçam a participação do pescado na economia brasileira.

A retomada das vendas para a União Europeia, em particular, poderá representar um avanço para o setor, tanto pelo potencial de crescimento das receitas quanto pela possibilidade de ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados internacionais estratégicos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Agronegócio

Doença de Newcastle: Brasil enfrenta restrições à exportação de produtos avícolas

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus nos arredores de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, levou parceiros comerciais do Brasil a estabelecer restrições à importação de produtos avícolas. A maior parte dos países deve limitar as medidas à área afetada, conforme os protocolos sanitários firmados com o governo brasileiro.

As exceções incluem China e Malásia, cujos acordos preveem restrições de alcance nacional. A China, porém, decidiu restringir o embargo às unidades produtoras catarinenses, decisão considerada positiva pelas autoridades brasileiras. A Malásia ainda nãoinformou como aplicará as medidas. Já o México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o território brasileiro na última segunda-feira (19).

Ministério da Agricultura orienta certificação das exportações

As diretrizes para a continuidade das exportações foram detalhadas em um ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O documento orienta os auditores fiscais agropecuários sobre os procedimentos de certificação dos produtos destinados ao mercado internacional, respeitando as exigências sanitárias estabelecidas individualmente por cada parceiro comercial.

Como referência para a aplicação das restrições, o ministério definiu 21 de setembro de 2026, data em que foram coletadas as primeiras amostras de aves sem sintomas aparentes na propriedade investigada. As análises levaram à confirmação do foco da doença.

O ofício também determina que certificados internacionais emitidos antes das restrições sejam avaliados conforme as regras de cada país importador, considerando fatores como datas de produção, abate, obtenção da matéria-prima e emissão da certificação.

Inspeção sanitária exige atenção redobrada

Além das medidas relacionadas ao comércio exterior, o Ministério da Agricultura reforçou os procedimentos de vigilância sanitária nos estabelecimentos de abate. Os auditores devem verificar cuidadosamente os registros de mortalidade das aves nas granjas e observar possíveis sinais clínicos durante as inspeções realizadas antes e depois do abate.

Na presença de suspeitas de síndromes respiratórias e nervosas das aves (SRN), o serviço veterinário estadual deverá ser acionado para avaliação. A inspeção post mortem também deve priorizar a identificação de lesões características dessas enfermidades.

Segundo o documento, aves transportadas com a Guia de Trânsito Animal (GTA) estão aptas ao abate, desde que atendam às condições sanitárias exigidas. Caso exista suspeita da doença ainda na propriedade, o trânsito dos animais deve ser interditado.

Quais países restringiram as importações brasileiras?

As medidas variam conforme os acordos sanitários e os tipos de produtos exportados. As restrições foram organizadas em diferentes categorias.

Embargo nacional: China e Malásia possuem protocolos que preveem restrições para todo o território brasileiro. A China, entretanto, limitou sua decisão às unidades catarinenses. O México também suspendeu as compras nacionais, conforme anunciado em 19 de outubro.

Restrições para Santa Catarina: Cazaquistão, Chile, Peru (para produtos processados), Tadjiquistão, Ucrânia, União Europeia, União Aduaneira Euroasiática e Uzbequistão possuem protocolos que estabelecem limitações para o estado, com diferenças conforme o produto.

Restrições à área afetada: África do Sul, Argentina, Arábia Saudita, Canadá, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Índia, Israel, Japão, Reino Unido, Taiwan, Tailândia, Turquia, Vietnã e outros mercados adotam medidas delimitadas à região afetada ou a um raio específico, conforme as regras bilaterais.

Há também condições particulares para determinados produtos. O Chile, por exemplo, aplica restrições específicas às vísceras comestíveis, enquanto o Peru diferencia as regras para produtos processados e carnes e miúdos in natura, congelados ou resfriados. União Europeia e União Aduaneira Euroasiática também estabelecem exigências específicas para determinadas categorias de derivados e subprodutos.

Butão, Irã e Ilhas Maurício estão entre os países que aplicam restrições aos animais provenientes do foco da doença.

Tratamento térmico pode permitir exportações

Alguns mercados admitem a entrada de determinados produtos avícolas brasileiros desde que sejam submetidos a tratamento térmico, conforme as condições sanitárias estabelecidas nos respectivos protocolos.

Entre os países que preveem essa possibilidade estão África do Sul, Argentina, Reino Unido e Vietnã.

O Ministério da Agricultura informou que as certificações já estavam seguindo as regras aplicáveis desde segunda-feira (19). A publicação da relação oficial dos países que adotaram medidas específicas estava prevista para terça-feira (20).

A abrangência das restrições e as condições de certificação variam de acordo com o destino e a categoria do produto, tornando necessária a verificação individual dos requisitos sanitários antes do embarque.

O que é a doença de Newcastle

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e silvestres, podendo provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, queda na produção de ovos e mortalidade elevada nos plantéis.

O risco para a população humana é considerado baixo: em situações raras, pessoas expostas diretamente a aves infectadas podem desenvolver conjuntivite leve e temporária. Não há evidências de que o consumo de carne de aves ou ovos devidamente inspecionados e cozidos represente risco de transmissão da doença. Ainda assim, é fundamental seguir as orientações das autoridades sanitárias, reforçar a vigilância nas granjas e evitar o contato com aves doentes ou mortas.

Fonte: Globo Rural / Embrapa / OMSA

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa feita com IA

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Exportação

Exportações brasileiras de carne suína batem recorde em 2026, apesar de queda em setembro

As exportações brasileiras de carne suína atingiram um volume recorde no acumulado de janeiro a setembro de 2026, mesmo com a redução dos embarques na comparação anual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 1,179 milhão de toneladas nos nove primeiros meses do ano, alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 1,109 milhão de toneladas.

O resultado representa o maior volume já registrado para o período e reforça o desempenho do setor de suinocultura brasileiro no mercado internacional.

Embarques de carne suína recuam na comparação anual

Em setembro, o Brasil exportou 133,5 mil toneladas de carne suína. O volume ficou 3% acima do registrado em agosto, mas apresentou queda de 11,1% frente a setembro de 2025.

Naquele mês, os embarques haviam alcançado o maior patamar da série histórica da Secex, iniciada em 1997, marca superada apenas em março de 2026, quando o país enviou 152,2 mil toneladas ao exterior.

A receita com as vendas internacionais somou US$ 287,3 milhões em setembro. O valor permaneceu praticamente estável em relação a agosto, com leve recuo de 0,2%, mas ficou 21,6% abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior.

O preço médio de exportação também apresentou retração. A tonelada de carne suína foi comercializada, em média, por US$ 2.152, queda de 3,1% na comparação mensal.

Filipinas lideram as compras de carne suína brasileira

As Filipinas permaneceram como principal destino da carne suína do Brasil em setembro. O país asiático importou 25,7 mil toneladas, volume 10,2% superior ao de agosto.

Apesar do avanço mensal, a participação filipina no total exportado pelo Brasil caiu para 19,2%, ante 32,7% em setembro de 2025.

O Japão manteve a segunda posição entre os compradores, com 15,9 mil toneladas. O resultado representou uma redução de 3,3% em relação ao mês anterior.

Já o Chile registrou o crescimento mais expressivo entre os principais destinos destacados, com aumento de 79,5% nas compras frente a agosto. Os embarques para o mercado chileno chegaram a 14,4 mil toneladas, levando o país a superar a China no ranking.

A China, por sua vez, passou para a quarta colocação, com importações de 11,4 mil toneladas, queda de 24,7% na comparação mensal.

Terceiro trimestre registra um dos maiores volumes da história

Entre julho e setembro, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram 393,1 mil toneladas. O desempenho foi o terceiro maior já registrado para um trimestre.

O volume ficou abaixo apenas dos embarques do segundo trimestre de 2026, que somaram 397,4 mil toneladas, e do terceiro trimestre de 2025, quando o país exportou 395,6 mil toneladas.

Os números indicam que, apesar da desaceleração observada em setembro, o comércio exterior de carne suína brasileira segue em patamar elevado.

Exportações acumuladas mantêm trajetória de crescimento

O recorde registrado entre janeiro e setembro demonstra a expansão dos embarques brasileiros no mercado internacional, mesmo diante de oscilações mensais nos volumes, na receita e nos preços médios.

A evolução das compras por países como Filipinas, Japão e Chile também evidencia mudanças na distribuição dos destinos da produção nacional.

Com 1,179 milhão de toneladas exportadas nos nove primeiros meses de 2026, o Brasil mantém o melhor resultado histórico para o período, segundo os dados da Secex.

FONTE: Cepea – Boletim do Suíno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cepea

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Exportação

União Europeia deve decidir até novembro sobre exportação de aves e mel do Brasil

O Brasil aguarda até novembro uma decisão da União Europeia (UE) sobre a retomada das exportações de carne de frango e mel para o bloco. As compras de produtos de origem animal brasileiros foram suspensas em 3 de setembro, após autoridades europeias apontarem falta de comprovação sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção agropecuária.

A liberação depende da aprovação do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que tem reuniões previstas para os dias 20 e 21 de outubro e também em novembro.

Brasil avança nas negociações para retomar as exportações

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, esteve em Bruxelas, na Bélgica, para discutir a situação com representantes europeus. Segundo ele, as conversas apresentam sinais positivos e aumentam a expectativa de uma solução para os setores de aves e mel.

O Brasil já recebeu um parecer técnico favorável após uma missão europeia visitar, em agosto, unidades produtivas e avaliar o sistema sanitário nacional. A inspeção concluiu que os segmentos brasileiros de carne de aves e mel demonstraram capacidade de assegurar a não utilização de antimicrobianos, conforme as exigências avaliadas.

Agora, o documento precisa ser validado pelo Scopaff para que o país volte a integrar a lista de fornecedores autorizados a exportar esses produtos ao mercado europeu.

Durante a abertura do espaço brasileiro na Sial Paris, feira internacional de alimentos realizada na capital francesa, Billi afirmou que o relatório favorável será apresentado às autoridades do bloco na reunião de novembro.

O secretário acrescentou que ainda não há uma data definida para a publicação da decisão, mas a expectativa do governo brasileiro é que o resultado seja divulgado até dezembro, permitindo a retomada dos embarques.

Setor avícola espera liberação imediata dos embarques

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, avalia que o impasse tem caráter burocrático e acredita que a situação possa ser resolvida sem comprometer a parceria comercial entre Brasil e União Europeia.

Em declarações durante a Sial Paris, Santin afirmou que espera uma decisão baseada nos critérios técnicos apresentados pelo Brasil. Segundo ele, o setor confia nos procedimentos europeus, mas poderá solicitar uma resposta do governo brasileiro caso a decisão não siga os fundamentos técnicos discutidos.

A indústria brasileira de carne de frango também afirma estar preparada para retomar os embarques assim que houver autorização. De acordo com o dirigente da ABPA, a produção destinada ao mercado europeu não foi interrompida durante o período de restrição.

A possibilidade de uma retomada rápida é relevante para o setor exportador, que aguarda a conclusão da análise europeia para voltar a atender os compradores do bloco.

Exportação de carne bovina enfrenta cenário mais incerto

A situação é diferente para a carne bovina brasileira, cuja volta ao mercado europeu pode levar mais tempo. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a União Europeia responde por aproximadamente 5% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil.

Apesar da participação relativamente pequena no total embarcado, o mercado europeu tem importância estratégica por sua influência na formação dos preços internacionais da proteína bovina.

Perosa informou que representantes dos governos brasileiro e europeu, assim como integrantes da iniciativa privada, mantêm conversas para buscar uma solução e retirar as restrições comerciais.

O objetivo, segundo o dirigente, é restabelecer o fluxo de negócios o mais rapidamente possível. Até que haja avanços nas negociações, porém, a retomada das vendas de carne bovina permanece menos previsível do que a expectativa para aves e mel.

Decisão europeia é aguardada pelo agronegócio brasileiro

A análise do Scopaff será determinante para definir os próximos passos das exportações brasileiras de produtos de origem animal à União Europeia. Enquanto os setores de aves e mel contam com um parecer técnico favorável, a cadeia da carne bovina segue em busca de avanços nas tratativas diplomáticas e comerciais.

A eventual liberação poderá permitir a retomada dos embarques de frango e mel, enquanto o setor bovino continua negociando a retirada das restrições impostas pelo bloco.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Raphael Salomão/Ed. Globo

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Comércio Internacional, Economia

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 2,66 bilhões na terceira semana de outubro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,661 bilhões na terceira semana de outubro de 2026. O resultado, divulgado na segunda-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi resultado de US$ 8,232 bilhões em exportações e US$ 5,572 bilhões em importações.

Com o desempenho semanal, o saldo positivo da balança comercial alcançou US$ 5,959 bilhões no acumulado de outubro. As vendas brasileiras ao mercado internacional totalizaram US$ 21,038 bilhões, enquanto as compras do exterior somaram US$ 15,079 bilhões.

Exportações brasileiras crescem 33,5% na comparação anual

Até a terceira semana de outubro, as exportações brasileiras avançaram 33,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi observado nos três grandes setores da economia.

A indústria extrativa apresentou a maior expansão percentual, com alta de 70,7% e exportações de US$ 6,40 bilhões. Na agropecuária, as vendas externas cresceram 21%, alcançando US$ 4,09 bilhões. Já a indústria de transformação registrou aumento de 20,9%, com US$ 10,32 bilhões em exportações no período analisado. Os números indicam avanço das vendas internacionais de produtos brasileiros, com destaque para o desempenho da indústria extrativa.

Importações também apresentam alta em outubro

No mesmo intervalo, as importações brasileiras cresceram 21,5% em comparação com a terceira semana de outubro de 2025. A indústria de transformação concentrou o maior volume de compras externas, com US$ 13,89 bilhões, o equivalente a um aumento de 20,2%. A agropecuária registrou crescimento de 23,3%, com importações de US$ 30 milhões, enquanto a indústria extrativa avançou 47,9%, totalizando US$ 79 milhões.

Mesmo com a expansão das compras internacionais, o volume de exportações permaneceu superior ao de importações, contribuindo para a manutenção do saldo comercial positivo.

Superávit da balança comercial chega a US$ 68,35 bilhões em 2026

No acumulado de janeiro até a terceira semana de outubro, o superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 68,355 bilhões. O valor representa crescimento de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 52,985 bilhões.

Para o fechamento de 2026, o MDIC projeta um superávit comercial de US$ 84,4 bilhões, resultado 24% superior ao registrado em 2025. A estimativa foi revisada no início de outubro. A previsão anterior indicava um saldo positivo de US$ 90 bilhões, sinalizando uma redução na expectativa oficial para o resultado anual.

Os dados reforçam o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro em 2026, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um saldo favorável nas trocas comerciais com outros países.

Fonte: Canal Rural, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News / Cláudio Neves / Portos do Paraná

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