Comércio Internacional

Novo regime tarifário dos EUA beneficia 46% das exportações brasileiras e zera imposto sobre aeronaves

O novo regime tarifário dos Estados Unidos deve beneficiar quase metade dos produtos brasileiros enviados ao mercado norte-americano. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA passam a ingressar no país sem qualquer sobretaxa adicional.

A medida ocorre após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as chamadas tarifas recíprocas instituídas anteriormente com base em legislação de emergência nacional.

Como ficam as exportações brasileiras após a decisão

Com a nova ordem executiva publicada em 20 de fevereiro, aproximadamente US$ 17,5 bilhões em produtos brasileiros ficam isentos de tarifas extras.

Outros 25% das exportações (US$ 9,3 bilhões) passam a se enquadrar na tarifa global de 10%, aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Esse percentual poderá ser elevado a 15%, conforme decisão do governo norte-americano.

29% das vendas externas (US$ 10,9 bilhões) continuam submetidas às tarifas setoriais previstas na Seção 232, mecanismo que aplica sobretaxas com base em argumentos de segurança nacional, como ocorre nos setores de aço e alumínio.

Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras enfrentavam tarifas que podiam chegar a 40% ou até 50%.

Aeronaves passam a ter tarifa zero

Entre os principais avanços está a retirada das aeronaves da lista de produtos tarifados. O item passa a contar com alíquota zero, substituindo a tributação anterior de 10%.

Segundo o Mdic, as aeronaves figuraram como o terceiro principal produto da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, destacando-se pelo alto valor agregado e conteúdo tecnológico.

Setores industriais ganham competitividade

Além do setor aeronáutico, o novo regime tarifário amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no comércio exterior com os Estados Unidos.

Entre os setores beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos
  • Calçados
  • Móveis
  • Confecções
  • Madeira
  • Produtos químicos
  • Rochas ornamentais

Esses produtos deixam de enfrentar tarifas que chegavam a 50% e passam a competir sob alíquota isonômica de 10%, com possibilidade de ajuste para 15%.

No agronegócio, itens como pescados, mel, tabaco e café solúvel também deixam a sobretaxa de 50% e passam a integrar a tarifa geral de 10% (ou eventual 15%).

Comércio bilateral Brasil–Estados Unidos

A corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 82,8 bilhões em 2025, crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior.

As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

O ministério ressalta que as estimativas consideram os dados de exportação do último ano e podem sofrer ajustes conforme critérios técnicos de classificação tarifária e destinação específica dos produtos.

Fonte: Mdic

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇAO INTERNET

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Comércio Exterior

Tarifa de 15% dos EUA pode beneficiar o Brasil, aponta estudo

A adoção de uma tarifa de 15% sobre importações pelos Estados Unidos pode colocar o Brasil entre os principais beneficiados pela nova política comercial americana. É o que indica levantamento da Global Trade Alert, divulgado após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump no último sábado (21).

Apesar da elevação em relação aos 10% informados inicialmente, a nova alíquota global deve resultar em queda na carga média aplicada aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Redução na tarifa média para exportações brasileiras

De acordo com o estudo, a mudança pode provocar uma redução de 13,6% na tarifa média incidente sobre os bens brasileiros vendidos aos EUA.

Antes da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o chamado “tarifaço”, o Brasil enfrentava uma taxa média de aproximadamente 26,3%. Com a padronização global em 15%, a média cairia para 12,8%.

O Brasil aparece como o país mais favorecido pela nova configuração tarifária. Em seguida, vêm:

  • China (-7,1%)
  • Índia (-5,6%)

Países que podem perder competitividade

Por outro lado, nações que firmaram acordos comerciais com os Estados Unidos podem enfrentar aumento na tributação média de seus produtos.

Entre os países mais impactados negativamente estão:

  • Reino Unido (+2,1%)
  • Itália (+1,7%)
  • Singapura (+1,1%)

Outras economias asiáticas também devem sentir efeitos adversos, como:

  • Japão (+0,4%)
  • Coreia do Sul (+0,6%)

Mesmo diante do cenário, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou no domingo (22) que nenhum parceiro sinalizou intenção de abandonar os acordos após a decisão judicial.

Já o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou em entrevista à CNN International que os países envolvidos demonstraram interesse em manter os compromissos firmados com a gestão Trump.

Segundo ele, o governo segue em diálogo com seus parceiros e há disposição para preservar os tratados comerciais estabelecidos.

Alckmin avalia impacto positivo para o Brasil

No Brasil, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, classificou a nova política tarifária como favorável ao país.

Em declaração feita em Aparecida (SP), Alckmin ressaltou que a uniformização da alíquota em 15% assegura competitividade internacional ao Brasil, uma vez que a regra passou a valer de forma igual para todos os parceiros comerciais.

Ele destacou ainda que a tarifa média aplicada a produtos americanos que entram no Brasil é de 2,7%, e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil, tanto em bens quanto em serviços. Dessa forma, mesmo com a nova taxa, o país não perderia espaço no comércio exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

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Comércio

Certificado de Origem Eletrônico moderniza comércio entre Brasil e Índia

O Certificado de Origem Eletrônico (COE) passará a ser adotado nas operações comerciais entre Brasil e Índia no âmbito do acordo firmado entre o Mercosul e o país asiático. A medida promete tornar o comércio bilateral mais ágil, menos burocrático e com menor custo para exportadores e importadores.

Com o novo sistema, os certificados poderão ser emitidos e assinados digitalmente, eliminando etapas físicas e reduzindo prazos operacionais.

Memorando garante validade jurídica aos documentos digitais

O avanço foi formalizado em memorando de entendimento assinado em Nova Délhi pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

O acordo reconhece a validade jurídica de documentos emitidos eletronicamente entre os dois países, permitindo que operadores comerciais utilizem o certificado digital com segurança legal.

Com a mudança, o tempo de emissão do documento, que podia levar até 48 horas, deve cair para cerca de duas horas.

Facilitação de comércio e redução de custos

A adoção do Certificado de Origem Eletrônico integra a agenda de facilitação de comércio exterior do governo brasileiro. A digitalização simplifica processos, reduz custos administrativos e diminui a burocracia para empresas que exportam sob preferência tarifária.

Além da agilidade, o sistema reforça a segurança das operações. As assinaturas digitais garantem autenticidade e integridade das informações, dificultando fraudes documentais e aprimorando o controle aduaneiro.

Entre os setores que tendem a se beneficiar estão:

  • Gorduras e óleos animais ou vegetais;
  • Setor têxtil, com destaque para o algodão;
  • Máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos.

A Índia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o quinto no ranking global. Em 2025, as exportações brasileiras ao país somaram cerca de US$ 7 bilhões, com corrente de comércio superior a US$ 15 bilhões.

Integração digital já ocorre com países da América do Sul

O modelo eletrônico já é utilizado em operações com Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai, consolidando a digitalização como padrão nas relações comerciais regionais.

Fórum Empresarial debate investimentos e nova política industrial

Durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia, também realizado em Nova Délhi, investimentos, política industrial e cooperação econômica estiveram no centro das discussões.

O representante do MDIC destacou diretrizes da política industrial estruturada na Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em transição energética, descarbonização, estímulo ao hidrogênio de baixo carbono e fortalecimento dos biocombustíveis.

Foram mencionadas ainda iniciativas como o Programa MOVER, voltado à mobilidade sustentável, além de investimentos em infraestrutura física e digital e no avanço da economia digital como fator de competitividade.

A agenda internacional da comitiva brasileira segue para a Coreia do Sul, onde estão previstos novos encontros bilaterais.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Exportação

Suprema Corte dos EUA pode derrubar tarifas sobre US$ 15 bilhões em exportações brasileiras

Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos pode resultar na retirada de tarifas que atingem cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. As informações foram obtidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Produtos brasileiros podem ser beneficiados

Do total exportado, aproximadamente US$ 6,2 bilhões estavam submetidos a tarifas recíprocas de 10%, enquanto outros US$ 8,9 bilhões eram impactados por sobretaxas adicionais de 40%. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que ambas as cobranças foram invalidadas pela decisão judicial.

Entre os segmentos potencialmente favorecidos estão máquinas e equipamentos, calçados, café solúvel e outros alimentos tarifados. A medida pode aliviar a pressão sobre setores estratégicos da balança comercial brasileira.

Tarifas da Seção 232 continuam em vigor

Apesar da decisão, permanecem válidas as chamadas tarifas horizontais aplicadas com base na “Seção 232”, mecanismo utilizado para justificar medidas por razões de segurança nacional.

Essas taxas seguem incidindo sobre produtos como aço, alumínio, cobre e madeira, afetando aproximadamente US$ 10,9 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Decisão representa revés para Donald Trump

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que concluiu que o presidente Donald Trump ultrapassou os limites da lei federal ao impor tarifas amplas de forma unilateral.

O entendimento da Corte representa uma derrota significativa para a Casa Branca em um tema central da política externa e da agenda econômica do governo.

O parecer majoritário foi redigido pelo juiz-chefe John Roberts, e a decisão foi aprovada por 6 votos a 3. A maioria entendeu que as tarifas excederam a autoridade concedida pela legislação federal.

O tribunal, contudo, não definiu qual será o destino dos mais de US$ 130 bilhões já arrecadados em tarifas, deixando em aberto os desdobramentos financeiros da medida.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Internacional

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e limita poder presidencial

A Suprema Corte dos EUA decidiu, por seis votos a três, invalidar o chamado tarifaço de Trump sobre produtos importados. O julgamento, concluído nesta sexta-feira (20), manteve entendimento de instância inferior que apontou excesso de autoridade do presidente ao impor as medidas de forma unilateral.

A decisão representa um revés jurídico à estratégia comercial adotada pelo republicano e reforça os limites constitucionais do Poder Executivo em temas de grande impacto econômico.

Corte aponta extrapolação de poder com base na IEEPA

No centro do debate esteve a interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O governo de Donald Trump sustentava que a norma concedia respaldo legal para a aplicação das tarifas globais.

Os ministros, porém, entenderam que essa leitura ampliava indevidamente as competências do presidente, invadindo atribuições do Congresso. Para a maioria da Corte, a medida também fere a chamada doutrina das questões importantes, princípio jurídico que exige autorização expressa do Legislativo para atos do Executivo com ampla repercussão econômica e política.

Esse mesmo entendimento já havia sido utilizado anteriormente para barrar iniciativas relevantes do ex-presidente Joe Biden, consolidando a posição do tribunal sobre o tema.

Voto de John Roberts reforça necessidade de aval do Congresso

No voto condutor, o presidente da Corte, John Roberts, afirmou que o chefe do Executivo precisa demonstrar autorização clara do Congresso para justificar uma medida de tamanha amplitude.

Segundo Roberts, Trump não conseguiu comprovar essa autorização específica para sustentar o poder extraordinário de impor tarifas globais.

Ação foi movida por empresas e estados norte-americanos

A decisão judicial ocorreu após contestação apresentada por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados dos Estados Unidos — a maioria governada por democratas. Os autores da ação alegaram que o uso da IEEPA para instituir impostos de importação sem aval do Congresso foi inédito e ilegal.

Com o julgamento, fica consolidado o entendimento de que o presidente não pode ampliar, por conta própria, sua autoridade tributária com base em interpretação extensiva da legislação de emergência.

Impactos no Brasil e na balança comercial

O tarifaço de Trump também trouxe reflexos para o comércio exterior brasileiro. Dados divulgados em janeiro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontaram que, em 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6%, totalizando US$ 37,716 bilhões, frente aos US$ 40,368 bilhões registrados em 2024.

Na direção oposta, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3% no mesmo período, alcançando US$ 45,246 bilhões. Como resultado, o Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos.

Em novembro de 2025, Donald Trump anunciou a retirada de uma tarifa adicional de 40% que incidia sobre diversos produtos brasileiros. Ainda assim, segundo o ministério, cerca de 22% das vendas do Brasil ao mercado norte-americano — o equivalente a US$ 8,9 bilhões — continuam sujeitas às tarifas implementadas em julho.

FONTE: Agência Brasil/Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Carlos Barria

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Portos

Porto de Itajaí participa do Fórum Empresarial Índia–Brasil e do lançamento do escritório da ApexBrasil em Nova Déli

O Porto de Itajaí integra a missão oficial brasileira à Índia e participa, nesta sexta-feira (20), do Fórum Empresarial Índia–Brasil e do lançamento do escritório da ApexBrasil em Nova Déli.

O evento reúne mais de 300 empresas brasileiras e autoridades dos dois países, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa reforça a estratégia de ampliação das relações comerciais entre Brasil e Índia em um cenário global de transformação econômica e tecnológica.

Na pauta do Fórum estão setores estratégicos para o desenvolvimento dos dois países, como minerais e insumos críticos, transição energética, saúde e indústria farmacêutica, segurança ambiental, agricultura familiar e inovação marinha. As agendas são consideradas complementares e abrem espaço para novas parcerias comerciais, tecnológicas e industriais.

A abertura do escritório da ApexBrasil em Nova Déli representa um passo relevante para fortalecer a presença institucional do Brasil na Ásia, ampliando oportunidades de exportação, atração de investimentos e cooperação empresarial.

O superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos, destaca que a participação na missão internacional consolida o posicionamento do complexo portuário como infraestrutura estratégica para a inserção do Brasil em novos mercados.

“Estar presente neste momento é reafirmar que o Porto de Itajaí está preparado para ampliar conexões comerciais com a Ásia. A instalação do escritório da ApexBrasil na Índia fortalece a previsibilidade e a confiança necessárias para que novos negócios se concretizem. Nosso papel é garantir segurança logística e competitividade para Itajaí, Santa Catarina e o Brasil.”

A participação do Porto de Itajaí na agenda internacional tem como objetivo apresentar o complexo portuário como porta de entrada e saída para operações comerciais de alto valor agregado, alinhando infraestrutura, sustentabilidade e diplomacia econômica

FONTE: Porto de Itajaí
IMAGEM: Reprodução/Porto de Itajaí

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Portos

Porto Seco de Foz do Iguaçu supera recorde e movimenta US$ 9,7 bilhões em 2025

Em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu consolidou sua relevância estratégica com uma movimentação financeira de US$ 9.799.617.735,01. O montante representa uma evolução de 13,86% na corrente de comércio em relação ao ano anterior. No que tange ao volume de carga, o recinto alfandegado processou 5.161.056,27 toneladas.

Os números consolidam o recinto como o principal hub logístico de comércio exterior por via rodoviária na América do Sul e projeta a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando sua infraestrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul e mostra a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando a estrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul.

Estrategicamente localizado na Tríplice Fronteira, mantém o pioneirismo nacional ao ser o único a operar embarques noturnos de grãos a granel. Essa operação ininterrupta otimiza o fluxo logístico, acelera o escoamento da safra e garante uma vantagem competitiva decisiva ao agronegócio regional, elevando o patamar das exportações brasileiras no mercado global.

Desempenho Operacional: Fluxo de Cargas e Comércio Exterior

Os dados consolidados a seguir discriminam as operações de importação e exportação, apresentando os valores comerciais e volumes processados nos procedimentos de desembaraço aduaneiro realizados ao longo do ano:

Análise do Fluxo de Mercadorias

Conforme detalhado no quadro acima, o montante movimentado em 2025 divide-se entre US$ 5,05 bilhões em exportações (1,69 milhão de toneladas) e US$ 4,74 bilhões em importações (3,46 milhões de toneladas).

Embora o volume físico de cargas tenha registrado uma redução de 5,31% — passando de 5,45 milhões de toneladas em 2024 para 5,16 milhões em 2025 — a corrente de comércio exterior apresentou um crescimento robusto de 13,86% em termos financeiros, conforme quadro abaixo.

Essa divergência entre o peso e o valor das mercadorias é um indicador estratégico importante: ela sinaliza uma transição no perfil comercial da região, com uma participação crescente de produtos de maior valor agregado.

Análise Setorial e Valor Agregado

O aumento de 13,86% no valor financeiro, em contraste com a redução no volume físico, reflete uma mudança qualitativa no mix de mercadorias processadas. Entre os fatores que impulsionaram esse cenário, destacam-se:

● Setor Agroindustrial: Embora o volume de grãos a granel mantenha sua relevância, houve um incremento no fluxo de insumos agrícolas e maquinários de alta tecnologia, que possuem valor de mercado superior por tonelada.

● Industrializados e Eletrônicos: O fortalecimento do comércio de bens de consumo duráveis, componentes eletrônicos e produtos manufaturados provenientes do Paraguai e Argentina contribuiu diretamente para a elevação do ticket médio das operações.

● Eficiência Logística: O regime de embarques noturnos e a agilidade no desembaraço aduaneiro têm atraído importadores e exportadores de cargas críticas e de alto valor, que demandam segurança e previsibilidade.

O Porto Seco de Foz do Iguaçu reafirma sua liderança na América Latina com a liberação de 215.070 caminhões em 2025 — um crescimento de 11,65% comparado ao ano anterior.

A análise por país revela a centralidade do comércio com o Paraguai, que detém a maior fatia das operações, seguido pela Argentina:

● Paraguai: Responde por 77,50% do movimento total, com 166.661 caminhões processados (77.739 na exportação e 88.922 na importação).

● Argentina: Representa 22,50% do fluxo, totalizando 48.409 veículos (11.703 na exportação e 36.706 na importação).

O quadro abaixo apresenta os números de caminhões com cargas de importação e exportação que ingressaram no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025, destacando os países de procedência/destino:

As importações representam 58,41% do fluxo de caminhões, enquanto as exportações representam 41,59%.

Embora o fluxo de saída seja menor em quantidade de veículos (41,59%), ele é relevante em valor financeiro.

Essa proporção é um dado fundamental para entender a balança comercial da nossa fronteira. Embora Foz do Iguaçu seja um grande polo exportador, o fato de a importação deter 58,41% do fluxo de caminhões revela o papel da cidade como o principal “portal de entrada” de insumos para o Brasil.

Esse cenário de 58% vs 41% mostram que Foz do Iguaçu é, estrategicamente, mais do que um corredor; é o ponto onde o Brasil “respira” o comércio do Mercosul, servindo de base para que a indústria nacional receba matéria-prima e o agronegócio regional se integre.

Mercadorias desembaraçadas

A diversidade de produtos processados no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025 reflete a complexidade das cadeias produtivas regionais. Enquanto as exportações brasileiras são marcadas por itens industrializados e insumos para o setor produtivo, as importações destacam-se pelo peso das commodities e recursos energéticos.

O fluxo intenso de caminhões trazendo soja, milho e trigo do Paraguai, especialmente durante as “operações noturnas” (que batem recordes constantes), é o que mantém esse percentual elevado.

A entrada de itens como farinha de trigo, frutas, alho e vinhos também contribui para essa balança, consolidando Foz como o centro de abastecimento do Sudeste brasileiro.

O quadro abaixo detalha as principais mercadorias movimentadas, categorizadas por origem e destino:

Os dados revelam que Foz do Iguaçu está se tornando um hub logístico estratégico de primeira ordem no Cone Sul.

Vale destacar alguns pontos que se apresentam como divisores de águas para o futuro da região:

Foz do Iguaçu vive um momento divisor de águas em sua trajetória econômica. A profunda reestruturação logística da região — impulsionada pela construção do novo Porto Seco, a entrega da Perimetral Leste e a modernização das aduanas — redefine o patamar de competitividade das empresas locais. Este novo cenário reduz drasticamente o tempo de desembaraço na fronteira e otimiza os custos operacionais, transformando o município e atrai novas transportadoras e grandes operadores logísticos globais para Foz do Iguaçu.

Um dos avanços mais significativos é a sinergia gerada entre os setores de turismo e logística. A segregação dos fluxos de carga e de passageiros transformará a mobilidade urbana de Foz do Iguaçu, reduzindo a poluição sonora e o desgaste das vias centrais. O resultado é uma experiência mais segura, fluida e agradável para os visitantes. Com a Ponte da Integração plenamente operacional e seus acessos concluídos, a expectativa para 2026 é que a cidade consolide seu protagonismo estratégico na dinâmica comercial do Mercosul.

Os dados apresentados confirmam o imenso potencial do comércio exterior brasileiro nesta região fronteiriça. Na modalidade terrestre, o Porto Seco de Foz do Iguaçu consolida-se como um dos principais da América Latina, projeta a pujança da economia brasileira e demonstra a eficiência logística necessária para sustentar grandes volumes 5 de exportação e importação, evidenciando a força e a resiliência das relações comerciais do Brasil com seus parceiros internacionais.

A atuação da Receita Federal na região demonstra que é perfeitamente possível aliar o rigor do controle aduaneiro à facilitação de negócios, assegurando ao Brasil um papel de liderança no cenário global. Mais do que administrar tributos, a Receita Federal consolida-se como um agente fundamental de desenvolvimento, impulsionando a eficiência logística e a prosperidade econômica na Tríplice Fronteira. Esse trabalho reafirma o compromisso institucional do órgão com a administração do sistema tributário e aduaneiro, contribuindo de forma efetiva para o crescimento econômico, a competitividade regional e o bem-estar da sociedade brasileira.

FONTE: Receita Federal
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Exportação

Exportações de carne de frango alcançam recorde histórico em janeiro de 2026

As exportações de carne de frango do Brasil atingiram um patamar inédito em janeiro de 2026, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho confirma o bom momento do setor, mesmo em um período tradicionalmente marcado por menor demanda internacional.

Considerando produtos in natura e processados, os embarques somaram 459 mil toneladas no mês, crescimento de 3,6% em comparação a janeiro de 2025, quando foram exportadas 443 mil toneladas.

Faturamento também registra melhor resultado para janeiro

Além do avanço no volume, o faturamento das exportações brasileiras de frango também foi recorde. A receita alcançou US$ 874,2 milhões, alta de 5,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, que havia registrado US$ 826,4 milhões.

O resultado reforça a valorização do produto brasileiro no mercado externo e a ampliação da presença em destinos estratégicos.

Paraná lidera ranking de estados exportadores

O Paraná manteve a liderança nacional nas exportações de carne de frango, com 187,7 mil toneladas embarcadas em janeiro, avanço de 3,9% na comparação anual.

Na sequência aparece Santa Catarina, responsável por 103,1 mil toneladas, com crescimento expressivo de 9,3% frente ao mesmo período de 2025.

Demais estados ampliam participação nas exportações

O Rio Grande do Sul exportou 58,7 mil toneladas, registrando alta de 0,75%. Já São Paulo embarcou 26,7 mil toneladas, com crescimento de 2%, enquanto Goiás alcançou 25,6 mil toneladas, apresentando incremento de 9,5% nas exportações.

Perspectivas positivas para o mercado internacional em 2026

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho observado no início do ano indica um cenário favorável para os próximos meses. Segundo ele, o crescimento em praticamente todos os principais destinos, mesmo em janeiro, reforça a tendência de expansão sustentada.

O dirigente destaca, entre os mercados com maior demanda, os Emirados Árabes, a África do Sul, países da União Europeia e mercados específicos da Ásia, que seguem ampliando as compras da proteína avícola brasileira.

FONTE: ABPA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia deve beneficiar mais estados eficientes, aponta estudo

Estados com gestão pública mais eficiente, maior desenvolvimento econômico e instituições mais estáveis, conhecidos como “jaguares brasileiros”, devem colher os maiores ganhos com o acordo Mercosul–União Europeia, mesmo tendo participação menor do bloco europeu em suas exportações totais. A avaliação é de um estudo da Futura Inteligência, ligada à Apex Partners.

A expressão faz referência aos “tigres asiáticos” e engloba, no Brasil, estados que apresentam IDH elevado, ambiente institucional sólido e capacidade administrativa acima da média.

Quais estados integram o grupo

Segundo a Apex, são classificados como jaguares brasileiros os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em grau menor.

Em 2025, esses estados destinaram 12,9% de suas exportações à União Europeia, abaixo da média nacional, que foi de 14,3%. Ainda assim, o impacto do acordo tende a ser mais expressivo nessas economias.

Agronegócio impulsiona ganhos

O principal fator está no perfil da pauta exportadora. Os jaguares concentram maior participação de commodities e produtos do agronegócio, segmentos mais beneficiados pela redução tarifária prevista no acordo.

De acordo com a Apex, o agronegócio representa 67,4% do valor exportado à UE pelos jaguares, contra 23,8% nos demais estados brasileiros.

Produtos que devem ganhar competitividade

Entre os principais itens atualmente taxados exportados pelos jaguares para a UE estão:

  • Café não torrado (US$ 6,2 bilhões)
  • Farelo de soja e rações animais (US$ 3,2 bilhões)
  • Tabaco (US$ 1,1 bilhão)

As tarifas médias são de 4,2%, 1,6% e 5,6%, respectivamente. Pelo acordo, o café deve ter tarifas eliminadas de forma imediata, enquanto farelo de soja e tabaco passarão por redução gradual.

Centro-Oeste e Sul lideram potencial de ganhos

Estudo do FGV Ibre reforça que o Centro-Oeste é a região com maior potencial de ganho, devido à produção de carnes e soja. O levantamento também aponta ganhos líquidos claros para o Sul, forte em proteínas animais, tabaco e alimentos processados — regiões que concentram estados classificados como jaguares.

O Nordeste também aparece como beneficiário potencial, especialmente na exportação de frutas tropicais, mel, açúcar e derivados.

Desafios regionais e infraestrutura

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, o Nordeste importa pouco da UE, o que reduz riscos de concorrência externa. Por outro lado, enfrenta desafios estruturais, como infraestrutura logística, capital humano e capacidade de inserção internacional.

No Norte, embora haja potencial em produtos ligados à Amazônia, o avanço do acordo pode esbarrar em barreiras sanitárias e fitossanitárias. Já o Centro-Oeste, afirma Ataliba, precisará alinhar produção às exigências de rastreabilidade e agenda ambiental.

Vantagem logística dos jaguares

Outro diferencial dos estados mais eficientes é a infraestrutura logística já instalada. Estados como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina possuem portos, estradas e sistemas de escoamento capazes de absorver o aumento das exportações.

Para Orlando Caliman, diretor econômico da Apex Partners, os benefícios do acordo podem alcançar também pequenos produtores, especialmente em estados com propriedades rurais menores e produção já certificada, como café, frutas, aves e gengibre.

Impacto macroeconômico

Em 2025, a União Europeia respondeu por US$ 49,8 bilhões das exportações brasileiras e US$ 50,3 bilhões das importações. A Apex projeta crescimento de cerca de 3% no comércio bilateral até 2040.

Estudo do Ipea estima que o acordo pode elevar o PIB do Brasil em 0,46% até 2040, percentual superior ao da própria UE (0,1%) e dos demais países do Mercosul (0,2%).

Salvaguardas e cautela

A Apex alerta que cláusulas de salvaguarda podem reduzir parte dos ganhos, sobretudo para estados como Paraná e Santa Catarina, grandes exportadores de carnes incluídas em quotas de proteção.

Relatório do Bradesco avalia que o acordo melhora margens e valor para proteínas brasileiras, mas deve ter impacto limitado em volume exportado.

Trâmite político ainda leva tempo

Assinado formalmente em janeiro, após mais de duas décadas de negociações, o acordo ainda depende de aprovação legislativa. No Brasil, o texto já foi enviado ao Congresso, com expectativa de votação após o Carnaval. Na Europa, resistências lideradas por França e Polônia ainda representam entraves.

“Não acredito em efeitos concretos em menos de um ano e meio”, avalia Caliman.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Brasil registra recorde histórico de exportações para o Canadá em 2025, com crescimento de 15%

O Brasil bateu recorde de exportações ao Canadá em 2025, ao movimentar US$ 7,25 bilhões em vendas para o país norte-americano. O resultado representa uma alta de 15% em relação a 2024 e marca o maior valor já registrado desde o início da série histórica anual, em 2018. Os dados constam no estudo Quick Trade Facts (QTF), elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

Importações também crescem e saldo comercial é o maior já registrado

As importações brasileiras de produtos canadenses somaram US$ 3,14 bilhões em 2025, avanço de 13% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial entre Brasil e Canadá ficou positivo em US$ 4,11 bilhões, o maior da história da relação bilateral. Já a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, teve crescimento de 14% no ano.

Canadá amplia participação no comércio exterior brasileiro

A relevância do Canadá no comércio exterior do Brasil também aumentou. A participação canadense nas exportações totais brasileiras passou de 1,9% em 2024 para 2,1% em 2025. Nas importações, a fatia subiu de 1,06% para 1,12%, indicando fortalecimento da relação bilateral, mesmo em um cenário global marcado por incertezas e impactos do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos.

Mineração, agronegócio e indústria puxam novo recorde

O desempenho recorde das exportações do Brasil para o Canadá foi impulsionado principalmente por produtos da extração mineral, como ouro, ferro e níquel, além de itens do agronegócio, com destaque para café verde e carnes bovina e suína. Produtos da indústria de transformação também contribuíram para o avanço.

Apesar da retração em segmentos como aeronaves, açúcar e alumina, o crescimento expressivo das vendas de ouro, café e proteínas animais garantiu o resultado positivo. O setor de proteínas animais, inclusive, enfrentou recentemente dificuldades após a imposição de tarifas pela China, um dos principais destinos da carne brasileira.

Ouro lidera a pauta exportadora ao mercado canadense

O principal produto exportado pelo Brasil ao Canadá em 2025 foi o bulhão dourado, ou seja, ouro em forma bruta, não refinado. Apenas no primeiro semestre, o item respondeu por US$ 1,35 bilhão em exportações, frente a pouco mais de US$ 765 milhões no mesmo período de 2024, segundo o levantamento da CCBC.

Comércio bilateral supera recorde anterior

As exportações brasileiras ao Canadá superaram em mais de US$ 900 milhões o recorde anterior, registrado em 2024, confirmando a aceleração do intercâmbio comercial entre os dois países.

Para o diretor-presidente da CCBC, Hilton Nascimento, os números reforçam a competitividade do Brasil. “Os dados de 2025 mostram que o Brasil consolidou e ampliou sua presença no mercado canadense. O avanço em ouro, café e carnes evidencia a força da pauta exportadora brasileira, mesmo diante de um ambiente econômico internacional desafiador”, afirmou.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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