Logística

Frete marítimo dispara no Brasil com guerra no Oriente Médio e pressiona exportações

As tarifas de frete marítimo no Brasil registraram forte alta em abril, impulsionadas pelas incertezas em torno do conflito envolvendo o Irã. Dados da consultoria Solve Shipping apontam que os embarques em contêineres com destino ao Mediterrâneo — rota estratégica para o Oriente Médio — ficaram 67% mais caros em relação a março.

Outras rotas relevantes também apresentaram aumentos expressivos. O custo de envio para a costa leste dos Estados Unidos e o norte da Europa subiu 80%, enquanto o frete para o Golfo do México avançou 89% no mesmo período.

Exportações de carne sentem impacto mais intenso

O setor de proteína animal está entre os mais afetados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o valor do transporte de contêineres refrigerados pela rota do Estreito de Hormuz mais que dobrou desde o início da guerra, passando de US$ 3 mil para cerca de US$ 7 mil.

O Oriente Médio responde por aproximadamente 15% das exportações do segmento, o que amplia a preocupação com os custos logísticos. Ainda assim, os preços atuais seguem cerca de 17% abaixo dos níveis registrados em abril de 2025, quando tensões comerciais globais provocaram uma corrida antecipada por embarques.

Custos sobem com combustível caro e rotas alternativas

Apesar de ainda não terem atingido o pico histórico, os valores do frete internacional já preocupam o setor logístico. Especialistas apontam que o aumento é resultado de uma combinação de fatores, com destaque para a disparada do petróleo, que elevou significativamente o custo do combustível.

Além disso, cerca de 10% da frota global de contêineres tem sido impactada pelas restrições nas rotas do Oriente Médio. Com isso, cargas precisam ser redirecionadas para portos intermediários, reduzindo a capacidade disponível e encarecendo as operações.

Portos alternativos em países como Paquistão, Omã, Singapura e Arábia Saudita também enfrentam congestionamentos, agravando ainda mais a situação.

Rotas mais longas encarecem e atrasam entregas

Uma das alternativas adotadas tem sido o envio de mercadorias até o porto de Jeddah, na Arábia Saudita, seguido de transporte terrestre até o Golfo Pérsico. Embora viável, essa opção é mais lenta e gera custos adicionais para os exportadores.

Além das tarifas tradicionais, empresas de navegação passaram a cobrar taxas extras relacionadas ao risco de guerra, que podem chegar a US$ 3 mil por contêiner padrão e até US$ 4 mil para cargas refrigeradas.

Exportadores de commodities enfrentam maiores desafios

Produtores de commodities agrícolas e carnes estão entre os mais prejudicados, já que lidam com produtos perecíveis que exigem transporte rápido e refrigerado. Exportadores de itens com menor valor agregado, como madeira, também enfrentam dificuldades adicionais diante da escalada dos custos.

Por outro lado, grandes empresas conseguem absorver melhor os impactos devido à maior capacidade logística e margens mais robustas.

Mercado ainda reflete volatilidade pós-pandemia

A diferença em relação aos preços de 2025 evidencia a volatilidade do transporte marítimo global desde a pandemia. No ano passado, o setor enfrentou um cenário mais crítico, com tarifas elevadas devido a tensões comerciais e interrupções em rotas estratégicas, como no Mar Vermelho.

Desde então, houve ampliação da frota de navios, o que ajudou a aumentar a oferta e conter parte da pressão sobre os preços.

Riscos de escassez e novos aumentos

Além da alta nos custos, cresce a preocupação com possíveis gargalos logísticos. Há risco de falta de combustível para navios e escassez de contêineres, especialmente se as restrições no Estreito de Hormuz se prolongarem.

No caso das importações brasileiras, o impacto ainda é moderado. Na rota com a Ásia — principal origem de produtos importados —, o frete subiu 4,65% em abril frente a março.

Especialistas avaliam que a contenção se deve, em parte, à desaceleração da economia interna e à redução de pedidos, diante do receio de paralisações e dos efeitos da guerra. No entanto, com a redução dos estoques e a continuidade do conflito, a expectativa é de novas altas nas tarifas ainda na segunda metade de abril.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Arquivo

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Comércio Exterior

Balança comercial registra menor superávit para março desde 2020, aponta Mdic

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,405 bilhões em março de 2026, o menor resultado para o mês nos últimos seis anos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O saldo positivo recuou 17,2% em relação a março de 2025, quando havia alcançado US$ 7,736 bilhões. O desempenho é o mais baixo desde 2020, início da pandemia, período marcado por forte retração econômica global.

Exportações crescem, mas importações avançam mais

Mesmo com o recuo no saldo, as exportações brasileiras somaram US$ 31,603 bilhões no mês, alta de 10% na comparação anual — o segundo maior valor da série histórica para março.

Já as importações atingiram US$ 25,199 bilhões, com crescimento mais expressivo, de 20,1%, registrando o maior patamar desde o início da série, em 1989. Esse avanço mais intenso das compras externas explica a redução do superávit.

Desempenho por setores da economia

Entre os setores, a indústria extrativa liderou o crescimento das exportações, com alta de 36,4%, impulsionada principalmente pelo petróleo. A indústria de transformação avançou 5,4%, enquanto a agropecuária teve aumento mais moderado, de 1,1%.

Entre os produtos, destacaram-se itens como petróleo bruto, minerais, carne bovina, combustíveis e ouro. Por outro lado, houve forte queda nas exportações de café, que recuaram 30,5% em valor, impactadas pela redução no volume embarcado.

Petróleo impulsiona, mas cenário pode mudar

As vendas externas de petróleo registraram crescimento significativo, com aumento de quase US$ 2 bilhões em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, a expectativa é de desaceleração nos próximos meses, influenciada por mudanças tributárias sobre o produto.

Importações sobem com destaque para veículos

No lado das importações, o principal destaque foi a alta nas compras de automóveis, que cresceram mais de 200% na comparação anual. Também houve aumento relevante em medicamentos, fertilizantes e insumos industriais.

Acumulado do ano mantém saldo elevado

No primeiro trimestre de 2026, a balança comercial acumula superávit de US$ 14,175 bilhões, avanço de 47,6% em relação ao mesmo período de 2025.

As exportações totalizaram US$ 82,338 bilhões (+7,1%), enquanto as importações somaram US$ 68,163 bilhões (+1,3%). O resultado é o terceiro melhor da série histórica para o período.

Projeções indicam superávit maior em 2026

O Mdic revisou suas estimativas e projeta superávit de US$ 72,1 bilhões para 2026, crescimento de 5,9% frente ao resultado de 2025.

A previsão é de que as exportações alcancem US$ 364,2 bilhões no ano, enquanto as importações devem chegar a US$ 280,2 bilhões. As projeções oficiais serão atualizadas novamente ao longo do ano.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Exportação

Crédito de R$ 15 bilhões para MPMEs impulsiona exportações e acesso a novos mercados

O governo federal anunciou, no fim de março de 2026, a liberação de R$ 15 bilhões em crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) exportadoras. A iniciativa, chamada Brasil Soberano 2.0, foi formalizada por Medida Provisória e tem como objetivo apoiar empresas impactadas pela instabilidade externa e pela reorganização das cadeias globais.

Além de oferecer alívio financeiro, a medida tende a estimular mudanças estratégicas, incentivando a adoção de certificações internacionais, que são essenciais para acessar novos mercados e aumentar a competitividade global.

Certificações internacionais se tornam diferencial

Especialistas destacam que o crédito não deve ser usado apenas para capital de giro, mas também para adaptação às exigências de rastreabilidade e conformidade internacionais. Para Vinícius Lages, do Sebrae, a obtenção de certificações é agora um requisito estratégico para exportar para mercados exigentes, como Europa e países árabes.

No caso do Oriente Médio, a certificação Halal Logístico garante que produtos e processos estejam em conformidade com normas islâmicas, facilitando o acesso a portos e cadeias de distribuição. Para a União Europeia, normas como o Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) condicionam a entrada de produtos ao cumprimento de critérios ambientais e de sustentabilidade.

Estratégia foca inovação e aumento do valor agregado

A Medida Provisória permite que os recursos sejam aplicados em capital de giro, ampliação da capacidade produtiva e inovação tecnológica. Segundo Lages, essa orientação garante que os fundos fortaleçam a competitividade, incluindo investimentos em rastreabilidade, descarbonização e processos que aumentem o valor agregado, indo além da simples exportação de commodities.

Pequenas e médias empresas podem se destacar em nichos de mercado, como produtos artesanais, café especial, mel orgânico, tecnologia de startups, móveis e calçados de design. “O crédito permite que MPMEs integrem cadeias internacionais por meio de cooperativas, tradings e empresas âncoras, ampliando escala e acesso a novos mercados”, afirma Lages.

Liquidez reforça capacidade de enfrentamento da instabilidade

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a injeção de crédito ajudará a mitigar os efeitos da instabilidade geopolítica e das altas taxas de juros, preservando empregos e a produção industrial.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), detalhou que R$ 10 bilhões do total serão destinados a bens de capital, incluindo modernização de fábricas, sendo R$ 3 bilhões para máquinas verdes, que promovem eficiência energética. O programa também atende MPMEs afetadas por conflitos geopolíticos, medidas tarifárias dos EUA e empresas fornecedoras de insumos para exportadores, incluindo setores como aço, alumínio e cobre.

Recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE)

O financiamento terá como fonte o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo BNDES. O fundo cobre riscos comerciais, políticos e extraordinários das exportações brasileiras de bens e serviços.

Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda regulamentarão os critérios de elegibilidade para as MPMEs que poderão acessar essas linhas de crédito, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma estratégica para expansão internacional e inovação.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mdic

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira bate recorde no primeiro trimestre de 2026

O Brasil alcançou um marco no início de 2026, com recordes na balança comercial, incluindo exportações, importações e corrente de comércio. Apenas em março, o país exportou US$ 31,6 bilhões e importou US$ 25,2 bilhões, garantindo um superávit de US$ 6,4 bilhões.

No mesmo período, a corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 56,8 bilhões, evidenciando o aquecimento do comércio exterior brasileiro.

Resultado do trimestre também é o maior da série

No acumulado de janeiro a março de 2026, os números seguem em alta. As exportações brasileiras totalizaram US$ 82,3 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 68,2 bilhões. O saldo positivo ficou em US$ 14,2 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 150,5 bilhões no trimestre, consolidando um novo recorde para o período, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Crescimento supera desempenho de 2025

Na comparação anual, os indicadores mostram avanço consistente. As exportações cresceram 10% em março frente ao mesmo mês de 2025. Já as importações registraram alta ainda mais expressiva, de 20,1%.

Esse movimento impulsionou a corrente de comércio mensal, que avançou 14,3% na mesma base de comparação.

Considerando o trimestre, as exportações tiveram aumento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações subiram 1,3%. A corrente de comércio trimestral cresceu 4,4%.

Indústria extrativa impulsiona exportações

O desempenho dos setores revela mudanças importantes na composição das vendas externas. Em março, o destaque ficou para a indústria extrativa, que avançou 36,4%, com aumento de US$ 1,96 bilhão.

Outros setores também apresentaram crescimento:

  • Agropecuária: alta de 1,1%
  • Indústria de transformação: crescimento de 5,4%

No acumulado do ano, a indústria extrativa mantém protagonismo, com expansão de 22,6%, seguida pela agropecuária (2,4%) e pela indústria de transformação (2,8%).

Importações crescem puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a indústria de transformação foi o principal motor em março, com crescimento de 20,8%, equivalente a US$ 4,02 bilhões a mais.

A indústria extrativa também registrou alta de 24,1%, enquanto a agropecuária apresentou retração de 10,2%.

No acumulado de 2026, o cenário mostra:

  • Alta de 2,3% na indústria de transformação
  • Queda de 19,9% na agropecuária
  • Redução de 7,4% na indústria extrativa

Cenário reforça força do comércio exterior brasileiro

O resultado do trimestre confirma a resiliência do comércio internacional do Brasil, mesmo diante de um ambiente global desafiador. O avanço das exportações e o crescimento da corrente de comércio indicam maior integração do país às cadeias globais.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações brasileiras ganham rota via Turquia para driblar crise no Estreito de Ormuz

O Brasil definiu uma rota alternativa de exportação via Turquia para manter o escoamento de produtos agropecuários diante das restrições no Estreito de Ormuz, impactado pela recente crise no Oriente Médio.

A articulação foi conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com o objetivo de assegurar a continuidade do comércio exterior brasileiro mesmo em meio à instabilidade geopolítica.

Nova rota evita áreas de risco no Golfo Pérsico

Com a estratégia, cargas brasileiras destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central passam a utilizar a infraestrutura logística turca, evitando a travessia pelo Golfo Pérsico, uma das regiões mais afetadas pelo conflito.

A rota via Turquia já era utilizada por exportadores, mas ganhou maior relevância como alternativa segura para manter o fluxo de mercadorias.

Exigências sanitárias levaram a novo acordo

Recentemente, o governo turco passou a adotar regras mais rígidas para produtos sujeitos a controle veterinário, especialmente os de origem animal. A mudança poderia gerar entraves para o comércio brasileiro.

Diante disso, o Brasil negociou um novo modelo para garantir a continuidade das operações sem prejuízos logísticos.

Certificação garante trânsito e armazenamento de cargas

O entendimento entre os países resultou na criação de um certificado veterinário sanitário, que permite tanto o trânsito quanto o armazenamento temporário de mercadorias em território turco.

Na prática, o documento assegura que cargas brasileiras possam atravessar o país ou permanecer temporariamente em seus portos sem a necessidade de novas exigências sanitárias adicionais.

Medida reduz riscos e amplia previsibilidade

A iniciativa fortalece a logística de exportação, oferecendo mais previsibilidade aos embarques e reduzindo riscos para empresas brasileiras, especialmente em um cenário de incertezas nas rotas marítimas internacionais.

Governo busca preservar acesso a mercados estratégicos

Com o acordo, o Mapa reforça sua atuação para proteger o agronegócio brasileiro, garantindo o acesso a mercados relevantes mesmo diante de crises externas.

A adoção da rota via Turquia demonstra a busca por soluções rápidas e estratégicas para minimizar impactos no comércio e manter a competitividade do Brasil no cenário global.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Stringer/Reuters

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode entrar em vigor em maio e ampliar comércio do Brasil

O acordo Mercosul–União Europeia pode começar a produzir efeitos já em maio, caso os processos de ratificação sejam concluídos dentro do prazo. A previsão é que aproximadamente 5 mil produtos brasileiros passem a entrar no mercado europeu com tarifa zero, ampliando as oportunidades de exportações do Brasil.

A informação foi destacada pela secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, em entrevista ao jornal Valor. Segundo ela, o desafio agora é transformar o potencial do acordo em negócios concretos.

“O acordo abre uma série de oportunidades, mas é preciso que o setor privado assuma esse processo e transforme essas possibilidades em comércio real”, afirmou.

Evento em São Paulo deve orientar setores da economia

Para explicar as mudanças trazidas pelo tratado, o governo brasileiro prepara uma agenda de divulgação voltada ao setor produtivo. No dia 27 de março, o vice-presidente Geraldo Alckmin deve participar de um evento em São Paulo ao lado do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Durante o encontro, especialistas vão promover workshops técnicos para detalhar os impactos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em diferentes segmentos da economia, incluindo regras de origem e cronograma de redução tarifária.

Abertura do mercado também será gradual para produtos europeus

O tratado também prevê redução de tarifas para produtos da União Europeia que entram no Mercosul. No entanto, essa abertura será feita de forma progressiva.

Inicialmente, apenas 14,5% das importações brasileiras provenientes da Europa terão tarifa zerada. Mesmo assim, cerca de 96% desses itens já possuem alíquota base de zero, o que indica impacto imediato limitado e uma transição gradual para os setores nacionais.

Negociações duraram mais de duas décadas

As negociações do acordo Mercosul–União Europeia começaram há mais de 20 anos. A primeira versão foi concluída em 2019, mas o texto voltou a ser discutido em 2023 para ajustes em pontos sensíveis.

Entre os temas mais debatidos esteve a possibilidade de o Brasil aplicar taxas de exportação sobre minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria global. A versão atual permite que o país adote esse mecanismo caso considere necessário.

Outro dispositivo incluído no tratado é uma cláusula de reequilíbrio, que poderá ser acionada caso novas regras europeias — como políticas ambientais ou tarifas de carbono — afetem as concessões comerciais previstas.

Impactos esperados na economia brasileira

Estudos do governo indicam que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode gerar efeitos positivos para a economia brasileira.

Entre os resultados estimados estão:

  • crescimento do PIB brasileiro;
  • aumento das exportações brasileiras;
  • maior fluxo de importações de tecnologia e insumos;
  • expansão dos investimentos estrangeiros;
  • redução de preços para consumidores.

A expectativa é que a indústria nacional também se beneficie do acesso a insumos mais competitivos, ampliando sua capacidade de exportação para outros mercados.

Guerra no Oriente Médio e comércio global

Durante a entrevista, Tatiana Prazeres também comentou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional. Segundo ela, o principal fator de preocupação é o efeito do conflito sobre os preços do petróleo.

Além disso, o cenário pode gerar problemas logísticos, elevando custos de frete marítimo, seguros e combustíveis, o que tende a pressionar a inflação global.

Para o Brasil, os principais reflexos podem ocorrer nos preços dos combustíveis, na taxa de câmbio e nas cadeias de comércio ligadas a produtos como fertilizantes, milho, frango e açúcar — itens importantes nas relações comerciais com países do Oriente Médio.

Relações comerciais com os Estados Unidos seguem em diálogo

A secretária também destacou que o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos continua em nível técnico, mesmo após o fim de tarifas adicionais que haviam sido aplicadas a produtos brasileiros.

Com o encerramento da medida em março, setores como madeira, móveis e calçados já se preparam para retomar vendas ao mercado norte-americano.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carol Carquejeiro/Valor

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Comércio Exterior

Corrente de comércio atinge US$ 12,8 bilhões na primeira semana de março

A corrente de comércio brasileira somou US$ 12,8 bilhões na primeira semana de março de 2026. No período, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,8 bilhão, resultado de exportações de US$ 7,3 bilhões e importações de US$ 5,5 bilhões.

Os dados mostram o desempenho das trocas comerciais do Brasil no início do mês e refletem a dinâmica recente do comércio exterior brasileiro.

Desempenho da balança comercial em 2026

No acumulado de 2026 até agora, o país contabiliza US$ 58,2 bilhões em exportações e US$ 48,4 bilhões em importações. Com isso, o saldo positivo da balança comercial chega a US$ 9,8 bilhões, enquanto a corrente de comércio totaliza US$ 106,6 bilhões no período.

Exportações e importações registram leve queda

Na comparação das médias diárias, as exportações brasileiras apresentaram recuo de 3,3%. A média diária registrada até a primeira semana de março de 2026 foi de US$ 1,461 bilhão, abaixo dos US$ 1,511 bilhão observados em março de 2025.

Já as importações tiveram redução mais discreta, de 0,4%, passando de US$ 1,104 bilhão em março do ano passado para US$ 1,100 bilhão na média diária registrada neste início de mês.

Com isso, a média diária da corrente de comércio atingiu US$ 2,56 bilhões, enquanto o saldo comercial médio diário ficou em US$ 360,92 milhões. Em relação à média registrada em março de 2025, houve queda de 2,1% na corrente de comércio.

Desempenho por setores nas exportações

Considerando o acumulado até a primeira semana de março de 2026 e comparando com o mesmo período do ano passado, o desempenho das exportações por setor apresentou resultados distintos.

A indústria extrativa registrou crescimento de 4,9%, com aumento de US$ 13,85 milhões na média diária. Por outro lado, houve retração na agropecuária, com queda de 8,5% (redução de US$ 36,58 milhões), e nos produtos da indústria de transformação, que recuaram 3,6%, equivalente a US$ 28,21 milhões a menos na média diária.

Importações também variam entre setores

Entre os setores importadores, a indústria extrativa apresentou crescimento expressivo de 19,9%, com avanço de US$ 9,89 milhões na média diária.

Já a agropecuária teve retração de 23,3%, com queda de US$ 7,06 milhões, enquanto os produtos da indústria de transformação registraram leve redução de 0,4%, equivalente a US$ 3,59 milhões.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Brasil registra recorde de empresas exportadoras e chega a 29,8 mil em 2025

O Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras, o maior número já registrado no país. Os dados constam no Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em comparação com 2024, foram 971 novas empresas exportadoras, o que representa crescimento de 3,4% na base exportadora brasileira. O resultado ocorre em meio a um cenário internacional desafiador, mas reforça a expansão da presença das empresas nacionais no comércio exterior.

Segundo o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o desempenho reflete as políticas voltadas para o fortalecimento da agenda de comércio exterior do Brasil. De acordo com ele, o país também alcançou recordes no volume de exportações brasileiras e na corrente de comércio.

Empresas médias e grandes lideram expansão das exportações

Entre as novas empresas que passaram a exportar em 2025, 592 são médias ou grandes, representando 59,6% do total de novos exportadores. Com isso, esse grupo passou a reunir 17.764 empresas atuando no comércio internacional.

Já o conjunto formado por microempresas, pequenas empresas e MEIs também apresentou crescimento. Entre 2024 e 2025, 390 negócios desse segmento iniciaram atividades de exportação, elevando o total para 11.822 empresas.

O destaque ficou com as microempresas, que registraram aumento de 242 novos exportadores, alcançando aproximadamente 6 mil empresas vendendo para o exterior.

Indústria de transformação concentra maioria das exportadoras

A indústria de transformação segue como o principal motor da base exportadora brasileira. Em 2025, o setor contabilizou 27.013 empresas exportadoras, número 838 superior ao registrado no ano anterior.

Dentro desse segmento, 517 novas empresas médias e grandes passaram a exportar, enquanto 321 empresas de menor porte também ingressaram no mercado internacional.

Todas as regiões ampliam número de empresas exportadoras

O crescimento do comércio exterior brasileiro foi registrado em todas as regiões do país em 2025.

O Sudeste liderou a expansão, com 549 novas empresas exportadoras, seguido pelo Sul, com 394 empresas adicionais.

Outras regiões também registraram aumento:

  • Centro-Oeste: +33 empresas
  • Nordeste: +31 empresas
  • Norte: +23 empresas

Entre as empresas de menor porte, o Centro-Oeste apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 8,6%, passando de 395 para 429 exportadoras. Já em números absolutos, o Sudeste teve o maior avanço, com 178 novas empresas desse segmento.

Importações também registram crescimento no país

O relatório também aponta expansão no número de empresas importadoras no Brasil. Em 2025, o país contabilizou 60.115 empresas que realizam importações, aumento de 7,6% em relação ao ano anterior.

Isso representa 4.238 novas empresas atuando na importação de produtos.

Entre as companhias de maior porte, o crescimento foi de 5,5%, com 1.517 novas importadoras. Já as micro e pequenas empresas apresentaram avanço ainda mais expressivo, de 9,5%, com 2.624 novos negócios entrando no mercado internacional de compras.

Políticas públicas impulsionam cultura exportadora

O aumento da base exportadora do Brasil é atribuído a ações conjuntas entre governo e setor privado para ampliar a competitividade das empresas e incentivar sua presença no mercado global.

Entre as medidas adotadas estão:

  • aprimoramento do sistema tributário
  • ampliação de linhas de financiamento e garantias para exportação
  • negociação de acordos comerciais internacionais
  • abertura de novos mercados externos
  • oferta de inteligência comercial para empresas

Nesse cenário, ganha destaque a Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), instituída pelo Decreto nº 11.593/2023. A iniciativa promove a articulação entre União, estados, municípios e entidades privadas para ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Outro programa relevante é o Elas Exportam, desenvolvido em parceria entre o MDIC e a ApexBrasil, que busca incentivar a participação feminina e tornar o comércio exterior brasileiro mais inclusivo e competitivo.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 20,3% enquanto vendas para a China avançam 38,7%

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 20,3% em fevereiro de 2026, marcando o sétimo mês consecutivo de retração nas vendas ao mercado norte-americano. No período, os embarques somaram US$ 2,523 bilhões, abaixo dos US$ 3,167 bilhões registrados em fevereiro de 2025.

Já as importações brasileiras provenientes dos EUA também diminuíram no mesmo intervalo. O volume caiu 16,5%, passando de US$ 3,337 bilhões para US$ 2,788 bilhões. Como resultado, a balança comercial Brasil–EUA fechou o mês com déficit de US$ 265 milhões.

Tarifas impostas pelos EUA pressionam comércio

A sequência de quedas nas exportações está ligada à sobretaxa aplicada pelo governo do presidente Donald Trump em meados de 2025. Na época, os produtos brasileiros passaram a sofrer uma tarifa adicional de até 50% ao entrar no mercado norte-americano.

Embora parte dessas medidas tenha sido flexibilizada no final do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que cerca de 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas às tarifas impostas em julho de 2025.

Entre os itens afetados estão produtos que pagam apenas a alíquota adicional de 40% e outros que acumulam essa taxa com a tarifa-base de 10%.

Exportações para a China crescem quase 40%

Enquanto o comércio com os Estados Unidos segue em retração, o Brasil ampliou significativamente as vendas para a China. As exportações brasileiras para a China cresceram 38,7% em fevereiro de 2026.

O valor embarcado chegou a US$ 7,220 bilhões, ante US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

Por outro lado, as importações vindas da China caíram 31,3% no período, totalizando US$ 5,494 bilhões frente aos US$ 7,978 bilhões de fevereiro de 2025.

Com esse desempenho, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no segundo mês do ano.

Importação de plataforma de petróleo impacta dados

Segundo Herlon Brandão, o principal item importado pelo Brasil em fevereiro foi uma plataforma de petróleo, equipamento de alto valor estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões.

O diretor explicou que, apesar da redução nas compras da China, o volume total de importações da Ásia não caiu no mesmo ritmo devido à aquisição de uma plataforma proveniente da Coreia do Sul.

União Europeia registra crescimento nas exportações brasileiras

O comércio com a União Europeia também apresentou expansão. As exportações brasileiras para o bloco europeu cresceram 34,7% em fevereiro de 2026.

O valor exportado chegou a US$ 4,232 bilhões, contra US$ 3,141 bilhões no mesmo período do ano anterior.

As importações vindas da União Europeia tiveram recuo de 10,8%, totalizando US$ 3,301 bilhões. Com isso, a balança comercial Brasil–UE registrou superávit de US$ 931 milhões.

Comércio com a Argentina também recua

No caso da Argentina, houve retração tanto nas exportações quanto nas importações.

As exportações brasileiras para a Argentina caíram 26,5%, somando US$ 1,057 bilhão. Já as importações provenientes do país vizinho recuaram 19,2%, totalizando US$ 850 milhões.

Mesmo com a queda no fluxo comercial, o Brasil manteve superávit de US$ 207 milhões na balança com o parceiro sul-americano.

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem entre os principais parceiros comerciais do Brasil, exercendo forte influência sobre o desempenho da balança comercial brasileira.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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