Exportação

Exportações de carne de frango mantêm ritmo forte e podem repetir desempenho de setembro

Volume exportado nas duas primeiras semanas de outubro aponta estabilidade no setor avícola

O Brasil exportou 183,2 mil toneladas de carne de frango in natura nos primeiros oito dias úteis de outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC). O volume representa uma média diária de 22,9 mil toneladas, crescimento de 9,6% em relação a setembro e 16% acima do mesmo período de 2024.

Projeções indicam embarques acima de 520 mil toneladas

Com base na média atual e considerando os 23 dias úteis de outubro, a projeção indica um embarque mensal superior a 525 mil toneladas. No entanto, especialistas lembram que os primeiros números do mês costumam refletir embarques remanescentes de setembro, o que tende a suavizar os resultados à medida que o período avança.

Mesmo assim, se o volume exportado até agora for redistribuído ao longo de nove dias úteis, a média diária ainda se manteria acima das 20 mil toneladas, o que resultaria em cerca de 460 mil toneladas no total — praticamente o mesmo volume registrado em setembro (459,8 mil toneladas). Esse desempenho representaria um aumento anual de aproximadamente 6%.

Meta é manter média acima de 21 mil toneladas por dia

Para alcançar um resultado ainda mais expressivo, o ideal seria manter o ritmo de exportações ligeiramente acima das 21 mil toneladas diárias. Isso permitiria fechar outubro com pelo menos 485 mil toneladas embarcadas, elevando o acumulado do ano para cerca de 4,1 milhões de toneladas — número que superaria o total registrado entre janeiro e outubro de 2024 (4,097 milhões de toneladas, segundo a SECEX/MDIC).

Desafios e perspectivas para o último trimestre

Historicamente, as exportações de carne de frango costumam recuar no último trimestre do ano, ficando abaixo dos volumes embarcados no segundo e terceiro trimestres. Entre 2007 e 2024, o quarto trimestre representou, em média, menos de 25% do total anual, contra 25,5% no segundo e mais de 26% no terceiro trimestre.

Mesmo assim, 2025 pode romper essa tendência. Com os importadores recompondo estoques e a reabertura do mercado chinês, principal destino da carne de frango brasileira, o mês de outubro tem potencial para se destacar como um dos melhores da história das exportações do setor avícola nacional.

FONTE: AviSite
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA altera destinos e estrutura das exportações brasileiras, aponta FGV

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros está reconfigurando os mercados de destino e a pauta de exportações do Brasil, segundo o relatório do Icomex (Indicador de Comércio Exterior) divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O estudo mostra que exportadores de carne e café conseguiram compensar parte das perdas no mercado norte-americano com aumento das vendas para outros países. Em setembro, produtos como madeira e fumo também registraram crescimento nas exportações para novos destinos.

Mudanças na pauta e desafios nas negociações

De acordo com o relatório, os efeitos do tarifaço ainda estão em fase de transição. A situação pode mudar caso as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos avancem positivamente.

“Cada lado tenta demonstrar ganhos e justificar concessões com benefícios. Dada a assimetria entre os países, o maior desafio recai sobre o Brasil”, destacou o Icomex.

Exportações e importações em alta

Em setembro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 7,2% em valor e 9,6% em volume em relação ao mesmo mês de 2024. Já as importações tiveram avanço de 17,7% em valor e 16,2% em volume no mesmo período.

No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o país exportou 3,5% mais do que no mesmo intervalo do ano anterior, enquanto as importações aumentaram 9,4%.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3 bilhões em setembro e US$ 45,5 bilhões no acumulado do ano, resultado US$ 13,2 bilhões menor do que em 2024.

Destinos das exportações: China e Argentina ganham espaço

O crescimento das exportações em setembro foi impulsionado pelos aumentos nas vendas para Argentina (+22%), China (+15%) e União Europeia (+5,7%). No acumulado até setembro, o volume exportado subiu 48,9% para a Argentina e 5,8% para a China.

A China respondeu por 28% das exportações brasileiras, enquanto a Argentina representou 5,9%. Já os Estados Unidos, com 8,4% de participação, apresentaram queda de 19,1% no volume mensal exportado e 0,8% no acumulado do ano, segundo a FGV.

“A retração das exportações para os Estados Unidos foi parcialmente compensada pelo aumento das vendas à China”, ressalta o documento.

Diversificação de mercados

O relatório indica que, a partir de julho, houve crescimento das remessas para a Ásia (excluindo a China), América do Sul (sem a Argentina) e México, o que sugere diversificação dos destinos e redução da dependência dos EUA.

Mesmo com destaque para a Argentina, o estudo aponta sinais de desaceleração: após crescer acima de 40% no início do ano, as exportações para o país vizinho subiram 22% em setembro, reflexo da piora econômica local.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Exterior, Economia

Superávit da balança comercial atinge US$ 1,5 bilhão na 2ª semana de outubro.

Balança comercial brasileira mantém saldo positivo impulsionado por exportações

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,5 bilhão na segunda semana de outubro de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A corrente de comércio no período somou US$ 12,3 bilhões, com destaque para o desempenho das exportações.

Exportações superam importações e impulsionam saldo comercial

Entre os dias analisados, as exportações atingiram US$ 6,9 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 5,4 bilhões. No acumulado de outubro até a segunda semana, as vendas externas somam US$ 11,6 bilhões e as compras do exterior, US$ 9,1 bilhões. O resultado é um superávit de US$ 2,5 bilhões e corrente de comércio de US$ 20,6 bilhões.

No acumulado do ano, o país já exportou US$ 269,3 bilhões e importou US$ 221,4 bilhões, gerando um saldo positivo de US$ 48 bilhões. A corrente de comércio anual já alcança US$ 490,8 bilhões.

Exportações crescem 8,6% em outubro

Na comparação entre as médias diárias de exportações da segunda semana de outubro de 2025 (US$ 1,4 bilhão) e do mesmo período de 2024 (US$ 1,3 bilhão), houve um crescimento de 8,6%.

Já as importações apresentaram uma leve retração de 1%, passando de US$ 1,145 bilhão em outubro de 2024 para US$ 1,134 bilhão em 2025. Com isso, a corrente de comércio diária chegou a US$ 2,581 bilhões, enquanto o superávit médio diário foi de US$ 312,35 milhões, um avanço de 4,2% na comparação anual.

Desempenho por setor: agropecuária lidera alta nas exportações

Na análise por setores, o destaque ficou com a agropecuária, que registrou crescimento de 15% nas exportações, com média diária US$ 38,4 milhões superior à de 2024. A indústria extrativa teve avanço de 17,4% (US$ 50,07 milhões), enquanto a indústria de transformação cresceu 3,7% (US$ 29,1 milhões).

Nas importações, o setor de indústria de transformação teve alta de 1% (US$ 10,38 milhões). Em contrapartida, a agropecuária caiu 4,8% (US$ 1,02 milhão) e a indústria extrativa teve queda expressiva de 30,5% (US$ 21,35 milhões).

FONTE: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

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Comércio Exterior

MDIC atualiza lista de produtos brasileiros afetados por tarifas adicionais dos EUA

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta segunda-feira (13) uma atualização da lista de produtos brasileiros afetados pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. As medidas estão vinculadas à Ordem Executiva de 30 de julho de 2025, emitida pelo governo norte-americano, que ampliou as restrições sobre exportações do Brasil.

De acordo com o MDIC, a nova versão da tabela — publicada como anexo à Portaria Conjunta MDIC/MF nº 4, de 11 de setembro de 2025 — traz alterações em 211 códigos NCM da Tarifa Externa Comum (TEC). Foram 101 novos códigos incluídos, 75 excluídos e 35 ajustados entre as listas de produtos impactados.

Alterações representam 2% da Tarifa Externa Comum

Com as mudanças, 9.803 códigos NCM permanecem sujeitos às tarifas adicionais aplicadas exclusivamente ao Brasil, o que representa 2,01% do total de 10.504 códigos que compõem a TEC. Segundo o ministério, as alterações fazem parte de uma revisão técnica programada, voltada a adequar o mapeamento dos produtos afetados e corrigir inconsistências identificadas após a implementação da medida pelos Estados Unidos.

Ajustes integram resposta brasileira às medidas dos EUA

O MDIC destacou que a atualização já estava prevista e ocorre no contexto da execução do Plano Brasil Soberano, iniciativa coordenada pelo governo federal para mitigar os impactos econômicos e comerciais das sanções norte-americanas. A revisão também reflete esclarecimentos complementares à Ordem Executiva e aprimora a operacionalização das ações de defesa comercial do Brasil.

Confira a tabela atualizada de produtos afetados.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Lemes/MDIC

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Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Do otimismo à cautela: comércio global deve desacelerar drasticamente em 2026, alerta OMC 

Um dos assuntos mais comentados na última semana foi a previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que divulgou novas estimativas que indicam uma forte desaceleração do comércio global de mercadorias em 2026. Segundo a instituição, o crescimento será de apenas 0,5%, índice bem menor em relação à previsão anterior de 1,8%. Para 2025, no entanto, a projeção foi revista para cima: a expectativa passou de 0,9% para 2,4%, refletindo principalmente o aumento nas importações para os Estados Unidos antes da implementação de novas tarifas e o avanço do comércio de produtos ligados à inteligência artificial. 

De acordo com a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, o cenário é preocupante. “As perspectivas para o próximo ano são mais sombrias… Estou muito preocupada”, afirmou em entrevista em Genebra. Apesar disso, ela destacou que o sistema multilateral baseado em regras tem proporcionado alguma estabilidade diante da turbulência global (Fonte: Reuters). 

Efeito pós-tarifaço dos EUA 

A queda na perspectiva de crescimento para 2026 tem como principal causa o impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos em 2025, sob o governo Donald Trump. As medidas tarifárias, que afetaram dezenas de países, aumentaram a imprevisibilidade no comércio internacional e reacenderam o debate sobre a escalada do protecionismo. Entre os países afetados, estão importantes parceiros comerciais como Brasil, Índia e Suíça. A União Europeia, por sua vez, fechou um acordo que estabeleceu tarifas de 15% sobre a maioria das importações. 

O cenário atual reforça um padrão de instabilidade já observado em anos anteriores. Em 2022, por exemplo, a OMC havia projetado crescimento de apenas 1% para 2023. Já em abril de 2025, a entidade chegou a prever queda de 0,2% no volume do comércio, mas revisou os números para cima em outubro do mesmo ano, mostrando a volatilidade das previsões diante de mudanças políticas e econômicas (Fontes: Estadão Conteúdo e UOL). 

Impactos imediatos nas exportações brasileiras 

Dados do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, com base em informações oficiais, apontam que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 27,7% em apenas um mês, e 18,5% na comparação anual. O impacto foi ainda mais acentuado regionalmente: no Sudeste, principal polo exportador, a queda chegou a 38% no intervalo de 30 dias; no Nordeste, a retração impressiona, atingindo 52,7% entre julho e agosto. Segundo os pesquisadores, o saldo positivo no comparativo anual reflete um movimento de antecipação de embarques, realizado por empresas brasileiras em julho para escapar das sobretaxas. (Fonte: Jornal Nacional). 

Reflexos do momento político 

Para Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, além dos reflexos das tarifas impostas pelos EUA, o comércio global reflete também o momento político previsto para o próximo ano. “Acredito que o mercado internacional terá desaceleração do crescimento global em 2026, conforme dados divulgados pela OMC, porém essa desaceleração será impulsionada principalmente por incertezas políticas que irão gerar barreiras comerciais, tendo em vista que teremos ano eleitoral no Brasil”, comenta.   

Além disso, a evolução das tecnologias mundiais tem interferido no comportamento do mercado. “Será um ano com foco em tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) como diferencial competitivo, com empresas se adaptando para a era de maior maturidade digital. Outros fatores a serem considerados incluem a estabilização da inflação na Zona do Euro, o crescimento da China e a necessidade de políticas multilaterais para mitigar tensões comerciais”, complementa Renata, que tem mais de 25 anos de experiência em comercio exterior e logística.  

Novos mercados, relações e oportunidades 

Segundo Renata, ao analisarmos o mercado global, não tem como deixar de fora a China, considerada hoje a segunda potência comercial mundial. Dados da OMC mostram que o país asiático se mantem em crescimento com tendência de alcançar até 4,26% de crescimento. “Apesar de uma taxa moderada a China ainda continuará sendo a indústria do Mundo e continuará a ser uma das melhores oportunidades negócios. Considero que seja um momento muito interessante para quem quer conhecer mais sobre a cultura de negociação e principalmente, quem quer buscar novas oportunidades aliadas ao mercado Chines”, fala.  

Para a CEO do ReConecta News é fundamental que os governos mantenham a inflação sob controle, reforcem a posição fiscal e promovam reformas que melhorem a qualidade institucional dos seus países. “Mudanças no sistema tributário podem ser impactantes nos resultados das empresas. Um outro fator que merece sua devida atenção são as questões de conflitos geopolíticos podem aumentar a aversão ao risco no mercado financeiro, impactando a performance da Bolsa de Valores”, explica.  

O que é a OMC 

Criada em 1995 durante a Rodada Uruguai do GATT, a Organização Mundial do Comércio é responsável por administrar os acordos multilaterais de comércio, servir como fórum de negociação de novas regras, supervisionar a implementação dos acordos e gerenciar o sistema de solução de controvérsias. 

O Brasil incorporou os textos da Rodada Uruguai em 1994, por meio do Decreto nº 1.355. Já o Acordo sobre Facilitação de Comércio, concluído na Conferência Ministerial de Bali em 2013, foi internalizado em 2018, por meio do Decreto nº 9.326. Entre os princípios básicos da OMC estão a não-discriminação, a previsibilidade, a concorrência leal e o tratamento especial a países em desenvolvimento. 

Desafio e oportunidade 

As novas projeções reforçam o desafio de manter a estabilidade no comércio global em um ambiente de crescente protecionismo e tensões políticas. Apesar da revisão positiva para 2025, o alerta para 2026 mostra que a resiliência do sistema multilateral ainda é testada por medidas unilaterais que podem comprometer investimentos, previsibilidade e o crescimento sustentável. 

Para Renata Palmeira, analisar o cenário de cada empresa e as projeções mundiais fazem parte do planejamento estratégico para o próximo ano. Muitas vezes o que aprece dificuldade pode ser oportunidade. “Teremos um “ano quente”, repleto de tensões e oportunidades. “Enquanto uns choram outros vendem lenços”, então busque em 2026 impactar o mercado com ações inovadoras, por isso sempre digo: seja a solução”, finaliza Renata.  


TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

Mercosul e Canadá retomam negociações para acordo de livre comércio

Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

Relação comercial Brasil–Canadá

O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.Nova rodada de diálogo em Brasília busca atualizar compromissos bilaterais

O Mercosul e o Canadá deram início, nesta quinta-feira (9/10), em Brasília (DF), a uma nova rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá. As discussões, conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), seguem até esta sexta-feira (10/10).

O objetivo do encontro é atualizar os entendimentos comerciais entre o bloco sul-americano e o país norte-americano diante do atual cenário internacional, fortalecendo a integração econômica e as oportunidades de negócios.

Visita canadense abriu caminho para retomada

As negociações foram reativadas após a visita ao Brasil do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, em agosto de 2025. Na ocasião, Sidhu se reuniu com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, reforçando o interesse mútuo em ampliar o diálogo econômico e retomar a agenda de cooperação.

De acordo com a Secex, o processo reflete o compromisso do Mercosul em firmar acordos modernos, equilibrados e benéficos para ambas as partes, seguindo modelos de negociações recentes com Singapura, União Europeia e EFTA.

Temas em negociação

A rodada de discussões reúne chefes negociadores e equipes técnicas dos quatro Estados Partes do Mercosul e do Canadá. A agenda inclui balanço dos avanços já alcançados, revisão de pendências e definição de prioridades em capítulos estratégicos, como:

  • Acesso a mercados e regras de origem;
  • Facilitação de comércio e barreiras técnicas;
  • Medidas sanitárias e fitossanitárias;
  • Serviços, investimentos e compras governamentais;
  • Propriedade intelectual e meio ambiente;
  • Questões relacionadas à concorrência, micro e pequenas empresas, gênero, trabalho e povos indígenas.

Relação comercial Brasil–Canadá

O Canadá é um parceiro estratégico para o Brasil. Em 2024, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 9,1 bilhões, consolidando o país como o 19º destino das exportações brasileiras.

Do total exportado pelo Brasil ao Canadá, que somou US$ 6,3 bilhões, cerca de 91% correspondeu à indústria de transformação. Entre os principais produtos estão alumínio, ouro, aço, máquinas e equipamentos, aeronaves e café.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio Exterior

Participação feminina no comércio internacional ganha força com apoio do MDIC

Participação feminina no comércio internacional ganha força com apoio do MDIC

Brasília foi palco de um importante avanço na inclusão de gênero no comércio exterior, durante o 11º Encontro da Convergência Empresarial de Mulheres do Mercosul (CEMM), realizado em 8 de outubro. A secretária em exercício de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Daniela Matos, destacou o compromisso do governo federal em ampliar a presença feminina nas exportações brasileiras e incorporar a pauta de gênero nos acordos comerciais.

Diagnóstico revela desafios e avanços na liderança feminina

Segundo Daniela Matos, fortalecer a participação das mulheres no comércio internacional é uma das prioridades da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Um estudo realizado pela Secex em 2023 revelou que apenas 14% das empresas exportadoras brasileiras tinham liderança feminina em sua composição societária. Embora um novo levantamento divulgado em 2025 indique avanços, os obstáculos ainda são significativos.

“Esse diagnóstico nos mostrou o tamanho do desafio. As mulheres continuam sendo minoria entre as exportadoras e enfrentam barreiras maiores que os homens. Por isso, o MDIC passou a tratar o tema como prioridade, com iniciativas como o programa Elas Exportam e a inclusão da perspectiva de gênero em acordos comerciais”, afirmou Daniela.

Acordo Mercosul–União Europeia inclui capítulo sobre empoderamento feminino

Um dos destaques do evento foi a menção ao novo capítulo do Acordo Mercosul–União Europeia, que trata especificamente de comércio e empoderamento feminino. O texto prevê ações de cooperação, intercâmbio de experiências e políticas voltadas à ampliação da participação das mulheres no comércio internacional.

“Esses dispositivos são fundamentais para garantir que os benefícios do acordo cheguem às empresas brasileiras, especialmente aquelas lideradas por mulheres. A diversidade precisa estar refletida no comércio exterior, promovendo oportunidades mais justas e inclusivas”, completou Daniela.

Lideranças do Mercosul celebram protagonismo feminino

A coordenadora executiva da Convergência Empresarial de Mulheres do Mercosul, Laura Velásquez, classificou a inclusão da pauta de gênero como um marco histórico. “As mulheres empresárias têm papel essencial na economia dos nossos países. É fundamental que elas também ocupem espaço nos acordos comerciais. Esse novo capítulo é um avanço significativo”, declarou.

O embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, também participou do painel e destacou o progresso nas negociações do acordo entre os blocos. “As disciplinas jurídicas estão compatibilizadas e há disposição total do Mercosul para que o acordo entre em vigor ainda sob a presidência brasileira”, afirmou.

Evento reúne lideranças femininas do setor produtivo

O painel de abertura do CEMM, com o tema “Atualizações sobre o Acordo Mercosul–União Europeia”, foi conduzido por Lilian Schiavo, diretora executiva da Convergência Empresarial de Mulheres do Brasil. O encontro reuniu empresárias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de representantes governamentais, instituições financeiras e entidades do setor produtivo.

FONTE: Com informações de Agência Gov, Conexão Maríliaconexaomarilia.com.br e Rádio Itatiaia.
TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

Tarifaço de Trump atinge exportações brasileiras, mas impacto inicial é menor que o esperado

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço de Donald Trump, os efeitos sobre a economia brasileira se mostram menos devastadores do que se temia. Segundo levantamento da Amcham Brasil, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), apenas 44,6% das exportações nacionais foram diretamente atingidas pela alíquota máxima de 50%. Outros 29,5% enfrentam sobretaxas menores, enquanto 25,9% seguem livres de tarifas adicionais.

Commodities encontram saída, mas indústria sofre

O impacto mais forte recaiu sobre café, carne e açúcar, produtos que representam pilares da pauta exportadora nacional. No caso do café, as vendas para os Estados Unidos caíram 56% em setembro e devem ser zeradas nas próximas semanas. Países europeus, como Alemanha e Itália, passaram a absorver parte dessa produção.

Para Fabrizio Panzini, diretor de Políticas Públicas da Amcham, a capacidade de redirecionar commodities para outros mercados reduziu os prejuízos imediatos. Já Marcos Matos, diretor do Cecafé, alerta que a reorganização global está em curso: a Colômbia deve reforçar suas exportações aos EUA, enquanto o Brasil tende a concentrar esforços na Europa.

Fora do agronegócio, no entanto, a pressão é muito maior. Setores como madeira, móveis e máquinas enfrentam estoques parados, aumento de custos e até demissões em massa. Produtos regionais, como o mel do Nordeste, também sentem os efeitos.

Setores mais afetados pelas tarifas

Em 2024, 74,1% dos produtos brasileiros vendidos aos EUA sofreram algum tipo de sobretaxa. Entre eles:

  • Commodities agrícolas: sofreram primeiro uma tarifa de 10% e, depois, a sobretaxa de 40%, totalizando 50%;
  • Ferro fundido, aeronaves e suco de laranja: atingidos apenas pela tarifa inicial de 10%;
  • Medicamentos e pescados: incluídos no segundo pacote, com alíquota de 40%;
  • Aço, alumínio e cobre: taxados em 50% pela seção 232 da Lei de Expansão do Comércio dos EUA;
  • Automóveis e autopeças: sobretaxa de 25%.

Apesar disso, de janeiro a agosto, as exportações brasileiras aos EUA ainda registraram crescimento de 1,6% em relação a 2023. Porém, em agosto, a queda foi brusca: -18,5%.

Indústria de máquinas busca alternativas

Nos equipamentos e máquinas, setor que depende em 27% do mercado americano, empresas tentam reorganizar estratégias. Cristina Zanella, diretora da Abimaq, explica que há um esforço para realocar exportações para outros destinos. Algumas fábricas compensaram perdas com a demanda interna, mas outras sofrem com cancelamentos de contratos e dificuldade de crédito.

Pressão política e busca por isenções

Enquanto setores tentam se adaptar, cresce a pressão política em Brasília e em Washington. Indústrias como celulose e ferro-gusa já conseguiram isenções. O empresário Joesley Batista se reuniu com Trump em setembro para negociar a taxação da carne. Paralelamente, companhias transferem parte da produção para países vizinhos, como Paraguai e Colômbia, para escapar da tarifa de 50%.

O advogado tributarista Leonardo Briganti avalia que o prejuízo maior recai sobre os EUA. “A ideia de reindustrializar os Estados Unidos não aconteceu. Houve aumento de custos e pequenas empresas importadoras estão sofrendo”, afirma.

Demissões e estoques parados

Na indústria da madeira, os efeitos são dramáticos. A empresa paranaense Randa perdeu 30% do faturamento e demitiu 200 funcionários. Outros 600 estão em férias coletivas. “Estamos pagando armazéns para estocar mercadorias. É insustentável”, diz o CEO Guilherme Ranssolin.

A Engemasa, fabricante de peças de aço inox, reduziu 10% do quadro de funcionários e acumula produtos sem destino. Já a Fider Pescados, que exportava tilápia, reduziu as vendas aos EUA e buscou clientes no mercado interno e no Canadá para compensar.

Perspectivas

De acordo com a Amcham, o Brasil conseguiu amortecer os impactos iniciais do tarifaço graças à força do agronegócio. No entanto, se as sobretaxas persistirem, a pressão sobre a indústria pode resultar em maior desemprego e retração econômica.

O governo dos EUA estuda liberar um pacote de US$ 10 bilhões para socorrer seus produtores rurais, especialmente os de soja, enquanto no Brasil cresce a expectativa por medidas de apoio à indústria nacional.

FONTE: Agenda do Poder
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agenda do Poder

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA completa 50 dias e ainda atinge 73,8% das exportações brasileiras

Impacto do tarifaço nas vendas ao mercado americano

A sobretaxa imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras completou 50 dias em vigor e continua afetando fortemente o comércio bilateral. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73,8% dos produtos brasileiros exportados ao país seguem sob tarifas adicionais, mesmo após a abertura de exceções pelo governo norte-americano.

O estudo aponta que 6.033 itens de diferentes setores ainda estão sobretaxados. Antes das isenções, o impacto atingia 77,8% das vendas.

Produtos liberados da sobretaxa

Na última atualização, 39 produtos foram retirados da tarifa extra de 50%, incluindo minerais críticos, químicos industriais e metais preciosos. Desses, apenas 13 tiveram exportação registrada pelo Brasil em 2024, movimentando US$ 1,7 bilhão, equivalente a 4,1% do total vendido aos EUA.

Três desses itens agora estão totalmente livres de tarifas adicionais: dois tipos de pastas químicas de madeira e o ferroníquel. Já os outros dez produtos permanecem com sobretaxa de 40%, entre eles níquel, grafite natural, artigos de ouro e ímãs permanentes.

Lula e Trump: aproximação em meio ao impasse

O governo brasileiro busca retomar o diálogo com Washington. A expectativa é que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontrem na próxima semana, após uma primeira aproximação durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a urgência de avançar nas negociações:
“A situação não beneficia ninguém. Esperamos que a reunião entre Lula e Trump seja o início de um processo oficial para reverter o tarifaço.”

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que atuou nos bastidores para viabilizar a conversa, afirmou que a reunião é um “passo importante” para buscar um acordo que favoreça os dois países.

Especialistas pedem cautela

Apesar da sinalização positiva, analistas lembram que a política comercial do governo Trump é marcada por imprevisibilidade. A professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, alerta que negociações podem ocorrer, mas sempre em cenários de incerteza.

Recentemente, Trump anunciou novas tarifas sobre caminhões, móveis e produtos farmacêuticos, reforçando a linha dura de sua política comercial.

Para o diretor da BMJ Consultores, José Pimenta, os EUA podem flexibilizar em alguns pontos, mas dificilmente vão abandonar o aumento tarifário como estratégia:
“Podem ocorrer ajustes ou exceções, mas a elevação das tarifas segue como parte central da política americana.”

Já o sócio-fundador da BMJ, Welber Barral, aponta que a sobretaxa levou o Brasil a diversificar mercados, aumentando as exportações de carne para países como México e China.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

Protagonismo feminino no comércio exterior: programa da ApexBrasil vence prêmio internacional na África do Sul

Iniciativa “Mulheres e Negócios Internacionais” (MNI) é reconhecida como a melhor do mundo em inclusão e sustentabilidade de negócios pelo WTPO Awards 2024

O programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), conquistou mais um reconhecimento global ao vencer o WTPO Awards 2024 – na categoria “Melhor iniciativa que garante a inclusão e sustentabilidade de um negócio”. A premiação, promovida pelo International Trade Centre (ITC), foi entregue nesta terça-feira (22) em Joanesburgo, África do Sul, durante a primeira Reunião Ministerial Global de Pequenas e Médias Empresas.

A premiação destaca o impacto transformador do programa no fortalecimento da presença feminina no comércio exterior, tornando o Brasil referência em iniciativas de inclusão de gênero e empoderamento feminino no mercado internacional.

Mulheres liderando negócios globais

Idealizado por Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil, o MNI foi criado em 2023 com o propósito de inserir mais mulheres no ecossistema de exportações e promover a equidade de gênero no comércio exterior. “A aspiração de trazer mais mulheres para os negócios internacionais está se concretizando em ações efetivas, impactando centenas de empresárias e ecoando no trabalho de diferentes entidades e parceiros governamentais”, afirmou Repezza.

Com ações estruturadas e parcerias estratégicas, o MNI já transformou a trajetória de mais de 1.400 empresas lideradas por mulheres, com 63% dessas empresas sendo de micro e pequeno porte, segmento prioritário para o desenvolvimento inclusivo do Brasil.

Reconhecimento global e impacto local

Esse é o terceiro prêmio internacional que a iniciativa recebe. Em 2024, o programa também foi laureado com o Prêmio de Boas Práticas do Movimento Elas Lideram 2030, da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Além disso, o programa “Elas Exportam”, do MDIC – vinculado ao MNI – ganhou o Prêmio Igualdade de Gênero no Comércio, da OMC, na Suíça.

Segundo Repezza, combate à desigualdade de gênero exige ações permanentes: “Incluir mulheres nos fluxos de comércio exterior gera riqueza, renda e impactos intergeracionais. Cada reconhecimento reforça nosso compromisso com uma economia mais inclusiva.”

MNI: inclusão de gênero como estratégia institucional

Desde sua criação, o MNI tornou-se ação transversal na ApexBrasil, influenciando todos os projetos da Agência com a aplicação de uma lente de gênero. O objetivo é ampliar as oportunidades para empreendedoras brasileiras nos mercados internacionais, com apoio estruturado em capacitação, inteligência de mercado e inserção em feiras e rodadas de negócio.

MPEs ganham protagonismo na exportação brasileira

O apoio às micro e pequenas empresas (MPEs) tem sido uma das prioridades da ApexBrasil. Em 2024, a Agência apoiou 20.596 empresas, sendo 54,2% de micro e pequeno porte – um aumento de mais de 50% em relação a 2023. O Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) capacitou 5.071 empresas este ano, 70% delas MPEs.

Dados da Secex/MDIC mostram que o número de pequenas empresas exportadoras cresceu 112,45% nos últimos 10 anos.Em 2024, foram 5.952 microempresas e MEIs e 5.480 pequenas empresas exportando ativamente.

No entanto, o desafio permanece: as MPEs respondem por menos de 1% do valor total exportado pelo Brasil (US$ 2,6 bilhões dos US$ 337 bilhões). Por isso, ações como o MNI são fundamentais para quebrar barreiras de entradaconectar empresárias a compradores internacionais e incentivar a internacionalização de negócios liderados por mulheres.

Próximos passos: interseccionalidade e redes globais

De acordo com Maira Cauchioli, especialista líder do programa MNI, o foco agora é expandir as ações para além da questão de gênero: “Vamos atuar na interseccionalidade com raça/etnia e fortalecer redes de relacionamento internacionais. Também vamos mapear mulheres atuantes no comércio exterior e conectá-las a compradores e investidores inclusivos.”

A ApexBrasil acredita que o comércio exterior pode ser uma ferramenta poderosa de transformação social, e que mulheres protagonistas nos negócios internacionais representam uma força crescente na economia brasileira.

Texto: REDAÇÃO / FONTE: APEX BRASIL

Imagem: DIVULGAÇÃO

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