Comércio Internacional

Estreito de Ormuz pode perder relevância com novas rotas logísticas no Golfo Pérsico

Investimentos em infraestrutura energética e rotas alternativas de transporte podem reduzir a dependência global do Estreito de Ormuz nos próximos cinco anos. A avaliação é de Georges Elhedery, CEO do HSBC, que aponta a expansão de dutos e o acesso a outros portos como estratégias para diminuir os impactos de conflitos no Oriente Médio sobre o comércio internacional.

A declaração foi feita durante o HSBC Future Forum, realizado em Dubai. Segundo o executivo, a crise envolvendo o Irã evidenciou a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento diante de possíveis interrupções em corredores marítimos estratégicos.

Novas rotas buscam reduzir dependência de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens para o transporte mundial de energia. Antes da intensificação do conflito, a rota concentrava cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Diante dos riscos à navegação, países do Golfo Pérsico estão direcionando recursos para alternativas logísticas, incluindo a construção de dutos que permitam transportar petróleo e outros produtos energéticos até portos fora da região mais vulnerável.

Para Elhedery, essas iniciativas podem transformar a dinâmica do transporte de energia e reduzir a importância estratégica do estreito. O executivo avalia que, em cinco anos, a passagem poderá se tornar menos necessária para parte das operações comerciais.

Apesar das incertezas, o CEO do HSBC considera que o Oriente Médio tem condições de superar os efeitos da guerra e retomar sua trajetória de crescimento, desde que mantenha os investimentos em infraestrutura.

Região planeja US$ 1,4 trilhão em infraestrutura

O potencial de expansão logística é reforçado pelos projetos previstos para o Oriente Médio, o Norte da África e a Turquia. Segundo relatório do HSBC, essas regiões reúnem um portfólio de infraestrutura de US$ 1,4 trilhão, incluindo US$ 872 bilhões em projetos individuais ainda em fase de oferta ou planejamento para contratação.

Os dados citados pelo banco são da MEED, plataforma especializada em inteligência de mercado para o setor de construção, sediada em Dubai.

Uma pesquisa realizada pelo HSBC com mais de 1.600 líderes empresariais e aproximadamente 820 investidores institucionais internacionais também indicou que o Golfo Pérsico continua sendo considerado um destino atrativo para investimentos.

Mesmo com as perspectivas de expansão no longo prazo, o cenário econômico regional permanece desafiador. Após crescer 3,3% em 2025, a região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão deverá registrar contração de 1,3% em 2026, segundo projeção do Banco Mundial citada na reportagem. A expectativa é de recuperação em 2027, embora em ritmos diferentes entre os países.

As tensões geopolíticas também afetaram o calendário de eventos econômicos. A principal conferência de investimentos da Arábia Saudita, que contaria com a participação de representantes do mercado financeiro internacional, foi adiada para 2027, conforme as informações divulgadas na ocasião.

A diversificação das rotas de transporte surge como uma estratégia para ampliar a segurança energética e reduzir a exposição do comércio internacional a conflitos regionais. Caso os investimentos avancem, a construção de novos dutos e a ampliação da infraestrutura portuária poderão modificar os fluxos de petróleo e gás no Golfo Pérsico.

A possível redução da dependência do Estreito de Ormuz, porém, dependerá da execução dos projetos e da capacidade das novas rotas de atender à demanda internacional.

Fonte: Terra, com informações da Reuters.

Texto: Redação

Imagem: ReConecta News / Google Earth

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Internacional

Crise no Estreito de Ormuz ameaça safras agrícolas e pode elevar preços dos alimentos

As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz já começam a afetar as colheitas agrícolas e podem reduzir a produtividade no campo, além de pressionar os preços dos alimentos em diferentes regiões do mundo. O alerta foi feito na quinta-feira por Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista à Reuters, Lario afirmou que os efeitos das interrupções na passagem marítima começam a se refletir na produção agrícola. Segundo ele, os impactos atingem diferentes etapas da cadeia de abastecimento, desde a aquisição de insumos até a colheita e o transporte dos produtos.

Interrupções no Estreito de Ormuz elevam custos agrícolas

A instabilidade no Estreito de Ormuz tem dificultado o transporte de fertilizantes e contribuído para o aumento dos custos de combustíveis e fretes. Esses fatores, combinados com os efeitos do fenômeno climático El Niño e as interrupções no fornecimento de trigo pelo Mar Negro, ampliam a pressão sobre a cadeia global de alimentos.

O estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e outros produtos essenciais. A intensificação das restrições à navegação ocorre em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos.

Teerã tem buscado ampliar o controle sobre a passagem marítima para pressionar Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Menor uso de fertilizantes pode reduzir produtividade no campo

De acordo com o presidente do FIDA, os estoques disponíveis de fertilizantes e combustíveis ajudaram a amortecer os efeitos iniciais da crise. No entanto, a continuidade das incertezas tem levado agricultores a adotar decisões mais cautelosas para os próximos plantios.

Entre as consequências está a redução do uso de fertilizantes agrícolas, medida que pode comprometer o rendimento das lavouras. O encarecimento dos combustíveis também afeta as operações mecanizadas, incluindo a colheita.

A combinação desses fatores aumenta o risco de queda na produção e pode agravar as pressões sobre a oferta mundial de alimentos nos próximos meses.

Preços das commodities agrícolas sobem 13%

Os preços das commodities agrícolas registraram alta de 13% no terceiro trimestre, segundo Lario. A expectativa apresentada pelo dirigente é de novos aumentos no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre do próximo ano.

O avanço dos custos de produção e transporte pode chegar ao consumidor por meio de alimentos mais caros, especialmente em mercados que dependem de importações para abastecer a população.

Países com forte dependência externa de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais expostos aos efeitos da crise.

Lario destacou a vulnerabilidade do Sudeste Asiático diante da dependência de combustíveis importados e chamou a atenção para os países do Golfo, que recorrem ao mercado internacional para garantir parte significativa de seu abastecimento alimentar.

Impasse entre Estados Unidos e Irã ameaça segurança alimentar

A crise também levanta preocupações sobre a segurança alimentar na Ásia e na África. Na quarta-feira, um funcionário envolvido em uma proposta de operação apoiada pela ONU para transportar fertilizantes pelo Estreito de Ormuz alertou à Reuters que a falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas pode desencadear uma crise alimentar em partes desses continentes.

A iniciativa busca viabilizar o fluxo de fertilizantes pela rota marítima, mas seu avanço depende de entendimentos entre os países envolvidos.

Sem uma solução para as restrições logísticas, os custos dos insumos podem continuar elevados, dificultando o acesso de agricultores a produtos essenciais para manter a produção.

Pequenos agricultores podem mudar o tipo de cultivo

Além dos impactos sobre os custos e a produtividade, a instabilidade pode alterar as decisões de plantio de pequenos produtores rurais.

Segundo Lario, diante da incerteza e da necessidade de preservar o fluxo de caixa, agricultores podem abandonar culturas de maior valor agregado que exigem mais tempo para gerar receita.

Em contrapartida, a tendência é que parte desses produtores priorize lavouras com retorno financeiro mais rápido, mesmo que ofereçam menor rentabilidade potencial no longo prazo.

A mudança pode afetar a diversidade da produção agrícola e aumentar os desafios para o abastecimento mundial. Caso as restrições ao transporte marítimo persistam, a combinação de insumos mais caros, menor uso de fertilizantes e alterações nos padrões de plantio poderá intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Tita Barros

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Transporte

Biocombustível marítimo fica mais barato que combustível fóssil após crise em Ormuz

A crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio alterou temporariamente a competitividade dos combustíveis utilizados no transporte marítimo. Em abril, o biodiesel marítimo tornou-se mais barato que o óleo combustível convencional no porto de Roterdã, na Holanda, quando foram considerados os custos relacionados às emissões de carbono e às possíveis penalidades ambientais da União Europeia.

A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela General Index, empresa especializada em preços de energia, em parceria com o London Stock Exchange Group (LSEG). O levantamento mostra que a combinação entre a alta dos combustíveis fósseis e as regras europeias de descarbonização pode favorecer economicamente o uso de combustíveis renováveis no transporte marítimo.

Biodiesel registra vantagem de US$ 74,61 por tonelada

De acordo com o relatório, a mistura B30, composta por 30% de éster metílico de óleo de cozinha usado (UCOME) e 70% de óleo combustível marítimo com teor muito baixo de enxofre (VLSFO), apresentou uma vantagem de US$ 74,61 por tonelada em relação ao combustível convencional em abril.

O cálculo levou em conta as permissões de emissão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) e possíveis penalidades previstas no regulamento FuelEU Maritime.

Nos três meses anteriores, a mesma mistura ainda apresentava um custo adicional de US$ 11 a US$ 27 por tonelada em comparação com o VLSFO, considerando os mesmos encargos ambientais.

O estudo também identificou uma mudança no mercado do biodiesel puro. O B100 UCOME, produzido integralmente a partir de óleo de cozinha usado, ficou mais barato que o óleo diesel marítimo (marine gasoil) durante oito semanas entre março e maio, após a inclusão dos custos de carbono.

Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona combustíveis fósseis

A mudança de competitividade ocorreu durante a disparada dos preços internacionais de energia associada ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados.

Entre fevereiro e março, o preço médio do gasóleo na Europa subiu US$ 476 por tonelada. No mesmo intervalo, o UCOME teve uma alta bem mais moderada, de US$ 65 por tonelada.

Essa diferença ajudou a reduzir a desvantagem de preço dos biocombustíveis em relação às alternativas fósseis, contribuindo para a inversão observada em Roterdã.

No documento Lessons From Hormuz: Disruptions For Renewable Fuel Cost Competitiveness, os pesquisadores avaliam que a precificação das emissões de carbono começa a demonstrar sua capacidade de tornar os combustíveis renováveis mais competitivos comercialmente.

Vantagem econômica ainda depende das regras ambientais

Apesar dos resultados, os autores alertam que o episódio não deve ser interpretado como uma mudança definitiva no mercado de combustíveis marítimos.

Sem a inclusão dos custos de carbono, os biocombustíveis ainda costumam ser mais caros do que as opções convencionais utilizadas pelos navios.

Além disso, as comparações realizadas em Roterdã consideram possíveis penalidades regulatórias, que não necessariamente se aplicam a todas as embarcações da mesma maneira. Por isso, a vantagem econômica identificada depende tanto das condições do mercado energético quanto das exigências ambientais aplicáveis.

O estudo foi elaborado por David Elward, analista-chefe da General Index, e Tim Deehan, analista sênior do LSEG. A pesquisa compara o comportamento de diferentes combustíveis renováveis diante das oscilações provocadas pela crise energética.

Combustíveis renováveis apresentam comportamentos distintos

O levantamento aponta que os biodieseis tradicionais demonstraram maior resistência à alta dos preços durante o período analisado. Outros combustíveis renováveis, entretanto, acompanharam a valorização de seus equivalentes fósseis.

Foi o caso do óleo vegetal hidrotratado (HVO) e do combustível sustentável de aviação (SAF), cujas cotações registraram aumentos expressivos.

O SAF subiu US$ 636 por tonelada entre fevereiro e março, mesmo com cadeias de abastecimento consideradas amplamente independentes do Estreito de Ormuz.

O resultado evidencia que os diferentes segmentos de combustíveis renováveis não respondem da mesma forma às crises internacionais. Enquanto determinados biocombustíveis marítimos conseguiram ampliar sua competitividade, outras alternativas continuaram expostas a fortes pressões de preço.

Aviação precisa de carbono muito mais caro para competir com combustível convencional

A análise também destaca uma diferença importante entre os setores marítimo e aéreo no processo de transição energética.

No transporte marítimo, os mecanismos europeus de precificação de carbono contribuíram temporariamente para tornar o biodiesel uma alternativa mais barata, quando considerados os custos regulatórios.

Na aviação, porém, a distância de preços entre o combustível sustentável e o querosene convencional continua maior. Segundo os pesquisadores, seria necessário um preço de carbono próximo de US$ 445 por tonelada de CO₂ equivalente para eliminar essa diferença.

Esse valor corresponde a aproximadamente cinco vezes os níveis de referência vigentes no período analisado pelo estudo.

Os resultados indicam que a combinação entre oscilações nos mercados de energia e políticas de precificação de carbono pode alterar a competitividade dos combustíveis de baixo carbono. No entanto, o impacto varia conforme a tecnologia, os custos de produção e as regras ambientais de cada setor.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: BHP

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Agricultura

ONU alerta para risco de crise alimentar global com bloqueio de fertilizantes no Estreito de Ormuz

A dificuldade de Estados Unidos e Irã em chegar a um acordo para liberar o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise de segurança alimentar em regiões da Ásia e da África. O alerta foi feito por Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), diante do risco de perda da temporada de plantio e de aumento dos preços dos alimentos.

Segundo o representante da ONU, um plano internacional para facilitar a circulação de fertilizantes pela região precisa avançar nas próximas semanas. Caso Washington e Teerã cheguem a um entendimento, o mecanismo poderá entrar em operação entre sete e dez dias após a formalização do acordo.

“É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, afirmou Moreira da Silva em entrevista em Bangcoc, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Bloqueio em Ormuz ameaça abastecimento de fertilizantes

Criada pelas Nações Unidas em março, uma força-tarefa trabalha na elaboração de um mecanismo para garantir a passagem de fertilizantes pelo estreito. A iniciativa, no entanto, ainda não saiu do papel devido à falta de entendimento entre os governos dos Estados Unidos e do Irã.

A tensão na região aumentou após os ataques realizados por norte-americanos e israelenses em 28 de fevereiro. Desde então, o governo iraniano busca ampliar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica utilizada como instrumento de pressão contra Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Embaixada do Irã em Bangcoc não responderam imediatamente aos pedidos de manifestação sobre a proposta.

Estreito de Ormuz concentra parte importante do comércio mundial

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de aproximadamente um terço da ureia comercializada mundialmente, fertilizante amplamente utilizado na agricultura. A rota também concentrava quase metade do enxofre transportado por via marítima, matéria-prima importante para diferentes atividades industriais, além de ser fundamental para o comércio internacional de petróleo.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, sediado em Washington, os embarques de fertilizantes provenientes da região do Golfo continuavam praticamente paralisados mais de seis meses após o início da guerra.

A retomada parcial de algumas operações durante o cessar-fogo registrado entre meados de junho e meados de julho teve impacto limitado sobre o transporte desses insumos, segundo a instituição.

Preços dos alimentos podem disparar com perda da temporada de plantio

A continuidade das restrições à navegação pode pressionar os custos agrícolas e provocar aumentos expressivos nos preços das commodities. Um relatório publicado em agosto pela Câmara de Comércio Internacional estimou que, caso a interrupção persista, os preços poderão subir até:

  • 81% para os cereais;
  • 66% para as culturas oleaginosas;
  • 30% para os produtos de origem animal.

A perda da janela de plantio pode agravar esse cenário, reduzindo a produtividade agrícola e ampliando os custos de produção. O resultado seria uma pressão adicional sobre os preços dos alimentos, especialmente em países mais vulneráveis à escassez de insumos e às oscilações do mercado internacional.

Para Moreira da Silva, a combinação entre a falta de fertilizantes e o atraso no calendário agrícola pode ampliar significativamente os impactos econômicos e sociais da crise.

Plano da ONU prevê passagem de cinco navios por dia

A proposta das Nações Unidas prevê a criação de um centro de coordenação em Omã para registrar embarcações e organizar a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

O sistema também contaria com monitores da ONU em colaboração com autoridades locais nos portos do Golfo, responsáveis por verificar as cargas transportadas. As embarcações seriam rastreadas durante o percurso, com possibilidade de inspeções adicionais em caso de suspeitas ou questionamentos sobre a carga.

De acordo com o subsecretário-geral, a circulação de apenas cinco navios por dia seria suficiente para manter o fornecimento de fertilizantes a países que enfrentam necessidades mais urgentes.

A iniciativa foi concebida para funcionar paralelamente às negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, sem depender da conclusão de um acordo mais amplo sobre as relações entre os dois países.

Negociações entre EUA e Irã continuam sem avanço

Desde o fracasso de um cessar-fogo provisório firmado em junho, Estados Unidos e Irã vêm trocando propostas por intermédio de outros países. As conversas, porém, permanecem estagnadas diante das condições apresentadas por Teerã e da exigência norte-americana de incluir o programa nuclear iraniano nas negociações desde o início.

A ONU defende que o plano para o transporte de fertilizantes avance mesmo enquanto os dois governos discutem um entendimento abrangente para a região.

A proposta busca evitar que as divergências políticas prolonguem os impactos sobre o abastecimento agrícola e a segurança alimentar. Moreira da Silva, entretanto, não detalhou quais pontos específicos continuam impedindo um acordo.

Crise marítima amplia riscos à segurança alimentar global

Além das restrições no Estreito de Ormuz, outros pontos estratégicos do comércio internacional enfrentam instabilidade. No Mar Negro, embarcações de carga têm sido alvo de ataques, enquanto ações de militantes houthis apoiados pelo Irã ameaçam uma importante rota marítima no Mar Vermelho.

A combinação desses fatores aumenta os riscos para o transporte de mercadorias, fertilizantes, energia e alimentos, em um cenário já pressionado pelas mudanças climáticas.

Segundo Moreira da Silva, a simultaneidade das interrupções em diferentes corredores marítimos pode agravar a situação global. A preocupação da ONU é que a soma desses problemas comprometa a produção agrícola, eleve os preços e aprofunde a insegurança alimentar em regiões dependentes das importações.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Notícias

Irã ataca seis navios em um único dia perto do Estreito de Ormuz

Os ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e em áreas próximas atingiram, em outubro, o maior ritmo desde o início da guerra entre Irã e Estados Unidos, em 28 de fevereiro. Segundo dados da agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) e de fontes internacionais de segurança marítima, seis navios foram atacados apenas na segunda-feira, 12 de outubro.

Nos primeiros 12 dias do mês, mais de 18 embarcações comerciais teriam sido alvo de ações iranianas. Entre os dias 5 e 12 de outubro, foram registrados pelo menos 14 ataques, tentativas de ataque e interceptações envolvendo navios que navegavam pelo estreito e por suas proximidades.

Os episódios refletem o agravamento das tensões entre Teerã e Washington e ampliam as preocupações com a segurança da navegação em uma das principais rotas mundiais para o transporte de energia e matérias-primas.

Ataques a navios aumentam desde a retomada dos confrontos

Dados da UKMTO e declarações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) apontam uma intensificação das ações contra o transporte marítimo comercial desde a retomada dos confrontos entre iranianos e norte-americanos, em julho.

Naquele mês, pelo menos 12 ataques contra petroleiros e cargueiros foram registrados. Em agosto, ao menos dez embarcações, incluindo navios-tanque e transportadores de gás natural liquefeito, foram alvo de ações nas proximidades do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e de Sohar, em Omã.

Em setembro, o número chegou a 18 navios, de acordo com os dados citados pelas fontes de segurança marítima.

A escalada ocorreu paralelamente ao aumento das operações de transferência de petróleo entre embarcações, conhecidas como ship-to-ship (STS). Nesse modelo, navios menores transportam o combustível até áreas consideradas mais seguras, onde a carga é transferida para petroleiros de maior porte.

Guarda Revolucionária justifica operações contra embarcações

A Guarda Revolucionária Islâmica afirma que suas ações buscam combater o que classifica como contrabando ilegal de petróleo e tentativas de romper o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Segundo o grupo militar iraniano, as operações passaram a abranger não apenas petroleiros e cargueiros, mas também embarcações de abastecimento, rebocadores e navios-tanque de menor porte que circulam pelo Golfo.

A IRGC também declarou que algumas embarcações sofreram danos após explosões provocadas pelo contato com minas marítimas. Segundo a versão iraniana, os navios navegavam por rotas consideradas não autorizadas ou inseguras.

Teerã atribui a intensificação das ações ao que chama de bloqueio naval dos Estados Unidos. O governo iraniano também alerta que embarcações podem ser alvo de medidas de segurança caso utilizem trajetos não aprovados ou atravessem a região com os sistemas de navegação e identificação desligados.

Irã impõe regras para a navegação no Estreito de Ormuz

Desde abril, o Irã vem aplicando restrições ao tráfego marítimo na região, incluindo a definição de corredores específicos para a passagem de embarcações e a exigência de coordenação prévia com a Marinha da Guarda Revolucionária.

Em 30 de maio, Teerã anunciou que os navios interessados em atravessar o estreito deveriam obter autorização antecipada da força naval da IRGC. Na ocasião, as autoridades iranianas advertiram que a passagem sem permissão seria considerada uma ameaça à segurança.

As medidas aumentam a incerteza para armadores, operadores logísticos e empresas de energia que dependem da rota para transportar petróleo, gás e outras mercadorias.

Estreito de Ormuz é estratégico para o mercado global de energia

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, sendo uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio internacional de energia.

A região é essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico. Por isso, qualquer interrupção ou restrição à navegação pode afetar as cadeias de abastecimento, elevar os custos de transporte e aumentar a volatilidade nos mercados internacionais de energia.

O crescimento dos ataques também amplia os riscos para as tripulações e para as empresas responsáveis pelo transporte marítimo, que precisam lidar com ameaças militares e mudanças nas condições de circulação.

Guerra entre Irã e Estados Unidos mantém tensão na região

O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em abril, as partes chegaram a um cessar-fogo, mas os confrontos entre Washington e Teerã foram retomados em julho, diante do impasse nas negociações.

Apesar da assinatura de um memorando de entendimento em junho, as divergências persistiram, especialmente em relação à segurança da navegação e ao controle do Estreito de Ormuz.

Nesse cenário, a intensificação dos ataques contra navios comerciais mantém a rota sob pressão e representa um desafio para a retomada da estabilidade no comércio marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Notícias

Navio porta-contêineres afunda após ataque no Estreito de Ormuz, informa Singapura

Um navio porta-contêineres com bandeira de Singapura afundou após ser atingido por um projétil de origem desconhecida durante a passagem pelo Estreito de Ormuz. O incidente ocorreu na terça-feira e provocou danos à embarcação e um incêndio, segundo informações da Autoridade Marítima e Portuária de Singapura.

Os 21 tripulantes do GFS Pride foram retirados em segurança, sem registro de feridos. O episódio integra uma sequência de ataques contra navios comerciais na região, marcada pela escalada das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Outro navio de Singapura também foi atingido

Na quarta-feira, outra embarcação com bandeira singapurense, o GFS Giselle, sofreu danos no casco após ser atingida por um projétil. Apesar do impacto, o navio conseguiu chegar a um local de ancoragem seguro, com todos os 22 tripulantes a bordo.

A agência britânica de operações de comércio marítimo, conhecida como UKMTO, informou que dois navios porta-contêineres não identificados relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos na terça-feira, entre 16h40 e 17h no horário de Greenwich (GMT).

Segundo o órgão, as duas embarcações sofreram danos leves e conseguiram continuar suas viagens.

Autoridades relatam afundamento no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que uma embarcação atingiu minas navais e afundou ao navegar por uma rota que classificou como não autorizada no Estreito de Ormuz.

Imagens divulgadas pelo grupo iraniano mostraram uma coluna de fumaça preta saindo de um navio porta-contêineres ainda parcialmente flutuando, mas com a popa submersa. Outras fotografias registraram dezenas de contêineres e suas cargas espalhados pela água.

O serviço hidrográfico do Paquistão alertou os navegadores que o GFS Pride havia afundado a cerca de 4 milhas náuticas, aproximadamente 7,4 quilômetros, a noroeste de Ras al-Sheikh Masud, na península de Musandam, em Omã.

Ataques a navios comerciais deixam mortos

As ofensivas contra embarcações mercantes se intensificaram desde o início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, em fevereiro. Além do Estreito de Ormuz, outras áreas do Oriente Médio também registraram incidentes envolvendo o transporte marítimo.

De acordo com a Organização Marítima Internacional (IMO), órgão ligado às Nações Unidas, pelo menos 24 profissionais do setor marítimo morreram em 106 incidentes confirmados.

Outro caso de afundamento registrado no período envolveu o Safeen Prestige, navio porta-contêineres de bandeira maltesa atacado próximo à costa de Omã em 4 de março.

Já o grupo de gestão de riscos marítimos Vanguard informou, na quarta-feira, que o Cape Dao, graneleiro com bandeira de Antígua e Barbuda, também estaria afundando após uma tentativa de resgate malsucedida, segundo a agência Reuters.

Em 23 de setembro, um projétil de origem desconhecida atingiu a ponte de comando e a área de alojamento do Cape Dao durante sua passagem pelo Estreito de Ormuz, a nordeste de Khasab, em Omã. Um tripulante morreu no ataque.

Estreito de Ormuz é estratégico para o mercado global de energia

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural. Em condições normais, cerca de um quinto dos embarques globais desses produtos passa pelo corredor entre o Golfo e o Golfo de Omã, que dá acesso ao Mar da Arábia.

A passagem ficou praticamente fechada após o início da guerra com o Irã, em razão de ataques iranianos com mísseis e drones contra navios comerciais e do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos.

Em junho, Washington e Teerã chegaram a um entendimento preliminar para encerrar o conflito e reabrir a rota marítima. O acordo, porém, desmoronou em poucas semanas, quando os ataques iranianos contra embarcações foram retomados e os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio.

O governo iraniano manteve a posição de que não abriria mão de algum nível de controle sobre a passagem marítima. Nesse contexto, embarcações que utilizavam uma rota ao sul, em águas de Omã, para evitar o trajeto preferencial por águas iranianas também passaram a ser alvo de ataques.

Exportações de petróleo começam a recuperar volume

Para manter o fluxo de exportações dos países árabes do Golfo, as forças militares norte-americanas passaram a oferecer proteção a petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz.

Apesar do aumento das ameaças à navegação, as exportações de petróleo bruto pela região apresentaram recuperação. Segundo analistas da Kpler, empresa especializada em dados do setor marítimo, o volume exportado no mês anterior chegou a aproximadamente 80% dos níveis registrados antes da guerra.

A média anterior ao conflito era de 16 milhões de barris por dia. A recuperação parcial indica que o transporte de petróleo voltou a ganhar ritmo, embora a continuidade dos ataques mantenha a segurança da navegação e o abastecimento global sob pressão.

FONTE: The Load Star
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alison Koo

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Internacional

Guerra entre EUA e Irã: petróleo, China e eleições aumentam pressão por acordo

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em uma nova etapa sob pressão de fatores econômicos, diplomáticos e políticos. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta semana que espera que o conflito esteja próximo do fim e disse ter recebido sinais de Teerã sobre a disposição para negociar.

Trump também deve se reunir com representantes dos países do Golfo Pérsico durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A expectativa é que as conversas tratem do conflito e de possíveis estratégias para o período posterior à guerra.

O cenário ocorre enquanto os efeitos da guerra continuam atingindo o mercado de petróleo, as rotas marítimas e os custos de energia em diferentes países.

Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão econômica

A instabilidade no Oriente Médio mantém os preços do petróleo em níveis elevados. Na sexta-feira (18), o Brent era negociado próximo de US$ 104 por barril, enquanto o WTI permanecia acima de US$ 102.

As cotações são influenciadas pelos riscos para o transporte de petróleo na região, incluindo as restrições no Estreito de Ormuz e os ataques envolvendo a Arábia Saudita e os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen.

A elevação dos combustíveis também passou a representar uma preocupação econômica dentro dos Estados Unidos. O governo Trump vem discutindo medidas para ampliar a capacidade de refino do país diante do aumento dos preços dos combustíveis.

Inverno europeu aumenta preocupação com energia

A aproximação do inverno no Hemisfério Norte adiciona outro elemento às discussões sobre o conflito. Países europeus acompanham os impactos da guerra sobre o abastecimento e os preços de energia, enquanto os mercados permanecem atentos aos riscos de novas interrupções no transporte de petróleo.

O conflito já provocou alterações em rotas marítimas e aumentou a preocupação com a segurança do fornecimento energético global. Segundo a Reuters, a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo da média anterior ao conflito.

China busca espaço para reduzir tensão

A China também aparece entre os atores envolvidos nos esforços diplomáticos em torno do conflito. Pequim mantém relações econômicas importantes com o Irã e tem interesse na estabilidade do comércio e do abastecimento energético.

Além disso, a agenda internacional prevê uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em meio às tensões provocadas pela guerra e às disputas econômicas entre as duas maiores economias do mundo.

A atuação chinesa ocorre paralelamente às negociações e aos contatos diplomáticos que buscam reduzir os efeitos do conflito sobre o comércio e os mercados de energia.

Eleições de novembro colocam preços dos combustíveis no debate

Nos Estados Unidos, a proximidade das eleições legislativas de novembro acrescenta uma dimensão política ao debate sobre os preços dos combustíveis.

O aumento da gasolina e do diesel afeta diretamente consumidores e empresas e se tornou uma questão relevante para o governo Trump. A Reuters aponta que os preços elevados dos combustíveis estão entre os fatores econômicos que cercam a disputa eleitoral norte-americana.

A votação de novembro definirá a composição do Congresso dos Estados Unidos, enquanto o governo enfrenta os efeitos econômicos de um conflito que já se prolonga há meses.

Assembleia Geral da ONU concentra negociações

A Assembleia Geral da ONU será um dos principais espaços diplomáticos para as discussões sobre a guerra. Líderes de diferentes países estarão em Nova York a partir da próxima semana, com o conflito entre Estados Unidos e Irã entre os temas de maior repercussão internacional.

Trump deverá utilizar os encontros para discutir a situação regional com representantes dos países do Golfo. Ao mesmo tempo, a reunião na ONU reunirá autoridades de países diretamente ou indiretamente afetados pelos impactos militares, econômicos e energéticos do conflito.

Fim da guerra ainda depende de negociações

Embora Trump tenha declarado que espera que a guerra esteja chegando ao fim, o conflito permanece ativo. A Reuters informou que a guerra entrou em seu sétimo mês e que ainda existem divergências importantes entre Washington e Teerã.

Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores como preço do petróleo, segurança das rotas marítimas, abastecimento energético, atuação da China e pressão econômica interna nos Estados Unidos fazem parte do contexto que envolve uma possível solução diplomática.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/R7

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Internacional

Irã ataca navios no Estreito de Ormuz e base dos EUA na Jordânia

O conflito entre Irã e Estados Unidos voltou a ganhar força nesta quarta-feira (9), com uma nova sequência de ataques envolvendo embarcações no Estreito de Ormuz e uma instalação utilizada por tropas americanas na Jordânia.

Teerã afirmou ter atacado dez navios nas proximidades da estratégica passagem marítima, em uma ação apresentada como retaliação após os Estados Unidos destruírem cinco petroleiros iranianos. A ofensiva representa, segundo o relato, uma das maiores ondas de ataques contra embarcações entre os dois países desde o início da guerra, há seis meses.

A escalada já provocou reflexos no mercado de petróleo. O Brent, principal referência internacional, superou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel também atingiu um recorde, passando de US$ 5,94 por galão.

Mísseis iranianos atingem região de base americana na Jordânia

Além dos ataques no Golfo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou ter lançado mísseis balísticos contra uma base utilizada por militares americanos próxima a Al Azraq, no leste da Jordânia.

Segundo o Irã, a ofensiva provocou danos significativos. O governo jordaniano, entretanto, informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram 18 dos 20 mísseis lançados.

Os outros dois projéteis teriam caído em áreas sem população. Não foram registradas vítimas, segundo as autoridades jordanianas.

Um funcionário americano também afirmou que o ataque não alcançou seus objetivos e que todos os militares dos Estados Unidos na região foram contabilizados.

Imagens feitas durante a noite na região de Ash-Shajarah, no norte da Jordânia, e verificadas pela Reuters mostraram clarões no céu durante a ofensiva.

EUA dizem ter afundado cinco petroleiros iranianos

Washington afirmou ter destruído cinco petroleiros iranianos durante a noite. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) divulgou imagens nas quais embarcações aparecem em chamas antes de afundarem.

De acordo com o governo americano, a operação foi uma resposta a dois ataques com mísseis balísticos atribuídos à Guarda Revolucionária iraniana contra um navio de guerra dos EUA nos dois dias anteriores. Os Estados Unidos afirmaram que nenhum militar americano ficou ferido.

A Casa Branca também anunciou uma mudança na política de resposta a ataques contra seus navios de guerra. A nova orientação prevê ataques contra petroleiros iranianos sempre que disparos forem considerados uma ameaça às embarcações militares americanas.

“O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros”, declarou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Irã amplia área considerada proibida em Ormuz

A Guarda Revolucionária afirmou ter disparado contra dois navios americanos e oito petroleiros que tentavam atravessar uma área do Estreito de Ormuz considerada proibida por Teerã.

O governo iraniano também declarou que passou a utilizar mísseis mais modernos e potentes contra embarcações americanas e que ampliou a área de restrição ao redor do estreito.

A movimentação preocupa o setor de transporte marítimo e energia, já que Ormuz é uma das principais rotas de petróleo do planeta.

Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo mundial passava pela região.

Navios mercantes são atingidos no Golfo

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou ter recebido relatos sobre vários navios comerciais atingidos por disparos no norte do Golfo e no Golfo de Omã.

Segundo os relatos, algumas embarcações ficaram impossibilitadas de navegar. Até o momento, a agência não conseguiu confirmar se houve mortes ou danos ambientais provocados pelos ataques.

Uma embarcação também foi avistada inclinada perto de Port Rashid, nos Emirados Árabes Unidos. A posição do navio pode indicar que ele sofreu entrada de água após ser atingido por um projétil.

O Irã ainda teria ameaçado petroleiros atracados em portos do Kuwait e do Bahrein, conforme declaração divulgada pela imprensa estatal.

Uma fonte de segurança marítima informou ainda que um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.

Trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz despenca

O Irã praticamente interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra.

Em resposta, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio aos portos iranianos e afirmam ter conseguido conduzir diversos petroleiros pela passagem estratégica.

Monitoramentos independentes, porém, apontam dificuldades crescentes para determinar quanto petróleo continua deixando a região.

Dados preliminares indicaram que apenas seis embarcações com os transponders ligados atravessaram o estreito nas 24 horas anteriores.

A redução do fluxo aumenta a preocupação com o abastecimento global e ajuda a explicar a alta recente das cotações do petróleo.

Ataques também atingem a Arábia Saudita

A crise se agravou ainda mais com a intensificação dos confrontos entre a Arábia Saudita e os Houthis, grupo alinhado ao Irã que controla grande parte das regiões povoadas do Iêmen.

Na terça-feira (8), os Houthis lançaram ataques contra quatro cidades sauditas. As ofensivas provocaram grandes incêndios em instalações ligadas ao setor de petróleo, que chegaram a ser registrados por imagens de satélite.

As autoridades da Arábia Saudita informaram que 73 pessoas ficaram feridas.

No dia seguinte, o governo saudita chegou a emitir um alerta sobre uma possível ameaça contra Khamis Mushait, uma das cidades atingidas anteriormente. O aviso foi posteriormente suspenso, sem que as autoridades divulgassem detalhes adicionais.

Conflito no Iêmen amplia riscos para o mercado de energia

Os combates no Iêmen também se intensificaram nos últimos dias. Um governo apoiado pela Arábia Saudita, instalado no sul do país, iniciou uma ofensiva em várias frentes contra territórios controlados pelos Houthis.

O grupo ligado ao Irã afirma que os ataques aéreos sauditas provocaram um número elevado de mortes.

Os Houthis também ampliaram a interrupção do tráfego marítimo na região, atingindo a ligação entre o Golfo e a entrada do Mar Vermelho.

Com ataques simultâneos envolvendo o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e a região do Mar Vermelho, o conflito passa a representar um risco ainda maior para as rotas internacionais de petróleo, gás e comércio marítimo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS

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Internacional

Estreito de Ormuz fechado: produtores de petróleo buscam oleodutos alternativos para manter exportações

O prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz está levando grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio a acelerar a busca por rotas alternativas de exportação. Iraque, Kuwait e Qatar estão entre os países mais expostos à interrupção do tráfego na passagem estratégica, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos trabalham para ampliar a capacidade de seus oleodutos de desvio.

O Japão, que depende fortemente do petróleo produzido na região, também pretende apoiar iniciativas para reduzir os efeitos do bloqueio sobre o comércio internacional de energia.

Iraque avalia novas rotas para exportar petróleo

O Iraque aparece entre os países com maior potencial para ampliar suas alternativas de escoamento. Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um plano para recuperar um oleoduto que conecta a região central iraquiana ao porto de Baniyas, na Síria.

Caso seja reativada, a infraestrutura permitiria transportar petróleo iraquiano até o Mediterrâneo sem utilizar o Estreito de Ormuz. A Chevron, uma das maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos, estaria envolvida em um estudo de viabilidade do projeto.

Com produção superior a 4 milhões de barris por dia, o Iraque é o segundo maior produtor da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita. Grande parte do petróleo produzido nos enormes campos do sul do país precisa atravessar o Estreito de Ormuz para chegar aos mercados internacionais.

A história do oleoduto entre Iraque e Síria, porém, é marcada por conflitos. Construído nos anos 1950, o sistema deixou de funcionar em 1982, depois da deterioração das relações entre os dois países. Embora tenha sido parcialmente recuperado posteriormente, voltou a ser interrompido em 2003, durante a Guerra do Iraque.

Desde então, guerras, instabilidade política e a guerra civil síria mantiveram a estrutura inativa por mais de duas décadas.

Síria deixa lista de Estados patrocinadores do terrorismo

Um possível fator de mudança no cenário ocorreu em 24 de agosto, quando os Estados Unidos retiraram a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

A classificação permanecia em vigor havia quase 50 anos e representava um dos obstáculos políticos para projetos de infraestrutura envolvendo o território sírio.

Além da rota para o Mediterrâneo, o Iraque analisa outras possibilidades. Entre elas está a ampliação do uso do oleoduto que leva petróleo dos campos do norte até Ceyhan, na Turquia.

Também está em avaliação uma rota independente com destino a Aqaba, na Jordânia, o que aumentaria as opções de exportação iraquianas.

Kuwait tem menos alternativas para escoar petróleo

A situação é mais delicada para o Kuwait. Diferentemente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o país não dispõe atualmente de um sistema de oleodutos capaz de desviar suas exportações para fora do Estreito de Ormuz.

O ministro do Petróleo kuwaitiano, Tariq Sulaiman Al-Roumi, afirmou recentemente que, enquanto a passagem permanecer fechada, as exportações de petróleo do país poderão chegar a zero.

Diante desse cenário, o Kuwait busca acordos com os países vizinhos. Uma das possibilidades estudadas é a conexão com o oleoduto saudita que atravessa o território do Golfo Pérsico até o Mar Vermelho.

Outra alternativa seria utilizar o sistema de oleodutos dos Emirados Árabes Unidos, que permite transportar petróleo para pontos de embarque localizados além do Estreito de Ormuz.

Qatar enfrenta risco ainda maior no mercado de gás

O Qatar está diante de um problema particularmente grave porque sua economia energética depende muito mais do gás natural do que do petróleo.

O país abriga o maior complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, mas praticamente toda a sua exportação passa pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito militar entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, os embarques de gás do Qatar praticamente pararam. A situação elevou o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.

Para cumprir contratos com compradores do Japão e da Coreia do Sul, a estatal QatarEnergy recorreu ao mercado à vista e comprou dos Estados Unidos uma quantidade de GNL equivalente à carga de 33 navios-tanque, segundo a Reuters.

Sem uma alternativa operacional para exportar o produto, Doha passou a considerar a retomada da navegação segura pelo Estreito de Ormuz como prioridade.

O Qatar também ganhou protagonismo nas tentativas de mediação entre Washington e Teerã, buscando contribuir para uma solução diplomática que permita a normalização do tráfego.

Arábia Saudita e Emirados ampliam oleodutos

Enquanto países como Iraque, Kuwait e Qatar procuram novas opções, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já possuem infraestruturas capazes de reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.

Os Emirados começaram a ampliar o oleoduto que transporta petróleo de uma área próxima a Abu Dhabi até Fujairah, no Golfo de Omã. O porto está localizado fora do estreito e permite o embarque do petróleo diretamente para o mercado internacional.

A Arábia Saudita, por sua vez, planeja aumentar a capacidade do oleoduto Leste-Oeste, responsável por conectar áreas produtoras no Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

Japão vê rotas alternativas como questão estratégica

Para o Japão, a ampliação dessas alternativas é especialmente relevante. O país compra mais de 80% do petróleo bruto consumido internamente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Iraque, Kuwait e Qatar, juntos, enviam aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz. O volume corresponde a cerca de um quarto de todo o petróleo bruto transportado pela rota.

No caso do Qatar, o impacto é ainda maior no mercado de gás: o país responde por aproximadamente 20% da demanda mundial por GNL.

Quanto mais tempo durar a interrupção da navegação, maior tende a ser o impacto sobre os preços, o abastecimento e a economia global.

Japão pode ampliar cooperação com produtores do Golfo

Além da dependência energética, Japão e os três países mantêm relações econômicas construídas ao longo de décadas.

Empresas japonesas participaram de diversos projetos de infraestrutura, energia e indústria no Iraque, Kuwait e Qatar, muitos dos quais permanecem em funcionamento.

Nesse contexto, apoiar a criação ou expansão de rotas de exportação pode representar para Tóquio não apenas uma medida de segurança energética, mas também uma oportunidade para fortalecer sua presença econômica no Oriente Médio.

Rotas alternativas também estão expostas a ataques

Apesar das vantagens, os oleodutos alternativos não eliminam os riscos geopolíticos da região.

Em abril, por exemplo, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi atingido por drones iranianos. O ataque danificou instalações de bombeamento responsáveis por manter a pressão necessária para o transporte do petróleo.

O terminal de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também já foi alvo recorrente de ataques.

Os episódios mostram que simplesmente deslocar as rotas de exportação para fora do Estreito de Ormuz não garante segurança absoluta.

Ainda assim, a expansão dessas estruturas pode ajudar a preservar parte do fluxo de petróleo e gás e reduzir a pressão sobre os mercados globais de energia.

Para o Japão, que depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, apoiar investimentos em alternativas ao Estreito de Ormuz pode ser uma estratégia importante para reforçar sua segurança energética.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Internacional

Irã negocia corredor temporário no Estreito de Ormuz, mas mantém passagem fechada até o fim da guerra

Irã e Omã avançam nas negociações para criar um corredor temporário de navegação no Estreito de Ormuz, incluindo uma operação conjunta para retirada de minas. Apesar das tratativas, Teerã afirmou nesta quarta-feira (26) que a passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo continuará fechada enquanto os Estados Unidos não encerrarem a guerra.

Irã e Omã discutem nova rota de navegação

Os dois países buscam estabelecer regras para o tráfego marítimo em Ormuz, área que permanece amplamente bloqueada pelo Irã e se tornou um dos principais focos do conflito no Oriente Médio.

Em reunião realizada na terça-feira, em Mascate, os ministros das Relações Exteriores de Irã e Omã discutiram a criação do chamado “corredor temporário”, além de medidas para remover minas e garantir condições de segurança para a navegação.

O chanceler omani, Badr al Busaidi, afirmou na rede social X que espera anunciar em breve a nova rota e os procedimentos necessários para a retomada de uma navegação segura.

As negociações também devem tratar de uma solução permanente, incluindo a futura administração do estreito e a criação de mecanismos para oferecer serviços de navegação e segurança.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que as conversas com representantes de Omã e do Paquistão reforçaram a busca por soluções regionais. Segundo ele, a proposta de um novo corredor, a retirada conjunta de minas e a definição sobre a gestão futura de Ormuz fazem parte desse esforço.

Teerã condiciona reabertura de Ormuz ao fim da guerra

Apesar do avanço diplomático, o governo iraniano deixou claro que a abertura completa do Estreito de Ormuz depende do encerramento do conflito.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que os Estados Unidos precisam cumprir os compromissos que, segundo Teerã, foram violados antes de qualquer iniciativa para reabrir a passagem.

O governo iraniano condiciona a reabertura ao fim da guerra em todas as frentes, à suspensão do bloqueio e a uma solução para a situação no Iêmen, onde atuam os rebeldes houthis, aliados do Irã.

Gharibabadi também declarou que a resposta de Teerã às novas sanções dos Estados Unidos será direcionada contra interesses econômicos americanos.

Trump afirma que minas foram retiradas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em sua plataforma Truth Social que a Marinha americana informou ter retirado ou destruído todas as minas existentes nas águas internacionais do Estreito de Ormuz.

Trump também advertiu que qualquer embarcação que instale novas minas na região será destruída.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que Washington pretende cortar os recursos econômicos do Irã por meio de novas medidas de pressão.

As sanções mais recentes são chamadas de sanções secundárias e não atingem diretamente apenas o governo iraniano. Elas também pressionam parceiros comerciais de Teerã em áreas como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.

Petróleo recua apesar da tensão em Ormuz

O cenário de incerteza também afeta o mercado de energia. No Irã, décadas de sanções internacionais e os impactos do conflito provocaram longas filas em postos de gasolina de Teerã na terça-feira.

Mesmo diante de informações desencontradas sobre a situação do estreito, o preço do petróleo caiu cerca de 2% nos mercados internacionais nesta quarta-feira. O petróleo Brent, principal referência global, chegou a ser negociado abaixo de US$ 90 por barril.

A reação dos mercados sinaliza uma expectativa de possível redução das restrições à circulação marítima em Ormuz.

Estreito de Ormuz é peça-chave para o mercado global

A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Em resposta, Teerã lançou ataques contra países aliados de Washington na região e bloqueou o Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm um bloqueio aos portos iranianos.

Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás exportados mundialmente passavam pelo estreito. Atualmente, o fluxo na região está reduzido a níveis mínimos, transformando Ormuz em um dos principais pontos de pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

O conflito provocou forte valorização da commodity e aumentou a pressão política sobre Donald Trump nos Estados Unidos, especialmente com a aproximação das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.

FONTE: Carta Capital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Carta Capital

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