Internacional

Convite de Trump ao Brasil para bloco de minerais críticos expõe disputa global com a China

O convite feito pelos Estados Unidos ao Brasil para integrar um novo bloco comercial de minerais críticos revela mais do que uma iniciativa econômica. A proposta faz parte de uma estratégia geopolítica do governo de Donald Trump para reduzir a dependência americana da China em insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética global.

A avaliação é do analista de Economia da CNN, Gabriel Monteiro, em comentário no CNN Novo Dia. Segundo ele, o movimento representa uma resposta direta à hegemonia chinesa nesse setor estratégico.

Estratégia americana e contrapeso à China

O convite foi direcionado a 54 países e tem como objetivo estruturar um grupo capaz de funcionar como contrapeso à China no mercado internacional de minerais. A ideia é estabelecer regras mínimas de produção, além de discutir preços de referência para esses materiais.

De acordo com Monteiro, trata-se de uma iniciativa que pode ser interpretada como claramente “anti-China”, ao tentar reduzir a influência de Pequim sobre cadeias produtivas consideradas vitais para o futuro da economia global.

Importância dos minerais críticos para a economia global

Recursos como lítio, manganês e cobre são indispensáveis para setores em rápida expansão, como mobilidade urbana, carros elétricos e fabricação de equipamentos eletrônicos. Atualmente, a China domina grande parte da produção mundial desses minerais, com destaque para as terras raras, o que acende alertas entre países ocidentais e seus aliados.

Impactos e dilemas para o Brasil

Para o Brasil, a adesão ao bloco traz desafios relevantes. “Se a iniciativa americana der certo, isso pode colocar o Brasil contra a parede”, avalia Monteiro. O analista lembra que o país se beneficia de uma posição de relativa neutralidade, mantendo relações comerciais estratégicas tanto com a China quanto com os Estados Unidos.

Estados Unidos, Japão e países europeus acusam a China de usar subsídios estatais para reduzir artificialmente os preços desses minerais, inviabilizando projetos privados em outras regiões. Prática semelhante é alvo de investigações no Brasil no caso do aço chinês, que estaria prejudicando a indústria siderúrgica nacional.

Oportunidades econômicas e riscos geopolíticos

Por outro lado, um cenário de maior competição internacional pode abrir oportunidades para o Brasil. O país possui reservas relevantes de minerais críticos, mas ainda depende de investimentos externos para ampliar a exploração e o processamento desses recursos.

O principal desafio, no entanto, será equilibrar os potenciais ganhos econômicos com os riscos geopolíticos de uma eventual escolha de lado na disputa entre as grandes potências globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rádio Pampa

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Internacional

China critica plano dos EUA para criar bloco comercial de minerais críticos

A China manifestou oposição à proposta dos Estados Unidos de formar um bloco comercial preferencial com países aliados voltado ao fornecimento de minerais críticos. A posição foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que criticou a adoção de regras definidas por grupos restritos de países.

Segundo o governo chinês, iniciativas desse tipo podem prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, ao impor normas que não representam os interesses globais. A pasta reforçou que a economia mundial deve ser regida por princípios amplos e não por acordos exclusivos.

China defende comércio internacional aberto e inclusivo

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou que a manutenção de um ambiente comercial internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico atende aos interesses comuns de todas as nações.

A declaração sinaliza a preocupação de Pequim com movimentos que possam fragmentar cadeias globais de suprimentos, especialmente em áreas estratégicas como a de minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de defesa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Gray/Reuters

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Importação

Madeira ilegal da Amazônia chega à União Europeia e aos EUA apesar de leis de importação

Uma investigação internacional revelou que madeira ilegal da Amazônia brasileira continua abastecendo mercados da União Europeia e dos Estados Unidos, mesmo com legislações que proíbem esse tipo de importação em vigor há mais de uma década. O material inclui produtos extraídos ilegalmente de áreas protegidas, como a Terra Indígena Munduruku, no estado do Pará.

O levantamento foi conduzido pela Environmental Investigation Agency (EIA) e aponta falhas estruturais na fiscalização, tanto no Brasil quanto nos países importadores, permitindo que a madeira ingresse em cadeias globais de fornecimento.

Fraudes e falhas facilitam o comércio ilegal

O relatório Bootleggers, Brokers and Buyers, divulgado no fim de janeiro de 2026, detalha como fraudes documentais, invasões de terras indígenas e supervisão governamental insuficiente possibilitaram a exportação de milhares de metros cúbicos de madeira tropical de alto valor, como ipê e cumaru.

Segundo o estudo, cerca de 25 mil metros cúbicos de madeira — o equivalente a aproximadamente 830 contêineres — foram rastreados desde áreas sob exploração ilegal até 11 importadores localizados na França, Portugal, Alemanha e nos Estados Unidos.

Invisibilidade da ilegalidade na cadeia produtiva

De acordo com a EIA, as atividades ilegais de extração se espalharam por ao menos quatro áreas no Pará, incluindo uma dentro da Terra Indígena Munduruku, onde não há autorização para exploração madeireira.

A investigação combinou imagens de satélite, análise de documentos oficiais e entrevistas com especialistas para reconstruir o caminho da madeira, desde serrarias brasileiras até os mercados internacionais. O relatório mostra que o produto passou por 11 serrarias e 8 empresas exportadoras, muitas delas já autuadas por órgãos ambientais, evidenciando a prática recorrente de “lavagem” de madeira ilegal por meio de permissões ou registros fraudados.

Leis existem, mas fiscalização falha

Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos possuem marcos legais para impedir a entrada de madeira de origem ilegal. O Regulamento da Madeira da UE (EUTR) e o Lacey Act, nos EUA, exigem diligência dos importadores e proíbem esse comércio.

No entanto, a EIA afirma que a aplicação dessas normas é limitada. Estudos da própria Comissão Europeia já alertavam, desde 2019, para o alto risco de importação de madeira amazônica sem comprovação de legalidade, especialmente o ipê, espécie protegida pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna (CITES).

Em 2025, a UE aprovou o Regulamento sobre Desmatamento, mais rigoroso, mas sua implementação foi novamente adiada, agora para o fim de 2026, após pressão de grupos ligados à indústria madeireira. Nos Estados Unidos, cortes orçamentários na fiscalização ambiental também são apontados como fator que enfraquece o combate às importações ilegais.

Avanço da extração ilegal em áreas protegidas

O contexto é de crescimento da exploração ilegal de madeira na Amazônia, com deslocamento das atividades para áreas que deveriam ser protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Dados do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) indicam aumento de 44% da extração ilegal em áreas protegidas entre 2023 e 2024. No mesmo período, mais de 30% da madeira retirada da Amazônia apresentava indícios de ilegalidade. Outro estudo aponta que 62% da exploração madeireira no estado do Amazonas ocorre sem autorização ambiental.

Impactos sobre povos indígenas e recomendações

Para povos indígenas como os Munduruku, a presença de madeireiros ilegais representa uma ameaça direta à vida, à cultura e à integridade territorial. Em nota conjunta, organizações indígenas afirmaram que produtos feitos com madeira dessas áreas carregam “sangue indígena” e cobraram ações imediatas de governos e empresas.

A EIA recomenda que o Brasil reforce a fiscalização, implemente sistemas de rastreabilidade em tempo real e amplie recursos para monitoramento. Já a UE e os EUA devem investigar as importações identificadas, aplicar suas próprias leis com rigor e garantir que a nova regulamentação contra o desmatamento entre em vigor sem flexibilizações.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ibama

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Portos

Panamá negocia com Maersk para operação temporária de portos estratégicos do Canal

O governo do Panamá confirmou que está em negociação com a dinamarquesa Maersk para a operação temporária de portos estratégicos do Canal do Panamá, após a Justiça anular a concessão da empresa de Hong Kong CK Hutchison. Os terminais afetados estão localizados nas duas extremidades da via interoceânica, considerada essencial para o comércio marítimo global.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30) pelo presidente panamenho José Raúl Mulino, que afirmou que as conversas envolvem uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, reconhecida pela experiência e capacidade técnica para assumir, de forma transitória, a administração dos terminais.

Decisão judicial e críticas internacionais

A Suprema Corte de Justiça do Panamá declarou inconstitucionais os contratos que permitiam à Panama Ports Company (PPC), ligada à CK Hutchison, operar desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal. A decisão provocou reação imediata da China, que classificou o movimento como prejudicial aos interesses de suas empresas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim adotará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos comerciais. Autoridades de Hong Kong também condenaram o que consideram interferência de governos estrangeiros em relações econômicas privadas.

Transição administrativa e nova concessão

Segundo Mulino, os contratos anulados são “leoninos” e desfavoráveis ao país. Ele garantiu que, até a implementação da decisão judicial, haverá continuidade das operações atuais, seguida de uma transição administrativa ordenada. Ao final do processo, o Panamá pretende lançar uma nova concessão sob condições mais vantajosas.

A Maersk confirmou, em comunicado, estar disposta a assumir a gestão provisória para mitigar riscos ao fluxo logístico e evitar impactos nos serviços essenciais ao comércio regional e internacional.

Importância estratégica do Canal do Panamá

O Canal do Panamá é utilizado principalmente por Estados Unidos e China e responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial. Apenas os EUA concentram aproximadamente 40% do tráfego de contêineres que passam pela rota.

Apesar das alegações do ex-presidente americano Donald Trump, que voltou a ameaçar “retomar” o canal sob o argumento de influência chinesa, o governo panamenho nega qualquer controle de Pequim sobre a via, administrada por uma entidade pública autônoma.

Impacto econômico e venda em suspenso

A decisão judicial ocorre em meio à tentativa da CK Hutchison de vender sua participação nos portos panamenhos a um consórcio liderado pela BlackRock, em um negócio avaliado em US$ 22,8 bilhões. O acordo, anunciado em março de 2025, perdeu força após alertas da China sobre possíveis prejuízos a seus interesses globais.

Após o anúncio do Panamá, as ações do conglomerado controlado pelo bilionário Li Ka-shing recuaram 4,6% na Bolsa de Hong Kong.

Para o economista Kelvin Lam, da consultoria Pantheon Macroeconomics, a decisão judicial dificilmente pode ser dissociada da pressão política dos Estados Unidos. Segundo ele, o episódio tende a aumentar a cautela de investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura estratégica na região.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP/Arquivos

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Comércio Internacional

Canadá defende diversificação de parcerias comerciais além dos Estados Unidos

O Canadá reforçou a necessidade de ampliar sua rede de parcerias comerciais internacionais, indo além da tradicional relação com os Estados Unidos. A avaliação foi apresentada pelo primeiro-ministro Mark Carney em discurso preparado para o Fórum Econômico Mundial, realizado nesta terça-feira (20), em Davos, na Suíça.

EUA seguem relevantes, mas não exclusivos

Ao tratar das relações econômicas globais, Carney classificou os EUA como uma “boa conexão”, mas alertou para os riscos de dependência excessiva de um único parceiro. Segundo ele, a estratégia canadense passa por fortalecer vínculos com economias emergentes e grandes blocos internacionais, como China, Índia, Tailândia e o Mercosul.

De acordo com o premiê, manter uma rede ampla de conexões é essencial em um cenário de transformação da economia global. Ele destacou que o país está ajustando suas relações comerciais para que estejam alinhadas aos valores canadenses, citando acordos já firmados e negociações em andamento.

Estratégia inclui fortalecimento da economia interna

No discurso, Carney também ressaltou medidas adotadas para impulsionar a economia doméstica. Entre elas estão o corte de impostos, a redução de barreiras comerciais internas e o aumento dos investimentos em defesa, que devem ser dobrados até o fim da década.

Segundo o primeiro-ministro, essas ações têm como objetivo fortalecer a indústria nacional, ampliar a competitividade e reduzir vulnerabilidades diante de choques externos.

Geopolítica e segurança internacional em pauta

Ao abordar o cenário internacional, Carney comentou os conflitos geopolíticos em curso, com destaque para a situação no Oriente Médio. Ele afirmou que as partes envolvidas nas negociações sobre Gaza ainda não estão nas condições ideais para um acordo duradouro e defendeu uma solução baseada na existência de dois Estados.

O premiê também alertou para a importância da presença diplomática ativa, afirmando que, se um país não participa das mesas de negociação, corre o risco de ser impactado diretamente pelas decisões tomadas por outros atores globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Blair Gable

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Comércio Internacional

Parlamento Europeu avalia congelar acordo comercial com EUA após ameaças de Trump

O Parlamento Europeu deve avançar para o congelamento do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, firmado no ano passado. A sinalização foi feita por líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20), como resposta direta às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, envolvendo a possível anexação da Groenlândia.

Consenso político para suspender acordo UE–EUA

De acordo com a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, há um entendimento majoritário entre os grupos políticos da Casa para levar adiante a suspensão do tratado. A expectativa é que a votação formal ocorra na quarta-feira (21).

A medida é tratada como uma retaliação às ameaças feitas por Trump, que associou o tema da Groenlândia à imposição de tarifas comerciais contra países europeus.

Ameaças tarifárias e reação europeia

Nesta semana, Trump afirmou que pretende aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países da Europa caso haja oposição ao plano dos Estados Unidos de adquirir o território autônomo ligado à Dinamarca.

A reação foi imediata. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem”, afirmando que Washington estaria usando ameaças econômicas para impor “concessões injustificáveis”. Segundo ele, a Comissão Europeia dispõe de instrumentos robustos para responder a esse tipo de pressão.

Termos do acordo e riscos da suspensão

O acordo comercial UE–EUA, assinado em julho do ano passado, previa a aplicação de tarifas de 15% pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em reduzir parte das taxas sobre importações americanas.

O tratado, no entanto, ainda não havia entrado em vigor. A implementação estava prevista para os meses de março e abril deste ano, condicionada à aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco.

Com o congelamento, a UE volta a considerar a adoção de tarifas retaliatórias, que podem chegar a 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões), além da possibilidade de restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Groenlândia no centro da crise diplomática

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que pressões comerciais entre aliados estratégicos representam um erro grave.

Trump tem intensificado declarações sobre a Groenlândia nas últimas semanas, alegando que a ilha é essencial para a segurança nacional dos EUA. Além de ser uma rota estratégica no Ártico e uma área rica em matérias-primas críticas, o território é considerado central para o chamado Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis que o presidente norte-americano pretende construir.

Europa reforça segurança no Ártico

Em resposta, países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de contingentes militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda reafirmaram o compromisso com a defesa do território no âmbito da Otan.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio. A crise também gerou protestos populares, com manifestações registradas no último fim de semana tanto na ilha quanto em Copenhague contra a intenção de anexação anunciada por Trump.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Evelyn Hockstein

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Comércio Internacional

Pré-mercado hoje: tensão nos mercados com nova escalada da guerra de tarifas

A semana começa com ritmo mais lento nos mercados globais por conta do feriado nos Estados Unidos, que celebra o Dia de Martin Luther King. As bolsas americanas não operam, mas os contratos futuros dos principais índices seguem ativos e apontam queda, refletindo a crescente apreensão dos investidores diante de uma possível intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e União Europeia.

Feriado nos EUA reduz liquidez, mas não afasta volatilidade

Com os pregões fechados em Nova York, o volume de negócios tende a ser menor, o que costuma aumentar a volatilidade. Mesmo assim, o sentimento predominante no pré-mercado é de cautela, alimentado por novas ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana.

Trump ameaça ampliar tarifas contra países europeus

No sábado (17), Trump declarou que pretende ampliar as tarifas comerciais aplicadas a países da União Europeia caso não haja um acordo que permita aos Estados Unidos a compra da Groenlândia. Segundo ele, taxas adicionais de 10% passariam a valer a partir de 1º de fevereiro sobre produtos importados de Alemanha, França, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, Holanda e Finlândia.

Ainda de acordo com o presidente americano, se não houver avanço nas negociações, as tarifas podem subir para 25% a partir de 1º de junho. A declaração surpreende, já que a UE e o Reino Unido haviam firmado acordos comerciais com os EUA no ano anterior.

União Europeia reage e estuda medidas inéditas

No domingo (18), o discurso ganhou tom mais duro. Lideranças dos principais países da UE classificaram as ameaças como chantagem econômica. A França defendeu uma resposta firme e chegou a sugerir o uso de instrumentos econômicos ainda não testados pelo bloco.

Entre as opções em estudo está a retomada de um pacote de tarifas sobre US$ 108 bilhões em exportações americanas para a Europa, que havia sido suspenso por seis meses em agosto de 2025. Também está no radar o chamado Instrumento Anticoerção, que pode atingir setores de serviços e investimentos dos Estados Unidos.

Davos deve ser palco de tensão diplomática

O aumento das ameaças comerciais ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta segunda-feira em Davos, na Suíça. O evento reúne líderes globais e contará com uma delegação expressiva dos EUA, liderada pelo próprio Trump, o que eleva a expectativa por novos embates diplomáticos.

Mercados reagem com cautela: câmbio, metais e petróleo

A reação inicial dos mercados financeiros foi moderada, mas indica maior desconfiança. O euro se recuperou de uma mínima de sete semanas e avançou 0,3%, sendo negociado a US$ 1,1628. Os metais preciosos também ganharam força: o ouro subiu 1,6%, alcançando US$ 4.689 por onça-troy, enquanto a prata chegou a tocar US$ 94,08.

Já o petróleo operou em leve queda, pressionado pelo temor de enfraquecimento da demanda caso a guerra comercial se intensifique. O Brent recuou 1%, para US$ 63,47 o barril, e o WTI caiu na mesma proporção, para US$ 58,86.

Perspectivas para o mercado

A tendência para o dia é de desempenho negativo nos mercados acionários, diante do aumento da tensão comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O feriado americano, no entanto, deve limitar o volume de negociações, elevando a volatilidade, mas reduzindo o impacto imediato dos movimentos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Comércio Internacional

Trump anuncia tarifas de 10% contra países da Europa a partir de fevereiro de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) a imposição de tarifas de 10% sobre produtos importados de países da Europa a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida, segundo o republicano, será aplicada caso essas nações se posicionem contra o plano norte-americano de comprar a Groenlândia, território localizado no Ártico e pertencente à Dinamarca.

De acordo com Trump, a taxação permanecerá em vigor até que seja firmado um acordo para a aquisição total da Groenlândia. Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, o presidente vem reiterando a intenção de anexar o território aos Estados Unidos.

Groenlândia é considerada estratégica para defesa dos EUA
Trump classificou a Groenlândia como um território “vital” para o projeto do Domo de Ouro, um escudo antimísseis que pretende implementar como parte da estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos.

Segundo o presidente, a região teria importância central para o funcionamento do sistema, especialmente por questões geográficas e de posicionamento estratégico frente a ameaças globais.

Lista de países europeus que serão taxados
A tarifa anunciada por Trump deve atingir os seguintes países:
Dinamarca
Noruega
Suécia
França
Alemanha
Reino Unido
Países Baixos
Finlândia

Possível aumento da tarifa em junho
No comunicado, Trump afirmou ainda que a tarifa de 10% será elevada para 25% a partir de 1º de junho de 2026, caso não haja avanço nas negociações para a compra da Groenlândia. A cobrança incidirá sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos pelos países listados.

O presidente argumenta que os EUA subsidiam há décadas países europeus ao não impor tarifas equivalentes e que a situação precisa ser revista diante do que classificou como riscos à segurança nacional e à segurança global.

Justificativas e discurso presidencial
Trump afirmou que China e Rússia demonstram interesse estratégico na Groenlândia e que a Dinamarca não teria capacidade de proteger o território de forma adequada. Segundo ele, apenas os Estados Unidos teriam condições militares e tecnológicas para garantir a segurança da região.

O republicano também criticou visitas recentes de países europeus à Groenlândia, classificando-as como uma atitude perigosa e potencialmente desestabilizadora para a ordem internacional.

Compra da Groenlândia volta ao centro da política externa dos EUA
O presidente ressaltou que os Estados Unidos tentam adquirir a Groenlândia há mais de 150 anos, mas enfrentam resistência histórica da Dinamarca. Agora, segundo Trump, o avanço de sistemas modernos de armamento e a implementação do Domo de Ouro tornariam a aquisição ainda mais estratégica.

Ele acrescentou que bilhões de dólares já estão sendo investidos em programas de segurança ligados ao projeto, que poderia incluir até mesmo a proteção do Canadá, dependendo da configuração territorial.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC Total

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Comércio Exterior

Comércio Brasil–China bate recorde em 2025 e supera em mais do que o dobro as trocas com os EUA

A corrente de comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde histórico em 2025, somando US$ 171 bilhões (cerca de R$ 918,2 bilhões), segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior e consolida a China como o principal parceiro comercial do país.

O volume negociado com o mercado chinês foi mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, que movimentaram US$ 83 bilhões (R$ 445,7 bilhões) no mesmo período.

Superávit com a China completa 17 anos consecutivos

O Brasil mantém superávits comerciais consecutivos com a China há 17 anos. Em 2025, o saldo positivo chegou a US$ 29,1 bilhões (R$ 156,2 bilhões), equivalente a 43% de todo o superávit brasileiro com o comércio global.

As exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões), impulsionadas principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.

Soja, petróleo e café lideram exportações

A pauta exportadora segue concentrada em soja e petróleo, que continuam como os principais pilares da relação bilateral. A China respondeu por 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil em 2025.

Um dos destaques do ano foi o avanço do café não torrado, cujas exportações dobraram de valor e alcançaram US$ 459 milhões (R$ 2,4 bilhões). Com isso, a China passou a ocupar a posição de segundo maior mercado asiático para o café brasileiro.

Carne bovina cresce, enquanto frango perde espaço

No segmento de proteínas animais, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde histórico de US$ 8,8 bilhões (R$ 47,2 bilhões), com crescimento próximo de 48%.
Já as vendas de carne de frango recuaram, e a Arábia Saudita assumiu a liderança como principal destino desse produto.

Importações chinesas também atingem patamar histórico

As importações brasileiras da China somaram US$ 70,9 bilhões (R$ 380,7 bilhões), avanço de 11,5% em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela aquisição de um navio-plataforma de petróleo, avaliado em US$ 2,66 bilhões, e pela forte demanda por veículos híbridos, que totalizaram US$ 1,87 bilhão.

O setor farmacêutico também ganhou destaque, com as importações de insulina crescendo 64 vezes, alcançando US$ 135 milhões.

Comércio com os EUA enfrenta entraves

Enquanto o comércio com a China avança, a relação com os Estados Unidos enfrentou dificuldades em 2025. As sobretaxas impostas durante o governo Trump impactaram cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 8,9 bilhões sujeitos a tarifas adicionais.

Especialistas avaliam que, embora o Brasil busque diversificar seus parceiros comerciais, o eixo asiático tende a permanecer como destino prioritário da produção nacional. A expectativa é de continuidade da forte dependência chinesa, acompanhada por esforços para ampliar o comércio com países como Argentina e Índia.

Fonte: Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e Times Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO TIMES BRASIL

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Comércio Exterior

Acordo UE-Mercosul ganha fôlego com apoio da Itália e pressão geopolítica internacional

A mudança de posição da Itália em favor da assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode destravar, finalmente, a conclusão de um tratado negociado há mais de duas décadas. A informação, divulgada pela Bloomberg, surge em um momento de crescente instabilidade internacional e reforça a leitura de especialistas de que o cenário geopolítico atual passou a favorecer o avanço do pacto comercial.

Além do reposicionamento italiano, analistas apontam que a atuação mais dura dos Estados Unidos na América do Sul, especialmente após ações do governo Donald Trump contra a Venezuela, tem acelerado a busca europeia por parceiros considerados mais previsíveis.

Pressão dos EUA aproxima Europa e Mercosul

Consultores em comércio exterior e direito internacional avaliam que o endurecimento da política externa americana acaba funcionando como um fator de aproximação entre europeus e sul-americanos. Em um ambiente global marcado por incertezas, a UE tende a fortalecer relações com regiões onde há maior estabilidade institucional e histórica cooperação econômica.

Nesse contexto, o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, surge como um parceiro estratégico, sobretudo diante da crescente influência da China na região, tanto como fornecedora de produtos industriais quanto como grande compradora de commodities.

Itália recua após pressão interna na UE

Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ, o apoio italiano representa um avanço relevante e reflete pressões internas dentro da própria União Europeia, que cobrava uma definição após sucessivos adiamentos liderados por Roma.

Segundo ele, o movimento também indica que a UE percebe estar perdendo espaço na América Latina e vê no acordo UE-Mercosul uma oportunidade de recuperar influência. A conjuntura envolvendo a Venezuela, afirma Barral, pode ter pesado nessa avaliação estratégica.

Acordo amplia projeção global da União Europeia

Na avaliação de Marcos Jank, professor e pesquisador sênior de agronegócio global no Insper, a assinatura do tratado ajudaria a União Europeia a manter relevância fora do continente em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo.

Ele destaca que o discurso recente dos Estados Unidos, ao tratar a América Latina como área de influência direta de Washington, tende a empurrar a Europa para mais perto do Mercosul, reforçando laços históricos e econômicos.

Jank ressalta ainda que, diferentemente da relação com a China, marcada por disputas hegemônicas explícitas, o acordo com o Mercosul é mais previsível, fruto de negociações longas e transparentes.

“Muito vantajoso para a Europa”, dizem diplomatas

Para Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha, a instabilidade do sistema internacional já vinha estimulando a Europa a buscar parceiros confiáveis, e a ofensiva americana contra a Venezuela apenas reforçou essa necessidade.

No caso italiano, Jaguaribe avalia que a primeira-ministra Giorgia Meloni sempre reconheceu a importância do acordo, mas adotou inicialmente uma postura cautelosa para administrar resistências internas e ampliar seu espaço de negociação política dentro da UE.

Segundo o diplomata, o acordo é estratégico porque oferece à Europa uma vantagem competitiva rara frente a potências como Estados Unidos e China, que não têm acesso ao mercado do Mercosul nas mesmas condições.

Jaguaribe afirma ainda que o movimento italiano tende a favorecer uma decisão mais pragmática dentro do bloco europeu, em um momento em que a UE enfrenta dificuldades para sustentar posições tradicionais no campo do direito internacional.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nicolas Tucat/AFP

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