Exportação

Brasil perde US$ 700 milhões em vendas de carne para os EUA: entenda o impacto

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam outubro com faturamento de US$ 1,897 bilhão, avanço de 37,4% na comparação com outubro de 2024. O volume embarcado também cresceu: foram 360,28 mil toneladas, alta de 12,8%. Mesmo com a perda estimada de US$ 700 milhões entre agosto e outubro nas vendas para os Estados Unidos, outros mercados compensaram a queda.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que analisa dados da Secex/MDIC, os números incluem carne bovina in natura, industrializada, miudezas comestíveis, sebo bovino e demais subprodutos da cadeia.

Receita recorde no acumulado do ano

De janeiro a outubro, o Brasil registrou recorde histórico de receita: US$ 14,655 bilhões, um crescimento de 36% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume exportado também atingiu marca inédita, chegando a 3,148 milhões de toneladas, aumento de 18%.

Queda forte nas vendas aos Estados Unidos

Embora seja o segundo maior comprador da carne brasileira, os Estados Unidos reduziram as importações após o tarifaço. Em outubro, as compras de carne bovina in natura recuaram 54%, somando US$ 58 milhões. A carne industrializada caiu 20,3% (US$ 24,9 milhões), enquanto sebo e gorduras bovinas despencaram 70,4% (US$ 5,7 milhões).

No acumulado de janeiro a outubro, porém, ainda há avanço: as vendas totais de produtos bovinos para os EUA cresceram 40,4%, atingindo US$ 1,796 bilhão — reflexo do ritmo forte antes da aplicação das tarifas.

Entre agosto e outubro, período em que as tarifas estiveram válidas, as exportações para o mercado norte-americano caíram 36,4%, resultando na perda de aproximadamente US$ 700 milhões.

A Abrafrigo avalia que, apesar de o aumento das vendas para outros países ter compensado o prejuízo, o Brasil poderia ter registrado desempenho ainda maior sem as tarifas impostas por Washington.

China mantém liderança e UE amplia compras

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. De janeiro a outubro de 2025, o país asiático gerou US$ 7,060 bilhões em receita e importou 1,323 milhão de toneladas, altas de 45,8% e 21,4%, respectivamente.

A União Europeia, tratada como mercado único, foi o segundo maior destino em outubro, com crescimento de 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O faturamento atingiu US$ 140 milhões. No acumulado do ano, as compras do bloco somaram US$ 815,9 milhões, avanço de 70,2%. O preço médio da carne bovina in natura enviada à região chegou a US$ 8.362 por tonelada.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Tecnologia

China pode ultrapassar os EUA na corrida da inteligência artificial? Entenda o cenário atual da disputa global

A indústria de inteligência artificial voltou a discutir quem está na dianteira da tecnologia: China ou Estados Unidos. A polêmica ressurgiu após o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmar recentemente que “a China vai vencer a corrida da IA”, provocando forte reação no setor.

Huang atribuiu a possível vantagem chinesa ao ambiente regulatório mais simples, ao acesso facilitado à energia e ao ritmo acelerado de construção de infraestrutura. Dias depois, porém, ele suavizou a declaração em uma nota publicada no X, dizendo que a China estaria apenas “nanosegundos atrás” dos EUA.

Mesmo com o recuo, a discussão ficou no ar — e especialistas apontam que há motivos concretos para levar a hipótese a sério.

Energia: o novo campo de batalha

Se vencer a corrida da IA depende principalmente da capacidade de construir e abastecer grandes data centers, a China aparece hoje com uma vantagem importante. O país tem histórico de executar projetos gigantescos com rapidez, beneficiado pelo papel central do governo na economia.

Além disso, a energia subsidiada e os trâmites regulatórios simplificados facilitam a operação de estruturas altamente intensivas em consumo elétrico — condição essencial na era da IA generativa.

Nos EUA, o cenário é bem diferente. Custos de energia mais altos, burocracia complexa e uma rede elétrica frequentemente sobrecarregada dificultam expansões rápidas. Há regiões onde empresas de tecnologia constroem até próprias usinas para suprir a demanda.

A situação já afeta grandes players: a Microsoft revelou ter GPUs encalhadas por falta de energia disponível para rodá-las. Para muitos analistas, o fornecimento elétrico será o maior gargalo da próxima década — e Pequim parece estar um passo à frente.

Avanço no código aberto acelera o crescimento chinês

Outro ponto sensível é o domínio crescente da China no código aberto. Um relatório da a16z mostrou que o país já superou os EUA em downloads de modelos de IA open source, um marco classificado como “momento gráfico de caveira”, quando um concorrente não apenas alcança o líder — mas começa a ultrapassá-lo.

Startups como a DeepSeek exemplificam esse avanço. O modelo R1, totalmente aberto, demonstrou alta eficiência e custo reduzido, reforçando a habilidade chinesa de otimizar e escalar soluções rapidamente. Pesquisas da DeepSeek e da Tencent mostram que o país está inovando em métodos alternativos, como compressão de texto em representações visuais e previsões vetoriais contínuas, que podem transformar a eficiência dos modelos.

Há quem acredite que laboratórios ocidentais como OpenAI e Anthropic utilizem conceitos semelhantes de forma discreta, mas as empresas chinesas têm divulgado seus avanços de maneira mais agressiva e transparente.

Afinal, a China já ultrapassou os Estados Unidos?

Ainda não há consenso. Embora os EUA mantenham vantagem em pesquisa de ponta, chips avançados e grandes laboratórios privados, a China demonstra capacidade estratégica para ganhar terreno rapidamente — especialmente ao combinar infraestrutura robusta, energia abundante e escala industrial.

No ritmo atual, analistas afirmam que o país está excepcionalmente bem posicionado para disputar a liderança global em inteligência artificial nos próximos anos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yoshikazu Tsuno/Gamma-Rapho/Getty Images/The New York Times Licensing Group

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Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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Internacional

Donald Trump sanciona fim do shutdown nos EUA: o que muda e os próximos passos

O presidente Donald Trump sancionou na noite de quarta-feira (12) o projeto de lei que encerra o shutdown mais longo da história dos Estados Unidos, que durou 43 dias. A assinatura ocorreu horas depois de a Câmara dos Representantes aprovar, por apenas 13 votos de diferença, o acordo que mantém o financiamento federal até 30 de janeiro.

Apesar do fim oficial da paralisação, o retorno à normalidade pode levar dias ou até semanas. Os órgãos federais já estão autorizados a reintegrar funcionários que estavam em licença não remunerada, mas a magnitude de alguns departamentos pode atrasar o processo.

Setores críticos ainda enfrentam atrasos

O sistema de aviação americano precisará de tempo para se reorganizar. Segundo o Departamento de Transportes, 40 aeroportos continuarão operando com redução de 6% no número de voos, mesmo após a retomada das atividades.

O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que as autoridades ainda avaliam quando será possível retomar o tráfego aéreo normalmente. “Se a equipe de segurança da FAA determinar que as tendências estão se movendo na direção certa, apresentaremos um plano para retomar as operações normais”, disse Duffy.

A redução nos voos foi anunciada devido à escassez de controladores de tráfego aéreo durante o shutdown. Desde a última sexta-feira, 7, mais de 10 mil voos foram cancelados, segundo o site de rastreamento FlightAware.

Auxílio-alimentação e pagamentos atrasados

O Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) também não será normalizado de imediato. O projeto sancionado prevê a retomada do benefício, mas não define um cronograma exato para os pagamentos. O Departamento de Agricultura informou que a maioria dos estados poderia disponibilizar os valores em até 24 horas, mas alguns locais podem enfrentar atrasos.

Além disso, o acordo garante a reversão das demissões promovidas durante o shutdown e protege os funcionários federais de novas dispensas até janeiro. Os salários retroativos estão assegurados pela Lei de Tratamento Justo dos Funcionários Públicos, de 2019.

Pontos pendentes no Congresso

Um dos principais pontos defendidos pelos democratas — a prorrogação do crédito tributário que reduz o custo dos planos de saúde — não foi incluído no projeto de lei. A medida deve ser discutida novamente no Congresso até meados de dezembro.

Segundo estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso, o impacto econômico do shutdown será parcialmente revertido, mas a paralisação causou uma perda permanente de cerca de US$ 11 bilhões à economia americana.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JovemPan News

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Exportação

Brasil registra recorde histórico nas exportações de carne bovina em outubro de 2025

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram 357 mil toneladas em outubro de 2025, o maior volume mensal desde o início da série histórica em 1997, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O número supera em 1,5% o recorde anterior, registrado em setembro, e representa uma alta de 18,7% em relação a outubro de 2024.

O faturamento também cresceu significativamente, alcançando US$ 1,9 bilhão, valor 39,1% superior ao mesmo mês do ano passado.

Crescimento contínuo e expectativa de novo recorde anual

Entre janeiro e outubro, o Brasil exportou 2,79 milhões de toneladas de carne bovina, somando US$ 14,31 bilhões em receita — aumentos de 16,6% em volume e 35,9% em valor na comparação anual.

Com esse desempenho, o país se mantém próximo ao recorde de 2024, quando exportou 2,89 milhões de toneladas e faturou US$ 12,8 bilhões. Segundo a Abiec, se o ritmo atual continuar, o recorde histórico anual poderá ser superado já em novembro, consolidando o Brasil como líder mundial nas exportações de carne bovina, com embarques realizados para 162 países em 2025.

Carne in natura domina as exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado, com 320,5 mil toneladas embarcadas em outubro e US$ 1,7 bilhão em receitas. O preço médio foi de US$ 5,5 mil por tonelada, representando quase 90% do volume total exportado e 93,5% do faturamento.

Outros produtos, como miúdos, carnes industrializadas, gorduras e carnes salgadas, também contribuíram para o resultado positivo.

Exportações para os Estados Unidos seguem firmes

Mesmo com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, o Brasil manteve suas exportações para o país. Embora tenha havido redução no ritmo desde agosto, o fluxo não foi interrompido.

Em outubro, os embarques somaram 12,9 mil toneladas, um avanço em relação a setembro (9,9 mil toneladas) e agosto (9,3 mil toneladas). A Abiec destacou que os EUA continuam sendo um mercado estratégico para a carne brasileira, graças à competitividade e regularidade do produto.

De janeiro a outubro, as exportações para os Estados Unidos totalizaram 232 mil toneladas e US$ 1,38 bilhão, altas de 45% em volume e 38% em valor em comparação ao mesmo período de 2024. Os números já superam todo o desempenho do ano passado, quando foram enviadas 229 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

A China manteve sua liderança nas compras, com 190,8 mil toneladas importadas em outubro e US$ 1,046 bilhão em negócios — o equivalente a 53% do volume e 55% da receita mensal.

Outros mercados de destaque foram:

  • União Europeia: 17 mil toneladas / US$ 140,4 milhões
  • Estados Unidos: 12,9 mil toneladas / US$ 83,1 milhões
  • Chile: 12,7 mil toneladas / US$ 72,3 milhões
  • Filipinas: 12,4 mil toneladas / US$ 56,3 milhões
  • México: 10,1 mil toneladas / US$ 56,2 milhões
  • Egito: 12,1 mil toneladas / US$ 53,9 milhões
  • Rússia: 11,8 mil toneladas / US$ 48,6 milhões
  • Arábia Saudita: 6,5 mil toneladas / US$ 34,7 milhões
  • Hong Kong: 7,8 mil toneladas / US$ 29,7 milhões

No acumulado do ano, a China segue na liderança absoluta, com 1,34 milhão de toneladas e US$ 7,1 bilhões — o que representa 48,1% do volume e 49,7% da receita total. Na sequência, aparecem Estados Unidos, México, Chile e União Europeia.

Os mercados que mais ampliaram suas compras em 2025 foram México (+213%), União Europeia (+109%), China (+75,5%), Rússia (+50,4%) e Estados Unidos (+45%), o que demonstra a diversificação e fortalecimento das exportações brasileiras, segundo a Abiec.

Setor confirma força e equilíbrio do mercado

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o desempenho histórico de outubro comprova a força do setor, a abertura de novos mercados e o equilíbrio entre exportações e abastecimento interno.

“O Brasil segue ampliando sua presença internacional com qualidade e regularidade de fornecimento, resultado do trabalho conjunto entre a indústria e o governo. É importante lembrar que apenas 30% da carne produzida no país é exportada, enquanto cerca de 70% abastece o mercado interno, o que demonstra a robustez do consumo doméstico e a capacidade do país de atender à demanda mundial”, destacou.

A Abiec reúne 47 empresas responsáveis por 98% das exportações de carne bovina do Brasil.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Exportação

Exportações da China caem inesperadamente em meio à queda contínua dos preços

Após meses de forte demanda, as exportações da China recuaram de forma inesperada em outubro — a primeira queda em oito meses — em meio à queda nos preços de muitos de seus principais produtos, como carros, painéis solares e baterias.

De acordo com a Administração Geral de Alfândegas da China, o valor das exportações chinesas caiu 1,1% em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Economistas ocidentais esperavam que o país registrasse mais um mês de crescimento.

Mesmo com a guerra comercial com os Estados Unidos e o aumento de tarifas em países em desenvolvimento como Brasil, Índia e Turquia, preocupados com o impacto de produtos chineses baratos em suas indústrias locais, as exportações chinesas vinham crescendo fortemente ao longo do ano. Até outubro, as vendas para outras regiões do mundo haviam compensado a queda no comércio com os EUA. A China ainda caminha para registrar superávit comercial recorde pelo segundo ano consecutivo.

O volume físico das exportações aumentou de forma expressiva em 2024, impulsionado pelo avanço de automóveis, eletrônicos, eletrodomésticos e outros bens. No entanto, o valor total exportado não acompanhou o mesmo ritmo, já que muitas empresas chinesas estão reduzindo preços para escoar o excesso de produção.

As exportações chinesas para a União Europeia, América Latina, África e Sudeste Asiático enfraqueceram em outubro. Além disso, a composição das vendas externas vem mudando: cresce a participação de carros e painéis solares, cujos preços despencaram, enquanto produtos de baixa tecnologia, como móveis e roupas, perdem espaço.

O número de carros exportados subiu quase 25% em outubro, mas o valor dessas exportações aumentou apenas 17%, refletindo a queda dos preços.

As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, por outro lado, tiveram efeito menor no último mês. As exportações para o mercado americano caíram menos em outubro do que nos dois meses anteriores. Há ainda indícios de que empresas chinesas estejam contornando as tarifas, enviando produtos para outros países antes de chegarem aos EUA.

“O aumento da participação das exportações chinesas destinadas ao Vietnã, o principal centro de redirecionamento, sugere que o impacto das tarifas continuou a ser compensado”, explicou Zichun Huang, economista da Capital Economics, em relatório. “Ou seja, o peso das tarifas americanas parece estar diminuindo, não aumentando.”

Mesmo assim, a China continua exportando mais de três vezes o que importa dos Estados Unidos, o que tem ajudado Pequim a sustentar o emprego industrial e fortalecer a economia, apesar da crise prolongada do setor imobiliário, que abalou as finanças de muitas famílias chinesas.

Com os consumidores reticentes em gastar após perdas financeiras significativas, parte da produção doméstica tem sido redirecionada para o mercado externo.

A ligeira valorização do yuan (renminbi) frente ao dólar nos últimos meses pode ter prejudicado a competitividade dos produtos chineses, tornando-os mais caros em alguns mercados. Por outro lado, a moeda se desvalorizou cerca de 7% em relação ao euro no último ano, o que beneficiou as exportações destinadas à União Europeia.

O banco Goldman Sachs observou que o desempenho mais fraco das exportações também pode ter sido influenciado por um fator pontual: outubro teve um dia útil a menos neste ano em relação a 2023.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qilai Shen para o The New York Times

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Agronegócio

Acordo entre Estados Unidos e China pode causar impacto maior no agronegócio brasileiro do que o tarifaço

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), pode representar um desafio para o agronegócio brasileiro. O entendimento prevê a retomada das compras de soja americana pelo país asiático — uma decisão que tende a reduzir a demanda pela commodity produzida no Brasil. Especialistas avaliam que o efeito pode ser mais negativo ao agro nacional do que o recente tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

China volta a comprar soja dos EUA

Durante declaração a jornalistas, o presidente Donald Trump afirmou que a China se comprometeu a adquirir “quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas” dos Estados Unidos. Segundo ele, as compras devem começar imediatamente. O anúncio foi feito a bordo do Air Force One, após encontro com o presidente Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.

“Estamos de acordo em muitos pontos. Grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou Trump.

O acordo marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre as duas potências, que vinham travando uma guerra tarifária desde o início do ano.

Brasil pode perder espaço no mercado chinês

Com o agravamento da disputa comercial entre EUA e China nos últimos meses, os chineses haviam suspenso totalmente a compra de soja americana, o que beneficiou diretamente o Brasil, principal fornecedor do grão ao mercado global. A abertura do mercado chinês aos produtos norte-americanos pode, portanto, reduzir o volume de exportações brasileiras e pressionar os preços internos.

Analistas do setor destacam que a China é o maior comprador de soja do mundo, e qualquer mudança em sua política de importação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente nos estados produtores como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A retomada das importações de soja dos EUA, aliada ao aumento da oferta global, pode provocar queda nas cotações internacionais e afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Efeitos no comércio agrícola internacional

O acordo também tem potencial para reconfigurar o comércio mundial de commodities agrícolas, alterando o equilíbrio de forças entre os grandes exportadores. O Brasil, que se consolidou como principal fornecedor de soja à China durante o período de tensões comerciais, pode ver sua participação no mercado asiático diminuir caso os chineses ampliem as compras dos EUA.

Enquanto isso, os agricultores brasileiros acompanham com cautela as negociações e aguardam detalhes sobre os volumes e prazos de compra previstos no acordo. A expectativa é de que o impacto seja sentido nas próximas safras, caso os embarques norte-americanos se intensifiquem.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gazeta do Povo

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Comércio Exterior

Queda de 37,9% das exportações aos EUA ascende luz amarela para Amcham Brasil

A queda de 37,9% nas exportações do Brasil aos Estados Unidos em outubro reforça a urgência de avanços nas negociações bilaterais, avalia a Amcham Brasil, em nota.

A redução foi a mais acentuada desde a entrada em vigor das tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, em agosto de 2025, acrescenta a instituição.

“Essa retração, a terceira consecutiva, evidencia a intensificação dos efeitos negativos das tarifas sobre o fluxo comercial entre os dois países, impactando cadeias produtivas integradas, investimentos e empregos em ambas as economias. Esses efeitos se somam à menor demanda nos Estados Unidos e à redução de preços internacionais para alguns produtos, como petróleo e derivados”, afirma.

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a forte contração nas exportações brasileiras para o mercado americano em outubro reforça a urgência de uma solução para normalizar o comércio bilateral. “É essencial que o valioso impulso político gerado pelo recente encontro entre os presidentes Lula e Trump seja aproveitado para alavancar avanços concretos nas negociações entre os dois países”, diz.

FONTE: Istoé Dinheiro
IMAGEM: Reprodução/Istoé

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Comércio Exterior

Exportações para os EUA caem 38% em outubro após tarifaço, mas saldo comercial do Brasil segue positivo

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 38% em outubro, totalizando US$ 2,21 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo período, as importações de produtos norte-americanos cresceram 9,6%, alcançando US$ 3,97 bilhões.

Com isso, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 1,76 bilhão com os EUA, o décimo mês consecutivo em que o país compra mais do que vende para o parceiro americano. O último superávit ocorreu em dezembro do ano passado, no valor de US$ 468 milhões.

Déficit acumulado supera US$ 7 bilhões no ano

Entre janeiro e outubro, o déficit comercial com os Estados Unidos ultrapassou US$ 7 bilhões, o que representa alta superior a 400% em relação ao mesmo período de 2024, quando somava US$ 1,38 bilhão.

Os dados do MDIC mostram ainda que, nos últimos 16 anos, o Brasil acumula déficits sucessivos com os EUA, totalizando US$ 88,6 bilhões desde 2009.

Superávit com outros parceiros mantém balança positiva

Apesar da queda nas exportações para os Estados Unidos, o Brasil ampliou as vendas para outros mercados importantes, como:

  • China (+33,4%)
  • União Europeia (+7,6%)
  • Mercosul (+14,3%)

Esses resultados garantiram um superávit de US$ 6,96 bilhões na balança comercial de outubro, crescimento de 70% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho foi o melhor para o período desde 2023, quando o saldo foi de US$ 9,18 bilhões.

As exportações totais atingiram US$ 31,97 bilhões, alta de 9,1%, enquanto as importações recuaram 0,8%, somando US$ 25 bilhões. No acumulado do ano, o superávit comercial brasileiro chega a US$ 52,4 bilhões, embora ainda 16,6% abaixo do resultado de 2024.

Tarifaço de Trump pressiona comércio bilateral

A queda nas exportações ocorre após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou as tarifas de importação de produtos brasileiros em até 50%, afetando cerca de 36% das vendas externas ao país.

O aumento das tarifas, implementado de forma gradual desde agosto, foi justificado por motivos econômicos e políticos, incluindo alegações de “déficit comercial com o Brasil” e críticas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para reduzir os impactos, o governo brasileiro lançou um pacote de apoio às empresas afetadas, com linha de crédito de R$ 30 bilhões condicionada à manutenção de empregos.

Negociações entre Lula e Trump seguem em curso

No fim de outubro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram para discutir o tema. Apesar do diálogo, as sobretaxas americanas continuam em vigor, e ainda não há previsão de revisão das medidas.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sandro Menezes/Governo do RN

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta novos desafios no mercado asiático

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma viagem à Indonésia e à Malásia, onde participou da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). A visita reforçou o interesse do governo em ampliar a presença do agronegócio brasileiro na Ásia, considerada a região mais dinâmica da economia mundial.

Apesar do potencial, o crescimento das exportações brasileiras na região pode ocorrer em ritmo mais lento do que o previsto. No mesmo período, o ex-presidente americano Donald Trump também esteve na Ásia e conseguiu garantir concessões comerciais de vários países por meio de medidas tarifárias, fortalecendo o posicionamento dos Estados Unidos no comércio internacional.

Soja brasileira perde espaço para os EUA

A política comercial americana tem impactado diretamente as exportações do Brasil, especialmente de soja. Após uma trégua entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, a China retomou a compra de soja dos Estados Unidos, com um acordo que prevê 12 milhões de toneladas até o fim do ano e 25 milhões anuais até 2028.

No curto prazo, isso significa que o país asiático deve reduzir as importações de soja brasileira, priorizando o produto americano até a entrada da nova safra do Brasil, prevista para fevereiro. A expansão brasileira em outros mercados asiáticos também pode ser afetada, incluindo o farelo de soja.

Carne e algodão na disputa internacional

Além da soja, os produtores americanos de carne e algodão têm criticado o avanço do Brasil na Ásia. O país é o maior exportador mundial de carne bovina e pode ultrapassar os EUA também em produção total neste ano. Atualmente, 32% da carne bovina e 35% da carne suína produzidas no Brasil são exportadas, com destaque para China, México, Canadá e Filipinas.

No setor têxtil, o Brasil triplicou sua produção de algodão desde 2010, tornando-se o maior exportador global. Produtores norte-americanos afirmam que a concorrência brasileira se baseia em preços mais competitivos e pressionam o governo dos EUA por apoio político e econômico.

Comércio global cada vez mais politizado

Durante o Brazil Commodities Forum, realizado em Genebra, especialistas alertaram que o cenário de tarifas e políticas protecionistas — impulsionado pelo lema “America First” — começa a reverter oportunidades antes abertas ao Brasil. Países como Japão, Reino Unido e nações do Sudeste Asiático voltaram a comprar mais produtos americanos, muitas vezes por razões políticas e não comerciais.

A demanda chinesa por commodities se estabilizou, enquanto o custo das terras agrícolas brasileiras segue alto. Mesmo com maior eficiência produtiva, o país enfrenta taxas de juros elevadas, o que encarece o crédito e limita novos investimentos.

Sustentabilidade e competitividade como novos pilares

Para a advogada Heloisa Slav, especialista em commodities e organizadora do fórum, o futuro do agro brasileiro dependerá de três fatores principais:

  1. Manter o baixo custo e a alta escala de produção;
  2. Comprovar sustentabilidade em mercados com padrões cada vez mais exigentes;
  3. Equilibrar relações comerciais com China e Estados Unidos, mesmo em um ambiente global instável.

As novas exigências da União Europeia e dos EUA, que incluem produção livre de desmatamento, rastreabilidade e baixo carbono, tornam a sustentabilidade um diferencial competitivo. Nesse contexto, o Brasil tem potencial para se consolidar como fornecedor preferencial, unindo eficiência econômica e responsabilidade ambiental.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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