Tecnologia

IA: disputa entre Estados Unidos e China ganha força por modelos abertos

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial (IA) ganhou uma nova dimensão. Enquanto Washington busca preservar sua vantagem tecnológica e ampliar alianças para reduzir a dependência de fornecedores chineses, Pequim aposta em modelos mais acessíveis e de código aberto para ampliar sua presença internacional.

Os avanços registrados pela IA chinesa no último ano aumentaram a percepção de que a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos pode estar diminuindo. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que os EUA estão à frente da China no setor e defendeu a manutenção dessa vantagem.

A competição, que envolve tecnologia, economia e segurança nacional, passou a ser tratada pelos dois países como uma questão estratégica de longo prazo.

EUA apostam em alianças para conter avanço chinês

Os Estados Unidos ainda contam com vantagens importantes, como empresas líderes em desenvolvimento de IA, acesso aos chips mais avançados e um mercado de capitais capaz de financiar grandes projetos tecnológicos.

Washington também vem buscando ampliar sua influência sobre as cadeias globais de suprimentos de IA, incentivando outros países a se aproximarem de seu ecossistema tecnológico.

A China, entretanto, apresenta uma estratégia diferente. Embora seus modelos mais avançados ainda sejam considerados inferiores a alguns sistemas americanos, empresas chinesas têm reduzido essa diferença e apostado em alternativas de menor custo e maior acessibilidade.

China amplia coalizão em torno da IA aberta

Em julho, o presidente chinês Xi Jinping lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa apresentada como alternativa à Pax Silica, aliança criada por Trump para reduzir a dependência da China nas cadeias de fornecimento relacionadas à IA.

Enquanto mais de 20 países e a União Europeia aderiram à Pax Silica, a iniciativa chinesa reuniu 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão.

Um dos principais diferenciais da estratégia chinesa é a defesa de modelos de IA abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados pelos usuários sem a necessidade de contratar serviços caros de empresas estrangeiras.

Para desenvolvedores de países do Sul Global, essa característica pode ser especialmente relevante. Modelos como os da DeepSeek e da Moonshot podem oferecer custos menores e maior flexibilidade em comparação com sistemas proprietários que exigem assinaturas e infraestrutura de provedores estrangeiros.

Modelos chineses ganham espaço no mercado global

Dados do ranking de modelos da OpenRouter indicam uma forte expansão do uso de modelos chineses de inteligência artificial. Segundo os dados citados na análise, a participação dessas ferramentas no uso global passou de menos de 15% para mais de 54% em aproximadamente um ano.

A adoção também alcançou empresas americanas. Companhias como Airbnb, DoorDash e Shopify passaram a utilizar modelos chineses, atraídas principalmente por fatores como custo e possibilidade de personalização.

Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, avalia que empresas podem preferir diversificar fornecedores em vez de escolher exclusivamente entre tecnologia americana ou chinesa.

A infraestrutura chinesa já presente em mercados emergentes, especialmente nos setores de telecomunicações, computação em nuvem e hardware, também pode facilitar a expansão desses modelos.

O que significa vencer a corrida da IA?

A própria definição de liderança em inteligência artificial ainda não é consensual. Diferentes critérios — como capacidade técnica, número de usuários, participação de mercado ou geração de lucro — podem produzir resultados distintos.

Uma empresa pode ter menos usuários e, ainda assim, concentrar uma parcela maior dos lucros de determinado mercado. O mesmo poderia ocorrer com a IA, caso empresas americanas mantenham a liderança financeira enquanto sistemas chineses conquistem uma base maior de usuários.

Além disso, à medida que os modelos evoluem, as diferenças de desempenho entre as principais plataformas podem se tornar menos relevantes para consumidores e empresas que não necessitam dos sistemas mais avançados.

Nesse cenário, usuários e companhias podem ter de escolher entre modelos mais sofisticados e caros ou alternativas de menor custo que ofereçam desempenho suficiente para suas necessidades.

Abertura dos modelos chineses pode ter limites

A estratégia chinesa baseada em IA de código aberto também enfrenta limitações. Especialistas avaliam que Pequim pode restringir o acesso aos modelos mais avançados à medida que eles adquiram capacidades consideradas sensíveis.

Na conferência de IA realizada na China em julho, Xi Jinping defendeu maior abertura e cooperação tecnológica, mas também ressaltou a necessidade de regulamentação e controle humano.

Para Alex Colville, analista do Instituto Australiano de Política Estratégica, a segurança nacional continuará sendo um fator determinante para o governo chinês.

Uma possibilidade seria a adoção de regras de licenciamento que limitem os locais e as situações em que determinados modelos podem ser utilizados, em vez de uma proibição generalizada.

Assim, a tendência pode ser a coexistência de modelos abertos e fechados de IA na China, com diferentes níveis de acesso conforme a aplicação e o grau de sensibilidade tecnológica.

Países buscam IA soberana

O avanço dos modelos abertos chineses também despertou interesse de desenvolvedores e governos que buscam ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Essa estratégia permite que países e empresas utilizem modelos existentes como ponto de partida para desenvolver soluções próprias, sem necessariamente se alinhar integralmente aos Estados Unidos ou à China.

O futuro dessa abordagem, porém, dependerá de quanto tempo os modelos chineses mais avançados permanecerão disponíveis de forma aberta.

Especialistas também avaliam que Pequim poderá estabelecer limitações para impedir usos considerados capazes de gerar riscos à segurança cibernética ou aos interesses nacionais.

EUA acusam empresas chinesas de usar tecnologia americana

A redução da distância tecnológica entre os dois países ocorre em meio ao aumento da desconfiança entre Washington e Pequim.

Autoridades e empresas americanas acusam laboratórios chineses de utilizar informações provenientes de sistemas dos Estados Unidos para aperfeiçoar seus próprios modelos, em um processo conhecido como destilação.

Anthropic e OpenAI divulgaram relatórios com acusações desse tipo. Em um documento publicado recentemente, a Anthropic afirmou que DeepSeek e Moonshot teriam encaminhado algumas solicitações de usuários ao Claude para utilizar essas informações no treinamento e aprimoramento de seus próprios modelos.

O governo chinês rejeitou repetidamente as acusações. DeepSeek e Moonshot não responderam aos pedidos de comentário mencionados na análise.

Empresas americanas divergem sobre restrições

Washington também avalia medidas que poderiam impor sanções ou restrições aos modelos chineses de código aberto.

A possibilidade, contudo, encontra resistência dentro do próprio setor tecnológico americano. Nvidia, Meta, Microsoft e outras empresas assinaram, em julho, uma carta contra restrições amplas aos modelos de código aberto.

O posicionamento evidencia uma diferença entre parte da indústria de tecnologia dos Estados Unidos e a estratégia defendida pelo governo americano para lidar com a competição chinesa.

Cúpula Trump-Xi teve poucos avanços na área de IA

Apesar da crescente preocupação internacional com os riscos e impactos da inteligência artificial, a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping produziu poucos resultados concretos relacionados à tecnologia.

Os dois governos discutiram a criação de um canal de comunicação e a continuidade do diálogo sobre riscos, benefícios e uso responsável da IA.

A cooperação, porém, permanece limitada pela desconfiança existente entre as duas potências. Para especialistas, Pequim continua interpretando as políticas americanas de controle de exportações e restrição tecnológica como parte de uma estratégia para conter o desenvolvimento chinês.

A disputa pela liderança em IA, portanto, não se resume à capacidade de criar modelos mais avançados. Envolve também custos, acesso, infraestrutura, segurança, usuários, alianças internacionais e controle sobre as tecnologias consideradas estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Lee/Illustration/Reuters

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Comércio Internacional

China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias

China e Estados Unidos chegaram a um acordo para reduzir tarifas de importação sobre cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. A medida contempla produtos como milho, cosméticos, eletrodomésticos, brinquedos e itens para o lar.

Por meio do Conselho de Comércio EUA-China, cada país indicou US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis para receber um tratamento tarifário mais favorável. A informação foi divulgada no domingo pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo Greer, a iniciativa deve ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês e alcançar aproximadamente 30% das exportações dos EUA destinadas à China.

Redução de tarifas faz parte de nova trégua comercial

A redução recíproca de tarifas está entre os principais resultados da segunda reunião realizada neste ano entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

O encontro também resultou na extensão da trégua comercial entre China e EUA, com o objetivo de manter as negociações econômicas e comerciais em andamento.

Uma das listas divulgadas pela Casa Branca prevê que Pequim reduza tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja, porém, ficou de fora dessa relação.

A China também pretende diminuir as tarifas aplicadas a peixes e frutos do mar, madeira e toras, cosméticos e dispositivos médicos provenientes dos Estados Unidos.

Na direção oposta, os Estados Unidos planejam reduzir tarifas sobre uma série de produtos chineses. Entre eles estão pequenos eletrodomésticos, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores e roupas de cama.

A lista norte-americana inclui ainda brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, iluminação para árvores de Natal, outros artigos de decoração festiva e cadeirinhas infantis para automóveis.

Trégua comercial é prorrogada por dois meses

O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira que a trégua comercial será estendida por dois meses, até 10 de janeiro. O período permitirá que os dois governos avaliem os compromissos já firmados e discutam os próximos passos nas relações econômicas.

Segundo a pasta, a extensão do acordo cria um ambiente considerado mais estável e previsível para empresas dos dois países, além de favorecer a continuidade das negociações.

China e Estados Unidos também deverão manter conversas regulares sobre oportunidades e obstáculos relacionados a investimentos. A intenção é ampliar a transparência das políticas, aumentar a previsibilidade regulatória e responder às preocupações apresentadas pelo setor empresarial.

Agricultura ganha espaço nas negociações

A seleção dos produtos chineses que terão tarifas reduzidas está relacionada, segundo a Casa Branca, ao compromisso de Pequim de adquirir US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA.

A China já retomou compras em grande escala de soja norte-americana, dentro de um acordo firmado no ano passado que prevê a aquisição anual de 25 milhões de toneladas métricas do produto.

Os dois governos também vão criar um grupo de trabalho dedicado à agricultura, subordinado ao Conselho de Comércio EUA-China. A primeira reunião está prevista para ocorrer antes do fim do ano e deverá tratar de acesso aos mercados e questões regulatórias.

China prevê novas compras de carvão dos EUA

Outro resultado da reunião de Xi Jinping e Donald Trump foi o compromisso chinês de importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028.

De acordo com a Casa Branca, o volume corresponde a aproximadamente 2% das importações anuais de carvão realizadas pela China.

O Ministério do Comércio chinês afirmou que a compra de carvão norte-americano poderá complementar o abastecimento do mercado doméstico e, ao mesmo tempo, gerar receita e empregos para o setor de mineração dos Estados Unidos.

Petróleo e gás natural liquefeito (GNL) não aparecem entre os produtos contemplados pelas listas de redução tarifária.

Inteligência artificial e serviços financeiros entram na pauta

As negociações também avançaram em áreas que vão além das tarifas comerciais. China e Estados Unidos concordaram em estabelecer um canal de comunicação para tratar de eventuais incidentes relacionados à inteligência artificial (IA).

Os dois países também deverão realizar um novo diálogo sobre o tema até o fim de novembro.

No setor financeiro, Pequim informou que avaliará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, interessadas em atuar e abrir filiais na China.

Além disso, os governos manterão comunicação sobre a ampliação da oferta de voos diretos entre China e Estados Unidos, segundo o Ministério do Comércio chinês.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Internacional

Trump diz que se reunirá com Xi Jinping na China em novembro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última sexta-feira que terá um novo encontro com o presidente da China, Xi Jinping, em novembro, durante uma visita ao território chinês.

Segundo Trump, os dois líderes também deverão se reunir em dezembro, durante a cúpula do G20, que será realizada na Flórida.

Encontros entre Trump e Xi devem continuar

A declaração foi feita após a passagem de Xi por Washington nesta semana. Trump classificou a visita do líder chinês como um sucesso e afirmou que os dois países avançaram em diferentes pontos durante as conversas.

O novo encontro previsto para novembro deverá ocorrer na China, enquanto a reunião seguinte está programada para dezembro, no âmbito da agenda do G20 na Flórida.

Relação entre EUA e China segue no foco

A sequência de reuniões entre Trump e Xi ocorre em meio às negociações e divergências que marcam as relações entre as duas maiores economias do mundo.

Os encontros previstos para os próximos meses devem manter no centro da agenda temas relacionados às relações comerciais entre EUA e China e à cooperação bilateral.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Peng Liyuan ganha destaque em visita de Xi aos EUA como símbolo de soft power chinês

Durante a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, encerrada nesta sexta-feira, a primeira-dama da China, Peng Liyuan, ocupou um papel de destaque na agenda diplomática. Sua presença ajudou a projetar uma imagem mais acessível da China em meio às divergências entre Washington e Pequim sobre temas como comércio e Taiwan.

Peng conversou em inglês com a primeira-dama americana, Melania Trump, sem recorrer a intérprete. Ela também participou de uma homenagem no Museu Nacional de Arte Asiática do Smithsonian, em Washington, onde acompanhou discretamente a apresentação de um coral juvenil que interpretou a tradicional canção chinesa “Flor de Jasmim”.

Primeira-dama chinesa aproxima culturas

A participação de Peng foi apresentada como um exemplo de soft power, conceito associado ao uso de elementos culturais e sociais para ampliar a influência e melhorar a percepção de um país no exterior.

Após a apresentação, os jovens do coral agradeceram à primeira-dama chinesa. O embaixador da China em Washington, Xie Feng, publicou nas redes sociais imagens do encontro e ressaltou a atuação de Peng.

Segundo o diplomata, ela incentivou os adolescentes americanos a continuarem estudando a língua e a cultura chinesas, além de estimulá-los a atuar como representantes da amizade entre os dois países.

Para Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China, a presença de Peng contribui para apresentar uma dimensão mais pessoal das relações entre os governos americano e chinês.

Atuação contrasta com tensão entre China e EUA

A estratégia ocorre em um momento de relações marcadas por disputas entre China e Estados Unidos. Questões comerciais e o futuro de Taiwan estão entre os principais pontos de divergência entre as duas potências.

Nesse contexto, a agenda de Peng cria oportunidades para encontros de caráter cultural e educacional, afastados dos temas mais sensíveis tratados diretamente pelos governos.

O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu a um pedido de comentário sobre a recepção da primeira-dama em Washington.

Vida pessoal de líderes chineses é pouco exposta

Apesar da visibilidade de Peng nos Estados Unidos, discussões públicas sobre sua atuação e suas escolhas pessoais permanecem restritas na internet chinesa.

Buscas relacionadas ao estilo da primeira-dama e ao seu domínio do inglês na plataforma chinesa Red Note não apresentaram resultados, segundo a reportagem.

A discrição envolvendo as esposas dos principais líderes chineses tem raízes históricas. Durante décadas, as primeiras-damas do país mantiveram uma exposição pública limitada, em parte devido à experiência de Jiang Qing, viúva de Mao Tsé-Tung.

Jiang foi integrante do chamado “Bando dos Quatro” e exerceu grande influência durante a Revolução Cultural chinesa, entre 1966 e 1976. Condenada à morte em 1981, posteriormente teve a pena convertida em prisão perpétua.

De cantora militar a figura diplomática

Antes de assumir maior projeção ao lado de Xi, Peng Liyuan era conhecida principalmente na China por sua carreira como cantora soprano vinculada às Forças Armadas.

Com a ascensão política de Xi no início dos anos 2000, a imprensa estatal passou a acompanhar com maior frequência as atividades públicas de Peng.

Em entrevista concedida a uma revista estatal em 2007, ela descreveu a relação com Xi de maneira pessoal, afirmando que, em casa, não o enxergava como uma autoridade, mas como seu marido.

Na ocasião, Peng caracterizou Xi como uma pessoa econômica, trabalhadora e simples.

Causas sociais também fazem parte de sua atuação

Peng também passou a se envolver em iniciativas sociais, incluindo campanhas relacionadas a temas considerados sensíveis na China, como a situação de pessoas que vivem com HIV/Aids.

Sua atuação pública ampliou o papel da primeira-dama chinesa como representante de iniciativas culturais e sociais, além das aparições protocolares ligadas às atividades oficiais de Xi.

Peng é a segunda esposa do presidente chinês. O casal tem uma filha, que estudou em Harvard. Xi havia sido anteriormente casado com a filha de um diplomata chinês.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Finn Gomez/Pool via REUTERS

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Internacional

EUA ampliam preparativos militares diante de possível ação em torno de Cuba

As Forças Armadas dos Estados Unidos avançaram em preparativos que poderiam estar relacionados a uma eventual ação militar em torno de Cuba, segundo reportagem da CBS News publicada na sexta-feira. A emissora afirma ter baseado as informações em uma comunicação interna do Exército americano e em relatos de autoridades.

O documento obtido pela CBS não menciona diretamente Cuba nem determina a mobilização de tropas. Segundo fontes ouvidas pela emissora sob condição de anonimato, porém, a solicitação faria parte do planejamento militar que vem sendo desenvolvido em relação à ilha.

Exército busca informações sobre unidades disponíveis

Segundo a reportagem, uma mensagem enviada em nome da Reserva do Exército dos EUA solicita informações sobre a disponibilidade de seis tipos de unidades que poderiam atuar sob o Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pela área que inclui América Central, América do Sul e Caribe.

Entre as unidades mencionadas estão uma brigada de polícia militar, uma brigada médica e um batalhão de engenharia. Também aparecem equipes especializadas em logística e abastecimento, além de uma unidade com capacidade para realizar cirurgias de emergência e atendimento a traumas nas proximidades das forças empregadas.

A comunicação, que teria sido preparada na semana anterior, indica que esse contingente poderia ser necessário dentro de um prazo de 90 a 120 dias. A resposta sobre a disponibilidade das unidades foi solicitada até 25 de setembro.

A Reserva do Exército não respondeu aos questionamentos apresentados pela CBS News.

Comando Sul evita comentar possíveis mobilizações

Procurado pela emissora, um porta-voz do Comando Sul dos EUA afirmou que a instituição não divulga detalhes sobre movimentações operacionais ou possíveis cronogramas de mobilização relacionados a operações atuais, futuras contingências ou atividades de planejamento.

O representante acrescentou que o comando mantém coordenação permanente com a Força Conjunta para avaliar diferentes necessidades dentro de sua área de responsabilidade e dar suporte às missões atribuídas.

Operações de reconhecimento já ocorreram na região

O planejamento envolvendo Cuba ocorre em meio a outras iniciativas militares adotadas por Washington ao longo de 2026, segundo a CBS.

A emissora relata que forças americanas realizaram operações de reconhecimento submarino e marítimo nas proximidades de Cuba. Componentes da Força Aérea dos EUA também teriam sido colocados em nível elevado de prontidão para uma eventual mobilização.

Até o momento, entretanto, os planos mencionados pela reportagem não teriam sido executados.

Opções militares contra Cuba já foram avaliadas

Em maio, a CBS informou que integrantes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos haviam analisado possíveis reações de Cuba diante de uma eventual invasão americana.

No mês seguinte, a emissora relatou que uma das alternativas estudadas pelas autoridades americanas envolvia um assalto aéreo com milhares de militares da 101ª Divisão Aerotransportada.

Na ocasião, autoridades ressaltaram que a elaboração de cenários militares não significava necessariamente uma decisão do presidente Donald Trump ou do Pentágono pela realização de uma operação.

Pressão econômica e política sobre Havana aumenta

A movimentação militar ocorre paralelamente ao aumento da pressão econômica e política dos Estados Unidos sobre Cuba. O governo Trump adotou novas sanções contra entidades e autoridades cubanas.

Na avaliação anual de ameaças de 2026 da comunidade de inteligência americana, Cuba também foi descrita principalmente como um ambiente que favorece a atuação de potências como China e Irã, em vez de ser apresentada como uma ameaça estratégica independente.

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Trump afirmou nesta semana que pretende promover uma “mudança fundamental” em Cuba. O presidente americano também declarou que o governo comunista da ilha “cairá” e disse que a liberdade chegará ao país.

Durante a fala do presidente americano, a delegação cubana deixou o plenário das Nações Unidas.

Trump já havia falado em “tomar Cuba”

As declarações recentes se somam a manifestações anteriores do presidente americano sobre Cuba.

Em março, Trump afirmou a jornalistas no Salão Oval que acreditava que teria “a honra de tomar Cuba”. Na mesma ocasião, declarou que poderia “libertá-la” ou “tomá-la”, segundo as declarações reproduzidas na reportagem.

Ainda naquele mês, após mencionar ações dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã, Trump afirmou: “Cuba será a próxima”.

Em janeiro, forças americanas realizaram uma operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e levá-lo aos Estados Unidos, onde ele passou a responder a acusações que incluem envolvimento com cartéis de drogas.

Governo cubano promete reagir a eventual ataque

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país reagiria a qualquer eventual ataque dos Estados Unidos. O governo cubano também acusa Washington de conduzir uma “guerra econômica” contra a ilha.

Até o momento, os elementos descritos na reportagem indicam a existência de planejamento e preparação militar, mas não constituem, por si só, uma confirmação de que os Estados Unidos tenham decidido realizar uma intervenção militar em Cuba.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Reprodução/Comando Sul dos EUA

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Exportação

Tarifaço dos EUA gera reembolsos milionários para exportadores brasileiros

O reembolso do tarifaço dos Estados Unidos já começou a impactar os resultados financeiros de empresas brasileiras com operações no país. No segundo trimestre, companhias como Embraer e Taurus reconheceram valores recuperados após a revisão de tributos de importação.

A próxima etapa dos ressarcimentos, porém, foi adiada pelo U.S. Customs and Border Protection (CBP), a alfândega americana. O novo cronograma prevê o início do processo em 6 de outubro. A medida envolve bilhões de dólares em possíveis devoluções e, para exportadores brasileiros, os valores podem alcançar centenas de milhões de reais.

Embraer registra R$ 358,6 milhões em recuperação

A Embraer contabilizou R$ 358,6 milhões no segundo trimestre relacionados à recuperação de tributos de importação nos Estados Unidos.

Segundo avaliação da XP, o valor recebido, somado à isenção concedida a aviões e peças na versão mais recente do tarifaço americano, contribuiu para que a companhia elevasse sua projeção de margem de lucro para este ano.

Procurada pelo Valor, a Embraer não comentou o assunto.

Taurus recupera R$ 91,1 milhões

Outra empresa brasileira beneficiada foi a Taurus, que reconheceu R$ 91,1 milhões em reembolsos no período. O montante corresponde a quase todo o valor solicitado pela fabricante.

O diretor-presidente da companhia, Salesio Nuhs, afirmou que a empresa se preparou para solicitar os valores diante da possibilidade de reversão das tarifas na Justiça americana.

O processo também foi facilitado pelo modelo de operação da Taurus. A companhia exporta seus produtos para uma subsidiária nos Estados Unidos, que foi responsável por solicitar o ressarcimento.

O mercado americano representa mais de 80% das vendas de armas da fabricante e, por isso, tem peso significativo nos negócios da empresa.

WEG pode receber até R$ 230 milhões

A WEG também aparece entre as empresas brasileiras com potencial de recuperação de valores pagos durante o tarifaço.

Em relatório recente, o J.P. Morgan estimou que a fabricante catarinense poderá receber entre R$ 170 milhões e R$ 230 milhões em reembolsos. Segundo os cálculos do banco, o valor poderia representar até 9% do Ebitda projetado para a companhia no terceiro trimestre.

A WEG foi inicialmente submetida à tarifa de 10% e posteriormente à sobretaxa de 40%. Parte de seus produtos foi retirada da lista de itens taxados, enquanto outros permaneceram sujeitos à alíquota máxima.

A empresa não informou publicamente se solicitou o ressarcimento ao governo americano.

Empresas americanas também recebem bilhões

O impacto dos reembolsos do tarifaço também foi significativo entre grandes empresas dos Estados Unidos.

O Walmart, um dos principais importadores americanos, recebeu US$ 2,9 bilhões de volta no segundo trimestre. O valor ajudou a reforçar tanto o lucro quanto a margem bruta da varejista.

No caso da Apple, o valor não foi divulgado oficialmente, mas analistas estimaram o ressarcimento em aproximadamente US$ 2,2 bilhões.

Suzano recorre à Justiça americana

A Suzano também entrou na disputa judicial envolvendo a devolução dos valores pagos com as tarifas.

Um documento protocolado pela companhia e por duas subsidiárias na Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos, ao qual o Valor teve acesso, mostra que as empresas solicitaram que o tribunal determinasse ao CBP a chamada reliquidação das importações atingidas pelo tarifaço.

Na prática, a reliquidação permite reabrir um processo de importação que já havia sido encerrado para recalcular os tributos aplicados e, posteriormente, efetuar eventual restituição.

A Corte de Comércio Internacional determinou que o CBP realize o procedimento para as importações submetidas ao tarifaço. Essa é justamente a base da próxima etapa de reembolsos.

Governo Trump questiona autoridade do CBP

A administração de Donald Trump recorreu da decisão judicial. O governo argumenta que o CBP não teria autoridade legal para reabrir, por iniciativa própria, processos de importação já liquidados.

Segundo a posição apresentada pelo governo, seria necessária uma determinação judicial específica para autorizar a medida. O recurso continua sob análise da Corte de Apelações dos Estados Unidos.

Um representante do CBP informou à Corte de Comércio Internacional que a próxima etapa do programa de ressarcimento será destinada às importações cuja reliquidação tenha sido determinada judicialmente.

Inicialmente prevista para agosto, essa fase foi postergada para permitir ajustes no sistema responsável pelo processamento dos pagamentos. A nova previsão é de início em 6 de outubro.

Reembolsos podem alcançar outros setores no Brasil

O advogado Matthew McConkey, sócio do escritório americano Mayer Brown, associado ao brasileiro Tauil & Chequer, afirmou que existem preocupações em Washington sobre possíveis mudanças na condução dessa etapa pelo CBP.

Na avaliação do advogado, contudo, o órgão estaria conduzindo o processo de forma adequada, já que a questão está sendo tratada por meio da Corte de Comércio Internacional.

No Brasil, especialistas relatam que outras companhias também podem estar buscando a devolução de valores pagos durante o tarifaço dos EUA.

William Roberto Crestani, sócio da área tributária do Pinheiro Neto Advogados, afirma que há relatos de empresas brasileiras que já obtiveram ressarcimentos e de outras que ainda estão fazendo os pedidos. Entre os segmentos citados estão máquinas, siderurgia e papel e celulose.

Segundo o advogado, além do adiamento determinado pelo CBP, algumas empresas enfrentam dificuldades práticas para receber os valores, incluindo problemas relacionados ao fornecimento de informações bancárias.

Empresas brasileiras mantêm silêncio sobre pedidos

A expectativa é de que mais companhias brasileiras estejam recorrendo ao mecanismo de ressarcimento, embora poucas tenham confirmado publicamente os pedidos.

O presidente da Abimaq, José Velloso, afirmou acreditar que diversas empresas associadas estejam buscando recuperar os valores pagos nos Estados Unidos.

Empresas dos setores mencionados foram procuradas, mas não quiseram comentar. O Instituto Aço Brasil também não se manifestou.

A Confederação Nacional da Indústria informou não ter dados suficientes para contribuir com informações sobre o tema. Já a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) declarou que não reúne dados sobre operações individuais de suas associadas no exterior.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não respondeu aos questionamentos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Denis Balibouse

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Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Guerra entre EUA e Irã: petróleo, China e eleições aumentam pressão por acordo

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em uma nova etapa sob pressão de fatores econômicos, diplomáticos e políticos. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta semana que espera que o conflito esteja próximo do fim e disse ter recebido sinais de Teerã sobre a disposição para negociar.

Trump também deve se reunir com representantes dos países do Golfo Pérsico durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A expectativa é que as conversas tratem do conflito e de possíveis estratégias para o período posterior à guerra.

O cenário ocorre enquanto os efeitos da guerra continuam atingindo o mercado de petróleo, as rotas marítimas e os custos de energia em diferentes países.

Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão econômica

A instabilidade no Oriente Médio mantém os preços do petróleo em níveis elevados. Na sexta-feira (18), o Brent era negociado próximo de US$ 104 por barril, enquanto o WTI permanecia acima de US$ 102.

As cotações são influenciadas pelos riscos para o transporte de petróleo na região, incluindo as restrições no Estreito de Ormuz e os ataques envolvendo a Arábia Saudita e os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen.

A elevação dos combustíveis também passou a representar uma preocupação econômica dentro dos Estados Unidos. O governo Trump vem discutindo medidas para ampliar a capacidade de refino do país diante do aumento dos preços dos combustíveis.

Inverno europeu aumenta preocupação com energia

A aproximação do inverno no Hemisfério Norte adiciona outro elemento às discussões sobre o conflito. Países europeus acompanham os impactos da guerra sobre o abastecimento e os preços de energia, enquanto os mercados permanecem atentos aos riscos de novas interrupções no transporte de petróleo.

O conflito já provocou alterações em rotas marítimas e aumentou a preocupação com a segurança do fornecimento energético global. Segundo a Reuters, a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo da média anterior ao conflito.

China busca espaço para reduzir tensão

A China também aparece entre os atores envolvidos nos esforços diplomáticos em torno do conflito. Pequim mantém relações econômicas importantes com o Irã e tem interesse na estabilidade do comércio e do abastecimento energético.

Além disso, a agenda internacional prevê uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em meio às tensões provocadas pela guerra e às disputas econômicas entre as duas maiores economias do mundo.

A atuação chinesa ocorre paralelamente às negociações e aos contatos diplomáticos que buscam reduzir os efeitos do conflito sobre o comércio e os mercados de energia.

Eleições de novembro colocam preços dos combustíveis no debate

Nos Estados Unidos, a proximidade das eleições legislativas de novembro acrescenta uma dimensão política ao debate sobre os preços dos combustíveis.

O aumento da gasolina e do diesel afeta diretamente consumidores e empresas e se tornou uma questão relevante para o governo Trump. A Reuters aponta que os preços elevados dos combustíveis estão entre os fatores econômicos que cercam a disputa eleitoral norte-americana.

A votação de novembro definirá a composição do Congresso dos Estados Unidos, enquanto o governo enfrenta os efeitos econômicos de um conflito que já se prolonga há meses.

Assembleia Geral da ONU concentra negociações

A Assembleia Geral da ONU será um dos principais espaços diplomáticos para as discussões sobre a guerra. Líderes de diferentes países estarão em Nova York a partir da próxima semana, com o conflito entre Estados Unidos e Irã entre os temas de maior repercussão internacional.

Trump deverá utilizar os encontros para discutir a situação regional com representantes dos países do Golfo. Ao mesmo tempo, a reunião na ONU reunirá autoridades de países diretamente ou indiretamente afetados pelos impactos militares, econômicos e energéticos do conflito.

Fim da guerra ainda depende de negociações

Embora Trump tenha declarado que espera que a guerra esteja chegando ao fim, o conflito permanece ativo. A Reuters informou que a guerra entrou em seu sétimo mês e que ainda existem divergências importantes entre Washington e Teerã.

Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores como preço do petróleo, segurança das rotas marítimas, abastecimento energético, atuação da China e pressão econômica interna nos Estados Unidos fazem parte do contexto que envolve uma possível solução diplomática.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/R7

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Internacional

Crise da carne bovina nos EUA avança sobre o setor de frango e pressiona margens

A crise que atinge o mercado de proteínas animais nos Estados Unidos deve continuar pelos próximos anos. Segundo análise do Santander, o setor de carne bovina ainda enfrentará um período prolongado de oferta restrita, enquanto produtores de frango e suínos passam a lidar com custos mais elevados, principalmente devido à valorização dos grãos usados na alimentação dos animais.

O banco estima que uma recuperação mais consistente do mercado de carne bovina americana só deverá ocorrer a partir de 2028. Diante desse cenário, a instituição adota uma postura mais cautelosa em relação a empresas com forte exposição aos Estados Unidos, como Tyson Foods, JBS e Pilgrim’s Pride. A MBRF é apontada como uma exceção entre as companhias avaliadas.

Rebanho bovino dos EUA encolhe ao menor nível em décadas

A principal dificuldade está na disponibilidade de gado para abate. O Santander projeta que as margens dos frigoríficos permaneçam pressionadas até 2028.

Desde 2019, o número de bovinos destinados à produção de carne nos Estados Unidos caiu 13%, chegando a 27,9 milhões de cabeças. O rebanho bovino total do país atingiu o menor patamar desde 1952, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A combinação de seca prolongada no Oeste americano, aumento dos custos de alimentação e redução das áreas de pastagem levou produtores a vender parte dos animais para preservar o caixa.

Como reflexo da menor oferta, a produção de carne bovina nos EUA caiu 4% em 2025, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança mundial, que passou ao Brasil.

Importações aumentam para compensar menor oferta

As restrições sanitárias à entrada de bovinos provenientes do México também contribuíram para apertar a oferta americana. A medida foi adotada diante da disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que representa ameaça à pecuária.

Com menos animais disponíveis internamente, os Estados Unidos passaram a depender mais das compras externas. O USDA estima que as importações de carne bovina alcancem 2,78 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 14% em relação ao ano anterior.

Somente no primeiro semestre, as compras externas chegaram a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, alta de 12%.

Preço da carne chega ao consumidor americano

A menor oferta também elevou os preços pagos pelos consumidores. A carne moída, um dos produtos mais consumidos nos Estados Unidos, ficou 0,6% mais cara em agosto na comparação com julho e atingiu novo recorde, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho americano.

Na comparação anual, o preço estava 7,9% maior. Desde 2020, a alta acumulada da carne bovina chega a 75%, conforme dados do Federal Reserve de St. Louis.

O avanço dos preços ganhou repercussão política. Há duas semanas, o presidente Donald Trump anunciou a intenção de ampliar as importações de carne como uma das medidas para tentar reduzir os preços no mercado doméstico.

Frango passa a enfrentar pressão sobre as margens

O problema do setor bovino é principalmente a falta de animais. No mercado de aves, a dificuldade está concentrada nas margens, diante do aumento dos custos de produção e da dificuldade de repassar integralmente os preços.

O Santander destaca especialmente o comportamento do milho, um dos principais componentes da alimentação de frangos e suínos. A commodity acumula valorização próxima de 15% no ano, enquanto as condições das lavouras nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países produtores geram riscos adicionais para os custos.

Nesse ambiente, a rentabilidade dos produtores de frango e carne suína pode ficar pressionada caso os preços das proteínas não acompanhem o aumento das despesas com alimentação.

Medidas adotadas ainda não resolvem o problema estrutural

Entre as iniciativas que podem produzir algum alívio no curto prazo, o Santander cita o fechamento de unidades de abate, a retomada gradual das importações de gado mexicano e programas de apoio aos pecuaristas.

Para os analistas, porém, essas ações não são suficientes para modificar o quadro estrutural. A recomposição do rebanho americano deverá exigir um período mais longo.

Em 2026, o banco estima que os fechamentos líquidos de capacidade de abate somem cerca de 6.700 cabeças por dia, o equivalente a aproximadamente 13% da capacidade existente no início do ano que estará fora de operação.

A redução das plantas pode ajudar a indústria a preservar margens ao adequar a capacidade de processamento à menor disponibilidade de gado. No entanto, o fechamento de frigoríficos não aumenta o número de animais disponíveis.

As importações de bovinos do México também têm alcance limitado. Segundo a estimativa do Santander, elas devem representar entre 0,5% e 1% dos animais encaminhados para confinamento nos EUA em 2026.

Tyson Foods sente os efeitos da crise

Entre as empresas analisadas, a Tyson Foods está entre as mais expostas ao cenário negativo da carne bovina americana.

O Santander reduziu o preço-alvo da companhia de US$ 76 para US$ 68 e manteve recomendação neutra. A revisão veio depois que a Tyson diminuiu sua projeção para 2026, levando o banco a cortar em 8% sua estimativa de EBITDA, para cerca de US$ 3,3 bilhões.

A divisão de Beef é o principal ponto de atenção. O Santander considera que as expectativas do mercado para uma recuperação podem estar adiantadas em relação ao ritmo de recomposição do rebanho.

Os primeiros sinais de retenção de fêmeas devem contribuir para uma recuperação mais significativa da oferta apenas no ano fiscal de 2029, segundo a análise.

A Tyson, contudo, possui uma proteção parcial devido ao aumento da participação de produtos de maior valor agregado no segmento de frango. Por outro lado, o Santander alerta que uma demanda mais fraca nos restaurantes de serviço rápido pode afetar essa divisão.

Pilgrim’s Pride enfrenta excesso de oferta de frango

A Pilgrim’s Pride, uma das maiores produtoras de frango dos Estados Unidos, também é acompanhada com cautela pelo Santander.

O banco manteve recomendação neutra para a companhia, embora considere que suas ações estejam entre as mais baratas do grupo americano de empresas de proteínas analisado.

O principal fator de preocupação é a desaceleração do crescimento dos resultados. Apesar de avaliar que o pico de expansão da oferta de frango já passou, o Santander observa que os preços ainda demoram a reagir devido ao excesso de oferta existente no mercado americano.

A valorização dos grãos acrescenta outro elemento de pressão sobre as margens da empresa.

JBS mantém exposição ao mercado americano

A JBS também permanece com recomendação neutra do Santander. O banco reduziu o preço-alvo da companhia para US$ 15.

Embora os spreads da carne bovina nos Estados Unidos tenham apresentado alguma recuperação, ainda há pouca visibilidade, segundo a análise, sobre uma retomada estrutural do ciclo.

No terceiro trimestre, as margens do negócio de carne bovina americana melhoraram na comparação com o período anterior. Entre os fatores estão a sazonalidade, a demanda maior durante a temporada de churrascos e a queda dos preços do gado.

O Santander, entretanto, considera que essa melhora recente não altera o quadro de recuperação prolongada do setor.

MBRF tem diversificação como fator de proteção

Entre as companhias analisadas, a MBRF aparece como exceção. O Santander manteve recomendação Outperform, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 28 para R$ 25.

A empresa também possui exposição à National Beef, operação americana de carne bovina, e está sujeita aos efeitos da crise no segmento.

A avaliação mais favorável está principalmente relacionada à BRF, que apresenta desempenho forte nas exportações de frango para o Oriente Médio, além de preços firmes e melhora na demanda por alimentos processados.

Diversificação ganha importância no setor de proteínas

A análise do Santander indica que o mercado americano de proteínas deve atravessar um período de ajustes distintos entre os segmentos. Enquanto a carne bovina enfrenta restrição de oferta de animais, o setor de aves precisa administrar custos elevados e dificuldades para recuperar preços.

Nesse contexto, a capacidade das empresas de atuar em diferentes proteínas e mercados internacionais ganha relevância para reduzir a exposição aos ciclos específicos de cada atividade.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Importação

Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

O Brasil pode conquistar uma fatia de até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos. A medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump prevê a entrada adicional de até 300 mil toneladas do produto no mercado dos EUA durante um período de 90 dias.

Pelas estimativas do setor, os frigoríficos brasileiros podem responder por algo entre 90 mil e 120 mil toneladas desse volume. Se a projeção se confirmar, o país terá participação relevante na ampliação das importações americanas.

A iniciativa do governo Trump busca aumentar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e, consequentemente, contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Um dos focos é a carne moída utilizada na preparação de hambúrgueres.

Redução do rebanho americano favorece importações

Os Estados Unidos atravessam um período de redução do rebanho bovino, cenário que restringiu a disponibilidade de carne e contribuiu para a alta dos preços.

Para estimular a recomposição da pecuária doméstica, o governo americano também adotou medidas de incentivo aos produtores. No entanto, a recuperação do rebanho exige tempo. Enquanto isso, as importações de carne bovina aparecem como alternativa para ampliar a oferta no curto prazo.

A avaliação é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Para ele, o Brasil parte de uma posição competitiva devido à dimensão de sua indústria frigorífica e ao número de estabelecimentos autorizados a vender carne para o mercado americano.

Nova cota é diferente do limite já utilizado pelo Brasil

A nova medida não deve ser confundida com a cota que atualmente regula parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Hoje, o Brasil dispõe de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas que permite a entrada de carne no mercado americano sem a tarifa adicional. De acordo com Iglesias, esse limite foi completamente utilizado em apenas 15 dias.

Depois que a cota é esgotada, os frigoríficos brasileiros ainda podem exportar para os EUA, mas o produto passa a sofrer uma tarifa adicional de 26,4%.

Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 1,74 bilhão. O resultado representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A nova cota de até 300 mil toneladas, válida por 90 dias, cria uma oportunidade adicional para os exportadores que conseguirem ocupar esse espaço sem a cobrança da tarifa extra.

Brasil aparece entre os principais candidatos

Nem todos os grandes fornecedores de carne dos Estados Unidos disputarão diretamente a nova cota. A Argentina, por exemplo, possui mecanismos próprios de acesso ao mercado americano.

Entre os principais países fornecedores de carne bovina aos EUA estão:

  • Brasil;
  • Austrália;
  • Canadá;
  • México;
  • Nova Zelândia.

Na avaliação de Iglesias, Paraguai e países da América Central estão entre os concorrentes que podem disputar mais diretamente o novo volume com o Brasil.

O país, entretanto, possui vantagens competitivas importantes, principalmente pela capacidade de sua indústria frigorífica e pela quantidade de unidades habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Isso não significa que as 300 mil toneladas serão distribuídas proporcionalmente entre os países. Na prática, os exportadores terão de disputar espaço com base na capacidade de atender à demanda e, principalmente, nos preços oferecidos aos compradores americanos.

Preço dos trimmings pode ser decisivo

Apesar da oportunidade, existe uma questão importante para os frigoríficos brasileiros: o tipo de carne que os Estados Unidos estão buscando.

A demanda está concentrada nos chamados trimmings, cortes e aparas retirados durante o processamento das carcaças e utilizados, entre outras aplicações, na produção de carne moída.

Como esse produto possui menor valor agregado e representa apenas uma parcela da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar se a exportação para os EUA é financeiramente vantajosa.

O cálculo envolve o preço oferecido pelos compradores americanos, os custos de exportação e o retorno que o frigorífico poderia obter ao direcionar o mesmo animal para outros mercados.

Segundo Iglesias, as empresas ainda analisam esses fatores antes de definir o quanto poderão destinar aos Estados Unidos.

Alta dos preços pode limitar a operação

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre oferta e preço. Se os valores da carne subirem demais, a operação pode perder atratividade para os compradores americanos.

Nesse cenário, a própria finalidade da nova cota pode ser prejudicada. O objetivo do governo dos Estados Unidos é justamente ampliar a disponibilidade de carne e ajudar a reduzir os preços no mercado interno.

Para o Brasil, portanto, a nova cota representa uma oportunidade de ampliar as exportações, mas a efetiva participação no volume adicional dependerá da competitividade dos frigoríficos e das condições comerciais oferecidas aos importadores americanos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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