Comércio Exterior

Brasil amplia compras de combustíveis dos EUA em agosto, com perda de fôlego do diesel russo

Importadores brasileiros estão buscando oportunidades de preços para testar outros mercados

Uma aproximação entre os preços negociados no mercado internacional para combustíveis dos Estados Unidos e da Rússia levou o Brasil a ampliar as compras de derivados das refinarias estadunidenses em agosto

  • Ao todo, os EUA foram responsáveis por 30,5% de todas as importações de combustíveis do Brasil no período entre 1º de julho e 14 de agosto de 2025, segundo o relatório de abastecimento da ANP. 
  • Já a Rússia foi responsável por 21%, enquanto os países do Golfo Pérsico – Arábia Saudita, Omã e Catar – responderam por 12,6%. Veja a integra em pdf.
  • Os ganhos do produto americano no mercado brasileiro ocorreram sobretudo no diesel, que hoje é o combustível mais importado pelo Brasil. A tendência já vinha ocorrendo em julho e se intensificou este mês. 

Apesar de o diesel russo ter ganhado destaque no Brasil desde 2022, com as sanções na Europa pela invasão à Ucrânia, recentemente importadores brasileiros estão buscando oportunidades de preços para testar outros mercados

Nos últimos meses, houve um aumento da importância relativa dos EUA no abastecimento brasileiro, causada pela redução no preço do diesel estadunidense, enquanto o produto russo manteve cotações estáveis. 

  • Em agosto, até a semana passada, a diferença entre o preço médio do diesel russo e estadunidense negociado pelo Brasil no mercado internacional estava em US$ 0,02, segundo a ANP. 
  • A ANP ressalta que as estimativas consideram os valores de aquisição em dólar no local de embarque da mercadoria informados nos processos de desembaraço. Assim, não inclui fretes e seguros, além de tarifas aduaneiras, impostos, nem considera valores que não foram utilizados em importações efetivas. 

mercado está se reorganizando, em meio às estratégias comerciais adotadas pelos EUA sob o governo de Donald Trump, que visam dar vantagens aos produtores americanos, e ao avanço das negociações sobre a guerra na Ucrânia

  • Nos últimos dias, Trump teve reuniões com o presidente da Rússia, Vladimir Putin,  da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, além de líderes europeus, para discutir o fim do conflito. 
  • “A probabilidade de os EUA imporem sanções mais fortes à Rússia está diminuindo, com o mercado esperando que o comércio de petróleo russo se recupere como resultado das negociações de paz”, afirma o chefe de análise de petróleo da Rystad Energy,  Mukesh Sahdev. 
  • O cenário, inclusive, tem reflexos no preço do barril de petróleo: na terça (19/8) o Brent para outubro recuou 1,22% (US$ 0,81), a US$ 65,79 o barril

Enquanto isso, as respostas ao tarifaço. Governo e indústria brasileira defenderam, nesta segunda (18/8), que Brasil e Estados Unidos — dois maiores exportadores globais de etanol — se unam para abrir novos mercados, aproveitando, inclusive, oportunidades no setor de aviação.

  • É uma resposta oficial do Brasil à investigação aberta pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) contra supostas “práticas desleais” que prejudicam exportações norte-americanas.
  • Em paralelo, os EUA aceitaram a consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) feita no início de agosto pelo Brasil , mas consideraram que algumas das ações citadas pelo Brasil são “questões de segurança nacional, não suscetíveis de revisão ou de resolução por meio de solução de controvérsias na OMC”.

Usina de etanol de trigo. A primeira fábrica do tipo do Brasil deve ser inaugurada este mês em Santiago (RS), pela CB Bioenergia. Serão processadas 100 toneladas de trigo por dia e a expectativa é gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano. 

Agências sob nova direção. O plenário do Senado aprovou, na terça-feira (19/8), as indicações de Artur Watt e Pietro Mendes para a ANP e de  Willamy Frota e Gentil Nogueira de Sá para a Aneel

  • A aprovação ocorreu depois das sabatinas na Comissão de Infraestrutura, mais cedo. 

Cessão de servidores. A ANP prorrogou o prazo da consulta interna sobre a mudança das regras para cessão de servidores. A proposta em discussão restringe a possibilidade apenas para a ocupação de cargos de maior nível hierárquico.

Alívio fiscal. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), afirmou que a volta da cobrança de PIS/Cofins sobre combustíveis trouxe R$ 31 bilhões aos cofres públicos e contribuiu para reduzir a pressão dos benefícios fiscais sobre o orçamento.

  • “De alguma forma, equilibra alguns outros subsídios que demos”, declarou Tebet, durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para debater benefícios fiscais. 

Sonda chega à Foz do Amazonas. A sonda contratada pela Petrobras para o simulado na Bacia da Foz do Amazonas chegou ao bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá. A unidade NS-42, da Foresea, fará o simulado exigido pelo Ibama antes da liberação da licença para a perfuração de um poço exploratório em águas profundas na concessão.

Novas embarcações. A Transpetro vai abrir os envelopes da licitação dos oito gaseiros para sua frota no próximo dia 22 de setembro, informou o presidente da empresa, Sergio Bacci.

  • O executivo informou que está negociando com a Petrobras a inclusão de mais nove embarcações no Plano Estratégico 2026-2030 da holding

Leilão de baterias. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, disse que há frustração de expectativas com a ausência de “sinalização” sobre leilão de baterias. Ele indicou a possibilidade de a tecnologia entrar nos próprios leilões de transmissão.

  • Nesta terça, aliás, a agência autorizou a abertura de consulta pública sobre o edital do leilão de transmissão 1/2026, marcado para 27 de março.  

Tarifa social. A Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) vê como um risco a possibilidade de a MP 1300/2025 ser fatiada e aprovada no Congresso apenas com a ampliação da tarifa social, sem discutir os subsídios do setor elétrico. A MP vence em 19 de setembro e a comissão mista que analisará o texto sequer foi instalada. 

Renovação da Enel SP. A procuradoria da Aneel está avaliando se o processo de renovação contratual de Enel SP só poderá avançar para a votação após a conclusão do relatório sobre eventuais falhas e transgressões da concessionária, em processo paralelo.

  • A agência também recomendou a renovação do contrato de concessão da Enel Rio até 2056. O processo foi aprovado na terça (19/8). 

Mais recursos para renováveis. O financiamento para geração de energia renovável no Brasil cresceu 6,5% em 2024, na comparação com o ano anterior, segundo a consultoria Clean Energy Latin America (Cela). O volume chegou a R$ 32,5 bilhões no ano passado.

  • Enquanto os recursos para eólicas de grande porte caíram quase 30%, os financiamentos para energia solar cresceram 30%, puxados pelo mercado de capitais. 

Data centers. A política de incentivo à instalação de data centers no país — batizada de Redata — pode ser incorporada ao texto em tramitação na Câmara que regulamenta o uso da inteligência artificial no Brasil. 

  • A sinalização do relator Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) ocorreu durante reunião da Comissão Especial sobre inteligência artificial, que discute o PL 2338/23, já aprovado pelo Senado. 
  • Para o setor, a ideia é ruim: em entrevista à agência eixos, o presidente da Brasscom, Affonso Nina, defende urgência na publicação do Redata, o que pode não ocorrer se for incluída na regulação da IA.

Opinião: O avanço do programa Resposta da Demanda não apenas fortalece o sistema elétrico como um todo, mas também estimula o surgimento de novos modelos de negócio, tecnologias e ecossistemas capazes de posicionar o Brasil na vanguarda da inovação energética, escreve Pedro Bittencourto CEO da GreenAnt.

Fundo para preservação de florestas. Impulsionados por Colômbia e Brasil, os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) devem assinar, na sexta (22/8), uma declaração conjunta de apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), que será lançado durante a COP30.

  • O fundo será um mecanismo de financiamento destinado a preservar esses biomas florestais, presentes em cerca de 70 países, e que são cruciais para a regulação do regime de chuvas e captura de carbono na atmosfera.

Fonte: Eixos

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Comércio Exterior, Exportação

Alckmin e Gleisi vão ao Congresso pedir apoio a projetos que facilitam e ampliam as exportações brasileiras

Entre as matérias estão a MP e o projeto do Plano Brasil Soberano, de ajuda a empresas afetadas pelas tarifas adicionais dos EUA

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, visitam, nesta quarta-feira (20/08), o Congresso Nacional  e se reúnem com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, para pedir celeridade na votação de projetos que ampliam as medidas de apoio ao comércio exterior brasileiro, sobretudo as matérias ligadas ao Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A agenda legislativa de interesse do MDIC, na área de comércio exterior, é composta por 18 matérias, sendo duas do Plano Brasil Soberano (a Medida Provisória 1.309/25 e o Projeto de Lei Complementar 168/2025), 11 acordos internacionais e cinco outros projetos com temas ligados a isenções, crédito, garantias e facilitação.

Os acordos internacionais tratam de ampliação de mercados e trocas multilaterais, com temas ligados ao Mercosul e a Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFIs). Todas as matérias já estão em tramitação nas duas casas do Congresso.

Veja abaixo, as 18 matérias:

CONGRESSO NACIONAL

1)      MPV 1309/2025 – Plano Brasil Soberano

Editada em 13 de agosto, a MP prevê financiamento de R$ 30 bilhões, via FGE, para compensar prejuízos de exportadores afetados pelo tarifaço norte-americano. Prevê uma série de ações para compensar os exportadores afetados pelo aumento das tarifas, como linhas de crédito; prorrogação de prazos do regime de drawback; compras públicas; aportes a fundos garantidores de crédito; ampliação do Reintegra e prorrogação de prazos tributários.

CÂMARA DOS DEPUTADOS

2)      PLP 463/2017 – Isenção de ISS para exportação de serviços

Prevê a isenção do imposto municipal (ISS) sobre serviços prestados por empresas brasileiras ao exterior. 

3)      PL 6139/2023 – Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação

Cria um sistema oficial de apoio ao crédito para exportações brasileiras e atualiza leis relacionadas ao financiamento dessas operações.

4)      PL 5719/2023 – BNDES Exim

Cria condições para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possa garantir o financiamento à exportação de serviços brasileiros prestados no exterior.

5)      PL 5128/2023 – Desburocratização dos processos administrativos de defesa comercial

Flexibiliza a exigência da assinatura digital da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) em investigações de defesa comercial, permitindo o uso de outros meios eletrônicos já reconhecidos.  

6)      MSC 1253/2024 – Acordo sobre o Comércio de Aeronaves Civis da OMC

Estabelece isenções tarifárias para a importação de aviões e facilitação do

comércio entre os 33 países integrantes da Organização Mundial do Comércio (OMC).

7)      MSC 801/2024 – Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR

Facilita o transporte internacional de mercadorias por veículos rodoviários, por meio da simplificação e da harmonização de formalidades administrativas relacionadas ao transporte internacional.

8)      PDL 395/2024 – Acordo sobre Comércio Eletrônico do Mercosul

Aprova acordo do Mercosul que estabelece regras comuns para o comércio eletrônico entre os países do bloco, promovendo maior segurança e integração nas transações digitais.

9)      PDL 394/2024 – Acordo Marco do Mercosul de Reconhecimento Recíproco e Outorga de Matrículas para o Exercício Profissional

Aprova acordo do Mercosul que permite o reconhecimento mútuo de registros profissionais e autoriza o exercício temporário de profissões como engenharia, agronomia e arquitetura entre os países-membros.

10) PDL 723/2024 – Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) entre Brasil e São Tomé e Principe

Aprova o texto do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) entre a República Federativa do Brasil e a República Democrática de São Tomé e Príncipe.

SENADO FEDERAL

11)  PLP 168/2025 – Procedimentos excepcionais para medidas associadas à mitigação de impactos das tarifas adicionais

Projeto viabiliza ações para mitigação dos impactos sociais e econômicos decorrentes da taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos às exportações de produtos brasileiros para aquele país, permitindo a expansão do Reintegra e aportes nos fundos garantidores de exportação.

12)  PL 4423/2024 – Normas gerais sobre o comércio exterior

Estabelece normas gerais como desempenho das atividades de regulação e fiscalização e controle, racionalizando e modernizando o arcabouço normativo brasileiro nessa área.

13) PDL 159/2022 – Encargos de Roaming Internacional

Aprova acordo entre países do Mercosul para acabar com a cobrança de roaming internacional entre os usuários da região.

14) PDL 609/2021 – Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre Brasil e Índia (ACFI)

Aprova acordo entre Brasil e Índia, que estabelece regras para proteger investimentos e resolver disputas entre investidores dos dois países.

15) PDL 391/2024 – Convenção entre Brasil e Índia contra dupla tributação e evasão fiscal

Aprova mudanças em um acordo entre Brasil e Índia para evitar que a mesma renda seja tributada nos dois países e combater a evasão fiscal. O novo protocolo foi assinado em Brasília, em 2022.

16) PDL 610/2021 – ACFI entre Brasil e Guiana

Ratifica um acordo entre Brasil e Guiana para facilitar e incentivar investimentos entre os dois países, assinado em 2018.

17) PDL 170/2022 – Acordo sobre Contratos Internacionais de Consumo

Aprova um acordo do Mercosul que define qual legislação deve ser aplicada em contratos internacionais de consumo entre os países-membros.

18) PDL 171/2022 – Comércio de Serviços do Mercosul

Aprova uma emenda ao Protocolo de Montevidéu do Mercosul com o objetivo de modernizar e harmonizar as regras sobre o comércio de serviços entre os países-membros.

Fonte: MDIC

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Comércio Exterior

EUA estendem tarifas de 50% para mais de 400 produtos de aço e alumínio

O governo americano, liderado pelo presidente Donald Trump, estendeu o alcance de suas tarifas de 50% sobre o aço e o alumínio com a inclusão de mais de 400 categorias de produtos adicionais que incluem extintores, máquinas agrícolas, materiais de construção, vagões de trem e turbinas eólicas.

A nova medida amplia consideravelmente o impacto das taxas, que entraram em vigor em junho, e afeta um total de 407 artigos com conteúdo de aço e alumínio importado. A barreira vem para “fortalecer a indústria americana”, afirmou o Departamento de Comércio em comunicado nesta quarta (20).

Essa inclusão “abrange turbinas eólicas e suas peças e componentes, guindastes móveis, escavadeiras e outros equipamentos pesados, vagões de trem, móveis, compressores e bombas, e centenas de outros produtos”, disse a entidade.

Com a aplicação dessa extensão, a Administração Trump “amplia o alcance das tarifas sobre o aço e o alumínio e bloqueia vias para a evasão, apoiando a contínua revitalização das indústrias americanas”, indicou o subsecretário de Comércio para a Indústria e Segurança, Jeffrey Kessler.

Para o professor de gestão de cadeias de suprimentos na Universidade Estadual de Michigan, Jason Miller, os mais afetados com essa medida seriam a Alemanha e o Japão. Ele também alerta para possíveis consequências.

“Ainda me pergunto como as fábricas americanas se beneficiam ao encarecer o equipamento necessário para equipá-las”, questionou Miller em publicação nas redes sociais.

O professor indicou que, de acordo com seus cálculos, a ampliação das tarifas para o aço e o alumínio “agora afeta pelo menos US$ 320 bilhões em importações, com base no valor aduaneiro geral das importações em 2024”.

“Isso adicionará mais pressões inflacionárias de custos aos preços já em aumento que os produtores nacionais cobram nos EUA”, opinou.

Fonte: Gazeta do Povo

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Comércio Exterior

Como tarifa de Trump sobre café brasileiro está tirando o sono de importadores nos EUA

Durante décadas, o café entrava nos EUA praticamente isento de impostos. Mas agora o café do Brasil, que é o maior fornecedor do produto aos EUA, está no rol de produtos com tarifa de 50% — devido ao tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

As tarifas de Trump estão pressionando uma indústria que gera mais de um milhão de empregos nos EUA e estão prestes a provocar também um aumento nos preços da bebida comprada pelos americanos.

Um produto popular nos EUA é o blend de cafés, que depende de grãos brasileiros. E ele também está exposto ao imposto de importação de 50% ao produto brasileiro.

Peter Longo é importador de café em Nova York. Sua empresa, a Puerto Rico Importing Company, trabalha no ramo desde 1907.

Ele calcula que os americanos que estiverem pagando cerca de US$ 15,99 por libra do café brasileiro — o equivalente a R$ 194 por quilo — passariam a pagar US$ 8 a mais com as tarifas de Trump.

Com esse aumento, o preço poderia subir para próximo de US$ 24 por libra — o equivalente a mais de R$ 290 por quilo.

“Isso é uma loucura. As pessoas não vão comprar café por quase US$ 30 a libra (o equivalente a US$ 66 por quilo ou R$ 365 por quilo). Isso é ridículo. Isso vai matar o mercado americano para o café brasileiro, que é, eu acho, o propósito disso tudo. Eles querem punir o Brasil por seja lá qualquer motivo e estão impondo uma tarifa draconiana.”

“Tirando o sono”

Trump diz querer reformular a ordem do comércio global com sua política tarifária, cobrando de importadores como Peter Longo uma taxa para trazer produtos de outros países como o Brasil.

O objetivo do presidente americano é tornar os produtos importados mais caros, para que os produtos locais fiquem mais competitivos e eventualmente acabem derrotando os estrangeiros na preferência dos consumidores.

Isso, por sua vez, estimularia maior produção de bens e geração de empregos localmente nos EUA.

“Mais produção doméstica significará maior concorrência e preços mais baixos para os consumidores”, disse Trump ao justificar sua política de tarifas.

Mas o problema, no caso do café, é que o produto não é cultivado nos EUA.

E nem pode ser. O café é uma fruta tropical que cresce em uma estreita faixa de terra ao redor do Equador.

Nos EUA, o café é cultivado em algumas partes do Havaí e Porto Rico e em uma pequena parte do sul da Califórnia. E isso não é nem de longe suficiente para abastecer as 450 milhões de xícaras de café que os americanos bebem todos os dias.

Por isso praticamente todo café bebido nos EUA precisa ser importado.

E é por isso que as tarifas sobre os países produtores de café — e especialmente as tarifas de 50% sobre o Brasil, que fornece cerca de um terço de todo o café consumido nos EUA — são impactantes para pessoas que importam e vendem localmente o café, como Longo.

“Estou terrivelmente estressado. Isso me tira o sono porque você tem que tentar descobrir uma maneira de gerenciar seu fluxo de caixa para antecipar o que está por vir”, diz o importador americano.

Os riscos eram altos antes mesmo de as tarifas serem anunciadas. Em fevereiro, o preço global do café do tipo arábica atingiu seu ponto mais alto já registrado. Embora tenha caído um pouco desde então, o café torrado custava aos consumidores americanos 15% a mais no mês passado do que no ano anterior.

Tudo isso coloca pressão sobre importadores como Longo.

“É assim que eu ganho a vida. Se tivermos que encolher, encolheremos. E se tivermos que encolher a ponto de falir, não há nada que eu possa fazer a respeito. Faremos o melhor que pudermos.”

Mas ele aposta que aquela xícara de café da manhã é algo pelo qual as pessoas continuarão pagando, mesmo que custe mais.

“Eu preciso de três espressos duplos só para conseguir funcionar. E sei que meus clientes são muito ritualizados quando se trata de seu café. Eles gostam. É algo que eles aguardam ansiosamente no dia. Então, não acho que o café vá desaparecer.”

Sede americana por café

A sede por café entre os americanos é enorme. O país é o maior importador e consumidor global da bebida, e também o maior destino das exportações brasileiras do produto.

Dois terços dos adultos americanos bebem café todos os dias, segundo dados da Associação Nacional de Café dos EUA. Cada americano que bebe café consome em média três xícaras por dia.

E essa sede vem crescendo. O consumo de café entre americanos cresceu 7% desde 2020. E o consumo de café gourmet cresceu 18%.

O café brasileiro é fundamental para abastecer as xícaras americanas.

Os EUA são o maior comprador dos cafés do Brasil, segundo dados dos primeiros sete meses deste ano divulgados este mês pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No período, os EUA importaram 3,713 milhões de sacas — o que corresponde a 16,8% das exportações brasileiras.

Existe uma corrida do setor do café no Brasil para tentar negociar com os EUA a inclusão do produto brasileiro na longa lista de exceções ao tarifaço de Trump.

Isso porque, graças aos estoques de importadores, os efeitos dos tarifaços ainda estão limitados por algum tempo.

“Até julho, não observamos de fato o impacto do tarifaço de 50% do governo dos EUA imposto para a importação dos cafés do Brasil, já que a vigência da medida começou em 6 de agosto”, diz Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.

Mas os impactos do tarifaço poderão ser sentidos em breve, se não houver sucesso nas negociações.

“A partir de agora, as indústrias americanas estão em compasso de espera, pois possuem estoque por 30 a 60 dias, o que gera algum fôlego para aguardarem um pouco mais as negociações em andamento. Porém, o que já visualizamos são eventuais pedidos de prorrogação, que são extremamente prejudiciais ao setor.”

* Com reportagem de Erin Delmore, da BBC News em Nova York

Fonte: BBC

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Importação

Importações de soja do Brasil pela China aumentam 13,9% em julho, mostram dados alfandegários

As importações de soja do Brasil pela China aumentaram 13,9% em julho em relação ao ano anterior, mostraram dados alfandegários nesta quarta-feira, enquanto os suprimentos dos Estados Unidos caíram 11,5%.

O maior comprador de soja do mundo importou 10,39 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil no mês passado, ou 89% do total das importações, em comparação com 9,12 milhões de toneladas no ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândega.

As chegadas dos EUA ficaram em 420.874 toneladas em julho, abaixo das 475.392 toneladas do ano anterior.

No geral, as importações de julho atingiram recorde histórico para aquele mês, com 11,67 milhões de toneladas.

“As importações elevadas foram impulsionadas pela forte oferta brasileira e pelas preocupações persistentes com o comércio entre os EUA e a China, que estimularam a formação de estoques”, disse Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures.

“Os riscos para o cenário estão nas negociações comerciais entre os EUA e a China e o impacto das políticas domésticas de controle da capacidade de suínos sobre a demanda.”

De janeiro a julho, a China importou 42,26 milhões de toneladas do Brasil, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, enquanto os embarques dos EUA totalizaram 16,57 milhões de toneladas, um aumento de 31,2%, segundo os dados.

A China não fez pré-compra de soja da próxima safra dos EUA devido às tarifas altas, um atraso incomum que os comerciantes alertam que pode fazer com que os exportadores dos EUA percam bilhões em vendas, conforme compradores garantem cargas brasileiras para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA.

Em uma carta na terça-feira, os produtores de soja dos EUA pediram ao presidente Donald Trump que chegue a um acordo comercial com a China que garanta acordos significativos de compra de soja.

A China importou 561.027 toneladas de soja da Argentina em julho. As importações de soja do país de janeiro a julho atingiram 672.630 toneladas, um aumento de 104,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Fonte: Brasil 247

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Comércio Exterior

Exportações do Japão têm maior queda em 4 anos com impactos das tarifas

Total das exportações da quarta maior economia do mundo caiu 2,6% em relação ao ano anterior em julho, em termos de valor, maior queda mensal desde fevereiro de 2021

As exportações do Japão registraram a maior queda mensal em cerca de quatro anos em julho, mostraram dados do governo nesta quarta-feira (20), à medida que o impacto das tarifas dos EUA se intensificou, levantando preocupações sobre as perspectivas para a economia dependente das exportações.

O total das exportações da quarta maior economia do mundo caiu 2,6% em relação ao ano anterior em julho, em termos de valor, a maior queda mensal desde fevereiro de 2021, quando as exportações caíram 4,5%.

Essa queda foi maior do que a previsão mediana do mercado de uma redução de 2,1% e marca o terceiro mês consecutivo de declínio após uma queda de 0,5% em junho.

Apesar da queda no valor das exportações, os volumes de remessa se mantiveram até agora, já que os exportadores japoneses evitaram grandes aumentos de preços, disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute.

“Mas eles acabariam tendo que repassar os custos para os consumidores norte-americanos e isso prejudicaria ainda mais as vendas nos próximos meses”, disse ele.

As exportações para os Estados Unidos em julho caíram 10,1% em relação ao ano anterior, com uma queda de 28,4% nos automóveis e de 17,4% nos componentes automotivos.

Entretanto, as exportações de automóveis caíram apenas 3,2% em termos de volume, sugerindo que os cortes de preços das montadoras japonesas e os esforços para absorver as tarifas adicionais protegeram parcialmente os embarques.

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre automóveis e autopeças em abril e ameaçaram cobrar 25% sobre a maioria dos outros produtos do Japão.

Posteriormente, em 23 de julho, o país fechou um acordo comercial que reduziu as tarifas para 15% em troca de um pacote de investimentos japoneses de US$ 550 bilhões vinculados aos EUA.

A taxa tarifária acordada para automóveis, o maior setor de exportação do Japão, ainda é muito maior do que os 2,5% originais, exercendo pressão sobre as principais montadoras e fornecedores de peças.

As exportações para outras regiões também foram fracas. As exportações para a China caíram 3,5%, segundo os dados.

O total das importações em julho caiu 7,5% em relação ao ano anterior, em comparação com as previsões do mercado de uma queda de 10,4%.

Como resultado, o Japão teve um déficit de 117,5 bilhões de ienes (US$ 795,4 milhões) em julho, em comparação com a previsão de um superávit de 196,2 bilhões de ienes.

Fonte: CNN Brasil


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Exportação

Exportações de frango podem cair neste ano, mas vendas de ovos devem disparar, diz associação

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), exportações brasileiras de carne de frango devem ter uma queda de até 2% neste ano, em relação a 2024. Por outro lado, as vendas de ovos podem fechar o ano com alta recorde de 116,6%.

As exportações de frango do Brasil devem cair até 2% em volume, em 2025, para 5,2 milhões de toneladas, na comparação com o ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Entre janeiro e julho, a queda foi de 1,7%.

A previsão ocorre em meio aos embargos ao frango do país após um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro (RS), em maio deste ano. Em junho, o Brasil se declarou livre da doença.

Apesar de o caso já ter sido encerrado e de o país não ter tido mais nenhum registro da doença em granja comercial, grandes importadores como a China e a União Europeia mantêm o bloqueio ao produto nacional.

De janeiro a julho, as exportações brasileiras de frango para os chineses caíram 32,2% em relação a 2024.

Mesmo assim, a entidade prevê que as vendas a outros países devem voltar a crescer em 2026, em torno de 5,8%.

Ainda não há previsão de retomada das compras por China e União Europeia. Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os chineses estão analisando documentos enviados pelo governo brasileiro.

Santin explicou que a China ainda tem estoques de frango e que está com uma boa produção, o que tem mantido os preços estáveis dentro do país.

Mas que, em algum momento, terá que voltar a comprar carne do Brasil, pois não será capaz de substituir o volume do consumo interno sem a carne nacional.

Um caso emblemático é o caso do pé de galinha, produto que a China produz bem menos do que o volume importado de outros países.

O Chile, por sua vez, informou que deve voltar a comprar nesta ou na próxima semana.

Enquanto isso, a produção nacional de frango deve continuar em expansão. A previsão é que ela cresça até 3% em 2025 e outros 2% em 2026.

Fonte: G1


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Comércio Exterior

FIESC detalha ao setor moveleiro ações para minimizar impactos do tarifaço

Entidade enviou ao Fórum Parlamentar Catarinense sugestões de emendas à MP Brasil Soberano, com propostas nas áreas trabalhistas e econômica

As propostas que a FIESC enviou ao Fórum Parlamentar Catarinense para incluir na Medida Provisória 1309/25 que cria o plano de ajuda às exportadoras afetadas pelo tarifaço foram detalhadas em reunião da Câmara da Indústria do Mobiliário da entidade. O encontro virtual foi realizado nesta terça-feira, dia 19. A MP, que cria o plano Brasil Soberano, está tramitando na Câmara dos Deputados, e recebe até esta terça sugestões de emendas. As proposições da Federação estão ligadas às áreas econômica e trabalhista.

“Estamos fazendo todo o possível para reduzir os impactos para as empresas e os empregos”, afirmou o presidente da Federação, Gilberto Seleme, salientando que no início de setembro uma missão da indústria brasileira vai aos Estados Unidos dialogar com compradores, empresas e instituições.

O presidente da Câmara, Arnaldo Huebl, disse que a preocupação do setor é grande porque tem empresas que exportam de 20% até 95% da sua produção aos Estados Unidos. “A falta de previsibilidade é um dos maiores desafios que estamos enfrentando porque não se sabe o dia de amanhã e não temos perspectivas de uma solução no curto prazo”, observou.  

Propostas da FIESC à MP 1309/25

• Exclusão do § 3º do Art. 5º-A da MP 1.309/2025 para evitar a imposição de compromissos trabalhistas adicionais às empresas exportadoras para o mercado norte-americano, já fortemente impactadas pelas tarifas adicionais de 50%.

• Expansão das aquisições públicas de bens industriais, priorizando produtos com aplicação em políticas públicas de educação, habitação e infraestrutura social, como móveis escolares, uniformes, cerâmica sanitária, materiais de construção e máquinas leves de uso comunitário.

• Desoneração integral da folha de pagamento das empresas exportadoras para os EUA enquanto perdurarem as tarifas de 50%, substituindo a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha por alíquota sobre a receita bruta, definida por ato do Poder Executivo e passível de redução a até zero. Incluir médias e grandes empresas entre as beneficiárias da alíquota de 6% no REINTEGRA, uma vez que o resíduo tributário das exportações brasileiras chega a 7,6%, segundo a CNI. A medida promove justiça tributária para empresas fortemente expostas ao mercado dos EUA — especialmente nos setores de móveis e madeira, base da economia catarinense.

• Redução proporcional de jornada de trabalho e de salários;
• Suspensão temporária do contrato de trabalho;
• Pagamento do Benefício de Preservação da Renda a cargo da União;
• Concessão de férias coletivas;
• Antecipação de férias individuais;
• Aproveitamento e antecipação de feriados;
• Implementar banco de horas negativo, permitindo que o trabalhador tire folgas durante os efeitos do tarifaço, com compensação das horas em momento futuro;
• Diferimento do recolhimento do FGTS.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Tarifaço gera férias coletivas e demissões no setor de madeira

Ao menos 1,4 mil funcionários estão em férias coletivas e 100 foram demitidos desde julho

As tarifas de 50% às exportações brasileiras, implementadas no começo de agosto pelos Estados Unidos, já começam a afetar trabalhadores do setor de madeira processada do país.

O setor faz parte do grupo que não conseguiu entrar na lista de 694 produtos isentos ao aumento da taxa, que teve início há cerca de duas semanas. Mas os efeitos são sentidos desde o começo de abril, quando a tarifa de 10% entrou em vigor.

“Desde esse primeiro momento, a indústria começou a ajustar questões de mão de obra e custos internos. Nesse sentido, a estratégia de férias coletivas já havia sido adotada por muitas empresas que dependem do mercado norte-americano”, explica Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), à CNN.

É o caso da Millpar, segunda maior empresa do setor no país e terceira na América Latina. Em julho, a companhia afirmou que alguns setores da unidade de Guarapuava (PR) entraram em férias coletivas por 15 dias.

Um dia antes de o tarifaço entrar em vigor, a empresa anunciou a suspensão total de sua produção — colocando mais de 65% de seu quadro de funcionários (720 de 1,1 mil) em férias por período indeterminado.

“Temos informações que muitas empresas estão finalizando esse período de férias coletivas. Se a coisa continuar da forma como está (e parece que sim) as empresas terão que fazer cortes para equilibrar as suas contas”, diz Pupo.

Quem sofre

Segundo dados da Abimci, o setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

O impacto da aplicação das taxas norte-americanas nas empresas madeireiras coloca em risco aproximadamente 180 mil empregos diretos em todo o Brasil, afirma a associação. Em nota divulgada no dia 18 de julho, a Abimci afirmou que o setor estaria enfrentando “o início de um colapso” com o tarifaço.

Inclusive, 90% dessa produção está concentrada no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Só no primeiro estado, onde aconteceram os maiores casos de férias e demissões, são 6,7 mil empresas atuantes e 109 mil empregos em jogo.

A madeira é o principal produto de exportação do Paraná ao vizinho norte-americano.

“Temos uma tradição de madeira, com cadeias produtivas bem estabelecidas e interligadas com inúmeros outros setores”, explica Ailson Loper, diretor-executivo da Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal).

“Para cada tonelada de frango produzido no Paraná, são necessárias quatro toneladas de madeiras. Portanto, quando há um impacto em um setor, há um impacto em todos”, argumenta.

Apesar os números relevantes, o setor de madeira não é o único que não escapou das tarifas de Trump. Café, carnes, pescados, frutas e equipamentos de construção civil, por exemplo, também sofrem com a interrupção de exportações ao país, que representava uma fatia relevante da clientela de todos os setores citados.

Até agora, férias coletivas e demissões não foram vistas na mesma escala.

Segundo Pupo, isso acontece por uma particularidade do setor de madeira: a personalização de parte da indústria exclusivamente aos EUA. Os contratos são fechados com uma especificidade muito grande, que praticamente impossibilitam a mudança de um mercado para outro tão rapidamente.

O negócio dos mouldings (molduras de madeira, do inglês), por exemplo, é produzido especialmente para o mercado norte-americano. Não há mercado em nenhum outro lugar do mundo para o produto.

“Nestes casos, não há outra solução além da paralisação das unidades fabris”, explica o especialista.

O setor madeireiro exportou US$ 1,6 bilhão para os Estados Unidos em 2024, para onde são destinados, em média, 50% do total produzido no país.

Caminho à frente

Além da ameaça tarifária, os EUA deflagraram uma investigação comercial contra o Brasil, na qual citam, entre suas preocupações, a madeira brasileira.

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) avalia que o país parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, o que prejudicaria a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas.

Contudo, toda a produção exportada para os norte-americanos provinda do Sul do país, que representa mais de 95% da produção nacional de madeira processada, provém de florestas plantadas, afirmou Pupo, da Abimci.

“Essa imagem antiga da [madeira ilegal] da Amazônia já tem décadas que ficou para trás, o grande polo produtivo nacional é aqui no Sul. Nós cumprimos todos os regramentos para atender o mercado americano, sobretudo na construção civil”, enfatiza.

Loper, da Apre, afirma que medidas legais já estão sendo tomadas nos EUA, com companhias daqui contratando advogados para construir uma defesa sólida do setor.

Sobre as tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, semana passada, a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para amparar empresas afetadas pelas tarifas.

“O pacote anunciado pelo governo traz um respiro, mas entendemos que é paliativo. Ajuda a questão dos empregos, mas não resolve”, argumenta Ailson Loper, da Apre.

“Estamos em meio a uma guerra. O que é preciso fazer para sair firme dela é a renegociação da tarifa”.

Até lá, segundo ele, milhares de empregos seguirão ameaçados.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Brasil dispara na liderança global: já exporta quase 5 milhões de toneladas de frango por ano para mais de 150 países e transforma o agronegócio em máquina de bilhões

O Brasil consolidou-se de forma incontestável como o maior exportador de carne de frango do planeta. Em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país deve ultrapassar a marca de 4,9 milhões de toneladas exportadas, chegando a mais de 150 mercados diferentes, incluindo destinos estratégicos como China, Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e União Europeia. A dimensão é tamanha que não se trata apenas de uma estatística econômica: o frango brasileiro já se tornou um ativo estratégico na geopolítica global da alimentação.

Esse desempenho histórico não é fruto do acaso. A indústria avícola nacional combina décadas de investimentos em tecnologia, sanidade, logística e acordos comerciais que permitem ao produto competir em preço e qualidade. Hoje, um em cada três frangos consumidos no mundo vem do Brasil, colocando o país em uma posição de protagonismo comparável ao petróleo da Arábia Saudita ou ao salmão do Chile.

Exportações em ritmo acelerado e números bilionários

O impacto direto dessa liderança é sentido na balança comercial. As exportações de frango ultrapassaram US$ 10 bilhões em 2024, colocando o setor entre os três maiores responsáveis pelo superávit brasileiro. O agronegócio, que já responde por mais de 25% do PIB nacional, tem na avicultura uma de suas engrenagens mais eficientes.

A China, que sozinha responde por cerca de 15% das compras externas de frango brasileiro, mantém contratos de longo prazo que garantem estabilidade.

O Oriente Médio, por sua vez, consome grandes volumes de cortes halal, preparados dentro dos rígidos protocolos religiosos que o Brasil domina com excelência. A África também desponta como mercado estratégico, ampliando a diversificação e reduzindo a dependência de compradores tradicionais.

Tecnologia, sanidade e logística: os segredos da competitividade

O sucesso brasileiro tem raízes em três pilares: tecnologia de produção, rigor sanitário e eficiência logística.

Na ponta da produção, o país desenvolveu um sistema integrado que conecta pequenos e médios produtores às grandes agroindústrias. Isso garante escala e padronização. Nas granjas, sensores de temperatura, alimentação automatizada e genética de ponta asseguram ganhos de produtividade e redução de custos.

No campo sanitário, o Brasil mantém status de país livre de influenza aviária em plantéis comerciais, algo que reforça a confiança internacional. Em 2023 e 2024, surtos da doença atingiram países concorrentes como EUA e União Europeia, beneficiando ainda mais os embarques brasileiros.

Por fim, a logística: o Brasil investiu em corredores de exportação, portos especializados em carnes refrigeradas e integração com ferrovias. Isso reduz custos e acelera entregas, algo essencial em um mercado global cada vez mais dinâmico.

Impactos internos: emprego e renda para milhares de brasileiros

A força do setor também é sentida dentro do país. A avicultura emprega diretamente mais de 4 milhões de pessoas, entre granjas, fábricas de ração, frigoríficos e transporte. Indiretamente, o impacto atinge milhares de famílias em áreas rurais, especialmente no Sul e Centro-Oeste, regiões que concentram a maior parte da produção.

Além do peso econômico, há uma questão de segurança alimentar. O frango é a proteína animal mais consumida no Brasil, superando carne bovina e suína. O preço mais acessível garante presença no prato diário de milhões de famílias, mesmo em períodos de inflação elevada nos alimentos.

Desafios: sanções, concorrência e meio ambiente

Apesar da liderança, o Brasil enfrenta obstáculos. Nos últimos anos, algumas barreiras sanitárias impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos mostraram que o protecionismo ainda pode frear embarques.

Além disso, a pressão ambiental sobre o agronegócio brasileiro cresce. Organizações internacionais e governos estrangeiros exigem garantias de que a produção não está associada a desmatamento ilegal ou trabalho precário.

Outro ponto é a concorrência. Países como os EUA e a Tailândia investem em modernização de seus setores e buscam ampliar participação em mercados estratégicos. A disputa tende a se intensificar, especialmente em regiões emergentes como África e Sudeste Asiático.

Frango como ativo geopolítico

Mais do que um produto de exportação, o frango brasileiro se tornou uma ferramenta geopolítica. Em momentos de crise alimentar global, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia, a capacidade do Brasil de abastecer mercados externos garantiu estabilidade de preços em várias regiões. Isso ampliou o peso diplomático do país, que passou a ser visto como fornecedor confiável em meio ao caos.

Essa característica reforça a percepção de que a produção agrícola brasileira vai além da economia: é um instrumento de soft power, capaz de abrir portas em negociações internacionais que extrapolam o campo comercial.

O futuro: proteínas alternativas e novos mercados

Olhando para os próximos anos, o setor avícola brasileiro terá de se reinventar diante das mudanças globais no consumo de proteínas.

O crescimento da carne cultivada em laboratório e das alternativas vegetais é um desafio, especialmente em mercados ricos. Ainda assim, analistas acreditam que o frango brasileiro seguirá competitivo, principalmente em países em desenvolvimento, onde a demanda por proteínas baratas e abundantes continuará em alta.

A abertura de novos mercados também está no horizonte. O Brasil negocia habilitações sanitárias para entrar em países que ainda mantêm barreiras, como Coreia do Sul e alguns da África Subsaariana. Caso esses acessos sejam liberados, o potencial de crescimento pode levar as exportações para além da marca de 5,5 milhões de toneladas por ano até 2030.

O frango brasileiro não é apenas um alimento: é uma engrenagem bilionária que move a economia, sustenta famílias e fortalece a posição internacional do país. Com quase 5 milhões de toneladas exportadas por ano e presença em mais de 150 países, o Brasil construiu uma liderança que dificilmente será desafiada no curto prazo.

Mas essa posição não está garantida para sempre. O setor precisa equilibrar competitividade com responsabilidade ambiental, inovação tecnológica e novos mercados. O futuro do agronegócio brasileiro pode muito bem continuar sendo escrito a partir das asas do frango — uma commodity que já se tornou símbolo da força produtiva nacional.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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