Comércio Exterior

Catarinense atua na linha de frente da negociação contra o tarifaço em Brasília: “Desafiador”

Natural de Florianópolis, Tatiana Lacerda Prazeres atua como secretária nacional pela segunda vez.

“Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Foi essa frase que a catarinense Tatiana Lacerda Prazeres ouviu do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, ao ser convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 2023. Natural de Florianópolis, a profissional tem mais de 20 anos de carreira e esta é a segunda vez que atua na pasta. Entretanto, neste ano, ela enfrenta um novo desafio na carreira: estar na linha de frente da negociação do tarifaço, imposto pelos Estados Unidos ao Brasil no início de agosto.

— Eu lembro que estava de férias em Florianópolis. Comprei uma passagem, vim para Brasília e eu lembro que fiquei muito emocionada quando ele me olhou e disse: “Ah, muito prazer em conhecer você. Todo mundo para quem eu pergunto de comércio exterior me fala de você”. Eu falei: “Nossa, que bonito, que momento de carreira, recompensador” — relembra Tatiana.

Quem é a catarinense secretária de Comércio Exterior

Nascida em Florianópolis, capital do Estado catarinense, Tatiana Lacerda Prazeres é graduada em direito e relações internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali), respectivamente. Tatiana conta que os temas internacionais, que impactam todo o mundo, sempre despertaram o seu interesse. Entre 2002 e 2003, realizou um mestrado em direito internacional também na UFSC. Durante seus estudos, encontrou uma área que conecta suas duas graduações: o direito do comércio internacional.

— Sempre me perguntei, ao longo da minha trajetória, como trabalhar com isso. Como colocar a dedicação ao tema em prática, em algo que pudesse fazer diferença. E aí apareceu a oportunidade de um concurso público que é da carreira a qual eu pertenço, de analista de comércio superior, em Brasília. Eu lembro que fiz o meu mestrado sobre uma coisa muito específica que chama “O acordo de barreiras técnicas da Organização Mundial do Comércio”. E aí quando eu vi o edital deste concurso que tinha lá “o acordo sobre barreiras técnicas”, [pensei] “uau, isso é para mim”. E, de fato, foi assim — recorda.

Com a oportunidade, Tatiana mudou-se a Brasília com a convicção de que teria que gostar da vida na capital federal. Segundo ela, para atuar na área é importante estar na cidade, sobretudo pelo seu interesse em atuar no serviço público, ou, como Tatiana mesmo define: “trabalhar pelo país.

— E me adaptei muito bem, muito facilmente. Essa reunião de pessoas, de diferentes lugares do Brasil, que são movidas pelo mesmo propósito, foi algo para mim super interessante. Acho que eu passei a conhecer o Brasil mudando para Brasília — revela.

Na capital federal, Tatiana continuou seus estudos. Ingressou na Universidade de Brasília (UNB) para cursar um doutorado em relações internacionais. Nesse período, atuou em diferentes agências do governo, como a de promoção de exportações. Em janeiro de 2011, foi convidada a assumir o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC. Com isso, tornou-se a pessoa mais jovem a ocupar a função, aos 32 anos.

— Foi uma experiência incrível, muito desafiadora por ser mulher e jovem ao mesmo tempo. Então, aprendi muito, foi fascinante — conta.

Durante a experiência profissional, sua vida pessoal também passou por mudanças. Ela casou-se nessa época e, como seu marido é diplomata, logo surgiu uma nova oportunidade para ambos atuarem em Genebra, na Suíça. A cidade é conhecida como um importante centro diplomático e abriga escritórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS). Então, Tatiana se licenciou do MDIC para atuar como assessora sênior do diretor-geral da OMC.

— Esse trabalho no exterior foi incrível. Foi um período muito interessante em que eu não representava o Brasil, mas eu atuava na organização a favor de entendimentos entre os vários países — explica.

A família permaneceu em Genebra durante cinco anos. De lá, seguiram para um novo desafio em Pequim, na China. No país asiático, Tatiana tornou-se professora da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, a qual possui vínculo até os dias de hoje.

— Foi uma experiência incrível morar por três anos na China, um país fascinante. A sensação era de estar onde as coisas estão acontecendo. E para quem se dedica ao comércio internacional, viver na China é algo é muito interessante. Eu acho que fez todo o sentido para a minha trajetória de vida.

Durante esse período, Tatiana foi convidada a escrever, semanalmente, uma coluna sobre a China para o jornal Folha de S.Paulo. Para ela, a oportunidade se revelou um desafio intelectual enorme, mas também um período de aprendizado rico.

Ao retornar para o Brasil, em 2022, foi chamada para ser diretora de comércio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Permaneceu na instituição até dezembro do mesmo ano, quando saiu para assumir novamente o cargo de secretária de Comércio Exterior do MDIC a convite do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Sobre planos futuros, Tatiana revela que vive em um exercício constante de administrar a ansiedade, expectativas e ambições.

— Se você tivesse me perguntado se eu me veria a colunista da Folha de S.Paulo, eu diria: “de jeito nenhum”. Foi algo que surgiu em função das circunstâncias. Mas administrar a ansiedade e não saber onde estarei daqui a “x” tempo e o que estarei fazendo é algo que é um exercício. De maneira que eu tenho ambições na vida, mas elas não têm nome e sobrenome. Eu estou aberta para o que as circunstâncias vierem a me oferecer — afirma.

Negociações internacionais

Comparando a primeira e a segunda atuação à frente da secretaria de Comércio Exterior, ela afirma que o mundo está mais complexo e que as questões comerciais estão cada vez mais relacionadas a uma agenda de segurança nacional e de meio-ambiente, além da utilização do comércio como um instrumento para a concepção de objetivos não comerciais.

— O trabalho se tornou muito mais desafiador e ao mesmo tempo mais interessante em função das circunstâncias externas. A utilização de ferramentas comerciais para objetivos não comerciais é algo que se intensificou num período muito recente da história e algo com o que o mundo inteiro está tentando lidar. Então essa questão, dos Estados Unidos em particular, me fez trabalhar muito mais. É um desafio, mas eu fico contente de poder colocar todo meu conhecimento, experiência e capacidade de trabalho em favor do país num momento tão único como este que nós vivemos na agenda de comércio exterior — diz.

Brasil x Estados Unidos

Tatiana Lacerda Prazeres faz parte da linha de frente das negociações do tarifaço, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e toda a equipe do MDIC. Por ser catarinense, a secretária conta que está em contato constante com representantes do Estado, como deputados e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Para a secretária, a união de esforços, incluindo líderes de partidos de oposição, é importante para encontrar soluções para os desafios impostos pelo tarifaço. Ela cita encontros com o senador Esperidião Amin e o deputado federal Valdir Cobalchini para tratar de mitigações e o que o governo pode ou não fazer para auxiliar os estados neste momento.

— É muito bacana quando as pessoas aqui em Brasília, quando eu me apresento e digo: “Ah, eu sou de Santa Catarina”, eu sinto que dá um conforto também para os nossos interlocutores saber que há alguém aqui em Brasília nessa posição, nesse momento histórico, com um olhar atento à realidade do Estado — relata.

As negociações do Tarifaço

Senadores dos Estados Unidos tentam revogar o tarifaço contra o Brasil. A pasta acredita que realmente esse tarifaço pode ser revogado, qual é a expectativa?

São vários movimentos que se complementam com o objetivo da reversão dessa decisão. Esse que você se referiu talvez seja mais recente. É muito interessante porque vem do congresso americano envolvendo congressistas de diferentes partidos, né? Então esse é um movimento no congresso, mas há um movimento no judiciário também que questiona a legalidade das medidas. Há todo um esforço de negociação do governo brasileiro, há um esforço do setor privado brasileiro que busca atuar junto aos seus parceiros, aos seus compradores nos Estados Unidos. Então, eu diria que esse movimento no congresso se soma a esses outros esforços que estão em curso e o objetivo é, enfim, reverter essas medidas que na nossa visão não se justificam.

Com relação aos programas divulgados pelo Governo Federal e pelo Estado de Santa Catarina, a expectativa é que ajude a longo prazo para frear os impactos negativos [do tarifaço]?

O objetivo é mitigar o impacto negativo do tarifaço para as empresas especialmente afetadas. Várias medidas já foram anunciadas, algumas requerem aprovação do congresso. Então, inclusive nós trabalhamos com o congresso nesse sentido. Diria que uma medida muito importante, inclusive para o Estado, é o Reintegra. Reintegra vai devolver para as empresas especialmente afetadas pelo tarifaço 3%, vai agregar três pontos percentuais a uma devolução que hoje é de 0,1%. Então, a empresa exportadora, especialmente afetada pelo tarifaço americano, vai ter a devolução de 3,1% do valor exportado, seja para os Estados Unidos, seja para outros destinos, com a aprovação dessa medida.

Então, essa é uma entre outras, mas uma na qual nós estamos muito empenhados em implementar. Precisamos, no entanto, que o congresso dê autorização legal. Mas o objetivo é mitigar o impacto ao mesmo tempo em que a gente busca negociar com os americanos e busca também abertura de novos mercados. Na terça-feira (16), nós assinamos o acordo Mercosul-EFTA. Um acordo muito recente que se soma os esforços do governo brasileiro para conclusão de acordos comerciais. Nós esperamos assinar ainda neste ano o acordo Mercosul-União Europeia, que também, com ainda mais força, vai ajudar na diversificação dos mercados brasileiros. Estamos trabalhando com promoção de exportações. A Apex fez todo um plano voltado a ajudar a busca de mercados alternativos nesse contexto. Vice-presidente Alckmin esteve no México buscando oportunidades, vai à Índia buscando oportunidades também. Então é uma mobilização em várias frentes.

Conselho para meninas e mulheres que gostariam de atuar na área de Comércio Exterior:

Eu acho que uma boa formação é fundamental inclusive com idiomas. Não vai muito longe nessa área sem um domínio efetivo de idiomas. Mas eu diria que, além dessa formação técnica sólida, eu não paro de estudar nunca e é importante valorizar essa dimensão da formação, do conhecimento, tem essa outra camada que tem a ver com confiança, que tem a ver com apetite, vontade, interesse em assumir desafios maiores, posições de liderança. É importante que isso seja cultivado, valorizado e que as meninas e mulheres sintam que esse é um espaço também para elas. Então, eu acho que essa combinação de uma formação sólida, com a confiança e o apetite. Isso precisa ser valorizado, valorizado pela sociedade, valorizado pelos parceiros ou parceiras que essas meninas desejam ter, alguém que apoie o crescimento profissional e a função de responsabilidades maiores, posições de liderança.

Fonte: NSC

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Comércio Exterior

Comércio Exterior: Declarações de ICMS em sete estados passam a ser feitas apenas pelo PCCE

A partir desta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, as Declarações de ICMS destinadas às Secretarias de Fazenda da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal, Rondônia, Acre e Amapá só poderão ser realizadas pelo sistema de Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE), acessível no Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).

Com a mudança, o Siscomex Importação Web (DI) deixará de disponibilizar a opção de declaração de ICMS para esses estados. Caso o importador ou despachante selecione uma das unidades da federação desabilitadas (BA, MG, MT, DF, RO, AC e AP), o sistema emitirá a mensagem de erro:

“Pagamento de ICMS desabilitado, proceder no sistema PCCE do Pucomex”.

Declarações em outros estados

Nos demais estados, as Declarações de ICMS continuam sendo aceitas pelo Siscomex Importação Web (DI). No entanto, haverá uma restrição importante: só será permitido registrar declarações para as unidades federativas vinculadas ao processo de importação — ou seja, UF do importador, UF do adquirente e UF de despacho.

Se a unidade federativa selecionada não corresponder a nenhuma dessas, o sistema apresentará a mensagem:

“UF inválida para declaração de ICMS”.

Modernização no comércio exterior

A medida faz parte do processo de integração e simplificação do Portal Único de Comércio Exterior, que busca centralizar operações e reduzir burocracias no pagamento de tributos estaduais relacionados à importação.

Texto: REDAÇÃO

Imagens: ILUSTRATIVA

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Portos

Itajaí sedia congresso técnico do setor portuário

Evento rola nesta segunda e terça-feira, no Riviera Convention, na Praia Brava.

Considerado um dos mais importantes eventos do setor no país, o congresso Portos & Costas Brasil 2025 inicia nesta segunda, em Itajaí. A programação vai até terça e contará com especialistas nacionais para debater infraestrutura portuária, dragagem, hidrovias, marinas, cruzeiros, meio ambiente e sustentabilidade.

O evento acontece no Riviera Convention Center, na Praia Brava. Além de painéis temáticos sobre diferentes áreas, o congresso permite aos participantes o contato com representantes e grandes empresas do setor, geração de negócios e troca de conhecimentos. Essa é a 3ª edição do congresso.

Idealizador do evento, Mauricio Torronteguy, sócio-diretor da MTCN, destaca a evolução do congresso. “O Portos & Costas ganhou relevância nas suas duas primeiras edições e, neste ano, vamos buscar repetir essa performance com nomes de primeira grandeza”, afirma. As inscrições para o congresso são limitadas a 280 participantes e podem ser feitas pelo site portosecostas.com.br/inscricoes. A programação completa também está disponível no site oficial.

Temáticas em destaque

A eficiência portuária, determinante para a competitividade no comércio exterior, estará no centro dos debates. O painel sobre infraestrutura terá nomes como Julio Cesar de Sousa Dias, da Secretaria Nacional de Portos; Fabio Wosniak, da Wosniak Engenharia; Gustavo Maschietto, da Carioca Engenharia; e Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente da Portonave.

O painel Navegação e Hidrovias, moderado por Eduardo Aoun Tannuri, discutirá metodologias para comboios e empurradores, além de parcerias público-privadas e os desafios da infraestrutura hidroviária. Já o painel Meio Ambiente e Sustentabilidade abordará dragagens com sedimentos contaminados, estratégias de descarbonização e programas de conservação de fauna costeira.

O eixo Engenharia e Processos Costeiros trará especialistas como Antônio Klein e Pedro Pereira (UFSC), Gabriel Paschoal (Hidromares), Mariana Grandezzi (ArcelorMittal) e Guilherme Medeiros (Porto de São Francisco). O debate terá foco em tecnologia, sustentabilidade e aproveitamento de material dragado.

A dragagem será tema de outro painel, com participação de Willian Fronza (Van Oord), John Verly (Royal IHC) e Calebe Sangi Silva (VLI), além de Mauricio Gaspar Filho e Matheus Trocoli Novaes, da Autoridade Portuária de Santos (APS), que apresentarão experiências do maior porto da América Latina.

Fonte: Diarinho

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Comércio Exterior

Senadores dos EUA propõem suspender tarifas da era Trump sobre o Brasil

Um grupo de cinco senadores dos EUA apresentou um projeto de lei na quinta-feira (18) para cancelar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar barrar a acusação no Brasil contra um de seus amigos, são ultrajantes”, disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.

A proposta também foi assinada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pelos democratas Jeanne Shaheen e Ron Wyden, e pelo republicano Rand Paul, membro do próprio partido de Trump.

Em julho, Trump anunciou uma tarifa retaliatória de 50% sobre produtos brasileiros em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados próximos, condenados na semana passada por liderarem a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A maior parte da alíquota efetiva de 40% foi imposta com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que dá ao presidente dos EUA autoridade para regular a atividade econômica em resposta a “ameaças extraordinárias”.

O senador Kaine afirmou que a medida faz parte “dessas guerras comerciais incompetentes e caóticas que estão tornando bens do dia a dia mais caros para os americanos que só estão tentando se virar”.

“Quando esta legislação chegar ao plenário do Senado, peço aos meus colegas de ambos os lados que defendam o princípio de que nossa política econômica deve ser elaborada em função dos melhores interesses dos americanos — não de vendetas pessoais mesquinhas”, disse ele.

O senador Schumer ecoou o colega democrata, argumentando que Trump está usando a política comercial para avançar sua agenda política.

“Trump instituiu a falsa ‘declaração de emergência’ após a acusação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara extrapolação de seus poderes presidenciais. Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso”, disse Schumer.

Até mesmo o senador Paul, que concorda com Trump que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente, disse que o presidente dos EUA extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA para impor tarifas.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade sob a IEEPA para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, argumentou Paul.

Os senadores enfatizaram os fortes laços comerciais entre os dois países, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos americanos.

Uma guerra comercial mais profunda, alertaram, aumentaria os preços para os consumidores americanos, prejudicaria ambas as economias e aproximaria o Brasil da China.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA está analisando — em caráter acelerado — um recurso do governo contra a decisão de um tribunal inferior que concluiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor a maior parte das tarifas com base na lei de poderes emergenciais. As tarifas permanecem em vigor enquanto o caso tramita na Justiça.

A decisão do tribunal de apelações decorre de dois processos. Um foi movido por cinco pequenas empresas importadoras de mercadorias, incluindo um importador de vinhos e licores com sede em Nova York e uma empresa de artigos de pesca da Pensilvânia.

O outro foi aberto por 12 estados norte-americanos — Arizona, Colorado, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Minnesota, Nevada, Novo México, Nova York, Oregon e Vermont, a maioria governados por democratas.

A Suprema Corte também concordou em analisar um terceiro caso movido pela Learning Resources, uma empresa familiar de brinquedos.

Fonte: Valor International

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Comércio Exterior

A maior diferença de taxas em relação aos EUA aumenta a atratividade do real brasileiro

O dólar perdeu 14,2% em relação à moeda brasileira até agora neste ano.

A já significativa diferença de taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos se ampliou ainda mais na quarta-feira (17), quando a taxa Selic, referência do Brasil, foi mantida em 15%, enquanto o Federal Reserve dos EUA cortou sua taxa-alvo em 25 pontos-base. A medida aumentou a atratividade do real para estratégias de carry trade baseadas em diferenças no custo de capital — operações que tiveram desempenho forte ao longo do ano.

Com um cenário global favorável e o dólar enfraquecendo mundialmente, os investidores veem espaço para nova valorização da moeda brasileira. Ainda assim, há uma ressalva: a cotação do dólar já caiu 14,2% no mercado local.

O arbitragem de carry trade envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir onde as taxas são mais altas, lucrando com a diferença. A ampla diferença entre as taxas brasileiras e americanas tem sido citada por gestores de ativos e bancos nacionais e internacionais como motivo para esperar que o real supere outras moedas de mercados emergentes, apesar das preocupações com a instabilidade política, que pode aumentar a volatilidade.

“A verdade é que o cenário externo é muito favorável, com o dólar perdendo terreno globalmente. Quando o ambiente global é favorável, o mercado tolera mais risco doméstico”, disse Gustavo Vieira, economista e sócio da Opportunity Total. “Nesse cenário, o diferencial de taxas de juros pesa mais do que qualquer outra narrativa.”

O Sr. Vieira espera que o ambiente externo continue positivo para os mercados emergentes no curto prazo. “Este ciclo de cortes de juros do Fed está ocorrendo em um período em que as chances de uma recessão nos EUA são baixas. De modo geral, este é um bom ambiente para ativos de risco”, observou. Se a perspectiva global permanecer de enfraquecimento do dólar e o Brasil mantiver taxas elevadas, é provável que o real supere seus pares.

“As taxas de juros reais no Brasil não são apenas altas em comparação com os EUA, mas também em relação a outros países da América Latina que competem por fluxos globais de portfólio, especialmente México e Colômbia”, afirmou.

Riscos potenciais

Alguns investidores, no entanto, questionam se os participantes do mercado subestimaram os riscos e se o real deveria ter se valorizado ainda mais neste ano, dado o cenário global favorável e as taxas domésticas elevadas.

Comparando o desempenho do real com outras moedas, Eduardo Jarra, economista-chefe e estrategista do Santander Asset Management, disse que a moeda brasileira começou o ano com desconto devido à forte depreciação no final de 2024. “O real ‘se movimentou’ e se destaca entre as moedas este ano, ajudado pelo diferencial de taxas. Mas em 2025, começamos de uma base mais fraca, o que contribuiu para essa valorização”, afirmou. “O nível atual do real parece consistente com os fundamentos até agora.”

O Santander Asset Management espera que o Brasil comece a cortar as taxas de juros apenas no primeiro trimestre do ano que vem, enquanto projeta-se que o Fed continue reduzindo suas taxas, podendo chegar a 3,5% até 2026.

“O diferencial de juros vai se ampliar ainda mais a favor do Brasil, e ainda vejo isso como um ambiente favorável do ponto de vista fundamental. Se o dólar estiver se desvalorizando e o carry continuar favorável, a perspectiva deve permanecer construtiva”, disse Eduardo Jarra.

Drausio Giacomelli, estrategista-chefe de mercados emergentes do Deutsche Bank, também vê a moeda brasileira bem ancorada, dado os ciclos monetários contrastantes entre o Brasil e seus pares. “O diferencial de taxas é uma das melhores coisas que o real tem a seu favor neste momento. Enquanto bancos centrais em outros lugares começaram a cortar ou retomarão em breve, o Banco Central do Brasil está dizendo: ‘não até o próximo ano’”, afirmou.

Giacomelli espera que a divergência continue por algum tempo. “Daqui a seis meses, a taxa de juros do Brasil ainda pode estar cerca de 6 pontos percentuais acima da Colômbia, 10 pontos acima do Chile, 7,5 pontos acima do México e quase 11 pontos acima das taxas dos EUA. Isso é significativo.”

Mas os spreads de juros não são os únicos fatores que apoiam uma possível nova valorização do real. A menor volatilidade cambial e a participação limitada de investidores estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro também favorecem a moeda, disse Gustavo Vieira, da Opportunity.

“A menor volatilidade do câmbio no Brasil sugere que o risco percebido é menor, tornando o diferencial de taxas ajustado pela volatilidade ainda mais atraente”, afirmou. “Além disso, quando o Brasil tinha spreads de juros com os EUA como estamos vendo agora, o investimento estrangeiro em renda fixa geralmente era maior do que é hoje. Portanto, ainda há espaço para entradas de capital, especialmente porque o Brasil não possui mais classificação de grau de investimento.”

O principal risco para uma valorização adicional do real, na visão de Vieira, seria uma deterioração do cenário externo, como uma forte desaceleração da atividade econômica nos EUA aumentando as chances de recessão, ou um aumento inesperado da inflação que obrigue o Fed a retomar os aumentos de juros.

Jarra, do Santander Asset, também apontou uma possível correção de mercado. “Há espaço para nova valorização”, disse ele. “Mas devemos lembrar que o real já se valorizou consideravelmente este ano, o que deixa o mercado exposto a possíveis retrações técnicas.”

Fonte: Valor International


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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Alckmin: “A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”.

Fala do vice-presidente e ministro do MDIC se deu durante debate sobre a força dos pequenos exportadores promovido pelo SBT News.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a necessidade de ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações durante a abertura do evento “Os pequenos também exportam”, realizado nesta quarta-feira (17/09) pelo SBT News. Alckmin destacou medidas de apoio aos pequenos empreendedores como o Acredita Exportação, o Portal Único de Comércio Exterior e o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Apex Brasil.

“A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”, afirmou o ministro. “O Brasil é um importante exportador, mas pequenos empreendedores ainda exportam pouco. A Itália é um bom exemplo de um país onde os pequenos exportam muito”, complementou.

Para o ministro, oferecer estímulos para que os pequenos empreendedores exportem mais faz parte da estratégia para tornar o Brasil um país mais competitivo no exterior. “Com o Acredita Exportação, a micro e a pequena empresa ganha um crédito automático de 3,1% do valor exportado, que é uma maneira do governo devolver parte do imposto pago pelos insumos dos produtos exportados”, exemplificou.

Outra medida importante elencada pelo ministro diz respeito ao Portal Único de Comércio Exterior, que permite o uso de uma mesma licença tanto para exportação como para importação, além de reduzir a burocracia e o uso de papel. “Isso deve reduzir o Custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano”, ressaltou Alckmin. “Uma carga parada no porto por um dia custa 0,8% do valor da carga. Se ficar três dias parada, já foi 2,5%. O Portal Único vai dar mais agilidade, reduzir esse tempo e permitir maiores ganhos para os empreendedores”, detalhou.

O ministro ainda citou o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), promovido pela Apex Brasil com o objetivo de preparar micro e pequenas empresas para o mercado externo. “O PEIEX é um programa só para capacitação dos pequenos, para que eles possam exportar e, com isso, ganhar mais mercado”, lembrou.

“Tem também a promoção dos produtos, que traz compradores para o Brasil, para comprarem das pequenas empresas aqui e faz participação também lá fora, em feiras de negócios, para poder colocar o produto das pequenas empresas”, acrescentou.

Tarifaço

Ao mencionar os problemas provocados pela imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o ministro destacou o programa de mitigação implantado pelo governo federal para amenizar o impacto na economia. “O que o governo está fazendo? Primeiro, R$ 40 bilhões de crédito pelo fundo garantidor. Dois, compras governamentais. Três, prorrogação do drawback por um ano. E quatro, o reintegra para pequenas empresas que oferece crédito de 6,1% do valor exportado”, enumerou.

Fonte: MDIC gov.br

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Exportação

Exportação de carne de Mato Grosso tem leve alta; Russia compra mais que EUA

As exportações de carne bovina mato-grossenses, mês passado, se mantiveram próximas em relação a julho, sendo enviadas 89,68 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) segundo a Secex (secretaria de Comércio Exterior), alta de 0,22% no comparativo mensal, representando o maior volume já enviado pelo Estado.

O preço médio por carne exportada, que foi de US$ 4.368/tonelada, resultou no faturamento de US$ 391,80 milhões em agosto. Cabe ressaltar que a demanda chinesa ainda se mantém aquecida, com aumento de 1,71% em relação a julho, mas um ponto de destaque foi a Rússia, que ultrapassou os Estados Unidos nas exportações totais, sendo responsável por 6,47% de toda exportação de carne bovina de Mato Grosso, em 2025. Por fim, o aumento na demanda externa no segundo semestre tende a aumentar a intensidade da alta nos preços do boi gordo, dado que a demanda interna também é maior neste período.

Fonte: Só Notícias

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Comércio Exterior

Análise: Governo precisa de cautela em ajuda a afetados pelo tarifaço

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (16), um projeto que expandi o auxílio governamental aos exportadores brasileiros impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida requer uma análise criteriosa devido às limitações orçamentárias do governo. A análise é de Fernando Nakagawa no Bastidores CNN.

Setores mais vulneráveis da economia brasileira, como produtores de frutas do Vale do São Francisco e apicultores do Ceará e Piauí, já contam com linhas de crédito emergenciais a juros reduzidos.

Enquanto isso, os segmentos mais organizados da economia nacional, como as indústrias do café e da carne, têm conseguido encontrar alternativas comerciais.

O setor de carnes revisou suas projeções de prejuízo e reduziu a estimativa inicial de US$ 1 bilhão para US$ 300 milhões, uma queda de 70%.

A ampliação da ajuda governamental deve ser realizada com cautela, considerando a escassez de recursos públicos disponíveis.

É essencial direcionar o suporte financeiro para os setores que realmente necessitam, evitando destinar recursos a segmentos que já encontraram meios de minimizar os impactos das tarifas.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Algodão: agosto registra menor volume exportado em cinco anos

As exportações da safra 2024/25 de algodão tiveram início em agosto com desempenho abaixo do esperado. Segundo dados divulgados pelo Imea, Mato Grosso embarcou 40,39 mil toneladas no período, o que representou 52,14% do total nacional. O volume, no entanto, foi 36,78% menor em comparação ao mesmo mês do ciclo anterior.

Mato Grosso lidera, mas embarques recuam

Mesmo com retração, Mato Grosso manteve protagonismo. O estado concentrou mais da metade das exportações, mas o desempenho refletiu um movimento geral de queda. Considerando os últimos cinco anos, agosto de 2025 registrou o menor volume do período, ficando 14,18% abaixo da média histórica.

Os principais compradores da safra 23/24 seguiram relevantes neste início do novo ciclo. Vietnã, Paquistão e Bangladesh absorveram 13,65%, 22,92% e 18,40% das exportações em agosto, respectivamente, consolidando-se como mercados estratégicos para o grão mato-grossense.

Apesar do arranque enfraquecido, a expectativa do setor é positiva. A projeção do Imea é que a safra 24/25 registre novo recorde de exportações, sustentada pela competitividade do grão brasileiro e pela manutenção da demanda asiática.

Para produtores e tradings, o cenário exige atenção redobrada à logística e às variações cambiais. Se confirmado o ritmo de aceleração nas próximas janelas de embarque, o Brasil deve reforçar sua posição como principal fornecedor global, ampliando receitas para o agronegócio e fortalecendo a balança comercial.

Fonte: AgroLink

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Portos

Governo decide leiloar canais de acesso a portos e especialistas alertam para risco de encarecer tarifas e travar comércio exterior

O governo federal anunciou que o Brasil terá, em 2025, o primeiro leilão dos canais de acesso a portos, infraestrutura até hoje custeada por recursos públicos. A medida, inserida no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prevê repassar à iniciativa privada a responsabilidade por dragagem, sinalização e manutenção de canais essenciais para a entrada e saída de navios.

O plano, segundo a União, busca trazer eficiência e previsibilidade, mas especialistas alertam que os custos podem ser repassados aos usuários, encarecendo tarifas e reduzindo a competitividade do comércio exterior brasileiro.

Primeiros leilões começam em outubro

O primeiro certame será realizado em 22 de outubro, com o canal do Porto de Paranaguá (PR).

Em dezembro, será a vez de Itajaí (SC), terceiro maior complexo de contêineres do país.

Os contratos terão validade de 25 anos, e o critério de vitória será o maior desconto sobre a tarifa de acesso.

O caso de Itajaí envolve ainda um desafio histórico: a remoção do navio Pallas, embarcação à vela de 1891 que naufragou durante a Revolta da Armada.

Avaliada em R$ 25 milhões, a operação será de responsabilidade da concessionária vencedora e é considerada crucial para liberar o tráfego de navios de até 400 metros.

Segundo Alex de Ávila, secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, a concessão permitirá superar problemas de demora em licitações e falta de verba.

A concessão tem por objetivo elevar a eficiência, a segurança e a profundidade dos canais”, afirmou.

A expectativa do governo é que os diferentes leilões em portos como Santos (SP), Rio Grande (RS) e Codeba (BA) mobilizem mais de R$ 6 bilhões em investimentos.

Especialistas temem tarifas mais caras

Apesar do otimismo oficial, especialistas alertam que o modelo pode elevar custos logísticos.

Isso porque dragagens, manutenções e obras de alta complexidade tendem a ser repassadas aos usuários finais.

Num país onde 95% do comércio exterior depende da via marítima, qualquer aumento tarifário impacta diretamente exportadores, importadores e, em última instância, o consumidor brasileiro.

O setor agroexportador e a indústria mineral seriam os mais atingidos.

Soja, milho, carne e minério, principais itens da pauta exportadora nacional, poderiam perder competitividade diante da alta nos custos de frete.

O risco é que o Brasil perca espaço em mercados globais justamente no momento em que busca ampliar sua presença internacional.

Desigualdade regional e dúvidas de rentabilidade

Outro ponto de atenção é a concentração regional dos investimentos.

Portos do Sul e Sudeste, mais lucrativos, tendem a atrair investidores com facilidade, enquanto estruturas do Norte e Nordeste podem não ter a mesma atratividade.

Já estão no radar os futuros leilões em Suape (PE) e Itaqui (MA), mas analistas alertam que a rentabilidade limitada pode reduzir o interesse privado, gerando desigualdade no desenvolvimento logístico nacional.

Críticos destacam que, embora os leilões representem um avanço em previsibilidade, a dependência de concessões pode engessar políticas públicas, dificultando a adaptação do setor às mudanças do comércio global.

Entre eficiência e risco de perda de competitividade

O debate também carrega peso político.

No governo Jair Bolsonaro, havia propostas de privatizar integralmente portos como Santos e Itajaí, mas a atual gestão optou por manter o controle da União, concedendo apenas trechos específicos de alto custo.

Na prática, o novo modelo divide responsabilidades: o governo preserva a autoridade portuária, enquanto o setor privado assume os investimentos pesados.

A questão é se essa transferência trará ganhos de longo prazo ou apenas aumentará os custos de curto prazo.

Se por um lado a concessão pode garantir dragagem contínua e maior eficiência, por outro, o risco de tarifas mais altas é real e ameaça a competitividade das exportações brasileiras.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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