Comércio Exterior, Exportação, Mercado Internacional

Exportações da China avançam em junho antes do prazo de Trump para tarifas

Embarques do país aumentaram 5,8% em junho em relação ao ano anterior, superando a previsão da Reuters e o crescimento em maio

As exportações da China recuperaram o ímpeto em junho, uma vez que as empresas se apressaram em enviar pedidos para capitalizar uma frágil trégua tarifária com os Estados Unidos antes do prazo do próximo mês, com remessas para os centros de trânsito do Sudeste Asiático particularmente fortes.

Empresas de ambos os lados do Pacífico estão aguardando para ver se as duas maiores economias do mundo conseguirão chegar a um acordo mais duradouro ou se as cadeias globais de oferta serão novamente prejudicadas pela reimposição de tarifas superiores a 100%.

Os produtores chineses, que enfrentam uma demanda fraca no país e condições mais severas nos Estados Unidos, onde vendem mais de US$ 400 bilhões em mercadorias por ano, também estão protegendo suas apostas e correndo para conquistar participação de mercado em economias mais próximas.

Dados da alfândega divulgados nesta segunda-feira (14) mostraram que os embarques da China aumentaram 5,8% em junho em relação ao ano anterior, superando a previsão de alta de 5% em uma pesquisa da Reuters e o crescimento de 4,8% em maio.

“Há alguns sinais de que a demanda antecipada está começando a diminuir gradualmente”, disse Chim Lee, analista sênior da Economist Intelligence Unit.

“O desvio e o redirecionamento do comércio parecem continuar, o que atrairá a atenção das autoridades nos EUA e em outros mercados”, acrescentou.

As importações avançaram 1,1% após um declínio de 3,4% em maio. Os economistas previam aumento de 1,3%.

Analistas e exportadores estão atentos para ver se um acordo firmado em junho entre os negociadores dos EUA e da China será mantido, depois que um acordo anterior, de maio, foi prejudicado por uma série de controles de exportação que interromperam as cadeias globais de oferta dos principais setores.

As exportações para os EUA cresceram 32,4% em relação ao mês anterior, sendo junho o primeiro mês completo em que os produtos chineses se beneficiaram da redução das tarifas dos EUA.

Enquanto isso, os embarques para a Associação das Nações do Sudeste Asiático, composta por 10 membros, aumentaram 16,8%.

O superávit comercial da China em junho foi de US$ 114,7 bilhões, acima dos US$ 103,22 bilhões registrados em maio.

Fonte: CNN Brasil

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Agronegócio, Comércio Exterior

Governo foca em 5 produtos do agro para destinos alternativos aos EUA

Café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas são prioridades; veja mapa de alternativas

O governo federal se prepara para o cenário em que entrem em vigor as tarifas de 50% anunciadas pelos Estados Unidos e foca em cinco produtos na busca por destinos alternativos ao agro: café, suco de laranja, carne bovina, pescados e frutas.

Estes estão entre os itens que o Brasil mais exporta para os EUA. Os destinos alternativos aparecem em diversos continentes, mas se concentram na Ásia, detalhou em entrevista à CNN o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Luis Rua.

Confira abaixo o mapa de alternativas aos produtos do agro:

Para o café, o avanço no mercado chinês é tratado como uma das principais possibilidades. O gigante asiático vem aumentando sua demanda pelo produto e já importa US$ 1,09 bilhão por ano, sendo cerca de US$ 336 milhões deste total do Brasil.

Outra alternativa para o grão seria a Austrália, que compra anualmente US$ 619 milhões, sendo US$ 108 milhões do agro nacional. A avaliação de que há espaço para avançar nestes mercados considera que o Brasil concentra 40% da produção mundial de café.

O governo monitora o aumento da demanda da Arábia Saudita por suco de laranja e vê o país do Oriente Médio como alternativa ao seu produto. No caso dos pescados, está na mira a possibilidade de vender mais para o Reino Unido.

Estão entre as alternativas listadas por Luis Rua para a carne bovina o avanço no Vietnã, no México e no Chile, por exemplo. Já em relação às frutas, aparecem a China — especialmente para as uvas —, o Japão e a Coreia do Sul — no caso destes dois, o foco é a manga.

Exemplos de alternativas a parte, Luis Rua indica que neste eixo do trabalho, o governo definiu entre sete e oito ações possíveis para cada item. “Estamos fazendo ‘taylor made’ para cada mercado”, disse.

Eixos da preparação

O mapeamento de parceiros é um dos três eixos do trabalho do Mapa em relação às tarifas que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça impor ao Brasil a partir de 1° de agosto.

Um segundo eixo busca intensificar os trabalho para abertura de novos mercados aos produtos brasileiros — até aqui o governo Lula viabilizou 493 — e promoção comercial dos itens dos agro ao redor do globo.

Além disso, o pasta dá amparo técnico as às negociações diplomáticas, tocadas pelo governo. O secretário defende, por exemplo, que o Brasil peça aos EUA um prazo de 90 dias para dia diálogo entre as partes a fim de evitar a taxação.

Fonte: CNN Brasil


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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Brasil vai recorrer à OMC para reverter tarifa de 50% dos EUA sobre exportações 

Governo estuda Lei de Reciprocidade Econômica e anuncia diálogo com setor privado para enfrentar barreira comercial imposta por Donald Trump 

O governo brasileiro anunciou que vai atuar firmemente para reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações do Brasil. A decisão foi comunicada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no domingo (13), após a inauguração do Novo Viaduto de Francisco Morato, em São Paulo. 

Segundo Alckmin, o Brasil vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida anunciada na última quarta-feira (9) pelo presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a taxação com críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Vamos trabalhar para reverter isso, porque essa tarifa não faz sentido. Ela prejudica também o consumidor norte-americano. Vamos recorrer à OMC, porque entendemos que é uma medida inadequada e injustificável”, declarou Alckmin. 

Governo convocará setor privado e avalia resposta via Lei de Reciprocidade Econômica 

O vice-presidente informou que, nos próximos dias, o governo federal se reunirá com representantes do setor privado para alinhar estratégias. Também está em análise a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, que permite suspender concessões comerciais e de investimentos quando países adotarem medidas que afetem negativamente a competitividade brasileira no mercado internacional. “Os Estados Unidos têm superávit comercial conosco, tanto em serviços quanto em bens. O Brasil não é problema para os Estados Unidos. Temos uma integração produtiva e mais de 200 anos de amizade. O mundo econômico precisa de estabilidade e previsibilidade”, reforçou Alckmin. 

Entenda a nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros 

A nova política tarifária de Trump prevê taxação de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. A medida foi comunicada em carta enviada diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o líder americano cita ações do STF contra apoiadores de Bolsonaro que vivem nos EUA e critica a condução do processo judicial contra o ex-presidente. 

Trump chamou o julgamento de uma “caça às bruxas” e afirmou que ele “não deveria estar ocorrendo”. Segundo o republicano, Bolsonaro foi um “líder altamente respeitado em todo o mundo”, inclusive pelos Estados Unidos. 

IPI zero para carros sustentáveis é destaque em meio à tensão comercial 

Em meio ao impasse com os Estados Unidos, o governo brasileiro também anunciou medidas de incentivo à indústria nacional, como a redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros sustentáveis de entrada. O decreto, assinado por Lula na quinta-feira (10), integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e tem como objetivo estimular a produção e o consumo de veículos com menor impacto ambiental. 

“Essa medida pode reduzir o preço dos carros de entrada em até R$ 12 mil. É um avanço para a população e para a sustentabilidade”, afirmou Alckmin. 

Para que o veículo seja enquadrado na isenção do IPI, ele precisa cumprir quatro requisitos: 

  • Emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro
  • Ter mais de 80% de materiais recicláveis
  • Ser produzido no Brasil (incluindo motor, pintura, montagem e soldagem); 
  • Se enquadrar na categoria de carro compacto, voltado ao público de entrada. 

FONTE: AGENCIA BRASIL 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL 

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Comércio Exterior, Tecnologia

Inteligência Artificial e Big Data ganham papel estratégico no comércio exterior, aponta especialista

A digitalização dos processos e o uso inteligente de dados vêm redesenhando o cenário global do comércio exterior. Tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Big Data não são mais apenas tendências — tornaram-se ferramentas essenciais para empresas que desejam competir de forma eficiente, inovadora e sustentável no mercado internacional.

Quem afirma isso é a especialista em Comércio Exterior Mariana Pires Tomelin, com mais de 15 anos de experiência em internacionalização de indústrias e soluções voltadas à inserção em mercados globais. “A Inteligência Artificial permite processar uma quantidade imensa de dados em poucos segundos, identificar comportamentos de mercado, antecipar cenários econômicos e adaptar estratégias comerciais com precisão”, explica Mariana.

Segundo ela, ferramentas baseadas em algoritmos já são capazes de sugerir os melhores destinos para exportações, calcular custos logísticos de forma dinâmica e prever barreiras regulatórias que poderiam comprometer uma operação internacional.

O uso do Big Data, por sua vez, amplia o alcance estratégico das empresas. “Ao cruzar informações de múltiplas fontes, é possível descobrir novos nichos, ajustar preços de forma competitiva e monitorar, em tempo real, as movimentações dos concorrentes”, destaca. Essa visão macro fortalece o planejamento e reduz a incerteza nas decisões comerciais.

No entanto, Mariana faz um alerta: “Para extrair valor real dessas tecnologias, é fundamental que o conhecimento técnico em comércio exterior caminhe junto com a habilidade de lidar com sistemas e plataformas digitais”. Para ela, a qualificação da equipe se torna tão importante quanto a própria tecnologia.

À frente da consultoria Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que unem tecnologia de ponta e expertise técnica para transformar dados em decisões estratégicas. Seu trabalho está voltado à estruturação de operações internacionais eficientes, sustentáveis e personalizadas, com foco em inteligência comercial, compliance aduaneiro e estruturação tributária orientada por dados.

Multilíngue — com fluência em seis idiomas —, ela também se destaca pela atuação em negociações multiculturais e ambientes corporativos globais. Reconhecida por sua mentalidade visionária, Mariana é referência na aplicação de business intelligence internacional.

Para ela, o recado é claro: “Adotar soluções baseadas em IA e Big Data não é mais uma vantagem competitiva — é uma exigência do mercado atual. Empresas que desejam crescer, inovar e se manter relevantes no cenário internacional devem enxergar essas tecnologias como aliadas estratégicas para aumentar sua inteligência comercial e acelerar sua inserção global com segurança e assertividade.”

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Comércio Exterior

De madeira a carne suína: os produtos de SC mais vendidos aos Estados Unidos

País que anunciou tarifaço de 50% sobre mercadorias brasileiras a partir de agosto é maior mercado internacional de SC

Produtos de madeira, motores e materiais elétricos compõem a lista de produtos fabricados em Santa Catarina com maior volume de vendas para os Estados Unidos. Esses setores devem ser os mais impactados pelo “tarifaço” anunciado nesta quarta-feira (10) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra todos os produtos brasileiros. A taxa extra de 50% deve entrar em vigor em 1º de agosto, segundo carta divulgada por Trump.

O Observatório da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) aponta que a economia de Santa Catarina já vendeu 847,2 milhões de dólares em produtos para os Estados Unidos este ano, entre janeiro e junho. O segmento de obras de carpintaria para construções, que consistem em painéis de madeira usados na construção civil, incluindo painéis para revestimentos de pisos e base para telhados, representa o maior volume de vendas, com 118 milhões comercializados no primeiro semestre deste ano. O valor equivale a 14% de todas as exportações de SC para os EUA.

Ao longo de 2024, o Estado vendeu 1,7 bilhão em produtos aos Estados Unidos. Os três produtos mais comercializados foram os mesmos do primeiro semestre deste ano, puxados por obras de carpintaria para construções, que teve 283,8 milhões de dólares negociados com o país de Trump.

Nacionalmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, mas para Santa Catarina os EUA ainda são o maior mercado internacional. O país respondeu por 14% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano, seguido por China (9,9%) e Argentina (7%).

Volume de importações ainda é maior

Apesar do volume de vendas, a balança comercial de SC com os Estados Unidos ainda apresenta déficit, já que foram importados dos EUA 1 bilhão de dólares em produtos no primeiro semestre, o que resultou em um saldo negativo de 235 milhões de dólares. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump alegou que os Estados Unidos registrariam déficit nas relações comerciais com o Brasil, o que não se confirma nos dados de vendas no mercado internacional do país e nem do Estado.

Após o anúncio de Trump, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirmou que o tarifaço vai gerar desemprego no Estado e defendeu a diplomacia na negociação entre os países para evitar a aplicação da taxa a partir do próximo mês.

Sem poder exportar aos EUA, a opção é jogar para um outro país as vendas. Mas não existe mercado para comprar o volume que nós produzimos. E o mercado interno também não suporta tudo o que nós fazemos – afirmou o presidente eleito da Fiesc, Gilberto Seleme, em entrevista à colunista Estela Benetti, do NSC Total.

Ranking de produtos de SC mais exportados aos EUA

  • 1º) Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%)
  • 2º) Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%)
  • 3º) Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%)
  • 4º) Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%)
  • 5º) Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%)
  • 6º) Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%)
  • 7º) Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%)
  • 8º) Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%)
  • 9º) Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%)
  • 10º) Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%)

Fonte: NSC Total

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras: decisão de Trump gera reações e acirra tensões políticas e econômicas

O anúncio feito por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, provocou uma onda de reações no Brasil e no exterior. O motivo declarado por Trump foi o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentar liderar um golpe de Estado. O gesto foi amplamente interpretado como uma interferência direta nos assuntos internos do Brasil e gerou repercussões em diferentes esferas: política, econômica e diplomática.

A decisão, classificada pelo economista e Nobel Paul Krugman como parte de um “programa de proteção a ditadores”, foi duramente criticada por autoridades brasileiras, instituições empresariais, especialistas e parlamentares. Enquanto o governo Lula vê a medida como uma afronta à soberania nacional, políticos da oposição acusam o atual governo de criar tensões com os EUA.

Governo reage e convoca reunião de emergência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão convocando uma reunião de emergência com ministros e afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica, em vigor desde abril. Nas redes sociais, Lula destacou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida” e reforçou que o processo judicial contra Bolsonaro “é de competência da Justiça Brasileira”.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a iniciativa de Trump tem potencial político relevante: “Certamente, essa dimensão política é algo positivo para a administração Lula”, afirmou. No entanto, Cortez pondera que o efeito pode ser limitado pela polarização política e pelo forte apoio da base bolsonarista.

Especialistas alertam para riscos à soberania e impacto diplomático

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destacou que “ingerências externas não pegam bem no Brasil” e que até críticos de Lula podem ver o gesto como um ataque à soberania. Já Creomar de Souza, da consultoria Dharma Politics, afirmou que a medida é uma “bola quicando” para o governo, mas alerta que “a questão é saber se o governo terá uma resposta organizada e uníssona”.

Ian Bremmer, cientista político americano, afirmou que “seria intolerável para líderes americanos se outro país fizesse o mesmo com os EUA”, enquanto Krugman classificou as tarifas como “megalomaníacas” e sem justificativa econômica, observando que o comércio com os EUA representa menos de 2% do PIB brasileiro.

Setores econômicos pedem diplomacia e cautela

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação e defendeu diálogo. “Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, afirmou Ricardo Alban, presidente da entidade.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também pediu cautela: “A nova alíquota atinge o agronegócio nacional, impactando o câmbio e a competitividade”. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) enfatizaram os riscos de prejuízos econômicos e danos à imagem do Brasil no exterior. “É uma das maiores taxações já aplicadas na história do comércio internacional”, destacou José Augusto de Castro, presidente da AEB.

Parlamentares se dividem entre nacionalismo e acusação

Na arena política, a medida acirrou o embate entre governo e oposição. O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a atitude como “jogar contra o Brasil”, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ironizou que Lula “conseguiu ferrar o Brasil”. Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou os aliados de Bolsonaro de “traidores”, e Jaques Wagner (PT-BA) reforçou que “o Brasil não será quintal de ninguém”.

Deputados bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Filipe Barros (PL-PR), culparam Lula e o STF pela crise diplomática. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) criticou a “ideologia acima da economia”, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) falou em “perseguições” e “provocações baratas”.

Eduardo Bolsonaro e bastidores da decisão

A medida de Trump veio na esteira da atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Em carta enviada ao jornalista Guga Chacra, assinada junto com o jornalista Paulo Figueiredo, Eduardo confirmou que manteve “intenso diálogo com autoridades do governo Trump” e que a decisão de taxar o Brasil é reflexo direto dessas conversas, com o objetivo de pressionar o STF e seu relator, Alexandre de Moraes.

STF e diplomatas reagem

O ministro Flávio Dino, do STF, destacou em publicação nas redes que a Corte age em defesa da “soberania nacional e da democracia”. Já o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou diretamente sobre o assunto, mas bastidores apontam preocupação com o uso político da medida internacional para pressionar decisões judiciais.

O que esperar daqui para frente?

A escalada tarifária imposta por Trump reabre o debate sobre o uso de políticas comerciais para fins políticos. Apesar de seus efeitos diretos sobre o comércio exterior brasileiro serem limitados em termos absolutos — segundo dados da OMC, os EUA representam 11,4% das exportações brasileiras —, os impactos simbólicos e políticos podem ser significativos, especialmente em ano pré-eleitoral.

Há incerteza quanto aos desdobramentos diplomáticos. O governo brasileiro tenta articular uma resposta que preserve os interesses econômicos do país, sem acirrar ainda mais o conflito político. O sucesso dessa resposta, segundo especialistas, dependerá da habilidade do governo em unir diferentes frentes políticas e econômicas em torno de uma reação estratégica, firme, mas diplomática.

FONTE: COMPILADO DE NOTÍCIAS – BBC NEWS/BRASIL
FOTO: REUTERS/Ken Cedeno
TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

Comércio exterior: sai alfandegamento de área gigante, em Cariacica

O novo espaço para movimento de cargas internacionais pertence à GDL Logística, um dos maiores Clias (Centro Logístico Industrial Aduaneiro) do Brasil

A Receita Federal autorizou o alfandegamento em uma área de 200 mil m² da GDL Logística, na Rodovia do Contorno, em Cariacica. Trata-se de uma ampliação, em espaço, de quase 20% do que já é um dos maiores Clias (Centro Logístico Industrial Aduaneiro) do Brasil, que tem 1,16 milhão de m². Os famosos portos secos (o outro a operar na Grande Vitória é o Terca) são um fôlego importante para o complexo portuário. Neles, assim como na zona primária do porto, é possível, com o controle da Alfândega, fazer movimentação, armazenagem e despacho de mercadorias importadas ou a serem exportadas.

“A demanda aumentou muito nos últimos anos. Conseguimos uma área importante ao lado da nossa operação e o Fisco nos autorizou a ampliar a operação como recinto alfandegado. Fizemos um investimento de R$ 8 milhões na estrutura e a área já está completamente ocupada com carros e máquinas de linha amarela (equipamentos pesados utilizados por setores como construção civil, mineração e agronegócio). Parte dela está preparada para, no futuro, receber contêineres”, explicou Philippe Masse, CEO da GDL.

O executivo acredita em mais alguns anos de forte movimento de veículos importados pelo Estado (que é a maior porta de entrada de carros do Brasil). “A gente enxerga o movimento do comércio internacional crescendo como um todo no Brasil, e o Espírito Santo é um player importante. Além disso, a frota mundial de carros está passando por um processo de eletrificação, com a entrada de novos atores importantes na indústria automobilística. Algumas fábricas estão vindo para o Brasil, mas ainda haverá muita coisa vindo de fora. A transformação é grande e a demanda é alta”, assinalou Masse.

De olho na expansão portuária rumo ao Norte do Espírito Santo, o CEO da GDL afirmou que a companhia vai participar do processo de seleção para a escolha do operador do Clia que deve ser instalado na região de Aracruz. “Ainda não tem data para acontecer, mas iremos participar da seleção. Não tenha dúvida disso”.

A GDL começou a operar em 2018, a partir de um acordo entre Tegma (do Grupo Coimex) e Silotec.  

Fonte: A Gazeta

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Exportação

Exportação de veículos feitos no Brasil cresce 60% no 1º semestre

Já mercado interno não recuperou volume pré-pandemia, diz Anfavea

exportação de veículos fabricados no Brasil teve alta de 60% no primeiro semestre, principalmente graças à Argentina, que foi o principal destino.

Mas os juros altos da taxa Selic, em 15%, estão causando a desaceleração das vendas no Brasil. Para o consumidor, esse juro chega a 27% ao ano nos financiamentos automotivos.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (7), em São Paulo, em coletiva da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, outra consequência da alta de juros é a inadimplência daqueles que adquirem um veículo. Enquanto esse problema atinge 3% dos compradores pessoa jurídica, chega a quase 5% entre os compradores pessoa física.

Outro dado apresentado pelo dirigente compara a produção de veículos neste ano com o mesmo período de 2011, ou seja, 15 anos atrás. Na comparação, a indústria nacional de veículos produz hoje 13% a menos do que naquele ano, como explica Calvet.

Apesar disso, o presidente da Anfavea ressalta o crescimento recente da indústria nacional de veículos.

Sobre os emplacamentos, ou seja, a quantidade de veículos que efetivamente são comprados e entram em circulação, aumentou em quase 5% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2024 – o que representa 55 mil veículos novos nas ruas.

Veículos elétricos

Outro dado que mostra uma mudança no comportamento do consumidor aparece no crescimento médio de emplacamentos de veículos elétricos e híbridos, que desde o início deste ano representam em torno de 10% do total de veículos emplacados.

Segundo a Anfavea, embora seja um dado positivo, ele praticamente não representa avanço da indústria nacional, já que a quase totalidade desses modelos são importados da China.

Como principal exportador de veículos para o Brasil, a China vendeu ao país quase 71 mil veículos no primeiro semestre deste ano, representando 6% do total de emplacados no país – um crescimento de 37% no período.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio, Comércio Exterior

Superávit da balança comercial atinge US$ 1,3 bilhão em julho

Exportações crescem 10,6% na 1ª semana de julho

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 1,3 bilhão na primeira semana de julho, com corrente de comércio de US$ 10,5 bilhões. O resultado decorreu de exportações no valor de US$ 5,93 bilhões e importações de US$ 4,6 bilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

No acumulado de 2025, as exportações somam US$ 171,8 bilhões e as importações, US$ 140,4 bilhões, totalizando saldo positivo de US$ 31,39 bilhões e corrente de comércio de US$ 312,2 bilhões. A média diária da corrente de comércio na primeira semana de julho atingiu US$ 2,639 bilhões, enquanto o saldo médio diário foi de US$ 325,31 milhões.

As exportações até a primeira semana de julho apresentaram crescimento de 10,6% em relação a igual período de 2024, passando de US$ 1,34 bilhão para US$ 1,48 bilhão. Já as importações registraram alta de 14,3%, com média de US$ 1,15 bilhão, ante US$ 1,01 bilhão no ano anterior.

No acumulado do mês, as exportações de Agropecuária caíram 13,8%, totalizando US$ 1,07 bilhão. A Indústria Extrativa teve crescimento de 24,4%, alcançando US$ 1,55 bilhão, enquanto a Indústria de Transformação aumentou 15,2%, somando US$ 3,28 bilhões. O aumento nas exportações foi puxado por produtos como animais vivos (40,3%), produtos hortícolas frescos (44,4%) e café não torrado (23,4%) na Agropecuária; minério de Ferro (7%) e minérios de Cobre (203,3%) na Indústria Extrativa; e carne bovina (48,4%), aeronaves (330,5%) e ouro não monetário (164,2%) na Indústria de Transformação.

Apesar do crescimento geral, produtos como milho não moído (-76,9%), soja (-9,5%) e algodão em bruto (-56,2%) tiveram queda nas exportações dentro da Agropecuária. Na Indústria Extrativa, houve redução nas vendas de pedra, areia e cascalho (-70%) e minérios de metais preciosos (-97%). Já na Indústria de Transformação, farelos de soja (-38,6%) e produtos semiacabados de Ferro ou aço (-50,4%) registraram diminuição.

Nas importações, Agropecuária cresceu 2,9%, somando US$ 0,09 bilhão, enquanto a Indústria Extrativa recuou 6,4%, com US$ 0,23 bilhão. A Indústria de Transformação aumentou 16,6%, totalizando US$ 4,30 bilhões. O aumento das compras ocorreu principalmente em milho não moído (128,4%), soja (152,4%) e matérias vegetais em bruto (30,7%) na Agropecuária; outros minerais (5,1%) e óleos brutos (79,1%) na Indústria Extrativa; e óleos combustíveis (31,3%), medicamentos (58,6%) e fertilizantes químicos (36%) na Indústria de Transformação.

Por outro lado, produtos como pescado (-37,4%), trigo e centeio (-8,6%) e frutas frescas (-14,9%) tiveram queda nas importações no setor agropecuário. A Indústria Extrativa registrou redução em fertilizantes brutos (-76,3%) e carvão (-87,3%). A Indústria de Transformação teve queda nas compras de Cobre (-91,1%), válvulas e transistores (-18,9%) e veículos para transporte (-24,2%).

Fonte: AgroLink

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Comércio Exterior, Importação

Portal Único de Comércio Exterior torna mais ágil e simples o pagamento de taxas para importação

Pagamento de taxa de fiscalização da Anvisa para a importação de itens sujeitos a licenciamento passa a ser realizado em poucos minutos

O processo de facilitação de operações brasileiras de importação no âmbito do Portal Único de Comércio Exterior avança mais uma etapa. O pagamento centralizado da Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária (TFVS), relacionada à importação de qualquer mercadoria sob anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será feito somente por meio do Portal Único.

Em junho, foi concluída a migração dos pagamentos de taxas relacionadas às importações sob a responsabilidade da Anvisa. “É uma facilidade que se traduz em economia de tempo e dinheiro. O tempo médio gasto neste processo caiu de até 48 horas para cerca de 5 minutos” avalia o coordenador-geral de Facilitação do Comércio, Tiago Barbosa, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A migração seguiu um cronograma faseado, iniciado em abril, que abrangeu as petições relativas à licença de importação de alimentos; seguido por cosméticos, saneantes, padrões, mamadeiras e material biológico; medicamentos e substâncias controladas; e, por último, dispositivos médicos.

O coordenador explica que, antes, o solicitante tinha que entrar na plataforma da Anvisa, solicitar a emissão da Guia de Recolhimento da União (GRU), fazer o pagamento e aguardar o registro da quitação do boleto para que a Anvisa iniciasse a análise da licença de importação.

Agora, a operação é imediata, com o cálculo da taxa e o pagamento realizados integralmente dentro do Portal Único, por meio da conta Gov.br.  O importador, pessoa física ou jurídica, deve cadastrar previamente a conta bancária autorizada para o débito. Em média, são realizadas, por dia, quase duas mil operações.

Competitividade

De acordo com a Anvisa, essa agilidade tem impacto direto na competitividade das empresas, uma vez que cada dia de carga parada aguardando autorização pode representar um custo de 0,8% sobre o valor total da mercadoria.

Para a assessora da Gerência de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Anvisa, Mônica Figueirêdo, o sucesso da integração ao PCEE é resultado de uma construção conjunta entre diferentes instituições. “É uma conquista coletiva que só traz benefícios para diferentes segmentos da sociedade”, avalia.

Integração e agilidade

A migração desse serviço integra um projeto mais amplo de modernização das operações brasileiras de importação por meio do Portal Único do Comércio Exterior. A transição está sendo implementada em fases, mas os avanços já são perceptíveis pelo setor privado. Com a mudança, estima-se uma redução de 9 para 5 dias no tempo médio de liberação de cargas, o que pode gerar uma economia anual superior a R$ 40 bilhões para os operadores privados.

O Portal Único reduz em 99% o uso de papel, permite uso de uma mesma licença para múltiplas operações e promove a interoperabilidade na troca de certificados, além de outros benefícios. É uma iniciativa do governo federal para reduzir a burocracia, o tempo e os custos nas exportações e importações brasileiras, a fim de atender com mais eficiência às demandas do comércio exterior.

Sua implementação foi iniciada em 2014 e está sendo realizada de forma modular, em substituição ao Siscomex antigo. O programa já processa 100% das exportações brasileiras e contemplará também todas as importações ao final do processo.

Ao longo do primeiro semestre de 2025, os órgãos anuentes vêm aderindo progressivamente ao Novo Processo de Importação do Portal Único de Comércio Exterior, como parte dos esforços de modernização e integração dos procedimentos aduaneiros brasileiros.

A fim de sinalizar os avanços recentes e ajustes necessários para garantir uma transição eficiente, a Secex e a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) divulgaram uma atualização no cronograma de adesão dos anuentes, publicada na seguinte notícia: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/comunicados/alteracao-cronograma-adesao-dos-anuentes

Avanços

Entre os avanços promovidos pelo Portal Único estão: integração entre os sistemas dos órgãos públicos e privados; informações preenchidas uma única vez; fiscalização concomitante pelos órgãos anuentes e pela Receita Federal; notificações de tarefas pendentes; pagamentos de tributos federais e estaduais na mesma plataforma; declarações aduaneiras recebidas e distribuídas imediatamente para análise, sem a necessidade de se aguardar horários específicos do dia; e análise mais precisa dos dados de importação, o que melhora o gerenciamento de riscos.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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