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Curso sobre o Novo Processo de Importação destaca transformações no Comércio Exterior brasileiro

 O especialista Tiago Barbosa conduziu um dia de aprendizado prático sobre o Portal Único de Comércio Exterior,  e as mudanças estruturais que estão modernizando o setor.

Despachantes Aduaneiros e profissionais de áreas afins, tiveram um dia inteiro de atualização e treinamento sobre o Novo Processo de Importação com foco nas mudanças operacionais, na integração de sistemas e na adaptação das rotinas profissionais às novas exigências. A imersão, realizada no último sábado (25), foi conduzida por Tiago Barbosa, que até pouco tempo esteve à frente da gerência do Portal Único do Comércio Exterior. O treinamento foi organizado pelo Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Paraná e Santa Catarina (SDA)

Segundo o presidente do SDA, Flavio Demetrio da Silva, destacou que a realização do curso reflete o compromisso da entidade em estar próxima de seus associados neste momento de mudanças significativas no setor. “O que nos motivou é a nossa intenção, como entidade de classe, de estar ao lado dos nossos associados, dando todo o suporte, especialmente agora, nesse período de transição dos sistemas da Receita Federal e dos órgãos anuentes. Temos nos preparado dessa forma, participando de diversas ações junto à federação e à Receita, e repassando esse conhecimento aos nossos associados”, afirmou.

Um especialista com experiência global

Tiago Barbosa possui uma trajetória sólida e reconhecida na área. Servidor licenciado da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), atuou como Gerente do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex), e Coordenador-Geral de Facilitação do Comércio. Com mais de 15 anos de experiência no setor público, também já desenvolveu projetos junto ao FMI, à ONU e atualmente é consultor do BID em Comércio e Investimentos.

Durante o curso, Tiago apresentou as mudanças trazidas pelo Novo Processo de Importação (NPI), e destacou a importância da integração de sistemas e da adaptação dos processos internos nas empresas que atuam no setor.

Depoimentos: aprendizado prático e visão de futuro

A advogada e sócia da Costa & Bonete Advogadas Associadas, Larissa Gonçalves Costa, participante do curso, destacou o caráter prático e a clareza das explicações. “Mesmo vindo da área jurídica, busco sempre integrar o jurídico à rotina do Despachante Aduaneiro, porque agrega tanto para o cliente quanto para o profissional. Tiago mostrou desde o método de criação até os objetivos do Portal Único, trazendo para a prática de forma muito eficiente. Consegui internalizar a operacionalidade do sistema com clareza.”

Para o gerente de Comércio Exterior da Mundial Comex, Alceu Roberto Braga Júnior, o aprendizado foi essencial para compreender a fundo o novo modelo. “Foi muito proveitoso para ver na prática sobre o novo processo de importação. Fomos além do catálogo — entendemos de onde veio, como funciona e qual o futuro. É uma ação muito válida e necessária.”

Em entrevista à CEO do ReConecta News, Renata Palmeira, Tiago Barbosa reforçou o papel do Despachante Aduaneiro na nova era do Comércio Exterior. “O papel do despachante vem evoluindo ao longo dos anos. Hoje, ele é o especialista capaz de encontrar a operação mais eficiente e com menor custo para cada cliente. As automações do Siscomex trazem celeridade, mas o conhecimento técnico e estratégico continua sendo papel do especialista.”

Uma revolução silenciosa no comércio internacional brasileiro

As discussões durante o curso reforçaram o peso econômico e estratégico do Portal Único de Comércio Exterior. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a digitalização dos processos pode gerar uma economia anual de até R$ 52 bilhões para o Brasil — sendo R$ 36,6 bilhões em importações e R$ 15,4 bilhões em exportações.

A iniciativa reduz em até 90% o tempo de liberação de mercadorias importadas e 25% nas exportações, integrando mais de 80 órgãos públicos em um sistema único e transparente. Essa transformação eleva a competitividade internacional, atrai investimentos e diminui o chamado “custo Brasil”.

O impacto é sentido em todos os modais. No transporte marítimo, beneficia indústrias dependentes de insumos estrangeiros; já no modal aéreo, traz agilidade a setores de alto valor agregado, como tecnologia e farmacêuticos.

Preparar-se é essencial

Para os profissionais do setor, compreender o Novo Processo de Importação é mais do que uma atualização — é uma necessidade estratégica. O Portal Único representa uma mudança estrutural na relação do Brasil com o Comércio Exterior, tornando o país mais moderno, previsível e competitivo no cenário global.

O ReConecta esteve presente e reforça seu compromisso em promover e apoio iniciativas que tragam conhecimento, networking e capacitação, conectando profissionais às transformações que moldam o futuro do comércio internacional.

Após o sucesso da edição em Curitiba, o mesmo curso “Novo Processo de Importação” será realizado em Itajaí (SC) no dia 29 de novembro. A capacitação é uma iniciativa conjunta do SDA – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Paraná e Santa Catarina com o Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), reforçando o compromisso das entidades em promover atualização técnica e integração entre os profissionais do setor.

TEXTO: REDAÇÃO

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Comércio Exterior

Taxa das blusinhas faz 38% dos consumidores desistirem de compras internacionais, aponta pesquisa da CNI

A chamada “taxa das blusinhas” já impacta diretamente o comportamento dos consumidores brasileiros. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (27), 38% dos consumidores deixaram de comprar em sites internacionais após a cobrança do imposto de importação.

Brasileiros buscam alternativas nacionais

Entre os entrevistados que realizaram compras internacionais nos últimos 12 meses, 32% afirmaram ter buscado produtos semelhantes no mercado nacional para evitar a nova taxação. A medida, que voltou a incidir sobre compras de até US$ 50, foi defendida pelo setor industrial como uma forma de equilibrar a competição entre empresas brasileiras e estrangeiras.

Para o superintendente de Economia da CNI, Márcio Guerra, o retorno do tributo é um passo importante para garantir justiça e competitividade à indústria nacional.

“A implementação do Imposto de Importação é o início de um processo que busca trazer mais equilíbrio ao mercado. Ainda assim, o patamar atual está abaixo do necessário, já que outros países possuem carga tributária bem menor”, afirmou.

Entenda a “taxa das blusinhas”

O imposto de importação (II), de 20% sobre compras internacionais até US$ 50, foi reestabelecido em 2024 após forte pressão do varejo nacional. A cobrança foi retomada para garantir concorrência justa entre os vendedores estrangeiros e as lojas brasileiras.

Até então, as remessas estavam isentas desde 2023 por meio do Programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal. Desde 1º de agosto de 2024, todas as compras internacionais passaram a pagar tributos federal (20%) e estadual (ICMS entre 17% e 20%).

Frete e prazos também influenciam desistências

Além dos impostos, o frete internacional e o prazo de entrega são fatores decisivos para a desistência de compra. O estudo mostra que 45% dos entrevistados cancelaram pedidos ao descobrir o valor do frete, um aumento de cinco pontos percentuais em comparação à pesquisa de maio de 2024.

32% desistiram por causa do tempo de entrega, percentual próximo ao do levantamento anterior (34%).

Segundo Guerra, essa mudança de comportamento demonstra uma maior racionalidade do consumidor brasileiro.

“A ‘taxa das blusinhas’ fez o consumidor refletir mais sobre o real custo-benefício das compras internacionais, algo que antes era ofuscado pela diferença de preços”, explicou.

Impactos na indústria e no consumo

A nova tributação sobre compras internacionais deve fortalecer o varejo nacional e favorecer a indústria brasileira, que enfrentava desvantagem competitiva frente aos marketplaces estrangeiros. A expectativa é de que o mercado interno volte a se beneficiar da mudança, com estímulo à produção e à geração de empregos.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: FG Trade/Getty Images

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Comércio Exterior

Empresários buscam ampliar comércio com Sudeste Asiático em meio a tarifas dos EUA

Com o objetivo de fortalecer as relações comerciais com o Sudeste Asiático, uma comitiva formada por empresários brasileiros embarca nos próximos dias para Indonésia e Malásia. A missão ocorre em um momento de tensões comerciais globais, agravadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

A delegação, composta por 94 empresas dos setores industrial e agropecuário, é coordenada pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e conta com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Indonésia é destaque entre as oportunidades de negócios

Segundo estudo da ApexBrasil, apresentado pela CNI, os maiores potenciais de crescimento comercial estão na Indonésia, com destaque para os setores agroindustrial, têxtil e de defesa. O país asiático ocupa atualmente a 19ª posição entre os destinos das exportações brasileiras.

Entre os principais produtos enviados pelo Brasil estão farelo de soja, petróleo bruto, açúcares e melaço. Já as importações brasileiras concentram-se em óleos e gorduras vegetais, calçados e peças automotivas. Além disso, há investimentos bilaterais em áreas como mineração, papel e celulose, tabaco e têxteis.

Malásia também entra no radar das exportações brasileiras

A Malásia aparece como o 23º maior destino das exportações do Brasil e é considerada um parceiro estratégico para a diversificação de mercados, especialmente em meio ao aumento das barreiras comerciais globais.

Para a CNI, a missão empresarial representa uma oportunidade concreta de aproximar o Brasil de economias emergentes asiáticas, reduzindo a dependência de mercados tradicionais.

“Diante das recentes turbulências e das novas taxações norte-americanas, é essencial que o Brasil amplie suas parcerias e consolide uma agenda comercial mais diversificada”, destacou a entidade.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Ajeng Dinar Ulfiana/File Photo

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Importação

Importações brasileiras devem bater recorde em 2025, aponta CNI

Aumento das importações pode afetar balança comercial do Brasil

O Brasil deve registrar um volume recorde de importações em 2025, segundo projeção divulgada nesta sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O crescimento da demanda por produtos estrangeiros e os preços mais competitivos praticados no exterior são os principais fatores apontados pela entidade para o avanço nas compras internacionais.

Projeção para 2025: US$ 287,1 bilhões em importações

De acordo com o boletim econômico trimestral da CNI, a estimativa é que o país importe US$ 287,1 bilhões no próximo ano, valor 4,8% superior ao registrado em 2024. Apesar do crescimento, o Brasil ainda deve encerrar 2025 com superávit na balança comercial, estimado em US$ 60,5 bilhões. O número, porém, representa queda de 8,2% em relação ao superávit de US$ 74,6 bilhões obtido em 2024.

A balança comercial mede a diferença entre exportações e importações em determinado período. Mesmo com o superávit mantido, a alta nas importações tende a pressionar esse saldo.

Setores com maior alta nas importações

Entre janeiro e setembro de 2025, o país já importou US$ 212,3 bilhões, o que representa um aumento de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram:

  • Bens de capital: alta de 26,7%
  • Bens intermediários: aumento de 9,4%
  • Bens de consumo: crescimento de 4%

Segundo a CNI, não há sinais de desaceleração nas importações até o fim do ano. A entidade reforça que “essa demonstração de força das importações marcou o ano de 2025”, e que a tendência é de manutenção desse ritmo.

Exportações enfrentam entraves com os Estados Unidos

A projeção da CNI também chama atenção para o impacto da nova política comercial dos Estados Unidos, que tem afetado diretamente as exportações da indústria de transformação brasileira. Desde agosto, alguns produtos brasileiros enfrentam tarifas de até 50%, com base em acusações de “práticas comerciais desleais” e no processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda assim, a CNI prevê que as exportações brasileiras devem crescer 2,3% em 2025, impulsionadas pelos resultados positivos da indústria extrativa, agropecuária e da própria indústria de transformação nos primeiros meses do ano.

Diplomacia tenta amenizar tensões

Na tentativa de reduzir os atritos comerciais com os Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na última quinta-feira (16). O encontro, realizado na Casa Branca, foi classificado por Vieira como “produtivo”, mas ainda não há anúncios de mudanças nas tarifas.

FONTE: Com informações da CNI.
TEXTO: Redação

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Comércio Exterior

Novo Regime de Origem Brasil-Chile: entenda as mudanças para exportações

CNI lança cartilha para empresas sobre novas regras de exportação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira (30) uma cartilha sobre o Novo Regime de Origem Brasil-Chile, com o objetivo de orientar empresas e entidades setoriais sobre como ampliar oportunidades no mercado chileno. O material detalha as mudanças nas regras de exportação e explica como as empresas podem se adaptar às novas normas.

Para aprofundar o tema, a CNI realizará um webinar no dia 2 de outubro, às 11h, transmitido ao vivo pelo canal oficial da instituição no YouTube.

Principais alterações no regime de origem

O novo marco regulatório define quando um produto é considerado originário do Brasil ou do Chile, possibilitando o uso de preferências tarifárias previstas em acordos comerciais. Entre os pontos abordados na cartilha estão:

  • Funcionamento das regras de origem;
  • Limites de uso de insumos provenientes de terceiros países;
  • Modelos de prova e verificação de origem;
  • Atualizações alinhadas às práticas internacionais.

As mudanças buscam simplificar os cálculos, oferecer flexibilidade para setores estratégicos e adotar normas mais compatíveis com a logística atual.

Autocertificação e modelos híbridos

Entre as novidades do regime, destacam-se:

  • Simplificação e modernização das regras de origem;
  • Cálculos mais simples para insumos importados;
  • Maior flexibilidade nos percentuais de insumos de terceiros países: 40% (regra geral), 45% (alguns produtos) e 50% (setor automotivo);
  • Criação de modelo híbrido de prova de origem, permitindo autocertificação pelas empresas ou emissão por entidades habilitadas.

Comércio bilateral Brasil-Chile

Dados da CNI indicam que o comércio entre os dois países é concentrado na indústria de transformação. Nos últimos dez anos:

  • 69,8% das exportações brasileiras para o Chile foram de produtos industriais;
  • 64,8% das importações vindas do Chile também foram produtos da indústria;
  • Insumos industriais representaram 48,2% da corrente de comércio, enquanto bens de consumo duráveis e combustíveis corresponderam a 20,7% e 18,9%, respectivamente.

Segundo Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, a atualização das regras aumenta a previsibilidade e competitividade dos produtos brasileiros no mercado chileno, reforçando a integração econômica bilateral.

“O Brasil e o Chile firmaram um dos primeiros acordos comerciais do Mercosul, que resultou no primeiro acordo de livre comércio moderno para o Brasil. A modernização do regime de origem torna as regras mais simples, alinhadas às práticas internacionais e mais seguras para as empresas brasileiras”, afirma Constanza.

Webinar detalhará o novo regime

O webinar “Novo Regime de Origem Brasil–Chile” vai apresentar as alterações, esclarecer dúvidas e mostrar como o setor privado pode aproveitar os benefícios do acordo, garantindo maior participação das empresas brasileiras no mercado chileno.

📌 Serviço

  • Lançamento da Cartilha da Indústria: 30 de setembro
  • Webinar Novo Regime de Origem Brasil–Chile: 2 de outubro, às 11h, no YouTube da CNI

FONTE: Agência de Notícias da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA completa 50 dias e ainda atinge 73,8% das exportações brasileiras

Impacto do tarifaço nas vendas ao mercado americano

A sobretaxa imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras completou 50 dias em vigor e continua afetando fortemente o comércio bilateral. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 73,8% dos produtos brasileiros exportados ao país seguem sob tarifas adicionais, mesmo após a abertura de exceções pelo governo norte-americano.

O estudo aponta que 6.033 itens de diferentes setores ainda estão sobretaxados. Antes das isenções, o impacto atingia 77,8% das vendas.

Produtos liberados da sobretaxa

Na última atualização, 39 produtos foram retirados da tarifa extra de 50%, incluindo minerais críticos, químicos industriais e metais preciosos. Desses, apenas 13 tiveram exportação registrada pelo Brasil em 2024, movimentando US$ 1,7 bilhão, equivalente a 4,1% do total vendido aos EUA.

Três desses itens agora estão totalmente livres de tarifas adicionais: dois tipos de pastas químicas de madeira e o ferroníquel. Já os outros dez produtos permanecem com sobretaxa de 40%, entre eles níquel, grafite natural, artigos de ouro e ímãs permanentes.

Lula e Trump: aproximação em meio ao impasse

O governo brasileiro busca retomar o diálogo com Washington. A expectativa é que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontrem na próxima semana, após uma primeira aproximação durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a urgência de avançar nas negociações:
“A situação não beneficia ninguém. Esperamos que a reunião entre Lula e Trump seja o início de um processo oficial para reverter o tarifaço.”

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que atuou nos bastidores para viabilizar a conversa, afirmou que a reunião é um “passo importante” para buscar um acordo que favoreça os dois países.

Especialistas pedem cautela

Apesar da sinalização positiva, analistas lembram que a política comercial do governo Trump é marcada por imprevisibilidade. A professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, alerta que negociações podem ocorrer, mas sempre em cenários de incerteza.

Recentemente, Trump anunciou novas tarifas sobre caminhões, móveis e produtos farmacêuticos, reforçando a linha dura de sua política comercial.

Para o diretor da BMJ Consultores, José Pimenta, os EUA podem flexibilizar em alguns pontos, mas dificilmente vão abandonar o aumento tarifário como estratégia:
“Podem ocorrer ajustes ou exceções, mas a elevação das tarifas segue como parte central da política americana.”

Já o sócio-fundador da BMJ, Welber Barral, aponta que a sobretaxa levou o Brasil a diversificar mercados, aumentando as exportações de carne para países como México e China.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior, Industria

Indústria contrata escritórios na Ásia e Europa para ampliar mercados

Acordo foi firmado entre CNI e InvestSP, que também tem representantes no Oriente Médio e Estados Unidos.

Como parte da estratégia para minimizar os efeitos do tarifaço sobre a indústria brasileira, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) fechou um acordo com a InvestSP para abrir novos mercados. Com a parceria, a entidade terá representantes em Dubai, Nova York, Munique e Xangai mapeando oportunidades comerciais.

De acordo com Frederico Lamego, superintendente de Relações Internacionais da CNI, os representantes comerciais vão identificar potenciais fornecedores e distribuidores, além de verificar normas regulatórias e técnicas de outros países, de modo que as indústrias brasileiras possam se adaptar a esses mercados.

“Esses escritórios têm uma cobertura maior. Por exemplo, o de Dubai cobre o Oriente Médio. O mercado chinês por si só é muito grande. Por outro lado, é difícil exportar produtos industriais para lá [China]. Tem que fazer uma agenda de influência com o governo [chinês]”, disse Lamego à CNN.

Apesar de estar buscando novos mercados, a entidade reconhece que o mercado norte-americano não é substituível. O segmento de madeira e móveis, por exemplo, adota procedimentos específicos na sua produção para atender exclusivamente os compradores dos Estados Unidos.

Outra estratégia que vem sendo implementada pela CNI é o mapeamento e análise de todos os acordos comerciais que estão sendo firmados entre os EUA e outros países, de forma a identificar brechas que podem ser utilizadas como argumento na negociação brasileira.

Missão aos EUA

No início de setembro, a CNI realizou uma missão a Washington com o objetivo de abrir canais de diálogo para reverter ou reduzir as taxas adicionais de importação sobre produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos. Cerca de 130 empresários e representantes de associações de setores industriais integraram a comitiva.

Durante a viagem, a entidade brasileira propôs ampliar a relação entre Brasil e EUA para além da negociação tarifária. Os empresários argumentaram que há setores estratégicos que podem ser explorados na relação econômica entre os países, como data centers , a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e os estudos sobre minerais críticos e terras raras.

“Nós levamos a ideia de criar uma agenda positiva na área de minerais críticos, data centers e SAF, no sentido de colocar para o lado americano a disposição do setor privado de abrir um canal de negociação que seja mais amplo do que simplesmente uma questão tarifária”, afirmou Lamego à CNN.

Nos EUA, a CNI também participou da audiência pública relacionada ao processo aberto pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em português) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite investigar políticas ou práticas de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano.

A prestação de informações à USTR também é uma das frentes da CNI para reduzir às tarifas sobre as importações brasileiras. Entre as práticas questionadas pelo escritório, estão os acordos comerciais firmados entre Mercosul e Índia e o Brasil e o México.

De acordo com Lamego, a CNI buscou argumentar junto ao USTR que os acordos com a Índia e o México são restritos e limitados. Além disso, a entidade brasileira também alegou que a tarifa média praticada com o mercado norte-americano é inferior às implementadas no comércio com os indianos e mexicanos.

“Pode haver novos pedidos de informação por parte do governo americano. Pode acabar com as tarifas? Difícil. Mas, por outro lado, a justificativa da manutenção das tarifas pelo lado americano tem que está muito bem respaldada por eles, se isso vai extrapolar o mandato da agência, se está gerando algum tipo de discriminação, entre outros aspectos”, explica Lamego.

Também como parte da estratégia, a CNI contratou um escritório especializado em lobby para ajudá-lo nas negociações contra o tarifaço dos Estados Unidos. No radar da entidade brasileira, está ainda o acompanhamento dos efeitos das medidas do Plano Brasil Soberano na indústria.

Entre as ações do Plano Brasil Soberano que impactam diretamente a indústria, está o novo Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários), programa que devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário. O governo aumentou as alíquotas para as empresas afetadas pelo tarifaço.

Além disso, o plano prorrogou por um ano o prazo para que as empresas consigam exportar suas mercadorias que tiveram insumos beneficiados pelo regime de drawback. O drawback é um regime aduaneiro que permite a suspensão ou isenção de tributos incidentes na aquisição de insumos empregados ou consumidos na industrialização de produtos exportados.

Fonte: CNN Brasil

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Industria

Tarifaço azeda de vez o humor da indústria brasileira, mostra CNI

Entre junho e agosto o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas exportadoras caiu

O mau humor entre os exportadores  supera o pessimismo que já domina a indústria. Os exportadores brasileiros registraram índice de confiança inferior ao das indústrias que dependem apenas do mercado interno. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira, 1º.

Entre junho e agosto, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas exportadoras caiu de 50,2 para 45,6 pontos, ficando  abaixo da linha de 50 que separa confiança de falta de confiança. Desde o dia 6 de agosto metade de tudo que o país exporta para os Estados Unidos está pagando nova tarifa de 50% O cenário de incerteza se amplia com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, previsto para esta semana, já que o tarifaço imposto ao Brasil tem forte motivação política.

Inversão

A queda ocorreu em duas etapas. Em julho, o ICEI recuou 1,7 ponto. Com a entrada em vigor do tarifaço americano sobre parte dos produtos brasileiros, em agosto, houve nova redução de 2,9 pontos, segundo a CNI.

O  movimento, segundo o gerente da pesquisa, altera o padrão em que exportadores costumavam apresentar indicadores acima da média. “As taxas de juros elevadas penalizam o consumo dentro do país. Mas as empresas exportadoras, com a opção de vender para o exterior, contornavam a queda da demanda no mercado doméstico e, por isso, mostravam confiança superior à média da indústria”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Agora o ICEI dos exportadores (45,6) ficou abaixo do ICEI geral (46,1), que  está em nível de falta de confiança há oito meses.

O resultado pesa no Índice de Expectativas, que mede a confiança em relação ao futuro da economia e dos próprios negócios, que recuou 5 pontos no período, de 52,2 para 47,2 pontos.

Fonte: Veja

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Industria

Indústria pede prudência e insistência no processo de negociações com os EUA

FIESC integra comitiva da CNI a Washington na semana que vem para reuniões bilaterais e preparação da defesa do setor produtivo brasileiro na investigação nos termos da Seção 301

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de SC (FIESC) defendem a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. Neste sentido, uma comitiva liderada pela CNI com líderes de associações e empresários industriais desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.

Entre os participantes da missão aos EUA estará o primeiro vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, que representará os interesses do setor exportador catarinense. Segundo Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o objetivo será a busca de abertura de exceções nas tarifas para os principais produtos da pauta exportadora de SC.

Alban destaca também que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.

A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.

A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Industria

Expectativa de crescimento da indústria em 2025 cai para 1,7%, diz CNI

Projeção de crescimento econômico continua em 2,3%. Agro e mercado de trabalho devem sustentar PIB em meio ao tarifaço

Pressionada pelos juros altos e o cenário externo turbulento, a indústria deve crescer menos em 2025. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (19), reduz de 2% para 1,7% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Por outro lado, a projeção para a agropecuária é de alta significativa, passando de 5,5% para 7,9%. O setor, somado a um mercado de trabalho aquecido, deve sustentar o crescimento de 2,3% do PIB mesmo em meio ao aumento das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras. 

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, ressalta que a composição do crescimento da economia para 2025 não deve ser tão positiva como no ano passado. 


“Quando abrimos os números, identificamos um problema: os setores mais próximos do ciclo econômico, como a indústria e os serviços, têm apresentado um dinamismo cada vez menor. Nesse cenário, a projeção para o PIB não mudou porque a safra agrícola foi maior do que imaginávamos e o mercado de trabalho continua bastante aquecido, mas a composição do crescimento não é tão positiva”, avalia. 


Confira o comentário completo do diretor:

Exportações devem cair mais de US$ 5 bi 

Embora o volume de exportações tenha crescido 2%, os preços das exportações caíram 2% entre janeiro e julho de 2025. Nesse cenário, as exportações totalizaram US$ 198 bilhões no período, ante US$ 197,8 bilhões entre janeiro e julho de 2024. 

Além disso, a imposição de uma tarifa de 50% para parte das exportações brasileiras pode desacelerar o fluxo de vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos. Nos sete primeiros meses do ano, o setor exportou US$ 19 bilhões para os EUA, 7% a mais do que no mesmo recorte do ano passado. Parte do resultado positivo se deve à antecipação de importações pelas empresas americanas como resposta à nova política comercial dos EUA. 

Em meio ao cenário externo incerto, a CNI diminuiu de US$ 347,3 bilhões para US$ 341,9 bilhões o valor previsto para as exportações brasileiras, uma queda de US$ 5,4 bilhões em relação ao Informe Conjuntural do 1º trimestre. 

“Grande parte da redução nas exportações se deve ao aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. É importante que essas taxas adicionais sejam reduzidas, pois as medidas compensatórias anunciadas pelo governo são positivas, mas não são capazes de substituir o mercado americano para um número grande de empresas e setores”, explica Mário Sérgio Telles.

Apesar dos riscos de desvio de comércio e do crescimento da compra de bens intermediários e de bens de capital no 1º semestre, as importações devem perder ritmo no restante do ano por causa da desaceleração da atividade industrial. Projeta-se que as importações atinjam US$ 285,2 bilhões e não mais US$ 283,3 bilhões, como previsto. 

Com isso, a balança comercial brasileira deve ser superavitária em US$ 56,6 bilhões em 2025, valor 14% menor do que no passado. 

Indústria de transformação vai crescer menos que o previsto

A indústria de transformação registrou resultados negativos no 1º semestre de 2025, depois de crescer 3,8% em 2024. A demanda por bens industriais não apresenta o mesmo ritmo do ano passado, o que impactou a produção e o faturamento do setor nos últimos meses. A CNI avalia que os juros altos, o ritmo aquecido das importações e a provável queda das exportações – por causa da nova política comercial dos EUA – vão restringir a atividade industrial. Por isso, projeta-se que o PIB da indústria de transformação deve subir 1,5% em 2025. Vale lembrar que a CNI previa crescimento de 1,9% para o setor. 

Para o diretor de Economia da CNI, a perda de ritmo da indústria de transformação é preocupante. “Mesmo com várias medidas acertadas, como a Nova Indústria Brasil e o Programa de Depreciação Acelerada, o crescimento da indústria de transformação deve cair muito em comparação ao ano passado. Isso se deve, principalmente, à taxa de juros elevadíssima e ao aumento das importações, em parte por causa da política comercial americana”, destaca Mário Sérgio Telles. 

Embora também sinta os efeitos da desaceleração econômica, a indústria da construção seguirá aquecida graças à continuidade dos projetos iniciados em 2024 e ao bom desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, cujos lançamentos cresceram 31,7% no 1º trimestre. Por isso, a CNI mantém em 2,2% a estimativa de crescimento do PIB do setor. 

A indústria extrativa também será um dos destaques positivos do crescimento econômico de 2025. Não à toa, a CNI dobrou de 1% para 2% a expectativa de alta do setor, principalmente pelo aumento da produção de petróleo. Já o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos teve sua previsão de alta mantida em 2,5%. 

As condições climáticas favoráveis, a produção animal e a safra recordes impulsionam a agropecuária, que deve liderar o crescimento da economia em 2025, com alta de 7,9%. Além disso, o setor é menos sensível ao ciclo econômico e, por ser voltado principalmente à demanda externa, seu mercado consumidor é bem menos afetado pelos juros elevados. 

O setor de serviços deve continuar apresentando ritmo de crescimento modesto ao longo do ano, e o mercado de trabalho aquecido e a expectativa de crescimento robusto do rendimento médio dos trabalhadores devem impedir uma retração do setor, cujo PIB deve subir 1,8% em 2025.

Mercado de trabalho vai crescer acima das expectativas 

A criação de empregos e a massa de rendimento dos trabalhadores cresceram acima das expectativas da CNI nos primeiros meses do ano. Para a segunda metade de 2025, o mercado de trabalho deve apresentar relativa estabilidade, uma vez que a economia deve crescer menos. O número de pessoas ocupadas deve aumentar 1,5% em 2025, 0,6 ponto percentual acima da projeção anterior.

Já a massa de rendimento real deve subir 5,5%, 0,7 ponto percentual a mais do que estimava o 1º Informe Conjuntural.  Com isso, a taxa de desocupação média deverá registrar o menor patamar da história pelo segundo ano consecutivo, ficando em 6%. 

Selic vai continuar igual e inflação cairá para 5%

Até julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,2% em 12 meses, situando-se acima da meta de 3%. No entanto, a inflação deve começar a ceder no 2º semestre, fechando o ano em 5%, acima do resultado de 2024, quando subiu 4,8%. 

A inflação atual, as expectativas para o IPCA e as incertezas do cenário externo devem contribuir para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano até o fim de 2025. A política monetária contracionista deve limitar a 5,8% o crescimento real das concessões de crédito, abaixo dos 10,6% de 2024. 

Governo deve cumprir meta de resultado primário

As despesas primárias do governo federal devem crescer 3,3% em 2025, ante uma elevação de 2,2% da receita líquida, já considerando a arrecadação extra por causa do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e pela antecipação dos leilões de áreas não contratadas do pré-sal. Com isso, o governo deve encerrar o ano com déficit primário de R$ 22,9 bilhões, o equivalente a 0,2% do PIB, respeitando o limite inferior da meta de resultado primário, que é de déficit de R$ 31 bilhões (0,25% do PIB). 

A dívida bruta deve subir de 76,5% do PIB, em 2025, para 79% do PIB, em 2025. Para a CNI, sem um controle mais rígido das despesas obrigatórias, não será possível reverter a trajetória de crescimento da dívida pública.

Fonte: Portal da Indústria

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