Indústria

Fim da escala 6×1 pode impactar 97% das indústrias brasileiras, aponta pesquisa da CNI

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que uma eventual mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 ou a redução da carga horária semanal, poderá afetar 97% das indústrias brasileiras. O levantamento também mostra que 73% das empresas do setor são contrárias à redução da jornada de 44 para 40 horas por meio de legislação.

Entre os principais efeitos apontados pelas indústrias estão o aumento dos custos operacionais, a redução da competitividade e possíveis perdas na capacidade de produção.

Pesquisa ouviu mais de 1,6 mil empresas

A sondagem “Jornadas e Escalas de Trabalho na Indústria” foi realizada entre os dias 2 e 11 de março e contou com a participação de 1.664 empresas, sendo 1.366 das indústrias extrativa e de transformação e 298 da construção civil, incluindo negócios de pequeno, médio e grande porte.

Os dados mostram que a jornada semanal de 44 horas continua sendo a mais adotada no país, presente em 85% das empresas consultadas. Outras 12% operam com carga horária entre 40 e 44 horas. Apenas 2% trabalham com jornadas entre 36 e 40 horas, enquanto 1% utiliza modelos diferentes para os profissionais diretamente ligados à produção.

Maioria da indústria rejeita mudanças na legislação

O levantamento aponta resistência significativa às propostas em discussão sobre a jornada de trabalho.

Segundo a pesquisa, 73% das indústrias são contrárias à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas por determinação legal. Já o fim da escala 6×1 é rejeitado por 57% das empresas consultadas.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, mudanças dessa natureza podem gerar impactos em toda a cadeia produtiva.

“Quando a indústria aponta esses impactos, não está falando apenas da realidade do empresário, está falando sobre a viabilidade do negócio. Esses custos tendem a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando fornecedores, investimentos e a competitividade das empresas. E perda de competitividade significa menor capacidade de disputar mercados, produzir e crescer, o que vai se refletir na economia do país e na vida do consumidor”, afirmou.

Negociação coletiva tem papel importante na definição da jornada

A pesquisa também destaca que a negociação coletiva já é amplamente utilizada para definir jornadas de trabalho em diferentes segmentos da indústria.

Atualmente, 37% das empresas estabelecem a carga horária semanal por meio de acordos entre empregadores e trabalhadores. Entre as empresas de médio porte, esse percentual chega a 40%, enquanto nas grandes indústrias alcança 39%.

Além disso, 62% das empresas acreditam que mudanças como a redução da jornada ou a proibição da escala 6×1 podem comprometer benefícios conquistados em convenções e acordos coletivos. Apenas 20% discordam dessa avaliação, enquanto os demais adotaram posição neutra.

CNI defende debate baseado em dados

De acordo com Ricardo Alban, a entidade considera que qualquer alteração nas regras da jornada de trabalho deve ser discutida com base em estudos técnicos e respeitando as particularidades de cada setor produtivo.

Na avaliação do dirigente, a negociação coletiva já oferece mecanismos para que empresas e trabalhadores construam soluções adaptadas às diferentes realidades econômicas, preservando benefícios e garantindo maior flexibilidade nas relações de trabalho.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pinheiro / CNI

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Exportação

Financiamento às exportações ganha nova lei para ampliar crédito e competitividade das empresas

A nova lei de financiamento às exportações promete facilitar o acesso ao crédito, ampliar mecanismos de garantia e reduzir a burocracia para empresas brasileiras que atuam no mercado internacional. Sancionada como Lei nº 15.359/2026, a medida busca fortalecer a competitividade da indústria nacional, com foco especial nas micro, pequenas e médias empresas.

Além de modernizar a legislação, o novo marco cria condições para ampliar a presença de produtos brasileiros no exterior por meio de instrumentos mais eficientes de financiamento e seguro de crédito à exportação.

Nova legislação busca impulsionar a internacionalização das empresas

Na avaliação da presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, a iniciativa enfrenta um dos principais obstáculos históricos da indústria brasileira: a dificuldade de acesso a linhas adequadas de financiamento às exportações.

Segundo ela, muitas empresas possuem capacidade produtiva e produtos competitivos, mas deixam de conquistar novos mercados por falta de instrumentos financeiros capazes de apoiar suas operações internacionais.

Crédito continua sendo fator decisivo para exportadores

O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Afonso de Carvalho Costa Lopes, destaca que a disponibilidade de crédito permanece como um dos pilares para aumentar a competitividade das empresas brasileiras no comércio exterior.

De acordo com ele, oferecer um produto competitivo não é suficiente quando o exportador não dispõe de seguro de crédito à exportação e financiamento compatíveis com as exigências do mercado internacional, o que pode comprometer novas oportunidades de negócios.

Fundo de Garantia à Exportação terá novas atribuições

Entre as principais mudanças promovidas pela Lei nº 15.359/2026 está a ampliação do papel do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

A legislação moderniza a governança do sistema, simplifica o acesso aos instrumentos oficiais — inclusive por meio da criação de um portal único para solicitações — e reforça a segurança jurídica para gestores públicos, reduzindo entraves administrativos que historicamente dificultavam a liberação de financiamentos.

Regras ampliam garantias e incentivam investimentos sustentáveis

Segundo a diretora de Garantias da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), Nátany Boldo, o novo marco legal flexibiliza os prazos de operação do FGE e autoriza a realização de garantias indiretas em parceria com seguradoras privadas.

A legislação também amplia a cobertura para investimentos verdes, projetos de alta intensidade tecnológica e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento da competitividade da indústria brasileira no mercado global.

Medida Provisória reforça acesso ao crédito para exportadores

As mudanças trazidas pela nova lei foram complementadas pela Medida Provisória nº 1.345/2026, que autoriza o Fundo de Garantia à Exportação a dar suporte às operações do Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE).

A expectativa é ampliar a oferta de crédito às empresas exportadoras, especialmente às micro, pequenas e médias organizações.

De acordo com Nátany Boldo, o FGCE foi estruturado para operar em parceria com instituições financeiras por meio de garantias de carteira, tornando o acesso ao crédito mais ágil, simples e eficiente para quem busca expandir negócios no mercado internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Internacional

Acordo UE-Mercosul ainda enfrenta desafios, admite ministro da Alemanha

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, reconheceu que o acordo UE-Mercosul ainda enfrenta obstáculos antes de sua implementação completa. Apesar disso, ele afirmou que as pendências podem ser solucionadas ao longo do processo de consolidação do tratado.

Durante entrevista coletiva realizada em Buenos Aires, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, Wadephul destacou que a entrada em vigor definitiva do acordo ainda exigirá tempo. Segundo ele, embora existam questões pendentes, os avanços conquistados até agora são suficientes para permitir que os países envolvidos encontrem soluções para os desafios restantes.

Avanços após a cúpula do Mercosul

A declaração foi feita um dia após a 68ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, que reuniu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e países associados. O encontro teve como foco o fortalecimento da integração regional, a ampliação do comércio entre os integrantes do bloco e o avanço de pautas sociais e de desenvolvimento econômico.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, criando acesso a um mercado com mais de 700 milhões de consumidores e ampliando as oportunidades para exportadores brasileiros.

Resistência de países europeus continua

Apesar do avanço nas negociações, o tratado ainda enfrenta resistência em alguns países da Europa. Parte dos críticos teme que produtos sul-americanos, com custos mais competitivos, prejudiquem agricultores e setores produtivos europeus.

Entre os principais opositores está a Polônia. Em abril, o vice-primeiro-ministro Wladyslaw Kosiniak-Kamysz anunciou que o país pretende recorrer ao tribunal superior da União Europeia para contestar o acordo. A França também mantém posição crítica, alegando possíveis impactos negativos para os produtores rurais do continente.

Enquanto avalia os próximos passos relacionados ao tratado de livre comércio, o Parlamento Europeu aprovou, em junho, o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos. O pacto prevê redução de tarifas para diversos produtos industriais e agrícolas norte-americanos, após negociações conduzidas no ano passado com o governo de Donald Trump.

Implementação provisória prevê redução de tarifas

O acordo UE-Mercosul começou a ser aplicado de forma provisória em 1º de maio, encerrando um processo de negociações que durou cerca de 25 anos. Nesta etapa inicial, as medidas são implementadas gradualmente, principalmente no que diz respeito à redução de tarifas de importação e exportação.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras destinadas ao mercado europeu já passam a contar com tarifa zero. Entre os produtos beneficiados estão café solúvel, frutas frescas, óleos vegetais e diversos itens agroindustriais.

Outros produtos, como aves e açúcar, passam a operar dentro de sistemas de cotas com tarifas reduzidas. Já a carne bovina enfrenta incertezas após a União Europeia impor restrições às importações de cortes brasileiros por motivos sanitários.

No sentido inverso, produtos europeus como vinhos, queijos, azeites, chocolates, máquinas industriais, produtos químicos e automóveis terão redução gradual das tarifas para ingresso no mercado brasileiro, conforme os prazos estabelecidos no tratado.

Aprovação definitiva ainda depende de novas etapas

Mesmo com a aplicação provisória em andamento, o acordo de livre comércio ainda precisa cumprir etapas políticas e jurídicas em alguns países da União Europeia. Além da análise de pontos específicos pelo Parlamento Europeu, questionamentos apresentados por grupos contrários ao tratado continuam sendo avaliados pelas instâncias competentes.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Boris Roessler/picture alliance/Getty Images

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Evento

FIESC promove seminário sobre novas regras de financiamento às exportações

A FIESC realiza, no próximo dia 2 de julho, um seminário online para apresentar as mudanças na legislação que atualiza os mecanismos de financiamento às exportações no Brasil. O evento é direcionado a empresários, executivos e profissionais ligados ao comércio exterior que desejam compreender como as novas regras podem ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a competitividade das empresas no mercado internacional.

Com o tema “Financiamento às Exportações: o que muda com a nova legislação”, o webinar será realizado às 10h, em formato virtual.

Nova legislação amplia acesso ao crédito para exportadores

Durante o encontro, especialistas vão detalhar as principais alterações introduzidas pela nova legislação, que amplia as possibilidades de financiamento para empresas exportadoras.

Um dos destaques será o Seguro de Crédito à Exportação (SCE), ferramenta considerada estratégica para reduzir riscos nas operações internacionais e facilitar a expansão das empresas brasileiras em mercados externos.

A proposta do seminário é esclarecer como esses instrumentos podem contribuir para aumentar a segurança financeira das operações e incentivar novos negócios no cenário global.

Especialistas discutem impactos para a indústria

O debate contará com a participação de Afonso de Carvalho Costa Lopes, especialista em Políticas e Indústria da CNI, de Nátany Boldo, diretora de Garantias da ABGF, e de Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC.

Os convidados abordarão os reflexos das mudanças para a indústria brasileira, com foco nos ganhos de competitividade e nas oportunidades para as empresas catarinenses que atuam ou pretendem atuar no mercado internacional.

Como participar

A participação é gratuita e destinada a profissionais interessados em conhecer os novos instrumentos de financiamento à exportação e suas aplicações práticas.

Serviço

  • Evento: Financiamento às Exportações: o que muda com a nova legislação
  • Data: 2 de julho
  • Horário: 10h
  • Formato: Online
  • Inscrições: mediante preenchimento de formulário.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-Coreia do Sul segue travado e enfrenta resistência para avançar

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul continua distante de uma conclusão, apesar do interesse demonstrado pelo país asiático em retomar as negociações. Considerada uma das iniciativas estratégicas para ampliar mercados e diversificar parceiros comerciais, a proposta enfrenta obstáculos internos e não deve registrar avanços significativos no curto prazo.

As tratativas estão praticamente paralisadas desde 2019, principalmente devido à falta de consenso entre segmentos da indústria brasileira, que demonstram preocupação com os possíveis impactos da abertura comercial.

Consulta pública avalia cenário para futuras negociações

Em abril deste ano, o governo federal abriu uma consulta pública para reunir contribuições sobre potenciais acordos comerciais internacionais. As manifestações recebidas estão sendo analisadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que deverá apresentar suas conclusões nos próximos meses.

Até o momento, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sinalizou autorização para a retomada formal das negociações com os sul-coreanos.

Indústria teme aumento da concorrência de produtos coreanos

Um dos principais pontos de resistência envolve a possível ampliação da entrada de produtos manufaturados sul-coreanos no mercado brasileiro. Representantes da indústria avaliam que a elevada competitividade da economia asiática pode pressionar empresas nacionais e ampliar a concorrência em diversos setores.

Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que qualquer avanço dependerá da construção de um entendimento mais amplo com o setor privado, considerado peça-chave para viabilizar o acordo.

Embora as negociações oficiais estejam suspensas, Brasil e Coreia do Sul mantêm conversas técnicas voltadas à identificação de barreiras comerciais e possíveis entraves que precisariam ser solucionados antes de uma retomada formal das discussões.

Barreiras sanitárias também dificultam entendimento

Outro tema sensível nas negociações envolve o acesso de produtos agropecuários ao mercado sul-coreano. A Coreia do Sul mantém exigências sanitárias rigorosas para a importação de carnes, o que limita as exportações dos países do Mercosul.

Para Brasil, Argentina e Uruguai, a ampliação desse acesso é considerada fundamental. Avaliações dentro do bloco apontam que um acordo dificilmente avançará sem algum tipo de flexibilização dessas restrições.

Ao mesmo tempo, produtores rurais sul-coreanos também demonstram preocupação com o aumento da concorrência de produtos agrícolas vindos da América do Sul, cenário semelhante ao observado durante as negociações entre o Mercosul e a União Europeia.

Cenário global pode estimular retomada das conversas

Apesar das dificuldades, o governo brasileiro acredita que as mudanças recentes no comércio internacional podem criar condições mais favoráveis para uma aproximação futura.

Após o aumento das tensões comerciais provocado pelas políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, diversos países passaram a buscar novos mercados e parceiros estratégicos. Nesse contexto, a expectativa é que a Coreia do Sul amplie seu interesse por acordos que reduzam a dependência de mercados tradicionais.

Mercosul amplia agenda de acordos internacionais

Nos últimos anos, o Mercosul intensificou as negociações com diversos países e blocos econômicos. Atualmente, estão em pauta tratativas com Canadá, Indonésia, México, Vietnã, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Índia e a própria Coreia do Sul.

Diplomatas brasileiros avaliam que a conclusão de novos acordos pode aumentar a competitividade do bloco e ampliar sua participação no comércio internacional.

Para 2026, no entanto, as prioridades do Mercosul estão concentradas na conclusão das negociações com Canadá e Emirados Árabes Unidos.

Indústria vê negociações com países asiáticos com cautela

Segundo Constanza Biasutti, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ainda não existe consenso entre os setores industriais brasileiros para apoiar um acordo amplo com a Coreia do Sul.

Ela destaca que o alto grau de desenvolvimento industrial das economias asiáticas gera preocupações adicionais para a indústria nacional, especialmente em negociações que envolvem ampla liberalização comercial.

De acordo com a representante da CNI, acordos parciais costumam encontrar menor resistência, já que permitem selecionar setores e produtos específicos. Já tratados mais abrangentes exigem a abertura de grande parte do comércio bilateral, aumentando as preocupações de segmentos considerados mais vulneráveis à concorrência externa.

Japão encontra ambiente mais favorável

Enquanto as negociações com a Coreia do Sul enfrentam obstáculos, as consultas realizadas sobre um eventual acordo com o Japão têm apresentado receptividade mais positiva entre representantes da indústria brasileira.

Ainda assim, especialistas ressaltam que qualquer avaliação definitiva dependerá do início formal das negociações e da definição dos temas prioritários para cada uma das partes envolvidas.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Pisos mínimos do frete elevam custos em mais de 16% para a indústria, aponta CNI

A política de pisos mínimos do frete continua gerando impactos significativos sobre a competitividade da indústria brasileira. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário de cargas identificam efeitos negativos da medida sobre os custos logísticos.

Além disso, o setor produtivo demonstra preocupação com a Medida Provisória nº 1.343/2026, que ampliou os mecanismos de fiscalização e endureceu as penalidades relacionadas ao cumprimento das tabelas estabelecidas pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC).

Dependência do transporte rodoviário amplia impacto da medida

De acordo com a pesquisa, 86% das indústrias utilizam serviços terceirizados de frete para escoar sua produção, seja de forma exclusiva ou em conjunto com frota própria. O dado evidencia o alcance das consequências da política sobre diversos segmentos da economia.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar as regras que regem o transporte de cargas no país.

Segundo ele, os custos de transporte e logística já figuram entre os principais componentes do chamado Custo Brasil, e intervenções que restringem a livre negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Empresas apontam aumento expressivo nos custos do frete

A pesquisa mostra que 64% das empresas classificam os impactos do tabelamento como altos ou muito altos. Entre os negócios de menor porte, essa percepção é ainda mais acentuada.

As empresas consultadas estimam que a política elevou, em média, 16,4% os custos do frete rodoviário em comparação a um cenário de livre negociação. No entanto, os efeitos variam conforme o porte da empresa, a região e o setor de atuação.

Pequenas e médias empresas sentem mais os efeitos

Os dados apontam que as pequenas empresas foram as mais afetadas, registrando aumento médio de 19% nos custos de transporte. Entre as médias empresas, a elevação estimada é de 18%, enquanto as grandes companhias apontam impacto de 14%.

Além disso, cerca de 70% das pequenas e médias empresas classificam os reflexos da política sobre os valores do frete como elevados.

Metodologia da ANTT é alvo de críticas

Outro ponto destacado pela sondagem envolve a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos.

Oito em cada dez empresas avaliam que os critérios adotados estão parcial ou totalmente desconectados da realidade operacional do transporte rodoviário brasileiro.

A analista de infraestrutura da CNI, Paula Bogossian, afirma que o modelo atual não consegue representar adequadamente a diversidade das operações existentes no país, fator que ganha importância devido ao uso da tabela como referência para fiscalização e aplicação de sanções.

Setores com menor valor agregado enfrentam maiores impactos

Os efeitos do tabelamento são mais intensos em segmentos onde a logística representa parcela significativa dos custos de produção.

Entre os setores mais impactados estão os de extração mineral e produtos minerais não metálicos, como fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, que registraram aumento próximo de 23% nos custos de transporte.

Também apresentaram elevações acima da média nacional os setores de alimentos, máquinas e equipamentos, evidenciando que os impactos da política não ocorrem de forma uniforme entre as diferentes cadeias produtivas.

Nova MP amplia preocupação com custos e segurança jurídica

Além dos efeitos já observados com a política de pisos mínimos, a Medida Provisória nº 1.343/2026 também preocupa o setor industrial.

A norma amplia a fiscalização do cumprimento das tabelas de frete, cria novas exigências regulatórias e aumenta as penalidades aplicáveis em casos de descumprimento.

Entre as empresas que conhecem o conteúdo da medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação. Na sequência aparecem a perda de competitividade (57%) e a insegurança jurídica (35%).

Também foram citados riscos relacionados a atrasos operacionais, interrupções na cadeia logística e à proporcionalidade das sanções previstas.

Proposta prevê piso salarial para motoristas de longa distância

A comissão mista responsável por analisar a medida provisória foi instalada recentemente no Congresso Nacional. O relatório deverá ser apresentado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da proposta.

Entre as alterações em discussão está a criação de um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas profissionais que atuem em operações de longa distância, caracterizadas por permanência superior a 24 horas fora da base de trabalho.

Caso a proposta avance, os impactos poderão atingir tanto empresas que operam com frota própria quanto aquelas que terceirizam o transporte, já que os custos tendem a ser repassados aos contratantes por meio de reajustes no frete.

Na avaliação do setor, a medida pode aumentar ainda mais os custos do transporte rodoviário de cargas e, consequentemente, influenciar os preços finais dos produtos para os consumidores.

Debate segue no Judiciário

A política de frete mínimo também é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5.964, apresentada pela CNI.

A entidade contesta a constitucionalidade da Lei nº 13.703/2018, que instituiu a política de pisos mínimos do frete, além de pedir a suspensão dos efeitos da MP nº 1.343/2026.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: fanjianhua/Magnific

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Exportação

Tarifa dos EUA pode atingir mais de um terço das exportações brasileiras, aponta CNI

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a proposta de ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos pode afetar uma parcela significativa das vendas externas do país. Caso a recomendação apresentada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) seja adotada, cerca de 31,6% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano poderão enfrentar uma tarifa de importação de 37,5%.

A análise mostra ainda que outros 3,6% dos embarques brasileiros estariam sujeitos a um aumento tarifário de 10% para 12,5%. Somadas, as medidas alcançariam 35,2% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos.

Impacto pode alcançar mais da metade das exportações

Segundo a entidade, o percentual de produtos afetados pode ser ainda maior. Ao considerar as tarifas adicionais já aplicadas por meio das medidas setoriais da Seção 232, a fatia das exportações brasileiras sujeita a algum tipo de sobretaxa chegaria a 54,1%.

O levantamento reforça a preocupação do setor industrial com os possíveis efeitos sobre a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais mercados de destino das exportações nacionais.

Produtos mais expostos às novas tarifas

Entre os itens que poderão ser enquadrados na tarifa de 37,5% estão mercadorias com forte dependência do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A lista inclui ferro gusa não ligado, açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho.

Já outros produtos poderão ser submetidos a uma alíquota de 12,5%, caso a proposta avance. Nessa categoria estão minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira para dissolução.

CNI defende diálogo entre os países

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção de novas barreiras tarifárias tende a gerar efeitos negativos para ambos os lados da relação comercial.

De acordo com ele, o aumento das taxas pode elevar custos para as empresas, reduzir a competitividade dos negócios e ampliar as incertezas para novos investimentos. A entidade defende que as negociações avancem por meio do diálogo técnico e da busca por soluções que preservem a parceria econômica entre os dois países.

Decisão ainda depende de consulta pública

As tarifas sugeridas pelo USTR ainda não foram implementadas. Antes de qualquer definição, a proposta passará por etapas de consulta pública e audiências previstas para as próximas semanas.

A expectativa é que o governo norte-americano tome uma decisão sobre o tema na primeira quinzena de julho, período em que estão programadas as audiências destinadas a discutir os possíveis impactos da medida.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Correios Braziliense

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Comércio Exterior

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros preocupa indústria e pode afetar exportações

A possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros gerou preocupação no setor industrial. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), é acompanhada de perto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defende o diálogo entre os dois países para evitar impactos econômicos e comerciais.

Em nota oficial, a CNI destacou que a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica para ambas as nações e vem sendo construída ao longo de décadas. Para a entidade, a adoção de novas barreiras tarifárias pode prejudicar cadeias produtivas integradas e afetar empresas, consumidores, investimentos e empregos nos dois mercados.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o momento exige cautela e negociação. Segundo ele, a entidade está disposta a colaborar tecnicamente nas discussões para preservar o fluxo comercial entre os países.

Exportações brasileiras já registraram queda em 2025

Dados apresentados pela CNI mostram que as exportações de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos somaram US$ 30,2 bilhões em 2025, resultado 4,2% inferior ao registrado em 2024.

Entre os 15 principais segmentos exportadores, nove apresentaram retração nas vendas para o mercado norte-americano. Os setores mais impactados foram:

  • Produtos de metal: queda de 31,6%;
  • Madeira: redução de 20%;
  • Celulose e papel: recuo de 19,9%;
  • Veículos automotores: diminuição de 17,6%.

Na avaliação da entidade, a eventual implementação da nova tarifa poderá ampliar as dificuldades enfrentadas por esses setores e reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos.

Audiência pública deve discutir proposta em julho

A discussão sobre a medida terá um novo capítulo no próximo mês. O USTR marcou para 6 de julho uma audiência pública destinada a debater a proposta e receber contribuições de governos, entidades representativas e empresas interessadas.

Para a CNI, o processo de consulta pública representa uma oportunidade importante para que o Brasil apresente argumentos técnicos e demonstre os benefícios da manutenção das relações comerciais entre os dois países.

CNI defende negociação para preservar empregos e investimentos

A confederação informou que continuará acompanhando o tema em conjunto com autoridades brasileiras, representantes do setor produtivo e interlocutores norte-americanos.

O objetivo é buscar soluções negociadas que evitem prejuízos ao comércio bilateral e preservem investimentos, geração de empregos e o fortalecimento da parceria econômica entre as duas maiores economias das Américas.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Texto: Redação

Imagem: CNI / Divulgação

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Importação

CNI aciona STF contra fim da taxa das blusinhas e contesta isenção em importações

A Confederação Nacional da Indústria protocolou nesta sexta-feira (22), no Supremo Tribunal Federal, uma ação direta de inconstitucionalidade contra a medida provisória que extinguiu a cobrança de imposto sobre importações de até US$ 50, conhecidas popularmente como taxa das blusinhas.

Para a entidade, a retirada da alíquota de 20% aplicada sobre remessas internacionais de pequeno valor cria um desequilíbrio competitivo ao favorecer produtos estrangeiros em detrimento da indústria nacional.

CNI aponta risco à indústria e ao mercado interno

Na avaliação da confederação, a isenção tributária fere princípios constitucionais como isonomia tributária, livre concorrência e proteção ao mercado interno brasileiro.

Segundo a ação apresentada ao STF, a medida pode ampliar a desigualdade competitiva entre empresas instaladas no país e plataformas internacionais de comércio eletrônico, comprometendo empregos, arrecadação e investimentos.

O diretor jurídico da CNI, Alexandre Vitorino, argumenta que o uso de medida provisória não atende ao requisito constitucional de urgência.

De acordo com ele, embora o tema tenha relevância econômica, não haveria justificativa para adoção do instrumento em caráter emergencial.

Entidade alerta para impacto econômico e perda de empregos

A CNI sustenta que a revogação da tributação representa um retrocesso para a economia nacional.

Conforme estimativas da entidade, a cobrança instituída anteriormente ajudou a preservar cerca de 135 mil empregos e movimentou aproximadamente R$ 19,7 bilhões em 2025.

O argumento central é que a desoneração beneficia empresas estrangeiras ao transferir renda e arrecadação para o exterior, enfraquecendo o setor produtivo brasileiro.

Importações cresceram com avanço das plataformas digitais

Dados apresentados pela confederação mostram crescimento expressivo nas importações de pequeno valor ao longo da última década.

O volume financeiro saltou de US$ 800 milhões em 2013 para US$ 13,1 bilhões em 2022. Já o número de remessas postais passou de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022.

A entidade destaca ainda que, após a implementação da tributação em 2024 por meio do programa Remessa Conforme, houve retração no fluxo de encomendas internacionais em 2025.

Entidade critica retomada da isenção

Para a CNI, o retorno da isenção desfaz avanços conquistados nos últimos anos, quando plataformas estrangeiras passaram a recolher tributos no país.

A tributação começou em 2023 com a incidência de ICMS estadual e foi ampliada em 2024 com a cobrança federal de 20% sobre importações de até US$ 50.

Segundo a entidade, manter tratamento favorecido às compras internacionais cria uma vantagem artificial para produtos estrangeiros e compromete a competitividade da produção nacional.

Debate sobre isenção ganhou novo contexto com o e-commerce

A confederação também argumenta que a regra original da isenção foi criada em um cenário econômico distinto, quando o comércio eletrônico internacional ainda tinha participação reduzida.

Com a expansão das plataformas digitais, a desoneração, antes restrita a remessas ocasionais entre pessoas físicas, passou a beneficiar operações comerciais recorrentes realizadas por empresas estrangeiras.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade / CNI

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Indústria

Fim da taxa das blusinhas preocupa indústria e pode afetar empregos, alerta CNI

A decisão do governo federal de acabar com a cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, gerou reação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, a medida pode prejudicar a indústria brasileira, reduzir postos de trabalho e ampliar a vantagem competitiva de fabricantes estrangeiros, principalmente da China.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a isenção tributária para produtos importados cria um cenário desigual para empresas nacionais, especialmente nos setores de vestuário e comércio.

CNI critica concorrência com produtos estrangeiros

De acordo com a entidade, permitir a entrada de mercadorias importadas sem tributação favorece fabricantes internacionais de baixo custo e impacta diretamente a produção nacional.

A CNI argumenta que a medida beneficia principalmente empresas chinesas que atuam no comércio eletrônico, enquanto indústrias brasileiras continuam sujeitas à elevada carga tributária.

Para Ricardo Alban, a retirada do imposto enfraquece a competitividade da produção interna e desestimula investimentos no país.

Entidade aponta risco para micro e pequenas empresas

A confederação afirma que o fim da cobrança pode atingir principalmente micro e pequenas empresas brasileiras, que enfrentam dificuldades para competir com produtos importados de menor valor.

Segundo a avaliação da CNI, o atual cenário internacional é marcado por disputas comerciais e políticas de proteção econômica adotadas por diversos países. Nesse contexto, a entidade considera contraditória a redução de mecanismos de equilíbrio concorrencial no mercado brasileiro.

Taxação começou em 2023

A cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 começou a ser aplicada em 2023, inicialmente com a incidência do ICMS estadual sobre encomendas vindas do exterior.

Já em 2024, plataformas estrangeiras de comércio eletrônico passaram a recolher também uma alíquota de 20% referente ao imposto federal de importação.

Estudo aponta impacto econômico positivo da taxação

A CNI destacou ainda que estudos recentes indicam que a tributação ajudou a evitar a entrada de cerca de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no Brasil.

Segundo a entidade, a medida também contribuiu para preservar mais de 135 mil empregos e movimentar aproximadamente R$ 20 bilhões na economia nacional.

A confederação reforçou que não é contrária às importações, mas defende regras equilibradas de concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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