Comércio, Industria

Brasil precisa priorizar a manufatura na relação com a China

Em artigo publicado no site da CNN, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o estreitamento com a China precisa incluir a indústria de transformação

O estreitamento da relação comercial entre o Brasil e a China precisa vir acompanhado de um protagonismo da nossa indústria de transformação, que hoje está em enorme desvantagem na balança comercial com o país asiático. A chamada indústria manufatureira – que engloba as atividades de transformar matérias-primas e insumos em produtos intermediários ou finais – é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Embora represente apenas 14,4% do PIB nacional, a manufatura responde por 47,6% das exportações de bens e serviços do país, por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, e por 25,6% da arrecadação de tributos federais.

Esses dados ilustram a importância da indústria de transformação para o desenvolvimento do país e mostram que a agropecuária não pode ser a única protagonista na relação com a China. Esse setor tem fundamental importância para o Brasil. Não se trata de reduzir a participação do agro, mas de ampliar o leque de atração de investimentos para a indústria da manufatura e de buscar espaço para que o nosso produto entre no mercado chinês.

A China foi o principal destino das exportações brasileiras em 2024, com US$ 94,4 bilhões, o que significa 28% do que exportamos no ano passado. O país asiático foi também a principal origem das nossas importações, com US$ 63,6 bilhões, o equivalente a 24,2% do que importamos. No entanto, quando falamos da indústria de transformação, a balança está longe, muito longe do equilíbrio: temos um déficit de R$ 45 bilhões entre o que vendemos e o que compramos de bens industriais.

O crescimento sustentado da China aumenta a demanda por produtos agropecuários, minerais e insumos industriais, favorecendo especialmente os setores de commodities no Brasil, mas também há espaço para o produto manufaturado. Precisamos de uma estratégia consistente e arrojada para abrir mais espaço para o produto de maior valor agregado da indústria brasileira na China.

Reafirmo. A indústria brasileira precisa ganhar espaço na relação bilateral com a China. As oportunidades estão surgindo, mas é imprescindível que o governo brasileiro impulsione políticas industriais e priorize a manufatura para equilibrar a balança comercial de produtos manufaturados, hoje muito desfavorável ao país.

Uma estratégia é focar em inovação, qualidade e diferenciação de produtos, em vez de competir apenas pelo preço. Precisamos investir em design, branding e atendimento especializado para agregar valor e criar nichos de mercado onde a simples vantagem de custo não é determinante. Além disso, a adoção de tecnologias avançadas de automação e gestão da produção, bem como a busca de parcerias comerciais mais amplas, fortalecerão a nossa competitividade.

Precisamos atrair investimentos produtivos da China, de forma que a presença asiática não se baseie apenas em exploração do nosso mercado para consumo de bens, mas em encadeamento produtivo, de forma que a parceria contribua para a neoindustrialização do Brasil e para a integração das nossas empresas a cadeias mais complexas e tecnológicas.  

Recentemente, atraímos empresas chinesas do setor automotivo e de eletrônicos na Bahia, em Goiás e no Amazonas. Esse movimento é essencial, mas ainda mais importante é garantir o encadeamento produtivo de forma que peças e equipamentos sejam fabricados no Brasil. A instalação de polos de pesquisa e desenvolvimento e a criação de novos parques fabris com parceiros chineses no país, como anunciados durante a visita do presidente Lula à China recentemente, precisam ganhar escala e integrar, irrevogavelmente, a agenda de negociações entre os países.

Outro exemplo do que o Brasil precisa nessa relação bilateral é o acordo que prevê a instalação do grupo Windey Energy Technology Group Co. no campus do SENAI CIMATEC, na Bahia. A parceria busca soluções em energia eólica, hidrogênio verde e sistemas de armazenamento de energia em baterias, com inovação aplicada e investimento para a instalação de fábricas de turbinas eólicas e sistemas para armazenamento de energia em baterias. Essa é mais uma medida que pode fortalecer a cadeia produtiva nacional e contribuir para a geração de empregos.

Podemos e devemos fabricar máquinas agrícolas em vez de importar esses equipamentos na China, como também precisamos explorar cada vez mais o nosso potencial para atender a elevada demanda mundial por minerais críticos, especialmente no contexto da transição energética.

A atração de Data Centers também é uma outra oportunidade que bate a nossa porta. Temos enorme disponibilidade de energias renováveis e podemos desenvolver em conjunto com parceiros comerciais tecnologias como super baterias para serem usadas em polos tecnológicos. Muitos países, como a China e os EUA, usam pequenas termelétricas para abastecer os Data Centers, enquanto nós temos condições de fazer centros de dados realmente verdes com energia totalmente renovável.

A ampliação do uso de políticas industriais ativas pós-pandemia e a recente guerra tarifária provocada pelos Estados Unidos mostraram ao mundo a extrema necessidade de os países protegerem e fortalecerem suas indústrias, sob o risco de perderem espaço e serem engolidos pelas tecnologias e investimentos de outras economias. Nesse cenário, precisamos manter diálogo aberto com países que querem acordos e relações de ganha-ganha.

O anúncio esta semana de acordos de cooperação entre Brasil e China, assinados durante visita do presidente Lula a Pequim, preocupa setores da indústria brasileira. Os investimentos chineses em infraestrutura são bem-vindos, mas não podemos abrir mão de produzir e exportar para a China, em detrimento de comprar produtos manufaturados chineses – o que enfraquece a indústria brasileira.

A baixa capacidade de agregação de valor no Brasil pode ser evidenciada pela realidade de que vamos exportar etanol para a China transformar em combustível da aviação e revender para o mundo. Esse não é o caminho. Precisamos ter capacidade e tecnologia para produzir e vender o produto final.

Os empresários industriais brasileiros entendem que o Brasil corre o risco de deixar a indústria da manufatura em segundo plano diante das oportunidades de estreitamento do comércio com a China. Precisamos aproveitar essa onda. Caso contrário, quem perderá será a indústria nacional.

Fonte: Portal da Indústria

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Internacional, Mercado Internacional

Aurora inaugura representação em Xangai

Unidade aberta nesta segunda tem estrutura de escritório comercial; em 2024, a cooperativa respondeu por 21,6% das exportações nacionais de carne suína

A Aurora Coop, sediada em Chapecó, inaugura nesta segunda-feira (19/05) sua primeira unidade na China. Sediado em Xangai, o escritório comercial estará focado, inicialmente, nos negócios envolvendo carne de suínos e de aves com a China. Em segundo momento, ampliará o atendimento para Hong Kong, Vietnã e outros países do sudeste asiático.

Segundo a empresa, o primeiro objetivo é qualificar as vendas, por estar mais próximo aos clientes, dando atendimento diferenciado para, com o passar do tempo, poder incrementar os volumes.

Mesmo respondendo por 21,6% das exportações brasileiras de carne suína e por 8,4% das de carne de frango, a Aurora teve em 2024 apenas 36,4% de suas receitas vindas do mercado externo.

“Crescer no mercado mundial é prioridade de nossa planificação estratégica”, enfatiza o presidente da cooperativa, Neivor Canton. Um primeiro movimento nesta direção foi a inauguração da unidade corporativa comercial de exportação, na cidade portuária de Itajaí.

Tarifas

O mercado chinês é atendido por muitos exportadores, como Estados Unidos, Espanha, Alemanha e França. Os EUA são grandes exportadores e competidores no cenário das exportações de carnes de suínos e de aves para a China, mas a empresa ressalta que este protagonismo pode mudar em razão da nova política de tarifa imposta pelo presidente Donald Trump, gerando boas oportunidades para os exportadores brasileiros.

Fonte: FIESC

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Agricultura, Negócios, Tecnologia

Em Pequim, Mapa participa de reunião com a Academia Chinesa de Ciências para cooperação na área de pesquisa

Controle do greening nos citros, melhoramento genético da soja e avanços tecnológicos na cana-de-açúcar estão entre as prioridades da parceria Brasil-China

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, e parte da delegação brasileira que está em missão na China, visitou nesta quinta-feira (15) a Chinese Academy of Sciences (CAS) para discutir a ampliação da cooperação científica entre os países. A parceria tem como foco principal o desenvolvimento de tecnologias para o controle do greening (huanglongbing) nos citros, além do melhoramento genético de soja e cana-de-açúcar.

“É importante para nós explorarmos as possibilidades de cooperação nas mais diversas áreas de atuação econômica e técnica entre Brasil e China. Principalmente em relação ao greening, em busca de uma solução para o controle da doença”, destacou o secretário Carlos Goulart.

Considerada principal praga de cultivos de citros do mundo, o greening não possui tratamento e se propaga em alta velocidade. Segundo Goulart, o uso de biotecnologia ou de edição gênica pode representar um avanço significativo para encontrar um controle mais efetivo e permanente da doença.

Além da citricultura, a reunião também tratou do desenvolvimento de tecnologias voltadas ao melhoramento molecular da soja e a adoção de novas tecnologias no campo para cana-de-açúcar, beneficiando diretamente os sistemas produtivos de ambos os países.

Os representantes chineses demonstraram interesse e disposição para ampliar a colaboração científica com o Brasil.

A CAS é a mais importante instituição científica da China na área de ciências naturais, com 106 institutos de pesquisa, dos quais cerca de 40 são voltados ao agronegócio. Além disso, o Brasil é atualmente o país latino-americano com maior interação com a Academia, o que reforça o potencial da parceria estratégica entre os dois países.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional

China isenta brasileiros de visto para viagens de até 30 dias

Medida passa a valer em 1º de junho e se aplica também a Argentina, Chile, Peru e Uruguai; isenção é válida por um ano, de forma experimental

A China anunciou nesta quinta-feira (15) que brasileiros estarão isentos de visto para estadias de até 30 dias no país, a partir de 1º de junho. A medida vale para viagens de turismo, negócios, visitas a parentes e amigos, intercâmbios ou trânsito. A isenção se estende também a cidadãos da Argentina, Chile, Peru e Uruguai.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, a decisão terá validade inicial até 31 de maio de 2026, em caráter experimental. Após esse período, o governo chinês decidirá se prorroga ou altera a política.

O anúncio formal ocorreu dois dias após o presidente Xi Jinping adiantar a novidade durante a abertura do Fórum China-Celac, em Pequim. O encontro reuniu chefes de Estado da América Latina e Caribe, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Xi não havia especificado, na ocasião, quais países seriam beneficiados pela medida.

A iniciativa ocorre em meio à intensificação das relações entre China e países latino-americanos, com avanços em acordos comerciais e investimentos. A flexibilização do visto é vista como parte desse movimento de aproximação, especialmente com economias consideradas estratégicas para Pequim.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Internacional, Negócios

Crusoé: Lula assume que quer importar censura chinesa

O presidente Lula afirmou na China nesta quarta, 14, que o ditador Xi Jinping enviará, a seu pedido, um representante ao Brasil para conversar sobre a regulamentação das redes sociais.

A China é o país que mais promove a censura em todo o mundo.

Além de controlar tudo o que é publicado nas redes em tempo real, o regime chinês usa as novas tecnologias para fazer vigilância em massa e promover os seus cidadãos que seguem comportamentos considerados desejáveis pelo Partido Comunista.

Conteúdo nocivo
Em uma coletiva de imprensa, Lula foi questionado sobre uma notícia dizendo que a primeira-dama Janja teria reclamado do “conteúdo nocivo” de extrema-direita publicado na rede Tik Tok.

O petista se mostrou irritado com o vazamento do conteúdo da reunião pela imprensa e disse que, a seu pedido, o ditador Xi Jinping enviará ao Brasil uma pessoa de sua confiança para “conversar conosco sobre o que que a gente pode fazer, sabe, nesse mundo digital“.

A primeira coisa que eu acho estranho é que como é que essa pergunta chegou à imprensa porque estavam só meus ministros, o Alcolumbre e o Elmar [Nascimento]. Então alguém teve a pachorra de ligar para alguém e contar uma conversa que teve num jantar em que era uma coisa muito confidencial e uma coisa muito pessoal. E, depois, [fui] eu que fiz a pergunta, não foi a Janja. Eu que fiz a pergunta“, disse Lula

Fonte: O Antagonista

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Economia, Finanças

Bancos Centrais do Brasil e da China assinam acordo de troca de moedas

Swap pretende fornecer liquidez em momentos de necessidade

Com o objetivo de fornecer mais liquidez ao mercado financeiro em momentos de necessidade, o Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Popular da China (PBoC) irão assinar nesta terça-feira (13) um acordo de swap (troca) de moedas. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, e sua contraparte chinesa, Pan Gongsheng, assinarão o documento em Pequim.

Conforme resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), o valor em aberto das operações não poderá ultrapassar R$ 157 bilhões, e elas terão validade de cinco anos. O Banco Popular da China receberá reais, creditando o valor equivalente à moeda brasileira em dólares numa conta de especial de depósito aberta em seu nome no Banco Central brasileiro. O dinheiro só poderá ser movimentado conforme as determinações do acordo.

Para garantir o equilíbrio econômico-financeiro das obrigações, o BC observará as taxas de câmbio relativas às duas moedas, cobradas nos mercados cambiais nacional e internacional, assim como os juros e os prêmios de riscos das obrigações soberanas (como taxas de títulos públicos) nos mercados financeiros doméstico e global.

Iniciativas semelhantes

Em nota, o BC ressaltou que pretende firmar mais acordos do tipo com outros países. 

“Esses acordos de swap de moedas têm se tornado comuns entre os bancos centrais, especialmente desde a crise de 2007. O BC já tem conversas com outros bancos centrais para a realização de acordos semelhantes ao que será assinado com o PBoC amanhã”, informou o BC em nota.

Segundo o BC, o Banco Popular da China tem 40 acordos semelhantes de swaps de moedas com autoridades monetárias de países como Canadá, Chile, África do Sul, Japão, Reino Unido, assim como com o Banco Central Europeu.

O BC tem um acordo semelhante com o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Chamado de Foreign and International Monetary Authorities Repo Facility (FIMA, na sigla em inglês), esse acordo dá a possibilidade de o BC brasileiro acessar dólares americanos oferecendo operações compromissadas (títulos públicos usados para regular a quantidade de dinheiro em circulação da economia. Em troca, o BC recebe títulos do Tesouro norte-americano como contrapartidas.

Agenda 

Galípolo acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem ao país asiático. Além de assinar o acordo de swap nesta terça, o presidente do BC deve participar de um seminário sobre títulos públicos internacionais da China, chamados de Panda Bonds, na quinta-feira (15).

Fonte: Agência Brasil

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Comércio, Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

EUA e China chegam a acordo para reduzir tarifas por 90 dias

Os Estados Unidos e a China anunciaram na segunda-feira que chegaram a um acordo para reduzir as tarifas recíprocas. Em declarações após conversas com autoridades chinesas em Genebra, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os dois lados concordaram com uma pausa de 90 dias nas medidas.

Os Estados Unidos estão reduzindo as tarifas extras impostas à China este ano, levando a alíquota de 145% para 30%. Enquanto isso, a China está reduzindo as tarifas sobre produtos americanos de 125% para 10%.

“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais”, disse Bessent. “Ambos temos interesse em um comércio equilibrado, e os Estados Unidos continuarão caminhando nessa direção.”

Bessent discursou ao lado do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após as negociações do fim de semana, nas quais ambos os lados elogiaram o progresso na redução das diferenças.

“O consenso de ambas as delegações neste fim de semana é que nenhum dos lados quer uma desaclopamento”, acrescentou Bessent. “O que ocorreu com essas tarifas altíssimas foi o equivalente a um embargo, e nenhum dos lados quer isso. Nós queremos comércio.”

A China afirmou que também “suspenderia ou cancelaria” medidas não tarifárias adotadas contra os EUA.

As reuniões em Genebra foram as primeiras interações presenciais entre autoridades econômicas do alto escalão dos Estados Unidos e da China desde que o presidente americano, Donald Trump, retornou ao poder e lançou uma ofensiva tarifária global, impondo tarifas particularmente pesadas à China.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump aumentou as tarifas pagas por importadores americanos sobre produtos da China para 145%, além daquelas que impôs a muitos produtos chineses durante seu primeiro mandato e às tarifas cobradas pelo governo de Joe Biden.

A China reagiu impondo restrições à exportação de alguns elementos de terras raras, vitais para os fabricantes americanos de armas e bens de consumo eletrônicos, e elevando as tarifas sobre produtos americanos para 125%.

A disputa tarifária paralisou quase US$ 600 bilhões em comércio bilateral, interrompendo as cadeias de suprimentos, gerando temores de estagflação e desencadeando algumas demissões.

Os mercados financeiros estavam atentos a sinais de redução nas tensões da guerra comercial, e os futuros de ações de Wall Street subiram e o dólar se firmou em relação a pares considerados ativos seguros na segunda-feira, com as negociações aumentando as esperanças de que uma recessão global possa ser evitada.

A consultoria Capital Economics calculou que, devido às tarifas que antecederam o retorno de Trump ao poder neste ano, as tarifas totais dos EUA sobre a China cairão para cerca de 40% após o acordo, enquanto as tarifas chinesas sobre os EUA seriam de cerca de 25%, de acordo com o “Financial Times”.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Mercado Internacional, Tecnologia

Existem duas Chinas, e os Estados Unidos precisam entender ambas

O sucesso tecnológico que chamou a atenção de muitos nos Estados Unidos é um dos aspectos da economia chinesa. Há outro, mais sombrio.

Duas Chinas habitam o imaginário americano: uma é uma superpotência tecnológica e industrial pronta para liderar o mundo. A outra é uma economia à beira do colapso.
Ambas refletem aspectos reais da China.

Uma China — vamos chamá-la de China esperançosa — é representada por empresas como a startup de inteligência artificial DeepSeek, a gigante dos veículos elétricos BYD e a potência tecnológica Huawei. Todas são líderes em inovação.
Jensen Huang, CEO da gigante de chips do Vale do Silício Nvidia, disse que a China “não está atrás” dos Estados Unidos no desenvolvimento da inteligência artificial. Vários especialistas já declararam que a China dominará o século XXI.

A outra China — China sombria — conta uma história diferente: consumo estagnado, desemprego crescente, uma crise habitacional crônica e um setor empresarial que se prepara para o impacto da guerra comercial.

O presidente Trump, ao tentar negociar uma solução para essa guerra comercial, precisa lidar com ambas as versões de seu principal rival geopolítico.

Nunca foi tão importante compreender a China. Não basta temer seus sucessos ou se confortar com suas dificuldades econômicas. Conhecer o maior rival dos Estados Unidos exige entender como essas duas Chinas conseguem coexistir.

“Os americanos têm ideias muito fantasiosas sobre a China”, disse Dong Jielin, ex-executivo do Vale do Silício que recentemente voltou para São Francisco depois de passar 14 anos na China ensinando e pesquisando as políticas científicas e tecnológicas do país. “Alguns esperam resolver os problemas dos EUA com métodos chineses, mas isso claramente não vai funcionar. Eles não percebem que as soluções da China vêm acompanhadas de muita dor.”

Assim como os Estados Unidos, a China é um país gigante cheio de disparidades: litoral vs. interior, norte vs. sul, urbano vs. rural, ricos vs. pobres, setor estatal vs. setor privado, geração X vs. geração Z.
O próprio Partido Comunista que governa o país está cheio de contradições. Proclama o socialismo, mas recua quando se trata de oferecer aos cidadãos uma rede de proteção social sólida.

Os próprios chineses também enfrentam essas contradições.

Apesar da guerra comercial, os empreendedores e investidores do setor de tecnologia com quem conversei nas últimas semanas estavam mais otimistas do que em qualquer outro momento dos últimos três anos.
Essa esperança começou com o avanço da DeepSeek em janeiro. Dois capitalistas de risco me disseram que planejavam sair do período de “hibernação” iniciado após a repressão de Pequim ao setor de tecnologia em 2021. Ambos afirmaram que estavam buscando investir em aplicações chinesas de inteligência artificial e robótica.

Mas eles estão bem menos otimistas em relação à economia — a China sombria.

Dos 10 executivos, investidores e economistas que entrevistei, todos disseram acreditar que os avanços da China em tecnologia não seriam suficientes para tirar o país da sua estagnação econômica. A manufatura avançada representa apenas cerca de 6% da produção chinesa, bem menos que o setor imobiliário, que mesmo após uma forte desaceleração ainda responde por cerca de 17% do produto interno bruto (PIB).

Quando perguntei se a China poderia vencer os Estados Unidos na guerra comercial, ninguém respondeu que sim. Mas todos concordaram que o limiar de dor da China é muito mais alto.

Não é difícil entender a ansiedade dos americanos frustrados com as dificuldades de seu país em construir e fabricar. A China já construiu mais linhas de trem de alta velocidade do que o resto do mundo junto, implantou mais robôs industriais por 10.000 trabalhadores da indústria do que qualquer país — com exceção da Coreia do Sul e de Singapura — e hoje lidera globalmente em veículos elétricos, painéis solares, drones e várias outras indústrias avançadas.

Muitas das empresas chinesas mais bem-sucedidas ganharam resiliência com a desaceleração econômica e estão mais preparadas para os dias difíceis que virão.
“Elas estão fazendo DOGE-ing há muito tempo”, disse Eric Wong, fundador do fundo hedge Stillpoint, de Nova York, que visita a China a cada trimestre, referindo-se ao esforço de corte de custos do governo Trump conhecido como Departamento de Eficiência Governamental (Department of Government Efficiency).
“Em comparação, os EUA estão vivendo em excesso há muito tempo.”

Mas, enquanto admiramos os chamados milagres da China, é necessário perguntar: a que custo? Não apenas financeiro, mas humano.

O modelo de inovação de cima para baixo da China, fortemente dependente de subsídios e investimentos do governo, mostrou-se ineficiente e desperdiçador. Assim como o excesso de construção no setor imobiliário, que desencadeou uma crise e apagou boa parte da riqueza das famílias chinesas, a capacidade industrial excessiva aprofundou os desequilíbrios na economia e levantou dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo — especialmente se as condições mais amplas se deteriorarem.

A indústria de veículos elétricos exemplifica bem a força das duas Chinas. Em 2018, o país contava com quase 500 fabricantes de veículos elétricos. Em 2024, restavam cerca de 70. Entre as vítimas está a Singulato Motors, uma startup que arrecadou US$ 2,3 bilhões de investidores — incluindo governos locais de três províncias. Ao longo de oito anos, a empresa não conseguiu entregar um único carro e pediu falência em 2023.

O governo chinês tolera investimentos ineficientes em iniciativas escolhidas por ele, o que ajuda a alimentar o excesso de capacidade. No entanto, mostra-se relutante em fazer os tipos de investimentos substanciais em aposentadorias rurais e seguro de saúde que poderiam impulsionar o consumo.

“A inovação tecnológica sozinha não pode resolver os desequilíbrios estruturais da economia chinesa nem as pressões deflacionárias cíclicas”, escreveu Robin Xing, economista-chefe para a China no Morgan Stanley, em uma nota de pesquisa. “Na verdade”, continuou ele, “os avanços tecnológicos recentes podem reforçar a confiança dos formuladores de políticas no caminho atual, aumentando o risco de má alocação de recursos e capital.”

A obsessão da liderança chinesa com a autossuficiência tecnológica e a capacidade industrial não está ajudando a enfrentar seus maiores desafios: desemprego, consumo fraco e dependência das exportações — sem falar na crise imobiliária.

Oficialmente, a taxa de desemprego urbano na China está em 5%, excluindo os trabalhadores migrantes desempregados. Entre os jovens, o desemprego chega a 17%. Acredita-se que os números reais sejam muito mais altos. Só neste verão, mais de 12 milhões de formandos sairão das universidades chinesas em busca de trabalho.

Trump não estava errado ao dizer que fábricas estão fechando e pessoas estão perdendo seus empregos na China.

Em 2020, Li Keqiang, então primeiro-ministro, afirmou que o setor de comércio exterior, direta ou indiretamente, era responsável pelo emprego de 180 milhões de chineses. “Uma desaceleração no comércio exterior quase certamente afetará duramente o mercado de trabalho”, disse ele no início da pandemia. Tarifas podem ser ainda mais devastadoras.

Pequim minimiza os efeitos da guerra comercial, mas enquanto negociadores se reuniam com seus homólogos americanos no último fim de semana, o impacto era evidente. Em abril, as fábricas chinesas registraram a maior desaceleração mensal em mais de um ano, enquanto as exportações para os Estados Unidos caíram 21% em relação ao ano anterior.

Todo esse impacto econômico recairá sobre pessoas como um homem com quem conversei, de sobrenome Chen, ex-bibliotecário universitário em uma megacidade no sul da China. Ele pediu que eu não usasse seu nome completo nem dissesse onde mora, para proteger sua identidade das autoridades.

O Sr. Chen vive na China sombria. Parou de usar os famosos trens de alta velocidade porque custam cinco vezes mais do que o ônibus. Voar, muitas vezes, também sai mais barato.

Ele perdeu o emprego no ano passado porque a universidade — uma das melhores do país — estava enfrentando um déficit orçamentário. Muitas instituições estatais tiveram que demitir funcionários porque muitos governos locais, mesmo nas cidades mais ricas, estão profundamente endividados.

Como está na casa dos 30 anos, o Sr. Chen é considerado velho demais para a maioria das vagas. Ele e a esposa desistiram de comprar uma casa. Agora, com a guerra comercial, ele espera que a economia piore ainda mais e que suas perspectivas de trabalho sejam ainda mais sombrias.

“Passei a ser ainda mais cauteloso com os gastos”, disse ele. “Penso em cada centavo.”

Fonte: The New York Times




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Comércio, Internacional, Tecnologia

Ferrari sem rugido: marca aposta em carro elétrico diante de estagnação na China

Queda na demanda por veículos de luxo no país asiático tem impacto nas vendas da empresa, que espera que a taxação mais baixa do Elettrica ajude a impulsionar uma retomada

O primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari deve se beneficiar de tarifas e impostos mais baixos na China, e a empresa espera que isso ajude a reanimar suas vendas no país.

Espera-se que o Elettrica que a Ferrari apresentará a partir de outubro seja tributado a uma taxa composta de 30% do preço de varejo sugerido pelo fabricante.

Os modelos da montadora equipados com seus potentes motores de 12 cilindros enfrentam um imposto combinado de importação, consumo e valor agregado que é quase quatro vezes maior que essa taxa.

Um dos carros que a Ferrari está lançando este ano será “mais adequado” para a China, disse o CEO Benedetto Vigna durante uma teleconferência de resultados nesta semana, sem especificar o modelo. “Isso melhorará o quadro”.

As vendas da Ferrari na China estagnaram devido à baixa demanda por veículos de luxo.

Os fabricantes locais liderados pela BYD também estão entrando nos segmentos de ponta com modelos destinados a competir com as marcas de supercarros.

As remessas da Ferrari para a China caíram 25% no primeiro trimestre, atingindo o nível mais baixo em quase quatro anos.

O mercado de carros de luxo da China encolheu em 2024 devido à desaceleração econômica do país e ao enfraquecimento do sentimento do consumidor.

Para o segmento que começa a partir de 500.000 yuans (US$ 69.200), os volumes ficaram estáveis em cerca de 850.000 unidades entre 2020 e 2023. Mas, no ano passado, esse número caiu cerca de 20%, para cerca de 677.000, de acordo com dados da consultoria automotiva Thinkercar, sediada em Xangai.

A Ferrari está menos exposta à China do que muitos de seus pares ocidentais porque a empresa limita as remessas para a região a cerca de 10% de seu total. A empresa poderia repensar esse limite ao entrar no segmento de veículos elétricos, disse Vigna no início deste ano.

A China limita a entrada de carros com motores a combustão, que consomem muito combustível, mesmo antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentar as tensões comerciais globais.

Os veículos importados com motores maiores que quatro litros estão sujeitos a uma tarifa de importação de 15%, um imposto de consumo de 40% e um IVA de pelo menos 13% na China. A China isenta os veículos elétricos do imposto sobre o consumo.

O maior mercado individual da Ferrari são os EUA, onde a empresa planeja aumentar os preços de alguns carros devido às tarifas de Trump.

Fonte: Bloomberg Línea

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Internacional, Investimento, Negócios

Empresas chinesas prometem investir R$ 27 bilhões no Brasil

Expectativa é de que haverá anúncios em áreas como combustível de aviação, automóveis e defesa

A Apex Brasil anunciou nesta segunda-feira (12) negócios empresariais de gigantes chinesas com o Brasil, nos setores de delivery e fast-food, entre outros, além do mercado de semicondutores.

O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, antecipou que os investimentos entre empresas em geral vão somar cerca de R$ 27 bilhões.

Os anúncios e planos de investimentos estão sendo divulgados durante o Seminário Empresarial Brasil-China, encerrado por Viana e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na capital chinesa.

Líder no mercado de entregas na China, a Meituan vai entrar no Brasil para concorrer, principalmente, com o Ifood. A empresa anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões, em cinco anos.

Segundo dados do governo, a estimativa de é geração de 100 mil empregos indiretos, além da instalação de uma central de atendimento no Nordeste, com 3 mil a 4 mil empregos diretos.

No Brasil, a empresa vai usar a marca Keeta, bandeira sob a qual já opera em Hong Kong e na Arábia Saudita.

A rede Mixue vai passar a comprar frutas do Brasil para fabricação dos sorvetes e bebidas geladas, como chás. A empresa é a maior rede de fast-food do mundo, com 45 mil lojas, à frente do Mc Donald’s.

A empresa vai iniciar operação no Brasil com capital de RS$ 3,2 bilhões e projeta 25 mil empregos até 2030.

No setor de tecnologia, a Longsys, por meio da subsidiária Zilia, anunciou no ano passado um plano de investimentos para 2024 e 2025 de R$ 650 milhões, nas plantas de fabricação de São Paulo e Manaus, que terão capacidade ampliada.

A Zilia tem participação nacional na fabricação de componentes para semicondutores e também dispositivos de memória, os circuitos integrados de memória DRAM e Flash.

A montadora GWM anunciou investimentos de R$ 6 bilhões para ampliar operações no País e pretende exportar para América do Sul e México.

A GAC Motor anunciou a sua instalação em Goiás para fabricação de três modelos de carros, dois elétricos e um híbrido, e um plano de investimento de US$ 1,3 bilhão, como antecipou o Estadão.

A Envision planeja investimentos de até RS$ 5 bilhões num parque industrial para SAF e hidrogênio verde.

A CGN vai investir R$ 3 bilhões em um hub de energia renovável no Piauí, com foco em energia eólica, solar, e armazenamento de energia, com geração prevista de mais de 5 mil empregos na construção das unidades.

A Didi – controladora do aplicativo de transporte 99 taxi – também vai investir em serviço de entrega no Brasil e planeja construir cerca de 10 mil pontos de recarga para promover a eletrificação de veículos na frota nacional.

A Nortec Química formalizou parceria com chinesas e vai investir RS$ 350 milhões numa plataforma industrial.

Fonte: CNN Brasil

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