Negócios

Argentina ajuda Brasil a manter ritmo de produção

Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5%

Os fabricantes de veículos se preparam para uma diminuição na expectativa de crescimento do mercado interno. Mas vão conseguir manter o ritmo da produção por conta do aumento da exportação para a Argentina.

Graças à demanda mais aquecida no país vizinho, a participação das vendas externas na indústria automobilística passou de 14% para 25% em um ano.

Ao perceber a recuperação do mercado argentino, principal destino externo do setor, as montadoras se preparavam, desde janeiro, para aumentar os volumes Em janeiro a Anfavea anunciou a expectativa de uma expansão de 7,8% das exportações em 2025.

Mas o resultado dos últimos meses surpreendeu, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. A entidade reviu os cálculos e na quinta-feira (7) anunciou uma projeção de exportação muito mais alta, de 38,4% em 2025.

Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5% (183,9 mil unidades), o que elevou a fatia do país vizinho de 35% para quase 59% do total exportado pelo setor. Embora as vendas para outros mercados vizinhos, como Colômbia e Chile, também tenham crescido, é a demanda argentina o principal motivo que leva a Anfavea a tratar o resultado como “alta surpreendente”.

De janeiro a julho, o volume de veículos exportados pelo Brasil somou 312,1 mil unidades, alta de 52,7% ante 2024. A receita com as vendas externas das montadoras somou US$ 8,33 bilhões, crescimento de 43,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

A demanda externa foi o principal motivo, segundo Calvet, que levou a indústria a contratar mais nas últimas semanas. Em apenas um mês, as montadoras abriram 400 vagas. Com 109,1 mil funcionários, o emprego nas montadoras aumentou 4,4% em 12 meses.

As perspectivas de vender mais no exterior ajudam o setor a compensar a expectativa de ritmo de crescimento mais lento no mercado interno e, assim, manter as projeções de produção anunciadas no início do ano.

A Anfavea diminuiu a previsão de expansão do mercado interno em 2025 de 6,3% para 5% (2,765 milhões de unidades). Mas manteve a expectativa de aumento da produção em 8,4% (2,749 milhões de unidades).

Nem mesmo o programa de incentivos fiscais federais Carro Sustentável ajudará a reverter a tendência. O programa isentou de IPI uma lista de carros básicos e, no primeiro mês de vigência, provocou um aumento de vendas desses modelos em 16,7%.

“Tarifas dos EUA prejudicarão venda de caminhões, que transportam os produtos afetados”

— Igor Calvet

A direção da Anfavea aponta a alta dos juros como um dos principais fatores que provocam a retração de demanda, sobretudo de caminhões. A entidade está pessimista em relação à demanda por veículos de transporte de carga, principalmente da linha pesada.

Desde o inicio do ano, a demanda por caminhões caiu 4,1% e o quadro pode piorar nos próximos meses. A entidade alterou a projeção de vendas internas de caminhões em 2025 de alta de 0,2% para queda de 8,3%. “A instabilidade nos machuca e a alta dos juros nos mata”, diz Calvet.

Mas não é só a alta da taxa básica de juros, a maior desde 2006, que pode afetar o ritmo das linhas de montagem. Segundo Calvet, o mercado de caminhões tende a sofrer o impacto do aumento das tarifas de importação dos EUA, em vigor desde quarta-feira. O dirigente lembra que praticamente todos os produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano são transportados em caminhões até os portos.

O “tarifaço” divulgado pelo presidente Donald Trump também prejudicará a exportação de componentes fabricados pelas montadoras, como motores. Nesse caso, a tarifa subiu de 2,5% para 27,5%, o que, segundo cálculos da Anfavea, provocará impacto de US$ 268 milhões caso o ritmo de embarques seja mantido, o que Calvet duvida que ocorra.

Ao divulgar os resultados do setor, Calvet voltou a se queixar da entrada de produtos chineses. A importação de carros da China está se aproximando do volume que vem da Argentina.

De janeiro a julho foram vendidos 87,8 mil carros chineses no Brasil, 41,2% mais do que no mesmo período de 2024. Da Argentina, vieram 121,4 mil, um aumento de 11% na comparação com o acumulado em 2024.

“A importação da Argentina é benéfica porque nós também exportamos para lá, mas não vendemos nada para a China”, destaca.

Ao mesmo tempo, Calvet elogia a recente decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que limitou a seis meses o período de isenção do Imposto de Importação de veículos semidesmontados. A BYD, que se prepara para produzir no país, havia pedido um período maior, de um ano. A Camex também limitou o volume de entrada desses veículos a cotas que poderão ser usadas por todas as marcas, incluindo sócios da Anfavea.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Com peso forte, Argentina acelera compra de carne do Brasil ao maior nível desde 1997

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo

A Argentina, tradicional potência pecuária, está importando carne bovina enquanto as políticas cambiais e comerciais do presidente Javier Milei tornam mais barato adquirir o produto no exterior, mesmo com os preços internos ainda elevados.

As importações mensais vindas do Brasil saltaram para uma média de 1.033 toneladas métricas no primeiro semestre de 2025, contra apenas 24 toneladas no mesmo período do ano passado — um recorde sazonal desde o início da série histórica, em 1997, segundo dados oficiais brasileiros. No total, as compras externas de carne bovina pela Argentina já estão no maior nível desde 2019.

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo. Com o churrasco — ou asado — profundamente enraizado na cultura nacional, o preço da carne é acompanhado de perto pelo eleitorado que Milei busca conquistar nas eleições legislativas de outubro. Em junho, o custo da carne na região de Buenos Aires subiu 53% em relação ao ano anterior, bem acima da inflação geral, de 39%.

Embora o aumento das importações tenha pouco impacto em um país que produz cerca de 250 mil toneladas por mês, ele evidencia a decisão de Milei de manter o peso valorizado e abrir mais a economia ao comércio exterior para conter a inflação.

As medidas ajudaram a desacelerar a alta de preços antes da votação de outubro, mas também tornaram as importações mais baratas — um fator que pressiona a balança comercial no momento em que Milei precisa gerar mais dólares para estabilizar a economia e cumprir metas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O peso se desvalorizou nas últimas semanas, mas a cotação atual, em torno de 1.360 pesos por dólar, ainda é considerada relativamente forte quando se leva em conta o custo dos bens e serviços no país.

“Como a Argentina ficou mais cara em termos de dólar, abriu-se a porta para trazer carne do Brasil a preços competitivos”, disse Diego Ponti, analista do mercado de carne bovina na consultoria AZ Group. “Mas são volumes muito pequenos — negócios isolados feitos por compradores próximos à fronteira ou por frigoríficos com plantas nos dois países.”

Segundo dados da AZ Group, frigoríficos argentinos chegaram a pagar, em alguns momentos deste ano, o equivalente a quase US$ 5 por quilo de boi gordo.

A maior parte das exportações argentinas — que somaram cerca de US$ 3,4 bilhões no ano passado — vai para a China. No entanto, com o presidente dos EUA Donald Trump impondo uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira como parte de sua guerra comercial global, isso pode aumentar a concorrência pelas vendas.

“A maior parte dos excedentes que o Brasil não conseguir vender aos EUA provavelmente será destinada à China”, afirmou Ponti. “Isso levaria os importadores chineses a negociar contratos mais baratos.”

Fonte: InfoMoney

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Economia

Economia melhora, e Argentina reabre mercado para o Brasil

A ligeira melhora econômica obtida pelo governo do presidente Javier Milei e a valorização – em alguma medida artificial – do peso têm impulsionado a retomada das exportações brasileiras para a Argentina. O movimento traz alento ao setor externo brasileiro, que sofre com preços mais baixos de commodities e incerteza nas relações comerciais com os Estados Unidos.

As exportações para a principal economia do planeta vinham crescendo nos últimos anos – ainda que longe de ameaçar a liderança da China -, mas devem sofrer um baque com o cada vez mais provável início das tarifas de 50% para produtos brasileiros anunciado pelo presidente Donald Trump. Embora a pauta de exportação brasileira para ambos os países tenha perfil menos dominado por commodities e com maior presença de produtos de maior valor agregado, economistas se dividem sobre a capacidade do vizinho de absorver parte da produção normalmente dirigida aos EUA.

Entre janeiro e junho, as exportações à Argentina somaram US$ 9,120 bilhões, alta de 55,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Com isso, o país assegura o posto de terceiro principal destino dos produtos brasileiros, que chegou a ser ameaçado em 2024 pela Holanda.

Confira abaixo as exportações Brasileiras para a Argentina de 2022 a 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras à Argentina | 2022 – 2025 | TEU

A recuperação das compras pela Argentina é algo que já era perceptível desde o fim do ano passado, nota Gabriela Faria, economista da Tendências Consultoria. “O perfil das nossas exportações segue parecido: veículos de passeio, partes e acessórios para veículos, produtos industriais, máquinas elétricas e outros itens relacionados à indústria de transformação, como plástico”, explica.

Individualmente, a categoria veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios lidera o crescimento das exportações em valor, com crescimento de 121,8% no primeiro semestre, na comparação com igual período de 2024, segundo dados da Secex.

Já de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos ao vizinho cresceram 59,8% nos seis primeiros meses do ano, para 264 mil. Já a participação da Argentina no total exportado quase dobrou, de 34% para 60%. É também o patamar mais alto desde 2018 (68%).

“O câmbio argentino se valorizou muito no período, prejudicou a competitividade do produto de lá. Como as montadoras que atuam aqui e lá são as mesmas, existe uma estratégia de exportar a partir do Brasil, inclusive para lá”, diz Lia Valls, coordenadora do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), do FGV Ibre.

Desde dezembro de 2023, quando Milei assumiu a Presidência, o peso acumula valorização nominal de 54,8%. De lá para cá, a política de choque econômico também começa a render frutos. Após contrair 1,7% em 2024, o PIB do país cresceu 0,8% no primeiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior, e 5,8% ante igual período de 2024.

Segundo analistas, a recuperação das compras argentinas foi puxada principalmente pela forte expansão do consumo das famílias e dos investimentos, que também levou as importações a um salto: alta de 42,8% no período.

Outro fator que tem ajudado o exportador brasileiro é a derrubada de barreiras não tarifárias, como licenças de importação e restrições a pagamentos, nota o ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria BMJ, Welber Barral.

“Era algo muito complicado. Já recebi ligação de cliente meu dizendo que esperava há 12 meses autorização para receber pagamento por parte do banco central argentino”, conta.

A situação agora é outra, continua. As reclamações são cada vez menos numerosas, e a recuperação econômica também tem despertado o interesse de empresas brasileiras em investir no vizinho. Barral cita a aprovação recente do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) – que busca dar segurança ao investimento estrangeiro e também benefícios fiscais, aduaneiros e cambiais – como fator que tem ajudado a aumentar o interesse em se instalar por lá, em especial por empresas do setor agrícola e de mineração.

Outro setor que tem se beneficiado dessa retomada foi o de máquinas. Segundo dados da Abimaq, houve crescimento de 55,3% das vendas do setor nos seis primeiros meses, totalizando US$ 760,2 milhões.

“Todos os setores tiveram crescimento das compras argentinas, exceto máquinas para petróleo e energia renovável”, nota a diretora-executiva de Mercado Externo da Abimaq, Patricia Gomes.

A Argentina é o segundo maior comprador do setor representado pela Abimaq, com 13,4% das exportações, atrás apenas dos Estados Unidos. Para Gomes, os sinais são positivos, mas uma recuperação maior ainda precisa ser encarada com cautela.

“O cenário agora é diferente, existe mais concorrência, principalmente por parte dos países asiáticos. Além disso, o cenário internacional não ajuda, já que este é um setor muito sensível a problemas de confiança sobre a economia”, diz.

Para Livio Ribeiro, sócio da consultoria BRGC e pesquisador do FGV Ibre, a recuperação das vendas à Argentina ocorre mais por conta da base de comparação ruim. “Ano passado foi catastrófico do ponto de vista do crescimento econômico. Esse ano, com a melhora do ambiente econômica, sistema de preços funcionando, a economia pega no tranco”, diz. As vendas ao país vizinho seguem distantes do pico mais recente, em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,7 bilhões para lá.

A retomada do parceiro do Mercosul, por outro lado, pode ajudar o Brasil na dura tarefa de redirecionamento das exportações tradicionalmente destinadas aos Estados Unidos, mas que devem sofrer com a possível chegada do tarifaço promovido por Donald Trump.

“Não é exatamente a mesma cesta – os EUA compram muito avião, por exemplo, que não serão comprados pela Argentina. Mas ambos têm um perfil similar no sentido de que importam bens industriais, muito comércio intrafirma. É muito diferente da pauta média brasileira de exportação, concentrada em commodities”, explica Ribeiro. “Então a Argentina é um candidato mais adequado que outros parceiros para esse redirecionamento.”

Já a diretora da Abimaq é mais cética quanto a essa possibilidade. “É um mercado natural, já que faz parte do Mercosul. As empresas que começam a exportar naturalmente olham a América do Sul e Argentina. Só que não é uma mudança fácil nem rápida de se processar”, diz. “Muitas empresas são de capital americano e produzem aqui de olho no mercado americano. Além disso, as empresas podem fazer muitas exigências de ordem técnica, o que dificulta o processo.”

Barral também vê um potencial pequeno nesse sentido. “Em vários produtos que o Brasil exporta para os EUA – frutas, grãos, carnes -, a gente compete com a Argentina. Além disso, o mercado argentino é muito menor que o americano”, sintetiza.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Argentina aumenta em 55% importações do Brasil

Estatísticas da base de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que a Argentina aumentou em 55,4% as importações do Brasil no primeiro semestre, frente à ameaça iminente de aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, que entraria em vigor em 1º de agosto.

De acordo com a plataforma, o país do presidente Javier Milei, desafeto do mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, somou US$ 9,12 bilhões em importações do Brasil entre janeiro e junho. No mesmo período em 2024, haviam sido US$ 5,87 bilhões.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina mostraram que o Brasil seguiu sendo em junho o maior parceiro comercial do país vizinho, respondendo por 14,8% das exportações argentinas e 25,2% das importações.

Os principais produtos do comércio exterior entre Brasil e Argentina foram trigo, carros e autopeças, segundo o Indec.

No chamado Dia da Libertação, em 2 de abril, o presidente americano, Donald Trump, impôs taxas sobre produtos importados de 184 países e territórios e da União Europeia (UE), e Brasil e Argentina ficaram entre os países com a menor tarifa, 10%.

Entretanto, em carta enviada a Lula no último dia 9, Trump anunciou que pretende impor uma sobretaxa de 50% na importação de produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, citando, entre outros motivos, o que chamou de perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro; decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes relativas a big techs americanas; e práticas comerciais “injustas” do Brasil contra os Estados Unidos.

Fonte: Gazeta do Povo

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Comércio Exterior

Milei anuncia corte permanente nos impostos de exportação do agro

Segundo presidente da Argentina, medida só foi possível graças ao superávit fiscal, que diz proteger ‘como água no deserto’

O presidente da Argentina, Javier Milei (foto), anunciou neste sábado, 26, uma redução permanente nos impostos de exportação sobre produtos do agronegócio, como soja, milho, girassol, carne bovina, aves e seus derivados. A medida, segundo o governo, tem como objetivo “impulsionar o campo” e responde a uma antiga demanda do setor agropecuário argentino.

Durante discurso na abertura da tradicional Exposição Rural da Argentina, em Buenos Aires, Milei defendeu a redução das chamadas retenções como parte de seu compromisso com o equilíbrio fiscal. 

“Essas reduções são permanentes e não serão revertidas enquanto eu estiver no governo”, afirmou. Segundo ele, a desoneração foi possível devido ao “superávit fiscal que alcançamos, que protegemos como água no deserto diante dos ataques sistemáticos da classe política”.

“A redução dos impostos não beneficiará apenas o campo, mas toda a economia”, disse Milei, acrescentando que seu governo tem como obsessão “eliminar os impostos retidos na fonte”.

Segundo estimativas oficiais, o custo fiscal da medida será de US$ 700 milhões. Ainda assim, Milei afirma que o impacto será compensado por ganhos de produtividade e pelo impulso à economia rural. 

“Buscamos impulsionar o campo, que foi severamente punido por esses impostos nos últimos 20 anos”, afirmou.

O que muda?

As alíquotas de exportação de aves e carne bovina caem de 6,75% para 5%; a do milho passa de 12% para 9,5%; e a do sorgo, de 12,9% para 9,5%. 

No caso do girassol, o imposto cairá em duas etapas: de 7,5% para 5,5%, e posteriormente para 4%. A soja — o produto mais tributado do país — terá a taxa reduzida de 33% para 26%, e seus subprodutos, de 31% para 24,5%.

A Argentina é uma das maiores potências agrícolas do mundo, com destaque para a produção de soja, milho, trigo e girassol. A pecuária também tem peso histórico na balança comercial do país, com exportações de carne, mel e lã.

Agro comemora

As entidades do setor agropecuário receberam o anúncio com entusiasmo, especialmente por se tratar de uma medida de caráter permanente. 

Para o presidente da Acsoja (Associação da Cadeia da Soja), Rodolfo Rossi, a redução das alíquotas pode mudar o cenário de rentabilidade da próxima safra. 

“Entram mais regiões com possibilidade de rentabilidade. Com base nos rendimentos prováveis, daria lucro ou pelo menos equilíbrio”, disse ao jornal argentino Clarín. 

“Todo o norte do país e o sul da província de Buenos Aires”, acrescentou.

De acordo com relatório recente da AACREA, uma entidade técnica de referência no setor, em 80% da área de soja da Argentina o cultivo não era rentável com os preços atuais e a alíquota anterior de 33%. A perspectiva era de uma redução de 2 milhões de hectares na próxima safra, que começa em outubro.

Reforma econômica

A medida integra o pacote de reformas econômicas promovido por Milei desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, com foco na contenção de gastos e na estabilidade macroeconômica. 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a inflação argentina cairá para 35,9% neste ano — uma forte desaceleração frente aos índices do ano anterior.

Fonte: O Antagonista

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Evento

Rodada Internacional de Negócios FEBAP: mais de 200 reuniões entre empresas da Argentina, Brasil e Paraguai

A Rodada de Negócios Internacional em Posadas reuniu mais de 40 empresas metalmecânicas de Misiones e de outras províncias da Argentina, além de representantes do Brasil e do Paraguai, com 200 reuniões comerciais e apoio institucional. O evento projetou negócios no valor de 1,7 milhão de dólares.

A Rodada Internacional de Negócios organizada pela Federação Econômica Brasil Argentina Paraguai (FEBAP) foi realizada no dia 24 de julho no Silicon Misiones, em Posadas. Participaram mais de 40 empresas do setor metalmecânico oriundas da Argentina, Brasil e Paraguai. A Câmara de Representantes de Misiones, o Ministério do Turismo provincial e o Conselho Deliberativo de Posadas reconheceram oficialmente a atividade. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o evento gerou uma expectativa de negócios estimada em 1.700.000 dólares.

“Esse setor sugerido, onde empresas de Misiones terão toda a parte de contatos com aquelas que estão dentro da área de atuação da FEBAP — que, do lado brasileiro, corresponde ao estado do Rio Grande do Sul, e do lado paraguaio ao departamento de Itapúa. Ambos têm zonas de produção agrícola, industrial e comercial, com presença significativa de empresas familiares”, comentou Daniel Ríos, presidente da FEBAP Argentina, ao Canal Doce. Ele também mencionou que, do lado argentino, participam empresas de Misiones e da cidade de Ituzaingó, em Corrientes.

FEBAP destacou o caráter institucional e regional do encontro

“A Federação, no que diz respeito a eventos, sempre propôs, a Federação não impõe. A FEBAP sempre atuou em conjunto com o Estado provincial, com as instituições parceiras, que são as câmaras de comércio e indústria das cidades de Posadas, Leandro N. Alem, as fundações que tratam de temas econômicos, culturais, sociais, e os conselhos profissionais que têm contribuído academicamente ao longo da história da federação, que neste ano completa 35 anos”, declarou Ríos a respeito.

“Esse evento, como rodada de negócios, não será um fato isolado, porque os contatos já foram realizados; as empresas puderam se reconhecer entre si em mais de 200 reuniões. Ontem, em um intervalo muito curto, a cada quinze minutos, as empresas dos três países se revezavam, e cada uma havia manifestado previamente, na inscrição, a intenção de comprar ou vender”, afirmou o presidente da FEBAP Argentina. Além disso, as rodadas foram organizadas com inscrição prévia e coordenação logística para garantir que cada encontro cumprisse seu objetivo comercial.

SEBRAE apoiou o evento e coletou dados sobre o intercâmbio empresarial

Da mesma forma, o dirigente destacou que “a expectativa em relação aos negócios foi uma informação fornecida pelo SEBRAE. O SEBRAE é um serviço de apoio à média e pequena empresa, que participou do evento. Agradecemos especialmente a todo o pessoal da instituição, bem como à presidente do Silicon Misiones, Alicia Penayo, que acompanhou e esteve presente ontem”. Durante a jornada, foram aplicadas pesquisas aos empresários participantes, cujos resultados permitiram projetar o volume esperado de negócios.

“Todos saíram enriquecidos em termos de habilidades relacionadas ao conhecimento tecnológico, matérias-primas e serviços. E não sei se podemos falar em competição, mas sim em fortalecimento nesse campo, que não é um fato isolado. Misiones tem tecnologia, tem empresas com uma visão voltada para o futuro”, afirmou o dirigente. Ele também destacou que esse fortalecimento tem projeção internacional na região, com foco na expansão para o Brasil e o Paraguai.

A Câmara de Representantes e órgãos locais declararam a jornada de interesse público

Sobre o apoio institucional à Rodada Internacional de Negócios, o evento contou com a declaração de interesse da Legislatura Provincial, do Conselho Deliberativo de Posadas e do Ministério do Turismo.

“Isso coloca a Federação, a FEBAP, em um lugar que sempre buscamos ocupar por meio da representatividade. Sempre trabalhamos em conjunto com as instituições — como mencionei, com o Estado provincial — e o valor que foi dado ao longo dos anos pelas diretorias anteriores é o caminho que a Federação conquistou por meio de todas as suas realizações”, destacou o representante da federação internacional.

Fonte: Doce TV

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Economia

Como a melhora da economia da Argentina ajuda o Brasil – e o que esperar daqui em diante

No primeiro semestre, exportações para a Argentina cresceram 55,4% e somaram US$ 9,120 bilhões, puxadas pelo setor automotivo

Num momento de escalada da guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos, as exportações brasileiras para a Argentina têm crescido de forma acelerada e trazido algum alívio para a balança comercial do País. No primeiro semestre, elas somaram US$ 9,120 bilhões, um crescimento de 55,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Argentina passou a oferecer uma combinação bastante positiva para o exportador brasileiro. Depois dos choques promovidos pelo presidente argentino Javier Milei, que provocaram uma dura recessão, a economia do país cresceu de forma acelerada. O câmbio também se valorizou, o que estimula e torna mais barata a compra de produtos de outros países.

No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 5,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, a alta foi de 0,8%.

Entre janeiro e junho, segundo dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento, Comércio e Serviços (Mdic), os argentinos responderam por 5,5% das exportações do Brasil – atrás da China (28,7%) e dos Estados Unidos (12,1%).

“O peso está extremamente valorizado. O grosso do comércio é no setor automotivo. Não estamos exportando produtos diferentes. A diferença é que agora está muito mais interessante para as empresas venderem o carro brasileiro na Argentina, que sai muito mais barato”, afirma Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).

Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ilustram bem o bom momento das vendas brasileiras e deixam evidente como as exportações foram um motor importante para o setor no primeiro semestre.

De acordo com a Anfavea, a produção de veículos somou 1,227 milhão de unidades nos primeiros seis meses do ano, o que representa um crescimento de 88.782 unidades em relação ao período de janeiro a junho de 2024. No mesmo período, o volume exportado aumentou em 98.850 unidades, de 165.299 para 264.149.

“Ou seja, as exportações tiveram contribuição fundamental para o desempenho da indústria neste ano”, afirma Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea.

Até agora, nos primeiros seis meses deste ano, a participação da Argentina nas exportações de veículos brasileiros é de 60%, o patamar mais alto desde 2018, quando alcançou 68%. Em 2024, foi de 34%.

“Historicamente, a Argentina sempre desempenhou um papel relevante como um dos principais destinos das exportações brasileiras de veículos”, afirma Andrea. “Considerando o desempenho expressivo no primeiro semestre, a expectativa é de que a fatia da Argentina nas exportações brasileiras de veículos se mantenha elevada em 2025.”

Além dos produtos ligados à indústria automobilística, os produtos químicos e alimentícios também são importantes na pauta de exportação do Brasil para a Argentina.

A recuperação da Argentina – e os desafios

Ao assumir o governo da Argentina, em dezembro de 2023, Javier Milei adotou uma dura política fiscal e promoveu a desvalorização do peso, para reduzir a diferença entre o câmbio paralelo e o oficial, que praticamente desapareceu depois de ter superado o patamar de 150%. O choque produziu uma recessão brutal no País, levou ao aumento da pobreza, agora em queda, e houve um aumento da inflação inicial. No entanto, ajudou, num primeiro momento, a economia argentina a não ter problemas no setor externo.

“No começo do ano passado, havia um câmbio hiper desvalorizado, contraindo as importações, porque elas eram caríssimas, e estimulando as exportações. E você tinha um nível de atividade muito deprimido por causa da recessão econômica e, consequentemente, gerando saldos de exportações”, diz o economista Fabio Giambiagi.

Nos meses seguintes, o quadro argentino começou a mudar: embora o governo de Milei tenha promovido uma desvalorização nominal do peso, a inflação avançava em ritmo ainda maior, o que resultou numa valorização do câmbio real.

“A competitividade cambial caiu quase 40% em termos reais, atingindo um piso em janeiro de 2025. Esse fator, somado à extraordinária recuperação econômica, fez com que as importações chegassem a valores recordes no primeiro trimestre deste ano, reduzindo significativamente o superávit comercial”, afirma Dante Sica, ex-ministro da Produção e do Trabalho e sócio fundador da consultoria Abeceb.

A falta de dólares na Argentina voltou ao radar do governo, o que fez com que o governo passasse a lançar mão de várias medidas para tentar contornar o problema. Uma delas flexibilizou os controles financeiros e permitiu que os argentinos “tirassem os dólares do colchão”. Vivendo décadas de instabilidade econômica, se tornou comum entre os argentinos a prática de guardar dinheiro em casa. O novo plano de Milei prometeu isentar os argentinos de qualquer punição por dinheiro não declarado anteriormente.

“Que há uma recuperação é um fato inegável. O que não quer dizer que não haja problemas. Os problemas claramente estão localizados no setor externo”, afirma Giambiagi. “O que está acontecendo este ano é exatamente o espelho oposto do que aconteceu no ano passado.”

Em abril, o governo de Milei acertou mais um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com duração de 48 meses, prevê um empréstimo de US$ 20 bilhões. De imediato, US$ 12 bilhões foram liberados pelo órgão. Em troca, o governo de Milei anunciou uma flexibilização nas regras cambiais do país.

“Todo mundo sabe que esse câmbio como está é um problema, porque o custo de vida do argentino está absolutamente alto”, afirma Lia.

Com os empréstimos do Fundo e de outros organismos internacionais, as reservas argentinas somam US$ 40 bilhões.

“Apesar dos ruídos de curto prazo de uma economia que está aprendendo a flutuar, não vemos condições para que ocorram choques ou mudanças dramáticas no cenário (como um salto abrupto do câmbio)”, afirma Dante. “Isso porque, hoje, os ruídos – ao contrário do que ocorria no passado – acontecem dentro de um quadro macroeconômico muito mais sólido.”

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Enquanto Brasil tem maior tarifa, Milei busca isenções dos EUA; veja diferenças

Brasil lidera lista de tarifas de até 50%, e a Argentina de Milei, alinhado ideologicamente com Trump, negocia isenções para até 80% de seus produtos

A nova rodada de tarifas comerciais anunciada pelo governo dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump tem revelado abordagens distintas nas relações bilaterais com o Brasil e a Argentina. Enquanto o Brasil poderá enfrentar uma alíquota de 50% sobre todos os seus produtos exportados aos EUA a partir de 1º de agosto, a mais alta anunciada até o momento, a Argentina conseguiu avançar em negociações que podem garantir isenção tarifária para até 80% de seus produtos.

No caso brasileiro, a decisão da Casa Branca foi formalizada por meio de uma carta pessoal de Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o líder americano associa a aplicação da tarifa ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento inclui críticas ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, acusações de censura contra plataformas digitais dos EUA e ameaças explícitas de retaliação em caso de medidas recíprocas. Analistas interpretam o gesto como uma iniciativa com forte componente político, que vai além de uma disputa comercial convencional.

A carta provocou reações firmes do governo brasileiro, que prometeu responder com base na lei de reciprocidade. A decisão também impactou os mercados: o Ibovespa futuro recuou, o dólar avançou e os contratos de juros futuros registraram alta. Economistas alertam para os potenciais efeitos inflacionários e para o risco de desaceleração de setores exportadores, especialmente os ligados a commodities como petróleo, carne e aço.

Por outro lado, a Argentina, que também foi incluída na lista original de países sujeitos à revisão tarifária em abril, tem conseguido avanços diplomáticos que indicam tratamento diferenciado. As negociações bilaterais resultaram até agora em uma lista de cerca de 100 produtos argentinos, incluindo vinho, limões e algodão, que devem ser mantidos com tarifa zero, mesmo após o fim da atual trégua em 1º de agosto. O aço e o alumínio, considerados setores estratégicos, devem permanecer com tarifa de 50%.

Três fatores foram determinantes para o avanço argentino: o alinhamento ideológico entre os presidentes Javier Milei e Donald Trump, a disposição da Argentina em facilitar exportações americanas, e seu papel estratégico como fornecedor confiável em meio à crescente tensão comercial entre Washington e Pequim. Segundo a imprensa argentina, o canal de negociação teria sido fortalecido por encontros recentes entre o chanceler argentino Gerardo Werthein e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

Com cerca de US$ 6,5 bilhões em exportações para os EUA em 2024, a Argentina busca preservar seu acesso ao mercado americano em condições favoráveis, enquanto mantém diálogo com Washington para ampliar um Acordo de Complementação Econômica. A expectativa é que os termos do acordo sejam formalizados nas próximas semanas, mas a Casa Branca ainda avaliaria o melhor momento político para o anúncio.

Fonte: InfoMoney

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Economia

Fronteiras viram termômetro da economia entre Brasil, Argentina e Paraguai

Reportagem do La Nación mostra como o câmbio afeta o comércio, o turismo e até a saúde na região da tríplice fronteira.

A tríplice fronteira não é um tema frequente na grande imprensa argentina. Mas, neste sábado (05), a edição do jornal La Nación, de Buenos Aires, traz uma reportagem de Erica Gonçalves que conseguiu captar como funciona a economia onde os três países se encontram.

A primeira constatação dela é o que qualquer um já percebeu: “As oscilações econômicas e a cotação das moedas determinam o ritmo de vida e as filas na tríplice fronteira”.

Já na fronteira do Brasil com a Argentina, ela viu que uma longa fila de pessoas aguardava para entrar no país vizinho, depois de fazer compras em Foz e em Ciudad del Este. “Sacolas de supermercado enchiam os porta-malas.”

O tráfego intenso, no horário em que ela passou, fazia com que os procedentes de Ciudad del Este levassem uma hora e meia para chegar à fronteira argentina.

A Argentina, hoje, tem uma oscilação de preços que faz com que os produtos adquiridos no Brasil se tornem mais atrativos.

“No Brasil, a carne pode custar a metade (do preço na Argentina); algumas frutas e verduras chegam a ser 70% mais baratas. No Paraguai, roupas e artigos para casa têm até 60% de diferença — o mesmo ocorre com alguns produtos em Foz do Iguaçu. Na gastronomia, cruzar a fronteira pode representar uma economia de até 30%”, contou a jornalista.

Segundo ela, melhores preços, atendimento profissional e restaurantes mais acessíveis levam todos os que vivem ou circulam pela região a comprar em Ciudad del Este e Foz.

Com Pix

Dalila, de 30 anos, moradora de Puerto Iguazú, contou a Erica que, uma vez por mês, vem a Foz e compra tudo o que precisa. Ela estava no Max Atacadista de Foz. “Aqui é muito mais barato: uma compra mensal me custa $220.000, enquanto lá a semanal sai por $120.000. Pago com Pix, que é como o Mercado Pago do Brasil”, contou, complementando que todos que têm carro, em Puerto Iguazú, fazem o mesmo.

“O ritmo das fronteiras muda conforme o câmbio”, afirmou Marcelo, argentino que mora em Ciudad del Este há mais de 15 anos.

“Eu cruzo todos os dias para levar passageiros e aproveito para comprar o que falta no dia. Levo de tudo porque vale metade”, disse Ezequiel, taxista de Puerto Iguazú, enquanto também fazia compras no Max Atacadista.

“Na alfândega, se for para consumo familiar, não tem problema.” Ele e sua esposa ainda se impressionam com as diferenças de preço: “5 kg de arroz aqui no Brasil custam R$17, ou $3.400 pesos argentinos. Na Argentina, 1 kg custa $2.200. A cartela de ovos em Foz sai por $4.400, e em Puerto, $7.300.”

Ele lembrou que, até um ano e meio atrás, Misiones estava cheia de brasileiros e paraguaios. “Agora os supermercados têm prateleiras vazias. O negócio ficou restrito aos turistas.”

Inversão

O gerente de uma multinacional americana lembrou que, “até uns oito meses atrás, todos cruzavam para Puerto Iguazú para comprar comida, jantar e abastecer. Agora mudou: é o lugar mais caro dos três”. “Hoje são os missioneiros que cruzam para fazer compras, e a fila mais crítica é a de saída. As fronteiras na região são um termômetro.”

Os táxis argentinos cobram cerca de $50.000 (R$ 218,00) para ir até Foz e voltar para Puerto com o porta-malas cheio. “Mesmo com esse custo, ainda vale a pena: a maioria dos produtos aqui (em Foz) custa a metade”, disse um taxista.

A jornalista do La Nación observou também que os paraguaios são fregueses dos supermercados de Foz. “Aqui é 30% mais barato”, disse a paraguaia Carolina, enquanto colocava as compras no carro. Ela afirmou que quase não vai mais para Puerto Iguazú. “Não vale mais a pena comprar lá.” Segundo ela, o controle migratório argentino desestimula: “É muita burocracia, e isso faz a gente perder tempo. A fila não compensa.”

“Hoje, 50% dos nossos clientes vêm do Paraguai e da Argentina”, disse Vinicius, funcionário do Max Atacadista. “Costumam vir bem cedo ou no fim do dia. O número de argentinos aumentou bastante depois da desvalorização do real. Eles compram de tudo”, afirmou.

Diante dos preços brasileiros, o setor de supermercados de Misiones se transformou. Ramón, com 20 anos de trabalho no supermercado Capicüa, contou que 80% das vendas vêm do turismo e que, hoje, os moradores de Puerto Iguazú compram apenas o necessário para o dia. “Os brasileiros ainda vêm comprar vinhos e itens finos. Antes levavam sem olhar o preço. Agora comparam.”

Para os missioneiros, os bons preços do Brasil e do Paraguai vão além dos supermercados e da eletrônica. “Em Ciudad del Este tem tênis falsificado com bom preço. Casacos de frio por US$20 e roupas de cama de qualidade”, disse Marisa, de Puerto Iguazú. Susana prefere o setor têxtil: “Compro roupas em Foz.” Os ônibus que vão a ambas as cidades tornam o deslocamento fácil.

Diana, dona da Mia Mía Boutique, em Puerto Iguazú, admite que as vendas caíram nos últimos seis meses. “Os preços do Brasil nos afetam muito. Só conseguimos manter o negócio porque temos clientes fiéis”, afirmou.

Liliana, funcionária do tradicional restaurante La Rueda, reconhece que a clientela da tríplice fronteira diminuiu. “Temos muitos clientes brasileiros, mas é verdade que, depois da pandemia, o movimento local caiu. Hoje, nosso foco são os turistas”, disse.

O restaurante 4 Sorelle, em Foz, atrai clientes da região. “Cerca de 20% vêm do Paraguai e da Argentina. É um número importante para nós: 90% deles são clientes habituais.”

Os vendedores da Feirinha de Puerto Iguazú — um mercado com produtos locais — dizem que a inflação pós-pandemia e a desvalorização do real afetaram os negócios. “Os clientes sempre dizem que antes era mais barato”, relatou Silvia, da Barraca Daloira.

O vinho argentino ainda é valorizado no Brasil. “Alguns compram por R$230 para revender por R$1.000”, disse Clara, funcionária da Argentinian Wine.

Ciudad del Este

Logo após o controle migratório paraguaio, começa o centro de Ciudad del Este, valorizado por quem busca preços baixos. Ao contrário das outras cidades, ela possui um regime aduaneiro especial, quase como uma zona franca. Os preços baixos são resultado de tarifas de importação reduzidas ou até nulas.

Trocas de moeda ocorrem o tempo todo. “Aqui tem de tudo, entendeu? De tudo mesmo”, disse Manuel, um cambista de 68 anos. “Por dia, passam cerca de 500 brasileiros e 300 argentinos. Muitos são moradores da tríplice fronteira.”

Os preços de Ciudad del Este atraem comerciantes do Brasil e da Argentina, mas as regulações impõem limites. “Em Foz só é permitido trazer até cinco peças iguais. Alguns contratam ‘passadores’ para levar o excedente”, disse uma vendedora de óculos.

Na Argentina, as compras não podem passar de US$300, e há quem contrate transporte irregular. “Custa US$35 para cruzar mercadoria de barco.”

“Nossos produtos custam 50% a mais no Brasil e o dobro na Argentina”, disse Luis, da Nasser Cubiertas (cubierta, em espanhol, é pneu). O mesmo ocorre com autopeças e artigos para casa.

Alguns setores sentiram o impacto das mudanças econômicas. “No inverno, os brasileiros vinham buscar casacos, mas agora diminuíram. O dólar está mais caro para eles”, disse Rosa, da loja Shopping Berlín. Atualmente, 15% dos clientes são de Puerto Iguazú.

Willy, de Santa Terezinha de Itaipu, cruza todos os dias para trabalhar como gerente na perfumaria Elegancia, em Ciudad del Este. “Muitos brasileiros trabalham no comércio paraguaio. No Brasil ganham R$1.500; no Paraguai, R$2.400.” No Brasil, os paraguaios dominam o setor da construção civil.

Empresários brasileiros também instalam seus negócios em Ciudad del Este. Ayham, há 25 anos no Paraguai, tem loja no Shopping Vendôme: “70% dos funcionários são de Foz. Só quatro são paraguaios.”

Nahiara, 18 anos, paraguaia, cursa Medicina na Universidade Privada do Este. “Na minha turma somos 123; só 30 são paraguaios, o resto é brasileiro.” Ela destaca que muitas universidades se instalaram ali para atender brasileiros.

Nataly, de Ciudad del Este, estuda Odontologia em Foz: “Busquei uma formação de qualidade”, e já precisou cruzar a ponte a pé para não perder aula.

Saúde

“Paraguaios e brasileiros não vêm mais comprar remédios aqui porque estão caros”, disse Natalia, da Macrofarma, em Puerto Iguazú. “Antes levavam tudo, agora parou. Depois da pandemia, os preços dispararam.”

Um analgésico que, na Argentina, custa US$2 sai por US$0,75 no Paraguai.

Farmácias de Foz confirmam: “Temos muitos clientes argentinos. Dizem que os preços lá estão 200% mais altos”, disseram funcionários da São João.

A saúde é motivo vital para cruzar a fronteira. “Vou tirar documentos argentinos para operar o joelho lá”, disse Daniel, de uma empresa de logística no Paraguai. “É mais barato, e os médicos são melhores. A saúde pública no Paraguai morreu.”

“Paraguaios com documentos brasileiros se tratam em Foz, e os com documentos argentinos, em Puerto Iguazú ou Eldorado”, disse Claudia, motorista de aplicativo. Muitos com câncer tentam tratamento fora. “Em Misiones há muito controle. Em Foz, cobram R$2.000 para simular que paraguaios vivem com eles e tenham acesso ao SUS.”

Foz atrai os de maior poder aquisitivo. “Famílias levam os filhos a pediatras de Foz. Também consultam oftalmologistas e ginecologistas lá”, disse Cecilia, moradora temporária do Paraguai.

“Os exames são bons. Quando o real está barato, compensa fazer os testes no Brasil”, completou.

Ezequiel, o taxista, confirmou: “Os ricos de Misiones se tratam em Foz. E também quem tem convênio com cobertura no Brasil”.

Fonte: Portal da Cidade

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Agricultura, Comércio Exterior, Exportação, Internacional

Governo Milei aumenta imposto sobre exportação de soja e milho na Argentina

O governo do presidente argentino, Javier Milei, publicou um decreto nesta sexta-feira, 27, aumentando as taxas de exportação (retenciones) para soja e milho a partir de terça-feira, 1º de julho.

Segundo o documento, a alíquota sobre a soja será elevada de 26% para 33%, enquanto as taxas sobre milho e sorgo passarão de 9,5% para 12%. A alíquota do girassol subirá de 5,5% para 7%. Por outro lado, a taxa sobre o trigo e cevada foi mantida em 9,5%, enquanto o imposto sobre a farinha de trigo caiu para 5,5%.

Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei tem implementado uma série de reformas econômicas. Uma das mais aguardadas e solicitadas durante sua campanha foi a redução ou eliminação das retenciones, o imposto sobre exportações agrícolas.

O imposto sobre a soja em grão foi reduzido de 33% para 26%, enquanto as taxas sobre farelo e óleo de soja caíram de 31% para 24,5%. As retenciones sobre trigo e milho também sofreram redução, passando de 12% para 9,5%. Contudo, em abril, o presidente argentino anunciou que essas taxas retornariam aos níveis anteriores até o final de junho.

As críticas entre as entidades do setor foram mistas. Tanto a Confederação Rural Argentina (CRA) quanto a Coninagro expressaram preocupações sobre os prejuízos que o aumento de impostos está causando aos produtores. No entanto, Nicolás Pino, presidente da Sociedade Rural Argentina, pediu “calma”.

“Não tenho motivos para duvidar das palavras do presidente quando disse durante a campanha, e depois as repetiu aqui em casa, que as retenciones são um imposto terrível. Estamos no caminho certo, e é por isso que digo moderação. Vamos esperar um pouco,” afirmou.

Pino anunciou que Milei deve comparecer à cerimônia de abertura do Rural de Palermo, feira anual, e há incertezas sobre como os produtores o receberão.

Segundo estimativa da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), a Argentina deve recuperar sua produção de soja e milho na safra 2024/25.

Após duas temporadas consecutivas de queda em razão das condições climáticas, o país vizinho projeta uma produção de 50,3 milhões de toneladas de soja e 49 milhões de toneladas de milho.

Farelo de soja para a China
O aumento dos impostos de exportação ocorre em meio às especulações de que a Argentina enviou o primeiro carregamento de farelo de soja para a China.

Segundo informações da Bloomberg, o país asiático comprou a commodity argentina em meio à guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos.

A Argentina é a maior exportadora global de farelo de soja, com 50 milhões de toneladas, e Pequim havia autorizado a importação desse importante insumo para ração animal em 2019. No entanto, desde então, nenhuma compra efetiva havia sido concretizada.

Essa primeira importação será um teste de mercado e envolverá um carregamento de 30 mil toneladas, que deve deixar a Argentina em julho e chegar à província de Guangdong, no sul da China, em setembro, diz a Bloomberg.

A encomenda foi realizada em conjunto por traders e produtores de ração chineses. A carga foi cotada a cerca de US$ 360 por tonelada, incluindo o frete.

Fonte: Exame

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