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Embraer amplia disputa com Airbus e Boeing após entregar primeiro E195-E2 à Latam

A Embraer deu um passo importante para ampliar sua presença no mercado brasileiro de aviação comercial com a entrega do primeiro jato E195-E2 à Latam, realizada em São José dos Campos (SP). Até então, a Azul era a única grande companhia aérea brasileira a operar a nova geração de aeronaves comerciais da fabricante nacional.

A chegada do modelo à frota da Latam abre espaço para aumentar a concorrência com Airbus e Boeing no Brasil. A Gol também poderá entrar nesse movimento, após um acordo firmado por sua controladora para adquirir aeronaves da família E2.

Para a Embraer, conquistar grandes grupos aéreos representa uma oportunidade de ampliar a produção, diluir custos e melhorar a rentabilidade do programa E2, que ainda enfrenta desafios para oferecer retornos mais elevados sobre os investimentos realizados.

Latam encomenda 24 jatos e pode ampliar pedido à Embraer

O acordo firmado pela Latam em setembro de 2025 prevê a compra de 24 aeronaves E195-E2, além de opções para adquirir outras 50 unidades. O cronograma informado pela companhia prevê o recebimento de 12 aviões em 2026 e mais 12 em 2027. Os primeiros voos comerciais com passageiros estão programados para novembro.

A possível entrada da Gol na operação também pode fortalecer a posição da fabricante brasileira. Em julho, a Abra, controladora da Gol e da Avianca, anunciou um acordo para comprar 20 unidades do E195-E2, com opções e direitos de compra que podem elevar o total para 45 aeronaves.

As entregas desse contrato devem começar no quarto trimestre de 2027, criando a possibilidade de incorporação do modelo à frota da Gol.

A relação entre Embraer e Latam também retoma uma trajetória histórica. A TAM, companhia que deu origem à operação brasileira do grupo, utilizou o Bandeirante na década de 1970. Uma tentativa posterior de introduzir os E-Jets da primeira geração na empresa, entretanto, não avançou.

“Agora as rotas convergem”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente-executivo da Embraer, durante a cerimônia de entrega do primeiro avião à Latam.

Para o executivo, a presença do E2 em uma companhia do porte da Latam aumenta a visibilidade internacional do projeto e demonstra o potencial da aeronave para integrar grandes redes aéreas, com expansão de destinos e frequências.

Desde o lançamento, a família E2 acumula mais de 500 pedidos firmes. A fabricante também identifica oportunidades de crescimento em mercados como México, Colômbia e Argentina, onde a experiência operacional da Latam poderá servir de referência para outras companhias.

E195-E2 permitirá ampliar rotas e frequências no Brasil

Na operação da Latam, o E195-E2 terá configuração de 136 assentos e complementará a frota de aeronaves Airbus utilizada nos voos domésticos. A estratégia é atender cidades com menor volume de passageiros e aumentar a frequência de voos em mercados nos quais aviões maiores nem sempre são a alternativa mais eficiente.

A proposta comercial da Embraer está justamente na capacidade de adequar a oferta de assentos à demanda. Com aeronaves menores, as companhias podem explorar rotas que teriam maior dificuldade para atingir ocupação suficiente com jatos de maior porte.

O modelo também permitirá à Latam conectar cidades menores aos principais aeroportos de conexão da empresa, ampliando as possibilidades de integração com sua malha nacional e internacional.

Entre novembro de 2026 e março de 2027, a companhia prevê incorporar até 14 aeronaves E195-E2. Na etapa inicial, os aviões deverão operar em 42 rotas, incluindo oito novas ligações e quatro destinos inéditos na malha da empresa:

  • Cabo Frio (RJ);
  • Ji-Paraná (RO);
  • Macaé (RJ);
  • Rondonópolis (MT).

Com a expansão, a malha doméstica da Latam deverá passar de 63 para 67 destinos. Para 2027, a empresa ainda avalia a possibilidade de adicionar até 18 novas cidades atendidas pelo modelo.

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, explicou que a seleção das localidades levou em consideração o potencial de demanda identificado pela companhia, especialmente no segmento corporativo.

Entrada de uma nova aeronave exige preparação operacional

A incorporação do E195-E2 envolve mais do que a entrega dos aviões. A companhia precisa preparar pilotos e demais tripulantes, estruturar a manutenção e cumprir os procedimentos de certificação necessários para a operação.

Segundo Cadier, a decisão de investir em uma nova família de aeronaves também dependeu do momento financeiro da empresa e da segurança necessária para assumir os custos de uma expansão dessa dimensão.

A adoção do modelo, portanto, faz parte de uma estratégia para aumentar a capilaridade da rede aérea sem depender exclusivamente de aeronaves maiores, buscando equilibrar capacidade, frequência e demanda.

Aumento da produção é decisivo para melhorar as margens da Embraer

A ampliação da carteira de clientes pode ajudar a Embraer a alcançar ganhos de escala na aviação comercial. Com maior volume de produção, a empresa tem a possibilidade de distribuir os custos fixos entre mais unidades e melhorar os resultados da divisão.

Projeções da XP indicam que as entregas comerciais da fabricante podem avançar gradualmente até alcançar aproximadamente 110 aeronaves por ano em 2030. Para 2026, a meta divulgada pela Embraer está entre 80 e 85 unidades, considerando tanto a família E2 quanto o E175 da geração anterior.

No cenário estimado pela corretora, a receita total da Embraer, incluindo todas as divisões de negócios, poderá crescer de US$ 8,5 bilhões em 2026 para US$ 13,4 bilhões em 2030.

A expectativa é de que a aviação comercial ganhe rentabilidade com o aumento da escala produtiva e a substituição gradual de contratos antigos por negócios mais favoráveis. A XP pondera, contudo, que a divisão ainda apresenta retornos reduzidos em relação aos investimentos feitos no desenvolvimento do E2.

Fornecimento de peças ainda desafia a produção

Apesar dos avanços, a cadeia de suprimentos continua sendo um ponto de atenção para a fabricante brasileira. De acordo com Francisco Gomes Neto, a disponibilidade de componentes está mais próxima da normalização, embora ainda ocorram faltas de peças.

Para enfrentar esse cenário, a Embraer vem ajustando as negociações com fornecedores e reorganizando seus processos industriais para acelerar a fabricação. Segundo a empresa, o tempo de produção na aviação comercial foi reduzido em 28% nos últimos anos.

A capacidade de manter um ritmo regular de entregas será fundamental para transformar os novos contratos em resultados financeiros consistentes.

Embraer busca consolidar o E2 entre as grandes companhias aéreas

A entrega à Latam representa uma ampliação da base de clientes e da visibilidade comercial do E195-E2. A possível entrada da Gol, somada às perspectivas de expansão em outros mercados latino-americanos, pode fortalecer a posição da Embraer diante das gigantes Airbus e Boeing.

O desafio agora é converter o interesse das companhias em novas encomendas, cumprir os cronogramas de entrega e aumentar a rentabilidade do programa.

No caso da Latam, além das 24 aeronaves contratadas, a companhia dispõe de opções para adquirir outras 50 unidades. A concretização desse volume adicional dependerá do exercício dos direitos previstos no acordo e das decisões futuras da empresa.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InvestNews

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