Negócios

Embraer amplia disputa com Airbus e Boeing após entregar primeiro E195-E2 à Latam

A Embraer deu um passo importante para ampliar sua presença no mercado brasileiro de aviação comercial com a entrega do primeiro jato E195-E2 à Latam, realizada em São José dos Campos (SP). Até então, a Azul era a única grande companhia aérea brasileira a operar a nova geração de aeronaves comerciais da fabricante nacional.

A chegada do modelo à frota da Latam abre espaço para aumentar a concorrência com Airbus e Boeing no Brasil. A Gol também poderá entrar nesse movimento, após um acordo firmado por sua controladora para adquirir aeronaves da família E2.

Para a Embraer, conquistar grandes grupos aéreos representa uma oportunidade de ampliar a produção, diluir custos e melhorar a rentabilidade do programa E2, que ainda enfrenta desafios para oferecer retornos mais elevados sobre os investimentos realizados.

Latam encomenda 24 jatos e pode ampliar pedido à Embraer

O acordo firmado pela Latam em setembro de 2025 prevê a compra de 24 aeronaves E195-E2, além de opções para adquirir outras 50 unidades. O cronograma informado pela companhia prevê o recebimento de 12 aviões em 2026 e mais 12 em 2027. Os primeiros voos comerciais com passageiros estão programados para novembro.

A possível entrada da Gol na operação também pode fortalecer a posição da fabricante brasileira. Em julho, a Abra, controladora da Gol e da Avianca, anunciou um acordo para comprar 20 unidades do E195-E2, com opções e direitos de compra que podem elevar o total para 45 aeronaves.

As entregas desse contrato devem começar no quarto trimestre de 2027, criando a possibilidade de incorporação do modelo à frota da Gol.

A relação entre Embraer e Latam também retoma uma trajetória histórica. A TAM, companhia que deu origem à operação brasileira do grupo, utilizou o Bandeirante na década de 1970. Uma tentativa posterior de introduzir os E-Jets da primeira geração na empresa, entretanto, não avançou.

“Agora as rotas convergem”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente-executivo da Embraer, durante a cerimônia de entrega do primeiro avião à Latam.

Para o executivo, a presença do E2 em uma companhia do porte da Latam aumenta a visibilidade internacional do projeto e demonstra o potencial da aeronave para integrar grandes redes aéreas, com expansão de destinos e frequências.

Desde o lançamento, a família E2 acumula mais de 500 pedidos firmes. A fabricante também identifica oportunidades de crescimento em mercados como México, Colômbia e Argentina, onde a experiência operacional da Latam poderá servir de referência para outras companhias.

E195-E2 permitirá ampliar rotas e frequências no Brasil

Na operação da Latam, o E195-E2 terá configuração de 136 assentos e complementará a frota de aeronaves Airbus utilizada nos voos domésticos. A estratégia é atender cidades com menor volume de passageiros e aumentar a frequência de voos em mercados nos quais aviões maiores nem sempre são a alternativa mais eficiente.

A proposta comercial da Embraer está justamente na capacidade de adequar a oferta de assentos à demanda. Com aeronaves menores, as companhias podem explorar rotas que teriam maior dificuldade para atingir ocupação suficiente com jatos de maior porte.

O modelo também permitirá à Latam conectar cidades menores aos principais aeroportos de conexão da empresa, ampliando as possibilidades de integração com sua malha nacional e internacional.

Entre novembro de 2026 e março de 2027, a companhia prevê incorporar até 14 aeronaves E195-E2. Na etapa inicial, os aviões deverão operar em 42 rotas, incluindo oito novas ligações e quatro destinos inéditos na malha da empresa:

  • Cabo Frio (RJ);
  • Ji-Paraná (RO);
  • Macaé (RJ);
  • Rondonópolis (MT).

Com a expansão, a malha doméstica da Latam deverá passar de 63 para 67 destinos. Para 2027, a empresa ainda avalia a possibilidade de adicionar até 18 novas cidades atendidas pelo modelo.

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, explicou que a seleção das localidades levou em consideração o potencial de demanda identificado pela companhia, especialmente no segmento corporativo.

Entrada de uma nova aeronave exige preparação operacional

A incorporação do E195-E2 envolve mais do que a entrega dos aviões. A companhia precisa preparar pilotos e demais tripulantes, estruturar a manutenção e cumprir os procedimentos de certificação necessários para a operação.

Segundo Cadier, a decisão de investir em uma nova família de aeronaves também dependeu do momento financeiro da empresa e da segurança necessária para assumir os custos de uma expansão dessa dimensão.

A adoção do modelo, portanto, faz parte de uma estratégia para aumentar a capilaridade da rede aérea sem depender exclusivamente de aeronaves maiores, buscando equilibrar capacidade, frequência e demanda.

Aumento da produção é decisivo para melhorar as margens da Embraer

A ampliação da carteira de clientes pode ajudar a Embraer a alcançar ganhos de escala na aviação comercial. Com maior volume de produção, a empresa tem a possibilidade de distribuir os custos fixos entre mais unidades e melhorar os resultados da divisão.

Projeções da XP indicam que as entregas comerciais da fabricante podem avançar gradualmente até alcançar aproximadamente 110 aeronaves por ano em 2030. Para 2026, a meta divulgada pela Embraer está entre 80 e 85 unidades, considerando tanto a família E2 quanto o E175 da geração anterior.

No cenário estimado pela corretora, a receita total da Embraer, incluindo todas as divisões de negócios, poderá crescer de US$ 8,5 bilhões em 2026 para US$ 13,4 bilhões em 2030.

A expectativa é de que a aviação comercial ganhe rentabilidade com o aumento da escala produtiva e a substituição gradual de contratos antigos por negócios mais favoráveis. A XP pondera, contudo, que a divisão ainda apresenta retornos reduzidos em relação aos investimentos feitos no desenvolvimento do E2.

Fornecimento de peças ainda desafia a produção

Apesar dos avanços, a cadeia de suprimentos continua sendo um ponto de atenção para a fabricante brasileira. De acordo com Francisco Gomes Neto, a disponibilidade de componentes está mais próxima da normalização, embora ainda ocorram faltas de peças.

Para enfrentar esse cenário, a Embraer vem ajustando as negociações com fornecedores e reorganizando seus processos industriais para acelerar a fabricação. Segundo a empresa, o tempo de produção na aviação comercial foi reduzido em 28% nos últimos anos.

A capacidade de manter um ritmo regular de entregas será fundamental para transformar os novos contratos em resultados financeiros consistentes.

Embraer busca consolidar o E2 entre as grandes companhias aéreas

A entrega à Latam representa uma ampliação da base de clientes e da visibilidade comercial do E195-E2. A possível entrada da Gol, somada às perspectivas de expansão em outros mercados latino-americanos, pode fortalecer a posição da Embraer diante das gigantes Airbus e Boeing.

O desafio agora é converter o interesse das companhias em novas encomendas, cumprir os cronogramas de entrega e aumentar a rentabilidade do programa.

No caso da Latam, além das 24 aeronaves contratadas, a companhia dispõe de opções para adquirir outras 50 unidades. A concretização desse volume adicional dependerá do exercício dos direitos previstos no acordo e das decisões futuras da empresa.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InvestNews

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Notícias

C919: jato chinês avança no mercado internacional e desafia Airbus e Boeing

A China deu mais um passo para reduzir sua dependência de fabricantes estrangeiras de aeronaves comerciais. O C919, desenvolvido pela estatal China Commercial Aircraft (Comac), realizou seu primeiro voo comercial internacional e começa a ganhar espaço em um mercado historicamente dominado por Airbus e Boeing.

O bimotor de corredor único, com capacidade para até 174 passageiros, foi operado pela Air China no voo que partiu de Pequim na quarta-feira e pousou cerca de duas horas depois em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

A estreia representa um marco para a aviação comercial chinesa, embora o modelo ainda enfrente obstáculos para competir em escala global.

C919 entra no mercado internacional

O C919 ainda não recebeu certificação das duas principais autoridades aeronáuticas internacionais: a americana FAA e a europeia EASA.

Mesmo assim, o início das operações internacionais representa um avanço para a Comac após anos de atrasos no desenvolvimento e na entrada em serviço da aeronave.

O modelo foi projetado para disputar o mercado de jatos narrow-body, segmento de corredor único no qual predominam atualmente as famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing.

China busca reduzir dependência de fabricantes ocidentais

O avanço do C919 ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Desde maio, Pequim vem retardando a aprovação de algumas entregas da Airbus e, segundo informações da Bloomberg, o movimento estaria relacionado à demora das autoridades europeias para certificar os novos modelos da Comac.

Ao mesmo tempo, a China reduziu sua dependência da Boeing. As companhias aéreas chinesas, que chegaram a representar mais de 20% das vendas da fabricante americana, hoje respondem por cerca de 5%.

Apesar do avanço da indústria nacional, o C919 ainda depende significativamente de tecnologia estrangeira.

Um dos principais exemplos são os motores, produzidos pela CFM International, joint venture formada pela GE Aerospace e pela francesa Safran Aircraft Engines.

Produção ainda é um desafio para a Comac

A capacidade de fabricação também aparece como um dos principais obstáculos para a expansão internacional do C919.

Segundo a CNBC, a Comac colocou 32 aeronaves C919 em operação em 2025, volume equivalente a aproximadamente um terço das aeronaves entregues pela Airbus na China no mesmo período.

O ritmo é considerado insuficiente para colocar o fabricante chinês em condições de competir diretamente com as duas líderes globais.

O analista Rob Morris, ouvido pela CNBC, avalia que a Comac ainda precisa ampliar sua capacidade de desenvolvimento e produção para representar uma ameaça efetiva à Airbus e à Boeing.

Além de fabricar e entregar os aviões, a empresa precisa construir uma ampla estrutura de suporte pós-venda e manutenção, com atendimento contínuo capaz de garantir níveis de confiabilidade semelhantes aos dos modelos A320 e 737.

Mercado chinês dá vantagem à Comac

A fabricante chinesa conta, porém, com uma importante vantagem: um enorme mercado doméstico e forte participação estatal no setor aéreo.

A China é atualmente um dos principais mercados da Airbus, com expectativa de aquisição de mais de 9 mil aeronaves nas próximas duas décadas.

Ao mesmo tempo, o governo chinês controla as três maiores companhias aéreas do país. Juntas, elas representam aproximadamente metade da capacidade do mercado doméstico, criando uma base relevante de potenciais compradores para os aviões da Comac.

Esse cenário pode acelerar a adoção de aeronaves produzidas nacionalmente e ampliar gradualmente a presença do C919.

C909 avança no mercado de jatos regionais

A Comac também busca espaço no segmento de jatos regionais, atualmente marcado pela forte presença da Embraer.

O C909, anteriormente conhecido como ARJ21, vem ampliando sua participação impulsionado pelo apoio do governo chinês. Segundo a fabricante estatal, 186 aeronaves da família foram entregues desde junho de 2016, quando o modelo entrou em operação comercial.

A aeronave representa cerca de 70% da frota de jatos regionais na China.

Fora do mercado chinês, o C909 já opera em países como Laos, Indonésia e Vietnã, inclusive em rotas internacionais.

Embraer mantém presença relevante

Apesar do avanço da Comac, a Embraer continua com uma posição consolidada no mercado de jatos regionais.

A família E2 soma atualmente 195 aeronaves em operação, além de mais de 500 pedidos firmes que ainda serão entregues nos próximos anos.

A expansão internacional da Comac, portanto, não representa uma mudança imediata no equilíbrio do setor. O C919 ainda precisa superar desafios relacionados à certificação internacional, escala de produção, confiabilidade e suporte global para competir de forma ampla com Airbus e Boeing.

O avanço da fabricante chinesa, entretanto, indica que a indústria aeronáutica do país está construindo gradualmente uma alternativa nacional aos principais fabricantes ocidentais.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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Informação

Airbus A320 supera Boeing 737 e se torna o avião comercial mais vendido da história

A disputa entre Airbus e Boeing, que marca a indústria da aviação há décadas, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7). Os modelos da família A320 ultrapassaram o tradicional Boeing 737, tornando-se o avião comercial mais vendido da história, segundo dados da consultoria britânica Cirium.

O marco foi alcançado com a entrega de um A320neo para a companhia aérea saudita Flynas, considerado o 12.260º avião produzido da série lançada em 1988.

Rivalidade histórica no mercado aéreo

Até agora, o Boeing 737, que começou a voar 20 anos antes do A320, reinava como líder absoluto de vendas. Ambos são modelos de corredor único, amplamente utilizados em rotas de curta e média distância, com capacidade para cerca de 150 passageiros.

Apesar do feito, Airbus e Boeing ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a troca de liderança.

Inovação e crescimento do A320

Quando foi anunciado em 1981, o projeto do Airbus A320 foi recebido com desconfiança. Na época, o 737 dominava o mercado e a proposta europeia de adotar o sistema fly-by-wire — comandos elétricos transmitidos por joystick — foi considerada ousada.
O modelo, no entanto, tornou-se um sucesso, garantindo a sobrevivência da Airbus, fundada em 1969 como consórcio europeu.

Com o tempo, a família A320 se expandiu para quatro versões: A318, A319, A320 e A321. Em 2016, a linha ganhou a geração neo, mais eficiente em combustível. Hoje, o A321 concentra 70% dos pedidos, especialmente em rotas transoceânicas.

Mercado global e presença no Brasil

Atualmente, 375 companhias aéreas operam a família A320. A maior frota é da American Airlines, com 486 aviões. Na América Latina, a Latam possui 286 unidades e a Azul, 59. Já no Brasil, a Gol continua fiel ao Boeing 737, com cerca de 140 aeronaves.

A maior demanda vem da Ásia, em especial da China e da Índia, onde o crescimento do tráfego aéreo tem impulsionado a recuperação global do setor pós-pandemia.

Boeing enfrenta turbulências com o 737 Max

A Boeing sofreu forte impacto após os acidentes envolvendo o 737 Max em 2018 e 2019, que resultaram em 346 mortes. Problemas de projeto e falhas no treinamento de pilotos levaram à paralisação mundial da frota por 20 meses, abalando a reputação da fabricante.

Apesar das dificuldades, a empresa busca retomar o equilíbrio, contando com contratos militares bilionários e apoio do governo dos EUA em negociações internacionais.

Airbus lidera entregas globais

Em 2024, a Airbus entregou 766 aviões, contra 348 da Boeing, consolidando sua liderança. O mercado continua dominado pelo duopólio, mas novos concorrentes começam a ganhar espaço, como a Comac, da China. A Embraer mantém posição de destaque no segmento de aviões regionais, abaixo da categoria de A320 e 737.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jon Nazca

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Negócios

Embraer perde contrato bilionário para Airbus: ‘geopolítica tem papel importante’

A LOT Polish Airlines reverteu sua estratégia anterior de compras da fabricante brasileira e comprometeu-se a adquirir 40 jatos A220 em um negócio de US$ 2,7 bilhões, com anúncio com ministros e lideranças de França e Polônia

A política de vendas de aeronaves foi exibida em sua plenitude no mês passado, quando o presidente Donald Trump, em turnê pelo Oriente Médio, ajudou a trazer para casa o maior pedido de aeronaves de grande porte da história da Boeing.

No primeiro dia da Paris Air Show, uma das maiores feiras da aviação, a conexão entre os negócios e a diplomacia veio à tona mais uma vez, depois que a Airbus superou a rival Embraer para conquistar um compromisso da Polônia.

A parte derrotada disse mais tarde que a decisão foi manchada pela política.

A principal companhia aérea da Polônia, a LOT Polish Airlines, comprometeu-se a comprar 40 jatos Airbus A220 e, potencialmente, aumentar o pedido para 84 unidades.

O valor do negócio chega a US$ 2,7 bilhões após os descontos típicos do setor, com base em estimativas da consultoria de aviação Ishka.

A escolha da Airbus marcou uma reversão estratégica para a LOT, que há muito tempo constrói sua frota com aeronaves da Boeing e da Embraer. A LOT disse que, em vez disso, eliminaria gradualmente seus jatos do Brasil da frota.

“Entendemos que estamos vivendo em um momento excepcional em que a geopolítica desempenha um papel importante”, disse a Embraer em um comunicado após a LOT anunciar o pedido.

A continuidade com a frota Embraer existente da LOT teria economizado “milhões de euros” para a companhia aérea polonesa, disse a fabricante de aviões.

O elemento político do acordo foi palpável durante a cerimônia de anúncio na feira de Paris, em que a sala de conferências da Airbus ficou lotada de dignitários da Polônia, França e até mesmo do Canadá, onde o Airbus A220 é montado.

A Polônia enviou um ministro, além de embaixadores, e o ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, fez um breve discurso.

“A concorrência tornou-se muito mais política do que até mesmo um pedido normal de aeronave civil”, disse Nick Cunningham, analista da Agency Partners.

“A França e a Polônia estão tentando reparar relações diplomáticas anteriormente tensas.”

Além disso, uma visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a Moscou em maio, para comemorar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, foi mal recebida na Polônia, um país que é crítico ferrenho da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, disse Cunningham.

Questionado sobre uma possível influência política do acordo, o CEO da LOT, Michal Fijol, se esquivou.

“Não foi um processo fácil, recebemos duas ofertas muito competitivas”, disse Fijol. “Mas estou satisfeito porque a Airbus nos queria mais.”

Fonte: Bloomberg Línea

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Negócios

Airbus mantém otimismo com Brasil, apesar das RJs: “Mercado vai dobrar em 20 anos”, diz CEO

Em meio à crise da Boeing, fabricante se vê em posição de vantagem e não descarta negócios futuros com a Gol, afirma o CEO para América Latina, Arturo Barreira

A Azul entrou com pedido de Chapter 11 na última semana, completando a tríade das grandes companhias aéreas brasileiras que precisaram recorrer à recuperação judicial. A Airbus, no entanto, não deixa de estar otimista com o Brasil.

“O mercado vai duplicar em 20 anos. Será o dobro de voos por viajante”, diz Arturo Barreira, CEO da fabricante francesa de aeronaves na América Latina, região em que a empresa é líder de mercado.

O executivo falou em entrevista exclusiva ao INSIGHT na capital indiana, Nova Délhi, na 81ª assembleia anual da Iata, associação que representa a indústria aérea em todo o mundo.

A Airbus tem surfado a melhora de desempenho da Latam, que é a maior operadora de aeronaves da fabricante na América Latina, e concluiu sua reestruturação financeira no fim de 2022. Nos últimos dois anos, a companhia aérea chileno-brasileira aumentou em 12% sua frota, incluindo aviões da Airbus e da Boeing.

Com a Gol próxima de concluir seu processo de recuperação judicial, Barreira não descarta a possibilidade de futuros negócios com a companhia, hoje com uma frota exclusivamente de Boeing.

“Falamos com todos os operadores de aviões comerciais com mais de 100 assentos no mundo. Existem apenas dois fornecedores para aviões acima de 120 assentos, então não é complicado. Não há nada concreto, mas eles sabem que nossos aviões, especialmente a família A320, são os mais competitivos do mundo”, diz.

Em meio à crise da Boeing, sua principal concorrente, a Airbus se vê numa posição mais vantajosa. A empresa, conta Barreira, tem mais de 8 mil aeronaves para entregar nos próximos anos.

“Nosso principal foco, agora, é entregar o mais rápido possível para nossos clientes.” A empresa entregou 136 aeronaves comerciais no primeiro trimestre deste ano.

No Brasil, além de aumentar a penetração de suas aeronaves comerciais, a companhia está confiante no crescimento das vendas da Helibras, fabricante brasileira de helicópteros do qual é dona.

“Estamos muito comprometidos em crescer, aproveitando os investimentos feitos até hoje. Fabricamos helicópteros H125 e H225 aqui e queremos desenvolver mais opções em helicópteros no Brasil.”

A empresa também mantém um projeto com a Força Aérea Brasileira, que adquiriu dois A330. O objetivo é converter as aeronaves para o modelo MRTT (Multirole Tanker Transport), avião-tanque certificado para operações de reabastecimento ar-ar automático.

Confira os principais trechos da conversa com Arturo Barreira, CEO da Airbus na América Latina:

INSIGHT: Como estão os negócios da Airbus na América Latina, especialmente no Brasil, principalmente agora que a Azul é a terceira das grandes companhias aéreas do país a recorrer ao processo de recuperação judicial?

Arturo Barreira: Para nós, o Brasil é sem dúvida o principal mercado da América Latina, onde estamos presentes há mais de 40 anos. Temos mais de 600 funcionários no país, presença em centros de treinamento, e a única linha de montagem de helicópteros na América Latina [a empresa é dona da Helibras].

Quanto ao mercado de aviação comercial, ele é o maior e continuará assim. Acreditamos que vai dobrar nos próximos 20 anos, com a previsão de tráfego aéreo que fizemos, o número de viagens por cidadão vai dobrar no Brasil também.

Acredito que a Gol sairá logo do Chapter 11. Sobre a Azul, que entrou no Chapter 11 na semana passada, ainda não sabemos o que vai acontecer, mas é um cliente muito importante para nós, que opera A320 e A330, por exemplo.

A Gol tem toda sua frota composta por aeronaves Boeing, que passa por um momento difícil e a Azul, cliente de vocês, suspendeu pedidos. Há conversas para fazer negócios com a Gol?

Falamos com todos os operadores de aviões comerciais com mais de 100 assentos no mundo. Existem apenas dois fornecedores para aviões acima de 120 assentos, então não é complicado. Não há nada concreto, mas eles sabem que nossos aviões, especialmente a família A320, são os mais competitivos do mundo.

Na região, temos 70% da carteira de pedidos para os próximos anos na família A320, e o A321 é a espinha dorsal das operações. É da Latam, da Azul, dos parceiros comerciais [da Gol] como Avianca, além da Sky. O A321 está muito implantado na região e é provavelmente o avião que mais cresce aqui.

As companhias observam a concorrência e veem que o A321 pode ser ainda mais competitivo. Também esperamos que cresça a penetração do A330neo, de voos de longa duração.

Como você vê o momento econômico do Brasil? A Iata falou bastante sobre tributação, em especial a reforma e seus impactos. Qual a sua visão?

A tributação no Brasil é complicada. Não sou especialista, mas concordo com a Iata que muitos aspectos tributários deveriam ser simplificados, não só no Brasil, mas em toda a região. A aviação é um instrumento de desenvolvimento dos países. A aviação conecta, desenvolve negócios e impulsiona o crescimento.

Na nossa região, não há alternativas como trens de alta velocidade, e a geografia é complicada. Por exemplo, entre Ushuaia e Tijuana são 14 horas de voo, sem voo direto. As distâncias são enormes, então a aviação é essencial para o progresso, porque não há outros modos eficientes de transporte. Além disso, os empregos ligados à aviação são de maior valor agregado que os de outros meios de transporte.

A Helibras, subsidiária da Airbus no Brasil, tem sido um pilar importante. Quais são as perspectivas para o crescimento da empresa de helicópteros?

Estamos muito interessados em crescer no Brasil. O modelo que temos com a Helibras, por exemplo, é brasileiro, a direção é brasileira. Estamos muito comprometidos em crescer, aproveitando os investimentos feitos até hoje. Fabricamos helicópteros 125 e 225 aqui e queremos desenvolver mais opções em helicópteros no Brasil.

E o setor de defesa? Está mais aquecido?

Temos um projeto com a Força Aérea Brasileira, que adquiriu dois A330 e queremos que eles sejam convertidos para modelo MRTT (Multirole Tanker Transport), com sistema de abastecimento, porque atualmente a Força Aérea não tem reabastecimento aéreo para os caças Gripen. Temos projetos no país e estamos muito comprometidos.

A aviação sofreu e ainda sofre com as sequelas da pandemia, como vemos ao completarmos as três grandes operadoras tendo recorrido ao Chapter 11. Mas houve também impactos para a indústria aeronáutica do ponto de vista de rupturas de insumos. Como está esta situação?

Sobre a cadeia de suprimentos, não falo só de aviação, mas de quase toda indústria, não está ainda no nível de maturidade pré-Covid. No último ano e meio, vimos avanços na cadeia de suprimentos da aviação, que é global e complexa, mas nem todos os obstáculos foram superados. Vamos acompanhar como o ano se desenvolve, especialmente com tarifas e outras questões.

Isso tem sido um problema para toda a cadeia, mas para alguns mais do que para outros. Foi possível ganhar market share na região com isso?

Temos mais de 8.000 aviões para entregar de todas as nossas quatro famílias, A320, A220, A330 e A350. Não é porque o nosso concorrente passa por dificuldades que vendemos mais ou aproveitamos isso; na verdade, nossa produção está comprometida por muitos anos. Nosso foco é entregar as aeronaves que já foram pedidas pelos nossos clientes o quanto antes. Temos uma gama que vai de 100 a 450 assentos, com quatro famílias com a última tecnologia em eficiência e motores, o que nos torna muito competitivos. Estamos em uma situação muito vantajosa em relação à concorrência.

Fonte: Exame

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Aeroportos, Economia, Internacional, Mercado Internacional, Negócios

Airbus – Crise na cadeia de suprimentos

Gigante europeia estabeleceu uma meta considerada modesta pelo mercado diante de tensões comerciais, restrições persistentes de fornecimento e negócio espacial em dificuldades. Após sinalizar pressões de produção a curto prazo e confirmar um atraso no cargueiro derivado do jato A350, prevê um aumento de 7% nas entregas de aviões em 2025 para cerca de 820 unidades.

O maior grupo aeroespacial da Europa assumiu um novo encargo de 300 milhões de euros (US$ 312,84 milhões) envolvendo sua divisão espacial, ao mesmo tempo em que destacou riscos potenciais para o futuro da aeronave de transporte militar A400M, que enfrenta vendas fracas. A Airbus teve lucro operacional ajustado de 5,35 bilhões de euros em 2024, uma queda de 8%, mas em linha com o esperado pelo mercado. O lucro do quarto trimestre foi de 2,56 bilhões de euros.

As ações da empresa sediada em Toulouse na França cairam em torno de 3,4% este mês, mesmo com a Airbus divulgando lucros em 2024 que atenderam as projeções dos analistas. A fabricante de aeronaves continua a ser prejudicada por problemas com fornecedores que se estendem desde a pandemia de covid-19. O progresso será retardado pelo fato de a companhia assumir o trabalho de um fabricante de peças este ano, enquanto a escassez de motores manterá a produção de aeronaves de fuselagem estreita no primeiro trimestre, abaixo dos níveis do ano anterior. Entretanto cabe ressaltar que a receita anual aumentou 6%, para 69,23 bilhões de euros, dos quais 24,72 bilhões foram gerados no último trimestre do ano de 2024.

A fabricante de aviões, que entregou 766 jatos no ano passado, praticamente em linha com a meta, vem enfrentando atrasos industriais constantes de seus fornecedores. “Desafios específicos na cadeia de suprimentos, principalmente com a Spirit AeroSystems, estão atualmente pressionando a aceleração do A350 e do A220”, comentou o presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury. No entanto, a fabricante de aviões manteve todas as metas de produção de médio prazo. Para 2025, a Airbus previu que o lucro operacional ajustado aumentará para cerca de 7 bilhões de euros, excluindo qualquer impacto das ameaças de tarifas na guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos, mas incluindo a integração da Spirit, em um sinal de que um acordo final para absorver as fábricas relacionadas à Airbus está próximo. O mercado prevê que a Airbus assumirá o controle de duas fábricas da Spirit que fornecem peças estruturais compostas para o A350 e o A220. A empresa também poderá assumir o controle de uma fábrica menor na Escócia se não for possível encontrar um comprador alternativo.

Além dos negócios comerciais, a empresa tem se esforçado para superar as dificuldades em suas operações espaciais e de defesa. A Airbus contabilizou 1,3 bilhão de euros em encargos relacionados ao espaço em 2024, incluindo 300 milhões de euros no quarto trimestre.

Fontes: economia.uol.com.br; br.tradingview.com; cnnbrasil.com.br; bloomberglinea.com.br.

 

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