Economia, Gestão, Negócios, Notícias, Tributação

Estrategista-chefe que previu choque tarifário faz alerta: o pior ainda está por vir

Peter Berezin e sua equipe na empresa de pesquisa BCA previram que tarifas unilaterais amplas estavam chegando — e que as propostas do novo governo iriam muito além do que havia sido implementado no primeiro mandato de Trump.

Logo após a eleição nos EUA, quando Wall Street estava totalmente focada nas perspectivas de um presidente Donald Trump favorável aos negócios, Peter Berezin já soava o alarme.

Berezin e sua equipe na empresa de pesquisa BCA previram que tarifas unilaterais amplas estavam chegando — e que as propostas do novo governo iriam muito além do que havia sido implementado no primeiro mandato de Trump. Após o drama tarifário desta semana, o alerta de dezembro de Berezin provou ser premonitório.

O estrategista está mantendo sua projeção — entre as mais pessimistas de Wall Street no ano passado — de que o S&P 500 cairá para 4.450 pontos até o final do ano. Isso marcaria uma queda de quase 18% em relação aos níveis atuais.

O preço do petróleo, enquanto isso, pode cair para US$ 50 o barril, de cerca de US$ 63 atualmente, “por motivos ruins: falta de demanda”.

Berezin diz que uma recessão nos EUA é provável, potencialmente já no segundo trimestre. Em sua opinião, a economia já estava vulnerável no início do ano. Havia menos vagas de emprego em comparação aos anos anteriores, as economias da pandemia estavam diminuindo e as taxas de vacância estavam aumentando, assim como as inadimplências de empréstimos para automóveis e estudantes. Agora, a proliferação de tarifas de Trump “empurra isso para o limite”.

“Recessões tendem a ocorrer quando uma economia se torna vulnerável e então é atingida por um choque”, disse Berezin de Montreal, onde a BCA, onde ele é estrategista-chefe global e diretor de pesquisa, está sediada. “Vai piorar em vez de melhorar — a economia vai piorar, a guerra comercial vai piorar. O que vai acontecer é que haverá retaliação.” Ele coloca a probabilidade de uma recessão nos EUA em 75%.

No início do ano, Wall Street estava otimista em relação às ações e à economia, apostando que as propostas de Trump para cortes de impostos e desregulamentação compensariam qualquer guinada protecionista. Entre os 19 estrategistas que foram entrevistados pela Bloomberg na época, nenhum viu o S&P 500 terminando abaixo de 6.000 pontos.

Em vez disso, Trump se inclinou para o comércio global, anunciando as tarifas mais altas em quase um século, incluindo pelo menos uma taxa de 10% sobre todos os exportadores para os EUA e taxas ainda mais altas em cerca de 60 outros países.

Os economistas estão agora revisando rapidamente suas projeções para a economia dos EUA, com muitos reduzindo suas perspectivas de crescimento e aumentando as chances de uma contração, bem como uma retomada da inflação.

As ações dos EUA sofreram o impacto da liquidação após o anúncio, com o S&P 500 caindo quase 5% na quinta-feira em sua pior sessão desde 2022.

Grupo jurídico conservador dos EUA processa Trump por tarifaço

Nova ação judicial contesta legalidade do uso de poderes emergenciais para impor tarifas abrangentes, acirrando tensão comercial com a China.

Em retaliação às tarifas do governo, outros países poderiam “aumentar a pressão sobre as empresas de tecnologia dos EUA que operam em suas jurisdições”, o que pesaria no mercado em geral, disse ele. Parceiros comerciais globalmente também podem impor impostos sobre empresas dos EUA que operam no exterior, enquanto populações ao redor do mundo provavelmente rejeitarão produtos americanos ou até mesmo evitarão viajar para os EUA, como alguns canadenses já estão fazendo.

Os rendimentos do Tesouro dos EUA, diz ele, podem permanecer elevados nos próximos meses, dado o potencial do governo de aprovar cortes de impostos não financiados.

“Estamos no auge de um ciclo muito, muito ruim, onde as pessoas diminuem seus gastos porque estão preocupadas com suas perspectivas de emprego, e isso acaba sendo autorrealizável”, disse Berezin. “Se as pessoas não estão gastando, isso significa que há menos contratações, e se há menos contratações, há menos emprego, se há menos emprego, então há renda e ainda menos gastos.”

FONTE: Infomoney
Estrategista-chefe que previu choque tarifário faz alerta: o pior ainda está por vir

Ler Mais
Economia, Importação, Informação, Negócios, Notícias, Tributação

China Impõe Tarifa de 34% sobre Todos os Produtos Americanos a Partir de 10 de Abril e Busca Acordo com Trump

A China anunciou que irá impor uma tarifa adicional de 34% sobre todos os bens importados dos Estados Unidos a partir de 10 de abril de 2025, conforme comunicado pelo Ministério das Finanças do país.

A medida é uma resposta direta às recentes ações do governo americano, que elevou as tarifas sobre produtos chineses para 54%, intensificando a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Antes da implementação dessa nova tarifa, Pequim está buscando um diálogo com o presidente Donald Trump para tentar resolver as “diferenças comerciais” que alimentam esse conflito econômico.

A decisão chinesa vem em um momento de crescente tensão no comércio global, desencadeada pelas políticas protecionistas de Trump, que anunciou tarifas amplas e recíprocas contra diversos parceiros comerciais, incluindo a China. As tarifas americanas, que entraram em vigor recentemente, afetam mais de US$ 450 bilhões em importações chinesas, enquanto a resposta da China abrange cerca de US$ 20 bilhões em bens dos EUA, segundo estimativas de analistas. Apesar do desequilíbrio no volume de comércio afetado, Pequim sinaliza que está disposta a negociar antes que a nova tarifa entre em vigor.

Autoridades chinesas expressaram o desejo de evitar uma escalada ainda maior na guerra comercial, que já causou turbulência nos mercados financeiros globais, com quedas acentuadas nas bolsas de valores e preocupações sobre uma possível recessão. “A China está aberta a discussões com Trump para encontrar uma solução que beneficie ambos os lados”, declarou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, destacando que o país prefere resolver as disputas por meio de negociações em vez de medidas retaliatórias contínuas.

A proposta de diálogo ocorre em um contexto em que Trump tem defendido suas tarifas como uma ferramenta para reduzir o déficit comercial dos EUA e proteger a indústria americana. No entanto, críticos apontam que as tarifas podem elevar os preços para os consumidores americanos e prejudicar cadeias de suprimentos globais, especialmente em setores como tecnologia e agricultura. A China, por sua vez, parece adotar uma abordagem dupla: enquanto prepara a tarifa de 34%, também aceno com a possibilidade de um acordo que possa aliviar as tensões.

Até o momento, a Casa Branca não respondeu oficialmente ao pedido de negociação da China. Analistas acreditam que Trump pode usar essa abertura como uma oportunidade para reivindicar uma vitória política, mas sua postura imprevisível em questões comerciais deixa o resultado incerto. Com a data de 10 de abril se aproximando, o mundo observa atentamente os próximos passos dessa disputa, que pode redefinir as relações econômicas entre os dois gigantes globais.

FONTE: Diário do Brasil Noticia
China Impõe Tarifa de 34% sobre Todos os Produtos Americanos a Partir de 10 de Abril e Busca Acordo com Trump

Ler Mais
Economia, Informação, Inovação, Investimento, Mercado Internacional, Negócios, Tecnologia

Amazon faz oferta bilionária para comprar o TikTok da China

A Amazon, gigante do comércio eletrônico, surpreendeu o mercado ao apresentar uma proposta para adquirir o TikTok, popular aplicativo de vídeos de propriedade chinesa.

A oferta foi enviada ao governo dos Estados Unidos, mais especificamente ao vice-presidente J.D. Vance e ao secretário de Comércio, Howard Lutnick. No entanto, o governo norte-americano não considera a proposta como uma opção viável, enfrentando resistência interna.

Mesmo sem perspectiva de avanço, a proposta da Amazon pode ter implicações significativas. Além de incentivar outros concorrentes a elevarem suas ofertas, o envolvimento da Amazon nas negociações pode proporcionar acesso a informações estratégicas sobre o desempenho financeiro do TikTok. A TikTok Shop, unidade de e-commerce da plataforma, já se tornou uma concorrente direta do marketplace da Amazon.

Como a proposta da Amazon impacta?

A entrada da Amazon na disputa pelo TikTok pode mudar o cenário competitivo entre as gigantes de tecnologia. O interesse da Amazon pode motivar outras empresas a reconsiderarem suas estratégias e ofertas. Entre as alternativas em discussão, está um consórcio que pode envolver a Oracle Corporation, a Blackstone Inc. e outros investidores de tecnologia.

Além disso, a aquisição do TikTok pela Amazon poderia fortalecer ainda mais sua presença no mercado de vídeos e redes sociais, ampliando seu alcance além do comércio eletrônico. Essa movimentação pode gerar uma reconfiguração do mercado, impactando diretamente outras plataformas de vídeo e redes sociais.

Amazon faz oferta bilionária para comprar o TikTok da China
  • Expansão da Amazon no setor de mídia social:
    • A aquisição do TikTok representaria uma grande expansão da Amazon no setor de mídia social, permitindo que a empresa alcance um público mais jovem e diversificado.
    • A Amazon poderia integrar o TikTok à sua plataforma de comércio eletrônico, criando novas oportunidades de vendas e marketing.
  • Competição acirrada no mercado de vídeos curtos:
    • A entrada da Amazon no mercado de vídeos curtos intensificaria a competição com outras empresas, como YouTube e Meta.
    • A Amazon poderia usar sua infraestrutura e recursos para impulsionar o crescimento do TikTok e desafiar a dominância dos concorrentes.
  • Implicações para a segurança nacional:
    • A aquisição do TikTok pela Amazon levanta questões sobre a segurança nacional, devido às preocupações com a coleta de dados de usuários e a influência do governo chinês.
    • O governo dos Estados Unidos poderia impor restrições à aquisição ou exigir que a Amazon tome medidas para proteger os dados dos usuários.
  • Mudanças no cenário do comércio eletrônico:
    • A integração do TikTok à plataforma de comércio eletrônico da Amazon poderia revolucionar o cenário do comércio eletrônico, com a ascensão do “social commerce”.
    • A Amazon poderia usar o TikTok para promover seus produtos e serviços, além de permitir que os usuários comprem produtos diretamente na plataforma.
  • Impacto na criação de conteúdo e influenciadores:
    • A aquisição do TikTok pela Amazon poderia ter um impacto significativo na criação de conteúdo e nos influenciadores digitais.
    • A Amazon poderia investir em ferramentas e recursos para criadores de conteúdo, além de oferecer novas oportunidades de monetização.

O prazo de Donald Trump

O presidente Donald Trump estabeleceu um prazo até 5 de abril para que a ByteDance, administradora chinesa do TikTok, transfira o controle do aplicativo nos Estados Unidos. Caso contrário, o aplicativo pode ser proibido no país. Este prazo pode ser ampliado, se necessário, mas a pressão para uma resolução rápida permanece.

O Congresso dos Estados Unidos já aprovou uma legislação para impedir que o governo chinês tenha acesso a dados sensíveis de cidadãos americanos, uma medida sancionada pelo ex-presidente Joe Biden. A conclusão de qualquer negociação depende não apenas da aprovação da ByteDance, mas também do governo chinês, que até o momento não confirmou sua participação nas discussões.

Quais outras empresas estão interessadas no TikTok?

Além da Amazon, o empresário Frank McCourt também manifestou interesse na aquisição do TikTok. Em entrevista à Bloomberg Television, McCourt afirmou que sua proposta está em avaliação e que espera ter mais clareza sobre o andamento das negociações até o dia 5 de abril.

O interesse de múltiplas empresas na aquisição do TikTok destaca a importância estratégica do aplicativo no cenário global de tecnologia e redes sociais. A competição por sua aquisição reflete o valor significativo que o TikTok representa em termos de alcance de público e potencial de receita.

Qual o futuro do TikTok nos Estados Unidos?

O futuro do TikTok nos Estados Unidos permanece incerto, com negociações em andamento e múltiplos interessados na aquisição. A decisão final dependerá de diversos fatores, incluindo a aprovação governamental e a disposição da ByteDance em negociar.

Independentemente do desfecho, a situação destaca a crescente tensão entre os Estados Unidos e a China no que diz respeito ao controle de dados e à segurança nacional. A resolução deste caso pode estabelecer precedentes importantes para futuras negociações e aquisições envolvendo empresas de tecnologia de ambos os países.

FONTE: Terra Brasil
Amazon faz oferta bilionária para comprar o TikTok da China – Terra Brasil Notícias

Ler Mais
Agricultura, Economia, Exportação, Industria, Informação, Internacional, Negócios, Notícias

Medidas Comerciais Adotadas pelo Governo dos Estados Unidos em 2 de abril de 2025

O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país.

A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.

Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.

Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.

Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.

Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.

FONTE: MAPA.gov
Medidas Comerciais Adotadas pelo Governo dos Estados Unidos em 2 de abril de 2025 — Ministério da Agricultura e Pecuária

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças, Industria, Informação, Negócios

Atraso nos portos causou custos adicionais de US$ 2,3 bilhões ao Brasil em 2024

Em 2024, o Brasil incorreu em US$ 2,3 bilhões em custos de demurrage – despesas relacionadas ao atraso no desembaraço de cargas nos portos. Gargalos de infraestrutura, interrupções no transporte marítimo e fatores relacionados ao clima estavam por trás desses custos adicionais. Isso representa um aumento de 15% em relação a 2023, conforme analisado pela Bain & Company.

De acordo com o estudo, minério de ferro, grãos, fertilizantes e petróleo e seus derivados tiveram os maiores custos totais.

“As causas da demurrage são diversas e, geralmente, há mais de um motivo. Eles variam de condições climáticas, como variações de maré e chuva, a gargalos de infraestrutura, filas portuárias, questões burocráticas e atrasos na documentação de carga. Também há variações entre os portos”, disse Felipe Cammarata, sócio da Bain.

Segundo ele, o aumento do ano passado está intimamente ligado ao aumento dos preços do frete marítimo e ao aumento dos volumes de transporte marítimo dentro do país. “O tempo médio de operação vem diminuindo no Brasil. Há melhorias na infraestrutura, mas elas são insuficientes para compensar o crescimento da demanda de cargas e dos preços dos fretes”, disse Wagner Costa, outro sócio da consultoria.

Graves interrupções no transporte marítimo global em 2024 – causadas por eventos como ataques no Mar Vermelho e seca no Canal do Panamá – estão entre os fatores que pressionam os preços do frete marítimo e alimentam esses custos, disse Leandro Barreto, sócio da Solve Shipping. “Existe uma relação estreita entre demurrage e atrasos de navios. No ano passado, tivemos uma combinação explosiva de alta utilização do terminal, questões geopolíticas e condições climáticas, levando a atrasos, capotamentos de carga e demurrage”, disse ele.

Além disso, cada tipo de carga enfrenta desafios específicos. Para granéis líquidos, o principal problema nos terminais brasileiros é a falta de berços para navios nos portos, disse Antônio Carlos Sepúlveda, presidente da Santos Brasil, operadora de três terminais de combustíveis no Porto de Itaqui, em São Luís.

“Nos últimos anos, muito foi investido no aumento da capacidade do terminal, mas os investimentos do setor público em novos berços não acompanharam a expansão. Embora haja capacidade de armazenamento ociosa, vemos uma escassez de espaço para beliches”, destacou o executivo. “Isso é preocupante, pois a demanda do agronegócio está aumentando no Matopiba [Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia]. O porto fornece diesel para esta região, e o setor também está começando a expandir as exportações de biodiesel.”

De acordo com a consultora Jennyfer Tsai, ex-diretora de infraestrutura da Santos Port Authority, a falta de berços também é um gargalo no cais santista para granéis líquidos.

Para ela, gerenciar o acesso em Santos é uma preocupação para todas as cargas, principalmente com a perspectiva de aumento do fluxo portuário e embarcações cada vez maiores. “Isso tende a aumentar a fila de navios, criando demurrage”, disse ela. A Sra. Tsai sugeriu que uma solução potencial seria delegar essa operação aos operadores de terminais em um arranjo semelhante a um condomínio, semelhante ao sistema ferroviário doméstico. No entanto, ela observou que não há um plano claro para melhorar o sistema.

A situação é ainda mais complexa para o transporte de grãos, já que a demurrage decorre de uma questão estrutural no mercado, explicou Helcio Tokeshi, presidente da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura), stakeholder em terminais de grãos no Maranhão e em Santos.

Devido às flutuações globais dos preços das commodities, as tradings do agronegócio tendem a concentrar sua demanda por navios nos dias em que os preços são mais favoráveis, causando congestionamento portuário. “A dinâmica do mercado favorece essa concentração, com safra e período de safra”, observou.

Com o objetivo de reduzir os custos dos clientes, o terminal da empresa no Maranhão adotou horários flexíveis em 2024 para dar aos navios mais margem de manobra para atracação, explicou Marcos Pepe Bertoni, diretor de operações da CLI. “Estendemos essa janela, reduzindo os custos de demurrage dos clientes em cerca de 50%. Conseguimos reduzir as filas.”

Em contêineres, o setor viveu um cenário caótico em 2024 com altas taxas de frete e terminais e armazéns congestionados, o que também aumentou os custos de demurrage devido às devoluções tardias de contêineres. De acordo com Barreto, devido às interrupções, as empresas de navegação dispensaram as taxas dos proprietários de carga em muitos casos.

Este ano, o setor vê a situação mais controlada, disse Maiara Córdova, gerente do Grupo Allog. “O setor experimentou picos piores no ano passado; Hoje, a situação está mais controlada”, disse ela. De acordo com Barreto, com o início da baixa temporada e a adição de novos navios, que aumentaram a capacidade, as taxas de frete de contêineres tiveram uma queda significativa.

De acordo com os consultores da Bain, a redução dos custos de demurrage no longo prazo depende de investimentos em infraestrutura e da flexibilização dos gargalos do Brasil. No entanto, também existem soluções de curto prazo. “Reduções significativas podem ser alcançadas melhorando a gestão, identificando as causas dos atrasos e adotando planos de ação para mitigar os impactos. As ferramentas de monitoramento das condições climáticas também ajudam a antecipar problemas”, afirmou Cammarata.

FONTE: Valor Internacional
Atraso nos portos causou custos adicionais de US$ 2,3 bilhões para o Brasil em 2024 | Negócios | valorinternational

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Importação, Informação, Negócios

Berço do zebu, Índia torna-se grande compradora de genética bovina do Brasil

A raça zebuína que deu origem à base da pecuária brasileira está fazendo o caminho de volta para a Índia por meio da exportação crescente de material genético brasileiro.

No ano passado, só a Alta Genetics Brasil, que tem um terço de share no mercado brasileiro de material genético bovino, exportou 40 mil doses de sêmen para o melhoramento genético do gado leiteiro na Índia, maior produtor mundial de leite. Neste ano, a Geneal Genética e Biologia Animal vai fazer a primeira exportação de embriões para a Índia.

“Os indianos nos disseram ter reconhecido que o zebu teve um melhoramento genético incrível no Brasil e agora querem levar isso para lá visando aumentar a produtividade do seu rebanho leiteiro”, explica Raquel Dal Secco Borges, supervisora do departamento de relações internacionais da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

Raquel trabalha no Brazilian Cattle, um dos projetos setoriais executados pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) desde 2003 em parceria com a ABCZ que visa abrir novos mercados e consolidar os atuais para elevar a exportação dos produtos das empresas da cadeia pecuária brasileira. O projeto tem 113 empresas de toda a cadeia pecuária como associadas, entre elas Alta e Geneal.

No ano passado, as exportações brasileiras de sêmen e embriões bovinos, segundo o Agrostat, sistema de estatísticas do agronegócio brasileiro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), renderam US$ 6,11 milhões ante os US$ 4,7 milhões de 2023, um crescimento de cerca de 30%. O maior aumento percentual de receita foi dos embriões, que passaram de US$ 818,9 mil para US$ 1,41 milhão, crescimento de 73,3%. Em volume, foram exportados 1.450 kg de material genético ante os 942 kg de 2023.

Os embarques de sêmen para a Índia tiveram o maior crescimento no período, passando de US$ 37,6 mil para US$ 618,9 mil, um aumento de 16 vezes e uma participação de 10% no total exportado.

No ranking das empresas associadas do Brazilian Cattle, responsáveis por 80% das exportações brasileiras de material genético bovino, a Índia passou de 16º maior importador em 2023 para a liderança, seguida por Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica.

Os países da América Latina ainda lideram as importações do setor, mas a Índia, o Paquistão (que fazia parte da grande Índia quando o Brasil importou os primeiros animais do berço do zebu) e os países africanos vêm ganhando cada vez mais espaço. Segundo Raquel, nesses países o foco é na genética leiteira, que representa atualmente cerca de 40% do total de material genético exportado pelo Brasil.

“O Paquistão e países da África como Senegal e Nigéria estão até importando gado vivo do Brasil por avião para melhorar a genética do rebanho de pequenos produtores que focam na renda diária do leite, mas, obviamente, a importação de sêmen é mais barata e de melhor logística.”

Flávia Roseane Paschoal, coordenadora de comércio exterior da Alta Genetics, diz que, das 24 milhões de doses de sêmen comercializadas pelas centrais brasileiras no ano passado no mercado interno e externo, 970 mil doses foram exportadas graças ao reconhecimento da genética brasileira e a abertura de novos mercados.

Segundo ela, a exportação de 40 mil doses de sêmen de gir para Mumbai, na costa oeste da Índia, no ano passado, foi a maior do país e teve que ser aprovada por um comitê do governo indiano que cuida do desenvolvimento leiteiro. A negociação começou em 2020, as doses foram produzidas em 2023 e o primeiro lote foi embarcado em janeiro do ano passado. As doses vieram de quatro touros renomados de quatro fazendas.

A unidade da Alta no Brasil, que tem o segundo maior faturamento da multinacional atuante em 90 países, fez ainda mais três exportações menores de sêmen, com 4 a 5 mil doses, para pequenos produtores indianos e está negociando para exportar também embriões.

“Os indianos são mais exigentes que outros mercados, mas estão muito interessados em melhorar a produção do seu rebanho leiteiro com a genética brasileira”, disse Flávia.

O índex da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) aponta que o Brasil produziu no ano passado 20.539.086 doses de sêmen, um aumento de 6% em relação a 2023. Desse total, 833.276 doses foram exportadas para 31 países, uma queda de 5% em relação às 873.674 do ano anterior.

As importações de sêmen ainda superam com folga as exportações, com 5.741.702 doses no ano passado, um aumento de 14%. No total, foram comercializadas 26.280.788 doses, um crescimento de 7,4% nesse mercado.

“O mercado de sêmen caminha muito próximo da demanda do preço da arroba. O ciclo pecuário está agora retomando seu movimento de alta e, no segundo semestre, quando começa a estação de monta, geralmente já ocorre um aumento. Neste ano, as exportações devem crescer bem porque esperamos ter o Brasil declarado livre de aftosa sem vacinação”, diz Lilian Roberta Matimoto Makabashi, diretora-executiva da Asbia.

De acordo com ela, nesse contexto, o Japão, que acaba de receber a visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e a Coréia do Sul se destacam como mercados promissores a serem abertos para o material genético bovino do país.

A diretora-executiva ressalta que a tecnologia no setor tem avançado bastante no Brasil nos últimos anos, o que atrai a atenção de outros países com clima tropical que ainda compram material genético de países de clima temperado. Segundo ela, um indicador do avanço da tecnologia é que no ano passado foram produzidas 1,1 milhão de doses sexadas no país, um recorde.

“Os criadores estão cada vez mais entendendo que precisam investir no melhoramento genético para elevar sua renda e as centrais estão elevando a produção de sêmen para atender a demanda. Há 20 anos, tínhamos 5% de fêmeas inseminadas no Brasil e hoje o percentual já chega a 23% graças à pressão do mercado por um animal mais produtivo.”

Novos mercados
O Brazilian Cattle trabalha atualmente na abertura de 24 novos destinos para material genético e 21 para animais vivos. Raquel Borges aponta México e África do Sul como grandes desafios, além da Austrália, mas diz que as negociações podem ser aceleradas se Brasil for mesmo reconhecido internacionalmente como território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa). A votação na Omsa está prevista para ocorrer em maio em Paris.

Segundo Raquel, o Brasil já tem um protocolo sanitário muito eficiente e rigoroso, mas na hora de exportar tem que atender requisitos diferentes de cada país para um mesmo produto.

“Protocolos sanitários são afetados pela legislação adotada pelo país importador e interesses comerciais defendidos por eles. Isso influencia o ritmo e celeridade das negociações.”

Conheça a fazenda escolhida pelos indianos
Para fechar sua primeira compra de mil embriões bovinos brasileiros, os indianos visitaram várias propriedades no país e escolheram a genética da Fazenda Floresta, em Lins, no interior paulista, que trabalha com melhoramento de gado leiteiro desde 2007.

A produtora Roberta Bertin Barros diz que sua fazenda é a única do país que tem três laboratórios dentro de seus 192 hectares: de análises clínicas veterinárias, de produção em vitro e de genômica. Ela conta que, além de receber os indianos, foi até o país asiático mostrar com vídeos e palestras como é feito o melhoramento do gir na fazenda, que também produz 20 mil litros de leite por dia para a Nestlé com suas vacas no sistema compost barn.

“Nossos animais são 100% produzidos em laboratório. Fazemos aqui todos os exames e, na pesquisa genômica, identificamos os defeitos genéticos e a ancestralidade dos animais para provar que não houve mistura com outras raças zebuínas. A Índia é o único país para o qual exportamos que exigiu esses dados para fechar o embarque dos embriões.”

Um lote de 200 embriões deve seguir para o berço do zebu em maio e mais 800 serão enviados em 2026. A própria Roberta, que é veterinária, e parte de sua equipe vão para a Índia acompanhar a transferência dos embriões para vacas selecionadas lá que também estão sendo submetidas a exames sanitários de tuberculose, brucelose e outras doenças, além de exames reprodutivos para não abortar.

“Não basta vender. É preciso ensinar manejo, dar dicas de nutrição etc. Por isso, pedimos aos compradores para enviar seus técnicos para estágio em nossa fazenda.”

A Fazenda Floresta exporta embriões congelados de gir e de girolando para países da América Central e África, além de vender o material genético e animais no mercado interno. No ano passado, a vaca Britânia FIV do Basa, criada na fazenda, foi a campeã nacional do ranking de gir. Ela foi vendida em seguida para um condomínio de produtores pelo recorde de R$ 1,05 milhão.

Roberta conta que os indianos estão tão interessados na genética brasileira que foram os primeiros a lhe dar parabéns pela vitória da Britânia.

Neste ano, as exportações da fazenda devem representar 50% graças ao embarque de animais vivos para a Nigéria. “Enviamos 90 animais em voo fretado para um criador que estava tão interessado em melhorar seu rebanho leiteiro que trabalhou junto ao seu governo para abrir o mercado nigeriano para o Brasil.”

A produção dos embriões que serão exportados para a Índia acontece no laboratório da Geneal, em Uberaba (MG), que tem a licença junto ao Mapa para o quarentenário das doadoras e uma parceria de longos anos com a Fazenda Floresta. Antes e depois da quarentena, os animais selecionados seguindo protocolos indianos de sanidade, pureza e produtividade passam por rigorosos exames.

Paulo Cerântola, gerente comercial da Geneal, diz que a empresa produziu 5.000 embriões para exportação em 2024, um aumento de 15%, e deve dobrar o número neste ano. No mercado interno, a empresa de Uberaba que também faz clonagem de bovinos comercializa mais de 30 mil embriões por ano.

Fonte: Globo Rural
Berço do zebu, Índia torna-se grande compradora de genética bovina do Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Industria, Informação, Negócios

Brasil vende mais frutas e calçados ao Kuwait

Apesar do recuo nas exportações como um todo do Brasil ao Kuwait em fevereiro, houve aumento nas vendas de alguns produtos nem tão tradicionais da pauta, como obras de ferro fundido, frutas, calçados, madeira, papel e cartão e móveis.

As exportações brasileiras gerais ao país somaram US$ 19 milhões, com queda de 50% sobre o mesmo mês de 2024, quando estavam em US$ 28 milhões.

As informações foram coletadas junto ao Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A queda geral foi influenciada por vendas menores de produtos como carnes e miudezas, que são as principais embarcadas, com US$ 17,7 milhões em fevereiro do ano passado e US$ 16,4 milhões em igual mês deste ano. Também recuaram as exportações de café, de US$ 256,3 mil para US$ 237,6 mil no mesmo comparativo, e de preparações de carne, de US$ 528,9 mil para US$ 168,9 mil.

Já as exportações de obras de ferro fundido, inexistentes em fevereiro de 2024, ficaram em US$ 407 mil no mês passado. Frutas saíram de vendas de US$ 18,2 mil para US$ 346,4 mil no mesmo comparativo, os calçados de US$ 133,9 mil para US$ US$ 306,2 mil, a madeira de US$ 87,8 mil para US$ 201,8 mil, papel e cartão de US$ 73,3 mil para US$ 172,7 mil e os móveis de US$ 79,9 mil para US$ 139,9 mil.

Origem das exportações

O estado brasileiro que mais fez exportações do Kuwait em fevereiro foi o Paraná, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Ceará, Mato Grosso e Espírito Santo. Os portos de Paranaguá, no Paraná, de São Francisco do Sul, cidade catarinense, e de Rio Grande, no estado gaúcho, foram os três pelos quais foram embarcadas a maior parte das mercadorias.

Fonte: ANBA
Brasil vende mais frutas e calçados ao Kuwait

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Importação, Industria, Informação, Negócios, Portos

Entregas de fertilizante caíram 0,1% em janeiro

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) revela que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram janeiro de 2025 com 3,69 milhões de toneladas. O volume significou redução de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2024.

O Estado de Mato Grosso manteve-se líder nas entregas, concentrando 27,8% do total, com um milhão de toneladas. Seguem-se: Paraná (532 mil), Goiás (441 mil), Minas Gerais (364 mil) e São Paulo (321 mil).

Produção Nacional

A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou janeiro de 2025 em alta. Foram 647 mil toneladas. Verificou-se crescimento de 21,8% na comparação com o mesmo mês de 2024, quando foram fabricadas 531 mil toneladas.
Importações

De acordo com a ANDA, as importações de fertilizantes intermediários alcançaram em janeiro três milhões de toneladas. Houve crescimento de 2,5% frente ao mesmo mês de 2024, quando foram importadas 2,93 milhões de toneladas.

No porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos fertilizantes, ingressaram 718 mil toneladas, com redução de 6,3% em relação a 2024, quando foram descarregadas 766 mil toneladas. O terminal representou cerca de 24% do total importado (fonte: Siacesp/MDIC).

O gráfico abaixo exibe o volume de fertilizantes importados pelo Porto de Paranguá, no Brasil – o mais movimentado do país para esse tipo de carga – entre janeiro de 2021 e janeiro de 2025. Os dados são do DataLiner.

Importações de Fertilizantes | Porto de Paranaguá | Jan 2021 – Jan 2025 | WTMT


Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

FONTE: DataMar News
Entregas de fertilizante caíram 0,1% em janeiro – DatamarNews

Ler Mais
Comércio Exterior, Economia, Gestão, Industria, Informação, Investimento, Negócios, Portos

Boric visita Brasil e prioriza desenvolver plano de rota Atlântico-Pacífico

Obras para rota terrestre que sai de portos brasileiros na costa do Atlântico e termina em portos chilenos no Pacífico devem ser concluídas em 2026

O presidente do Chile, Gabriel Boric, realizará visita oficial ao Brasil entre os dias 22 e 23 de abril e terá como uma de suas prioridades na viagem conversar com autoridades no país sobre as obras para a rota terrestre que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico na América do Sul, disseram fontes próximas ao assunto à CNN.

A rota “bioceânica de Capricórnio” — como é chamada — sai dos portos brasileiros de Santos (SP), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Itajaí (SC), no Atlântico, cruza o Paraguai e a Argentina e leva aos portos chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta, no Pacífico.

Em laranja, rota de Capricórnio do plano de integração sul-americana • Reprodução / MPO

As obras são coordenadas no bojo de um esforço por integração sul-americana tocado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) do governo Lula. “Menina dos olhos” da ministra Simone Tebet, o plano de infraestrutura contempla esta e outras quatro rotas dentro do continente.

Boric deve se encontrar com o presidente Lula no dia 22 e pediu que, na esteira desta reunião, seja organizado um seminário, com autoridades chilenas e brasileiras, para debater o plano. A ideia é discutir, por exemplo, os impactos ao comércio e turismo que esta rota acarretaria.

A previsão do MPO é de que a rota seja “entregue” ainda no governo Lula, em 2026. São necessárias ainda duas intervenções para sua conclusão: uma ponte que ligará as cidades de Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, e o asfaltamento de uma estrada entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, também no Paraguai.

Ambas as obras, da ponte e da estrada, estão previstas para serem concluídas no ano que vem. Visto que os demais trechos necessários para que a ligação terrestre entre Atlântico e Pacífico já estão de pé, há expectativa de que a entrega ocorrerá, e a ideia é já discutir os ganhos em integração.

FONTE: CNN Brasil
Boric visita Brasil e prioriza desenvolver plano de rota Atlântico-Pacífico | CNN Brasil

 

Ler Mais
Economia, Finanças, Gestão, Informação, Investimento, Negócios, Tributação

Governo Trump anuncia 10% de taxas sobre produtos brasileiros

Anúncio feito na tarde desta quarta-feira (2), no que presidente chamou de “Dia da Libertação”, traz impactos para o mercado global

O presidente Donald Trump anunciou na tarde desta quarta-feira (2) um “tarifaço” global. A série de impostos de importação fazem parte do que ele chamou de “Dia da Libertação” e têm gerado reações nos mercados ao redor do mundo. Para o Brasil, as tarifas anunciadas foram de 10%, mesmo valor praticado pelo nosso país no mercado norte-americano, segundo Trump.

De modo geral, outros países têm visto o “tarifaço” como uma medida destrutiva para a economia global, e pretendem retaliar. No Brasil, o sentimento entre exportadores e o governo é de apreensão. Na terça (1º), o Senado aprovou um projeto como resposta às tarifas americanas. O projeto também foi aprovado na Câmara nesta quarta-feira.

As tarifas recíprocas são para países que cobram taxa de importação de produtos norte-americanos. O nome de “Dia da Libertação” se dá porque o presidente afirma que o conjunto de taxas “libertará os EUA de produtos estrangeiros”.

Segundo Trump, os Estados Unidos sofrem tratamento injusto de outros países, que vendem para o país e cobram taxas de produtos americanos em seus mercados para impedir a competição com produtos nacionais.

Trump acredita que com essa medida vai atrair para os Estados Unidos investimentos produtivos e empregos que migraram para outros países nas últimas décadas.

Tarifaço anunciado

O primeiro anúncio foi da aplicação de 25% de tarifas em todos os automóveis importados. A medida, que tem como foco a Europa e países asiáticos, passará a valer já nesta quinta-feira (3).

Trump citou ainda produtos da União Europeia, Austrália, China, Japão e outros parceiros comerciais, sem mencionar o Brasil. A importação da carne australiana foi alvo de críticas por parte do presidente.

— As tarifas serão de pelo menos metade do que eles estão cobrando da gente — apontou Donald Trump.

Em seguida, Trump revelou uma tabela com uma lista de países, que mostrava o valor das taxas aplicadas pelos países contra os EUA e o quanto os Estados Unidos pretendem aplicar de tarifa para os produtos dos referidos países.

Confira os cinco primeiros da lista:

  • China: 67% e 34%
  • União Europeia: 39% e 20%
  • Vietnã: 90% e 46%
  • Taiwan: 64% e 32%
  • Japão: 46% e 24%

No caso do Brasil, o presidente americano destacou que as tarifas cobradas atualmente dos EUA são de 10%. Assim, os Estados Unidos irão aplicar tarifas similares, também de 10%, para os produtos brasileiros.

Câmara aprova urgência em lei contra tarifaço de Trump

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou na terça-feira (1º) um projeto que cria a Lei da Reciprocidade Econômica. A medida é uma resposta ao tarifaço do presidente americano Donald Trump e propõe mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.

O texto prevê que o governo federal poderá agir para combater decisões unilaterais estrangeiras que:

  • violem e prejudiquem acordos comerciais do Brasil;
  • ameacem ou apliquem sobretaxas; ou
  • decretem critérios ambientais para produtos brasileiros, mais rígidos do que os aplicados para os mesmos produtos nos países importadores.

A proposta tem apoio do governo e da bancada do agronegócio. Além de responder às sobretaxas anunciadas recentemente por Trump em relação a produtos de fora, a medida também mira em ações da União Europeia contra a agropecuária brasileira — incluindo a resistência em assinar o acordo com o Mercosul — por suposta falta de compromisso ambiental.

A Câmara dos Deputados aprovou caráter de urgência para análise da proposta, que pode ser votada ainda nesta quarta (2). Se aprovada, a proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Brasil não adota tarifas específicas contra países. As regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) preveem o princípio da “nação mais favorecida” entre seus membros — ou seja, a proibição de favorecer ou penalizar um colega de OMC com tarifas.

Em discursos recentes, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem defendendo que o Brasil adote a reciprocidade em casos de taxação.

FONTE: NSC Total
Governo Trump anuncia 10% de taxas sobre produtos brasileiros – NSC Total

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook